quinta-feira, 19 de março de 2026

Paulo Roberto de Almeida: Artigos publicados até 13/03/2026 na Revista Será?

Artigos publicados até 13/03/2026 na Revista Será?

Autor: Paulo Roberto de Almeida

 

China: 15th Five-Year Plan that will set the economic course between 2026 and 2030

The Chinese Embassy in Madrid presents the 15th Five-Year Plan that will set the economic course between 2026 and 2030

The new economic plan, focused on technological innovation and strengthening the domestic market, forecasts growth of 4.5-5% at the start of a new strategic cycle for China

Last Thursday, the Embassy of the People’s Republic of China in Madrid hosted a meeting to present the main points of the 15th Five-Year Plan (2026-2030), the new strategic framework that will guide the country’s economic development in the coming years.

The event was chaired by the Chinese Ambassador to Spain, Yao Jing, who outlined the priorities of the new plan to representatives from the institutional, academic, and diplomatic sectors. Among those in attendance were the former Spanish Minister of Foreign Affairs, Ana Palacio, as well as the Vice President of the China Chair Foundation, Marta Montoro, and experts in international relations.

During the meeting, the main pillars of the plan, previously presented by Premier Li Qiang to the National People’s Congress in Beijing, were analyzed. The plan places technological innovation, boosting domestic consumption, and developing new strategic industries at the heart of China’s economic policy.

Stable growth and economic transformation

The Chinese government report sets an economic growth target of between 4.5% and 5% for 2026, at the start of the new five-year planning cycle. Beijing seeks to maintain macroeconomic stability while promoting structural reforms aimed at modernizing its economy and strengthening its global competitiveness.

According to the document, the Chinese economy grew by 5% in 2025, reaching a GDP of €18 trillion and generating 12.67 million new urban jobs. The government presents these figures as proof of the country’s resilience in the face of an international environment marked by trade tensions, protectionism, and a global economic slowdown.

One of the pillars of the new plan is the promotion of scientific and technological innovation, with investments in sectors considered strategic, such as artificial intelligence, semiconductors, biomedicine, quantum computing, and the aerospace industry. With this, China seeks to strengthen its technological autonomy and consolidate a modern industrial system based on advanced industries.

On the macroeconomic front, the government is proposing a more expansionary fiscal policy, with a deficit close to 4% of GDP, as well as the issuance of special bonds earmarked for infrastructure, innovation, and stimulating domestic consumption. Monetary policy will remain flexible to guarantee liquidity and facilitate access to financing for priority companies and sectors.

A more active diplomacy on the international stage

The new economic cycle coincides with a more active diplomatic strategy on the part of Beijing. During a press conference held on March 8th on the sidelines of the National People’s Congress, Chinese Foreign Minister Wang Yi emphasized that China aspires to play a stabilizing role in an international system marked by increasing geopolitical tensions.

The Chinese foreign minister championed multilateralism, respect for international law, and international cooperation as pillars for addressing global challenges, in line with President Xi Jinping’s vision of building a “community with a shared future for mankind.”

Regarding Europe, Wang Yi emphasized that the continent is a key player in a multipolar world and an important partner for China’s modernization, underscoring the potential for economic cooperation between the two sides.

Domestic challenges and global ambition

The Chinese government acknowledges, however, several domestic challenges, including weak domestic demand, risks in the real estate sector, tensions in local finance, and the impact of an increasingly competitive geopolitical environment.

Despite these challenges, Beijing maintains that the structural advantages of its economy, such as its large domestic market, industrial base, and growing technological capabilities, will allow it to sustain growth and progress toward the goal of becoming a high-income economy in the coming decades. Against an increasingly fragmented international landscape, the new five-year plan confirms China’s intention to strengthen its technological autonomy, maintain stable growth, and consolidate its role as a central player in the global economy and governance.

Trabalhos mais acessados PRA na plataforma Academia.edu - Paulo Roberto de Almeida

Trabalhos mais acessados PRA na plataforma Academia.edu

De: 17/02/2026 a 19/03/2026

Compilação a partir do Analytics, excluindo trabalhos de terceiros.

Uma certa ideia do Itamaraty: A reconstrucao da politica externa e a restauracao da diplomacia brasileira (2020)
Paulo R. Almeida: O Mercosul no Contexto Regional e Internacional (1993)
Relacoes Exteriores e Constituicao (1986)
5238) Relação de trabalhos referentes a eleicoes e campanhas eleitorais (2026)
4656) A revolução que o PT nunca fez: sua modernização como partido socialdemocrata (2005-2024)
2258) O desenvolvimento do Mercosul: progressos e limitações (2011)
5206) O Brasil e a geopolitica da brutalidade (2026)
4275) A diplomacia de Lula, 2023-2026: mais do mesmo? (2022)
Mudanca a força: entrevista de Paulo Roberto de Almeida para Revista Crusoe
Marxismo e Socialismo (2019)
Os Primeiros Anos do Seculo XXI: o Brasil e as relações internacionais contemporaneas (2002)
012) Mercosul, Nafta e Alca: a dimensão social (1999)
14) O Estudo das Relações Internacionais do Brasil (2006)
5206) O Brasil e a geopolitica da brutalidade (2026)
2460) EUA e UE negociam uma super zona de livre comércio (2013)
1º Volume - Retratos sul-americanos: perspectivas brasileiras sobre história e política externa. Volume I. Bookess, Brasília: 2015.
4023) A diplomacia brasileira da independencia: Apresentacao (2021)
(...)

Listagem completa na própria plataforma Academia.edu, link:




Mudança à força: entrevista de Paulo Roberto de Almeida para Revista Crusoé (2021)

 Mudança à força: entrevista de Paulo Roberto de Almeida para Revista Crusoé

Tinha até esquecido desta entrevista. Alguém acessou-a em minha página na plataforma Academia.edu, e assim pude recuperá-la de um esquecimento involuntário. 

By Paulo Roberto de Almeida

5 Pages, 2021

Mudança à força: entrevista com Paulo Roberto de Almeida Eduardo Teixeira Revista Crusoé, edição 164, 18/06/2021 Um dos principais críticos da interferência petista e bolsonarista no Itamaraty, o embaixador Paulo Roberto Almeida diz que as correções de rumo na diplomacia brasileira só devem acontecer no atual governo por pressão externa Eduardo Teixeira Crusoé, 18/06/2021 O diplomata Paulo Roberto Almeida, de 71 anos, é conhecido por sempre dizer o que pensa. Por causa disso, levou diversos puxões de orelha e teve a carreira prejudicada. Na era petista, foi acusado de ser "neoliberal" e foi relegado ao que, entre os diplomatas, é conhecido informalmente como o DEC, departamento de escadas e corredores. Passou treze anos e meio sem ocupar um cargo. Em 2016, no breve governo de Michel Temer, foi reabilitado e assumiu a direção do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, o Ipri, vinculado ao Itamaraty. (...) 

Neste link de Academia.edu: 

https://www.academia.edu/49299957/Mudanca_a_for%C3%A7a_entrevista_de_Paulo_Roberto_de_Almeida_para_Revista_Crusoe

Nota PRA 19/03/2026:  Apenas uma parte pequena dessa entrevista, no site da revista Crusoé, está disponível, mas o conteúdo inteiro está reservado aos assinantes da revista. Em todo caso, deixo aqui o registro total deste trabalho, que resumiu minha entrevista ao jornalista Duda Teixeira, dileto amigo. Mais abaixo, transcrevo o conteúdo, tal como preservei na ocasião.

3930. “Sobre a política externa e a diplomacia brasileira: uma entrevista”, Brasília, 16 junho 2021, 14 p. Respostas a questões do jornalista Duda Teixeira, em formato de entrevista para a revista Crusoé sobre temas de diplomacia e de política externa, seguida de entrevista oral, combinando os dois formatos em matéria publicada na seção “Entrevista da Semana” da Revista Crusoé (edição 164, 18/06/2021; link: https://crusoe.com.br/edicoes/164/mudanca-a-forca/0). Sobre a política externa e a diplomacia brasileira, disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/49299957/MudancaaforçaentrevistadePauloRobertodeAlmeidaparaRevistaCrusoe). Parte relativa aos militares, divulgada de forma independente, sob o título de “Existe algum risco de golpe miliar no Brasil? Não, embora o capitão gostaria que ocorresse”, no blog Diplomatizzando (18/06/2021; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2021/06/existe-algum-risco-de-golpe-militar-no.html). Relação de Publicados n. 1406.

 


Homem de terno e gravata vermelha

Descrição gerada automaticamente

 

Mudança à força

Um dos principais críticos da interferência petista e bolsonarista no Itamaraty, o embaixador Paulo Roberto Almeida diz que as correções de rumo na diplomacia brasileira só devem acontecer no atual governo por pressão externa

Eduardo Teixeira

Crusoé, 18/06/2021

 

O diplomata Paulo Roberto Almeida, de 71 anos, é conhecido por sempre dizer o que pensa. Por causa disso, levou diversos puxões de orelha e teve a carreira prejudicada. Na era petista, foi acusado de ser “neoliberal” e foi relegado ao que, entre os diplomatas, é conhecido informalmente como o DEC, departamento de escadas e corredores. Passou treze anos e meio sem ocupar um cargo. Em 2016, no breve governo de Michel Temer, foi reabilitado e assumiu a direção do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, o Ipri, vinculado ao Itamaraty. Três anos depois, já no governo de Jair Bolsonaro, foi exonerado do posto após publicar em seu blog textos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do embaixador Rubens Ricupero e do ex-ministro Ernesto Araújo, discutindo a Venezuela. Os posts irritaram os bolsonaristas, que não gostaram de ver tucanos criticando o atual governo.

Almeida foi então transferido para a Divisão de Arquivos, no segundo subsolo do Itamaraty, onde não há wifi nem sinal de celular. “Enquanto os petistas não me colocaram em lugar algum, os bolsonaristas quiseram me humilhar”, diz o embaixador. Mesmo assim, ele não se intimidou e, desde 2019, publicou cinco livros. O último deles, Apogeu e Demolição da Política Externa, acaba de seguir para a última revisão.

O diplomata avalia que a nomeação de Carlos França para o cargo de chanceler melhorou o clima internamente. Como França consulta os colegas e segue os processos decisórios normais, as chances de erros diminuem. Contudo, Almeida afirma que ainda paira sobre o Itamaraty a influência de Jair Bolsonaro, seus filhos e assessores, o que pode resultar em constrangimentos – um exemplo é a indicação do ex-senador e ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal, para a embaixada na África do Sul. “Isso demonstra, mais uma vez, que o presidente não hesita em tomar atitudes que prejudicam a imagem e os interesses do Brasil quando se trata de defender seus interesses eleitoreiros”, diz. Eis a entrevista.

 

Que avaliação o sr. faz da gestão de Carlos França, substituto de Ernesto Araújo no cargo de ministro das Relações Exteriores?

A chegada dele foi um alívio. A personalidade de França é o inverso da do Ernesto Araújo, que era rejeitado quase que unanimemente pelos profissionais. França sempre foi um excelente diplomata, com um trabalho impecável. É reconhecido pelo seu jeito afável e pela sua cordialidade sincera. Tem um modo de ser transparente, simples e modesto. Apenas a sua chegada já representou uma melhoria de 200% na gestão dos assuntos internos do Itamaraty. Além disso, ele retomou o processo decisório, o que é muito bom.

 

Como?

Isso acontece em todo lugar, nas empresas, nas organizações. Os funcionários de cada área, que estão na base, fazem relatórios em suas áreas de especialização. Essas informações sobem pela hierarquia até chegar à cúpula, onde as decisões são tomadas. No Itamaraty, quando se trata de algo muito importante, o assunto vai parar na Presidência da República. No governo militar, que tinha uma estrutura muito rígida, com planejamento e metas, eu era uma dessas pessoas trabalhando na base, em assuntos específicos. Quando o papa João Paulo II foi escolhido, em 1978, eu fiz um longo memorando sobre o que isso significava. O texto foi muito elogiado e possivelmente foi para a Presidência. Sempre tínhamos de produzir esses textos. Quando o balé Bolshoi, da Rússia, vinha para o Brasil, os militares sempre achavam que vinha um monte de espião comunista, e nós precisávamos escrever sobre aquilo. Algumas vezes, os relatórios de três ou quatro páginas voltavam com a rubrica “de acordo”, o que significava que o Itamaraty tinha feito uma exposição para o presidente, que tinha concordado com o conteúdo. Em outros momentos, vinha com a orientação para consultar outros ministérios. Foi assim com o Ernesto Geisel, com o Figueiredo. Foi assim também com o Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique. Uma mudança aconteceu com Lula. Em seu governo, ele pediu para que o Itamaraty mostrasse relatórios mais breves, com no máximo uma página.

 

E como era com o Ernesto Araújo?

Araújo tomava decisões trancado em seu gabinete, sem consultar diplomatas ou ler qualquer coisa. Despachava de um bunker, auxiliado apenas pelo deputado Eduardo Bolsonaro, pelo Filipe Martins, assessor de assuntos internacionais da Presidência, e pelo Olavo de Carvalho. As notas que o Araújo soltava nada tinham a ver com a tradição do Itamaraty. Nenhum diplomata seria capaz de escrever aqueles absurdos. Os textos não faziam nenhuma referência ao direito internacional e traziam uma linguagem estropiada, com português mal escrito.

 

O que acontece quando não se respeita esses processos?

O risco maior é tomar decisões que vão contra os interesses nacionais. Uma delas foi o anúncio de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. Isso seria desastroso para o agronegócio brasileiro. Se o governo tivesse deixado a empresa chinesa Huawei de fora do leilão de tecnologia 5G, a China teria imposto retaliações maciças ao Brasil. Os processos decisórios também são importantes na elaboração dos discursos oficiais, como aqueles que são feitos em foros internacionais. O embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa, que é sogro do Ernesto Araújo, fez um livro, em três tomos, sobre as posições do Brasil na ONU. Há 70 anos, o Brasil inaugura as sessões da Assembleia Geral, o que foi uma forma de compensar o país por não ter entrado no Conselho de Segurança. Esses discursos mostram como o Brasil tradicionalmente pensa em diversos temas. Está tudo ali. Há uma unidade muito clara. Mas provavelmente não haverá uma quarta edição. O primeiro discurso de Bolsonaro na ONU em setembro de 2019 foi muito estranho, e o segundo foi um pouco menos ruim. Faltou consultar os demais diplomatas.

 

Na prática, algo já mudou na diplomacia brasileira?

Acho que as mudanças ainda estão por vir. Elas devem chegar principalmente como resultado de pressão externa, que pode vir do agronegócio, do Senado, das empresas, da opinião pública ou de outros países. Não necessariamente virão da vontade do presidente e dos seus assessores. Por enquanto, olhando para algumas votações em Genebra, na área de direitos humanos, ainda não voltamos ao padrão anterior. Permanece aquela visão contra o aborto da Damares Alves (ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos). É uma visão ainda desconfiada de temas que possam levar a direitos da mulher e a direitos reprodutivos. O evento mais recente, ainda não resolvido, é essa indicação absolutamente estranha do bispo Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus, para ser o embaixador na África do Sul. Na verdade, o assunto dele é Angola, onde há pendências entre as autoridades locais e sua instituição religiosa. Sabe-se que há muita lavagem de dinheiro com destino à África do Sul. Isso foi revelado porque um dos brasileiros que trabalhavam em Luanda teve um acidente na estrada. A polícia encontrou 60 milhões de dólares no seu automóvel. Então, é comum que carros atravessem a Namíbia levando dinheiro para a África do Sul. Claro, o Crivella gostaria que o governo desse uma cobertura total para os negócios da Universal. Ele não poderia ir para Angola, porque há uma pendência judicial contra ele. Então Bolsonaro fez algo muito estranho, que é designar um bispo que não pode sair do Brasil, que foi preso em dezembro, para ser o embaixador na África do Sul, onde ele poderia atuar. Mas a África do Sul é a base financeira dos negócios de lavagem de dinheiro na África, que envia dinheiro para paraísos fiscais. Seria muito estranho ter um embaixador não do Brasil, mas da Igreja Universal, na África do Sul.

 

Acredita que a indicação pode ser aprovada pelo Senado?

Acho pouco provável. A Comissão de Relações Exteriores do Senado vai achar muito estranha essa designação. Mesmo assim, seria preciso aguardar a aceitação do país africano. Se acontecer, seria muito complicado para o Brasil. Crivella poderia se envolver nos negócios africanos da Universal, com o potencial de gerar novos escândalos. Isso demonstra, mais uma vez, que o presidente não hesita em tomar atitudes que prejudicam a imagem e os interesses do Brasil quando se trata de defender seus interesses eleitoreiros. A candidatura para a OCDE (o clube dos país mais ricos do mundo), por exemplo, poderia ser prejudicada porque ela exige cooperação nas operações contra lavagem de dinheiro e contra a corrupção.

 

Ainda soa estranho um político ser indicado para um cargo em embaixada?

A diplomacia petista estreou com a indicação de pessoas de fora da carreira diplomática. Lembro do caso do Tilden Santiago. Ele era formado em jornalismo e filosofia, e foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Santiago tentou uma candidatura ao Senado por Minas Gerais em 2002, mas perdeu a eleição. Lula o mandou para a embaixada em Cuba, porque ele era admirador do Fidel Castro. Foi um dos poucos não diplomatas a serem enviados para embaixadas no exterior. Celso Amorim, depois, estabeleceu que todos os chefes de embaixadas deveriam ser diplomatas de carreira.

 

O clima sombrio que havia dentro do Itamaraty melhorou?

Em parte. Depois de se desentender com os senadores, principalmente com a Katia Abreu, Ernesto Araújo foi forçado a se demitir no dia 29 de março. No dia seguinte, o boletim do Itamaraty publicou a lotação dele na Subsecretaria Geral de Administração. Essa é a secretaria que cuida do que podemos chamar de “cozinha” do Itamaraty, da administração da casa. Ele estava tentando colocar seu chefe de gabinete como o subsecretário geral de administração. Pensei na época que o objetivo era construir um Ministério de Relações Exteriores do B. Eles seriam responsáveis por uma diplomacia paralela, com todo apoio do presidente, filhos e assessores. Mas o Ernesto Araújo não conseguiu o que pretendia e tirou uma licença de três meses.

 

Se o PT voltar em 2022, o sr. não teme ser novamente afastado?

Acho que vou me aposentar no final de 2022, talvez antes. Mas posso dizer que fui prejudicado tanto na era petista como na bolsonarista. Há uma grande diferença entre elas: os bolsonaristas são vingativos e mesquinhos. O PT me deixou fora do Itamaraty por treze anos e meio. Fui vetado e enviado para o departamento de escadas e corredores. Fiquei no limbo. Por dez anos, fiquei sem nenhum cargo na Secretaria de Estado. O Celso Amorim, ex-chanceler, tinha horror a mim, porque eu publicava e dizia o que pensava. Ele vetou uma promoção minha. Os petistas diziam que eu era ‘neoliberal’. Em 2014, eu publiquei o livro Nunca Antes na Diplomacia, com uma crítica pesada ao petismo. Com o bolsonarismo foi distinto. Em 2019, quando eu publiquei no meu blog um artigo do Fernando Henrique Cardoso, um do Rubens Ricupero e outro do Ernesto Araújo, eles me demitiram das funções que exercia. Mas, enquanto os petistas não me colocaram em lugar algum, os bolsonaristas quiseram me humilhar. Eles me mandaram para a Divisão de Arquivos. Então eu fiquei lá na biblioteca, sem função. Em 2019, eu publiquei um pequeno livro intitulado Miséria da Diplomacia: a Destruição da Inteligência no Itamaraty. Decidiram me retaliar. Sem que eu soubesse, eles foram computando minhas faltas. Em muitas delas, eu estava em bancas acadêmicas em São Paulo, em Curitiba, dando palestras. Uma vez, eu estava com o próprio Ernesto Araújo, no Ministério da Defesa, e eles me deram falta. Eu justifiquei e não aceitaram. Mais recentemente, passaram a me cobrar por horas não trabalhadas. Já tive um prejuízo de mais de 40 mil reais com eles. Só não conseguiram me demitir por justa causa porque veio a pandemia.

 

O Itamaraty, afinal, falhou na compra de vacinas?

Não, o Itamaraty, como instituição, não falhou na aquisição de vacinas pela simples razão que nunca lhe foi dada essa atribuição. O problema foi a oposição do presidente a uma ação vigorosa nessa frente. Araújo apenas se submeteu a isso. O governo falhou por inteiro em todas as fases, etapas e configurações de um enfrentamento sério da pandemia. O quadro de miséria moral existente nesse setor está na origem da tragédia acumulada em número de mortos e outras vítimas da Covid-19, por uma indiferença perversa. Tanto o Itamaraty não falhou que o novo chanceler proclamou, em seu conciso e objetivo discurso de posse, que sua primeira preocupação será com uma diplomacia da vacina, colocando os postos a serviço dessa meta.

 

Isso pode fazer diferença no combate à pandemia no Brasil?

Ainda estamos numa situação diferente da dos demais países, onde o combate à pandemia recebe o inteiro apoio dos chefes de governo ou de estado. Isso não é uma realidade no Brasil. Bolsonaro segue com a mesma indiferença perversa. Na verdade, em temas de interesse global – meio ambiente, desenvolvimento, cooperação regional, comércio internacional, direitos humanos, novas fronteiras dos direitos coletivos –, o Itamaraty sempre exerceu um protagonismo digno de nota, sendo conhecido pelos seus esforços de mediar interesses de países avançados e em desenvolvimento, num esforço notável em foros multilaterais. Não fosse este governo, o Brasil teria provavelmente liderado uma iniciativa de coordenação global contra a pandemia, unindo cooperação bilateral, regional, multilateral, em todos os foros e instâncias abertas ao engenho e à arte de nossa diplomacia.

 

https://crusoe.com.br/edicoes/164/mudanca-a-forca/

  

Novo Livro de Claudio de Moura Castro: Sucessos e Fracassos da Educação Brasileira

Tenho em meu computador (ou melhor, na nuvem) uma enorme pasta (aliás várias, de anos passados também) chamada simplesmente Exchange, na qual figuram dezenas de outras pastas, em ordem alfabética, de todos os meus contatos acadêmicos, de trabalho, para todos os objetivos. Uma dessas pastas se chama Claudio Moura Castro, cujos trabalhos eu sigo desde os anos 1980, quando nos conhecemos em Genebra, ele na OIT, eu na Delegação do Brasil junto aos organismos internacionais. Nunca deixei, desde então, de ler e guardar todos os trabalhos, praticamente semanais, que ele publicava como artigos na imprensa brasileira ou internacional.

É possível que eu já tenha lido vários dos capítulos deste livro, mas ainda assim vou comprá-lo, para reler muitas pílulas de sabedoria sobre a educação brasileira e internacional.

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