sábado, 12 de setembro de 2026

As ideias e as práticas da política externa brasileira (incompleto) - Paulo Roberto de Almeida

Um trabalho feito no celular, que não tinha sido transposto para o computador:  

As ideias e as práticas da política externa brasileira 

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Texto incompleto de um trabalho iniciado, mas não terminado, encontrado numa postagem no Threads, com data de 11/08/2026 (21 Views), sem qualquer registro anterior nesta lista de trabalhos ou nos arquivos do computador.

  

Toda política de Estado, que não seja pura reação a fatos intervenientes que se infiltram de forma independente na agenda dos governantes de plantão, resulta sempre de alguma concepção própria que possua o chefe de Estado e de governo, junto com seus assessores imediatos e seus inspiradores indiretos, sobre como conduzir as principais políticas governamentais que respondam aos desafios da própria governança.

Governos inspirados por ideias gerais sobre como conduzir os mais importantes assuntos de Estado — economia, segurança pública e defesa externa, educação e saúde da população, infraestrutura e relações exteriores — retiram de sua própria experiência governativa anterior (nos munícipios, nos estados, na esfera legislativa) as principais diretrizes a serem aplicadas num mandato determinado (em democracias, pela via eleitoral), ou então buscam sugestões com base em estudos técnicos disponíveis e em propostas que lhes são submetidas por homens de ideias, ditos ideólogos, do momento presente, ou de etapas anteriores da trajetória do país.

Ideias movem o mundo pretendem intelectuais, mas o mais exato é que ideias, teorias, programas de governo resultem de uma interação entre ideias puras, ou seja, conceitos ideais, e necessidades e constrangimentos extraídos da vida como ela é, o turbilhão de processos, iniciativas e reações vindas de agentes internos e externos, produtores, consumidores, reguladores, governos e empresas estrangeiras interagindo com seus parceiros nacionais, públicos e privados.

Na economia, que é o núcleo central, e o mais relevante polo das políticas governamentais, o Brasil atual é o resultado de uma colonização extratora, com quatro séculos de regime de trabalho escravocrata que moldou boa parte da sociedade, adentrando na própria independência, ao lado da marginalidade estrutural dos setores livres da população dedicados à atividade agrícola de abastecimento e todos os demais serviços urbanos, primeiro artesanais, depois numa atividade manufatureira-industrial.

A forte imigração desde o final do século XIX e início do XX, sofisticou serviços, comércio e indústria, ao lado do estabelecimento de instituições de ensino nos diversos níveis, mas sempre com atraso relativo em relação a países mais avançados e vis-à-vis as próprias necessidades da sociedade nacional, que passa por rápidos processos de urbanização e de democratização social ao longo do século XX.

Na segunda metade do século XX, o Brasil já tinha uma feição econômica, politica e educacional relativamente similar à que temos atualmente, mas enfrentou, ao lado da modernização dinâmica que continuou moldando a sociedade e o Estado, ciclos inflacionários e de descontrole nas contas públicas que consolidaram e praticamente congelaram os altos índices de concentração de renda e de iniquidade social que exibia tradicionalmente.

O Brasil é uma sociedade moderna, mas com um número excessivamente elevado de pobres e de miseráveis, resultado de estruturas oligárquicas que sempre se mantiveram estáveis, nos diferentes formatos assumidos ao longo do tempo. Governos social-democratas ou de esquerda nas últimas três décadas não lograram corrigir esse lado mais deplorável da sociedade brasileira, que é uma desigualdade estrutural resiliente às transformações na sua base econômica— inclusive um agro bastante moderno, que enterrou a agricultura atrasada que se arrastou até os anos 1980-90 — e no próprio substrato industrial, em serviços e nas instituições de ensino. A marginalidade social e a exclusão política persistem nas grandes cidades e no campo brasileiro.

Passemos agora ao panorama das ideias e das práticas no terreno da política externa e da diplomacia.

(A continuar)

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5456: 12 setembro 2026, 2 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/as-ideias-e-as-praticas-da-politica.html)

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