Diplomatizzando

Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).

terça-feira, 27 de maio de 2025

Can studying Mao Zedong help explain Donald Trump? - A Trump Mao Comparison (China Talk)

Can studying Mao Zedong help explain Donald Trump?

A Trump Mao Comparison

China Talk, May 27, 2025
https://www.academia.edu/129590014/Can_studying_Mao_Zedong_help_explain_Donald_Trump_Trump_Mao_Comparison_China_Talk

To find out, ChinaTalk interviewed the legendary sinologist Orville Schell, who visited China during the Cultural Revolution and is currently at the Asia Society.
We discuss…
• Mao Zedong’s psychology and political style,
• Similarities and differences between Mao and Trump,
• How Mao-era traumas reverberate in modern China, including how the Cultural Revolution has influenced the Xi family,
• How Zhou Enlai and Deng Xiaoping survived the Cultural Revolution, and which of their tactics could be useful in modern America,
• What civil society can do to defend democracy over the next four years.
Co-hosting is Alexander Boyd, associate editor at China Books Review and former ChinaTalk intern.

Culture War x Cultural Revolution

(...)

Read the entire interview at:
https://www.academia.edu/129590014/Can_studying_Mao_Zedong_help_explain_Donald_Trump_Trump_Mao_Comparison_China_Talk
By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at maio 27, 2025 Nenhum comentário:
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Os países mais "educados" do mundo, em volume e proporcionalmente à população - Visual Capitalist

 Por vezes, quantidade também se traduz em qualidade: mesmo que vc descarte 90% da produção científica de alguns países (China e Índia, por exemplo), o que sobre ainda é relevante.


Charted: The World’s Most Educated Countries

This was originally posted on our Voronoi app. Download the app for free on iOS or Android and discover incredible data-driven charts from a variety of trusted sources.

A country’s prosperity is often linked to the education level of its working-age population.

Highly educated workforces tend to have higher productivity, more capability for innovation, and offer more support for economic growth.

This chart shows the countries with the most educated populations, measured by both the number and share of adults aged 25–64 who have a bachelor’s degree or higher. The data comes from CBRE Research, using the latest available figures as of 2023.



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Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, em sua nova série, disponível

Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, em sua nova série, está disponível aqui:

https://revistaihgdf.com.br/index.php/ojs/issue/view/1

Tenho um artigo publicado nesse número:

1573. “Permanências imperiais e nova ordem global no teste da história”, Revista IHGDF nova série (Rev. Instituto Histórico Geográfico do Distrito Federal ISSN 2325-6653, Brasília, v. 14, n. 1, 2025, p. 129-148; ISSN: 2325-6653; link: https://revistaihgdf.com.br/index.php/ojs/article/view/9/17 ); disponível também na plataforma Academia.edu: https://www.academia.edu/124519295/4676_Permanencias_imperiais_e_nova_ordem_global_no_teste_da_historia_2024_ ); anunciado no blog Diplomatizzando: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/10/permanencias-imperiais-e-nova-ordem.html ). Relação de Originais n. 4676.

https://revistaihgdf.com.br/index.php/ojs/article/view/9/17
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Os últimos martírios de Sobibor - Daniel Afonso da Silva (Jornal da USP)

Os últimos martírios de Sobibor

Por Daniel Afonso da Silva, pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP

  • Post category:Daniel Afonso da Silva

  Jornal da USP,: 26/05/2025 às 19:59
  • https://jornal.usp.br/?p=892794

Foi no Brasil. No 3 de outubro de 1980. Na pequena Atibaia. Interior de São Paulo. Que adormeceu, à tout jamais, o último facínora de Sobibor. Gustav Franz Wagner (1911-1980). Por alcunha, “besta”. Por verdade, “demônio”. “Besta” e “demônio” de Sobibor. Que, no Brasil, suicidou-se. E o fez pelo receio de ser assassinado. Pois um medo intenso que rondava o seu espírito. Feito materialização da lei do retorno. Trazendo de volta e contra ele todo o ódio que ele aplicara no extermínio de judeus nos tempos do Reich

(…)

Ler a íntegra aqui:

https://jornal.usp.br/articulistas/daniel-afonso-da-silva/os-ultimos-martirios-de-sobibor/

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Uma postura inaceitável a todos os títulos - Paulo Roberto de Almeida

Uma postura inaceitável a todos os títulos

Paulo Roberto de Almeida 

Como diplomata, conhecedor, portanto, dos princípios básicos do Direito Internacional, assim como esse contrato humanitário e pacificador que é a Carta da ONU, eu fico me perguntando, todas as manhãs, como é possível a um chefe de Estado e chefe da diplomacia brasileira, ou de qualquer outra diplomacia de um país normalmente aderente ao eixo central do multilateralismo contemporâneo, baseado em regras claras contra toda guerra de agressão ou de conquista unilateral, como é possível a qualquer pessoa conhecendo o mínimo do Direito Humanitário, e até as leis da guerra, já codificadas em convenções aceitas universalmente, como é possível a um chefe de Estado e da diplomacia manter relações de amizade, e até de apoio, a um criminoso de guerra já condenado pelo TPI, inclusive sendo responsável por crimes contra a humanidade, sob a forma de sequestro de dezenas de milhares de crianças forçosamente entregues a famílias estrangeira?

Como foi possível chegarmos a esse nivel de indignidade moral, a essa vergonha diplomática?

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 27/05/2025


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segunda-feira, 26 de maio de 2025

A política externa brasileira em face das ameaças ao multilateralismo e ao equilíbrio diplomático - Paulo Roberto de Almeida

Um texto de apoio à palestra referida abaixo:  

4939. “A política externa brasileira em face das ameaças ao multilateralismo e ao equilíbrio diplomático: itinerário desde o início do século XX”, Brasília, 26 maio 2025, 4 p. Exercício exploratório e análise crítica sobre os vieses introduzidos na política externa e na diplomacia do Brasil pelas correntes opostas do bolsonarismo e do lulopetismo. 

A Política Externa como Território de Conflito Político-Ideológico no Brasil Contemporâneo
Paulo Roberto de Almeida
ESRI - Relações Internacionais
3,02 mil inscritos
27/05/2025, 19h30hs
https://www.youtube.com/watch?v=d02ND9qwCUg

Texto de apoio a palestra, para leitura por parte da audiência:

A política externa brasileira em face das ameaças ao multilateralismo e ao equilíbrio diplomático: itinerário desde o início do século XX
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Exercício exploratório e análise crítica sobre os vieses introduzidos na política externa e na diplomacia do Brasil pelas correntes opostas do bolsonarismo e do lulopetismo.

Também disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/129573018/4939_A_politica_externa_brasileira_em_face_das_ameacas_ao_multilateralismo_e_ao_equilibrio_diplomatico_2025_ ).

O ambiente internacional atual está visivelmente caracterizado por grande instabilidade política, devido a uma série de fatores, entre eles, o mais importante, um desentendimento entre as grandes potências com respeito às normas que devem reger as relações internacionais. Essas normas são, usualmente, de dois tipos: uma ordem mundial regida por regras escritas, tratados e acordos internacionais aos quais os países se submetem mais ou menos voluntariamente, e que se destinam a regular as relações de paz e cooperação entre os Estados membros da comunidade internacional, assim como as divergências entre eles, visando evitar as grandes conflagrações mundiais ocorridas no decorrer da primeira metade do século XX; ou uma “ordem” imposta e mantida pela força, na qual os mais poderosos ditam as regras que devem pautar suas esferas de influência e de dominação, como a que justamente prevaleceu naquele período, a despeito de uma entidade internacional, a Liga das Nações, que deveria, supostamente garantir a paz e promover a cooperação entre os Estados, mas que, lamentavelmente não foi capaz de evitar, sequer sancionar, os episódios de intimidação bélica e de ataques militares contra países menos poderosos.
A ordem criada ao final da Segunda Guerra Mundial, discutida primeiramente em Dumbarton Oaks, depois em Ialta e em São Francisco, estabeleceu o marco fundamental de relações pacíficas entre os Estados membros, tendo o seu eixo central baseado na igualdade soberana das nações, a proibição das guerras de conquista e a determinação de mecanismos de restabelecimento da paz em caso de conflito, nomeadamente através do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Este é institucionalmente mandatado para ordenar missões de imposição ou de manutenção da paz, a cargo de seus membros – cinco permanentes, os vencedores da guerra contra as potências agressoras expansionistas, e dez membros rotativos, eleitos a cada dois anos – com a particularidade de que os cinco membros permanentes possuem o direito de veto sobre qualquer decisão do Conselho.
Impasses foram contínuos durante o decorrer dos últimos 80 anos, sem qualquer nova guerra global, mas com muitas guerras entre Estados ou dentro dos Estados, sendo que a paz relativa nesse período foi mais assegurada pelo “equilíbrio do terror” entre as grandes potências nucleares – os cinco permanentes e meia dúzia de outros não oficialmente reconhecidos – do que pela força “moral” das Nações Unidas, frequentemente ignorada por vários dos Estados membros, grandes ou pequenas potências. O sistema multilateral para garantir a paz e a segurança internacionais, criado na Liga das Nações em 1920 e reforçado nas Nações Unidas em 1945, não foi capaz de conter o unilateralismo arrogante de algumas das grandes potências, assim como as iniciativas bélicas de outros atores dotados de certa capacidade bélica. É o que ocorre atualmente, com o acirramento de posturas adversas entre as três grandes potências nuclearmente armadas do atual cenário geopolítico mundial: a Rússia, a China e os Estados Unidos, estes ainda considerados o Hegemon mundial, os dois primeiros temporariamente unidos numa “aliança sem limites” – como ambos a chamaram – contra a terceira grande potência, dominante ao longo dos últimos 80 anos.
Qualquer que seja o desenvolvimento futuro dessas oposições reconhecidamente existentes no atual cenário geopolítico mundial – nova Guerra Fria, como aquela que vigorou entre 1947 e 1991, continuidade das proxy wars, ou enfrentamentos localizados, apoiados ou opostos pelas grandes potências, até uma possível, mas improvável, nova guerra global, envolvendo todos os atores relevantes acima citados –, o que se tem de claramente preocupante é a desagregação, ainda que parcial, do multilateralismo, tal como conhecido nas últimas décadas. A fragmentação da ordem global, relativamente predominante depois da implosão do socialismo entre 1989 e 1991, com uma grande onda globalista que parecia se expandir ao conjunto do mundo nos anos 1990, teve início com os ataques terroristas de 2001, tomou algum impulso político depois da crise financeira de 2008, centrada nos países avançados, e se acelerou ainda mais com a crise dos refugiados e dos exilados econômicos, abalando a capacidade de acolhimento dos países receptores, as mesmas democracias de mercado avançadas. Uma nova direita e partidos situados no extremo espectro conservador de países avançados acolheram teorias conspiratórias de franjas lunáticas extremas para reforçar o antiglobalismo dos nacionalistas introvertidos, ademais dos elementos autocráticos pertinentes a esse espectro político.
O fulcro atual da instabilidade no sistema de segurança internacional foi constituído, em primeiro lugar, pela invasão ilegal do Iraque pelos Estados Unidos – agravando a instabilidade já existente no Oriente Médio –, seguida pelas ações igualmente unilaterais da Rússia contra seus vizinhos, sucessivamente a Georgia, a Moldova e a Ucrânia, colocando face a face, quase como nos anos 1930, potências expansionistas e os defensores da “ordem global multilateral”, que é caracteristicamente ocidental (ou seja, os Estados Unidos e seus aliados da OTAN, da UE e alguns outros “globalistas”). Em outros termos, o desafio ao multilateralismo contemporâneo é estimulado pelas próprias grandes potências que relutam em aderir por completo às normas mais elementares do Direito Internacional, assim como não hesitam em violar abertamente a própria Carta da ONU.
Este é, portanto, o primeiro problema enfrentado atualmente pela política externa brasileira, ou seja, a de um país historicamente vinculado aos valores e princípios do multilateralismo – desde Rio Branco, Rui Barbosa, Oswaldo Aranha, San Tiago Dantas e outros – e que vinha exercendo a sua contribuição ao multilateralismo global por uma vertente regional do multilateralismo, ao desenvolver mecanismos de consulta e coordenação entre os países latino-americanos e de integração econômica e comercial no Cone Sul do continente, notadamente por meio do Mercosul. A própria fragmentação que existe atualmente no sistema internacional se vê reproduzida igualmente no âmbito regional, onde as possibilidades de aprofundar os mecanismos de coordenação e de integração se encontram, agora, claramente fragilizados.
O segundo problema mencionado no título, o do equilíbrio diplomático, é propriamente interno, pois não tem a ver com a fratura na política internacional, e sim com a fratura na própria política brasileira, que passou a ser disputada desde o início do século pelos lados opostos do espectro político, com o isolamento relativo das velhas forças centristas, progressistas ou conservadoras, mas que mantiveram o domínio das instituições de Estado desde praticamente o Império e durante a maior parte da República. Esse desafio foi representado, numa primeira oportunidade, pela diplomacia conduzida no governo bolsonarista e, agora, pela diplomacia do terceiro governo lulopetista, novamente no poder. Elas representam uma ruptura com a tradicional autonomia de ação e a absoluta imparcialidade da política externa do Brasil em face de conflitos interimperiais, ao aderirem, a primeira, não apenas aos Estados Unidos, mas de maneira extremamente servil ao presidente Trump, durante seu primeiro mandato, finalizado no início do 2021; a segunda às propostas de uma “nova ordem global multipolar” proclamada de maneira vaga pelas duas autocracias que contestam a validade da ordem global em vigor nos últimos 80 anos.
Decorrem daí redefinições conceituais da política externa brasileira, assim como alterações nos modos de agir da diplomacia brasileira no plano operacional, ao terem, ambas, passado ao controle de personalidades situadas nas antípodas do espectro político, as duas caracterizadas por um aguçado personalismo populista na condução da política interna e, também, na política externa. O controle sobre a política externa e a diplomacia do Brasil por personalidades dominantes, apoiados por movimentos e tendências ideologicamente bem marcadas, representa, assim, um desafio especialmente inquietante no caso do Brasil, como potência média sempre dotado de uma diplomacia ecumênica, voltada essencialmente para o desenvolvimento econômico e social do país, num momento em que a própria política internacional passa por abalos graves no plano do sistema multilateral, com a quase total paralisia da OMC e a alarmante falta de compromisso das grandes potências com a manutenção da paz e da segurança internacionais.
Pode-se, com efeito, considerar que as diplomacias bolsonarista e a lulopetista – a primeira já passada, mas ainda latente como fenômeno político persistente, a segunda ainda em curso em sua terceira etapa – apresentam deformações similares, embora não exatamente semelhantes, mas igualmente prejudiciais, embora desproporcionalmente, à diplomacia e a política externa brasileiras no curso das últimas duas décadas, com alguma interrupção momentânea entre ambas (impeachment de 2016 e governo centrista de 2016 a 2018). As duas diplomacias, com características diferentes, aparentemente opostas, mas com efeitos igualmente deletérios, têm atuado no sentido de deformar a política externa nacional e a sua diplomacia operacional por meio de graves desvios conceituais e defeitos práticos no que se refere a uma correta e adequada defesa teórica e prática das mais caras tradições brasileiras em matéria de relações internacionais, que sempre esteve orientada a uma defesa exclusiva dos interesses nacionais, sem quaisquer preferências ideológicas por algum dos grandes atores da política internacional.
É esse equilíbrio de posições e a manutenção de uma plena autonomia decisória nos confrontos existentes no atual cenário geopolítico que têm sido colocados em questão com as opções preferenciais que os dois paradigmas politicamente opostos estão demonstrando em suas formulações e orientações de postura externa do Brasil. A relevância existencial desse quadro polarizado na esfera das relações internacionais do Brasil requer uma análise crítica mais detalhada para revelar a acuidade dos desafios colocados nesse contexto para a política externa e para a diplomacia da nação.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4939, 26 maio 2025, 4 p.

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Gestão e Avaliação do Desempenho no Setor Público – Parte 1 José Celso Cardoso (Contexto Brasil)

 Gestão e Avaliação do Desempenho no Setor Público (Parte 1)

  • Contexto brasil, 26 de maio de 2025
https://contextobrasil.com.br/gestao-e-avaliacao-do-desempenho-no-setor-publico-parte-1/

Avaliar desempenho no setor público exige romper com simplificações liberais e reconhecer a profissionalização crescente do serviço público, a complexidade institucional e os limites das comparações com o setor privado.

José Celso Cardoso, Ipea 

O debate usual sobre o tema do desempenho de servidores no setor público (que é algo correlacionado, mas diferente do desempenho setorial ou agregado do setor público) parte de premissas geralmente equivocadas, trata o assunto com simplificações exageradas, faz comparações descabidas com o setor privado e, por fim, apresenta propostas ou soluções desconectadas da complexidade institucional do Estado.

Apenas para exemplificar:

i) a premissa de que o setor público é grande e caro, em termos do quantitativo de pessoal e folha global de vencimentos, vem sendo sistematicamente negada pelo compêndio de dados empíricos contidos no Atlas do Estado Brasileiro (https://www.ipea.gov.br/atlasestado/) produzido pelo Ipea;

ii) a simplificação sobre a suposta ineficiência da máquina pública não possui nenhum embasamento empírico sólido e desconsidera a imensa heterogeneidade interna do setor público;

iii) qualquer comparação com o setor privado é metodologicamente destituída de sentido, já que são mundos que operam segundo lógicas e objetivos qualitativamente diversos;

iv) propostas tais quais as contidas na PEC 32/2020, com aparência de serem soluções rápidas e fáceis, estão fadadas ao fracasso, pois raramente possuem aderência crível às formas de organização e funcionamento dos aparatos de Estado.

Desta maneira, um ponto de partida mais honesto deveria reconhecer que o emprego público não está fundado – conceitual e juridicamente – em relações contratuais tais quais aquelas que tipificam as relações de assalariamento entre trabalhadores e empregadores no mundo privado. Ao contrário, o servidor público estatutário possui uma relação de deveres e direitos com o Estado-empregador e com a própria sociedade, ancorada desde a CF-1988 no chamado Regime Jurídico Único (RJU), na Lei 8.112/1990 e outros regramentos subsequentes que disciplinam sua atuação e conduta, e que, evidentemente, podem e devem passar por aperfeiçoamentos constantes.

Diretamente correlacionado com o desempenho dos servidores, dados relativos à escolarização mostram que a força de trabalho ocupada no setor público brasileiro já vem se qualificando e se profissionalizando para o desempenho de suas funções. Segundo informações do Atlas do Estado Brasileiro, a expansão vem acontecendo, em termos absolutos e relativos, com vínculos públicos que possuem nível superior completo de formação, que passaram, nos três níveis da federação, de pouco mais de 900 mil para mais de 5,5 milhões, de 1986 a 2025. Percentualmente, este nível saltou de 19% em 1986 para perto de 50% do contingente de vínculos em 2025.

Nos municípios, onde está concentrada a maior parte dos servidores públicos, em áreas finalísticas de atendimento direto à população, tais como saúde, assistência social, limpeza urbana e ensino fundamental, a tendência de aumento de escolarização foi também bastante acentuada. A escolaridade superior completa aumentou de 10% para mais de 40% entre 1986 e 2025. A do ensino médio completo ou superior incompleto aumentou de 22% para 40% no mesmo período. Já a escolaridade de nível médio incompleto e nível fundamental caíram, respectivamente, de 14% para 10% e 53% para menos de 9% do total.

Esses dados revelam que a escolarização média dos trabalhadores no setor público, em praticamente todos os níveis da federação e áreas setoriais de atuação governamental, está hoje acima da escolarização média correspondente às ocupações do setor privado. Desta maneira, eles servem para desmistificar afirmações infundadas sobre eficiência, eficácia e desempenho estatal na implementação de políticas públicas e na prestação de serviços e entregas à população. Pois a qualidade das políticas públicas, bem como os graus de institucionalização e profissionalização do Estado em cada área específica de atuação, são dimensões tributárias da escolarização/qualificação que os servidores trazem consigo ao ingressarem no setor público e daquela obtida ao longo de seu ciclo laboral, incluindo-se aí o conhecimento tácito, que é um tipo de conhecimento praticamente impossível de ser conseguido por meio de livros e manuais, já que adquirido ao longo de anos pela prática cotidiana de atuação, erros, acertos, interações e inovações incrementais no local de trabalho. Tudo somado, embora outros fatores influenciem no sucesso e qualidade das políticas, tais como a disponibilidade de recursos, as regras institucionais etc., sabe-se que recrutar pessoas com maior e melhor formação é desejável, e indicativo de aprimoramento/profissionalização dos quadros que manejam a entrega de bens e serviços aos cidadãos.

Com isso, o desempenho de servidores no setor público, devido à amplitude e complexidade de temas e novas áreas programáticas de atuação governamental que continuamente se projetam ao futuro, depende, portanto, de processo permanente e necessário de profissionalização – ao invés de sucateamento! – da burocracia e dos serviços públicos.

É claro que as exigências citadas acima colocam desafios imensos às políticas públicas de pessoal e sugerem atrelamento de fases e tratamento orgânico aos novos servidores, desde a seleção por concursos, trilhas de capacitação e alocação funcional, critérios justos para avaliação e progressão funcional, incentivos não pecuniários e técnicas organizacionais que combinem as vocações e interesses individuais com as exigências organizacionais de aperfeiçoamento das funções públicas. Em suma, nem incentivos dados por meio de remuneração variável, ainda mais se pensadas para terem caráter permanente, nem ameaças ou penalidades sugeridas por abordagens punitivistas de desempenho, servem como referência concreta para a obtenção de ganhos de produtividade e de maior ou melhor desempenho dos servidores e servidoras.

É, portanto, a nossa visão valorativa, reflexiva e resolutiva de desempenho, que permite romper com a limitação das perspectivas liberais e gerencialistas, substituindo-as por abordagens mais criativas sobre as relações entre processos de trabalho (recursos, procedimentos e formas de atuação) e seus respectivos resultados. No setor privado, a competição, disfarçada de cooperação, é incentivada por meio de penalidades e estímulos individuais pecuniários (mas não só) no ambiente de trabalho, em função da facilidade relativa com a qual se pode individualizar o cálculo privado da produtividade e os custos e ganhos monetários por trabalhador.

No setor público, ao contrário, a operação de individualização das entregas (bens e serviços), voltadas direta e indiretamente para a coletividade, é tarefa estatística e metodologicamente difícil, ao mesmo tempo que política e socialmente indesejável. Simplesmente pelo fato de que a função-objetivo do setor público não é produzir valor econômico na forma de lucro, mas sim gerar valor social, cidadania e bem-estar de forma equânime e sustentável ao conjunto da população por todo o território nacional.

Por esta e outras razões, a abordagem aqui defendida rejeita os pressupostos simplificadores do comportamento humano nos quais se baseiam os sistemas (em geral, quantitativistas) de incentivo para o desempenho, tal como propostos pelas abordagens gerencialistas, fundadas em percepções (em geral, equivocadas) de que os indivíduos (ou grupos e organizações) são motivados, fundamentalmente, pelo desejo de obter recompensas (como dinheiro ou status) e evitar sanções.

Ao contrário, a tarefa da gestão do desempenho envolve o estabelecimento de rotinas que possibilitem aos agentes envolvidos a reflexão e a revisão contínua das atividades e ações burocráticas, de modo que o monitoramento do desempenho seja, em si, parte de um processo mais amplo – contínuo, coletivo, colaborativo e cumulativo – de aprendizagem e inovação institucional, no qual as relações entre diferentes processos de trabalho e seus respectivos resultados, em cada contexto específico, estão sempre em foco.

Não há, portanto, choque de gestão, reforma fiscal, ou reforma administrativa contrária ao interesse público, que superem ou substituam o acima indicado.

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José Celso Cardoso Jr. é Doutor em Desenvolvimento pelo IE-Unicamp, desde 1997 é Técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA e atualmente exerce o cargo de Secretário de Gestão de Pessoas no Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI).
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domingo, 25 de maio de 2025

Trocando as bolas, ou trading places - Paulo Roberto de Almeida

Trocando as bolas, ou trading places

Paulo Roberto de Almeida

Vamos fazer um experimento, agora que Lula falou novamente em “genocídio” a propósito dos maciços bombardeios israelenses em Gaza:

“Lula classificou o bombardeio israelense como vergonhoso e covarde, além de mencionar que, diariamente, mulheres e crianças são mortas na Faixa de Gaza.”

Vamos trocar “israelense” por “russo” e “Faixa de Gaza” por “Ucrânia”. Fez alguma diferença? Na prática, nenhuma, só a geográfica. 

Isso significa que Lula poderia falar tranquilamente de “genocídio” de seu amigo Putin sendo cometido diariamente contra o povo ucraniano, sem esquecer as dezenas de milhares de crianças sequestradas e “russificadas” à força, entregues a familias russas. 

Ou seja, além de crimes de guerra, Putin comete crimes contraxa humanidade, imprescritíveis.

Lula já se deu conta disso? Os assessores deveriam ou poderiam lembrá-lo, senão eu mesmo faço.

Paulo Roberto Almeida

Brasília, 25/05/2025

By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at maio 25, 2025 Nenhum comentário:
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Afonso Arinos: Um Brasil Grande e Forte: entrevista por Ary Quintella pai - artigo de Ary Quintella Filho (Estado de Minas)

 

Um Brasil consciente e forte

Por aryquintella em maio 25, 2025

featured image

Hall dos Ministros, Palácio Itamaraty, Rio de Janeiro

Minha coluna quinzenal no jornal Estado de Minas publicada ontem, 24 de maio:

Meu pai, também Ary Quintella, entrevistou em 1970 o político mineiro Afonso Arinos de Mello Franco. A conversa aconteceu na casa de Botafogo, na rua Dona Mariana, onde o ex-ministro das Relações Exteriores morava e que ainda existe, e onde eu mesmo estive quando ela servia de sede ao centro de pesquisas Brics Policy Center.

Naquele mesmo ano de 1970, meu pai conduziu entrevistas com diversos autores brasileiros para o suplemento literário do Jornal do Commercio carioca. Algumas foram publicadas, outras não. Ignoro as razões para a seleção final, ou mesmo para a escolha dos escritores. As conversas realizadas com Rachel de Queiroz e Mário Palmério, outro mineiro, viraram referência e são sempre citadas por estudiosos de suas obras.

A longa entrevista com Afonso Arinos, que eu saiba, nunca veio a público. Apenas em 2019, vinte anos após a morte do meu pai, preparando-me para partir como embaixador na Malásia, descobri, classificando seus documentos, uma pasta contendo a transcrição de todas as entrevistas. O diálogo com Afonso Arinos chamou minha atenção, talvez por vício profissional, já que o senador foi chanceler em dois períodos, de fevereiro a agosto de 1961 e de julho a setembro de 1962, que integram o que viria a ser conhecido como Política Externa Independente.

Há muito a saborear no diálogo, por causa da cumplicidade entre entrevistado e entrevistador. Meu pai explica sobre seu interlocutor: “Sua fala é tranquila e sem vacilações: absoluta sinceridade, que espouca decididamente”. Afonso Arinos comenta ter sido colega de classe no Colégio Pedro II de meu avô, o matemático, também Ary Quintella.

Um dos temas mais presentes é Guimarães Rosa. Discutem sua personalidade, seu “método de composição”. O autor de Grande Sertão: Veredas sentara-se, um dia depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras — quando fora saudado por Afonso Arinos — e um dia antes de morrer, na mesma poltrona na varanda da casa na rua Dona Mariana de onde meu pai conduzia o diálogo. “Guimarães Rosa gostava dessa aí”, diz o político mineiro, apontando a poltrona, e meu pai, que então apenas iniciava sua carreira literária, comenta com o leitor: “sinto um arrepio ao longo da espinha”. Recorda Afonso Arinos que “Rosa era de uma amabilidade exuberante, implacável, minuciosa, que nos obrigava a tomar cuidado para não lhe causar nenhuma decepção”. 

Casa de Afonso Arinos na rua Dona Mariana, Botafogo, Rio de Janeiro

A conversa flui, passando da literatura brasileira para a francesa, e incluindo Jânio Quadros, Che Guevara e o Papa João XXIII. Sobre a Lei Afonso Arinos, de 1951, primeira norma no Brasil contra o racismo, o político declara ter sido “a mais importante realização da minha vida parlamentar”. Afirma que sempre se dedicou à política “com esmero, por uma questão de decoro e consciência, mas sem paixão”. Famoso pela capacidade oratória, admite: “se de fato eu tivesse no coração aquela paixão que demonstrava em minha voz quando fazia discursos violentos, eu já teria morrido há muito tempo”. Meu pai pergunta: “Era simulação?”, e ele responde: “não era simulação, mas a consciência de uma representação. Aliás, é a primeira vez que digo isso com tal franqueza”.

Há momentos de indagação filosófica: “esse problema de fixação no tempo, Ary, é coisa que todos nós nos consultamos permanentemente: quem somos nós, de onde viemos, para onde vamos? Não há ninguém que tenha um pouco de capacidade de se demorar dentro de si mesmo que não esteja sempre perseguido por essas ideias”. Meu pai faz uma pergunta difícil e pertinente, considerando o ano em que se realiza a entrevista: “Não se sente frustrado ao dar aulas de direito constitucional?”. 

Indagado sobre “sua melhor experiência como chanceler”, Afonso Arinos responde: “ela se situa fora do Ministério, depois que o deixei. Durante todo o período em que fui ministro, só encontrei resistências, incompreensões e obstáculos às minhas ideias”. Só depois suas tentativas de “viabilizar a afirmação da personalidade nacional” viriam a ser aceitas. Não sente saudades do Itamaraty, “pelas injustiças” que sofreu, “de ataques feitos por interesses escusos”.

Em um de seus livros de memórias, Planalto (1968), o político estende-se sobre esse assunto e nota que a hostilidade não vinha somente do empresariado ou da imprensa. “Tudo aquilo que podia representar cultura, inteligência, independência, trabalho, nacionalismo não existia para a maior parte do grupo dominante do Itamaraty”, escreve, e condena a “frivolidade condecorada” de diplomatas. Mesmo um senador ilustre, patrício, destacado político conservador não conseguiu que seus objetivos de “criação daquela imagem de um Brasil consciente e forte” fossem aceitos.

Um tema candente no Brasil, desde a década de 1950, era o das colônias portuguesas na África, em relação ao qual o Brasil, até a presidência de Jânio Quadros, se alinhava às teses portuguesas. A mudança de orientação a partir de 1961, diz Afonso Arinos a meu pai, constituiu uma das principais razões das críticas que recebeu como chanceler, ao ser acusado de não guardar “a tradição da fraternidade luso-brasileira”, e lembra: “nós somos o maior país africano do mundo”. Avalia que o Brasil, embora não sendo “uma grande potência”, é “uma grande nação” e “deve e pode” contribuir “como força decisiva no sentido da paz mundial”.   

Como conclusão da entrevista, declara o ex-chanceler: “o grande problema da humanidade é a paz” e lamenta-se com meu pai: “nós poderemos assistir durante toda a nossa vida a essa sucessão monótona de tragédias, limitadas a tais ou quais regiões do planeta, e que desencadeiam brutalidades que não poderemos jamais compreender”. 

É desconsolador saber que, desde 1970, nada mudou.

Para ler minhas colunas anteriores no Estado de Minas, clique nos links abaixo:

Retrato de família, 10 de maio

Benção apostólica, 26 de abril

O presente malásio, 12 de abril

Eterna cobiça, 29 de março

Grandes diplomatas, 15 de março

Consternação europeia, 1º de março

Da Pampulha para Kuala Lumpur, 15 de fevereiro

Tempos de incerteza, 1º de fevereiro

O ponto de inflexão nas relações entre Brasil e Malásia, 18 de janeiro



By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at maio 25, 2025 Nenhum comentário:
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Quem determina, de fato, a Política Externa Brasileira? - Paulo Roberto de Almeida

Quem determina, de fato, a Política Externa Brasileira?

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre as peculiaridades atuais da ação externa do Brasil, num sentido partidário e ideológico, tomando partido nas disputas interimperiais da geopolítica em mutação.

Aqueles que escrevem sobre as relações internacionais em geral, sobre a política externa do Brasil e sobre sua diplomacia em especial, ou seja, jornalistas da área, analistas acadêmicos, observadores e comentaristas ocasionais, costumam referir-se à atuação do Brasil em suas relações exteriores, nas ações nos planos bilateral, regional ou multilateral, habitualmente em termos similares a estes: “o Brasil fez isso ou mais aquilo”, “a posição do Brasil nesta ou naquela questão tem sido...”, ou “a postura do Brasil na agenda ambiental internacional mudou desde o governo anterior, assim ou assado”, o que invariavelmente me suscita fundadas contrariedades quanto à atribuição efetiva pelas políticas adotadas. Não aprecio esse tipo de designação genérica sobre as relações exteriores e a diplomacia do país, pois a determinação específica sobre uma ou outra política geralmente não cobre o processo decisório que levou a uma ou outra escolha de política ou mesmo de simples declaração, por nota oficial, sobre uma determinada questão da agenda internacional.
Como saber se foi “o Brasil” quem adotou uma determinada política, ou o governo, isto é, o executivo, ou ainda, a própria diplomacia profissional? Pode haver, como ocorre muitas vezes, uma grande diferença entre as opções técnicas oferecidas pela diplomacia profissional, para uma questão específica colocada na agenda externa, e o posicionamento efetivamente adotado pelo governo, ou pelo chefe de Estado pessoalmente, sobre a mesma questão. Em tempos normais, costuma haver uma grande osmose, ou uma identidade mais ou menos unificada e homogênea, entre o que o corpo técnico considera ser adequado nas relações exteriores do país e a postura efetivamente seguida pelo responsável último pelas escolhas que são feitas na prática, algumas vezes de forma improvisada, no contato direto com outros chefes de governo, sem o recurso adequado ao corpo profissional encarregado de visualizar e apontar todas as implicações de certas tomadas de decisão.
Facilidades crescentes no campo das comunicações e transportes, o simples aumento dos contatos não presenciais entre chefes de governo e ministros das relações exteriores, a ampliação de laços mediante acordos de cooperação, regionais ou temáticos, fazem com que a chamada diplomacia presidencial, ou de cúpula, tenha se tornado corriqueira, o que acarreta ipso facto o envolvimento direto do decisor máximo na discussão e na tomada de posição em questões cuja complexidade, contexto relacional com terceiras partes, legado histórico, ou mesmo implicações constitucionais e legais, não recomendariam o tratamento direto por esses personagens já com a perspectiva da adoção de decisões de relevante magnitude. Bem mais temerária é quando essa diplomacia de cúpula passa a configurar uma espécie de diplomacia personalista, na qual o chefe de governo e/ou de Estado resolve assumir ele mesmo a responsabilidade por esse tipo de procedimento, ainda que seja apenas uma declaração pessoal sobre o caso, ainda previamente ao comprometimento formal sobre o assunto, por meio de nota oficial ou projeto de acordo a respeito.
A política externa do Brasil conheceu desenvolvimentos tendencialmente afins a essa evolução problemática do processo decisório próprio à instituição burocrática encarregada do setor na direção de um afunilamento partidário e personalista desde a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder, a partir de 2003. Analisei essa contaminação problemática da agenda externa do país por considerações vinculadas às preferências ideológicas do partido em questão, o que ficou evidente desde a mudança de orientação em importante questões da agenda regional e internacional do Brasil, como detalhadamente relatado em meu primeiro livro sobre a questão: Nunca Antes na Diplomacia...: a política externa brasileira em tempos não convencionais (2014) e novamente num outro livro que completou o primeiro ciclo do lulopetismo diplomático: Contra a Corrente: Ensaios contrarianistas sobre as relações internacionais do Brasil (2014-2018) (2019). Depois de um retorno compatível com valores e princípios exibidos tradicionalmente pela diplomacia brasileira, durante o governo de Michel Temer (2026-2018), ocorreu uma nova ruptura, ainda mais dramática, com os padrões usuais da diplomacia brasileira sob o mandato do presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), o afastamento do multilateralismo, por exemplo, o que me levou a finalizar e a publicar meu terceiro livro sobre a diplomacia e a política externa do Brasil: Apogeu e Demolição da Política Externa: Itinerários da Diplomacia Brasileira (2021), cobrindo desta vez as três décadas de relações internacionais do Brasil desde a redemocratização. Nos intervalos entre os livros impressos e distribuídos comercialmente, preparei e publiquei, via Kindle, diversos outros volumes digitais, especialmente os da série do bolsolavismo diplomático, começando com Miséria da Diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty (2019), passando por O Itamaraty num Labirinto de Sombras (2020) e Uma Certa Ideia do Itamaraty (2020) até O Itamaraty Sequestrado: a destruição da diplomacia pelo bolsolavismo (2021).
O início do terceiro mandato de Lula parecia ensejar um retorno às grandes linhas da diplomacia partidária e ideológica já ensaiada entre 2003 e 2016 – inclusive porque o conselheiro presidencial em matéria internacional, chamado de chanceler paralelo, era o mesmo apparatchik do PT atuando em nome dos comunistas cubanos na coordenação do Foro de São Paulo, uma espécie de Cominform castrista para o controle dos partidos de esquerda da América Latina –, mas o que se viu, na verdade, foi um aprofundamento do distanciamento da política externa governamental em relação aos passos cautelosos da diplomacia profissional na condução dos mais importantes dossiês da agenda geopolítica externa às preocupações imediatas do Brasil, com o desenvolvimento e a autonomia da política externa oficial no tocante às disputas interimperiais. Desta vez, o que se observou foi um alinhamento da diplomacia presidencialista e personalista de Lula com alguns dos postulados geopolíticos das duas grandes autocracias parceiras no Brics, entre eles o tal projeto da “nova ordem global multipolar”, e a própria ampliação inusitada do Brics (agora acrescido de novos associados, num Brics+), congregando novos membros escolhidos dentre regimes políticos autoritários e claramente antiocidentais.
Em diferentes dossiês da agenda diplomática corrente – guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, novos conflitos no Oriente Médio envolvendo Israel e os movimentos palestinos, entre eles alguns terroristas, nova liderança conservadora, ou de extrema-direita nos Estados Unidos – as posições que prevalecem, de ordinário, não são exatamente as que foram recomendadas pelo corpo profissional do Itamaraty, mas a postura pessoal, e muito personalista, do próprio chefe de Estado, nem sempre armado das melhores diretrizes para administrar os desafios na frente externa. Declarações de improviso, entrevistas mal preparadas com a imprensa acabam provocando arestas com parceiros tradicionais do chamado Ocidente, bem como referências desprovidas de consistência prática, como a duvidosa existência de um Sul Global supostamente animado pelo desejo totalmente vago de também fundar uma “nova ordem global”. Outras decisões refletem diretamente a influência ideológica partidária, ou preconceitos anacrônicos dos militantes petistas, como a suspensão das negociações para a adesão do Brasil à OCDE, o clube das boas práticas macroeconômicas integrado pelas principais democracias de mercado do mundo.
Com base nos argumentos acima, fica mais fácil responder à questão posta no título desta nota, sobre quem determina, de fato, a política externa brasileira: o corpo profissional da diplomacia vem, provavelmente, em terceiro lugar, no processo decisório, sendo precedido pelo partido no poder e, em primeiro lugar, pelo próprio chefe de governo e de Estado. Novos desenvolvimentos sobre o conteúdo e a forma da política externa seguirão oportunamente.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4883, 30 março 2025, 3 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/03/quem-determina-de-fato-politica-externa.html); disponibilizado na plataforma acadêmica Academia.edu (link: https://www.academia.edu/128526086/4883_Quem_determina_de_fato_a_Politica_Externa_Brasileira_2025_). Publicado no Portal Defesa.Net (6/05/2025; link: https://www.defesanet.com.br/nbr/quem-determina-de-fato-a-politica-externa-brasileira/).

By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at maio 25, 2025 Nenhum comentário:
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Uma reflexão...

Recomendações aos cientistas, Karl Popper:
Extratos (adaptados) de Ciência: problemas, objetivos e responsabilidades (Popper falando a biólogos, em 1963, em plena Guerra Fria):
"A tarefa mais importante de um cientista é certamente contribuir para o avanço de sua área de conhecimento. A segunda tarefa mais importante é escapar da visão estreita de uma especialização excessiva, interessando-se ativamente por outros campos em busca do aperfeiçoamento pelo saber que é a missão cultural da ciência. A terceira tarefa é estender aos demais a compreensão de seus conhecimentos, reduzindo ao mínimo o jargão científico, do qual muitos de nós temos orgulho. Um orgulho desse tipo é compreensível. Mas ele é um erro. Deveria ser nosso orgulho ensinar a nós mesmos, da melhor forma possível, a sempre falar tão simplesmente, claramente e despretensiosamente quanto possível, evitando como uma praga a sugestão de que estamos de posse de um conhecimento que é muito profundo para ser expresso de maneira clara e simples.
Esta, é, eu acredito, uma das maiores e mais urgentes responsabilidades sociais dos cientistas. Talvez a maior. Porque esta tarefa está intimamente ligada à sobrevivência da sociedade aberta e da democracia.
Uma sociedade aberta (isto é, uma sociedade baseada na idéia de não apenas tolerar opiniões dissidentes mas de respeitá-las) e uma democracia (isto é, uma forma de governo devotado à proteção de uma sociedade aberta) não podem florescer se a ciência torna-se a propriedade exclusiva de um conjunto fechado de cientistas.
Eu acredito que o hábito de sempre declarar tão claramente quanto possível nosso problema, assim como o estado atual de discussão desse problema, faria muito em favor da tarefa importante de fazer a ciência -- isto é, as idéias científicas -- ser melhor e mais amplamente compreendida."

Karl R. Popper: The Myth of the Framework (in defence of science and rationality). Edited by M. A. Notturno. (London: Routledge, 1994), p. 109.

Uma recomendação...

Hayek recomenda aos mais jovens:
“Por favor, não se tornem hayekianos, pois cheguei à conclusão que os keynesianos são muito piores que Keynes e os marxistas bem piores que Marx”.
(Recomendação feita a jovens estudantes de economia, admiradores de sua obra, num jantar em Londres, em 1985)

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