segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O fascismo de Mussolini tinha uma doutrina: ele mesmo a compôs num livro: versão francesa, 1938

BENITO MUSSOLINI

LA DOCTRINE DU FASCISME

IIIe ÉDITION

(Firenze, 1938 XVI — Stab. Grafici A. Vallecchi, Viale del Mille, 72)

 Versão em francês disponível neste link: 

https://fr.wikisource.org/wiki/La_Doctrine_du_fascisme/Texte_entier 

 

APPENDICE

Notes relatives au Ier chapitre.

 


Foi muito lido no Brasil:? Certamente: 

Existem traduções brasileiras do ensaio de Benito Mussolini (escrito em coautoria com Giovanni Gentile), publicado no Brasil sob o título A Doutrina do Fascismo em edições digitais e impressas recentes. [1, 2]
  • O texto original: Foi escrito em 1932 como um verbete da Enciclopedia Italiana, dividido em "Ideias Fundamentais" (por Giovanni Gentile) e "Doutrina Política e Social" (por Mussolini). [1, 2, 3]
  • Disponibilidade no Brasil: O texto circula no país em formato digital (como e-books na Amazon Brasil) e em coletâneas históricas dedicadas ao tema.
  •  ===============
  • Manifesto-Programa da Ação Integralista Brasileira 



    "É certo que Plínio Salgado e a Ação Integralista Brasileira foram as forças mais polêmicas de toda a história do Brasil. Por onde passam seus nomes, nascem acirradas controvérsias e discussões. É ideia quase unânime que eram fascistas ou nazistas; lugar-comum que eram totalitários e queriam a ditadura de partido único. De qualquer forma, fato é que, ainda assim, em novembro de 1937, Plínio Salgado era o nome mais cotado para a Presidência da República: todas as pesquisas presidenciais o apontavam como o vencedor das eleições que deveriam acontecer em janeiro de 1938. Foi então que Getúlio Vargas, por motivos jamais conhecidos, proferiu um golpe de Estado. Todos os seguidores de Plínio Salgado que permaneceram foram perseguidos, presos, torturados e até mortos. Plínio nunca foi eleito. Mas o que era isso que esse caboclo, de família pobre e sem fortuna alguma, que construiu uma vida inteira do zero e liderou o maior movimento de massas da história da América Latina, propunha para a Nação e que tanto a animou? Qual foi o programa presidencial que despertou a ira de Getúlio Vargas e mudou para sempre a história do Brasil, sendo adotados até hoje a maioria de seus pontos, embora ainda não integralmente?Neste Manifesto-Programa, distinto de todos os outros programas presidenciais da história da República brasileira, o leitor aprenderá o que realmente foi a Ação Integralista Brasileira, qual era o genuíno pensamento político de Plínio Salgado e quais eram essas ideias que emocionaram milhões de brasileiros, levando centenas deles ao martírio até os dias de hoje."
     

domingo, 6 de setembro de 2026

Fascismo: resumo por Ricardo Bergamini

sábado, 13 de junho de 2020

Fascismo: resumo por Ricardo Bergamini

Prezados Senhores

Para os “papagaios de piratas” que repetem sem saber o que estão dizendo, abaixo um breve resumo do pensamento fascista, termo muito popular atualmente no Brasil. 

Defender o fascismo é negar: os ideais liberal-democráticos; o saber e o conhecimento, a razão e a lógica e defender o militarismo, a guerra e o conflito como projetos de uma nação. Qualquer semelhança com alguns governantes atuais, não são meras coincidências. 

Totalitarismo – Negação dos ideais liberal-democráticos. Absoluta soberania do Estado, que deve ser governado por uma elite forte e audaz. “A liberdade é um cadáver em putrefação, um dogma cediço da Revolução Francesa”. Só pode existir “um partido fascista, uma imprensa fascista e uma educação fascista”.

Romantismo – Antiintelectualismo. Não é a razão que resolve os grandes problemas nacionais, mas “a fé mística, o auto-sacrifício e o culto do heroísmo e da força”. “O espírito fascista é vontade, não intelecto”.

Militarismo – As nações que não se expandem – morrem. “A guerra exalta e enobrece o homem, e regenera os povos ociosos e decadentes”.

O Fascismo na Itália

Ricardo Bergamini

Causas

Sentimento de nacionalismo humilhado (desde a anexação da Tunísia, pela França, em 1881, e a derrota de Ádua, perante os abissínios, em 1890); sentimento de revolta – após a I Guerra Mundial – contra o não cumprimento integral das promessas dos Aliados. Os italianos receberam menos do que esperavam; inflação, carestia da vida, especulação dos aproveitadores. Queda das exportações e dos negócios. Caos econômico; crescimento do partido socialista (1/3 da Câmara dos Deputados, em 1919). Radicalismo econômico e político dos socialistas (operários socialistas assumem o controle de quase 100 fábricas); influência da filosofia hegeliana: supremacia do Estado. “Nada pelo indivíduo, tudo pela Itália”; fraqueza do regime parlamentar: queda frequente dos ministérios, pela falta de maioria na Câmara. Luta constante entre os dois maiores partidos. O Socialista e o Popular (católico).

A Revolução Fascista

O movimento fascista começou em 1919. Sua primeira doutrina redigida por Mussolini (antigo agitador socialista), era assaz radical: “sufrágio universal, a abolição do Senado, a instituição legal da jornada de 8 horas, um pesado imposto sobre o capital, o confisco de 85% dos lucros de guerra, a aceitação da Liga das Nações, a oposição a todos os imperialismos, e a anexação do Fiúme e da Dalmácia“.

Em 1920, essa plataforma foi substituída por uma de caráter mais conservador. No novo programa desapareceram os argumentos em prol duma reforma econômica. Condenava-se apenas, dubiamente, “o socialismo dos políticos”, e reclamava-se o cumprimento de algumas promessas feitas pelos aliados durante a guerra. Nenhum dos dois programas trouxe algum prestígio apreciável aos fascistas. Em 1922, quando se apoderaram do governo, os fascistas só possuíam 35 deputados, na Câmara – num total de 500.

Mesmo assim, apesar do seu reduzido número, os fascistas – disciplinados e agressivos – marcharam sobre Roma e tomaram o poder. A famosa “marcha sobre Roma”, dos camisas-pretas (milicianos fascistas), foi apenas simbólica: eles só se arriscaram depois que o rei Vitor Manuel se negou a decretar o estado de sítio, como reclamava Facta, o último democrata.

Em 28 de outubro de 1922, sem disparar um só tiro e sem oposição da polícia, do exército ou do governo, 50.000 camisas-pretas “ocuparam” Roma. O primeiro-ministro demitiu-se e Mussolini foi convidado pelo rei a organizar um novo gabinete. Assim, em meio ao caos do pós-guerra, e pela ausência, em certas camadas do povo italiano, de apego ao regime democrático, os fascistas assumiram o poder, no qual ficaram durante 21 anos.

Características do Fascismo Italiano

Estado corporativo – Fundamentos econômicos, mas subordinação do Capital e do Trabalho ao Estado. Proibição de greves e locautes.

Totalitarismo – Negação dos ideais liberal-democráticos. Absoluta soberania do Estado, que deve ser governado por uma elite forte e audaz. “A liberdade é um cadáver em putrefação, um dogma cediço da Revolução Francesa”. Só pode existir “um partido fascista, uma imprensa fascista e uma educação fascista”.

Nacionalismo – O internacionalismo é “uma grosseira perversão do progresso humano”. A nação deve ser grande e forte, “pela autossuficiência, por um poderoso exército e pela rápida elevação do índice de natalidade”.

Idealismo – O fascismo se opõe à interpretação materialista da história. É, sobretudo, contra o materialismo e dialética dos marxistas.

Romantismo – Antiintelectualismo. Não é a razão que resolve os grandes problemas nacionais, mas “a fé mística, o auto-sacrifício e o culto do heroísmo e da força”. “O espírito fascista é vontade, não intelecto”.

Militarismo – As nações que não se expandem – morrem. “A guerra exalta e enobrece o homem, e regenera os povos ociosos e decadentes”.

“O regime fascista, escreve Taunay, mais oportunista que baseado em considerações doutrinárias, procurando sempre se adaptar às condições do momento, pode ser caracterizado pelo nacionalismo agressivo, pela ação antiparlamentar, pela ambição de adquirir prestígio internacional e conquistar colônias. No poder, não admitiram os fascistas qualquer oposição e assim foi suprimida a liberdade de imprensa, proibido o funcionamento de outros partidos e instituída uma justiça especial para julgamento dos crimes políticos. O desemprego foi combatido com a instalação de organizações profissionais, e com o incentivo do comércio e da indústria, ambos submetidos ao controle governamental: obras públicas, algumas mesmo monumentais, foram realizadas, e assim, de um modo geral, todas as atividades italianas tiveram o apoio do governo, que interferia na atuação da família, das organizações profissionais e a economia”.

Algumas Realizações do Fascismo

Reduziu o analfabetismo; solucionou a contenda com a Santa Sé (tratado de Latrão); eliminou a Máfia, na Sicília; melhorou a agricultura; intensificou a produção industrial (sobretudo: seda, rayon e automóveis); duplicou a força hidroelétrica; obteve grandes progressos na drenagem de pântanos.

Há, porém, o reverso da medalha. Embora aumentassem as horas de trabalho, o padrão de vida dos assalariados não melhorou. Ademais, a estabilidade e a ordem imposta pelo fascismo exigiram do povo italiano uma esmagadora “uniformidade de pensamento e ação”.

O governo fascista atirou-se a duas dispendiosas aventuras no setor das guerras estrangeiras: A conquista da Etiópia (1935-1936); intervenção aberta (ao lado dos nazistas) na guerra civil da Espanha (1936-1939), em prol de Franco, “representante dos elementos conservadores e fascistas espanhóis (nobreza territorial, clero e forças armadas)”. O governo legal de Madrid foi derrotado e a República Espanhola suprimida.

Todavia, “havia poucos indícios de que quaisquer uns desses empreendimentos tivessem sido bem recebidos pelo povo italiano, ou de que os proveitos para o país viessem a compensar os sacrifícios”.

Ricardo Bergamini

Ricardo Bergamini deixou de fora a principal "realização" fascismo mussoliniano: a aliança com a Hitler e a Alemanha nazista no "Pacto de Aço" – ao qual aderiu depois o Japão – que levou ao seu envolvimento na guerra deslanchada pelo ditador alemão, um dos maiores desastres, senão o maior, da história da Itália.
Paulo Roberto de Almeida

 

Os perigos da extrema-direita - Paulo Roberto de Almeida

Os perigos da extrema-direita

Paulo Roberto de Almeida 

Uma postagem acautelatória quanto às consequências a médio e longo prazo dessa evolução preocupante:


Security experts fear Putin may be winning hybrid war with the west amid rise of pro-Kremlin, far-right parties….

The European embrace of Russian fascism.”


Meus comentários pessoais:


PRA: Trump já foi um efeito dessa guerra híbrida muito antes de assumir o poder pela primeira vez em 2017, datando provavelmente dos anos de URSS, quando se converteu num asset russo pelas mãos do KGB, agora FSB sob Putin.

Eu acrescentaria que a adesão ao fascismo russo não ocorre só entre partidos europeus. Na América Latina também, no Brasil em especial, partidos de direita, mas também de esquerda, não encontram nenhum problema em apoiar objetivamente a ação do fascista Putin no massacre diário contra civis ucranianos e contra a infraestrutura do país.

Se a direita alemã ou a francesa lograrem a conquista do poder elas não hesitarão em continuar apoiando Putin, pois já foram fartamente subsidiados por ele. 

Como diplomata, me constrange reconhecer que isto ocorre também no Brasil. Bolsonaro se declarou “solidário” a Putin numa viagem feita (contra a opinião do Itamarary) uma semana antes da invasão total da Ucrânia em fevereiro de 2022. 

Lula sempre se mostrou favorável e amigável ao ditador russo, não apenas em 2022 e desde então, mas já 2003 (na verdade desde sempre), quando assumiu o poder e expressou inequívoco apoio às teses russas sobre a “ameaça” da Otan. Continua na mesma linha e o Itamaraty amordaçado para qualquer manifestação diplomática equilibrada. Lula pretendia convidar o criminoso de guerra procurado pelo TPI para visitar o Brasil, e sempre atendeu aos desejos e imposições do genocida, sobretudo no âmbito do Brics, esse Frankenstein diplomático que é o principal erro estratégico da política externa (não da diplomacia, mas que a ele aquiesceu submissavamente) em décadas.

Existem muitos outros erros estratégicos na política externa, e o maior deles poderá se materializar proximamente se, em 2027, a extrema-direita bolsonarista voltar ao poder, com seu projeto de submeter nossa diplomacia sos desmandos dd Trump 2, que se julga o imperador hemisférico. 

Essa possibilidade precisa ser denunciada com todo o vigor na atualidade brasileira, assim como o horror que seria na Europa ver os dois principais paises da UE aderirem à postura russa sobre segurança estratégica, ou modo de vida democrático.

A extrema-direita, no mundo todo, representa a maior ameaça às atuais democracias, bem mais do que uma esquerda mais preocupada com o distributivismo do que com o socialismo.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 6/09/2026

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