A POLÍTICA EXTERNA INVISÍVEL DE DILMA!
Clóvis Rossi
Folha de S.Paulo, 28/08/2011
1. Depois dos oito trepidantes anos da diplomacia de Lula/Amorim, a discrição de Dilma/Patriota parece um silêncio ensurdecedor. Afinal, Lula dava palpites, às vezes despropositados, sobre todos os assuntos da realidade internacional, do teor da democracia na Venezuela de Hugo Chávez ao caráter supostamente futebolístico dos protestos contra a reeleição do iraniano Ahmadinejad. Dilma, passados oito meses de governo, não disse uma só palavra sobre temas internacionais, por mais que o Oriente Médio tenha começado a ferver exatamente nos primeiros dias de sua gestão.
2. O silêncio e a discrição passam a impressão de que o Brasil se afastou -ou foi afastado- da grande cena internacional, na qual até forçou a entrada no período anterior. O novo estilo diplomático do Brasil é menos impulsivo. No caso, por exemplo, da Líbia, a pauta da semana, o Brasil prefere conversar e conversar, com seus parceiros no Conselho de Segurança, com os demais integrantes do BRICs (Rússia, Índia, China e África do Sul), com a Turquia e outros, antes de reconhecer o Conselho Nacional de Transição como legítimo representante líbio, mesmo depois de a Liga Árabe tê-lo feito. No caso da Síria, o Itamaraty leva em conta até a posição da comunidade síria no Brasil que não demonstra nenhuma ansiedade por ver Bashar Assad defenestrado. Tudo somado, tem-se uma diplomacia de baixa voltagem, mas não por isso fora do jogo global.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Um livro pronto para ser publicado: Economia política das constituições brasileiras: seu impacto nas relações econômicas internacionais do Brasil -- Paulo Roberto de Almeida
Em revisão, para envio a alguma editora. Divulgo apenas o prefácio: Economia política das constituições brasileiras: seu ...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
Uma preparação de longo curso e uma vida nômade Paulo Roberto de Almeida A carreira diplomática tem atraído número crescente de jovens, em ...
-
Sobre os “boiolas” do Itamaraty (Desculpem a grosseria, não é minha) Um sujeitinho de sobrenome Figueiredo, descendente do último ditador ...
-
Nota preliminar ulterior (se isso não é contradição, não sei o que é): Coloquei aqui uma aparente matéria de -- digo aparente pois foi dessa...
-
CEUTA Ceuta tem uma história movimentada. Foi fundada pelos fenícios, tornou-se cartaginesa, depois romana, depois visigoda, depois bizantin...
-
Abaixo uma matéria relativa a livro recusado para ser publicado pela Câmara dos Deputados. Após leitura da matéria conclui que os autores ad...
-
FAQ do Candidato a Diplomata por Renato Domith Godinho TEMAS: Concurso do Instituto Rio Branco, Itamaraty, Carreira Diplomática, MRE, Diplom...
-
The Next Global Economic Crisis Could Be Made in China How Overcapacity Ends Michael B. G. Froman Foreign Affairs , September/October ...
-
Sobre isto: A presidente Dilma Rousseff empossou nesta quarta-feira, em Brasília, os sete integrantes da Comissão Nacional da Verdade, gr...
Um comentário:
Permita-me discordar, professor. Mas querer que o atual governo se posicione mais explicitamente no caso líbio é pedir que enviemos contigente militar para combater aqueles que estão se intrometendo no assunto interno alheio. No caso da Síria seria precipitação apoiar um golpe ou manifestar apoio incondicional ao governo. Nossa história nos credencia a apoiar movimentos democráticos.
Postar um comentário