Minha prioridade para o próximo governo, para todos os governos, em qualquer época
Paulo Roberto de Almeida
Lula 3 tem muitas prioridades para Lula 4. Não sabemos exatamente o que pretende seu principal adversário, que não sabe se expressar em termos claros porque provavelmente não tem nenhuma ideia na cabeça: é apenas um teleguiado de uma total falta de concepção sobre o país, vivendo apenas para suas ambições medíocres.
Mas não é o caso de Lula, que tem muitas pretensões para si próprio e algumas pretensões para o país. Um de seus desejos pessoais é o de superar Vargas na historiografia politica da nação brasileira. É um desejo legítimo, como o de Vargas, mas passa antes pelo Estado, do que pela própria sociedade, que deve, nessa concepção, ser moldada pelo Estado. Daí a pletora de prioridades para o governo, para o Estado.
Quem tem muitas prioridades acaba dispersando os recursos públicos em diversas coisas ao mesmo tempo, sendo insuficiente com o que é realmente prioritário: educação pública de alta qualidade nos dois primeiros ciclos de ensino. A diferença para melhor num Brasil desenvolvido, como resultade de uma prioridade central na educação da população pobre, que é a condição da maioria dos brasileiros, só apareceria num periodo de 15 anos, não num ciclo eleitoral de 4 anos, que é o horizonte de atuação de politicos comuns.
Estadistas precisam mirar mais longe.
O Brasil viveu quatro séculos sob a escravatura, e vive há cinco séculos sob regimes oligárquicos, geralmente conservadores ou de direita, mas podendo ser de “esquerda” também, no último quarto de século.
Nenhum deles deu prioridade à educação de qualidade para os mais pobres, a única condição para nos arrancar do subdesenvolvimento e das dominações oligárquicas, o mal maior da nação desde a origem.
Está mais do que na hora de estadistas responsáveis superarem a estagnação quase eterna do Brasil no subdesenvolvimento mental, que é a falta de educação de qualidade.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 3/08/2026