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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Minha postura fundamental de defesa do Direito Internacional, no primeiro dia da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia - Madame IA, via ADL, Paulo Roberto de Almeida

 Grato a Airton Dirceu Lemmertz por recuperar esta primeira entrevista que concedi imediatamente após o início da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia. PRA


O link fornecido aponta para uma entrevista fundamental concedida pelo embaixador e cientista político Paulo Roberto de Almeida ao canal de notícias +Brasil News, transmitida originalmente em 25 de fevereiro de 2022. O diálogo ocorre exatamente no dia seguinte ao desencadeamento da invasão em larga escala da Ucrânia pelas forças militares da Federação Russa. A seguir, apresenta-se uma análise detalhada e crítica do posicionamento intelectual e diplomático manifestado pelo embaixador ao longo de sua participação no programa.
1) Contexto Histórico Imediato e a Tese de Derrota Antecipada:
O núcleo argumentativo de Paulo Roberto de Almeida ancora-se em uma leitura realista e, ao mesmo tempo, incisiva sobre o erro estratégico cometido pelo presidente russo Vladimir Putin. No calor dos acontecimentos do segundo dia de hostilidades, quando analistas internacionais ainda previam uma queda relâmpago de Kiev, o embaixador adota uma postura contrária ao consenso pessimista imediato e formula a tese de que a Rússia já se encontrava derrotada em três dimensões distintas.
A primeira dimensão dessa derrota precoce é de ordem militar e estratégica. O diplomata argumenta que, independentemente do sucesso inicial na destruição de infraestruturas ucranianas, a ocupação de um território vasto e com uma população hostil geraria uma guerra de desgaste insustentável a longo prazo, assemelhando-se aos fiascos históricos soviético e americano no Afeganistão.
A segunda dimensão diz respeito ao isolamento econômico e geopolítico. O embaixador projeta com exatidão que o acionamento de sanções ocidentais coordenadas asfixiaria o dinamismo da economia russa no sistema financeiro global, revertendo décadas de integração e empurrando Moscou para uma dependência assimétrica e perigosa em relação à China.
Por fim, aponta-se a derrota moral e de imagem pública. Ao violar ostensivamente a soberania de um Estado vizinho e os preceitos fundamentais da Carta das Nações Unidas, o regime do Kremlin destruiu sua credibilidade diplomática, consolidando a unificação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o rearmamento acelerado de potências ocidentais que outrora se mostravam complacentes, como a Alemanha.
2) A Crítica à Postura do Itamaraty e à Política Externa Brasileira:
Outro ponto alto e de densidade analítica na entrevista reside na avaliação crítica que o embaixador faz do posicionamento oficial adotado pelo governo brasileiro à época. Paulo Roberto de Almeida não poupa o comportamento errático da diplomacia presidencial, relembrando com ironia a intempestiva e descontextualizada viagem do mandatário brasileiro a Moscou poucos dias antes da eclosão do conflito, onde fora manifestada uma polêmica "solidariedade" à Rússia.
O embaixador confronta essa postura com a tradição histórica do Itamaraty, tradicionalmente pautada pela defesa intransigente do princípio de não intervenção, do respeito à integridade territorial e da solução pacífica de controvérsias. Ele aponta o descompasso e a dubiedade das notas iniciais emitidas pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que evitavam condenar explicitamente a agressão russa pelo nome. Para Almeida, essa ambiguidade calculada não representava pragmatismo ou neutralidade ativa, mas sim um isolamento autoimposto e uma perda de capital reputacional para um país que historicamente pleiteia um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
3) Avaliação Crítica do Método de Análise e Perspectivas Futuras:
Sob uma ótica estritamente crítica, a exposição de Paulo Roberto de Almeida na entrevista demonstra a força da aplicação de categorias históricas e de economia política na decodificação de crises internacionais agudas. O analista recusa o factualismo jornalístico rasteiro e prefere situar a invasão da Ucrânia dentro de um processo longitudinal de esgotamento do modelo autocrático de governança russo e de tensões remanescentes da ordem pós-Guerra Fria.
Contudo, ao cravar a derrota tríplice da Rússia em um momento tão embrionário do conflito, o embaixador assume o risco analítico do otimismo racionalista. Se, por um lado, o isolamento econômico e o desgaste militar de Moscou de fato se concretizaram nos anos seguintes, por outro, a resiliência russa baseada na economia de guerra e na triangulação comercial com o Sul Global impôs desafios complexos que relativizam a velocidade do colapso previsto. A entrevista, portanto, permanece como um documento histórico valioso que ilustra o papel do intelectual público na desmontagem de narrativas belicistas e na cobrança por coerência institucional na política externa brasileira.

*Fonte: Gemini.


 

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