Um número excepcional da revista L'Histoire, inteiramente dedicada ao Brasil.
Sumário resumido (link)
L'Histoire n°366
Sommaire
Pourquoi le Brésil est-il si grand ?
par THÉRY Hervé p. 6 - 15
Pourquoi le Brésil est-il resté uni ?
par SAINT-GEOURS Yves p. 12 - 13
La trouvaille
par BENNASSAR Bartolomé p. 18 - 19
Du bois et du sucre
par BENNASSAR Bartolomé p. 20 - 25
Les premiers habitants
par BENNASSAR Bartolomé p. 22 - 22
Le départ des Hollandais
par BENNASSAR Bartolomé p. 24 - 24
Le rêve brisé de Villegagnon
par THOMAS Olivier p. 26 - 27
Au sommaire de ce numéro
AU LECTEUR
Le Brésil et nous
SPÉCIAL BRÉSIL
Pourquoi le pays est-il si grand ? - Hervé Théry
Pourquoi le pays est-il resté uni ? - Entretien avec Yves Saint-Geours
Un pays-continent (VOIR PDF)
La trouvaille - Bartolomé Bennassar
Du bois et du sucre - Bartolomé Bennassar
Les premiers habitants - Bartolomé Bennassar
Le départ des Hollandais - Bartolomé Bennassar
Le rêve brisé de Villegagnon - Olivier Thomas
L'Indien et le Jésuite - Décio de Alencar Guzmán
L'or, enfin ! - Laurent Vidal
Le martyre de Tiradentes - Laurent Vidal
Une société esclavagiste - Entretien avec Luiz Felipe de Alencastro
Le « paradis des mulâtres » ? - Luiz Felipe de Alencastro Luiz Felipe de Alencastro
L'exaltation du métissage - Laura de Mello e Souza
L'invention de la samba - Anaïs Fléchet
Le Noir révolté - Anaïs Fléchet
Quotas ou pas ? - Anaïs Fléchet
« Fico » : je reste - Armelle Enders
Le monarque bourgeois
Paraguay, la grande guerre - Armelle Enders
La République des oligarques - Armelle Enders
Le pays où le positivisme est une religion - Armelle Enders
France-Brésil : destins croisés - Olivier Compagnon
Le « roi café » - Christian Grataloup
L'invention d'une culture moderne - Serge Gruzinski
La révolution Vargas - Maud Chirio
Un fascisme brésilien ?
Vingt ans de dictature militaire - Maud Chirio
Vous avez dit populisme ? - Entretien avec Olivier Dabène
Qui a peur de l'Église des pauvres ? - Richard Marin
40 millions d'évangélistes - Richard Marin
Bom Dia Brasilia ! - Laurent Vidal
Les années Lula : naissance d'un Grand - Entretien avec Alain Rouquié
Brésil : « Le pays anthropophage » - Entretien avec Yves Saint-Geours
Une histoire de cinq cents ans
D'Amazonie à Zumbi
POUR EN SAVOIR PLUS
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Quer ficar rico? Venda para o governo: todos os precos possiveis....
Recebido, por e-mail:
Olá, bom dia.
Venda para o Governo. Conheça o primeiro portal de busca de licitações TOTALMENTE GRATUITO.
Todos os dias capturamos as licitações abertas em todo Brasil e publicamos para acesso de todos os interessados. São mais de 500 novas licitações todos os dias, só este ano já publicamos mais de 40 mil avisos.
Acesse e cadastre-se para receber os avisos por e-mail: www.xxxxxxxxxxxxxx.com
Atenciosamente,
Equipe Xxxxxxxxx
Eu acho que eles poderiam acrescentar, para maior comodidade dos clientes:
Fazemos qualquer tipo de negócio: venda direta, leilão por internet, licitações viciadas, compra virtual, concorrências simuladas, pagamento em paraísos off-shore, notas fiscais legítimas ou requentadas, adequação contábil para o seu imposto de renda, recolhimento fictício de impostos, substituição tributária, super e subfaturamentos facilitados; absolutamente todas as modalidades de negócios (legítimos ou semilegítimos) com entidades federais, estaduais ou municipais, católicas, protestantes, evangélicas, umbandistas, contratos via fundações e ONGs; tratamos com todos os tipos de gêneros (GBLTSXYZ e outras) ou raças (inclusive com desconto em caso de ação afirmativa, cotas garantidas), com propaganda ou sem, laranjas, testas-de-ferro, empréstimos incentivados, isenções fiscais em regiões menos desenvolvidas, operações internacionais com agências da ONU, FMI, Banco Mundial, etc.; ou seja, todo e qualquer tipo de negócio envolvendo dinheiro público (que como todo mundo sabe é de todos)...
Consulte-nos, sem compromisso...
Pela Equipe Xxxxxxxxx
Bem, talvez tenha uma ou outra coisa exagerada aí encima, mas o resto se sustenta, e poderia entrar em qualquer programa do governo: PAC-I, PAC-II, PAC-III, PAC-IV e outros mais...
Pelas informações,
este seu criado
(desta vez agindo incógnito, por razões óbvias)
Olá, bom dia.
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Atenciosamente,
Equipe Xxxxxxxxx
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Fazemos qualquer tipo de negócio: venda direta, leilão por internet, licitações viciadas, compra virtual, concorrências simuladas, pagamento em paraísos off-shore, notas fiscais legítimas ou requentadas, adequação contábil para o seu imposto de renda, recolhimento fictício de impostos, substituição tributária, super e subfaturamentos facilitados; absolutamente todas as modalidades de negócios (legítimos ou semilegítimos) com entidades federais, estaduais ou municipais, católicas, protestantes, evangélicas, umbandistas, contratos via fundações e ONGs; tratamos com todos os tipos de gêneros (GBLTSXYZ e outras) ou raças (inclusive com desconto em caso de ação afirmativa, cotas garantidas), com propaganda ou sem, laranjas, testas-de-ferro, empréstimos incentivados, isenções fiscais em regiões menos desenvolvidas, operações internacionais com agências da ONU, FMI, Banco Mundial, etc.; ou seja, todo e qualquer tipo de negócio envolvendo dinheiro público (que como todo mundo sabe é de todos)...
Consulte-nos, sem compromisso...
Pela Equipe Xxxxxxxxx
Bem, talvez tenha uma ou outra coisa exagerada aí encima, mas o resto se sustenta, e poderia entrar em qualquer programa do governo: PAC-I, PAC-II, PAC-III, PAC-IV e outros mais...
Pelas informações,
este seu criado
(desta vez agindo incógnito, por razões óbvias)
Back to the (constitutional) past: uma moda latino-americana?
A América Latina é, possivelmente, a região de mais alta "densidade constitucional" do mundo. Isso não quer dizer estabilidade política, e sim instabilidade institucional. O Brasil, por exemplo, está na sexta ou sétima constituição, dependendo de como se consideram algumas emendas abrangentes. O Equador deve ganhar na conta, e por aí vai.
O Peru inaugura o saudosismo constitucional: jurar por uma Constituição que já não está mais em vigor. Curioso retrocesso...
Paulo Roberto de Almeida
Perú: Ollanta Humala jura como presidente por la Constitución de 1979
Fernando Tuesta Soldevilla
Infolatam/Efe/Reuters
Lima, 18 de julio de 2011
Ollanta Humala: gobierno compartido y sin partido
(Especial para Infolatam).- “…. Ollanta Humala, por lo que ha buscado alianzas políticas, sobre todo con Perú Posible, para conseguir el control del Congreso. Por su lado, el partido de Alejandro Toledo ha ganado cargos ministeriales y seguramente otros en la Administración Pública. Es pues, de alguna manera, un gobierno compartido”
Ollanta Humala juró hoy como presidente de Perú por la Constitución de 1979 y no por la vigente de 1993 ante el titular del Congreso, Daniel Abugattás, en una sesión solemne del Parlamento sin la presencia del mandatario saliente, Alan García, que poco antes había entregado la banda presidencial en el Palacio de Gobierno al jefe de la casa militar.
El mandatario juró por la Constitución de 1979, previa a la carta de 1993 vigente firmada por el entonces presidente Alberto Fujimori, esto provocó una fuerte protesta de legisladores fujimoristas que gritaban “Que se vaya” apenas minutos después de que se le colocara la banda presidencial.
En su discurso Humala dijo que la Constitución del 1979 es “una verdadera inspiración de contenido democrático y libertad”, tratando de poner paños fríos al tema.
A continuación, Abugattás tomó el juramento de los vicepresidentes Marisol Espinoza y Omar Chehade, los cuales también invocaron la carta magna de 1979. Abugattás tuvo que pedir orden a los presentes, ante las demandas de los legisladores fujimoristas de que Humala y sus vicepresidentes juren por la actual Constitución.
A la toma de posesión de Humala asisten diecisiete representantes de Estados o Gobiernos, entre los que se encuentra el príncipe Felipe de Borbón, en nombre de España. Los principales ausentes en la ceremonia, además de García, fueron los gobernantes de Venezuela, Hugo Chávez, y de Paraguay, Fernando Lugo, por cuestiones de salud; y de Cuba, Raúl Castro, que envió a un vicepresidente.
Expansión con plan social
Ollanta Humala anunció la marcha de un ambicioso programa social que no ponga en riesgo el crecimiento económico, al tiempo que confirmó su intención de crear un impuesto a las ganancias extraordinarias de las pujantes mineras locales.
En su primer mensaje a la nación tras juramentar en el Congreso por cinco años en el cargo, Humala afirmó además que buscará diversificar la matriz energética del país promoviendo la explotación del gas y la construcción de hidroeléctricas.
Humala sorprendió hace unos días a los inversionistas al nombrar a dos respetados economistas adorados por Wall Street para manejar la economía de Perú, una país que registra un gran crecimiento pero cuya pobreza aún alcanza a un tercio de su población.
Junto a los reconocidos técnicos, el mandatario escogió un gabinete con fuerte presencia empresarial y expertos en busca de equilibrar sus promesas de campaña de mayor inclusión social con el modelo económico que ha tenido éxito en este país.
Respecto al sector clave minero, ratificó que las empresas deben contribuir en la lucha contra la pobreza, que alcanza a un tercio de los 29 millones de peruanos.
El presidente también anunció un aumento de 25 por ciento del sueldo mínimo a 750 soles (273 dólares) y un plan de pensiones focalizado para los mayores de 65 años.
Los programas sociales de Humala requieren de arranque al menos unos 4.300 millones de dólares, casi un 3 por ciento del valor del Producto Interior Bruto peruano, vital para atender las demandas en un país lleno de conflictos populares, según analistas.
Discurso del Presidente Ollanta Humala ante el Congreso
Humala propone una cumbre antidrogas
O Peru inaugura o saudosismo constitucional: jurar por uma Constituição que já não está mais em vigor. Curioso retrocesso...
Paulo Roberto de Almeida
Perú: Ollanta Humala jura como presidente por la Constitución de 1979
Fernando Tuesta Soldevilla
Infolatam/Efe/Reuters
Lima, 18 de julio de 2011
Ollanta Humala: gobierno compartido y sin partido
(Especial para Infolatam).- “…. Ollanta Humala, por lo que ha buscado alianzas políticas, sobre todo con Perú Posible, para conseguir el control del Congreso. Por su lado, el partido de Alejandro Toledo ha ganado cargos ministeriales y seguramente otros en la Administración Pública. Es pues, de alguna manera, un gobierno compartido”
Ollanta Humala juró hoy como presidente de Perú por la Constitución de 1979 y no por la vigente de 1993 ante el titular del Congreso, Daniel Abugattás, en una sesión solemne del Parlamento sin la presencia del mandatario saliente, Alan García, que poco antes había entregado la banda presidencial en el Palacio de Gobierno al jefe de la casa militar.
El mandatario juró por la Constitución de 1979, previa a la carta de 1993 vigente firmada por el entonces presidente Alberto Fujimori, esto provocó una fuerte protesta de legisladores fujimoristas que gritaban “Que se vaya” apenas minutos después de que se le colocara la banda presidencial.
En su discurso Humala dijo que la Constitución del 1979 es “una verdadera inspiración de contenido democrático y libertad”, tratando de poner paños fríos al tema.
A continuación, Abugattás tomó el juramento de los vicepresidentes Marisol Espinoza y Omar Chehade, los cuales también invocaron la carta magna de 1979. Abugattás tuvo que pedir orden a los presentes, ante las demandas de los legisladores fujimoristas de que Humala y sus vicepresidentes juren por la actual Constitución.
A la toma de posesión de Humala asisten diecisiete representantes de Estados o Gobiernos, entre los que se encuentra el príncipe Felipe de Borbón, en nombre de España. Los principales ausentes en la ceremonia, además de García, fueron los gobernantes de Venezuela, Hugo Chávez, y de Paraguay, Fernando Lugo, por cuestiones de salud; y de Cuba, Raúl Castro, que envió a un vicepresidente.
Expansión con plan social
Ollanta Humala anunció la marcha de un ambicioso programa social que no ponga en riesgo el crecimiento económico, al tiempo que confirmó su intención de crear un impuesto a las ganancias extraordinarias de las pujantes mineras locales.
En su primer mensaje a la nación tras juramentar en el Congreso por cinco años en el cargo, Humala afirmó además que buscará diversificar la matriz energética del país promoviendo la explotación del gas y la construcción de hidroeléctricas.
Humala sorprendió hace unos días a los inversionistas al nombrar a dos respetados economistas adorados por Wall Street para manejar la economía de Perú, una país que registra un gran crecimiento pero cuya pobreza aún alcanza a un tercio de su población.
Junto a los reconocidos técnicos, el mandatario escogió un gabinete con fuerte presencia empresarial y expertos en busca de equilibrar sus promesas de campaña de mayor inclusión social con el modelo económico que ha tenido éxito en este país.
Respecto al sector clave minero, ratificó que las empresas deben contribuir en la lucha contra la pobreza, que alcanza a un tercio de los 29 millones de peruanos.
El presidente también anunció un aumento de 25 por ciento del sueldo mínimo a 750 soles (273 dólares) y un plan de pensiones focalizado para los mayores de 65 años.
Los programas sociales de Humala requieren de arranque al menos unos 4.300 millones de dólares, casi un 3 por ciento del valor del Producto Interior Bruto peruano, vital para atender las demandas en un país lleno de conflictos populares, según analistas.
Discurso del Presidente Ollanta Humala ante el Congreso
Humala propone una cumbre antidrogas
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Ollanta Humalla,
Peru
quinta-feira, 28 de julho de 2011
E por falar em juros... uma opiniao sensata - Alexandre Schwartsman
O debate, obviamente, é relevante, quer se goste dele ou não. Como escrevi em algum post abaixo, o Brasil não é um país normal. Longe disso.
Só de pensar que somos chamados de idiotas cada vez que vamos comprar algum durável ou semi-durável (por vezes até no supermercado, ou seja, para produtos absolutamente perecíveis), e que ouvimos como se fosse a coisas mais normal do mundo: "seis vezes sem juros"; ou então: "em quantas vezes você prefere?".
Inacreditável como as pessoas não se dão conta de que estão pagando, provavelmente, o dobro do que custa o bem em questão, e não se dão conta disso. Pagam dois e levam um para casa, e ainda acham que fizeram um grande negócio só porque entrou naquela mentira do "seis vezes sem juros".
O Brasil, decididamente, não é um país normal.
Como eu não gosto de ser chamado de idiota, recuso-me a entrar nessa conversa dos "seis vezes sem juros", mas o crime é que, quando você diz que quer pagar à vista, a vendedora diz que "é o mesmo preço!".
Aí você se recolhe à sua insignificância de mercado e à esquizofrenia econômica brasileira e aceita pagar 100% a mais, diluído nos "seis vezes sem juros". Juro que eu fico possesso, mas infelizmente não posso fazer nada, a não ser xingar as autoridades econômicas que não colocam um final nesse absurdo, ou pelo menos avisam a todos que estão sendo chamados de idiotas...
Enfim, isso para iniciar o debate abaixo transcrito, por motivos puramente intelectuais.
Paulo Roberto de Almeida
Os juros, a democracia e um e-mail de Alexandre Schwartsman
Reinaldo Azevedo, 28/07/2011
Escrevi ontem um post sobre a taxa de juros no Brasil, a valorização do real e as medidas sugeridas por especialistas, em reportagem da VEJA desta semana, para corrigir algumas distorções que estão em curso. Leiam lá. Fiz uma ironia: dadas as saídas apontadas, então precisamos de uma tirania virtuosa para aplicá-las porque os políticos não as adotarão — não, ao menos, se estiverem de olho nas urnas. É preciso um grande senso de dever para fazer a coisa certa, numa perspectiva de médio e longo prazos, mesmo correndo o risco da impopularidade no curto. Quem tem hoje esse senso de grandeza? Um dos economistas ouvidos é Alexandre Schwartsman, que tem um blog, como sabem, que recomendo: A Mão Visível. Ele me mandou o seguinte e-mail, que publico com a sua autorização. Trata-se, vocês lerão, de um pequeno artigo. Alexandre, concordem com ele ou não, tem uma virtude inegável entre muitas: é claro. Leiam.
Caro Reinaldo,
Como sempre gostei do seu artigo e aproveito para deixar claro que não acredito na incompatibilidade entre democracia e juros baixos. Só não acho que iremos convergir rapidamente para a taxa mundial de juros, como parecia ser a aposta de muitos dos meus colegas.
Para ser sincero, sou também simpático à tese da poupança; apenas não me parece razoável que esta explique toda a diferença entre o juro real brasileiro e o juro de países similares a nós.
Isso dito, no que tange à poupança, o principal entrave não aparenta vir do consumo das famílias (não muito distinto do consumo observado em outros países latino-americanos - embora esta ainda seja evidência insuficiente), mas sim do consumo público. No Brasil, o governo consome cerca de 20% do PIB. Este número, é bom dizer, não inclui as transferências feitas pelo governo às famílias (Previdência, Bolsa-Família, LOAS, RMV etc), mas apenas a parcela do produto apropriada pelo governo para seus próprios fins.
Em comparação, na média de Argentina, Chile, Colômbia e México, o consumo público roda em torno de 15% do PIB. A Colômbia, que apresentava consumo público próximo aos níveis brasileiros (até por conta de lutar uma guerra civil), conseguiu trazê-lo para valores mais em linha com os demais países da América Latina, o que sugere compatibilidade entre democracia e ajuste fiscal. Obviamente, compatibilidade não assegura o ajuste, mas, pelo menos, indica que não precisamos de um Pinochet para fazer nossa lição de casa.
De qualquer forma, minha opinião (que, diga-se, apenas tomei emprestado de economistas mais discretos) é que também a existência do crédito direcionado no volume que se observa no Brasil (praticamente um terço do total) pode explicar parcela grande da diferença entre nossa taxa de juros e a do resto do mundo. Aqui, eu diria que a democracia é obstáculo menor do que seria no caso do ajuste fiscal, até porque o crédito direcionado favorece apenas fração da população.
Mas não é por ser economista que sou ingênuo: minorias podem operar (e o fazem costumeiramente) para impor sua agenda como se fosse do interesse da população como um todo. Sempre digo que a estridência da Fiesp a cada reunião do Copom seria um choro bem-comportado perto do barulho que ouviremos quando (e se!) o CMN um dia ousar aumentar a TJLP. Ainda assim, creio que o balizamento do custo dos empréstimos do BNDES em torno da taxa de juros de (digamos) um título de 5 anos do Tesouro Nacional poderia fazer com que a Selic (e, portanto, a taxa de 5 anos) caísse. Não há como evitar um aumento nos custos do crédito direcionado, mas isso poderia ter efeitos benéficos sobre todo o resto.
Vai acontecer? Eu esperaria sentado, com um bom livro e uma pilha de DVDs, além de todas as amenidades possíveis, mas não acho que seja impossível (mesmo sendo difícil). Aliás, se acontecer, será antes do ajuste fiscal.
Abs,
Alex
Só de pensar que somos chamados de idiotas cada vez que vamos comprar algum durável ou semi-durável (por vezes até no supermercado, ou seja, para produtos absolutamente perecíveis), e que ouvimos como se fosse a coisas mais normal do mundo: "seis vezes sem juros"; ou então: "em quantas vezes você prefere?".
Inacreditável como as pessoas não se dão conta de que estão pagando, provavelmente, o dobro do que custa o bem em questão, e não se dão conta disso. Pagam dois e levam um para casa, e ainda acham que fizeram um grande negócio só porque entrou naquela mentira do "seis vezes sem juros".
O Brasil, decididamente, não é um país normal.
Como eu não gosto de ser chamado de idiota, recuso-me a entrar nessa conversa dos "seis vezes sem juros", mas o crime é que, quando você diz que quer pagar à vista, a vendedora diz que "é o mesmo preço!".
Aí você se recolhe à sua insignificância de mercado e à esquizofrenia econômica brasileira e aceita pagar 100% a mais, diluído nos "seis vezes sem juros". Juro que eu fico possesso, mas infelizmente não posso fazer nada, a não ser xingar as autoridades econômicas que não colocam um final nesse absurdo, ou pelo menos avisam a todos que estão sendo chamados de idiotas...
Enfim, isso para iniciar o debate abaixo transcrito, por motivos puramente intelectuais.
Paulo Roberto de Almeida
Os juros, a democracia e um e-mail de Alexandre Schwartsman
Reinaldo Azevedo, 28/07/2011
Escrevi ontem um post sobre a taxa de juros no Brasil, a valorização do real e as medidas sugeridas por especialistas, em reportagem da VEJA desta semana, para corrigir algumas distorções que estão em curso. Leiam lá. Fiz uma ironia: dadas as saídas apontadas, então precisamos de uma tirania virtuosa para aplicá-las porque os políticos não as adotarão — não, ao menos, se estiverem de olho nas urnas. É preciso um grande senso de dever para fazer a coisa certa, numa perspectiva de médio e longo prazos, mesmo correndo o risco da impopularidade no curto. Quem tem hoje esse senso de grandeza? Um dos economistas ouvidos é Alexandre Schwartsman, que tem um blog, como sabem, que recomendo: A Mão Visível. Ele me mandou o seguinte e-mail, que publico com a sua autorização. Trata-se, vocês lerão, de um pequeno artigo. Alexandre, concordem com ele ou não, tem uma virtude inegável entre muitas: é claro. Leiam.
Caro Reinaldo,
Como sempre gostei do seu artigo e aproveito para deixar claro que não acredito na incompatibilidade entre democracia e juros baixos. Só não acho que iremos convergir rapidamente para a taxa mundial de juros, como parecia ser a aposta de muitos dos meus colegas.
Para ser sincero, sou também simpático à tese da poupança; apenas não me parece razoável que esta explique toda a diferença entre o juro real brasileiro e o juro de países similares a nós.
Isso dito, no que tange à poupança, o principal entrave não aparenta vir do consumo das famílias (não muito distinto do consumo observado em outros países latino-americanos - embora esta ainda seja evidência insuficiente), mas sim do consumo público. No Brasil, o governo consome cerca de 20% do PIB. Este número, é bom dizer, não inclui as transferências feitas pelo governo às famílias (Previdência, Bolsa-Família, LOAS, RMV etc), mas apenas a parcela do produto apropriada pelo governo para seus próprios fins.
Em comparação, na média de Argentina, Chile, Colômbia e México, o consumo público roda em torno de 15% do PIB. A Colômbia, que apresentava consumo público próximo aos níveis brasileiros (até por conta de lutar uma guerra civil), conseguiu trazê-lo para valores mais em linha com os demais países da América Latina, o que sugere compatibilidade entre democracia e ajuste fiscal. Obviamente, compatibilidade não assegura o ajuste, mas, pelo menos, indica que não precisamos de um Pinochet para fazer nossa lição de casa.
De qualquer forma, minha opinião (que, diga-se, apenas tomei emprestado de economistas mais discretos) é que também a existência do crédito direcionado no volume que se observa no Brasil (praticamente um terço do total) pode explicar parcela grande da diferença entre nossa taxa de juros e a do resto do mundo. Aqui, eu diria que a democracia é obstáculo menor do que seria no caso do ajuste fiscal, até porque o crédito direcionado favorece apenas fração da população.
Mas não é por ser economista que sou ingênuo: minorias podem operar (e o fazem costumeiramente) para impor sua agenda como se fosse do interesse da população como um todo. Sempre digo que a estridência da Fiesp a cada reunião do Copom seria um choro bem-comportado perto do barulho que ouviremos quando (e se!) o CMN um dia ousar aumentar a TJLP. Ainda assim, creio que o balizamento do custo dos empréstimos do BNDES em torno da taxa de juros de (digamos) um título de 5 anos do Tesouro Nacional poderia fazer com que a Selic (e, portanto, a taxa de 5 anos) caísse. Não há como evitar um aumento nos custos do crédito direcionado, mas isso poderia ter efeitos benéficos sobre todo o resto.
Vai acontecer? Eu esperaria sentado, com um bom livro e uma pilha de DVDs, além de todas as amenidades possíveis, mas não acho que seja impossível (mesmo sendo difícil). Aliás, se acontecer, será antes do ajuste fiscal.
Abs,
Alex
Grave ameaca ao futuro da Humanidade: vamos pisar em ovos...
Eu sei que alguns humanos já têm cérebro de galinha, mas a ameaça é grave: vamos ser submergidos por um mar, oceanos de galináceos...
E vamos ter de andar miudinho....
Paulo Roberto de Almeida
Número de galinhas é três vezes maior do que o de humanos
Opinião e Notícia, 28/07/2011 (The Economist)
Chineses lideram rankings da ONU sobre criação de ovelhas, galinhas e porcos
De acordo com estatísticas da Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas, o número total de galinhas no mundo chega a 19 bilhões, o equivalente a três para cada ser humano. Bovinos têm uma população mundial de 1,4 bilhão. Ovelhas e porcos vêm em seguida, com um bilhão. O vasto apetite dos chineses faz do país o líder na criação de galinhas, porcos e ovelhas, enquanto os carnívoros brasileiros e os indianos lideram a criação de bovinos.
Na proporção de rebanho per capita, a Nova Zelândia mantém sua reputação e permanece como a maior pastora do planeta, com 7,5 ovelhas para cada habitante do país. O país também é, proporcionalmente, o segundo maior criador de gado bovino, com 2,3 vacas por pessoas, perdendo apenas para o Uruguai, com 3,7. No campo das galinhas, Brunei mantém os maiores índices, com 40 galinhas para cada cidadão.
Os gráficos abaixo apresentam o ranking dos números de quatro diferentes animais em diversos países.
Fontes: The Economist - "Counting chickens"
E vamos ter de andar miudinho....
Paulo Roberto de Almeida
Número de galinhas é três vezes maior do que o de humanos
Opinião e Notícia, 28/07/2011 (The Economist)
Chineses lideram rankings da ONU sobre criação de ovelhas, galinhas e porcos
De acordo com estatísticas da Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas, o número total de galinhas no mundo chega a 19 bilhões, o equivalente a três para cada ser humano. Bovinos têm uma população mundial de 1,4 bilhão. Ovelhas e porcos vêm em seguida, com um bilhão. O vasto apetite dos chineses faz do país o líder na criação de galinhas, porcos e ovelhas, enquanto os carnívoros brasileiros e os indianos lideram a criação de bovinos.
Na proporção de rebanho per capita, a Nova Zelândia mantém sua reputação e permanece como a maior pastora do planeta, com 7,5 ovelhas para cada habitante do país. O país também é, proporcionalmente, o segundo maior criador de gado bovino, com 2,3 vacas por pessoas, perdendo apenas para o Uruguai, com 3,7. No campo das galinhas, Brunei mantém os maiores índices, com 40 galinhas para cada cidadão.
Os gráficos abaixo apresentam o ranking dos números de quatro diferentes animais em diversos países.
Fontes: The Economist - "Counting chickens"
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