domingo, 12 de julho de 2026

Um chamado à razão em face da "polarização política"; o perigo maior vem de uma direita reacionária: texto de Carmen Lícia Palazzo

Um chamado à razão em face da "polarização política" 

    Transcrevo abaixo um texto que considero importantíssimo, de Carmen Lícia Palazzo, sobre as escolhas que se nos apresentam na próxima eleição presidencial, ao qual faço esta breve introdução (PRA)

    Como a imensa maioria da população brasileira, especificamente do seu eleitorado, estou profundamente insatisfeito com a situação do Brasil, assim como das possibilidades que se nos apresentam como candidatos propositivamente viáveis

Há um certo desalento com a falta de estadistas que discutam questões cruciais, de segurança, de prosperidade econômica, de possibilidades educacionais e, sobretudo, de superação dessa divisão política estéril, mas que persiste.

Expresso em primeiro lugar uma preocupação com a recusa das escolhas, com a negação do voto, com a abstenção nas urnas, pois a ausência de definição redundará justamente na continuidade do que temos de mais paralizante: a indiferença em face de opções difíceis de serem tomadas. 

Já vimos em outros países, certamente nos anos 1930, e ainda agora, no país que se acredita o mais poderoso do mundo, como o apelo ao MEDO pode influenciar o voto de pessoas indecisas, provocando justamente o agravamento de problemas já existentes. 

O negacionismo vacinal, o retorno a um passado que se considera desejável, a submissão da política externa a uma potência estrangeira, a mentira sobre supostas "virtudes familiares", o apelo a uma falsa religiosidade de ocasião, o oportunismo rasteiro que esconde a desonestidade no uso dos recursos públicos, tudo isso deve servir de alerta contra uma volta ao passado recente, à mesma tropa de meliantes políticos que tentaram destruir a democracia no Brasil, assim como o vulgar dirigente da América do Norte está destruindo a da mais velha República do hemisfério, o que já se tornou realidade.

Recomendo a leitura atenta dos argumentos apresentados abaixo, seguida de uma reflexão ponderada sobre os maiores riscos à racionalidade e à governança do Brasil.

Paulo Roberto de Almeida

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Agora a postagem de Carmen Lícia Palazzo

“Sou, obviamente, contrária a toda e qualquer ditadura, seja ela de esquerda ou de direita. No entanto, no mundo atual, já ficou mais do que evidente que o grande risco é semelhante ao que ocorreu na Europoa antes da II Guerra, o de uma direita fascizante estar se esgueirando pelas frestas de todos os descontentamentos, até que alcance o poder e instaure o que de mais abjeto e horrendo já se viu no passado.

É sob o disfarce de "valores de família", de "controle de uma juventude imoral" e outras bandeiras semelhantes que o que há de pior vai ganhando espaço. Não se busca nenhum benefício para os deserdados do mundo, não haverá nenhum avanço em áreas sociais, mas apenas a mais total e completa barbárie repressiva, que se imiscui incluive nas vidas privadas de cada um.

Fico pasma de ver a desonestidade de alguns ditos intelectuais comparando negativamente Xi Jinping e Trump. É ignorância? Não, da parte de gente inteligente é má fé mesmo. O que a China tem alcançado em matéria de avanços que são compartilhados com a maioria da sua imensa população, os cuidados na saúde e o empenho para que a Educação alcance efetivamente a todos é o oposto do que o sujeito monstruoso, imoral que governa os EUA deseja e faz. Ter colocado o Kennedy na Saúde, estar em queda livre na taxa de vacinas e com doenças que estavam erradicadas retornando é crime. Isso sem falar em suas barbáries internacionais.

E, aqui dentro, na nossa política, só pessoas igualmente desonestas ou de extremo desconhecimento de tudo e, quem sabe, com graves problemas pessoais que as impedem de ver com clareza a situação, é que podem, ainda agora, dar apoio a políticos do PL e ao bolsonarismo. No entanto, o que vejo e que me assusta, é muitos supostamente neutros e que se dizem desencantados com a política em geral, agindo com o famoso "passar pano" nesse tipo de gente, abrindo espaço para que cheguem inclusive ao Congresso, criaturas como os apadrinhados do Valdemar, do Bolsonaro e agora da tal nova ala das "mulheres da Michelle". 

Não se iludam, tudo isso é assustador. Não é engraçado, não é motivo para chacota, não é circo. Circo é arte. É decente. Essa gente é o "fascismo eterno" retornando em roupagens modernas. Essa gente é perigosa e está em diversos setores. Essa gente tentou tomar o MEC e a Saúde, duas áreas cruciais e de dificílima administração, em qualquer país do mundo. Raramente atuam muito bem e têm problemas graves (não só no Brasil), mas nada, absolutamente nada é mais perigoso do que ter fascistas na Educação e na Saúde. E pior ainda quando eles manipulam a população mais simples e menos informada.

Grandes especialistas (estudo o assunto, não falo sem conhecimento, leio muito, muitíssimo) estão mostrando que, no século XXI, o pensamento fascizante se apoia em  lideranças supostamente religiosas. Não era o caso do nazi-fascismo do século XX, que tinha um discurso sobre valores da família, mas sem apoio formal de igrejas, até porque não havia tal disseminação das tais "igrejas"como atualmente. No entanto, nos EUA, católicos e protestantes, tantos os chamados de históricos quanto os neopentecostais, não estão apoiando o Trump. Por lá, igrejas como a Católica, a Presbiteriana e várias outras denominações protestantes têm demonstrado a maior DIGNIDADE e CORAGEM, inclusive em defesa dos imigrantes contra a horrenda e criminosa atuação das milícias do ICE. Infelizmente aqui, com a proliferação de "igrejas" em cada esquina e grande parte delas com discursos assustadoramente preconceituosos, muita gente que ignora o que elas representam ainda participam de suas atividades e seguem seus líderes.  E mesmo que a cada dia um desses líderes, dito religioso, se revele desonesto, assediador, mau caráter e milionário à custa de falcatruas bem mais rentáveis para eles do que os famosos dízimos. E, no entanto, muitas dessas "igrejas"continuam repletas de "fiéis".

A situação é grave, mesmo que o Flávio não vá se eleger. E é grave porque essa gente fascizante está tomando o Congresso Nacional. Não minimizem os riscos como sendo apenas casos de piada, de ignorância, de pessoas que vemos como "toscas". Essa extrema-direita pode até ser realmente tosca, mas tem muito dinheiro, já ganhou o apoio de algumas pessoas de formação técnica em certas áreas, que falam de "eficiência", de "reformas", de "limpeza", no entanto estão é promovendo um extremismo retrógrado e assustador.

Como há gente que não se dá conta disso?

Estudaram mal a História?

Não entenderam tudo o que a Europa já passou?

O texto é enorme, mas achei necessário, e foi motivado por que me dei conta de que ainda há muitas pessoas que eu conheço e que, sendo supostamente defensoras de um dito futuro melhor para o Brasil, estão apoiando o que há de mais vil, de mais ignóbil. E, se não os apoiam abertamente, abrem espaço para que tais criaturas ocupem cada vez mais espaços. Em breve pautas importantes sobre as mulheres, as crianças, a diversidade, a laicidade serão DESTRUÍDAS em nome da tal "limpeza", da tal "moralização" e outros "motes"bradados por eles, mas que nada têm a ver com a verdadeira decência.

CUIDADO!

Discursos supostamente bonitos, bem estruturados e que apelam aos SENTIMENTOS da população e também aos seus MEDOS podem ser PERIGOSÍSSIMOS.""

Caarmen Lícia Palazzo

 

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