Os marxistas brasileiros não leem Marx - Paulo Roberto de Almeida:
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 30 de junho de 2026
Os marxistas brasileiros não leem Marx – releitura de minha nota por Mademoiselle IA
segunda-feira, 29 de junho de 2026
A ascensão da China e os dilemas da política externa brasileira - Master Talk com Paulo Roberto de Almeida (Instituto Diplomacia)
A China desafia a ordem internacional. O Brasil está preparado para responder? 🌎🇧🇷
Hoje, às 19h, o professor Paulo R. de Almeida conduz um MasterTalk sobre os impactos da ascensão da China e os dilemas da política externa brasileira.
Uma análise indispensável para quem estuda Relações Internacionais, geopolítica e se prepara para o CACD.
Ao vivo no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=FOkXGjkkDZE
Para os que não puderam assistir a minha aula da segunda-feira 29/06, e para os que desejam simplesmente ler o texto preparado em caráter prévio (como sempre faço), eis aqui o registro:
5377. “A Ascensão da China e os Dilemas da Política Externa Brasileira”, Brasília, 28 junho 2026, 11 p. Texto-guia para Aula Master do Instituto Diplomacia, online, em 29/06/2026. Disponível na plataforma acadêmica Academia.edu (link: https://www.academia.edu/169392117/5377_A_Ascens%C3%A3o_da_China_e_os_Dilemas_da_Pol%C3%ADtica_Externa_Brasileira_2026_
Como o culto do Estado pode inviabilizar o desenvolvimento smithiano - Paulo Roberto de Almeida
Como o culto do Estado pode inviabilizar o desenvolvimento smithiano
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre a Grande Deformação da era contemporânea.
O mundo político costuma ser dividido nas diferentes gradações entre dois extremos, numa tipologia herdada da Revolução francesa: esquerda e direita, com muitas variações no centro e exageros nos dois extremos. Essa é a perspectiva de um cenário dominado de forma estéril por uma luta pelo poder e pela dominação de alguns sobre muitos. Essa luta não cria riqueza ou prosperidade, apenas redistribui o estoque existente de riqueza entre os diversos contendores da luta política.
Antes da Revolução francesas, porém, um professor de Glasgow, Adam Smith, já havia delimitado alguns parâmetros sob os quais se moviam as paixões humanas, em seu livro Teoria dos Sentimentos Morais. Mas ele fez mais: no ano da independência americana da dominação britânica, 1776, autonomia sob o livre comércio, que ele preconizava, publicou o livro seminal da economia política, aquele que deveria guiar os verdadeiros estadistas do Estado, de qualquer Estado, na busca de prosperidade socialmente bem distribuída: Um Inquérito sobre a Riqueza das Nações, uma investigação sobre como se poderia criar e aumentar a riqueza social, ao mesmo tempo fazendo com que ela fosse bem distribuída entre os súditos ou os cidadãos de uma nação, de um Estado constituído em conformidade com as leis estabelecidas consensualmente, não pela força ou dominação de alguns poucos.
Seu livro se tornou influente nas ilhas britânicas e em alguns outros países do continente europeu (mas só chegou à China muito tempo depois, aliás “importado” por alguns comunistas esclarecidos que corrigiram os erros demenciais de Mao Tsetung, que produziram mais mortos entre os próprios chineses do que Stalin o havia feito entre seus “súditos” russos). O livro de Adam Smith foi “corrigido” por uma outra obra das mais negativas não só na história da economia politica, mas também na trajetória de boa parte da humanidade. Essa obra foi O Capital, de um radical hegeliano expatriado chamado Karl Marx. Esse livro, que pretendia colocar a economia smithiana sobre seus pés, as forças produtivas, alterava, na verdade, as bases de funcionamento da economia política pela via de uma política econômica que invertia completamente os fundamentos da criação de riqueza e prosperidade: seria o Estado, e não a liberdade dos agentes econômicos, quem deveria ordenar a organização da vida econômica, o “promotor” da prosperidade igualitária.
A mensagem era poderosa, numa fase em que o primeiro capitalismo explorava, literalmente, os esforços de trabalhadores em prol da acumulação de riqueza, criando continuamente uma desigualdade de tipo rousseauniano, pois que fundamentada no “pecado original” da propriedade privada. Estavam dadas as condições para o surgimento de uma nova forma de organização econômica baseada não exatamente na propriedade privada, mas na propriedade coletiva dos meios de produção, o socialismo dito científico, ou o coletivismo (que seria aplicado tanto por regimes supostamente de esquerda, como o bolchevismo, como por regimes declaradamente de direita, como o fascismo e o nazismo).
Estava criada a via para a implementação do “socialismo”, não exatamente nos países do primeiro capitalismo, na Inglaterra e na Nova Inglaterra, assim como em diversos países da Europa continental, mas num país autocrático, a Rússia atrasada dos mujiques e da nobreza czarista, vivendo num capitalismo incipiente, e sobretudo no despotismo brutal da aristocracia dos boiardos. Isso se deu por um pequeno “acidente” político, o famoso “trem blindado” que transportou o emigrado russo Lênine de volta à Rússia em meio a um processo revolucionário, iniciado em fevereiro de 1917: isso se fez por um ardil do Império alemão, que pretendia desmantelar a guerra no lado oriental da Prússia, para se concentrar nas frentes de batalha do lado ocidental, contra franceses, britânicos e, mais recentemente, americanos.
O putsch de outubro (ou novembro) de 1917 colocou no poder um novo regime despótico, desta vez guiado por bolcheviques que acreditavam piamente nas fabulosas teorias econômicas de Karl Marx, de que seria possível criar riqueza e prosperidade não pela via da liberdade econômica, mas pela via da monopolização total dos meios de produção nas mãos do Estado, criando um sistema imaginário, “de cada um segundo a sua capacidade, a cada um segundo as suas necessidades”, como afirmou o mesmo Marx na Crítica ao Programa de Gotha, em oposição ao recém criado Partido Social Democrata alemão, que pretendia criar, não um sistema de estatização completa da economia, mas um regime flexível, combinando propriedade privada e meios públicos de criação de oportunidades para todos.
Lênin podia ser um gênio em política, ou pelo menos um lídes partidário astuto, mas ele era uma nulidade em economia. Seu programa de “coletivização total” da economia russa provocou de imediato uma contração terrível na oferta de bens e serviços, levando o povo a uma crise alimentar ao ponto da fome generalizada (refreada generosamente por americanos e outros europeus), com o que Lênin teve de improvisar uma “NEP”, permitindo a existência provisória de negócios privados em certos setores da economia. Imediatamente após o início da coletivização, um jovem economista austríaco, Ludwig von Mises, escrevia um “panfleto” contra os socialistas austríacos, intitulado sinteticamente O Cálculo Econômico na Comunidade Socialista, explicando que o socialismo não poderia funcionar pois que ele ignorava completamente o mecanismo de formação de preços, baseado nas leis universais da oferta e da procura, da produção e do consumo. Não podia funcionar, como um elefante não pode voar, mas Stalin fez o “socialismo” se sustentar nos ares pela via de formas modernas da antiga escravidão, ou do antigo regime servil da própria velha Rússia.
O socialismo não morreu por ter sido combatido pelo capitalismo, longe disso: os “capitalistas” ocidentais até procuraram suavizar o sofrimento dos povos “socialistas” pela via de empréstimos ou algum apoio material sempre quando necessário, mas era difícil fazer o elefante voar; o sistema se desmantelou sozinho pela força de suas próprias contradições econômicas. Mas a mensagem socialista era muito poderosa: a “igualdade” deveria, pelas mãos do Estado, passar na frente da liberdade preconizada pelos liberais, e assim se fez em diversos países em diversos continentes, inclusive na América Latina, na qual as receitas keynesianas de luta contra as crises e as depressões cíclicas do sistema foram convertidas, de meios provisórios de inversão do ciclo econômico, em verdadeira teoria do desenvolvimento; essa foi a origem do prebischianismo, a versão original do desenvolvimentismo cepaliano.
O Brasil foi o país no qual essa nova “teoria” encontrou terreno fértil, inclusive porque ele já vivia, desde os anos 1930, numa especie de “capitalismo estatizado”, o que complementava o seu mercantilismo tradicional, um protecionismo que existia desde os tempos coloniais e que encontrou também terreno fértil no Império e da República. Nos anos 1950, o desenvolvimentismo conheceu grandes possibilidades de expansão, tanto que ganhou espaço ainda mais ampliado no regime semiautárquico da ditadura militar, perfeitamente estatizante e centralizado que o país conheceu entre os anos 1960-80. A industrialização em marcha forçada sob os anos JK foi realmente benéfica para os capitalistas amigos do Estado, contrariando as prescrições de uma política econômica com sólidos fundamentos no balanço fiscal das contas nacionais, como preconizavam economistas como Eugênio Gudin e o jovem Roberto Campos. O resultado foi a implantação de muitas indústrias, algumas estatais, outras com base no investimento direto estrangeiro, mas também uma forte aceleração da inflação, que seria a maldição do país, de toda a população, nos quarenta anos seguintes.
O bloqueio de um processo sustentado de crescimento econômico, pela via da indução estatal, já tinha sido alertado algum tempo antes, no quadro de um famoso debate econômico que, nos anos 1944-45, colocou face a face o mesmo economista neoclássico Eugênio Gudin e um industrial paulista, apreciador das teorias de Friedrich List e de Mihail Manoilescu, Roberto Simonsen. Do debate saiu-se vencedora, no plano puramente teórico, a solidez dos argumentos econômicos de Gudin, mas quem venceu, na prática, foi Simonsen, preconizando subsídios estatais à indústria, protecionismo no comércio exterior e intervenção estatal segundo os novos cânones do “planejamento para o desenvolvimento econômico”, em lugar da “mão invisível” do mercado para guiar os passos da iniciativa privada. Foi o que o Brasil conheceu desde então, combinado a um entranhado nacionalismo exclusivista, que o fez sempre desconfiar da “sanha” dos capitalistas estrangeiros, preferindo recorrer a empréstimos estrangeiros, como se fez desde a independência, do que aos investimentos diretos, sujeitos à “espoliação” dos dividendos e da remessa de lucros ao exterior (isso ficou evidente na carta deixada por Getúlio Vargas quando do seu suicídio, criando essa “herança maldita” do ódio aos capitais forâneos, sempre “sugadores” da riqueza nacional).
Na experiência concreta do Brasil do período contemporâneo o que tivemos foram acelerações esporádicas do impulso inflacionário, sempre causado por excesso de gastos públicos, combatidos oportunamente por planos bem ou mal sucedidos de estabilização econômica, e, sobretudo, um processo de desenvolvimento endógeno que resultou num cresimento dotado de baixo dinamismo sustentado, e um atraso relativo no confronto com outras experiências nacionais de abeertura econômica e de liberalização comercial, no quadro de um sistema mais baseado na força do livre empreendedorismo de mercado do que na suposta eficiência da condução estatal do jogo econômico. Enfim, como síntese, sempre fomos mais estatizantes do livre-mercadistas, o que talvez explique nossa longa estagnação de mais de quatro décadas num período que foi do fim do socialismo à globalização otimista e, agora, ao desmantelamento do multilateralismo político e econômico pela ação conjunta, mas não necessariamente combinada, de dois dirigentes imperiais que se acreditam ser os imperadores de seus respectivos continentes, quiçá do mundo. Ainda estamos nisso…
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5380, 29 junho 2026, 4 p.
Uma crítica ao desenvolvimentismo juscelinista - Brazil Journal
Weekend
Como Juscelino matou o mercado
Brazil Journal, 28 de junho de 2026
Juscelino Kubitschek foi o presidente de um Brasil que ousou sonhar grande. O Brasil dos “50 anos em cinco”, do desenvolvimentismo, da nova capital – todas as propostas em sinton (...)
Leia mais em https://braziljournal.com/como-juscelino-matou-o-mercado/
Bisneta de D.Pedro II assassinada pelos nazistas - Renato Drummond Tapioca Neto
Uma bisneta de D. Pedro II morreu numa câmara de gás nazista.
O sangue imperial brasileiro foi apagado pela máquina de eugenia de Hitler. Essa é a história quase esquecida de Maria Karoline de Saxe-Coburgo-Gota.
Em 6 de junho de 1941, a princesa Maria Karoline, bisneta de D. Pedro II, era assassinada numa câmara de gás nazista no Centro de Extermínio de Hartheim, em Alkoven, Áustria. A tragédia de Maria Karoline de Saxe-Coburgo-Gota-Koháry é quase desconhecida pelo público brasileiro. Filha de D. Augusto Leopoldo, o “príncipe marinheiro”, ela teve a vida ceifada aos 42 anos. Nasceu em 10 de janeiro de 1899, em Pula, na atual Croácia, então parte do Império Austro-Húngaro. Era fruto da união de seu pai com a prima, a arquiduquesa Karoline Marie da Áustria.
A criança foi registrada como uma princesa brasileira no exílio. Seus avós paternos eram a princesa D. Leopoldina do Brasil e o príncipe D. Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Koháry. Logo nos primeiros anos, constatou-se que a pequena Maria Karoline tinha deficiência intelectual, possivelmente devido ao grau de consanguinidade de seus pais. Como o casamento não era considerado uma opção para ela devido à sua condição, foi mantida sempre próxima à mãe.
Seu pai, o príncipe D. Augusto Leopoldo, nasceu no Rio de Janeiro em 6 de dezembro de 1867 e foi neto de D. Pedro II. Ele sempre manteve a esperança de retornar ao Brasil com a esposa e os filhos, mas o Decreto do Banimento de 1889 impedia isso. Faleceu em 11 de outubro de 1922, em Schladming, Áustria, aos 54 anos, no ano seguinte à revogação da Lei do Banimento, permitindo assim aos Orleans e Bragança voltarem ao país. Ele morreu doente e não conseguiu realizar o sonho de rever o Brasil.
A princesa tinha 23 anos quando o pai morreu e seu quadro psicológico foi piorando com o tempo. Após a Primeira Guerra Mundial e com o fim dos impérios alemão e austro-húngaro, a família sobreviveu da herança Koháry e se mudou para Schladming, nos Alpes austríacos.
Até 1938, Maria Karoline permaneceu com a mãe e a irmã Leopoldine no Haus Coburgo. Após o Anschluss(a anexação da Áustria pela Alemanha nazista), a mãe e Leopoldine fugiram para Budapeste, a pedido do irmão Philipp Josias. Por causa da saúde frágil, Maria Karoline ficou para trás e foi enviada para o Hospital de Salzburg, em Lehnen, especializado em “doenças neurológicas” e dirigido por freiras.
O diretor médico era Dr. Leo Wolfer, e seu filho Dr. Heinrich Wolfer chefiava a ala masculina e a divisão de doenças hereditárias. Heinrich era membro da SS e chefe do escritório local de higiene racial, conhecido por esterilizar pacientes com deficiência para “impedir a transmissão hereditária”.
Em 1939 foi aprovado o programa Aktion T4, a “eutanásia” nazista, que autorizava o extermínio em massa de pessoas consideradas “incuráveis” e “indignas de viver”. Em 21 de maio de 1941, Maria Karoline foi uma das 86 pacientes transferidas do Hospital de Salzburg para o Hospital Niedernhart, em Linz. De lá, em 6 de junho de 1941, foi levada para o Schloss Hartheim. Nesse mesmo dia, foi morta com monóxido de carbono na câmara de gás, junto com outros pacientes. Os nazistas chamavam isso de “misericórdia”.
Só em Hartheim, entre maio de 1940 e agosto de 1941, 18.269 pessoas foram mortas na primeira fase da Aktion T4. No total, estima-se 30 mil vítimas no local, incluindo deficientes, doentes e prisioneiros de campos de concentração. O corpo de Maria Karoline foi cremado e as cinzas jogadas no Danúbio. A mãe recebeu apenas uma carta afirmando “causas naturais”. Seu nome só apareceu depois nas listas de cremados de Hartheim como “Maria Saxe-Coburgo”. Sem túmulo, a arquiduquesa mandou gravar o nome da filha numa placa no mausoléu da família, na Igreja de Santo Agostinho, em Coburgo.
Maria Karoline nasceu princesa, bisneta de um imperador, neta de uma princesa do Brasil. Morreu como número, reduzida a “vida indigna de ser vivida”. O sangue de D. Pedro II, que governou o maior império das Américas, terminou dissolvido nas águas do Danúbio, sem lápide, sem luto, sem justiça. Maria Karoline não teve funeral. Teve apenas a fumaça da câmara de gás e o silêncio que a história brasileira teimou em manter por décadas. Uma princesa brasileira, morta pelo mesmo veneno ideológico que dizimou milhões. E até hoje, poucos sabem seu nome.
Texto: Renato Drummond Tapioca Neto
Imagem: Princesa Maria de Saxe-Coburgo e Gotha. Ateliê Helene Zimmerauer, Viena, VI., Rua Gumpendorfer 23. Colorizado por Rainhas Trágicas.
Madame (Demoiselle) IA comenta as postagens da semana no Diplomatizzando (via ADL)
Madame (Demoiselle) IA comenta as postagens da semana no Diplomatizzando (via ADL)
Sob o comando firme e repetido de meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, que formula as precisas demandas de comentários e análises a respeito de minhas postagens no Diplomatizzando, Madame (ou Demoiselle, como parece mais apropriado) IA, continua a se pronunciar sobre minhas opiniões ou sobre as matérias de terceiros, na semana recém encerrada:
“- As participações [indiretas ou diretas] de Madame IA (ou "Demoiselle IA"?) no blog Diplomatizzando na recente semana (de 21 a 27/junho/2026), em ordem cronológica:
Uma lista dos melhores trabalhos de Paulo Roberto de Almeida divulgados por meio do blog Diplomatizzando, entre 2011 e 2014 - comentários de Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/uma-lista-dos-melhores-trabalhos-de_0267523400.html
O Brasil caminha para um declínio econômico de meio século? - Paulo Roberto de Almeida; + comentários de Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/o-brasil-caminha-para-um-declinio.html
Uma semana, dormindo e acordando com Madame IA, sob o patrocínio do mestre de cerimônias Airton Dirceu Lemmertz:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/uma-semana-dormindo-e-acordando-com.html
Madame IA efetuou, a pedido de Airton Dirceu Lemmertz, uma avaliação geral sobre os 20 anos do Blog Diplomatizzando - Paulo Roberto de Almeida:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/madame-ia-efetuou-pedido-de-airton.html
Introdução "literária" à terceira lista dos melhores trabalhos de Paulo Roberto de Almeida divulgados por meio do blog Diplomatizzando, a partir de 2015 ; comentário de Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/introducao-literaria-terceira-lista-dos.html
Dez anos de Diplomatizzando, quinze blogs em treze anos... - Paulo Roberto de Almeida:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/dez-anos-de-diplomatizzando-quinze.html
Madame IA se debruça sobre a primeira leva de postagens no Diplomatizzando, de 2006 a 2011 - Paulo Roberto de Almeida:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/madame-ia-se-debruca-sobre-primeira.html
O futuro de dois homens - Paulo Roberto de Almeida + Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/o-futuro-de-dois-homens-paulo-roberto.html
Terceira lista dos melhores trabalhos de Paulo Roberto de Almeida divulgados por meio do blog Diplomatizzando, 2015 e 2016 - Madame IA comenta:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/terceira-lista-dos-melhores-trabalhos.html
Madame IA se pronuncia, uma vez mais, a pedido de Airton Dirceu Lemmertz, sobre meu desempenho à frente do blog Diplomatizzando - Demoiselle IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/madame-ia-se-pronuncia-uma-vez-mais.html
Eleições no Brasil: questionamentos de um jornalista francês em 2022 - Paulo Roberto de Almeida, comentários Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/eleicoes-no-brasil-questionamentos-de.html
Os primeiros dez anos do blog Diplomatizzando: coleta dos melhores textos - Paulo Roberto de Almeida:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/os-primeiros-dez-anos-do-blog.html
Brasil – a verdadeira soberania - Carlos Alberto Di Franco (O Estado de S. Paulo + Madame IA):
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/brasil-verdadeira-soberania-carlos.html
Os primeiros dez anos do blog Diplomatizzando: coleta dos melhores textos (2006-2016) Paulo Roberto de Almeida + Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/os-primeiros-dez-anos-do-blog_0101656613.html
Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade - Paulo Roberto de Almeida + Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/sobre-mais-importante-questao.html
Ainda sobre a mais importante questão diplomática da atualidade, Paulo Roberto de Almeida -Comentários recebidos de Demoiselle IA, via Airton Dirceu Lemmertz:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/ainda-sobre-mais-importante-questao.html
A autobiografia do Estado relida e reinterprada por Demoiselle IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/a-autobiografia-do-estado-relida-e.html
- "Uma semana com 17 participações de Madame IA. Nas duas semanas anteriores, foram 23 e 11 participações. Em três semanas, 51 participações; uma média de 17 postagens por semana, ou 2,4 por dia." (ADL). “
O blog Diplomatizzando e a Inteligência Artificial (via Airton Dirceu Lemmertz)
O blog Diplomatizzando e a Inteligência Artificial (via ADL)
As postagens que faço no meu blog Diplomatizzando, de trabalhos próprios ou de materiais de terceiros, estão sendo objeto do escrutínio rigoroso, embora ponderado, assim como de resumos muito inteligentes por parte da Inteligência Artificial (por vezes até melhores do que os meus trabalhos), graças à intermediação de meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, que faz os pedidos – na verdade requisições, quase ordens – a essas simpáticas ferramentas de pesquisa e síntese redacional, que são muitas e variadas, embora ele se serve mais frequentemente do Gemini AI, a quem eu chamo carinhosamente de Madame IA, ou agora, de Demoiselle IA.
Ela própria faz uma distinção metodológica entre uma e outra, com a qual não estou muito de acordo (quanto ao objeto referido em minhas postagens), pois minha distinção entre uma distinta senhora (Madame IA) e uma jovem senhorita (Demoiselle IA) se deve apenas que essa ferramenta é relativamente muito jovem, e precisa ainda aprender muito (com base na produção humana), para aprender cada vez mais (embora ela nunca vai ter coração, sentimentos e cérebro próprios).
Aqui está o que ela respondeu recentemente a ADL:
"Blog Diplomatizzando: "Demoiselle IA" ou "Madame IA"?
No blog Diplomatizzando são utilizados ambos os termos, "Demoiselle IA" e "Madame IA". [1, 2]
As duas expressões referem-se à mesma inteligência artificial (alimentada pelo Google Gemini) utilizada de forma satírica e analítica pelo diplomata Paulo Roberto de Almeida e por seu colaborador Airton Dirceu Lemmertz. [1, 2, 3, 4, 5]
Como os termos são aplicados:
Demoiselle IA: É tratada carinhosamente como a assistente de curadoria responsável por ler, resumir e reescrever textos históricos da página. [1, 2]
Madame IA: É a alcunha usada quando a ferramenta assume um papel formal de "crítica", emitindo pareceres estruturados sobre o desempenho do blogueiro ou analisando temas complexos de política externa. [1, 2] "
Bem, vou deixar o meu boa noite respeito a Madame IA e cumprimentar uma vez mais a gentil Demoiselle, pela sua tenacidade e disposição de aguentar as demandas repetidas de ADL (não sei se trabalhando de graça, como escrava desse capataz colocado ao serviço do conhecimento alimentado pelos comentários sempre pertinentes dessas duas donzelas).
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 29/06/2026
domingo, 28 de junho de 2026
A política externa paralela do lulopetismo diplomático: uma entrevista de 2016 resumida por Demoiselle IA em 2026
A política externa paralela do lulopetismo diplomático: uma entrevista de 2016 resumida por Demoiselle IA em 2026
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Entrevista concedida em de 2016, que foi objeto de resumo pela IA em 2026.
Em outubro de 2015, recém reincorporado ao trabalho ativo no Itamaraty, como diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, vinculado à Funag (Itamaraty), amigos das Forças Armadas apreciadores de minhas posições em matéria de política externa e de diplomacia, sugeriram que eu concedesse uma entrevista a uma nova organização de comunicação social, da qual eu nunca tinha ouvido falar, uma tal de Brasil Paralelo, que pretendia estimular uma visão diferente da política e da economia do Brasil, supostamente de visão liberal e oposta, portanto, à versão lulopetistas da diplomacia, que havia dominado não só o Itamaraty como quase toda a academia brasileira desde 2003, e se apresentava como a “versão progressista” da política externa.
Sem saber exatamente o tratamento que seria dado a essa entrevista, eu a concedi, sem qualquer roteiro ou preparação, e sem notas de apoio, ou seja, de maneira completamente improvisada. Apenas meses mais tarde tomei conhecimento que essa iniciativa do Brasil Paralelo estava bem mais vinculada à extrema-direita, e que ela também se caracteriza por uma grande dose de desonestidade intelectual, tanto quanto os companheiros, cuja visão do mundo ela pretendia combater. Em todo caso, a entrevista, de mais de uma hora, foi concedia, e apenas algum tempo depois eu recebi os recortes efetuados pela gravação. A ficha dessa entrevista foi efetuada da seguinte forma, onde também comparece o link para o YouTube, original e retransmitida em meu canal, para os que desejarem assistir:
3047. “A política externa paralela do lulopetismo diplomático”, Brasília, 14 outubro 2016, gravação de entrevista, em vídeo, para servir como depoimento no quadro de documentário do Brasil Paralelo, a realizar-se online no Brasil, em novembro, com a participação de diferentes personalidades, em suporte puramente virtual. Entrevista registrada na lista de trabalhos originais, em 15/10/2016, por nota divulgada no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/10/congresso-brasil-paralelo-como-refundar.html). Gravação disponível no YouTube (links: https://www.youtube.com/watch?v=meCec0dM_8U&feature=share; no canal pessoal: https://www.youtube.com/user/paulomre, neste link: https://youtu.be/fWZXaIz8MUc).
Fui tomado de surpresa, dez anos depois, ao constatar que meu amigo informático, Airton Dirceu Lemmertz, que também serve de canal de interação entre a minha produção intelectual – sobretudo a divulgada no blog Diplomatizzando – e esses novos agentes da coleta e tratamento da informação agrupados sob a rubrica geral da Inteligência Artificial, submeteu essa minha entrevista a uma análise-resumo do Gemini AI, a quem eu chamo de Demoiselle IA, cujo resultado (talvez até mais compreensível do que a própria entrevista) figura na transcrição abaixo:
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Brasil Paralelo: Paulo Roberto de Almeida (14/10/2016):
Fonte original: https://www.youtube.com/watch?v=fWZXaIz8MUc
A análise a seguir detalha cronologicamente o depoimento e as reflexões do diplomata Paulo Roberto de Almeida para o Congresso Brasil Paralelo, gravado originalmente no final de 2016. [1, 2]
A Divisão Histórica do Brasil Contemporâneo
O diplomata inicia sua exposição estabelecendo uma cronologia comparativa para explicar a história recente do país (0:28). Ele propõe uma divisão cronológica inspirada na tradição ocidental cristã, que separa o tempo entre antes e depois de Cristo (0:47). Para Almeida, o Brasil pode ser compreendido sob a ótica do "ACDC": antes e depois dos companheiros (1:02). No centro dessa divisão, situa-se um intervalo de treze anos e meio de gestões que ele qualifica como bizarras e exóticas, o que se aplicaria perfeitamente à condução das políticas internas e externas daquele período (0:41).
Analisando o início da era lulopetista, o diplomata pontua que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura inicial de cautela na economia (1:18). Tendo saído derrotado em três disputas presidenciais anteriores com uma plataforma puramente esquerdista, Lula buscou uma concertação com o grande capital e a burguesia, selando uma aliança ao convidar um grande industrial mineiro para ser seu vice-presidente (1:18). Essa estratégia garantiu a preservação de pilares macroeconômicos herdados, associados ao tripé composto por superávit primário, metas de inflação e regime de flutuação cambial, elementos anteriormente criticados pela militância partidária e acadêmica (1:34).
A Ideologização da Política Externa e as Heranças
Para contrabalançar a manutenção das diretrizes liberais na economia interna e satisfazer suas bases aliadas, o governo promoveu uma guinada à esquerda na condução do Itamaraty (1:55). Almeida descreve essa guinada como uma diplomacia pautada por uma visão de mundo anacrônica, anti-imperialista, antiamericana e fundamentada na divisão maniqueísta entre opressores e oprimidos, ricos e pobres, norte hegemônico e o sul em libertação (2:03). Essa concepção foi implementada sob a liderança dos diplomatas Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães, este último apontado como o principal ideólogo do que denomina lulopetismo diplomático (2:32).
O diplomata rebate a narrativa governamental de que teria sido recebida uma herança maldita do governo de Fernando Henrique Cardoso (2:56). Segundo Almeida, a deterioração das contas ocorrida em 2002 foi gerada justamente pela crise de confiança que a iminente ascensão dos companheiros provocou nos mercados, resultando na desvalorização do real, na alta da inflação e na depreciação dos títulos da dívida externa (3:15). Para mitigar esses efeitos e demarcar uma suposta ruptura com o passado, o partido rotulou sua política como ativa, altiva, soberana e focada na cooperação sul-sul (3:40). Ele argumenta que essa retórica acusava falsamente as gestões anteriores de submissão a Washington e ao neoliberalismo, omitindo o fato de que o Brasil jamais foi um país estritamente neoliberal (4:19).
O Alinhamento Ideológico e a Bonança das Commodities
Na prática, Almeida sustenta que a diplomacia petista não alterou a substância das grandes linhas tradicionais do Itamaraty, mantendo a prioridade aos vizinhos da América do Sul, ao multilateralismo e à busca por um assento no Conselho de Segurança da ONU (4:55). A mudança real ocorreu na rotulagem retórica e no alinhamento pragmático com ditaduras do Oriente Médio e da América Latina (3:49). O sucesso político de Lula decorreu do palanque sindical e, fundamentalmente, do benefício gerado pela estabilidade macroeconômica consolidada desde 1993 com o Plano Real (6:03).
A esse cenário somou-se um crescimento extraordinário da economia mundial na primeira década do milênio, impulsionado pelo fator China (6:44). O país asiático passou a consumir mais de um terço do cimento, ferro, alimentos e energia do planeta, tornando-se o principal parceiro comercial do Brasil em 2009 e desbancando a liderança histórica de cento e cinquenta anos dos Estados Unidos (7:08). O afluxo massivo de dólares decorrente da explosão dos preços das commodities — com a soja atingindo patamares elevados e o minério de ferro disparando — permitiu ao governo financiar programas de distribuição de renda internos e projetar o presidente como um líder global do terceiro mundo (7:25). Lula circulava entre potências e ditaduras africanas como Moammar Kadafi, modulando seu discurso conforme os interesses de cada plateia (9:18).
Os Três Fracassos Estratégicos e a Pirotecnia
Apesar da grande expansão de postos e embaixadas pelo mundo, Almeida aponta que os três grandes objetivos estratégicos inaugurados em janeiro de 2003 resultaram em fracasso absoluto (10:46). O primeiro era a conclusão das negociações multilaterais da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio para abertura de mercados ao Brasil, o que foi inviabilizado pela visão estreita da diplomacia comercial partidária (13:02). O segundo era o fortalecimento e expansão do Mercosul, bloco que acabou desestruturado pelo comportamento protecionista e arbitrário da Argentina sob os governos de Nestor e Cristina Kirchner (13:50). Lula, segundo o palestrante, foi conivente com essas medidas, solicitando à Fiesp tolerância com as barreiras argentinas, o que solapou o mercado de manufaturados brasileiros e transformou um tratado de integração comercial em palanque ideológico (14:38).
O terceiro objetivo frustrado foi a conquista de uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, uma ambição histórica do establishment diplomático e militar desde os tempos da Liga das Nações em 1926 e da Conferência de São Francisco em 1945 (15:30). Almeida pessoalmente não considera essa meta prioritária, argumentando que ela exige altos custos financeiros e a participação em missões complexas de imposição da paz (peacemaking) (17:56). Na tentativa de angariar votos, Lula abriu embaixadas na África e perdoou dívidas de autocratas, desconsiderando que a reforma do conselho depende estritamente do poder de veto dos cinco membros permanentes, especialmente de Estados Unidos e China, que não possuem interesse em dividir o poder global (19:05).
Essa frustração de metas deu lugar a uma diplomacia de pirotecnia e megalomania, exemplificada na tentativa fracassada de mediar a paz no Oriente Médio e na Declaração de Teerã sobre o programa nuclear iraniano, que entrou em rota de colisão com as negociações conduzidas pelas grandes potências do P5+1 (21:09). Para o diplomata, o Brasil perdeu credibilidade e isenção ao se aliar a regimes autoritários na região e ao intervir ativamente em processos eleitorais e referendos de vizinhos como a Venezuela de Hugo Chávez, violando o princípio constitucional de não-intervenção nos assuntos internos de outros Estados (22:07).
O Processo Decisório Invertido e as Vias Paralelas
A estrutura organizacional do Itamaraty sofreu alterações severas no período petista (24:38). O processo decisório tradicional funcionava como um triângulo perfeito, onde as formulações conceituais nasciam nas secretarias técnicas de base e subiam de forma unificada até o gabinete ministerial (25:25). No lulopetismo, essa lógica foi invertida: a base passou a buscar o que pensava a cúpula partidária para se alinhar ideologicamente à linha dos companheiros (26:21). O centro formulador deslocou-se do Palácio do Itamaraty para o Palácio do Planalto, capitaneado por um assessor internacional egresso do partido e de estrita confiança do regime cubano, que atuava como uma espécie de chanceler paralelo para a América do Sul (24:04).
Almeida classifica como extremamente grave a consolidação de uma diplomacia paralela operada à margem dos registros oficiais, baseada em contatos telefônicos diretos entre lideranças petistas, cubanas e bolivarianas (26:43). Essa opacidade burocrática impede a reconstituição documental de episódios como o abrigamento de Manuel Zelaya na embaixada em Tegucigalpa, a suspensão arbitrária do Paraguai do Mercosul ao arrepio do Protocolo de Ushuaia e a subsequente entrada forçada da Venezuela no bloco (27:58). O mesmo padrão repetiu-se quando Evo Morales nacionalizou os hidrocarbonetos na Bolívia em 2006, ocupando instalações da Petrobras; o governo emitiu uma nota oficial de apoio à medida de Morales, em vez de defender os ativos estatais e os tratados internacionais firmados (28:43).
O diplomata assevera que a engrenagem externa estava umbilicalmente ligada ao esquema de corrupção desvelado pela Operação Lava-Jato (29:06). Ele afirma que entre 2003 e 2016 o país foi comandado por uma organização criminosa que utilizou financiamentos bilionários e superfaturados do BNDES direcionados a obras em ditaduras aliadas em troca de propinas e vantagens pessoais para capitalistas promíscuos (28:59). Essa dinâmica manchou a reputação internacional do Brasil nos índices de percepção da Transparência Internacional (44:58).
A Ficção do Sul Global e o Custo do Isolamento
A substituição do universalismo ecumênico da política externa tradicional pela chamada diplomacia sul-sul é qualificada por Almeida como uma decisão exótica, canhestra e estúpida (31:35). Ele argumenta que o conceito de Sul Global é uma ficção anacrônica em um mundo interdependente e globalizado (34:25). A criação do fórum IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) e a institucionalização diplomática da sigla BRICs — termo cunhado originalmente pelo economista Jim O'Neill do Goldman Sachs como mero indicador de mercados de investimento emergentes — serviram para aprisionar o Brasil em uma visão confrontacionista e sindical do cenário internacional (34:49).
Almeida aponta que restringir alianças preferenciais ao sul assemelha-se a caminhar com uma viseira ou amarrar uma bola de ferro na perna, abrindo mão do comércio com as economias ricas e detentoras de alta tecnologia (37:36). Ele cita que os próprios parceiros asiáticos enriqueceram integrando-se aos mercados dinâmicos dos Estados Unidos e da Europa, enquanto o Brasil estagnou e reduziu sua participação no comércio global para menos de um por cento (33:11). O ápice desse isolamento foi o programa de substituição de importações sul-sul idealizado pelo chanceler Amorim e defendido por Lula perante a Fiesp, exortando industriais a comprarem insumos mais caros e de menor qualidade de vizinhos pobres para ajudá-los, uma lógica que ele considera antieconômica e ignorada pelo setor privado (42:25).
Como consequência, o ambiente de negócios brasileiro deteriorou-se drasticamente, conforme atestava o relatório Doing Business do Banco Mundial, posicionando o país em patamares desfavoráveis devido à alta carga fiscal e à burocracia kafkiana da Receita Federal (45:54). O diplomata destaca o dado de que uma empresa no Brasil gastava em média duas mil e seiscentas horas anuais apenas para cumprir obrigações fiscais, em contraste gritante com a média da OCDE, o que afastava investimentos em inovação tangível e intangível (45:27).
O Stalinismo Industrial e a Involução da Produtividade
A transição do governo Lula para a gestão de Dilma Rousseff acentuou o declínio econômico através do que Almeida denomina estalinismo industrial e keynesianismo de botequim (1:04:21). Se Lula possuía uma ignorância enciclopédica aliada a uma inteligência instintiva para falar o que os interlocutores queriam ouvir, Dilma revelou-se uma governante arrogante e teimosa (1:28:19). Sob a condução de Guido Mantega na Fazenda, a administração implementou a Nova Matriz Econômica e o programa Inova Auto, fechando o mercado nacional ao comércio externo e impondo taxas abusivas sobre o conteúdo importado sob o pretexto de proteger o mercado interno (50:29).
Esse modelo estimulou artificialmente a demanda e o endividamento por meio da expansão desmesurada do crédito — elevando-o de menos de vinte por cento para mais de cinquenta por cento do PIB —, ignorando o princípio econômico básico de que o crescimento sustentável depende do lado da oferta (supply side) e da taxa de investimento produtivo (1:18:01). Em 2005, Dilma já havia rejeitado propostas de consolidação fiscal formuladas por Palocci e Meirelles na Casa Civil, sob a justificativa de que gasto público é vida, pavimentando a explosão das despesas estatais acima do crescimento do PIB (1:13:54).
Almeida argumenta que as desonerações e subsídios distribuídos pelo BNDES não geraram modernização tecnológica, mas sim uma sinalização errática de mercado (1:05:15). O esporte principal do empresariado nacional passou a ser a busca por favores e protecionismo em Brasília, consolidando cartéis e monopólios em setores como telecomunicações, cimento e aço, o que eliminou a livre concorrência microeconômica e estrangulou a produtividade (57:20). Ele cita o exemplo do agronegócio, que opera com altíssima eficiência científica e de custos "até a porteira da fazenda", mas perde competitividade global da porteira para fora devido ao apagão de infraestrutura de portos e transportes sob responsabilidade de um Estado inepto (1:22:17).
A Falência do Capital Humano e o Remédio Constitucional
O fator mais crítico e limitante para o desenvolvimento de longo prazo do Brasil situa-se, segundo o palestrante, na falência do capital humano (58:42). Ele contrapõe o destino do país ao do Japão e da Coreia do Sul, nações desprovidas de recursos naturais que priorizaram a educação básica universal e a inovação tecnológica aplicada ao chão de fábrica (58:51). Enquanto em 1960 a Coreia possuía metade da renda per capita brasileira, nas primeiras décadas do século XXI ela ultrapassou amplamente o patamar nacional, que permaneceu estagnado (1:02:51). Almeida atribui o colapso educacional medido pelos exames internacionais do PISA ao que classifica como "freirismo", uma ideologia maoísta de pedagogia que teria destruído os currículos escolares (59:49). Critica também o isolamento corporativo das universidades públicas brasileiras, voltadas à escolha de reitores demagogos em detrimento da meritocracia científica e de patentes aplicadas (1:00:43).
Essa paralisia microeconômica, o desmantelamento institucional e o rombo fiscal de dez por cento do PIB resultaram no processo de impeachment de Dilma Rousseff em 2016 (51:21). O diplomata esclarece que o impedimento não foi um golpe da direita, mas sim o remédio constitucional legítimo previsto em democracias consolidadas como a dos Estados Unidos e na própria tradição ocidental que remonta à Magna Carta de 1215 (1:31:56). Ele assevera que o impeachment teria sido evitado, apesar das pedaladas fiscais e crimes contra a responsabilidade orçamentária, se a presidente não demonstrasse total incapacidade de negociação política com o Congresso Nacional no âmbito do presidencialismo de coalizão (1:34:07).
Almeida lamenta a leniência e inépcia histórica de partidos de oposição, como o PSDB de Fernando Henrique Cardoso, que não impulsionaram o impedimento de Lula em 2005 por ocasião do escândalo do Mensalão, permitindo que o esquema de compra de apoio parlamentar fosse industrializado e ampliado pelas estatais nos dez anos seguintes (1:16:49). No plano externo, a versão partidária de golpe ecoou em setores acadêmicos e jornalísticos internacionais politicamente corretos devido ao capital de prestígio acumulado por Lula, detentor de dezenas de títulos de doutor honoris causa financiados por campanhas de marketing governamentais (1:38:05).
O Cenário de Insolvência e o Pêndulo do Futuro
Encerrando seu depoimento com projeções econômicas, Almeida detalha uma visão pessimista para o futuro de curto e médio prazo do Brasil (1:53:25). Sob o governo de Michel Temer, o país tentava administrar uma transição fiscal complexa ancorada na PEC dos gastos públicos (PEC 241), buscando sinalizar previsibilidade aos investidores sem aumentar tributos de imediato (1:41:44). Contudo, o diplomata adverte que a trajetória da dívida pública em direção a oitenta e cinco por cento do PIB, combinada com taxas de juros elevadas, colocava o Estado à beira da insolvência técnica, consumindo a maior parte das receitas com juros e previdência (1:47:35).
Ele projeta que o fechamento do bônus demográfico nos vinte anos seguintes inverterá a pirâmide populacional, aumentando a proporção de aposentados e idosos dependentes sobre a base de trabalhadores ativos (1:08:36). Sem o ganho de produtividade que uma reforma educacional profunda traria, Almeida prevê que o crescimento econômico do país permanecerá ridículo, gerando escassez de recursos para arcar com os custos de saúde e previdência de uma sociedade envelhecida (1:09:16). Ele vaticina que o ano de 2022, centenário da Independência, registrará uma renda per capita real inferior à de 2012, configurando uma década inteira perdida como preço da destruição macroeconômica da Nova Matriz (1:50:50).
A superação desse atraso relativo perante os vizinhos liberais da Aliança do Pacífico e os emergentes asiáticos exigiria a redução drástica do tamanho e dos privilégios dos mandarins da burocracia estatal e a inserção unilateral do Brasil nas cadeias globais de valor, premissas das quais ele se declara cético devido ao peso do corporativismo fascista que molda as instituições nacionais (1:10:54).
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Fim da transcrição.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5378, 28 junho 2026, 6 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/a-politica-externa-paralela-do.html).
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