Revista Será? Desde 2012 acompanhando o fluxo da história. ANO XIV Nº728 Recife, 11 de setembro de 2026 Caro leitor, Nesta edição, reunimos textos que interrogam o poder, a democracia, a memória política, os riscos do extremismo e, em outro registro, a literatura, a morte e a condição humana. Entre o ruído da conjuntura e questões permanentes, propomos ao leitor um percurso de reflexão crítica. Nosso Editorial, “O STF afundou no pântano da polarização”, examina a promiscuidade de ministros do Supremo com negócios privados escusos e a contaminação da Corte pelas disputas políticas. Defendemos transparência, independência institucional e mudanças no processo de escolha dos ministros, diante de uma crise que ameaça a credibilidade de uma instituição essencial à democracia. Em “Ressentimento e saudosismo”, Sérgio C. Buarque volta o olhar para a Alemanha. A ascensão da AfD na antiga Alemanha Oriental serve de ponto de partida para investigar desigualdades regionais, frustrações da reunificação, memória seletiva e possível nostalgia de regimes autoritários, num quadro que reacende temores históricos e ultrapassa as fronteiras alemãs. O retorno ao Brasil ocorre com “Presenças Impróprias e Ausências Lastimáveis”, de Elimar Pinheiro do Nascimento. O escândalo do Banco Master e a transformação do STF em arena da disputa eleitoral contrastam com aquilo que quase desapareceu do debate público: contas públicas, educação, crise ecológica, mudanças climáticas e os desafios estratégicos do desenvolvimento. Essa crise institucional ganha interpretação ainda mais contundente em “Tentativa de Golpe dentro do STF”, de Rui Martins. O autor vê na atuação de André Mendonça algo que ultrapassaria o conflito entre magistrados: uma interferência político-eleitoral capaz de aproximar religião, poder judicial e campanha eleitoral, colocando em questão a laicidade do Estado e a soberania democrática. Em “Os Deuses do Riso”, José Paulo Cavalcanti Filho muda o registro sem abandonar o Supremo. A partir de uma fotografia de ministros sorrindo, convoca deuses gregos, literatura e ironia para refletir sobre poder, corporativismo, impunidade e a distância entre instituições e sociedade. O texto conduz o leitor a um desfecho que preferimos não antecipar. O ambiente eleitoral reaparece em “O Circo, o Cerco e as Eleições”, de Paulo Gustavo. Para o autor, a eleição não se reduz à competição convencional pelo governo: envolve a resistência democrática diante do avanço da extrema direita, inclusive no Congresso. Nesse cenário, sustenta a recondução de Lula e Geraldo Alckmin como alternativa democrática mais razoável. Depois da tensão política, Helga Hoffmann nos oferece outra forma de olhar o Brasil. Em “Não era água o que Wassermann queria”, resenha o romance Wassermann, de F.J. Brüseke, no qual um engenheiro alemão se transforma quase inadvertidamente em agente secreto. Espionagem, cooperação internacional, humor e estranhamento constroem um Brasil visto simultaneamente de fora e de perto. Com “Da Morte e Suas Adjacências”, Clemente Rosas desloca a edição para uma questão universal. Entre Leandro Gomes de Barros, Susan Sontag, Paulo Pontes, Somerset Maugham e Zorba, o Grego, reflete sobre resignação e recusa, fé e racionalismo, medo e serenidade, para afirmar a vida como o verdadeiro centro da experiência humana. Fechamos a edição com a Última Página, a charge de Elson. Da crise do STF às eleições, da extrema direita europeia à literatura, da ironia à morte, esta edição convida a desconfiar das respostas fáceis. Em tempos de certezas barulhentas, continuamos a preferir o exercício da dúvida, da crítica e da reflexão. Boa leitura. Os Editores Índice - O STF afundou no pântano da polarização - Editorial
- Ressentimento e saudosismo - Sérgio C. Buarque
- Presenças Impróprias e Ausências Lastimáveis - Elimar Pinheiro do Nascimento
- Tentativa de Golpe dentro do STF - Rui Martins
- Os Deuses do Riso - José Paulo Cavalcanti Filho
- O Circo, o Cerco e as Eleições - Paulo Gustavo
- Não era água o que Wassermann queria - Helga Hoffmann
- Da Morte e Suas Adjacências - Clemente Rosas
- Última Página, a charge de Elson
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