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Por Klauber Cristofen Pires
Blog Libertatum, 10 Oct 2011 12:25 PM PDT
Aviso na repartição: "desacato: detenção ou multa"; Aviso na loja: "obrigado, volte sempre".
Caro leitor,
Quando adentrar em qualquer tipo de repartição pública, observe os quadros de avisos ou as paredes ou ainda os vidros dos guichês e registre em sua memória quantas vezes você se depara com o seguinte aviso: “Código Penal: Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.”
Se permitir adiantar-me às suas constatações – sem substituí-las, quando ocorrerem – trata-se de um lugar comum, tão comum, que por assim dizer, já fazem parte do cenário.
Isto não vem por mero acaso ou costume. Trata-se, sim, de um estado de ânimo prevalecente, para não usarmos o detestável termo “coletivo”. Preste atenção você mesmo quando encontrar tal aviso até mesmo em locais de estrito atendimento e prestação de serviços ao público, tais como escolas, hospitais e postos de saúde, agências da Previdência Social e semelhantes.
Tendo tomado ciência desse fato, compare-o quando ingressar em um estabelecimento privado. Que tipo de dizeres você mais está acostumado a ler? Estarei certo se sugerir “Obrigado pela preferência”, “Volte sempre”, “Nossa meta é a sua satisfação”, e assim por diante?
Pode parecer uma mera bobagem, mas em minha opinião só e somente este fato já denunciaria porque é preferível vivermos em uma sociedade livre, em que os bens e serviços são todos privados e o estado tem algumas funções essenciais a exercer, do que uma social-democracia ou um regime socialista em que toda sorte de intervenção sobre a vida das empresas e dos cidadãos é estabelecida por algum arrogante burocrata.
A essência do estado é o uso da força, e os agentes públicos não estão interessados necessariamente em prover a satisfação dos cidadãos, e por isto mesmo nem sequer esperam pela aprovação dos mesmos. O que eles têm a fazer, quando muito, é distribuir algum bem ou serviço na forma como regulada por ordens e instruções provenientes de um órgão central. Daí a necessidade de ameaçar os administrados com as disposições do Código Penal sobre desacato. Eles já se antecipam à insatisfação do público.
Já o meio privado é totalmente dependente do patrocínio do consumidor, a quem deve servir com o cuidado sincero de conquistar dele a satisfação, caso seu intento seja perdurar no mercado por mais tempo.
Há consumidores que além de serem muito exigentes, não são nada fiéis e muito menos fazem o tipo daqueles que “vão buscar os seus direitos”. É justamente o meu caso: se percebo que não fui bem atendido, saio mudo e simplesmente não volto.
Além disso, fujo como o diabo da cruz de uma pesquisa de opinião. Pra mim isto já é indício de que o fornecedor não está se esforçando o suficiente e que está querendo arranjar uma muleta para a sua incompetência ou negligência. Quem está atento em servir bem desnecessita de tal expediente, mais próprio a serviços públicos que exercem suas atividades em regime de monopólio.
Pense nisto ao refletir sobre as suas tendências políticas, especialmente em quesitos tão enaltecidos pelos políticos em épocas de eleição, tais como saúde, educação, transporte e moradia. Pergunte a si mesmo se quer ser bem atendido pelo preço que acertou como justo ou se quer viver de favor.
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Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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terça-feira, 11 de outubro de 2011
Publico e privado: dois universos distintos no Brasil - Klauber Cristofen Pires
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