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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org. Para a maior parte de meus textos, ver minha página na plataforma Academia.edu, link: https://itamaraty.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Carreira diplomatica: abre-se mais uma maratona para os candidatos...

Desta vez mais concorrida: 26 vagas apenas.
Mas vale lembrar que, consoante as políticas racialistas deste governo, 10% (ou 30 vagas) dos 330 selecionados para a segunda fase serão obrigatoriamente da extração "étnica", "racial", fenotípica, seja lá o que for, "afrodescendente", uma categoria que aparentemente necessita de um regime de cotas para se fazer representar nas fases decisivas da seleção.

O DIRETOR-GERAL DO INSTITUTO RIO BRANCO, no uso de suas atribuições legais e regimentais, torna público que estarão abertas, de 24 de janeiro a 22 de fevereiro de 2011, as inscrições para o Concurso Público de Admissão à Carreira de Diplomata, nos termos dos artigos 35 e 36 da Lei nº 11.440, de 29 de dezembro de 2006, e da Portaria nº 762, de 28 de dezembro de 2010.

http://www.cespe.unb.br/concursos/DIPLOMACIA2011/arquivos/ED_2011_CACD_2011_ABT.PDF

(Transcrevo abaixo apenas o início desse documento em pdf, pois sua reprodução ocuparia enorme espaço neste post, e de toda forma estaria desformatado; remeto os interessados ao link acima)

EDITAL DE 17 DE JANEIRO DE 2011
CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DE DIPLOMATA
O DIRETOR-GERAL DO INSTITUTO RIO BRANCO, no uso de suas atribuições legais e
regimentais, torna público que estarão abertas, de 24 de janeiro a 22 de fevereiro de 2011, as inscrições para o Concurso Público de Admissão à Carreira de Diplomata, nos termos dos artigos 35 e 36 da Lei nº 11.440, de 29 de dezembro de 2006, e da Portaria nº 762, de 28 de dezembro de 2010.
O Concurso obedecerá às seguintes normas:
1 DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
1.1 O Concurso será realizado pelo Instituto Rio Branco (IRBr), com a colaboração do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/UnB). O texto deste Edital estará também disponível no endereço eletrônico do CESPE/UnB http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, bem como eventuais informações adicionais sobre o Concurso.
1.2 O Concurso terá quatro fases, especificadas a seguir:
a) Primeira Fase: Prova Objetiva, constituída de questões objetivas de Português, de História do Brasil, de História Mundial, de Geografia, de Política Internacional, de Inglês, de Noções de Economia e de Noções de Direito e Direito Internacional Público, de caráter eliminatório.
b) Segunda Fase: prova escrita de Português, de caráter eliminatório e classificatório.
c) Terceira Fase: provas escritas de História do Brasil, de Geografia, de Política Internacional, de Inglês, de Noções de Economia e de Noções de Direito e Direito Internacional Público, de caráter eliminatório e classificatório.
d) Quarta Fase: provas escritas de Espanhol e de Francês, de caráter classificatório.
1.3 Cada uma das fases será realizada simultaneamente nas cidades ...
1.4 VAGAS: 26, sendo 2 vagas reservadas aos candidatos portadores de deficiência.

(...)

[ver o restante do edital nos links acima indicados]

Permito-me acrescentar a seguinte observação final:

O Brasil está sendo dividido em duas categorias de pessoas: afrodescendentes, de um lado, todo o resto, do outro.
Ou seja, independente de sua renda, condição social, grau de preparação, ou empenho vocacional, os 30 primeiros autoproclamados afrodescendentes que tirarem as melhores notas, dentre todos os que se classificaram previamente nessa categoria, estarão automaticamente admitidos na segunda fase do concurso para a carreira diplomática, qualquer que seja o nível de suas provas, ou seus pontos absolutos.
Passarão a disputar em condições de igualdade com os demais 300 que eles, sim, serão selecionados com base unicamente em seu sucesso relativo na primeira prova.
Pode ser que alguém tenha argumentos mais contundentes sobre a constitucionalidade desse tipo de disposição...
Paulo Roberto de Almeida

9 comentários:

Renata Prado disse...

Como sou morena, qdo passar carregarei para todos os lados "não fiz uso de cotas". Dureza... Uma humilhação...

L. Marques disse...

Paulo, há realmente previsão de cotas no concurso do IRBr para afrodescendentes?

Eu achava que o MRE só auxiliava com aquela bolsa...

Paulo R. de Almeida disse...

L. Marques,
Sim, existe previsão de cotas, mas apenas numa fase inicial do concurso.
Normalmente, das centenas ou milhares de candidatos, a primeira fase selecionava 300 para passar às fases seguintes. Agora foi criada uma cota extra de 30 vagas (10%) exclusivamente para afrodescendentes (declarados como tais, mas supostamente devendo passar por algum "tribunal racial" para aferir a "negritude" ou a afrodescendência do candidato em questão.
Suponho que isso possa causar constrangimentos em "morenos claros", digamos assim, filhos ou netos de negros ou negras, que foram "embranquecendo" com a miscigenação natural do povo brasileira, deixando portanto de ser "negros o suficiente" do ponto de vista no novo tribunal do Apartheid racial que está sendo construído no MRE, no seguimento das outras políticas racistas oficiais do Estado brasileiro.
Em todo caso, não existem cotas para a carreira, e suponho que não devam existir, mas um esforço para facilitar o ingresso de afrodescendentes.
Ou seja, se voce tiver alguma ascendência nessa linha, sorte sua; se você for apenas um branco pobre, sinto muito, mas fica sem bolsa e sem cota...
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

E sobre o "Guia de Estudos" para o concurso de 2011 sem bibliografia sugerida? Não merece um comentário?

Paulo R. de Almeida disse...

O jeito é seguir a bibliografia do Guia de 2010, ou 2009, sempre enormes, sempre malucas...
Acho que as orientações estão mudando, mas não conseguiram se colocar de acordo sobre uma bibliografia mais compativel com a capacidade de estudo dos candidatos...
Paulo R Almeida

Renata Prado disse...

O mais "interessante" é que o formulário de inscrição dá duas opções no preenchimento: afrodescendente ou não. Ou seja: o candidado afrodescendente não tem liberdade para dedidir se deseja ou não o benefício das cotas. A única forma de participar em igualdade de condições com o restante dos candidatos é negar a própria origem. Não faz sentido algum...

Paulo R. de Almeida disse...

Renata Prado,
O que você diz é de um surrealismo -- para não empregar outro adjetivo -- exemplar: o Brasil está sendo dividido em: afrodescendentes, de um lado, todo o resto, do outro.
Ou seja, independente de sua renda, condição social, grau de preparação, ou empenho vocacional, os 30 primeiros autoproclamados afrodescendentes que tirarem as melhores notas, dentre todos os que se classificaram previamente nessa categoria, estarão automaticamente admitidos na segunda fase do concurso para a carreira diplomática, qualquer que seja o nível de suas provas, ou seus pontos absolutos.
Passarão a disputar em condições de igualdade com os demais 300 que eles, sim, serão selecionados com base unicamente em seu sucesso relativo na primeira prova.
Se isso não é inconstitucional, eu não sei o que seria...
Paulo Roberto de Almeida

Coletivo Estupefato de Circo disse...

Ao que tudo indica o governo quer monitorar literalmente a cara do representante brasileiro no exterior. E devido ao baixo número de afrodescendentes em seu corpo diplomático o governo lança mão de um recurso injusto e imediatista para sanar a imagem, ao meu ver realmente ruim, de "somente os brancos têm acesso à educação de qualidade", ou seja, a escola particular. Facilitando o acesso dos afrodescedentes ao cargo, o governo artificialmente exportará a imagem de democracia racial sem solucionar a verdadeira causa desta exclusão e a maneira como esta é operada no Brasil. Trata-se de um terreno tão escorregadio que fica até difícil se expressar sem falar de brancos e negros, ou melhor, de afrodescedentes...
Mariana Paladim Correia

Paulo R. de Almeida disse...

Mariana,
O Governo, dominado neste ponto por militantes da causa do Apartheid, faz demagogia, pois só pretende ter uma aparência de "mistura racial", sem que, como voce diz, as causas do problema sejam selecionadas.
Pura demagogia do chanceler anterior.
Paulo Roberto de Almeida