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terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Itamaraty Sequestrado (2021) corre ainda o risco de ser novamente sequestrado: algumas reflexões em 2026, às vésperas de nova eleição - Paulo Roberto de Almeida

Recentemente recebi uma proposta de voltar a "reviver" um livro que publiquei por uma "editora" inventada, a Diplomatizzando, em 2021, depois da demissão do chanceler acidental no início do ano, o primeiro dos dois que teve o mandato do capitão golpista, e que eu  esperava que fosse o meu último de um ciclo dedicado aos horrores do bolsolavismo diplomático, como eu designei os inacreditáveis anos da maior deformação de nossa política externa e de nossa diplomacia.

Não sei se vou retomar esse livro, mas reproduzo aqui seu frontispício, seu índice, e a primeira explicação do prefácio, antes de pensar em refazer o caminho da resistência novamente. Aguardo os resultados das eleições de 2026 para decidir o que fazer.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 29 de setembro de 2026

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 Do livro:  

O Itamaraty sequestrado: a destruição da diplomacia pelo bolsolavismo, (Brasília: Diplomatizzando, 2021, 130 p. ISBN: 978-65-00-22215-9; ASIN: B094V28NGD)

 

Frontspício:  

Navegar é preciso, como prescreve a conhecida frase vinda da Antiguidade clássica.

Correto, em sua singela atitude, mas não basta meramente seguir adiante, em meio à borrasca, ou contemplando a violência arrogante que se abate sobre nós.

Resistir também é necessário, em face do arbítrio, do desgoverno, da mentira, da fraude, da sordidez, da desumanidade, da ignorância, da perversidade, do sectarismo, do fundamentalismo, da intolerância, da burrice e, sobretudo, da prepotência e da estupidez.

É preciso não só resistir, mas antepor a tudo isso o diagnóstico correto, assim como prescrever o tratamento adequado, segundo os melhores valores da ética pública, acompanhada de sólidos princípios morais, fundamentados na razão e derivados do conhecimento.

Tal é o sentido de minhas reflexões e tais são as motivações de minha postura, de meus escritos, de minhas ações.

Refletir, resistir, navegar...

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 30 de abril de 2021

 

 

 

 

Este livro é dedicado aos meus colegas do corpo da diplomacia profissional do Serviço Exterior brasileiro, que tiveram de suportar, durante dois anos e alguns meses, a mais esquizofrênica das diplomacias imagináveis, seja na já longa trajetória da política externa brasileira, desde a Independência, seja no plano da diplomacia mundial, absolutamente sem precedentes em nossa história (e, espera-se, sem sucedâneas), ou na comparação com qualquer outra diplomacia nacional, no contexto regional ou em âmbito mundial. 

A todos os colegas, de todas as classes, condições e opiniões que possam ter sobre a substância do que deveria ser a política externa brasileira, meus cumprimentos pela resiliência, pela persistência e pela resistência, ainda que de maneira silenciosa e discreta. Creio ter interpretado o sentimento da maioria, mesmo quando alguns discordaram de minha postura e de meu posicionamento em face da miséria diplomática e da destruição da inteligência que vivemos desde o final de 2018 até o início de 2021.

 

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Índice

 

 

Prefácio  , 9

 

1.  Ascensão e queda do bolsolavismo diplomático, 2018-2021 , 14

1.1.     O assalto dos novos bárbaros ao Itamaraty , 14

1.2.     Novamente no limbo, analisando o bolsolavismo diplomático ,  18

1.3.     A patética carta de demissão do chanceler acidental , 20

 

2.  Degradação democrática e demolição diplomática , 22

2.1.     O destino da nação: declínio ou renovação da democracia brasileira? ,  22

2.2.     A História não se repete, nem mesmo como farsa ,  24

2.3.     O que fazer na ausência de um estadista circunstancial? , 25

2.4.     Uma inédita ruptura nos padrões tradicionais da política externa , 26

2.5.     O alinhamento automático ao presidente Trump: um escândalo temporário .  27

2.6.     A hostilidade em relação à China como critério da identidade comum , 28

2.7.     O isolamento na esfera internacional e no contexto regional , 29

2.8.     O caso da tecnologia 5G: prejuízos reais em qualquer hipótese ,  30

2.9.     O caso da Amazônia: uma extraordinária vocação para o erro  , 31

2.10.  A postura no caso da pandemia da COVID: negacionismo em toda a linha , 31

2.11.  Uma nova Idade das Trevas? , 32

 

3.  Submissão ao Império e relações com os vizinhos regionais , 34

3.1.     A importância da descontinuidade, em circunstâncias inéditas  ,  34

3.2.     A importância histórica das relações regionais e hemisféricas , 34

3.3.     Da aliança não escrita aos impasses políticos e econômicos , 35

3.4.     Bolsonaro e uma inédita relação de alinhamento sem barganha ,  36

3.5.     A desintegração regional e o desalinhamento com os vizinhos , 39

3.6.     Qual o futuro da integração, do Mercosul, da política externa brasileira? , 40

 

4.  Um novo animal na paisagem: o globalismo e os seus descontentes , 42

4.1.     O espectro do globalismo: a emergência da irracionalidade oficial ,42

4.2.     Dos antiglobalizadores aos antiglobalistas?,  43

4.3.     À la recherche du globalisme perdu ,  44

4.4.     Os nacionalismos canhestros: genitores do antiglobalismo irracional , 48

 

5.  Um “balanço” desequilibrado: a despedida do chanceler acidental , 50

5.1.     Ascensão e queda de um capacho exemplar ,  50

5.2.     O “balanço” e o seu oposto: mentiras, falácias e falcatruas , 51

5.3.     A justificativa prolixa e a declaração de política objetiva ,  75

 

6.  Quo vadis, Brasil? , 76

6.1.     Estaríamos enfrentando uma fase tendencial de declínio? ,  76

6.2.     O que é verdadeiramente estratégico na vida da nação? ,   77

6.3.     Quão baixo, quão fundo, uma sociedade pode descer? ,  78

6.4.     Um “exército de ocupação” interno? , 81

6.5.     Sobre os descaminhos do Brasil atual  , 83

  

     Apêndices  , 84

 

     Sumários dos livros do ciclo do bolsolavismo diplomático  ,  84

(1)  Miséria da diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty ,  84

(2)  O Itamaraty num labirinto de sombras: ensaios de política externa e de diplomacia brasileira ,  85

(3)  Uma certa ideia do Itamaraty: a reconstrução da política externa e a restauração da diplomacia brasileira  ,  85

(4)  O Itamaraty Sequestrado: a destruição da diplomacia pelo bolsolavismo, 2018-2021  ,  88

(5)  Apogeu e demolição da política externa: itinerários da diplomacia brasileira ,  89

 

     Livros publicados pelo autor  ,  91

     Nota sobre o autor ,  95

 

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Prefácio

 

Pretendo que este seja o meu “último” livro, não absolutamente, mas relativamente, e isto a dois títulos: ele pretende circunscrever um período determinado da trajetória do Itamaraty contemporâneo, tal como evidenciado nos anos extremos de seu subtítulo, e tem, sobretudo, o objetivo de concluir a série dos livros de debate, ou de “combate”, do ciclo que chamei de “diplomacia bolsolavista”, iniciada de maneira improvisada e que assim continuou por mais quatro exemplares da série, agora aparentemente vindo a termo. Espero não ter de voltar mais ao período que se encerrou em março de 2021 – salvo algum novo “acidente de percurso” – e voltar a dedicar-me a trabalhos de pesquisa menos marcados por aspectos conjunturais como os que aqui são enfocados, em especial aposentando definitivamente esse adjetivo pouco recomendável que marcou a diplomacia “bolsolavista” do Brasil nesses anos. 

(...) 

 

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