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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org. Para a maior parte de meus textos, ver minha página na plataforma Academia.edu, link: https://itamaraty.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida

sábado, 13 de junho de 2009

1155) Rumores sobre a morte do G8...

É o que declarou o ministro brasileiro das Relações Exteriores em Paris, nesta sexta-feira, 12 de junho de 2009.
Vamos acompanhar o féretro...

Celso Amorim reafirma importância dos BRIC e diz que o G-8 morreu

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou na sexta-feira (12) que 'morreu' o G-8, o grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo e mais a Rússia. "O G8 morreu. Não representa mais nada", disse Amorim, após um evento no Instituto de Estudos Políticos de Paris. "Eu não sei como vai ser o enterro, às vezes o enterro ocorre lentamente. Hoje, por qualquer critério, economias como China, Brasil e Índia são economias importantes, que têm um efeito na economia mundial maior do que muitos outros que estão no G-8", salientou.

Segundo o chanceler, as economias do G-8 continuarão a ser importantes, 'mas elas não podem substituir a imprescindível presença de países como a China, o Brasil, a Índia, e mesmo a África também tem de ser representada."

BRIC- O ministro acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana na primeira cúpula dos BRIC - grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China - na cidade russa de Ecaterimburgo. Segundo ele, os países estabelecerão uma coordenação econômica mas também tratarão de outros temas na agenda internacional. Amorim argumentou que o mundo está entrando em um período de 'governança variável', no qual "países como China, Brasil e Índia têm de estar em todos os temas".

As principais discussões sobre o combate à crise econômica global têm ocorrido entre os países do G-20, grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo. Em abril, Londres sediou uma reunião de cúpula do G-20 para discutir a crise.

Um grupo de cinco países em desenvolvimento - Brasil, China, Índia, África do Sul e México -, também chamado de G-5, participa há alguns anos como convidado de parte das reuniões anuais de cúpula do G8, mas pedem mais voz nas discussões.

Amorim reconheceu que pode haver "confusão" em relação aos diversos grupos de países formados atualmente, mas disse que o importante é que a profusão de grupos reflita uma ordem mundial mais plural e equitativa.

"Hoje tem o G-8 + 5, que talvez se transforme no G-8 + 6, de repente se transforma em G-8 +12 e vira outro G-20... o fato é que quando falamos G-8 mais outros países, se fala de um grupo de países que são um núcleo e um grupo de países convidados. Eu acho que isso também é algo que tem de ser superado", opinou. Para o ministro, ao reunir tanto as principais economias avançadas quanto as emergentes, o G-20 "é um modelo melhor."

4 comentários:

Rodrigo L. disse...

E você Paulo, concorda com a opinião do ministro? Aliás, não sei se você pode publicar isso no seu blog (ou mesmo me responder isso), mas como é a questão do posicionamento de membros do corpo diplomático Brasileiro em relação a assuntos oficiais? Existem posições obrigatórias a serem seguidas? Qual o grau de independencia que um funcionário de carreira diplomática desfruta quando vai se manifestar sobre assuntos relacionados à politica internacional, por exemplo?

Desculpe se são perguntas um tanto quanto cretinas, mas realmente sou bastante leigo nestes temas. Espero que não se importe de responde-las.

Paulo R. de Almeida disse...

Rodrigo L.,
Difícil saber o que disse o ministro, exatamente, até termos a transcrição exata de suas palavras. Essa curta matéria de imprensa reflete algumas de suas palavras após uma aula no IEP de Paris, o Institut de Sciences Pô, como dizem os parisienses.
Ou seja, primeiro precisamos saber se temos sua aula transcrita, para constatar se ele constava de algo mais elaborado, formal, preparado expressamente para dizer isso.
Pode-se tratar, tambem, apenas de comentários rápidos feitos em reação à pergunta de um jornalista, à saída do evento, sem muita elaboração ou prepração, revelando, assim mesmo, uma convicção, ou pelo menos desejo, do ministro, de que o G8 caminhe rapidamente para a aposentadoria -- ainda que ele se referiu a morte -- e seja substituído pelo G20, ou quem sabe até pelos Brics, que aparentemente vão ter mais peso econômico do que o atual G7 em 20 ou 30 anos.
Temos duas coisas aí: a "decadência" econômica do atual G7 (não se pode falar em G8 pois a Rússia, supostamente um dos emergentes, dele faz parte) e sua substituicao pelos ascendentes.
Temos também de saber se esses ascendentes podem cumprir as funcoes do atual G7 na economia mundial.
Paradoxalmente, no mesmo dia em que o ministro falava da morte do G8, o G7 financeiro se reunia na cidade de Lecce, na Italia, para preparar o próximo summit do G8.
Curioso, isso...
Quanto a saber se um diplomata pode ou não comentar determinados pronunciamentos de superiores, suponho que a maioria deles não faça isso. Não sei se é por uma questão de castração mental, mas a maioria não faz.
Pode-se perguntar a eles porque não o fazem, provavelmente por sentido de hierarquia, disciplina, contençao, falta do que dizer, falta de imaginação, falta de vontade, enfim, são muitas as hipóteses de por que não o fazem...
Quanto a mim, ainda não renunciei à capacidade de pensar com minha própria cabeça...

Rodrgo L. disse...

"Quanto a mim, ainda não renunciei à capacidade de pensar com minha própria cabeça..."

Fico muito feliz por isso, é um privilégio termos a possibilidade de trocar idéias com alguém como você, que se encontra numa posição delicada e que ainda assim consegue encontrar o espaço para se expressar livremente.

André disse...

Eu acrescentaria que Paulo, fazendo questão de pensar com a própria cabeça e expor seu pensamento, não estaria senão filiando-se à tradição dos grandes e raros diplomatas-intelectuais brasileiros. É que, considerando que Paulo não parece ser afeito a se integrar a muitas tradições brasileiras (talvez nem a essa), como aqueles também não o pareciam, mais exato seria dizer que participa com aqueles, mesmo sem necessárias afinidades histórico-político-culturais, do ideal de preferir pensar com a própria cabeça e expor seu pensamento, singularmente. De fato, a parte mais séria da cultura brasileira parece só dever a sua sobrevivência a tipos assim...