sábado, 12 de setembro de 2026

Revista Será?, número de 11 de setembro de 2026

ANO XIV Nº728 - A SEMANA NA REVISTA SERÁ?

Revista Será?
Desde 2012 acompanhando o fluxo da história.
ANO XIV Nº728

 Recife, 11 de setembro de 2026

Caro leitor,

Nesta edição, reunimos textos que interrogam o poder, a democracia, a memória política, os riscos do extremismo e, em outro registro, a literatura, a morte e a condição humana. Entre o ruído da conjuntura e questões permanentes, propomos ao leitor um percurso de reflexão crítica.

Nosso Editorial, “O STF afundou no pântano da polarização”, examina a promiscuidade de ministros do Supremo com negócios privados escusos e a contaminação da Corte pelas disputas políticas. Defendemos transparência, independência institucional e mudanças no processo de escolha dos ministros, diante de uma crise que ameaça a credibilidade de uma instituição essencial à democracia.

Em “Ressentimento e saudosismo”, Sérgio C. Buarque volta o olhar para a Alemanha. A ascensão da AfD na antiga Alemanha Oriental serve de ponto de partida para investigar desigualdades regionais, frustrações da reunificação, memória seletiva e possível nostalgia de regimes autoritários, num quadro que reacende temores históricos e ultrapassa as fronteiras alemãs.

O retorno ao Brasil ocorre com “Presenças Impróprias e Ausências Lastimáveis”, de Elimar Pinheiro do Nascimento. O escândalo do Banco Master e a transformação do STF em arena da disputa eleitoral contrastam com aquilo que quase desapareceu do debate público: contas públicas, educação, crise ecológica, mudanças climáticas e os desafios estratégicos do desenvolvimento.

Essa crise institucional ganha interpretação ainda mais contundente em “Tentativa de Golpe dentro do STF”, de Rui Martins. O autor vê na atuação de André Mendonça algo que ultrapassaria o conflito entre magistrados: uma interferência político-eleitoral capaz de aproximar religião, poder judicial e campanha eleitoral, colocando em questão a laicidade do Estado e a soberania democrática.

Em “Os Deuses do Riso”, José Paulo Cavalcanti Filho muda o registro sem abandonar o Supremo. A partir de uma fotografia de ministros sorrindo, convoca deuses gregos, literatura e ironia para refletir sobre poder, corporativismo, impunidade e a distância entre instituições e sociedade. O texto conduz o leitor a um desfecho que preferimos não antecipar.

O ambiente eleitoral reaparece em “O Circo, o Cerco e as Eleições”, de Paulo Gustavo. Para o autor, a eleição não se reduz à competição convencional pelo governo: envolve a resistência democrática diante do avanço da extrema direita, inclusive no Congresso. Nesse cenário, sustenta a recondução de Lula e Geraldo Alckmin como alternativa democrática mais razoável.

Depois da tensão política, Helga Hoffmann nos oferece outra forma de olhar o Brasil. Em “Não era água o que Wassermann queria”, resenha o romance Wassermann, de F.J. Brüseke, no qual um engenheiro alemão se transforma quase inadvertidamente em agente secreto. Espionagem, cooperação internacional, humor e estranhamento constroem um Brasil visto simultaneamente de fora e de perto.

Com “Da Morte e Suas Adjacências”, Clemente Rosas desloca a edição para uma questão universal. Entre Leandro Gomes de Barros, Susan Sontag, Paulo Pontes, Somerset Maugham e Zorba, o Grego, reflete sobre resignação e recusa, fé e racionalismo, medo e serenidade, para afirmar a vida como o verdadeiro centro da experiência humana.

Fechamos a edição com a Última Página, a charge de Elson.

Da crise do STF às eleições, da extrema direita europeia à literatura, da ironia à morte, esta edição convida a desconfiar das respostas fáceis. Em tempos de certezas barulhentas, continuamos a preferir o exercício da dúvida, da crítica e da reflexão.

Boa leitura.
Os Editores

Índice

  1. O STF afundou no pântano da polarização - Editorial
  2. Ressentimento e saudosismo - Sérgio C. Buarque
  3. Presenças Impróprias e Ausências Lastimáveis - Elimar Pinheiro do Nascimento
  4. Tentativa de Golpe dentro do STF - Rui Martins
  5. Os Deuses do Riso - José Paulo Cavalcanti Filho
  6. O Circo, o Cerco e as Eleições - Paulo Gustavo
  7. Não era água o que Wassermann queria - Helga Hoffmann
  8. Da Morte e Suas Adjacências - Clemente Rosas
  9. Última Página, a charge de Elson

 

 

Revista Será? Penso, logo duvido. — Conhecimento para transformar a realidade.

 

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