quarta-feira, 28 de maio de 2025

Destruição Criativa: Maartim Vasques da Cunha recomenda o livro de Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira: Siameses

Destruição Criativa

O livro mais importante da literatura brasileira contemporânea que não está na lista da Folha de S. Paulo

Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira fala sobre o romance “siameses” | Itaú  Cultural

A publicação recente da lista, feita pela Folha de S. Paulo, dos livros mais importantes dos últimos 25 anos comprova o que falo há anos, desde a época em que lancei A Poeira da Glória: a literatura brasileira se transformou em uma casa vazia, soterrada entre os restos dos arados tortos, dos últimos gozos do mundo, dos racismos estruturais que desintegram a sociedade, dos feminismos que acentuam o machismo e da política que jamais foi para todos. A evidência máxima desta moléstia é um livro que não foi sequer mencionado entre os jurados e o qual, entre as dobras do deserto particular de cada sobrevivente no mundo das letras, certamente fez a ambição dos nossos literatos explodir de inveja ou desprezo.

Trata-se do assombroso e gigantesco siameses, de Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira – um romance de 1300 páginas que, ao ser corajosamente publicado por uma editora à margem do mercado editorial (Kotter), apenas faz no nosso vazio intelectual o que, em 1956, Guimarães Rosa provocou com o lançamento praticamente simultâneo de Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas. No caso, recuperar o centro do que realmente importa.

Os superlativos não são um exagero. São os termos mais exatos. Quando um livro deste tipo surge no panorama, não devemos ter medo de elogiá-lo. Há de se ter a obrigação de fazer o que o poeta polonês Adam Zagajewski chamava de “em defesa do fervor”. Pois siameses é, de fato, um romance concebido, criado e escrito no meio do fervor. Porém, um fervor extremamente calculado, construído sobre bases múltiplas que misturam o grotesco, o lírico, o digressivo, o intelectual – e, sobretudo, o diabólico.

Como toda boa trama romanesca (voltaremos em breve a este termo: “trama”), torna-se impossível resumir o assunto do livro. Tentemos: em uma longa conversa entre dois amigos, Osmar (o único que fala) e Procópio (o que fica aparentemente calado o tempo todo), sabemos do triângulo amoroso (ou seria quadrado?) entre o operário metido a intelectual Tomás, sua esposa, a enfermeira Rebeca, e a vendedora Azelina, uma jovem apetitosa que atiça os desejos do primeiro e o coloca em uma verdadeira odisseia do azar. Aparentemente, essa história não nos diz nada – e mal seria uma razão para o leitor comum acompanhá-la se não fosse por um detalhe que Antonio Geraldo menciona constantemente no livro: o que estamos a ler não é uma mera quadrilha a lá Drummond, e sim um resumo histórico dos últimos quarenta anos do que aconteceu, em microcosmo, nesta nação gigantesca que é o Brasil.

Para relacionar esses dois planos, siameses constrói – olhem de novo a palavra – uma trama de símbolos e de metáforas, espalhadas por meio de digressões que visam a despistar o leitor. Por um lado, ela dialoga tanto com a tradição temática do Modernismo Brasileiro de 1922, em seu antropofagismo, ao analisar a brasilidade esteticista, como com a linha do Modernismo Europeu, em especial o romance enciclopédico celebrado por James Joyce em Ulisses (1922) e Finnegans Wake (1939) ou pelo poema A Terra Devastada (1922), de T.S. Eliot.

É um fenômeno já descrito por Richard M. Morse em seu magnífico ensaio O Espelho de Próspero, em que a imersão no caos e no anonimato das grandes cidades – ou, no caso de siameses, no interior fronteiriço entre São Paulo e Minas Gerais – somente nos leva a um centro desatado do que deveria ser a “comoção da vida”, em um caleidoscópio que apenas confirma a vastidão de reflexos a nos devorar. Tudo isso converge para uma visão de mundo que acompanhava Antonio Geraldo em seu romance anterior, o celebrado as visitas que hoje estamos (2014), na qual o colapso existencial do país se soma agora ao encontro da raiz de todos os nossos problemas políticos, morais, sexuais e econômicos. Trata-se da nossa atração insaciável por aquilo que hoje podemos chamar sem hesitação de “o contágio da mentira”, a corroer o Brasil – e com certeza o mundo – do início ao fim, do topo até o chão, do chão até o nosso subsolo irracional.

Em siameses, enquanto o leitor acompanha as peripécias de Tomás para seduzir Azelina e enganar Rebeca, com toda a destreza narrativa comunicada por Osmar a Procópio, pouco a pouco as noções de verdade e mentira, fato e ficção, realidade e alucinação tornam-se cada vez mais imprecisas – e elas se amalgamam sem que ninguém (principalmente os personagens) mais saiba onde começa uma e onde termina a outra. Daí o título do romance: tudo está inevitavelmente ligado, numa irmandade macabra que, como o próprio projeto estético de Antonio Geraldo antecipou desde a primeira linha do romance, nos leva desses filhos da mentira ao próprio pai da falsidade.

A ambiguidade que surge desta trama – olhem aí a palavra de novo – é poderosa pois ela se alimenta da própria inovação que o gênero romance apresenta à sociedade onde se insere. Em inglês, o romance é também “novel”, que, se aqui pode ser a novela (um gênero anfíbio assim simplificado por causa do tamanho das suas páginas), é também o novo a surgir toda vez que nos encontramos na casa vazia das palavras sem sentido. Apesar de se cercar de contemporâneos igualmente brilhantes – como Evandro Affonso Ferreira, Juliano Garcia Pessanha, Ana Paula Maia, Erico Nogueira, Joca Reiners Terron, Alberto Mussa, Fernando Monteiro, Antonio Fernando Borges esses dois infelizmente falecidos nos últimos meses), André De Leones, entre outros –, cabe agora a Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira ser quem o capitão desta reviravolta provocada pela nova literatura a surgir do seu livro.

Assim, o que siameses faz para as nossas letras é uma espécie de “destruição criativa”, algo que Hermann Broch antecipou ao analisar o Ulisses de Joyce em um ensaio pioneiro, publicado em 1935. Neste texto, lemos que “Joyce busca com todos os meios do domínio do estilo e da arquitetura literária, com toda a capacidade de abranger a essência e com toda a ironia, que essa cosmogonia que se desdobra por trás do Ulisses resulte ao fim das contas em um sistema platônico, um corte no mundo, que no entanto não é outra coisa a não ser um corte no eu, um eu que é ao mesmo tempo o sum e o cogito, o logos e a vida, novamente se tornando Um, uma simultaneidade em cuja unidade refulge o religioso em si.”

É esta divisão – entre a palavra a descrever a vida e a própria vida – que fraciona cada linha do romance de Antonio Geraldo, para depois ele sempre retornar à unidade (aparentemente platônica) da trama literária. Mesmo assim, o escritor preserva o fervor típico de quem sabe que, para criar, é necessário muitas vezes demolir o que achávamos ser o fundamento de todas as coisas petrificadas do nosso passado e que precisam de um novo sopro. No caso específico de siameses, a religiosidade ocorre sempre na via negativa, pois os personagens caminham num Hades interior onde as paixões (jamais a virtude) são o que comandam as ações de cada um. No fundo, a tragédia de Tomás, Rebeca e Azelina (e talvez a de Osmar) é a tragédia tupiniquim de saber que, como diria o narrador a lá Riobaldo Tatarana, a “impossibilidade do indivíduo é ser ele mesmo, caralho!”.

Assim, neste espelho literário, digno de Próspero, a obra-prima de Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira nos presenteia com um modo para reconstruir o Brasil, esteticamente e moralmente, ao impedir, por meio da grande literatura, que os cães que nos governam continuem a latir, noite e dia, dentro desta nossa casa vazia. Azar da turma da Folha de S. Paulo que não percebeu essa maravilha 

O Mercosul em xeque: a estratégia diplomática brasileira diante da crise do projeto de integração (1999-2002) Dissertação de José Paulo Silva Ferreira (2025)

 Uma excelente dissertação, sobre o Mercosul, para cuja elaboração colaborei mediante uma entrevista ao autor:


JOSÉ PAULO SILVA FERREIRA
O Mercosul em xeque: a estratégia diplomática brasileira diante da crise do projeto de integração (1999-2002)
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG), como requisito para obtenção do título de Mestre em Ciência Política.
Área de concentração: Relações Internacionais. Linha de pesquisa: Política Internacional.
Orientador: Professor Doutor Carlo Patti.
Goiania, 2025

Frontspício:
“O Mercosul [...] não é “apenas” o mais importante projeto nacional desde os primórdios da diplomacia republicana [...] ele é também, e cada vez mais, o projeto internacional mais relevante para o Brasil do século XXI”
(Paulo Roberto de Almeida, 1998, p. 1)

Resumo:
O Mercosul, bloco econômico criado em 1991 como zona de livre comércio, tornou-se uma união aduaneira imperfeita em 1994, nunca alcançando o objetivo de mercado comum. O bloco originou-se como um produto do contexto internacional, em resposta às demandas em política econômica externa geradas pelos avanços da globalização e à segunda onda de regionalismo.
Além disso, refletiu o contexto regional, por ter se baseado na integração bilateral Brasil-Argentina e na estrutura jurídica da ALADI. Iniciou como um projeto subregional, dos países platinos – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – e pretendia-se que se estendesse pela América do Sul pela integração ao Pacto Andino. Após um período de crescimento entre 1991 e 1998, a partir de 1999, passou a enfrentar estagnação do fluxo comercial. Nesse sentido, propõe-se o seguinte problema de pesquisa: qual foi a estratégia diplomática do governo Cardoso para abordar as dificuldades na consolidação dos objetivos de integração do Mercosul entre 1999 e 2002? A hipótese é que o governo Cardoso buscou prosseguir com o processo de integração, adaptando a estratégia diplomática às condições e limites impostos, com permissividade ao protecionismo argentino. Trata-se de um trabalho de história da política externa brasileira, em que se utiliza o método histórico e a triangulação de fontes. Utilizou-se a análise da literatura especializada, a análise de documentos classificados do Arquivo Central do Itamaraty – a comunicação telegráfica entre a Embaixada do Brasil em Buenos Aires e a Secretaria de Estado das Relações Exteriores, Informações ao Sr. Presidente da República, cartas e briefings de reuniões bilaterais integrantes aos maços temáticos, nos graus de sigilo confidencial e secreto. Ademais, realizou-se entrevistas semiestruturadas com diplomatas brasileiros envolvidos no processo de integração nas décadas de 1990 e 2000, e análise de matérias do Jornal do Brasil, coletadas na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Desta forma, os resultados obtidos foram que o governo Cardoso procurou avançar no processo de integração, adaptando a estratégia diplomática às condições impostas pela crise econômica argentina, compreendendo que insistir demasiadamente na agenda de exceções tarifárias, e em abertura comercial, poderia fragilizar ainda mais o Mercosul. Portanto, investiu em: (1) diálogo político constante com toda a América do Sul, (2) projetos de integração física, (3) cooperação e harmonização de políticas setoriais e (4) aprofundamento da integração econômico-comercial e de investimentos.
Palavras-chave: Mercosul; História da Política Externa Brasileira; Brasil; Argentina; crise do Mercosul.

Referências:
ALMEIDA, P. Integração regional: uma introdução. São Paulo: Saraiva, 2013.
ALMEIDA, P. Mercosul: Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: Editora LTR, 1998.
ALMEIDA, P. O desenvolvimento do Mercosul: progressos e limitações. In: RIBEIRO, E. S. (cord.). Direito do Mercosul. 2 ed. Brasília: UniCEUB ICPD, 2019, p. 110-144. Disponível
em: https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/prefix/13134. Acesso em: 1 maio 2023.

FONTES ORAIS
ALMEIDA, Paulo Roberto de. [maio 2024]. Entrevistador: José Paulo Silva Ferreira. Goiânia, 2024. 2 arquivos .mp3 (130 e 163 min.). Disponível em: https://doi.org/10.7910/DVN/XIYGE7

Acesso a dissertação neste link:
https://repositorio.bc.ufg.br/tedeserver/api/core/bitstreams/a475a62a-d222-4d71-9ddc-77c4ccbcf9ad/content

Estratégia Brasil 2050: Ministério do Planejamento: Consulta respondida - Paulo Roberto de Almeida

 Um seminário interessante para ser seguido.



A Estratégia Nacional de Longo Prazo, denominada Estratégia Brasil 2050, busca integrar e harmonizar planos setoriais e regionais, proporcionando uma maior previsibilidade na atuação governamental, melhora do ambiente de negócios e aumento da transparência. A iniciativa é liderada pela Secretaria Nacional de Planejamento (SEPLAN) e a Portaria nº 244 de 7 de agosto de 2024 estabelece os procedimentos e o prazo para a elaboração da proposta, que deve ser finalizada até 31 de julho de 2025.


Que Brasil queremos nos próximos 25 anos?

A Consulta Pública "Que Brasil queremos nos próximos 25 anos?" é uma iniciativa para ouvir a população e entender suas expectativas sobre o futuro do país. Como parte da construção da Estratégia Brasil 2025-2050, ela busca identificar desafios e oportunidades em cada região, ajudando a traçar caminhos para um Brasil mais desenvolvido e sustentável.

* Campos obrigatórios são marcados com um asterisco

Minhas respostas ao questionário (apenas minhas próprias opções): 

terça-feira, 27 de maio de 2025

Book Review: James J. Sheehan. Making a Modern Political Order: The Problem of the Nation State (H-Diplo)

James J. Sheehan

Making a Modern Political Order: The Problem of the Nation State

University of Notre Dame Press, 2023. ISBN: 9780268205379


26 May 2025 | PDF:
https://issforum.org/to/jrt16-40 |

Website: rjissf.org | Twitter: @HDiplo


Editor: Diane Labrosse

Commissioning Editor: Daniel R. Hart
Production Editor: Christopher Ball
Pre-Production Copy Editor: Katie A. Ryan

Contents
Introduction by Alexander M. Martin, University of Notre Dame. 2
Review by Anke Fischer-Kattner, University of the Bundeswehr Munich. 8
Review by Andreas Leutzsch, German Academic Exchange Service Returning Fellow, Bielefeld. 15
Review by Jerry Z. Muller, The Catholic University of America 29
Response by James Sheehan, Stanford University. 35

Round Table Book review:

https://www.academia.edu/129591147/Book_Review_James_J_Sheehan_Making_a_Modern_Political_Order_The_Problem_of_the_Nation_State_H_Diplo_


O Congresso e os Militares - Rubens Barbosa (O Estado de S. Paulo)

Opinião
O Congresso e os Militares
Tudo indica que o governo Lula se desinteressou da aprovação da PEC e parece baixa a chance de a medida valer para a disputa do ano que vem
Rubens Barbosa
O Estado de S. Paulo, 27/05/2025
A pauta do Congresso está carregada com temas sensíveis e de grande repercussão, como, mais recentemente, o escândalo do INSS, o PL da Anistia e a reeleição. O governo, por seu lado, está com as mãos atadas com crescentes problemas fiscais, políticos e de corrupção e tem como prioridade no Congresso a aprovação da lei que isenta o Imposto de Renda para quem ganha menos de R$ 5 mil.
A bateção de cabeça dentro do governo e a ausência de uma coordenação efetiva entre Lula e as lideranças no Congresso tornam ainda mais difícil o avanço de matérias de importância para a sociedade.
Uma das iniciativas políticas mais importantes do governo Lula, feita ao Congresso há um ano e oito meses, foi a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que proíbe a participação de militares da ativa nas eleições. O texto prevê a transferência para a reserva de integrantes das Forças Armadas que optarem por entrar na política, uma medida importante para proteger as tropas da politização. Pelas regras eleitorais, contudo, essa mudança teria de ter sua votação concluída e ser promulgada até um ano antes do pleito, ou seja, até 4 de outubro, para valer em 2026. Tudo indica que o governo Lula se desinteressou da aprovação da PEC e parece baixa a chance de a medida valer para a disputa do ano que vem.
Segundo informações disponíveis, falta empenho dos articuladores políticos do governo para aprová-la. Numa estratégia para uma rápida tramitação, a PEC foi proposta pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Se fosse enviada diretamente pelo Palácio do Planalto, teria de ser analisada primeiro pela Câmara. O texto chegou a ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça um mês após ser apresentado, em novembro de 2023, mas desde então não mais avançou. Na visão de defensores do texto, o governo deveria ter uma atitude mais proativa em defesa da PEC, para fazer frente à pressão da oposição pelo PL da Anistia.
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, tem se movimentado nos últimos meses para convencer senadores a votarem o texto no plenário do Senado. O tema, contudo, não tem sido tratado como prioridade por Gleisi Hoffmann nem pelo senador Jaques Wagner. A falta de engajamento tem incomodado o Ministério da Defesa, uma vez que a PEC dos militares seria um dos legados que o ministro José Múcio Monteiro gostaria de deixar à frente da pasta. Pouco mais de um ano depois, pessoas próximas ao senador afirmam que o cenário não mudou e que o texto não está na ordem do dia.
Entre os entraves para o texto avançar está a avaliação de que a PEC pode acabar por inflamar novamente militares contra o governo petista. Além disso, embora seja focada nas Forças Armadas (FFAA), o debate pode ter sido prejudicado pela possibilidade de a medida ser estendida a policiais militares, cujos representantes no Congresso são contrários à restrição.
A reação da instituição sobre o julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo militares da ativa e da reserva nos acontecimentos relacionados ao 8 de Janeiro mostra que houve mudança significativa no comportamento das FFAA, comprovado pela atuação fora da política (com poucas exceções individuais) desde 1985, apesar das tentativas de atraí-las para o cenário político no governo anterior.
Para encerrar um período complexo da história nacional, o Congresso deveria também examinar outra PEC prevendo a mudança no artigo 142 da Constituição federal, que dispõe: “As FFAA, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizada com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Seria eliminada a parte final (“e por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”) para deixar bem claro que as FFAA não ganharam pelo texto atual um poder moderador para arbitrar crises políticas internas no Brasil (apesar de o STF já se ter pronunciado definitivamente sobre o assunto, afastando essa interpretação).
Com essas duas medidas, seria virada uma página sensível dos 135 anos de história de participação ativa dos militares na vida política nacional, dando-se ênfase à subordinação das FFAA às leis e à Constituição. Nesta nova etapa, o Ministério da Defesa deveria conseguir os meios para que a instituição possa modernizar-se, dispor de recursos previsíveis, melhor equipar-se, ser desenvolvida uma base industrial de Defesa com base em avanços tecnológicos, com vistas à defesa da soberania nacional e das fronteiras. O Congresso tem de responder aos anseios da sociedade e aprovar essas medidas constitucionais. Não é possível que governo e Congresso permitam que as FFAA continuem cada vez mais vulneráveis e menos aptas a defender os interesses nacionais.
A sociedade civil espera uma atitude firme das lideranças do governo e dos líderes partidários e uma tomada imediata de decisão sobre a PEC para permitir que a nova regra sobre a participação de militares nas eleições possa vigorar a partir de 2026.
Com a palavra, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Congresso Nacional.
Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), foi embaixador do Brasil em Londres (1994-99) e em Washington (1999-2004)

Trabalhos publicados de Paulo Roberto de Almeida 2025 (lista parcial)

Trabalhos publicados de Paulo Roberto de Almeida

2025: Do n. 1.569 ao n. 1.xxx

 

Pau1o Roberto de Almeida

Atualizada em 27 de maio de 2025 

 

1569. “As relações internacionais do Brasil numa era de fragmentação geopolítica”, Interação com o Ateliê das Humanidades (https://ateliedehumanidades.com/o-atelie-de-humanidades/), com a participação de André Magnelli, Lucas Fayal Soneghet e Paulo Martins, em 22/01. Disponível em 27/01/2025 no YouTube (https://youtu.be/wze6Rw3rPyE) e no (Spotify: https://open.spotify.com/episode/553PSG4fE9txXGjI1pHin4?si=15775e7121dd4bc6); disponível no blog Diplomatizzando (27/01/2025; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/01/as-relacoes-internacionais-do-brasil_27.html). Relação de Originais n. 4834.

 

1570. “80 Anos do Brasil na ONU: a história da diplomacia e de uma vida”. Publicado pelo Ateliê das Humanidades (31/01/2025; link: https://ateliedehumanidades.com/2025/01/31/80-anos-do-brasil-na-onu-a-historia-da-diplomacia-e-de-uma-vida/); disponível em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/127389171/4826_80_Anos_do_Brasil_na_ONU_a_hist%C3%B3ria_da_diplomacia_e_de_uma_vida_2025_). Relação de Originais n. 4826.

 

1571. “Na origem da atual ordem mundial: a desordem brutal criada por dois ditadores”, Publicado no boletim informativo O Tuiuti (órgão de divulgação da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul (AHIMTB/RS) e do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS), n. 472, janeiro 2025, p. 17-18; link: http://www.ahimtb.org.br/); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/01/na-origem-da-atual-ordem-mundial.html); Republicado no blog Diplomatizzando (5/02/2025; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/02/paulo-r-almeida-na-origem-da-atual.html). Relação de Originais n. 4839.

 

1572. “Brazil [in the Cold War]”, published online: Encyclopaedia of the Cold War, Routledge Resources Online series, version 1, 30 March 2025, edited by Ruud van Dijk; DOI: https://doi.org/10.4324/9780367199838-RECW87-1 ; Summary: An Early Cold War Warrior and An Early Retreat from the Cold War; 2. In the Beginning was the Comintern; 3. The Americanisation of Brazil; 4. The Years of the Anti-Communist Military Dictatorship; 5. Disentangling Brazil from the Cold War Spirit; References and Further Reading. Relação de Originais n. 4589.

 

1573. “Permanências imperiais e nova ordem global no teste da história”, Publicada na Revista IHGDF nova série (Rev. Instituto Histórico Geográfico do Distrito Federal ISSN 2325-6653, Brasília, v. 14, n. 1, 2025, p. 135-160; ISSN: 2325-6653; link: https://revistaihgdf.com.br/index.php/ojs/article/view/9/17); disponível: https://www.academia.edu/124519295/4676_Permanencias_imperiais_e_nova_ordem_global_no_teste_da_historia_2024_); anunciado no blog Diplomatizzando: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/10/permanencias-imperiais-e-nova-ordem.html). Relação de Originais n. 4676.

 

1574. “Quem determina, de fato, a Política Externa Brasileira?”, Publicado no Portal Defesa.Net (6/05/2025; link: https://www.defesanet.com.br/nbr/quem-determina-de-fato-a-politica-externa-brasileira/). Divulgação anterior: blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/03/quem-determina-de-fato-politica-externa.html); plataforma acadêmica Academia.edu (link: https://www.academia.edu/128526086/4883_Quem_determina_de_fato_a_Politica_Externa_Brasileira_2025_). Relação de Originais n. 4883. 

 

1575. (...)

 

 

Para publicar: 

 

4199. “Antiglobalismo”, Brasília, 20-22 julho 2022, 9 p. Contribuição à 2ª edição do Dicionário dos Antis: a cultura brasileira em negativo.

 

4741. “Brazilian geopolitical thinking ahead of its time: Varnhagen’s Organic Memorial (1849)”, Brasilia, 26 September 2024, 18 p. Contribution to The Palgrave Handbook on Geopolitics of Brazil: Middle and South Atlantic. 

 

3970. “Tordesillas, Treaty of (1494)”, Brasília, 8 setembro 2021, 3 p.; 1.189 palavras. Colaboração a projeto da Editora americana ABC-Clio, “South America: From European Contact to Independence”; Publicação prevista pela Bloomsbury.


3974. “Bandeiras”, Brasília, 12 setembro 2021, 3 p.; 1.074 palavras. Colaboração a projeto da Editora americana ABC-Clio, “South America: From European Contact to Independence”; 


3976. “Bandeirantes”, Brasília, 12 setembro 2021, 3 p., 1235 palavras. Colaboração a projeto da Editora americana ABC-Clio, “South America: From European Contact to Independence”; 


3979. “Andrada e Silva, José Bonifácio de”, Brasília, 18 setembro 2021, 3 p.; 1.071 palavras. Contribution to the Encyclopedia of South American History;  Publicação prevista pela Bloomsbury. 


3980. “Brazil, Independence Movement”, Brasília, 19 setembro 2021, 5 p. Contribution to the Encyclopedia of South American History; Publicação prevista pela Bloomsbury.

 

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