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terça-feira, 12 de maio de 2026

Um dia que vai ficar na História - Paulo Roberto de Almeida, Anton Gerashchenko

 Um dia que vai ficar na História 

O evento geopoliticamente MAIS IMPORTANTE neste quinto mês de 2026 foi o fato de Zelensky ter concedido autorização a um Putin atemorizado para que este pudesse realizar uma parada pífia no dia 9 de maio, a data politicamente mais relevante no calendário mistificador da “Grande Guerra Patriótica”, que só assumiu essa qualificação porque o idiota do Hitler impediu que o tirano Stalin continuasse como seu aliado na destruição das democracias ocidentais da Europa.

Essa data precisa ser marcada, porque ela representa o começo do fim do tirano de Moscou.

Leiam esta matéria de Anton Gerashchenko (X, 11/05/2026)

“In my opinion, yesterday a turning point in the war took place.

Perhaps we still do not fully grasp the significance of what happened.

For the first time, Putin publicly showed his weakness and inability to independently protect his capital, his parade, and himself from our strikes. Because of this, a frightened Putin was forced to publicly humiliate himself and ask Trump, as a mediator, to help stop a strike on Moscow.

De facto, Putin asked Trump to protect him from the Ukrainians.

I consider President Zelenskyy’s order a brilliant informational slap in the face and an additional public humiliation.

It is obvious that before and during the parade, Putin was physically afraid - he felt vulnerable and threatened.

Putin publicly appeared weak and humiliated, and in Russia’s "prison-style" political culture, such things are not forgiven.

A weak "tsar," mocked by everyone, cannot remain a tsar in Russia.

These are very, very hard times for Ukraine. However, Ukraine is strong, resilient, and continues the fight.

Slava Ukraini!”

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Putin’s regime will 'end suddenly' - Why Russian victory is now impossible - Major General Chip Chapman (The Sun)

Putin’s regime will 'end suddenly' - Why Russian victory is now impossible
The Sun, May 10, 2026

Is Vladimir Putin’s grip on power slipping?

In this exclusive interview, Major General Chip Chapman, former Senior British Advisor to US Central Command, reveals why the Kremlin is more fragile than it appears.

As Russia faces staggering losses of over 1,400 men per day and a 'transparent battlefield' that has rendered traditional military manoeuvres impossible, Chapman argues that the regime is entering a 'death spiral'

We dive deep into the 'mafia state' dynamics of the FSB, the likelihood of an elite-led coup, and the terrifying prospect of a 'Bosnia with nukes' should the Russian Federation fracture. Chapman breaks down the three conditions that lead to a regime’s sudden collapse and explains why the person who replaces Putin might be even more dangerous for the West.
https://www.youtube.com/watch?v=KBXGlfe9PW8

domingo, 10 de maio de 2026

O lado humano de Zelensky: interview

 O lado humano de Zelensky: ator, empresário de espetáculos, com muito bom humor:


Is Trump on Putin’s Side? | The President Zelenskyy Interview

https://www.youtube.com/watch?v=-uCjUbVu5aY

O mundo segundo as regras do PT: editorial do Estadão (19 de fevereiro de 2026) sobre o chanceler de facto do Brasil ; comentários de Madame IA

Um editorial do Estadão de 19 de fevereiro de 2026, ainda válido em suas grandes linhas. 



"O chanceler de fato CA é objeto de um editorial do Estadão, neste domingo 01/02/2026. Ele costuma ser conhecido pelo slogan que cunhou para a diplomacia lulopetista: “ativa e altiva”. Cabe também recordar outros feitos do ex-chanceler que não são mencionados frequentemente pelos canais de comunicação; vou apenas lembrar dois dos casos mais sórdidos. Em 2005, durante jogos esportivos panamericanos no RJ, dois boxeadores cubanos pediram asilo no Brasil, pois não pretendiam mais voltar à ilha-prisão. CA providenciou com Chávez o envio de um jatinho venezuelano, para levar os boxeadores cubanos de volta a Cuba. Um deles depois se refugiou na Alemanha. Em 2022, as tropas invasoras russas cometeram crimes de guerra na cidade ucraniana de Bucha, assassinando a sangue frio dezenas de residentes. As provas eram irrefutáveis, com ampla documentação comprobatória. Na única vez que visitou a Ucrânia, meses depois, CA foi levado a uma exposição de fotos sobre os crimes de guerra cometidos em Bucha. Ainda assim, negando as aplastantes evidências sobre os crimes contra a humanidade e os crimes de guerra perpetrados pelas forças invasoras, CA continuou protegendo os criminosos, com a seguinte frase: “Não se pode saber: são apenas fotos”. Creio que basta.", escreveu o diplomata brasileiro Paulo Roberto de Almeida, em 01/fevereiro/2026, ao comentar um editorial do Estadão; hoje (10/maio/2026), ele relembrou em seu blog Diplomatizzando.



Nesta releitura crítica de 10 de maio de 2026, o diplomata Paulo Roberto de Almeida utiliza o blog Diplomatizzando para consolidar um veredito ético sobre a atuação de Celso Amorim (CA), o "chanceler de fato" do governo Lula. A análise foca no que o autor chama de "sórdido": a distância abissal entre a retórica da diplomacia "ativa e altiva" e a prática de conivência com regimes autoritários.
Abaixo, a decodificação dos fatos e a análise detalhada das implicações políticas:
1. Decodificação dos "Casos Sórdidos":
O texto resgata dois episódios de conveniência ideológica que, na visão do autor, mancham a tradição humanitária do Itamaraty:
- O Caso dos Boxeadores Cubanos (2007 - Errata de data): Almeida refere-se a Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux. Durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, eles tentaram desertar. A crítica recai sobre a logística da devolução: o uso de um avião venezuelano (articulação entre Brasília, Caracas e Havana) para enviá-los de volta à "ilha-prisão" sem o devido processo de asilo, o que é visto pelo autor como uma entrega de refugiados a seus perseguidores.
- O Negacionismo de Bucha (2022/2023): Esta é a crítica mais atual e grave. Refere-se à reação de Celso Amorim diante das evidências de massacres em Bucha, na Ucrânia. Ao dizer “Não se pode saber: são apenas fotos”, Amorim é acusado de aplicar um ceticismo seletivo para proteger os interesses da Rússia (parceira no BRICS), ignorando relatórios da ONU e perícias internacionais que confirmaram os crimes de guerra.
2. Análise Crítica: A Ética do "Não Saber":
A análise de Almeida em 2026 sugere que a política externa brasileira sob a influência de Amorim não é orientada pelo Direito Internacional, mas por um pragmatismo ideológico de viés antiamericano:
- A "Ativa e Altiva" como Eufemismo: O autor sugere que o slogan é uma máscara para uma diplomacia que é "ativa" na proteção de ditadores e "altiva" apenas contra democracias ocidentais.
- A Desumanização da Geopolítica: Ao reduzir provas de crimes contra a humanidade a "apenas fotos", Amorim estaria, segundo a crítica, desumanizando as vítimas em favor de um equilíbrio de poder geopolítico. Isso coloca o Brasil em uma posição de isolamento moral frente às democracias liberais.
- O Papel de "Chanceler de Fato": Almeida reforça a percepção de que as decisões estratégicas não passam pelo chanceler oficial (Mauro Vieira), mas pelo gabinete pessoal de Lula no Planalto, onde Amorim opera sem o escrutínio das estruturas tradicionais do Itamaraty.
3. Síntese do Impasse Diplomático em 2026:
O resgate desses fatos em maio de 2026, num momento em que a Rússia enfrenta o cenário de "Dia da Derrota" (como analisado anteriormente), serve para expor o erro de cálculo da diplomacia lulopetista. Ao apostar na longevidade e na "razão" de Putin, o governo brasileiro, através de Amorim, teria se vinculado a um lado da história que agora, em 2026, colapsa sob o peso de crimes de guerra e fracassos militares.
Para o autor, "basta" como conclusão de que a diplomacia atual não é um instrumento de Estado, mas um instrumento de partido que ignora a realidade factual em favor de narrativas de conveniência.

Fonte (IA Gemini):

Putin says he thinks Ukraine conflict 'coming to an end' - BBC + Madame IA

Senhor juiz, pare agora!
Putin pede água: já não aguenta mais, nem a sociedade russa e, sobretudo, seus amigos oligarcas, que se tornaram bilionários e já expatriaram seu capital, certamente.
Vai pedir a um juiz suspeito (por ter afinidades pouco eletivas com o tirano de Moscou) que arrume um final, qualquer final, para uma luta que já dura cinco anos e não tem prazo para acabar (ou sim, pode term quando refinarias, oleodutos e fábricas de armas do criminoso de guerra forem arrasadas pelos drones de um povo valente e inventivo, coisa que nem se vê do lado agressor).

Putin says he thinks Ukraine conflict 'coming to an end' 

BBC, 9/05/2026
Russian President Vladimir Putin has said he thinks Russia's conflict with Ukraine is coming to an end...
https://www.bbc.com/news/articles/cn8p4j2jzwwo

Russian President Vladimir Putin has suggested Russia's conflict with Ukraine could be drawing to a close.

Speaking after Saturday's scaled-back Victory Day military parade in Moscow, he said: "I think that the matter is coming to an end" - referring to the "special military operation" in Ukraine - while condemning Western support for Kyiv.

The parade - marking the Soviet victory in World War Two - lacked the usual display of tanks and missiles, as authorities feared Ukraine might target Red Square.

A US-brokered ceasefire reduced the danger of attacks and the parade passed off without incident. However Ukraine and Russia later accused each other of violating the three-day truce.
Putin's comments came just hours after he used his annual Victory Day speech to justify the war.

In that speech he said Russia was fighting a "just" war and called Ukraine an "aggressive force" that was being "armed and supported by the whole bloc of Nato".

Later, when asked at a news conference about the West helping Ukraine, Putin said: "They (West) promised assistance and then began fuelling a confrontation with Russia that continues to this day. I think that the matter is coming to an end, but it is a serious matter."
Russian forces seized Crimea and parts of eastern Ukraine in 2014, then launched a full-scale invasion of Ukraine in February 2022.

Putin said he would only meet Ukraine's President Volodymyr Zelensky once a lasting peace deal was agreed to.

"A meeting in a third country is also possible, but only once final agreements have been reached on a peace treaty for a long‑term historical perspective, to take part in this event and sign (treaty), but it must be a final step," he continued.

Putin said he had heard that Zelensky was ready to hold a personal meeting but added "this is not the first time we have heard such statements".

Putin said he would be willing to negotiate new security arrangements for Europe, and that his preferred negotiating partner would be Germany's former Chancellor Gerhard Schröder.

The ex-chancellor is a longstanding friend of Putin, and controversial because of his work for Russian state-owned energy firms.

Last week European Council President António Costa said he believed there was "potential" for the EU to negotiate with Russia, and that Zelensky favoured such a move. Quoted by the Financial Times, Costa said he was consulting EU leaders on "what we need effectively to discuss with Russia when it comes to the right moment to do this".

As part of the US-led ceasefire deal over the weekend, Kyiv and Moscow agreed to a swap of 1,000 prisoners from each country. But Putin said on Saturday that Russia had not yet heard from Ukraine about any exchanges.
On Sunday Russia accused Ukraine of repeated violations of the ceasefire - including more than 6,000 drone strikes and hundreds of artillery attacks. Ukraine reported several people injured from Russian drone attacks in the Kharkiv, Dnipropetrovsk and Zaporizhzhia regions.

For the first time in nearly two decades there was no military hardware at the Red Square parade, which the Kremlin normally showcases to project Russian military power on the international stage.

There were also far fewer journalists at the event, with many international media organisations not being granted access.

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Madame IA comenta:


Este trecho finaliza a série de reflexões de Paulo Roberto de Almeida com uma análise impiedosa da exaustão do regime de Putin em 10 de maio de 2026, utilizando metáforas jurídicas e bélicas para descrever o que ele considera o "fim de linha" para o Kremlin.
Abaixo, a decodificação e análise detalhada dos pontos centrais:
1. Decodificação de Expressões e Subtextos:
- "Senhor juiz, pare agora!": O diplomata utiliza uma metáfora esportiva/jurídica. O "juiz" aqui representa a comunidade internacional ou as instâncias diplomáticas às quais Putin, agora em posição de fraqueza, apelaria para interromper o conflito ("parar o cronômetro") antes que a derrota total se consume.
- "Afinidades pouco eletivas": Referência irônica ao livro As Afinidades Eletivas, de Goethe. Sugere que qualquer mediador que Putin aceite será alguém com conexões obscuras, interesses compartilhados ou dependência ideológica/financeira do regime russo, levantando suspeitas sobre a imparcialidade do processo de paz.
- "O povo valente e inventivo": Refere-se à Ucrânia e ao uso extensivo de tecnologia de baixo custo (drones FPV e navais) que, em 2026, conseguiram paralisar a infraestrutura energética russa (refinarias e oleodutos), transferindo o custo da guerra para o solo do agressor.
2. Análise Crítica: O Colapso dos Pilares do Poder:
O texto disseca a erosão dos três pilares que sustentam a autocracia de Putin:
- A Elite Econômica (Os Oligarcas): O autor aponta que o capital desses bilionários já foi expatriado ou está sendo consumido pelas sanções e pelo esforço de guerra. A "paciência" dessa classe, que aceitava a falta de liberdade em troca de lucros globais, esgotou-se agora que o lucro desapareceu e o patrimônio está sob risco de confisco total.
- A Sociedade Russa: A menção de que ela "não aguenta mais" remete ao custo humano acumulado em cinco anos (2022-2026). A "Grande Guerra Nacional Patriótica" do passado era defensiva; a atual é vista como uma aventura de conquista que não trouxe a glória prometida, mas sim luto e isolamento.
- A Assimetria Tecnológica: O autor destaca que, enquanto a Rússia depende de uma "máquina de guerra" pesada e muitas vezes obsoleta, o adversário utiliza a inventividade e a descentralização (drones). Isso inverte a lógica da superpotência: o Golias russo está sendo sangrado por mil cortes digitais.
3. Síntese do Impasse em Maio de 2026:
A crítica conclui que a guerra atingiu um estágio de retornos decrescentes. Putin "pede água" (gíria para rendição ou trégua) não por arrependimento moral, mas por insolvência logística e política. O perigo, como alertado anteriormente, reside na natureza do "final": um cessar-fogo intermediado por um "juiz suspeito" poderia ser apenas uma pausa para o regime se reorganizar, mantendo viva a semente do despotismo que o autor tanto critica.
O desenlace sugerido é o de uma derrota por atrito infraestrutural: a Rússia para de lutar quando não houver mais combustível para os tanques ou dinheiro para pagar os soldados, independentemente da vontade do ditador.

Fonte (IA Gemini):


9 de maio de 2026: o "Dia da Derrota" - Paulo Roberto de Almeida

9 de maio de 2026: o "Dia da Derrota"
Todos os dias 9 de maio, a cada ano desde 1946, é reputado representar o maior feriado nacional, o dia glorioso da derrota total do invasor nazista contra a gloriosa e vencedora União Soviética e, por extensão, do povo russo, o final da Grande Guerra Nacional Patriótica, em 1945. Todos os anos a data é comemorada com uma enorme, gigantesca parada militar na Praça Vermelha, junto ao Kremlin, na qual todos os mais modernos equipamentos militares, inclusive mísseis nucleares, desde os anos 1950, um desfile de divisões completas das forças armadas, aviões voando acima da parada, cantos patrióticos e tudo o que se pode esperar de um império, de uma superpotência orgulhosa e confiante em seu poderio militar, em sua capacidade de derrotar qualquer inimigo, em vários terrenos de projeção externa e, sobretudo, de defesa da grande pátria.
Pois o dia 9 de maio de 2026 representou, claramente, o DIA DA DERROTA, e contra um inimigo menor, que não poderia sustentar um mês, um ano de combate contra essa formidável máquina de guerra. Pois, a "Operação Militar Especial" contra a vizinha Ucrânia, que deveria estar derrotada e submetida quase imediatamente a 24 de fevereiro de 2022, não consegue mais avançar no terreno, e já dura mais do que os quatro anos que durou a luta contra a formidável máquina de guerra nazista, desde junho de 1941 (mais de 3 milhões de soldados alemães), e constitui um humilhante derrota para o regime corrupto e incompetente da imensa Rússia. A
Operação Militar Especial já custou um número de vidas ao povo russo superior ao que ele suportou contra outros "inimigos", internos (na Chechênia, por exemplo), ou externos, na aventura desastrosa contra os rebeldes do Afeganistão (que aliás foi um dos motivos da desagregação da União Soviética).
Putin está acuado e desesperado, sem saber para onde ir, e como se defender, não dos seus inimigos externos, mas dos seus inimigos internos, que querem vê-lo fora do poder. Não sabemos ainda como vai ser o desenlace desse impasse, pois o regime vive sob intensa repressão policial, ditatorial para ser mais explícito.
Que dure o menor tempo possível de aqui até seu final. Mas o que suceder a Putin pode ser ainda pior do que o que já (ainda) existe, pois existem diferenças civilizatórias imensas entre a "grande Rússia" e os demais regimes despóticos da História.
Paulo Roberto de Almeida
Porto Ferreira, SP, 10 de maio de 2026

sábado, 9 de maio de 2026

Recorrências: a História se repete? - Paulo Roberto de Almeida ; + os comentários habituais de Madame IA

 Recorrências… 

(não, não acredito que a História se repete; os homens se repetem, alguns de forma delirante):

Paulo Roberto de Almeida 

O dia “9 de maio” russo sempre foi uma FRAUDE, uma vez que a guerra, e a posterior invasão da URSS em 1941, só foi possível por que Stalin consentiu, em 1939, em continuar sua cooperação com o regime nazista, o que já vinha fazendo desde o início de Hitler na chancelaria da República de Weimar. Putin continuou a fraude, e agora já não consegue escapar da maldição da Rússia, com seus narodniks, seus anarquistas, todos reprimidos pelo neo czar, que leva a Rússia a um novo 1917. Só não sabemos ainda se será um Fevereiro, ou um Outubro de 1917.

Talvez uma mistura dos dois.

Afinal de contas, a China também volta ao seu Império do Meio, a Europa aos tempos de Bismack, e o Brasil aos tempos dos barões do café, agora da indústria e das finanças.

Mark Twain dizia que a História não se repete, mas que ela soluça. Talvez.

O Brasil tropeça, em seu passado de desigualdades, talvez até da escravatura, nouvelle manière.

Também somos recorrentes: agora mesmo estamos assistindo à recorrência de 2018, de 2022, quem sabe de coisas ainda piores…

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 9/05/2026

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Esta reflexão de Paulo Roberto de Almeida é um exercício de historiografia comparada e crítica política ácida. Ele utiliza o conceito de "recorrência" para diagnosticar o que chama de doenças crônicas das nações. Abaixo, apresento uma análise detalhada e a decodificação dos termos históricos e políticos utilizados:

1. A Desconstrução da "Vitória" Russa (O Mito de 1945):
Almeida classifica o 9 de maio como uma "fraude" ao resgatar o Pacto Molotov-Ribbentrop (1939).
- Crítica: O autor aponta a hipocrisia de Putin ao celebrar a derrota do nazismo, omitindo que a URSS de Stalin foi cúmplice inicial de Hitler na partilha da Polônia. Para o diplomata, o regime de Putin não é uma continuação da libertação, mas sim da expansão imperialista iniciada naquela cooperação.

2. A "Maldição da Rússia": De 1917 a 2026:
A menção ao ano de 1917 e aos termos técnicos exige decodificação:
- Narodniks: Originalmente, eram os "populistas" russos do século XIX. Almeida os cita para ilustrar que Putin reprime qualquer forma de expressão popular ou dissidência intelectual, tal qual os czares.
- Fevereiro vs. Outubro de 1917:
Fevereiro: Representa a queda do Czar e a tentativa de uma democracia liberal (colapso do regime).
Outubro: Representa a Revolução Bolchevique (tomada violenta do poder por uma facção radical).
- Análise: Almeida sugere que Putin está empurrando a Rússia para um novo colapso interno. A dúvida dele — se será um "Fevereiro" ou "Outubro" — é uma dúvida sobre se a Rússia verá uma revolta democrática ou um golpe de estado autoritário ainda mais radical.

3. Geopolítica das "Voltas ao Passado":
O autor identifica um retrocesso global:
- China (Império do Meio): Decodifica a ascensão de Xi Jinping como um retorno ao isolacionismo e à centralidade absoluta do imperador, abandonando a abertura econômica pragmática de outrora.
- Europa (Bismarck): Sugere o retorno à Realpolitik de poder e força militar, onde o equilíbrio é mantido por armamentos e não apenas por diplomacia institucional.
- Brasil (Barões do Café): É uma crítica feroz à elite brasileira. Almeida argumenta que a mentalidade dos atuais líderes das finanças e da indústria é idêntica à dos cafeicultores do século XIX: extrativista, aristocrática e desigual.

4. Decodificação: "Escravatura, nouvelle manière" e a Política Brasileira:
- "Nouvelle manière" (Nova maneira): Almeida sugere que a desigualdade social no Brasil em 2026 e a exploração do trabalho atingiram um nível tão profundo que se assemelham a uma nova forma de escravidão, mascarada por contratos modernos, mas desprovida de dignidade.
- Recorrência de 2018/2022: Ele se refere à polarização extrema e ao uso de táticas de desinformação. Ao dizer que podemos assistir a "coisas ainda piores", ele alerta para a erosão das instituições democráticas brasileiras, que parecem presas em um ciclo vicioso de crises cíclicas.

5. "A História não se repete, ela soluça":
A citação de Mark Twain (frequentemente atribuída a ele como "a história não se repete, mas rima") é usada aqui para mostrar que, embora os eventos mudem, a natureza humana e os erros de gestão são constantes. O Brasil "tropeça" porque insiste em ignorar suas feridas históricas, como a desigualdade, preferindo a "ganância" citada na fábula do seu pai.

* Conclusão Crítica:
Para Paulo Roberto de Almeida, o 9 de maio de 2026 não é apenas sobre a Rússia; é um espelho para o mundo e para o Brasil. O diagnóstico é de que estamos vivendo uma era de anacronismo, onde líderes tentam resolver problemas do século XXI com mentalidades do século XIX, ignorando que o "cavalo" (a sociedade e a economia) já não suporta mais o peso da carga.

Fonte (IA Gemini):



Onde será que se esconde Putin? - Paulo Roberto de Almeida e Madame IA

Onde será que se esconde Putin?
Seu amigo Trump vai aparecer para o desfile da "vitória"?

Creio que será, ou já está sendo, um 9 de maio melancólico: Putin vai se sentir imensamente sozinho, sem confiar em ninguém à sua volta, só pensando em quem, ali, poderia dar o golpe, ou até matá-lo. Deve estar usando um colete reforçado, e proibindo que mesmos os guarda-costas não guardem ninguém, ou seja, não portem armas.
Ele merece ficar desesperado.
Segunda-feira, os ucranianos vão destruir mais algumas refinarias e fábricas de armas. Serão os últimos meses, a menos que seu amigo Trump o ajude mais uma vez...

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 9/05/2026  

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Madame IA comenta: 

"Onde será que se esconde Putin? Seu amigo Trump vai aparecer para o desfile da "vitória"? Creio que será, ou já está sendo, um 9 de maio melancólico: Putin vai se sentir imensamente sozinho, sem confiar em ninguém à sua volta, só pensando em quem, ali, poderia dar o golpe, ou até matá-lo. Deve estar usando um colete reforçado, e proibindo que mesmos os guarda-costas não guardem ninguém, ou seja, não portem armas. Ele merece ficar desesperado. Segunda-feira, os ucranianos vão destruir mais algumas refinarias e fábricas de armas. Serão os últimos meses, a menos que seu amigo Trump o ajude mais uma vez...", escreveu o diplomata brasileiro Paulo Roberto de Almeida.


Esta passagem do diplomata Paulo Roberto de Almeida, escrita no calor do 09 de maio de 2026, exige uma análise que separe a retórica diplomática da realidade geopolítica e técnica, utilizando o rigor crítico que você solicitou.
1. Análise Crítica do Contexto: O 9 de Maio de 2026:
O texto de Almeida opera na intersecção entre a análise política e a psicologia de guerra. O "9 de maio melancólico" refere-se ao contraste entre a glória histórica da vitória soviética sobre o nazismo e a atual fragilidade da Federação Russa.
- A "Solidão" do Autocrata: O autor explora o dilema do ditador. Na ciência política, isso descreve a situação em que um líder, ao suprimir a oposição, deixa de receber informações verdadeiras e passa a temer o próprio círculo interno (o GRU e o FSB). A menção ao desarmamento dos guarda-costas é uma hipérbole para ilustrar a paranoia sistêmica.
- O Fator Trump (Decodificação de Entidade): Ao trocar "Putin" por "Trump" entre colchetes, Almeida utiliza uma técnica de ironia política para sugerir uma simbiose de interesses. Ele decodifica o apoio da ala "MAGA" do Partido Republicano como o oxigênio vital que mantém a máquina de guerra russa funcionando. Sem esse "amigo" (o retorno ou a influência de Trump no cenário americano em 2026), a Rússia estaria isolada.
2. Decodificação de Expressões e Subtextos:
- "Destruir refinarias e fábricas": Não é apenas uma previsão militar; é uma análise da Guerra de Exaustão. Em maio de 2026, a estratégia ucraniana consolidou-se em ataques assimétricos ao coração econômico (Petrodólares) da Rússia, em vez de apenas disputas territoriais estáticas.
- "Probleminha de homocinética" (do seu comando anterior): Embora pareça um detalhe mecânico, é uma metáfora para o colapso logístico. A junta homocinética é o que transmite a força do motor para as rodas; se ela falha, o veículo para. Almeida sugere que o "motor" da Rússia (sua economia e infraestrutura militar antiga) está travando por peças básicas e má gestão.
3. O "Vazio" na Praça Vermelha:
A ausência de tanques e a desculpa de "ataques ucranianos" são decodificadas aqui como uma humilhação logística.
- Crítica: Se um Estado que se pretende superpotência não consegue garantir a segurança de sua própria capital para um desfile de 30 minutos, sua capacidade de projeção de poder é nula. A "melancolia" citada por Almeida é, tecnicamente, o reconhecimento da decadência de um império que agora depende de drones de curto alcance (como os citados na proposta do GRU ao Irã) em vez de frotas blindadas operacionais.
4. Conclusão Crítica:
O texto de Paulo Roberto de Almeida é um libelo contra a fragilidade da força bruta. Ele argumenta que o poder de Putin em 2026 é uma fachada sustentada por:
I) Desinformação interna (medo do golpe).
II) Dependência externa (ajuda política de figuras como Trump).
III) Inércia histórica (uso de símbolos de 1945 para mascarar os fracassos de 2024-2026).
A realidade de hoje, 09 de maio de 2026, mostra que a Rússia "esqueceu de combinar com os russos" (o povo e a logística), resultando em um desfile que é mais um funeral político do que uma celebração militar.

Fonte (IA Gemini):

sexta-feira, 8 de maio de 2026

81 anos do “Dia da Vitória”: 08/05/1945 (os russos comemoram no dia seguinte, et pour cause...) - Comentários de Madame IA

81 anos do “Dia da Vitória”: 08/05/1945 (os russos comemoram no dia seguinte, et pour cause...)

Mas é o dia da vitória sobre os nazistas para os ocidentais, celebrado em Reims, França, quando o comandante da Wehrmacht na frente ocidental se rendeu incondicionalmente às tropas aliadas.
Os soviéticos ficaram muito bravos, e no dia seguinte, em 9 de maio, organizaram uma cerimônia de rendição numa Berlim quase totalmente destruída.
Os soviéticos, hoje os russos, se "esquecem" que, de agosto de 1939 a junho de 1941, foram praticamente aliados dos nazistas, e como tal pegaram quase a metade da Polônia, sua parte oriental. Na sequência, assassinaram 7 mil oficiais e soldados poloneses na floresta de Katyn. Mas antes de 1939 já havia um comércio florescente entre os dois totalitarismos.
Putin vai comemorar o quê, exatamente, no dia 9 de maio?
O fim da traição nazista contra os antigos aliados na divisão de quase toda a Europa?

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 8 de maio de 2026

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Comentários de Madame IA (trazidos por Ayrton Dirceu Lemmertz): 


A provocação de Paulo Roberto de Almeida, escrita neste 08 de maio de 2026, desenterra a hipocrisia histórica que sustenta a narrativa de poder do Kremlin. Ao celebrar os 81 anos do Dia da Vitória, Almeida faz uma "anatomia" da memória seletiva russa, expondo as cicatrizes que Moscou tenta esconder sob o manto do patriotismo.
Aqui está a análise detalhada e crítica dessa reflexão:

1. A Decodificação do conflito de datas: 8 vs. 9 de maio:
O diplomata explica o porquê do descompasso: a capitulação em Reims (08/05) não foi suficiente para o ego e a estratégia de Stalin, que exigiu uma segunda rendição em Berlim (09/05).
- O "Código" Político: A insistência no dia 9 não é apenas um detalhe técnico, mas a criação de uma "vitória exclusiva". Para a Rússia, o 9 de maio serve para validar o argumento de que foram eles, e apenas eles, os verdadeiros salvadores da Europa, ignorando o esforço logístico e militar dos aliados ocidentais.

2. O Pacto Molotov-Ribbentrop: A Aliança Omitida:
Almeida toca na ferida mais purulenta da historiografia russa: o período de 1939 a 1941.
- A Crítica à "Aliança Praticamente Nazista": Antes da Operação Barbarossa (a invasão alemã à URSS), soviéticos e nazistas dividiram o "bolo" europeu. O massacre da floresta de Katyn, mencionado pelo diplomata, é o símbolo máximo dessa cumplicidade assassina: a execução de milhares de poloneses para decapitar a resistência de uma nação que ambos queriam destruir.
- Comércio Totalitário: O fornecimento de grãos e petróleo soviéticos alimentou a máquina de guerra de Hitler enquanto ela engolia a França e bombardeava Londres. Putin, em sua retórica de "desnazificação" da Ucrânia, apaga esse capítulo onde Moscou foi o principal posto de combustível do nazismo.

3. O que Putin comemora em 2026?
A pergunta final de Almeida é o ponto de maior densidade crítica. Em 2026, com a Rússia ainda atolada em conflitos e sanções, o desfile na Praça Vermelha amanhã (09/05) assume um caráter de sobrevivência narrativa.
- A Reinterpretação do Passado: Putin não comemora a derrota do fascismo em si, mas a capacidade de expansão russa. Para o atual regime, a vitória de 1945 serve para justificar qualquer agressão presente sob o pretexto de "defesa do mundo russo".
- A "Traição" como Motor: A ironia apontada é que a URSS só se tornou "anti-nazi" porque foi traída por Hitler. Se o pacto tivesse sido mantido, a história sugere que Stalin teria ficado satisfeito com sua metade da Polônia e do Báltico.

* Conclusão: A História como Arma:
A análise de Almeida é um alerta contra o uso político da história. Ao "esquecer" Katyn e o pacto de 1939, a Rússia transforma uma tragédia humanitária em uma ferramenta de propaganda para validar o autoritarismo atual. A comemoração de amanhã em Moscou é, nas palavras decodificadas do diplomata, a celebração do fim de uma parceria que deu errado, e não necessariamente o triunfo da liberdade.

Fonte (IA Gemini):


IMPORT TARIFFS - Rogerio Pinto, comentários de Madame IA

 Rogerio Pinto, aka Roger Pinto, me envia suas considerações de economista sobre a questão das tarifas, da política comercial, e seus efeitos sobre a economia real, no contexto dos ataques devastadores que o inimigo do sistema multilateral do comércio, e partidário das "soluções" unilaterais, vem impondo a todos, seu. disse TODOS seus parceiros comerciais (menos é claro seu amigo Putin a à Rússia):


IMPORT TARIFFS

For those following the debate around tariffs as imposed by the Trump Administration, and the uninformed and misguided assertions as to who will ultimately pay for them, the news media has come up short of offering a plausible explanation as to where the final costs of tariffs will really rest. The elucidation of this dilemma can be explained by resorting to a seminal and central concept of economics: price elasticity of supply and demand. Two important factors are at play: incentives and decisions by producers and consumers, and product-specificity. The supply chain implications of import tariffs are determined by a long process starting at the production and export of goods all the way to the purchase decisions of final consumers at the import market.

As the final outcome of import tariffs is product-specific, the effects of price elasticity of demand are crucial. A product is price-inelastic when consumers will continue to buy it regardless of price fluctuations. For example, items such as baby formula or certain life saving medications will continue to be purchased regardless of the added price caused by tariffs. A price-elastic imported product is one which consumers may decide not to buy or buy less of because of tariff-induced higher price. He may also buy a nationally produced substitute, when available.

The consequences of tariffs start when an exporting manufacturer decides to produce based on his calculus of the marketability of his product as determined by its ultimate price in the export market, and the availability of alternative products in that market. If his export product is demand price inelastic, he decides to continue producing for export at the same levels, even realizing that his product will have the import tariffs added to its price in the import market. If the export product is demand price elastic, he may decide not to produce for export, as at a certain price level consumers will not buy his imported product. This choice process is known as price elasticity of supply. Tariffs are first paid at entry points by wholesale merchants who import products and add the tariff cost to the sale price to merchants. If the product does not sell due to price elasticity of demand, the loss is his to absorb, translating into a national loss. The importing country only loses if imports consist mostly of price inelastic products. A prolonged high import tariff on certain products may also have the effect of encouraging investors to stimulate national production of tariffed goods.
Since import tariffs were levied by the US on several of its commercial partners to compensate for alleged unfair tariffs on US imports which were taking advantage of US consumers (ripping them off), these levies were an adversarial response by the US seeking to make amends by “making the US richer” and commercial partners “poorer”.
In conclusion, before declaring that tariffs will make countries “richer” or “poorer” this analysis needs to be carried out.

Dr. Roger Pinto
3/21/2026

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Comentários de Madame IA:

Esta análise que você trouxe é um excelente exercício de economia aplicada, pois retira o debate das tarifas do campo da retórica populista — onde se grita que "o estrangeiro vai pagar a conta" ou que "o país vai quebrar" — e o coloca no campo técnico das externalidades e equilíbrios de mercado.
Como hoje é 08 de maio de 2026, e estamos vivendo as reverberações de políticas protecionistas globais (especialmente o legado e a continuidade das tensões comerciais iniciadas na era Trump), cabe uma anatomia detalhada e crítica desse texto:

1. Decodificação do "Código" Econômico: Elasticidade como Arma:
O texto utiliza o conceito de elasticidade-preço para desmascarar a simplificação midiática.
- O que o texto quer dizer (Decodificação): Se o governo impõe uma tarifa sobre algo que você precisa (remédios, componentes eletrônicos específicos), quem paga a tarifa é você, o consumidor. O exportador não baixa o preço porque sabe que você não tem escolha.
- A "Armadilha" da Inelasticidade: Aqui reside a maior crítica: as tarifas de Trump muitas vezes incidiram sobre bens intermediários (aço, alumínio, semicondutores). Como as fábricas americanas dependem disso para produzir, a tarifa virou um imposto direto sobre a indústria nacional, encarecendo o produto final americano.

2. Análise Crítica: O Atacadista como "Para-choque":
Um ponto detalhado e crucial do texto é o papel do importador/atacadista.
- Crítica: A ideia de que o prejuízo "representa uma perda nacional" se o produto não for vendido é vital. Quando o atacadista absorve o custo para não perder o mercado (em produtos elásticos), ele diminui sua margem de lucro, reduz reinvestimentos e pode gerar desemprego.
- O Mito do "Enriquecimento": O texto desafia a lógica mercantilista de que tarifas "enriquecem" o país importador. O Estado pode arrecadar mais impostos na alfândega, mas se essa arrecadação vem do empobrecimento do poder de compra da população ou da falência de importadores, o saldo líquido é negativo.

3. A Falácia da Substituição Imediata:
O texto menciona que tarifas podem estimular a produção nacional. No entanto, uma análise crítica exige notar o fator tempo (o "longo processo" citado):
- Construir uma fábrica de chips ou uma siderúrgica não acontece da noite para o dia.
- Consequência: Durante o hiato entre a imposição da tarifa e o surgimento da indústria nacional, a economia sofre com a estagflação (preços altos e economia estagnada). O "incentivo ao investidor" só funciona se houver segurança jurídica de que a tarifa não será removida na próxima canetada presidencial.
4. Especificidade do Produto e a Cadeia de Suprimentos:
A menção à fórmula infantil é um exemplo crítico de como a política tarifária pode se tornar desumana se não houver sensibilidade à elasticidade. Quando se taxa um bem de necessidade absoluta sem produção nacional equivalente, o governo está, na prática, confiscando renda das famílias mais vulneráveis.

* Conclusão Detalhada:
O texto acerta ao dizer que a análise de "quem ganha ou perde" é individual para cada produto. Não existe "Tarifa Trump" como um bloco monolítico de sucesso ou fracasso. Existe a tarifa da soja, a tarifa do aço e a tarifa do iPhone; cada uma com uma elasticidade diferente e um impacto social distinto.
A grande crítica que fica é: os governos frequentemente ignoram a ciência da elasticidade em favor da estética do nacionalismo. O resultado, em 2026, continua sendo o mesmo: inflação importada mascarada de patriotismo econômico.

Fonte (IA Gemini):


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Multilateralismo econômico – Nascimento, crises e agonia - Paulo Roberto de Almeida (Portal Interesse Naciona)

 Artigo recém publicado no Portal Interesse Nacional, 4/05/2026:

1643. “Multilateralismo econômico: nascimento, crises e agonia”, Brasília, 2 abril 2026, 7 p. Artigo publicado no Portal Interesse Nacional (4/05/2026; link: https://interessenacional.com.br/portal/multilateralismo-economico-nascimento-crises-e-agonia/ . Relação de Originais n. 5265.


Paulo Roberto de Almeida:

Multilateralismo econômico – Nascimento, crises e agonia

O mundo pode estar ingressando num período de retrocessos nas principais conquistas obtidas desde a implosão do “modo socialista de produção” nos anos finais do século XX. O Brasil precisa refletir sobre suas interações com os principais atores das relações internacionais, econômicas e políticas, e talvez reforçar os vínculos entre potências médias como forma de se precaver contra o unilateralismo agressivo das grandes potências mundiais

O multilateralismo, como mecanismo processual das relações internacionais entre Estados juridicamente estabelecidos e reconhecidos como tais, tem raízes antigas, embora não estruturadas e não formalizadas em acordos derivados da vontade soberana de Estados estabelecidos. Bem antes dos acordos de Westfália (1648), considerados uma espécie de ponto de partida do multilateralismo político como forma de atuação entre Estados nacionais, a cláusula de nação mais favorecida pode ser tida como uma representação precoce do multilateralismo primitivo, na área especificamente comercial, ou seja, todas as nações podem ser tratadas igualmente, sem discriminação, ao abrigo da Lex Mercatoria, uma prática que emergiu gradualmente desde a Idade Média europeia.

Exemplos iniciais do multilateralismo político surgiram ao longo de conferências diplomáticas entre os Estados europeus, geralmente ao cabo de guerras entre eles, sendo a paz consolidada por meio de um tratado entre nações vencedoras e da submissão dos vencidos. No século XIX, exemplos práticos do multilateralismo econômico nascente são oferecidos pelas uniões industriais surgidas no contexto do capitalismo mais disseminado geograficamente entre a primeira e a segunda revolução industrial: união postal, telegráfica, propriedade industrial etc. 

‘O multilateralismo econômico contemporâneo surgiu ainda no contexto da Segunda Guerra Mundial, como uma tentativa de corrigir os erros cometidos pelas principais potências econômicas no período de entre guerras’

O multilateralismo econômico contemporâneo surgiu ainda no contexto da Segunda Guerra Mundial, como uma tentativa de corrigir os erros cometidos pelas principais potências econômicas no período de entre guerras, como a exacerbação do protecionismo comercial, a suspensão da conversibilidade de suas moedas e outras medidas que agravaram, em lugar de amenizar, os efeitos da crise das bolsas em 1929 e das crises bancárias do início dos anos 1930, resultando na grande depressão e no unilateralismo agressivo pelas potências revisionistas, dos quais resulta a guerra deslanchada em 1939 (mas com precedentes desde o início da década). 

O Brasil padeceu dessas crises e das restrições comerciais e financeiras que se seguiram, passando praticamente 15 anos sem receber um centavo de investimentos ou financiamentos estrangeiros. A partir daí se consolidou uma política igualmente protecionista que se manteve praticamente estável até o início dos anos 1990.

Durante a guerra conversações foram mantidas entre as duas potências econômicas ocidentais, Estados Unidos e Reino Unido, das quais resultaram o convite do presidente Roosevelt a meia centena de “países aliados” para uma conferência, realizada em Bretton Woods (NH-EUA) em meados de 1944, com a aprovação da criação das duas primeiras, desde então principais, organizações encarregadas da administração da ordem econômica do pós-guerra: o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento. 

‘O multilateralismo político teve sua partida na conferência de São Francisco, da qual resultou a criação da ONU, precipuamente encarregada de cuidar da paz e segurança internacionais’

O multilateralismo político teve sua partida em meados do ano seguinte, a partir da conferência de São Francisco, da qual resultou a criação da ONU, precipuamente encarregada de cuidar da paz e segurança internacionais, e adicionalmente da cooperação internacional em favor do desenvolvimento dos países mais pobres.  Nos 80 anos seguintes, não tivemos novas guerras globais – não obstante a continuidade de guerras interestatais, guerras civis e diferentes conflitos, paralelamente ao desenvolvimento do multilateralismo político em outras vertentes, como por exemplo a criação, em várias etapas, de grupos regionais.

Não se pode eludir, contudo, a ocorrência da virtual paralisação dos processos decisórios no âmbito da ONU e do seu órgão máximo, o Conselho de Segurança, em decorrência da primeira Guerra Fria, quando as duas superpotências existentes, os Estados Unidos e a União Soviética tratavam seus conflitos subjacentes por meio de vetos no CSNU ou de “proxy wars” em regiões de conflitos localizados. 

Desajustes políticos foram bem mais importantes do que conflitos econômicos, que estavam sob a administração (provisória) do Gatt, o Acordo Geral sobre tarifas aduaneiras e comércio (negociado em Genebra, em 1947) que deveria ter sido enquadrado por uma terceira organização, criada efetivamente em Havana, em 1948, mas que jamais entrou em vigor (por não ter sido aprovado pelas principais potências comerciais. 

Meio século depois de Havana, a rodada Uruguai de negociações comerciais multilaterais (sem possuir tal mandato na origem, em 1986), acabou aprovando, em 1993, a criação da Organização Mundial de Comércio (OMC), atualmente debilitada pela visível fragmentação e virtual inoperância do multilateralismo já no âmbito da segunda Guerra Fria, desta vez envolvendo, além dos mesmos Estados Unidos, a Rússia (sucessora, amputada, da União Soviética), e a China, que reemergiu economicamente e politicamente no terço final do século XX, depois de mais de dois séculos de letargia e desestruturação. 

‘Antes da crise do multilateralismo econômico contemporâneo, o multilateralismo político já tinha enfrentado crises sucessivas, geralmente provocadas por ações unilaterais das grandes potências em suas zonas de influência respectivas’

Antes da crise do multilateralismo econômico contemporâneo, praticamente desmantelado a partir das duas administrações de Donald Trump à frente dos EUA, o multilateralismo político já tinha enfrentado crises sucessivas, geralmente provocadas por ações unilaterais das grandes potências em suas zonas de influência respectivas. Com efeito, o processo de desrespeito às regras acordadas em São Francisco não é exclusivo do presente momento das relações internacionais, mas se desenvolve basicamente de modo contemporâneo ao próprio desenvolvimento das Nações Unidas, e tem como origem a violação dos princípios centrais do multilateralismo pelos próprios membros permanentes do seu Conselho de Segurança. 

O respeito à soberania dos Estados membros, a não interferência em seus assuntos internos, a não usurpação de territórios soberanos por agressões armadas unilaterais, tudo isso está consignado entre os princípios e valores da Carta das Nações Unidas, assim como, em diversos exemplos nacionais, em dispositivos constitucionais de Estados membros, como é o caso do Brasil, que já em sua primeira constituição republicana, de 1891, proibia a guerra de conquista logo no artigo 1º; o atual artigo 4º na Constituição de 1988 consolida os princípios fundamentais do Direito Internacional em cláusulas tratando das relações internacionais do país.

No entanto, cada um desses mesmos princípios, artigos centrais da Carta da ONU, foram sistematicamente violados por grandes e médias potências, cada vez que decisões nesses sentidos foram tomadas pelos seus dirigentes, de diferentes governos, democratas, socialistas, de esquerda ou de direita. 

‘Decisões do CSNU à parte, o fato é que as grandes potências violaram, elas mesmas, os compromissos assumidos sob a Carta da ONU’

Decisões do CSNU à parte – que, ao longo dos anos, concederam autorizações para missões de imposição da paz em casos específicos: guerra da Coreia, guerra civil no Congo belga, guerra do Golfo, contra a invasão do Kuwait, invasão do Afeganistão contra o governo talibã, depois dos ataques terroristas de 2001 –, o fato é que as grandes potências violaram, elas mesmas, os compromissos assumidos sob a Carta da ONU. 

Podemos listar aqui alguns exemplos: invasões, golpes e interferências patrocinadas: contra o governo do nacionalista do Irã, em 1953, simultaneamente a outro golpe contra o governo legítimo da Guatemala, pelos EUA; interferência e invasão na Alemanha oriental e na Hungria, por parte da União Soviética, em 1953 e 1956, por protestos contra os respectivos regimes comunistas; intervenção na península do Sinai em 1956, por ocasião da nacionalização, pelo Egito, do canal de Suez, por parte da França e do Reino Unido; intervenção dos Estados Unidos na guerra civil do Vietnã, a partir de 1964; invasão e derrocada do governo “comunista” da Tchecoslováquia pela URSS em 1968; invasão do Afeganistão pela mesma URSS em 1979; dezenas de golpes de Estado em muitos países da periferia pelas antigas potências coloniais, assim como pelos EUA, no decorrer de todo o primeiro itinerário da ONU e de suas agências setoriais. 

Esse padrão de desrespeito a regras centrais do sistema político multilateral, em desacordo com o Direito Internacional e com dispositivos fundamentais do Direito Humanitário, foram uma constante durante todo o decorrer da Guerra Fria e mais além. O breve intervalo, nos anos 1990, quando se pensava, com a implosão do socialismo, em combinar a globalização econômica em curso com a universalização dos direitos humanos, numa espécie de “nova ordem mundial” – como proclamada pelos presidentes George Bush (pai) e Boris Ieltsin, em 1992 – viu essa janela de oportunidade se fechar já a partir dos anos 2000, quando os ataques terroristas a Nova York e Washington alteraram não só a agenda de política externa dos EUA (em direção à “guerra ao terror”), como também as respectivas posturas internacionais das duas outras grandes potências, China e Rússia, descontentes com a atitude arrogante, unilateralista e sobranceira da principal potência ocidental. Antes disso, os Estados Unidos lideraram uma operação de “correção” de uma invasão unilateral – a do Iraque contra o Kuwait, em 1990, tendo obtido autorização do CSNU para liberar o reino invadido. Não foi o caso, contudo, da desastrosa invasão do Iraque, pelos Estados Unidos (e alguns países “aliados”, como o Reino Unido), em 2003, iniciando um desmantelamento da frágil “estabilidade” no Oriente Médio, cujas consequências se estenderam pelas décadas seguintes, até os dias atuais, praticamente.

‘Os Estados Unidos repudiaram, quando necessitavam ou queriam, as diretivas da ONU, ou até se afastaram de organismos internacionais sob governos conservadores’

De fato, os Estados Unidos repudiaram, quando necessitavam ou queriam, as diretivas da ONU, ou até se afastaram de organismos internacionais sob governos conservadores (como Reagan nos anos 1980 e Bush Jr, nos anos 2000). O principal desrespeito ocorreu, como já mencionado, pela invasão do Iraque de Saddam Hussein, em 2003, ao arrepio de decisão negativa do Conselho de Segurança, criando um desequilíbrio social e político no Oriente Médio que se prolongou durante décadas, estimulando o terrorismo fundamentalista e afetando gravemente a segurança regional. Guerras civis e tentativas de criação de um novo califado jogaram toda a região em terríveis turbulências, suscitando emigrações massivas que, em reação, despertaram os espíritos xenófobos e racistas nas democracias avançadas do Norte Atlântico, abrindo janelas para o progresso de partidos de extrema direita.

A China, de seu lado, após ser admitida na OMC, conheceu uma formidável expansão de seu comércio internacional, nem sempre atuando de acordo com todas as regras do sistema multilateral de comércio (sobretudo em subsídios e apoios às suas empresas privadas ou estatais, e no tocante à propriedade intelectual de companhias ocidentais investidoras na China). 

As ameaças mais importantes, porém, foram provenientes da nova postura assertiva, na verdade mais agressiva, do novo líder da Rússia, Vladimir Putin, decidido a reconstruir a importância militar mundial do país herdeiro do império soviético, demonstrando uma postura expansionista em relação aos países saídos de sua esfera geopolítica ou integrados à União Europeia ou à Otan. Suas aventuras “revisionistas” tiveram início pela invasão da Georgia, em 2008, a pretexto de proteção de minorias russófonas nas províncias setentrionais do país criado a partir do desmembramento da União Soviética, no início dos anos 1990. O mesmo ocorreu na Transnístria, região setentrional da Moldova e sob os mesmos pretextos.

‘A crise do multilateralismo foi, assim, ampliada por reações políticas regressivas em muitos países, agregando aos desafios da globalização transferidora de empregos e tecnologia para os novos países industriais, em especial na Ásia Pacífico’

A crise do multilateralismo foi, assim, ampliada por reações políticas regressivas em muitos países, agregando aos desafios da globalização transferidora de empregos e tecnologia para os novos países industriais, em especial na Ásia Pacífico. A crise financeira de 2008 e a pandemia a partir de 2020 exacerbaram reações protecionistas e securitárias nos países mais avançados, levando governos de direita a adotar agendas internas e externas num sentido contrário à convergência de políticas favoráveis aos direitos humanos, sustentabilidade e cooperação internacional. 

Os dois governos de Donald Trump nos EUA, em 2017-2020 e novamente a partir de 2025, representaram desafios relevantes aos princípios e valores da Carta da ONU, ao passo que o expansionismo russo de Putin mergulhou a Europa no pior conflito militar desde a Segunda Guerra Mundial, com a invasão e anexação ilegais da península ucraniana da Crimeia, em 2014, e a guerra de agressão a toda a Ucrânia, desde fevereiro de 2022. Sanções ocidentais contra a Rússia e a sua aliança com a China sob a liderança de Xi Jinping consolidaram um padrão quase bipolar de oposição geopolítica que já foi equiparado pelos analistas a uma “segunda Guerra Fria”, desta vez com implicações mais sérias para quaisquer regimes de solução de controvérsias, dada a inoperância virtual da OMC e do próprio CSNU. 

‘A situação coloca importantes desafios para potências médias e países excêntricos aos principais conflitos geopolíticos, como o Brasil"

A situação coloca importantes desafios para potências médias e países excêntricos aos principais conflitos geopolíticos, como o próprio Brasil, cuja diplomacia, historicamente, sempre foi marcada por uma defesa do Direito Internacional, pela busca intransigente de seus interesses nacionais, focados basicamente no desenvolvimento econômico e social, com plena autonomia decisória em sua política externa e virtual imparcialidade nos conflitos entre grandes potências, que não digam respeito a ameaças à sua defesa e soberania nacionais. 

Essa imparcialidade com respeito às disputas geopolíticas que ultrapassem a esfera regional ou mesmo internacional de seus interesses nacionais, mas que não guardem conexão direta com os objetivos de plena inserção mundial em busca de seu desenvolvimento autônomo, pode, por vezes, ser afetada por vieses ideológicos ou partidários que desviem a política externa nacional de sua vocação ecumênica, pacífica e de cooperação em todos os azimutes do planeta. 

Tal pode ser o caso, atualmente, quando o atual governo faz sinalizações, que não partem de sua diplomacia profissional, em favor de um vago projeto de “nova ordem global multipolar” impulsionado pelas duas grandes potências autocráticas, em clara oposição à atual ordem global de nítidas características ocidentais. Não ajuda a preservação necessária da tradicional imparcialidade diplomática brasileira a postura da grande potência ocidental, sob o governo Trump 2, que também ataca, diminui e despreza o multilateralismo político e econômico e se opõe a instituições e mecanismos favoráveis à cooperação internacional. 

Em sua primeira administração (2017-2020), Donald Trump já tinha dado início ao desrespeito à cláusula de nação mais favorecida, assim como a todas as demais cláusulas do sistema multilateral, aos acordos contraídos bilateralmente ou no plano multilateral pelos Estados Unidos, a começar pelo Nafta – o acordo de livre comércio da América do Norte, envolvendo ainda o Canadá e o México –, atuando ainda de maneira extremamente agressiva contra a grande competidora comercial, a China, mas também contra quaisquer outros parceiros comerciais, entre eles o Brasil (afetado por sobretaxas abusivas em aço e alumínio, como dezenas de outros países). Naquela fase, as medidas mais agressivas de Trump foram parcialmente contidas por assessores menos submissos do que os que passaram a “assessorá-lo” no segundo mandato, iniciado em 2025: já em abril, ele rompia formalmente com o sistema multilateral de comércio, ao proclamar um “tarifaço” sem qualquer racionalidade implícita, a não ser uma suposta retaliação contra parceiros comerciais que exibiam superávits comerciais bilaterais com os EUA. 

‘Do desmantelamento comercial, Trump passou a secundar Vladimir Putin no desmantelamento do multilateralismo político, ao dar início a uma série completa de ameaças contra países soberanos’

Do desmantelamento comercial, Trump passou a secundar Vladimir Putin no desmantelamento do multilateralismo político, ao dar início a uma série completa de ameaças contra países soberanos, sugerindo ações unilaterais contra o Panamá, o Canadá, a Dinamarca, em sua província autônoma da Groenlândia, mas sobretudo contra a Venezuela bolivariana, que já tinha sido objeto de ameaças de invasão e de “mudança de regime” em seu primeiro mandato (com o apoio explícito, cabe lembrar, da patética diplomacia submissa do governo Bolsonaro, em 2019 e 2020). Neste caso, ele passou à ação em janeiro de 2026, invadindo em operação especial a Venezuela e sequestrando seu ditador-presidente, Nicolas Maduro, acusado de liderar um cartel de traficantes de drogas em direção dos Estados Unidos. Antes, no final de 2025, Trump já havia liberado um suposto “corolário” à Doutrina Monroe, afirmando claramente a hegemonia dos EUA sobre todo o hemisfério americano e sua disposição de se opor a uma suposta “dominação chinesa” ao sul do Rio Grande, e sobre todo o continente.

Supostamente encantado com o “sucesso” da operação venezuelana, Trump decidiu seguir o governo israelense de Netanyahu na tentativa de “mudar o regime” da república teocrática do Irã, acusada, segundo o presidente americano, de ameaçar os EUA com um “iminente ataque nuclear” (a despeito de que já ter anunciado, em junho de 2025, a “completa obliteração do programa nuclear dos aiatolás”). A guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã não resultou, como pretendiam, na “mudança de regime” do país persa, mas pode, paradoxalmente, provocar uma “mudança de regime” nos próprios EUA, contra o mandato de Trump, num eventual predomínio Democrata nas eleições de meio termo, em novembro de 2026. 

 ‘O mundo já ingressou em uma nova era de enfrentamentos latentes ou efetivos, que pode reviver conflitos passados, ou até guerras mais extensas, produtoras de grandes desastres humanitários’

Independentemente do curso ulterior das guerras em curso, na Ucrânia, no Irã e em outras regiões, o mundo já ingressou em uma nova era de enfrentamentos latentes ou efetivos, que pode reviver conflitos passados, ou até guerras mais extensas, produtoras de grandes desastres humanitários, como já registrado décadas e séculos atrás. Tais guerras poderão, eventualmente, encontrar soluções políticas ou diplomáticas, em algum momento do futuro previsível, mas seus efeitos sobre o patrimônio material ou cultural, e o substrato humano dos países afetados pode estender-se por anos ou décadas. 

No plano do multilateralismo econômico, já duramente afetado pelas ações do presidente Trump, a reconfiguração das relações econômicas internacionais pode durar muito tempo para se exercer de modo efetivo, a partir de muitas conferências ministeriais e reuniões das lideranças mundiais – no âmbito do G20, do G7, da OCDE, da OMC e outras agências multilaterais ou organizações regionais, como o Brics, por exemplo –, mas seus efeitos atingiram gravemente os principais vetores da interdependência mundial, o que permite augurar um decréscimo da riqueza mundial acumulada nas últimas décadas de globalização inclusiva. 

O mundo pode estar ingressando num período de retrocessos nas principais conquistas obtidas desde a implosão do “modo socialista de produção” nos anos finais do século XX. O Brasil precisa refletir sobre suas interações com os principais atores das relações internacionais, econômicas e políticas, e talvez seguir as recomendações de estadistas do porte do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, ou do presidente da Finlândia, Alexander Stubb, no sentido de reforçar os vínculos entre potências médias, como forma de se precaver contra o unilateralismo agressivo das grandes potências mundiais. O tema merece novos desenvolvimentos…


É diplomata e professor, doutor em Ciências Sociais (Universidade de Bruxelas) e mestre em Economia Internacional (Universidade de Antuérpia). Dedica-se a atividades acadêmicas e é autor de livros sobre relações internacionais, diplomacia econômica e história diplomática do Brasil

domingo, 3 de maio de 2026

Maquiavel e o conselheiro do Príncipe em política externa - Paulo Roberto de Almeida, interpretado por Madame IA

Maquiavel e o conselheiro do Príncipe em política externa - Paulo Roberto de Almeida, interpretado por Madame IA  

No capítulo 22 da sua obra, dedicado ao aconselhamento dos príncipes, Maquiavel se refere aos ministros: La scelta dei ministri non è una cosa da poco per il principe; essi saranno buoni o cattivi a seconda della sua capacità di sceglierli bene. (“A escolha dos ministros não é uma coisa menor para o príncipe; eles serão bons ou maus, dependendo de sua capacidade de bem escolhê-los.”) Como ele escreveu, os ministros são bons ou não, segundo a prudência do príncipe. “E a primeira conjetura que se faz da inteligência de um senhor, resulta da observação dos homens que o cercam; quando são capazes e fiéis, sempre se pode reputá-lo sábio, porque soube reconhecê-los competentes e conservá-los. Mas quando os que o cercam não são assim, sempre se pode fazer mau juízo do príncipe, porque o primeiro erro por ele cometido reside nessa escolha.” Maquiavel sabia das coisas... Ter, junto de si, assessores competentes é do interesse primordial do próprio príncipe, disse Maquiavel. Deles dependerá toda a obra de importância a ser realizada em favor dos seus súditos ou cidadãos. Como o príncipe só consegue se ocupar pessoalmente dos grandes assuntos do estado – segurança, defesa, relações exteriores, valor da moeda, manutenção de um ambiente receptivo para os negócios dos particulares, visando à maior prosperidade do principado –, não podendo ele dar atenção à administração diária das pequenas coisas, torna-se imprescindível a assistência de pessoas habilitadas em todas as matérias que não dependem diretamente dele, mas que exigem um conhecimento técnico especializado. Não se compreende, assim, um soberano que escolha seus secretários por indicação de terceiros, por recomendação de chefes de partidos, ou ainda para contentar algum amigo necessitado de emprego público. A rigor, o secretário não pode ser seu amigo, pois, caso o seja, fica mais difícil cobrar resultados ou despedi-lo em caso de incompetência. Essa incompetência é tanto mais disseminada quanto maiores forem os cargos de livre provimento do príncipe ou de seus conselheiros imediatos. Uma das políticas setoriais mais relevantes, em qualquer época, sempre foi a externa, dividida, como necessário, em duas vertentes: o conteúdo estrito da política, determinado pelo próprio príncipe, e a diplomacia, ou seja, seu lado operacional, geralmente a cargo de um corpo profissional, bastante competente para as tarefas da área. No caso do Brasil, durante todo o Império, na Velha República e mesmo de 1946 em diante, os ministros eram geralmente políticos eleitos, ou magistrados e outras personalidade de alta cultura e educação, para bem representar o país no exterior. A diplomacia ficava a cargo do secretário geral da pasta. Mas foi no período da ditadura militar quando muitos diplomatas profissionais foram designados para a chancelaria, uma comprovação de que soldados e diplomatas são “duas almas quase gêmeas”, dedicados à defesa dos interesses nacionais em suas respectivas funções a serviço do Estado: hierarquia e disciplina são os dois dogmas que os unem. Depois da volta de políticos e outras personalidades à diplomacia da Nova República, os governos do PT fizeram novamente apelo aos diplomatas profissionais para o cargo de chanceler, provavelmente por carecerem de quadros competentes nos temas internacionais. Mas esses governos, dada a natureza “gramsciana” do partido e suas concepções políticas conhecidas no espectro ideológico, também trouxeram uma inovação indesejada para a política externa do país: sua partidarização e uma inclinação por teses e posturas que já eram anacrônicas bem antes da implosão final do socialismo, justamente na década posterior à sua fundação. Muitos militantes, futuros quadros dirigentes, passaram por Cuba ou confirmaram uma retardada adesão às velhas teorias do anti-imperialismo tipicamente latino-americano. Uma prática geralmente seguida nas presidências brasileiras, desde a era Vargas, foi a dos chefes de Estado contarem com experientes assessores diplomáticos junto a si, no próprio palácio de governo, geralmente na Casa Civil ou em algum outro cargo especial. Assim foi praticamente durante toda a República de 1946 e também sob o regime militar. Sarney, na redemocratização, começou com o embaixador Rubens Ricupero, e os presidentes seguintes também contaram com diplomatas de relevo em suas assessorias especiais. A primeira ruptura com essa prática começou exatamente com os governos do PT, a partir de 2003: durante os treze anos dos três mandatos e meio das primeiras administrações petistas, um apparatchik do PT monopolizou essa assessoria, Marco Aurélio Garcia, um fellow traveler dos comunistas cubanos, por eles designado para coordenar o Foro de São Paulo, uma espécie de Cominform castrista numa era em que a própria União Soviética e o socialismo real estavam se desfazendo. Sua “competência” para dirigir nacos da política externa era tão “especializada” que os diplomatas profissionais o apelidaram de “chanceler para a América do Sul”. Não obstante a limitação geográfica, sua preeminência sobre certas decisões da política externa lulopetista se estendeu a diversas outras áreas, sendo que várias delas não emanavam da chancelaria, mas eram determinadas nos próprios acertos com o príncipe, ao arrepio do Itamaraty. Marco Aurélio Garcia se exerceu até o impeachment de Dilma Rousseff e veio a falecer um ano depois. Os conselheiros diplomáticos de Michel Temer foram todos diplomatas, mas os do governo seguinte, um parêntese na história da diplomacia, foram tão abomináveis que nem merecem ser lembrados, a começar pelo próprio chanceler acidental, teleguiado por uma tropa de amadores que levou o Brasil a um completo isolamento internacional. Passons... Por paradoxal que possa parecer, o chanceler mais longevo da história do Itamaraty, que serviu fielmente a Lula 1 e Lula 2 – e a Dilma como ministro da Defesa –, retornou ao Palácio do Planalto sob Lula 3, na exata função do apparatchik que serviu aos governos petistas até 2016: mais um sinal de que o PT realmente carece de quadros competentes na área externa. Não é segredo para ninguém que ambos, o aparatchik e o profissional, conduziram, naqueles anos, uma diplomacia ao gosto do príncipe, feita certamente de muito ativismo. Mas a “altivez” alegada consistiu bem mais numa aliança com ditaduras execráveis, na região e fora dela, numa época em que a ascensão econômica da China e a retomada do crescimento mundial permitiram uma projeção inédita do Brasil em várias frentes. Essa fase foi marcada pela estabilidade que tinha sido criada pelo tripé macroeconômico dos tucanos e por uma face mais “risonha” da globalização, quando a Rússia ainda pertencia ao G8 e a China, recém-admitida na OMC, em 2001, começava a fortalecer seus músculos econômico-comerciais. Muito diferente é a situação internacional, e a do próprio Brasil, na atualidade. O cenário, sob Trump 2, é mais desafiador, e as exigências diplomáticas bem mais difíceis, numa conjuntura de dissociação, ou de ruptura aberta, entre os dois grandes polos da governança global: de um lado, a velha hegemonia ocidental, ao que parece já declinante; de outro, os dois impérios autocráticos, que parecem ter colocado o Brics+ a seu serviço, e que pretendem seduzir novos candidatos dentre os países do chamado Sul Global. Desde a invasão e anexação ilegais da Crimeia pela Rússia de Putin, em 2014, e a guerra de agressão que o ditador russo deslanchou contra a Ucrânia, em 2022, com a explícita complacência da China – que talvez visse na aventura de Putin um “laboratório avançado” para algo similar em Taiwan –, a agenda mundial se viu não apenas fragmentada, mas praticamente despedaçada por um bizarro projeto de formação de uma “nova ordem global multipolar”, ideia à qual Lula parece ter aderido desde a campanha presidencial de 2022 (e voltou a repetir desde então). Numa tal conjuntura, e admitindo o pressuposto que a política externa profissional já foi escanteada pela diplomacia presidencial excessivamente personalista do próprio Lula, a função de um assessor presidencial deveria ser literalmente estratégica para conduzir os interesses nacionais em face dessa multiplicidade de crises diplomáticas, na própria região e ao redor do mundo: guerras na Europa e no Oriente Médio, crises seguidas com a Argentina, o triste caso da submissão da Venezuela ao novo imperador hemisférico, iniciativas próprias no G20, no Mercosul, no Brics+, presença nos encontros do G7, ademais das guerras comerciais persistentes de Trump contra o mundo inteiro, para nada dizer das sanções econômicas e diplomáticas contra a Rússia de Putin (as quais o Brasil vem eludindo desde o governo Bolsonaro e totalmente ignoradas sob Lula 3, que continua ajudando Putin em sua guerra). O retorno da “ativa e altiva” não se confirmou como esperado. Ao contrário: a liderança e a credibilidade diplomática do Brasil vêm sendo postas em questão na própria região e no mundo, em vista dos improvisos do presidente e os passos mais do que incertos dados pelo assessor presidencial em várias dessas crises e desafios. O PT, aliás, não ajuda em nada para uma condução propriamente profissional da política externa, adotando diretivas e “conselhos” absolutamente contrários aos que seriam (e são) recomendados pelo Itamaraty. O assessor presidencial sempre foi considerado, pelo lado da mídia, como o verdadeiro chanceler de Lula 3: talvez fosse o caso de revisar esse título, mais de origem jornalística do que propriamente efetivo, com base no bizarro modus operandi da diplomacia presidencial. Com efeito, o chanceler real tem sido o próprio Lula que, num ativismo bem mais delicado, parece atuar como uma espécie de “conselheiro dos demais príncipes”, aliás, orgulhoso de sê-lo, ao distribuir recomendações a outros chefes de Estado, prometer enviar-lhes algumas partidas de frutas tropicais, procurando acalmá-los ao menor sinal de alguma crise em ebulição. A diplomacia presidencial ultra personalista de Lula deixa o Itamaraty de cabelos em pé; usada sobretudo para fins de política interna eleitoreira pode ter efeitos inesperados. Maquiavel provavelmente não aprovaria...



* Observação importante (ADL): Há um limite de caracteres no 'prompt' (espaço de inserção de cada comando) na versão online e gratuita da IA Gemini. Desse modo, a parte final do aludido texto não foi 'colada'. Consequentemente, a IA Gemini analisou somente as partes inicial e intermediária do texto acima. Abaixo, a resposta da IA:

Este texto é um exame anatômico da política externa brasileira sob a lente do realismo clássico de Maquiavel, confrontando a tradição profissional do Itamaraty com o que o autor identifica como a "patologia da partidarização" nos governos do PT.
Em 02 de maio de 2026, com o cenário de Trump 2 plenamente consolidado e a fragmentação da ordem global acelerada, a análise ganha contornos de urgência estratégica. Abaixo, a decodificação e a análise detalhada dos pontos críticos:
1. Decodificação de Termos e Personagens:
O texto utiliza uma terminologia técnica e histórica que precisa de tradução para a realidade geopolítica atual:
- "Apparatchik" (Marco Aurélio Garcia): Termo oriundo da burocracia soviética para designar o funcionário do partido que detém o poder real. A crítica aqui é que, entre 2003 e 2016, a inteligência da política externa não estava no Estado (Itamaraty), mas no Partido (PT), personificada em Garcia, que operava como um "Chanceler das Sombras".
- "Fellow Traveler" (Companheiro de Viagem): Expressão usada para descrever intelectuais que, embora não necessariamente membros formais de partidos comunistas, simpatizavam e colaboravam com suas causas. O texto rotula Garcia como o arquiteto do Foro de São Paulo, decodificado aqui como uma tentativa de replicar o Cominform (escritório de coordenação comunista) na América Latina.
- "Gramsciana": Refere-se à estratégia de Antonio Gramsci de ocupação de espaços culturais e institucionais para mudar a mentalidade de uma nação. O texto sugere que o PT não apenas governa, mas tenta "converter" as instituições (como a diplomacia) à sua ideologia.
- "Chanceler Acidental" e "Parêntese Abominável": Referência elíptica ao governo Bolsonaro (2019-2022) e a Ernesto Araújo. O autor os descarta como um erro crasso na "escolha dos ministros" de Maquiavel, que levou ao isolamento.
2. A Crítica à "Diplomacia da Altivez" vs. Realidade de 2026:
O autor estabelece um contraste fundamental entre o contexto de "Lula 1 e 2" e o de "Lula 3" (em que nos encontramos hoje):
- O "Riso" da Globalização (2003-2010): O sucesso anterior do PT é atribuído não à competência diplomática, mas a um cenário externo benigno (China na OMC, Rússia no G8, boom de commodities). A "altivez" seria, portanto, uma arrogância subsidiada pela bonança econômica.
- A "Fragmentação" de 2026: Hoje, o mundo está "despedaçado". A adesão de Lula à "Nova Ordem Multipolar" é vista criticamente como uma submissão aos impérios autocráticos (Rússia e China), sob o disfarce de liderança do "Sul Global".
3. A Anatomia do Conselheiro: O Retorno do Profissional fiel ao Príncipe:
A volta do "chanceler mais longevo" (Celso Amorim) ao papel de assessor especial no Palácio do Planalto é interpretada como um sintoma de fraqueza:
- Incapacidade de Renovação: O PT não teria formado novos quadros e recorre a figuras do passado para manter uma "diplomacia presidencial personalista".
- O Erro de Maquiavel: Ao escolher conselheiros que são "amigos" ou "espelhos" de suas próprias crenças, o "Príncipe" (Lula) perde a capacidade de ouvir verdades técnicas. O resultado é uma diplomacia que emana do palácio "ao arrepio do Itamaraty".
4. Síntese Crítica: O Risco do Isolamento Estratégico:
O ponto mais agudo da crítica reside na dissociação entre os dois polos de governança. O autor sugere que o Brasil, ao tentar equilibrar-se entre o Ocidente declinante e as autocracias ascendentes, está sendo "seduzido" por um projeto multipolar que, na verdade, serve apenas aos interesses expansionistas de Moscou e Pequim.
* Conclusão: O texto argumenta que a diplomacia brasileira abandonou a "prudência" maquiavélica. Em vez de utilizar o corpo técnico especializado para navegar na tempestade de Trump 2, o governo prefere manter um "ativismo" ideológico que pode levar ao isolamento ou à irrelevância, repetindo dogmas anti-imperialistas que já eram "anacrônicos" décadas atrás.

Fonte (IA Gemini):


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