Mensagem aberta aos leitores do Diplomatizzando
nos meus 75 anos
Brasília, 3 junho 2026, 8 p.
De vez em quando, pulam na tela coisas de priscas eras, ou de períodos mais recentes, como é o caso do texto abaixo, feito no dia em que eu completava 75 anos, três quartos de século, um ano e meio atrás. Não creio que eu vá completar mais um quarto de século, portanto tenho de me preparar para a diminuição dos anos que tenho pela frente. Como apareceu na minha tela, reproduzo aqui novamente, pois parece servir inteiramente para os tempos atuais (e para os que me restam). Aproveito para reproduzir abaixo, os comentários que foram postados nesta postagem, de 2024, e também para agradecer, sinceramente, e me desculpar, envergonhadamente, por não ter respondido a todos, sequer agradecido devidamente, o que faço agora. Uma razão para esta descortesia: devo ter um fluxo diários de centenas de msgs, pelos diversos canais, e quando consigo repassar tudo o que me chega, constato que já são 3hs da madrugado e o cansaço bate forte, assim como os apelos conjugais para deixar o computador e ir descansar. MUITO OBRIGADO A TODOS, e prometo novas reflexões sobre as atividades no último ano e meio (este texto recebeu o número 4792, uma numeração serial que uso para os meus registros e controles dos trabalhos, pois de outra forma eu me perderia; hoje, 3 junho de 2026, já estou no trabalho 5338, ou seja, neste intervalo "apareceram" 546 trabalhos a mais, com algum Lavoisier...).
Abraço a todos
Brasília, 3/06/2026
5338. “Mensagem
aberta aos leitores do Diplomatizzando nos meus 75 anos”, Brasília, 3
junho 2026, 8 p. Reprodução de um texto (4792), de 19 de novembro de 2024,
revisando um pouco do que fiz nestes três quartos de séculos, de muita leitura,
muita busca de conhecimento, uma atividade docente intensa, e uma carreira
diplomática um tanto turbulenta, dado meu “contrarianismo” voltado para o aperfeiçoamento
(nem sempre bem compreendido e aceito). Postado no blog Diplomatizzando
(link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/tres-quartos-de-seculo-ja-passados-o.html).
Três quartos de século, três gerações
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
19 novembro 2024
Nota sobre a passagem do tempo, dedicada a Carmen Lícia Palazzo, que me acompanhou pela maior parte desta trajetória de vida, tendo lido muito mais livros do que eu, sendo bem mais inteligente do que eu, e que me confortou, assim como a todos da família, em todos os momentos de uma vida nômade e repleta de boas surpresas intelectuais.
A demografia histórica tem uma função precisa: medir e analisar dados populacionais ao longo do tempo em comunidades definidas; é ela quem nos diz quais países ou sociedades estão registrando crescimento demográfico e quais já entraram na direção da redução da natalidade e diminuição progressiva da população. Ela faz, digamos, o lado macro da evolução demográfica dos países e, cumulativamente, do mundo, no decorrer do tempo. Ao nível micro, a demografia tem de ser vista pelo tempo de vida de cada indivíduo, o que normalmente se estende por três gerações, ou aproximadamente 75 anos: pais, filhos e netos, mais frequentemente agora bisnetos, mas é bem mais raro, sobretudo nos países de esperança de vida reduzida.
A vida das pessoas é, portanto, medida geralmente pelo ciclo da infância, da maturidade (seguida pela maternidade e paternidade) e pela continuidade dessa geração nos filhos dos seus filhos. A realização pessoal de cada individuo de uma geração se faz pelos estudos na infância e na adolescência, pelo trabalho na vida adulta e depois pela ajuda na administração da família que segue na geração seguinte, filhos já adultos e os netos. Esse é, via de regra, o itinerário de uma vida humana que fica geralmente limitada a três quartos de século, considerando-se uma trajetória “normal”, com boa alimentação e cuidados de saúde.
No que me concerne, pessoalmente, minha infância e adolescência foram ocupadas simultaneamente por estudos e trabalhos, aliás praticamente a vida inteira, pois que nunca deixei de estudar e de dar aulas, mesmo quando profissionalmente dedicado à carreira diplomática já na idade adulta. Mas comecei a dar aulas para preparação de ingresso na universidade, antes mesmo de ingressar eu mesmo nos estudos superiores, dada a minha precocidade nas leituras e nos estudos desde que aprendi a ler, na idade tardia de sete anos (sempre achei que perdi dois ou três anos de leituras, por pertencer a uma família de avós analfabetos, completamente, e de pais saídos da escola primária para começar a trabalhar). Leituras, estudos, docência fizeram parte de minha vida muito mais, provavelmente, do que as mais de quatro décadas voltadas para o desempenho na diplomacia profissional.
Aliás, a diplomacia foi a profissão ideal para quem se destinava a uma carreira puramente acadêmica, voltada para minha primeira profissão, que foi a de professor, continuada ao longo dos anos. A diplomacia é a mais intelectual das profissões na burocracia estatal, pois que obriga e combina atividades de pesquisa, de informação, de reflexão, de produção de soluções e de respostas aos desafios das relações exteriores do país, levando em conta um conhecimento preciso das características e necessidades do seu próprio país.
Entrei agora no quarto final de minha trajetória pessoal, ocupacional (pois que ainda sou professor) e intelectual, uma vez que continuo produzindo trabalhos acadêmicos e livros-síntese de minhas leituras, pesquisas e conhecimentos adquiridos em outros livros e no contato com a realidade, pela mídia, pelas visitas e viagens, participação em encontros e seminários, pela docência, pela convivência com familiares e amigos. Espero continuar produtivo pelo tempo que me resta de trajetória neste planeta confuso, agitado, por vezes calmo, mas atualmente tão agitado quanto em certas épocas passadas. A esses desafios do presente, respondo com algum mergulho no passado, leituras de história e memórias de quem participou da vida ativa em épocas pretéritas e alguma especulação quanto ao futuro.
Nos dois últimos anos, tenho ficado muito preocupado com um certo retorno ao imperialismo brutal de duas ou três gerações atrás, ao expansionismo militarista de tiranos e ditadores arrogantes, aos perigos que pensávamos superados depois do final de uma Guerra Fria que por vezes arriscou os limites de uma nova confrontação global, agora novamente à espreita. Volto minhas reflexões, leituras e pesquisas para os novos perigos que rondam a humanidade, e tento oferecer ao meu país, aos meus colegas diplomatas observações que retiro da experiência profissional passada e das constantes leituras que continuo fazendo, mas agora sem qualquer obrigação de trabalho. Ou seja, apenas devoção intelectual pelo estudo, reflexão e escrita sobre os problemas do país e da humanidade.
Persistirei nesse empenho e dedicação ao conhecimento e sua transmissão racional aos mais jovens, geralmente estudantes, muitos que eu sequer conheço, pois que coloco a quase totalidade de minha produção intelectual à livre disposição dos interessados, dos que me seguem, de eventuais curiosos que frequentam meus canais de informação, de passantes ao acaso, que também demonstram interesse por minhas afinidades de leitura e de escrita.
A todos os que se beneficiaram de minhas aulas, de meus trabalhos, direta ou indiretamente, a todos os meus colegas de trabalho, atuais e aposentados, como é agora o meu caso, minhas melhores saudações e cumprimentos, na certeza de partilharmos do mesmo objetivo básico: fazer do presente mundo, e do seu futuro de curto prazo, um mundo melhor do que aquele que encontramos quando nascemos, aquele que nos foi legado por nossos avós, nossos pais. Que as gerações seguintes, meus netos, talvez futuros bisnetos possam encontrar no meu patrimônio intelectual algum motivo de satisfação pessoal, tanto quanto eu tive ao produzir certa massa de conhecimento que considero ser de alguma utilidade para a melhoria do país, talvez de alguma parte da humanidade.
Despeço-me do terceiro quarto de século, e espero ainda contribuir com mais algum conhecimento no tempo que ainda me resta como pessoa ativa e pensante. Salut!
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4792, 19 novembro 2024, 3 p.
Comentários:
Walmyr BuzattoFeliz
aniversário, professor e modelo de conduta nas redes sociais. Parabéns
pela lucidez de suas postagens, gostei especialmente do ‘contrarianist’!
Resp. PRA:
Paulo Roberto de AlmeidaWalmyr Buzatto
: Esse contrarianist eu confesso que roubei do Christopher Hitchens, um
feroz critico do Kissinger, que morreu precocemente. Antes eu me
classificava apenas como um cético sadio.
Jorge Henrique CartaxoParabéns,
Paulo Roberto. Inteligência,cultura, produção intelectual
extraordinária, elegância e cidadania exemplar. Vida longa, amigo!
Vitoria Alice CleaverParabéns,
felicidades, Paulo Roberto, em seu dia e sempre. Muita saúde, alegrias e
contínua produtividade intelectual que a todos nós deleita.
Daniel Mascarenhas"...mais frequentemente agora bisnetos, mas é bem mais raro."
Certamente será mais um quarto de século produtivo, que desejo seja feliz.
Paulo Sérgio BozziParabéns, Paulo.
Nilton Cerqueira FilhoParabéns !!!!
Gustavo Maia GomesParabéns, caro Paulo. Continue nos brindando com as reflexões de sua mente privilegiada.
Jefferson BoechatParabéns, amigo, sobretudo, pela garra de continuar lutando pelo que acha certo!
Ana BeltrameParabéns Paulo, confio que vc continuará sendo um leitor voraz, um professor atento e um colega de primeira linha!
Manuel Jose Forero GonzalezMuitas felicidades Paulo.
Carlos Alberto Lopes AsforaParabéns,
Paulo. Que o próximo quarto de século seja profícuo e você continue
sua fértil cruzada intelectual, que contribui para iluminar nossa vida
política.
Zilah JesusParabéns pelo dia de aniversário e que o novo ciclo seja tão bom quanto os outros e com muito mais sabedoria!
Livia BarretoParabens parabéns e obrigada!
Arnaldo Barbosa Brandão BrandãoUma bela história de vida.
Lucia MelchertO senhor é o máximo ! Parabéns !!!
Maria Das Gracas GoesParabéns
pelo dia do seu aniversário. Muitos anos de dedicação aos estudos
sócio-político do Brasil e das Relações Internacionais.
Debora LattoufParabéns !!!
Gustavo BezerraParabéns pelo aniversário, Professor! Felicidades!
José Truda Palazzo Jr.Viva!
Maria Luiza Feitosa SouzaParabéns pela vida, pela luta e pela disposição de transmitir um legado tão importante.
Muita saúde para curtir o seu tempo, junto aos que ama e que o acompanham nessa trajetória.
Auguri!
Lucilia HarringtonSorte

e ainda mais sucesso!
Grande abraço, embaixador!
Fernando Werneck MagalhãesSorte nossa, Paulo, por tê-lo em perfeito estado de conservação - física e mental ! Até breve ! Saudações !
Scott TollefsonParabéns!
Pedro Motta VeigaParabéns, Paulo.
Nalu MachadoParabéns!!!! Saúde e Paz!!
Nelson Franco JobimParabéns!
Maria Helena TachinardiParabéns, Paulo Roberto! Seus ensinamentos são fecundos.
Aurea Maldaner
Fabiano VargasParabéns

! Ainda mais saúde e paz além de muitos anos para desfrutá-los

Rita FrizzoParabéns! Muitos e Felizes anos!
Rui Samarcos LoraParabéns, professor. Muita saúde, alegrias e estudos mais!
Fernando AguileraParabéns, Paulo!
Muito obrigado por espargir conhecimento, filosofia e amor.
Até porque quem partilha e compartilha sabedoria e sapiência, tem nisso tudo uma grande parte de um coração enorme.
Fique bem e em Paz!
Mesmo sabendo que não podemos dar conta de tudo, tenhamos a consciência tranquila.
Há outros mundos melhores que este.
Aqui não é o começo, nem o Fim.
É só passagem.
Henrique RzezinskiParabéns
meu caro Paulo. Temos mais uma afinidade. Fazemos aniversário no mesmo
dia. Acabo de completar 78 anos de idade. Receba um fortíssimo abraço.
Henrique
Renata SanchesParabéns, querido professor ! Muita saúde, alegrias e amor para muitos ano de vida longa e feliz com a maravilhosa
Carmen Lícia Palazzo , filhotes e netinhos.
E minha eterna gratidão pela generosidade de sempre compartilhar reflexões e sensatez com todos.
Gelson FonsecaParabéns
e obrigado pela sua sempre criativa contribuição intelectual para o
conhecimento da realidade brasileira e internacional. Que assim
continues. Abraços
Paulo Roberto de AlmeidaDesculpem todos e todas. Estou em deslocamento e sem conexão adequada. Depois retomo.
Luis BacchiParabéns
e muitas felicidades ! Bom ter no mundo uma pessoa tão rara, solidária e
especial ! Que voce tenha toda a felicidade que o mundo possa lhe
proporcionar!
Enrique Carlos Natalino
Luiz BraconnotExcelente observação da vida e da trajetória pessoal especialmente fecunda! Parabéns!
José Roberto ProcopiakParabéns por sempre nos proporcionar momentos de sabedoria, lucidez e inspiração. Muitas felicidades e boa saúde.
Nota em 3/06/2026:
Muitas respostas minhas, esporádicas, não estão reproduzidas aqui, por absoluta falta de tempo, e de energia, para repassar todas as msgs e responder devidamente.
Sorry, mille excuses, pardon...