sábado, 15 de agosto de 2026

Um aniversário que me é relembrado pelo registro de minha trajetória universitária - Paulo Roberto de Almeida

Um aniversário que me é relembrado pelo registro de minha trajetória universitária

Paulo Roberto de Almeida 


Dentro de aproximadamente três semanas estarei comemorando 55 anos desde que, em 6 de setembro de 1971, eu me inscrevi no primeiro ano de graduação em Ciências Sociais na Universidade Livre (isto é, não católica e não religiosa) de Bruxelas, um ano e meio depois de ter abandonado curso semelhante (ou similar) que eu fazia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, no qual eu havia ingressado em 1968-69. Eu teria podido, portanto, me formar no exato ano em que eu retomava meus estudos de graduação na Bélgica.

O autoexilio europeu se deu num espirito de preservação de minha saúde física, talvez mental, e minha liberdade pessoal, no contexto dos “anos de chumbo” da ditadura militar no Brasil, que eu combatia desde a primeira juventude. Seis anos depois, já tendo feito um mestrado em economia do desenvolvimento na Universidade de Estado de Antuérpia, graças a uma bolsa de estudo do ministério belga de Educação, e iniciado um doutoramento em Sociologia Histórica de volta à ULB, eu decidi retornar ao Brasil, em março dd 1977, retomando de imediato a luta politica contra a ditadura. No final do ano, em dezembro, eu assumia como terceiro secretário, minha carreira profissional na diplomacia, sem jamais abandonar por completo minha segunda e verdadeira carreira (paralela) de professor universitário.

Seis meses depois, eu já tinha sido fichado (sem o saber), pelo SNI, como “diplomata subversivo”, o que só vim a saber muitos anos depois ao acessar o Diretório do SNI no Arquivo Nacional de Brasilia (tenho ainda de agradecer aos agentes do SNI o fato de terem preservado um trabalho meu, sobre uma “diplomacia alternativa” (à da ditadura), de meados de 1978, oferecido ao candidato oposicionista nas eleições presidenciais indiretas de janeiro de 1979.

Tenho agora a oportunidade de agradecer às minhas duas universidades belgas a chance providencial de me terem oferecido a possibilidade de continuar meus estudos universitários, o que me permitiu abrir as portas de uma outra carreira, que foi a minha por mais de quatro décadas, e à qual ainda permaneço intelectualmente vinculado pela continuidade dos trabalhos em minhas áreas de afinidades eletivas, e também pelo duplo engajamento nos temas de política externa e diplomacia, assim como na luta politica por um Brasil mais digno de sua população mais humilde, que aliás é também minha própria condição de origem.

Este ano também marca pouco menos de meio século (mais exatamente 48 anos) que estou afetivamente e amorosamente vinculado a Carmen Licia Palazzo, que conheci recém ao ingressar no Itamaraty e que esposei menos de um ano depois de iniciar a carreira: 13 mudanças decorridas, em uma dezena de paises (dois repetidos, em funções diferentes), devo reconhecer que Carmen Licia, mais do que os estudos e os títulos, tornou minha vida nais rica e melhor do que seria o caso em outras escolhas e em circunstâncias diferentes. Foi ela quem assegurou, com equilíbrio, paciência e sobretudo carinho e devoção, as melhores condições para que nossos filhos tivessem o melhor desempenho educacional, e para que eu pudesse manter uma dupla, ou tripla, dedicação profissional, produzindo coisas que davam tão somente prazer intelectual.

Desejo deixar este duplo testemunho de uma vida plena de realizações, com muito sacrifício pessoal e familiar, neste último meio século de vida nômade, agora quase sedentária.

Às minhas universidades, mas sobretudo à Carmen Licia Palazzo, o reconhecimento que devo registrar por todas as boas coisas que marcaram meu itinerário de estudos, familiar e pessoal, que é também um agradecimento enternecido pelo que contribuiram em prol de uma vida plena de felicidade, que registro agora neste breve relato semi-biográfico. Observo, neste momento, que eu ainda não tinha olhado para trás as décadas percorridas e deitado um olhar de reconhecimento afetuoso por todas as realizações e motivos de alegria produzidos pelos entes maravilhosos que preencheram este meio século de minha vida.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 15/08/2026


Os 90 Anos da Outra Obra-Prima de Gilberto Freyre : Sobrados e Mocambos - Paulo Gustavo (Revista Será?)

 Da valente, corajosa e interrogativa revista Será? (Com a qual colaboro):


Os 90 Anos da Outra Obra-Prima de Gilberto Freyre

Por Paulo Gustavo

Revista Será?, ago 14, 2026     


Sobrados e Mocambos

 

Não tivesse Gilberto Freyre escrito “Casa-grande & senzala” (1933), “Sobrados e Mucambos” (1936) teria se fixado como sua obra-prima. O livro, como se sabe, é uma continuação da história social do patriarcado brasileiro iniciada pelo primeiro e, a rigor, “originalmente planejado para ser parte daquele” (Cf. “Repensando os trópicos: um retrato intelectual de Gilberto Freyre”, de Maria Lúcia Pallares-Burke e Peter Burke; São Paulo: Editora Unesp, 2009). O subtítulo, por si mesmo, anuncia a vastidão do tema: “Decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano”.

A propósito da importância dessa obra para o próprio Freyre, trago aqui, por curioso e pertinente, o testemunho pessoal do historiador e sociólogo Vamireh Chacon em sua palestra “Significado de ‘Sobrados e mucambos’”, inserida no livro “Sobrados e mucambos: entendimento e interpretação”, organizado por Edson Nery da Fonseca e publicado pela Editora Massangana em 1996. Confessa Chacon: “Eu mesmo perguntei a Gilberto Freyre qual livro seu da sua íntima predileção. Insinuou-me, apenas insinuação, ‘Sobrados e Mucambos’ ao lado de ‘Nordeste’, por mais que se sentisse preso a ‘Casa-grande & senzala’. Também ele fora menino de sobrado, não menino de engenho”… Mas não conta apenas nesse caso o passado infantil, conta mais, creio, a própria lucidez de Freyre. De resto, para alguns especialistas, “Sobrados e mucambos”, na esteira do autor, é que seria a sua verdadeira obra-prima.

Se há uma continuidade com o famoso “opus magnum”, a começar pela homologia dos títulos e pela sequência historiográfica, também, por outro lado, há, quanto a forma geral, uma descontinuidade, apresentando-se “Sobrados e mucambos” como um livro mais apolíneo que “Casa-grande & senzala”, ensaio que teve um ímpeto e um pioneirismo, por assim dizer, dionisíacos, para usar aqui uma distinção nietzschiana tão do gosto do autor.

Evidentemente, numa e noutra obra, o autor se detém numa de suas obsessões de antropólogo, sociólogo e historiador social: a casa, em especial em sua relação com a formação social do brasileiro. O tema voltaria a ser monograficamente retomado com a publicação, em 1979, de “Oh de casa! Em torno da casa brasileira e de sua projeção sobre um tipo nacional de homem”. Nesse livro, numa “Nota do autor”, Freyre reconhece que, ao lado do que é inédito, “Há repetições que são ênfases quanto a aspectos do assunto que o autor considera sob perspectivas porventura novas […]”. “Repetições”, grife-se, um assumido e inconfundível hábito estilístico-hermenêutico freyriano.

À semelhança do que vemos em “Casa-grande & senzala”, também em “Sobrados e mucambos” é um espírito proustiano que guia o autor. É ele próprio quem o diz na “Introdução à segunda edição”: “Do passado se pode escrever o que Proust escreveu do mundo: que está sendo sempre recriado pela arte. E quase como a arte pode ser a ciência, busca ou procura de realidade complexa que adormeça em fatos aparentemente mortos tanto como em naturezas chamadas igualmente mortas: uns e outros valorizados e incorporados ao conhecimento humano pelo impressionismo revelador de aspectos equívocos ou fugazes de realidade ostensivamente viva ou aparentemente morta”. Peço perdão por essa tão longa quanto necessária citação, uma vez que nela se vislumbra o próprio ânimo criador de Freyre, toda uma lente com que escreve as suas obras.

Se quero apresentar o livro aniversariante, sem a pretensão de falar para especialistas, devo dizer, embora numa síntese infinitamente redutora, que, entre os polos emblemáticos e icônicos do título, “sobrado” e “mucambo”, estende-se toda uma ampla paisagem social. Paisagem esta que recobre os séculos XVIII e XIX e é explorada em relação a personagens e tipos (pai e filho, mulher e homem, bacharel e mulato, brasileiro e europeu), além de pares como casa e rua, engenho e praça, Oriente e Ocidente, com destaque para a miscigenação do povo brasileiro, um tema sempre nuclear para o autor. Freyre nada de braçada no que os historiadores da Escola dos Anais chamaram de “longa duração”. A “Sobrados e mucambos”, suponho, também se aplicariam as palavras do grande historiador Fernand Braudel sobre “Casa-grande & senzala”: “O milagre crucial foi ter sabido como juntar uma narrativa histórica exata e cuidadosa com uma sociologia fina e impecável”, como mencionado por Peter Burke e Maria Lúcia Pallares-Burke no livro já citado.

Finalmente, a propósito de mocambos (palavra cuja atual grafia é exclusivamente com a vogal “o”), relembro,  “a latere”, que, durante o Estado Novo, Freyre polemizou com o governo do interventor de Pernambuco Agamenon Magalhães. Polêmica que se deu em 1939, quando Magalhães lançou a Liga Social contra o Mocambo, uma campanha pela erradicação desse tipo de habitação popular. O historiador Gustavo Mesquita, professor da Universidade de Brasília, em seu premiado livro “Gilberto Freyre o Estado Novo: região, nação e modernidade”, toca no polêmico ponto (Em “Oh de casa!”, um capítulo volta ao tema: “Mucambos do Nordeste como exemplo do tipo mais primitivo de casa popular brasileira”).

Segundo  Mesquita, o sociólogo achava que “O poder público deveria resolver os problemas de insalubridade [no Recife, os casebres ficavam, geralmente, em áreas alagadiças] dos ambientes ao redor dos mocambos, mas não demolir as casas construídas com matéria-prima nativa e adequada ao clima tropical”. Freyre e intelectuais aliados buscaram a revogação de tal política cujo propósito “atendia o interesse do interventor de afastar o proletariado urbano da doutrina marxista da luta de classes, costurando certo consenso sobre a importância do saneamento básico […]”. Para o autor pernambucano, que correu o risco de ser mal interpretado e tido por pitoresco, “era algo negativo” “mudar a identidade afro-brasileira das duas cidades [Recife e Rio] sem observar a demanda pela valorização desse modo de ser autóctone e benéfico para a vida social sob o condicionamento agreste dos trópicos […]”.

Polêmicas à parte, celebremos os 90 anos deste clássico incontornável: “Sobrados e mucambos”.


O que leva a Rússia a invadir, a dominar, a massacrar os vizinhos?

From: Pour la Liberté de l’Ukraine, pour la nôtre

 "la Russie n'est pas notre ennemi", célèbre mantra de nos chers trolls.

La vérité est tout autre et ce déjà bien avant l'invasion de l'Ukraine 

AVANT 2022 :

Bien avant le déclenchement de l'invasion à grande échelle de l'Ukraine en février 2022, Moscou menait déjà une stratégie d'ingérence et de guerre hybride active pour diviser, affaiblir et déstabiliser les pays membres de l'Union européenne.

🔸 Infiltrations informatiques et cyberattaques

 * Attaques par déni de service et espionnage : Dès 2007, l'Estonie subit la première cyberattaque massive d'État attribuée à la Russie.

 * Piratages institutionnels : En 2015, le groupe de hackers russes Fancy Bear (lié au GRU) a totalement paralysé le réseau informatique du Bundestag allemand. Des fuites ciblées de courriels d'hommes politiques européens ont régulièrement été orchestrées.

🔸Désinformation et manipulations d'opinions

 * Réseaux sociaux et médias d'État : Utilisation de fermes de trolls et d'outils comme RT et Sputnik pour propager des récits complotistes ou anti-UE et amplifier la polarisation sociétale (crise des gilets jaunes, gestion du Covid-19).

 * Interférences électorales : Campagnes d'influence identifiées lors du référendum sur le Brexit en 2016, de la présidentielle française de 2017 (MacronLeaks) ou des élections européennes de 2019.

🔸 Financement de mouvements politiques et corruption

 * Soutien aux partis d'extrême droite et d'extrême gauche : Dons, prêts bancaires (ex: le prêt accordé au Front National en France) et voyages d'affaires offerts à des responsables politiques eurosceptiques.

* Réseaux d'influence "Elite Capture" : Recrutement d'anciens dirigeants européens dans des conseils d'administration de géants énergétiques russes (ex: Gerhard Schröder chez Rosneft/Nord Stream, François Fillon chez Sibur).

Opérations clandestines et éliminations ciblées

 * Assassinats sur le sol européen : Empoisonnement au Novitchok de l'ancien agent Sergueï Skripal au Royaume-Uni (2018), assassinat d'un opposant tchétchène en plein Berlin (2019).

 * Sabotages d'infrastructures : Explosions de dépôts de munitions à Vrbětice en République tchèque (2014) par l'unité 29155 du GRU.

🔸Pression énergétique et chantages migratoires

 * Mise sous tension du marché gazier : Réductions délibérées des approvisionnements ou manipulation des stocks de gaz avant 2022 pour peser sur les prix.

 * Instrumentalisation de flux migratoires : Soutien à la Biélorussie fin 2021 pour acheminer des migrants aux frontières de la Pologne et de la Lituanie afin de créer une crise humanitaire et politique à l'est de l'UE.

Analyse des attaques hybrides russes en Europe

DEPUIS 2022

Depuis février 2022, les ingérences russes au sein de l'Union européenne ont changé d'échelle : Moscou est passé d'une stratégie d'influence clandestine et politique à une guerre hybride directe, agressive et décomplexée :

🔸Sabotages physiques et actes de violence

Les services de renseignement russes (principalement le GRU) sont accusés de recourir massivement au recrutement d'intermédiaires ou de « petites mains » locales sur Telegram pour mener des opérations clandestines sur le sol européen :

 * Tentatives d'assassinats ciblés : Déjouement en 2024 d'un complot visant à assassiner Armin Papperger, le PDG du géant de la défense allemand Rheinmetall.

 * Incendies et colis piégés : Attaques criminelles contre des dépôts de matériel destiné à l'Ukraine, des usines ou des centres logistiques (notamment en Allemagne, en Pologne, au Royaume-Uni et dans les pays baltes).

 * Atteintes aux infrastructures critiques : Sabotage du gazoduc Balticconnector et coupures de câbles sous-marins de télécommunication en mer Baltique.

🔸Brouillage de navigation et provocations maritimes

 * Brouillage GPS massif : Perturbations répétées et à grande échelle des signaux de géolocalisation au-dessus de la mer Baltique, affectant des milliers de vols civils, le trafic maritime et les vols de dirigeants européens dans la région.

 * Test des frontières : Retrait unilatéral de balises frontalières sur le fleuve Narva (Estonie) et tentatives de révision des frontières maritimes en Baltique.

🔸Guerre de l'information et opération « Doppelgänger »

 * Usurpation de médias officiels (Doppelgänger) : Création de réseaux de faux sites miroir imitant à la perfection de grands journaux européens (Le Monde, Der Spiegel, El País) pour propager de fausses informations sur le coût du soutien à l'Ukraine.

 * Opérations de déstabilisation sociétale : Actions visant à attiser les tensions identitaires ou communautaires, comme l'affaire des Étoiles de David taguées à Paris ou les faux cercueils déposés au pied de la Tour Eiffel.

 * Ingérences électorales : Campagnes intensives de cyber-manipulation lors des élections européennes de juin 2024 et des scrutins nationaux.

🔸 Cyberattaques et piratages

 * Attaques par déni de service (DDoS) : Hacktivistes pro-russes (groupes comme Killnet ou NoName57(16)) paralysant temporairement les sites de ministères, de banques, d'aéroports ou de parlements européens.

 * Espionnage d'État : Infiltrations d'infrastructures sensibles et d'entreprises de défense pour voler des données de livraison d'armes ou perturber la logistique militaire.

🔸Weaponisation des flux migratoires

* Pression aux frontières de l'Est : Acheminement délibéré de migrants sans visat vers les frontières de la Finlande, de la Pologne, de la Lituanie et de la Norvège pour forcer la fermeture des postes-frontières et provoquer des tensions politiques internes.

A próxima crise existencial russa: 1917 ou 1918? - um informe embasado em dados - Andrei Klepach (Moscow Times)

 O principal banco estatal do Kremlin previu a derrota da Rússia na guerra "de desgaste econômico" contra o Ocidente.

From Moscow Times, 14/08/2026

A Rússia não vencerá a competição em uma guerra "de desgaste econômico" enquanto a Ucrânia se beneficia do apoio ocidental. Foi isso que Andrei Klepach, o principal economista do Vnesheconombank (VEB.RF), o principal banco estatal russo, financiando projetos nacionais e uma "companhia de desenvolvimento estatal", disse durante uma sessão do Nikitsky Club.

De acordo com Klepach, os custos para a economia russa por causa dos sanções e o bloqueio ocidental estão aumentando, e o dano causado pelos ataques ucranianos em portos, infraestrutura, refinarias químicas e de petróleo está piorando, e a Rússia está a atrasar-se ainda mais em termos de desenvolvimento tecnológico.

Estamos a atrasar-nos. Estamos a perder a competição global tecnológica e econômica. E, como já disse, não somos apenas distantes da China e dos Estados Unidos, mas também, de uma forma, da Ucrânia. A economia ucraniana, claro, está parcialmente destruída; é uma desgraça demográfica. Mas, mais uma vez, a economia ucraniana, apesar de tudo, sobrevive. Claro, beneficia de uma ajuda financeira considerável <...> Esta ajuda, destinada a gastos militares e aos próprios gastos, representa quase 50% do nosso orçamento, "Klepach disse. "Não vamos vencer esta guerra de desgaste. Estamos a atrasar-nos. Continuamos a aumentar os nossos custos."

Ele recordou que, após o boom militar de 2023-2024, a economia russa entrou em recessão, com uma queda brusca de investimentos e um atraso neto nas indústrias civis, desde a aviação até à produção de materiais para a indústria, através da indústria leve e da agroalimentação. A situação está agravada pela política monetária extremamente restritiva da Federação Russa, que, de acordo com Klepach, é responsável pelo menos pela metade do nosso orçamento.

"O conflito na Ucrânia, no qual o NATO está envolvido, tem sido prolongado há muito tempo e não tem um fim de vista. As duas partes estão intensificando seus ataques, incluindo contra suas respectivas economias. As perdas causadas pelos ataques militares ucranianos contra nossa infraestrutura, portos, instalações de petróleo e gás, plantas químicas e logística, já estão acumulando-se e constituem um importante freio macroeconômico no crescimento econômico russo", disse Klepach.

"A reforço das sanções dos EUA no final de 2025 levou a Índia e a China a reduzir suas compras de petróleo russo, apesar de suas repetidas declarações de não respeitar as sanções", ele recordou. Dado a provável nova onda de sanções e as "perdas crescentes devido aos ataques das forças armadas", a potencial taxa de crescimento econômico da Rússia não poderia superar 1 a 1,5%.

Segundo Klepach, tudo isso inevitavelmente levará a Rússia a uma "crise social", e esta "em um momento em que ninguém espera particularmente".

"Mas ninguém esperava a Revolução de Fevereiro, lembro-lhe. Lenin escreveu em dezembro de 1916: 'Não veremos isso', mas ele o experimentou alguns meses depois. A situação na União Soviética em 1999, a qual nos preparamos há muito tempo, e todos entenderam que estávamos a caminho de uma crise, mas o colapso da União não foi inevitável", disse Klepach.

"Creio que a Rússia não vai colapsar, mas estou quase certo de que alcançaremos uma crise social. Não vamos colapsar economicamente, mas o nosso atraso criará, com todas as consequências que envolvem, limites à nossa capacidade de produção", concluiu.

Fonte 🇷🇺

https://ru.themoscowtimes.com/2026/08/14/vglavnom-gosbanke-kremlya-sprognozirovali-porazhenie-rossii-vekonomicheskoi-voine-naistoschenie-szapadom-a203552

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💡 As observações de Klepach são consistentes com as análises compartilhadas por muitos economistas e instituições internacionais:

O excesso de energia, seguido pelo desaceleramento: Após o forte estímulo fiscal relacionado ao gasto militar em 2023–2024, a economia russa está enfrentando os limites da sua capacidade de produção (falta de mão de obra, taxas de juros muito altas da Central Bank of Russia para conter a inflação, contratação civil).

O impacto das sanções e dos ataques na infraestrutura: Interrupções logísticas, o aumento do custo de contornar as sanções e os danos às refinarias e aos depósitos de petróleo afetam diretamente a rentabilidade dos exportações de energia e a indústria pesada.

Atraso tecnológico: A desconexão com as tecnologias ocidentais e a aumentada dependência da China criam um desequilíbrio estrutural de longo prazo.

As informações relatadas pelo Moscow Times, portanto, são credíveis e consistentes. Não refletem desacordo político (A. Klepach continua a ser um alto funcionário do sistema), mas ilustram a real preocupação da tecnocracia econômica russa diante da impossibilidade de manter uma economia de guerra de forma indeterminada, combinada com o desgaste da infraestrutura russa.

#Russia #Ukraine

A new book on LA regional integration, by an Editor from Moldova?

 Recebo correspondência de editora de Chisinau, capital da Moldova, interessada em publicar um livro meu sobre a integração latino-americana, desde que contenha este meu trabalho:

Regional Integration in Latin America: Historical Developments, Current Challenges, Especially in Mercosur (2018)


14 PagesPosted: 3 Jun 2018Abstract:
Regional integration in Latin America has a long history dating back the wars for independence in the 19th century. Notwithstanding, there is no need, for our purposes, to go back to the autonomist struggles of Simon Bolivar and other political and military leaders at the beginning of the 19th century, and to their premature attempts to forge an alliance between the many former Spanish colonies being liberated, because those efforts were most of a political nature and did not result in any institutional innovation at that time.
At the beginning of the Eighties, a new wave of democratization touched Latin America, with the return to civilian and elected regimes, particularly in Argentina (1983) and Brazil (1985), which signaled a new emphasis on economic integration. But the European model of a common market was too much ambitious for Latin American countries, which were in a de facto preferential trade area, with the signing, a few years earlier, of the second Montevideo Treaty (1980), performing a flexible bilateral trade network among the members of the Latin American Integration Association (ALADI). The change from ALALC to ALADI was permitted by a decision under the Tokyo Round of multilateral trade negotiations (1979), which enabled developing contracting parties of the GATT system to exchange more limited trade liberalization than previously disciplined by Article 24 of GATT, which settled the rules for exceptions to the most-favored-nation clause, under the free trade or custom union formats. Mercosur was created in 1991, and since 1999 it is undergoing a structural crisis.
https://papers.ssrn.com/sol3/Delivery.cfm/SSRN_ID3182150_code2339977.pdf?abstractid=3182150&mirid=1 
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Dear Paulo Roberto de Almeida,

My name is Olga Sabazova and I am editor at Eliva Press. I went through your list of recent publications and it is impressive. We are interested in publishing a book of your works, including this paper: "Regional Integration in Latin America: Historical Developments, Current Challenges, Especially in Mercosur".

We specialize in publication and dissemination of academic books. The publication is free for our authors. You will retain copyrights and earn up to 50% royalties. In addition, the book will be distributed through Amazon Distribution Channels and many more.

Do you want to find more about our services and publishing agreement? 

Your reply would be greatly appreciated.

-- 
Sincere regards,
Olga Sabazova
Editor

o.sabazova@elivapress.com
www.elivapress.com
https://www.instagram.com/elivapress/

Eliva Press SRL
Registration No. 1020600000328

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Simon Schwartzman sobre a IA

 

Nova postagem no blog de Simon Schwartzman
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Inteligência artificial na educação

By Simon Schwartzman on Aug 14, 2026 08:01 am

(publicado em O Estado de São Paulo, 14 de agosto de 2026)

A professora passa um trabalho para casa, o aluno para pede ao Claude ou outro programa de inteligência artificial que faça para ele, e entrega tudo certinho e bem feito. A professora desconfia, manda fazer um trabalho semelhante em sala de aula, e ele não consegue. Conclusão: com a inteligência artificial as pessoas podem até ficar mais espertas, mas ficam mais burras, aprendem menos. Certo?

Não necessariamente. Antigamente, para fazer multiplicações, era necessário saber de cor a taboada, e, para números maiores, saber as regras de multiplicação por grade ou coluna. Hoje, com as calculadoras, quase ninguém mais decora  taboada, e qualquer um consegue fazer as contas em segundos. Ficamos todos mais burros em aritmética, ou ganhamos ao abandonar uma metodologia antiga e substitui-la por uma tecnologia moderna?

É isto, em uma escala muito maior, que faz a inteligência artificial. Em um de seus usos mais comuns, ela substitui o trabalho rotineiro de buscar, organizar e comparar informações, que antes era feito indo às bibliotecas e consultando manuais ou relatórios de agências de governo, depois passou a ser feito fazendo buscas na Internet, e agora se pode fazer simplesmente pedindo ao programa de IA que faça o trabalho de busca e organização das informações para nós. O tempo e esforço que gastávamos fazendo os cálculos e pesquisando os dados hoje podem ser utilizados para identificar as questões que queremos entender ou pesquisar e interpretar os resultados.

Substituir a educação tradicional, baseada no ensino de conjuntos limitados de informações e rotinas de trabalho, por outra em que os conteúdos estão quase sempre disponíveis na ponta dos dedos, não é nada trivial. Isto não se resolve, como as vezes se pensa, substituindo o ensino dos conteúdos pelo ensino de habilidades e competências genéricas, pela simples razão de que habilidades e competências não existem em abstrato, dissociadas de seus conteúdos. Um médico de hoje, por exemplo, que tem à sua disposição um enorme arsenal de instrumentos de diagnóstico e intervenção, precisa saber muito mais sobre o corpo humano e seus processos do que os de gerações atrás, que dependiam de um conjunto muito menor de informações.

Sempre haverá, com qualquer tecnologia, os que não conseguirão entender o problema a ser resolvido, ou não saberão se os resultados obtidos respondem ou não ao que se pretende. Mesmo para estes, os recursos da inteligência artificial permitem concluir tarefas que antes não conseguiriam. E os resultados serão muito melhores para os que a usam bem, com a facilidade de poder questionar as respostas, voltar atrás, reinterpretar as questões e testar vários caminhos com muito mais presteza e flexibilidade do que quando só conseguíamos, no máximo, repetir as fórmulas ou seguir as rotinas que aprendíamos na escola.

Duas pesquisas recentes trataram de ver como a inteligência artificial pode afetar a educação, e nos ajudam a ver suas possibilidades e limitações. Em uma delas, feita na Argentina, os pesquisadores recrutaram 1.174 adultos e pediram que resolvessem uma tarefa simulando uma situação de trabalho: receber um e-mail do chefe relatando um problema numa empresa, analisar um relatório com dados, e responder por escrito diagnosticando a causa e propondo uma solução. Metade dos participantes podia usar um assistente de IA para ajudar em qualquer parte da tarefa – interpretar os dados, pensar no diagnóstico ou redigir a resposta -,  a outra metade não[i]. O que eles viram foi que, sem IA, quem tinha mais escolaridade teve nota bem superior à de quem tinha menos. Com IA, essa diferença encolheu cerca de 75%. A ferramenta beneficiou todo mundo, mas ajudou proporcionalmente mais quem tinha menos escolaridade.  Em uma segunda etapa, o teste foi feito dessa vez sem IA para ninguém. Nela, quem tinha tido acesso à ferramenta na etapa anterior teve desempenho semelhante ao de quem não tinha tido acesso, e, entre os participantes com menor escolaridade, os que haviam usado IA antes saíram um pouco à frente. Isso sugere que o ganho não veio só de “colar” da IA: parte do aprendizado permaneceu mesmo sem a ferramenta

Em outra pesquisa, feita com alunos de matemática na Turquia, os estudantes foram divididos em três grupos em uma prova, os que tinham que trabalhar sozinhos, os que podiam buscar a resposta em um sistema de IA, e os que podiam usar a IA como tutor para ajudar no trabalho[ii]. Os que usaram a IA se saíram muito melhor, mas, em uma segunda prova sem a IA, os que a usaram para copiar os resultados se saíram pior, e os que usaram o sistema de tutoria mantiveram bons resultados.

Juntos, os dois estudos sugerem uma lição importante para quem se preocupa com o uso da Inteligência Artificial na educação ou no trabalho: ela pode ajudar a melhorar os resultados e reduzir as desigualdades não somente no acesso às informações mas também na aprendizagem, mas isto depende não somente da disponibilidade dos instrumentos, mas sobretudo de como ela é usada:  se ela  estimula a  que as pessoas continuem pensando, ou  se transforma em um substituto completo do raciocínio.  São pesquisas como estas que, aos poucos, vão nos mostrando as dificuldades e as grandes oportunidades que as novas ferramentas de inteligência artificial nos trazem.


[i] Cruces, Guillermo, Diego Fernández Meijide, Sebastian Galiani, Ramiro H. Gálvez, and María Lombardi. 2026. “Does Generative AI Narrow Education-Based Productivity Gaps? Evidence from a Randomized Experiment.” NBER Working Paper 34851.

[ii] Bastani, Hamsa, Osbert Bastani, Alp Sungu, Haosen Ge, Özge Kabakcı, and Rei Mariman. 2025. “Generative AI without guardrails can harm learning: Evidence from high school mathematics.” Proceedings of the National Academy of Sciences 122(26):e2422633122.


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O tenebroso exército antivacinal coloca-se novamente em marcha - Julio Benchimol, Paulo Roberto de Almeida

 Minha introdução, PRA:

Os novos assassinos das crianças que nasceram recentemente e das que vão nascer doravante já estão à solta, atuando para matar crianças e adultos com o terrivel, nefando, escabroso negacionismo vacinal, agora com a poderosa ajuda do imperador hemisférico e candidato ao triunvirato imperial da atualidade, secundado pelo seu incrivelmente idiota secretário da anti-saúde americana, de nome tristemente famoso pelos antecendentes familiares, e auxiliado, na parte que nos toca, pelo excepcionalmente imbecil rebento politicamente ativo na politica nacional, embora autoexilado nos EUA, da familia mais destruidora que já existiu, até agora, na politica nacional, todos eles unidos na cruzada ideológica-mortífera, para deixar de imunizar crianças (inocentes, indefesas e dependentes dos emtes paternos e responsáveis) e adultos, estes eventualmente imbecilizados pela tropa de rufiões criminososque propagam o novo credo anti vacinal. Não posso deixar de me impressionar com a magnitude da estupidez antes marginal, que agora ganha foros de movimento com a adesão do dirigente demencial que infelicita e destrói os fundamentos da antiga primeira democracia do mundo. É preciso registrar este episódio tenebroso da vida nacional, agora precariamente exposta aos novos e repetidos débeis mentais antivacinais da politnacional, como o faz Julio Benchimol na postagem aue agora reproduzo, repassada por Olympio Pinheiro, aos quais agradeço pelo registro.

Paulo Roberto de Paulo Roberto de Almeida (14/08/2026)

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A INTERNACIONAL ANTIVACINA CHEGOU AO PODER

Julio Benchilo Pinto

Donald Trump acaba de dar mais um passo na transformação da desinformação sanitária em política de Estado.

Assinou ordem para rever o calendário infantil americano, reduzir recomendações universais e espaçar vacinas. E voltou a ressuscitar o velho fantasma de que vacinação poderia estar relacionada ao autismo.

A ciência já enterrou essa história tantas vezes que o cadáver deveria cobrar adicional de insalubridade.

Estudos gigantescos, acompanhando centenas de milhares de crianças, não encontraram associação entre vacinas e autismo. Mas evidência científica tem um defeito terrível para o populismo: não cabe num slogan conspiratório.

E então entra em cena nosso correspondente brasileiro da trumpização.

Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo celebrando ter conseguido, no Texas, uma dispensa da exigência de vacinação da própria filha para frequentar a escola. Pagou cerca de dez dólares pela declaração e apresentou a façanha como triunfo da “liberdade”.

Pequeno detalhe doméstico. Em 2020, Heloísa Bolsonaro, mulher de Eduardo e mãe da menina, havia declarado publicamente que a filha “toma e tomará todas as vacinas para cada fase”. E ainda criticou duramente o movimento antivacina.

A família Bolsonaro conseguiu, portanto, uma proeza epidemiológica inédita: a mesma criança virou argumento a favor da vacina com a mãe e contra a vacina com o pai.

E há mais: o próprio Eduardo tomou vacina contra a Covid em 2021.

Eis o método: vacina no braço quando convém; guerra contra vacina quando rende voto.

Isso nunca foi propriamente uma discussão médica; é guerra cultural.

Trump fornece a doutrina, a máquina MAGA transforma desconfiança em identidade política e o bolsonarismo tropicaliza o pacote: ciência vira “sistema”, saúde pública vira “tirania” e carteira de vacinação vira manifesto ideológico.

Os vírus, naturalmente, continuam indiferentes à liberdade de expressão.

Julio Benchimol Pinto

Alguns textos pertinentes ao debate geopolítico atual - Paulo Roberto de Almeida

 Posto novamente alguns dos textos já apresentados neste mesmo espaço, mas que continuam a guardar pertinência para o debate que começa agora a se desenvolver sobre a parte de política internacional e de relações exteriores do Brasil no quadro da campanha eleitoral presidencial prestes a ser iniciada.

Espero não estar sendo redundante, mas os temas são relevantes num momento em que o assunto volta novamente a se imiscuir na agenda nacional, em função das pressões imperiais que continuam a se exercer contra o país. Permito-me inclusive agregar um outro texto recentemente elaborado nesse contexto, que será objeto de um curso em outubro. PRA

Aqui:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/politica-externa-brasileira-o-papel-do.html


Textos preparados para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira

Paulo Roberto de Almeida


5290. “Uma política externa que denega os fundamentos doutrinais da diplomacia do Brasil”, Brasília, 24 abril 2026, 2 p. Notas para exposição em webinar do Imagine Brasil, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga. Postado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/uma-politica-externa-que-denega-os.html). Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416632/5290_Uma_pol%C3%ADtica_externa_que_denega_os_fundamentos_doutrinais_da_diplomacia_do_Brasil_2026).
 

5311. “O que eu teria a dizer sobre 'Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira'?", Brasília, 15 maio 2026, 2 p. Nota sobre algumas evidências e outras incertezas. Divulgado no blog Diplomatizzando (15/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/o-que-eu-teria-dizer-sobre-tensoes.html).
 

5313. “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: o que há de novo?”, Brasília, 17 maio 2026, 11 p. Nota mais extensa, a partir do trabalho n. 5311, sobre os temas colocados pelo projeto “Imagine Brasil”, da Fundação Dom Cabral, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga, na companhia de Victor do Prado. Complementar com respostas às questões sugeridas pelo coordenador, Carlos Braga. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416751/5313_Tensoes_Geopoliticas_e_a_Diplomacia_Brasileira_o_que_ha_de_novo_2026_); divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (20/05/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-e-diplomacia_0349459191.html).
 

5315. “Temas para debate no webinar “Imagine Brasil” da Fundação Dom Cabral”, Brasília, 17 maio 2026, 5 p. Notas para debater as questões colocada pelo coordenador, professor Carlos Primo Braga. Enviado, com o trabalho 5313, para conhecimento prévio, assim como a Victor do Prado. Disponível no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/temas-para-debate-no-webinar-imagine.html).

5323. “Nova Ordem Global Multipolar?”, Brasília, 20 maio 2026, 2 p. Uma fraude completa: quatro argumentos contrários. Divulgado no blog Diplomatizzando(20/05/2026; link:https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/nova-ordem-global-multipolar-paulo.html). 

5322. “Tensões geopolíticas: então e agora”, Brasília, 21 maio 2026, 3 p. Reflexões sobre um conceito e especificidades históricas. Divulgado no blog Diplomatizzando (21/05/2026; link:https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-entao-e-agora.html).


Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 20/05/2026, 2 p.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Brasil leva tarifas à OMC enquanto 25 estados contestam regra de Trump - Eloiza Matarese (Economic News Brasil)

Uma matéria sobre a insanidade tarifária do presidente demencial americano - Eloiza Matarese Economic News Brasil, 10/08/2026 Brasil leva tarifas à OMC enquanto 25 estados contestam regra de Trump Brasil contesta tarifas dos EUA na OMC enquanto 25 estados questionam na Justiça americana a rodada que inclui a cobrança de 12,5% ao país. Os Estados Unidos informaram nesta segunda-feira (10) que aceitaram realizar as consultas solicitadas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as novas tarifas americanas. A tarifa dos EUA ao Brasil também está inserida em uma disputa mais ampla dentro dos próprios EUA, onde 25 estados contestam na Justiça a rodada tarifária de 10% a 12,5% criada pelo governo Donald Trump. O Brasil está entre as economias submetidas à alíquota de 12,5%. Mas as duas frentes não são o mesmo processo. Brasília questiona na OMC as sobretaxas americanas de 25% e 12,5%. Já os estados americanos contestam a legalidade da medida mais ampla relacionada ao trabalho forçado, que alcança 59 países e a União Europeia. A ação dos estados não foi apresentada em defesa do Brasil. A conexão está na regra questionada. O Brasil integra a rodada tarifária contestada internamente nos Estados Unidos, mas isso não permite antecipar seu resultado nem afirmar que a cobrança sobre produtos brasileiros será retirada. Tarifa dos EUA ao Brasil está dentro da regra contestada A cobrança de 12,5% decorre de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre políticas e práticas adotadas por parceiros comerciais relacionadas à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil ficou entre 41 economias submetidas à alíquota adicional de 12,5%. Outras 19 economias receberam uma cobrança de 10%. Nos Estados Unidos, os 25 estados argumentam perante a Corte de Comércio Internacional que o governo Trump estaria tentando substituir, por outro fundamento jurídico, barreiras comerciais anteriores derrubadas pela Suprema Corte americana. A administração americana sustenta que as novas tarifas são legais. A cobrança atual utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Ela substituiu uma sobretaxa temporária de 10%, baseada na Seção 122, aplicada desde fevereiro e que expirou em julho. Para empresas brasileiras, essa diferença jurídica é fundamental: a ação dos estados questiona a rodada ampla que inclui a alíquota aplicada ao Brasil, mas não é um processo específico contra a tarifa brasileira nem produz, por si só, suspensão da cobrança. US$ 6,6 bilhões estão na faixa de maior exposição O tamanho da exposição brasileira explica por que a discussão interessa além da diplomacia. Com base nas exportações de 2024, o MDIC estima que 23,1% das vendas brasileiras aos Estados Unidos estejam sujeitas às duas novas medidas da Seção 301. Dentro desse universo, 4,7% das exportações são alcançadas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5%. Outros 1,9% enfrentam somente a tarifa de 25%. A maior exposição aparece quando as duas regras alcançam a mesma mercadoria. Segundo o MDIC, 16,5% das exportações brasileiras aos EUA, equivalentes a US$ 6,6 bilhões na base de 2024, estão nessa situação. Nesses casos, as sobretaxas podem chegar conjuntamente a 37,5%. Outros 52,7% das exportações brasileiras ficaram sem essas sobretaxas específicas ou setoriais consideradas no levantamento do ministério. OMC abre conversa, mas tarifa continua valendo O Brasil argumenta que as medidas americanas são discriminatórias, unilaterais e incompatíveis com compromissos assumidos pelos Estados Unidos no sistema multilateral de comércio. O pedido de consultas abre a primeira etapa formal da contestação brasileira. Washington respondeu que aceita o pedido e está disponível para realizar as consultas em uma data conveniente às duas partes. Aceitar conversar não significa concordar em reduzir ou retirar as tarifas. É essa diferença que dá utilidade prática ao novo cenário. Há uma discussão entre Brasil e Estados Unidos no sistema da OMC e, separadamente, uma contestação doméstica contra a rodada tarifária americana na qual o Brasil está incluído. Para exportadores brasileiros atingidos, a tarifa dos EUA ao Brasil continua sendo cobrada enquanto não houver decisão ou mudança oficial que altere a medida. Agora, os pontos concretos a acompanhar são o avanço das consultas na OMC e o andamento da ação dos 25 estados nos EUA, sem tratar nenhuma das duas frentes como reversão antecipada das cobranças. Eloiza Matarese Jornalista e graduanda em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua na cobertura de economia, negócios e poder, com produção de conteúdos analíticos sobre decisões públicas, mercado, empresas, ambiente regulatório e impactos institucionais para o setor produtivo e para a sociedade.

Gustavo Franco aos 70 anos: uma obra, uma vida, uma geração - Edmar Lisboa Bacha (Casa das Garças)

Gustavo Franco aos 70 anos: uma obra, uma vida, uma geração Fala em seminário na Casa das Garças em 8 de junho de 2026 EDMAR BACHA AUG 11, 2026 É uma alegria poder saudar, no vigor de seus setenta anos, meu amigo Gustavo Henrique de Barroso Franco — economista, historiador, literato, polemista e homem de ação. Celebrar sua trajetória intelectual é revisitar a história econômica recente do Brasil. Ao mesmo tempo, celebrar o espírito de uma geração de economistas que escolheu enfrentar os problemas do país com rigor e coragem, desde sempre com a elegância e a ironia da boa prosa. Escrevi este texto – e agora o leio – com afeto redobrado. Gustavo foi meu aluno, assistente de pesquisa, colega de departamento, companheiro no governo e, ao longo de décadas, um generoso interlocutor intelectual. Mas seria injusto confinar esta homenagem ao plano das memórias afetivas. A obra de Gustavo Franco é extensa, variada e notavelmente original. Gustavo ingressou no curso de economia da PUC-Rio em 1975 e concluiu a graduação em 1979. Lembro-me bem do período em que ele foi meu assistente de pesquisa na preparação do livro Introdução à Macroeconomia. Havia nele uma combinação invulgar de instinto analítico e sensibilidade literária — traço que marcaria toda a sua produção posterior. Concluída a graduação, ingressou no mestrado da PUC-Rio. O ambiente intelectual do departamento havia amadurecido: estávamos redefinindo a compreensão do fenômeno inflacionário brasileiro. Gustavo absorveu esse fermento, e escreveu uma dissertação sobre a aurora republicana e sua primeira grande crise: a euforia especulativa e o colapso do Encilhamento. A tese conquistou o Prêmio BNDES de Economia para dissertações de mestrado. Publicada com o título Reforma Monetária e Instabilidade durante a Transição Republicana (BNDES, 1983), tornou-se referência obrigatória para o período que estuda. Com o prestígio adquirido no mestrado, Gustavo foi admitido nos programas de doutorado de Chicago, Yale e Harvard. Escolheu Harvard, onde se concentrou em dois campos: economia internacional, sob orientação de Jeffrey Sachs, e história econômica, com Barry Eichengreen — tendo Lance Taylor como terceiro membro do comitê de tese. Sua tese de doutorado, defendida em 1986, examina as hiperinflações da Alemanha, Áustria, Hungria e Polônia após a Primeira Guerra Mundial. Dois artigos derivados da tese tiveram repercussão acadêmica considerável. “The Rentenmark Miracle” -- publicado na Rivista di Storia Economica em 1987 e republicado em coletânea organizada por Barry Eichengreen em 1991 -- sustentava que a Rentenmark foi etapa crucial -- e não meramente cosmética, como argumentava Thomas Sargent — da estabilização alemã de 1923. Já “Fiscal Reforms and Stabilization: Four Hyperinflation Cases Examined”, publicado no Economic Journal em 1990, questionava a ênfase de Sargent na pura mudança doe regime fiscal, destacando o papel das reformas monetárias e do processo de desdolarização na consolidação da estabilidade. Poucas obras acadêmicas tiveram impacto prático tão direto. Quando, anos mais tarde, Gustavo se sentou à mesa para ajudar a projetar o Plano Real, não estava especulando no vazio: estava aplicando as lições que havia extraído de vasta literatura histórica e econômica. Gustavo voltou ao Brasil em setembro de 1986 para o Departamento de Economia da PUC-Rio, onde seria professor assistente e, a seguir, associado, até 1993. * Em maio de 1993, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu o Ministério da Fazenda, foi convidado para ser Secretário Adjunto de Política Econômica. A inflação brasileira estava próxima de 30% ao mês. A tarefa era hercúlea. Em setembro de 1993, quando Pedro Malan foi nomeado presidente do Banco Central, Gustavo passou a ocupar a Diretoria de Assuntos Internacionais do Banco. A contribuição de Gustavo Franco para o Plano Real foi ampla e multiforme. Foi um dos idealizadores e o relator do singular padrão bimonetário conhecido como a URV. A inspiração histórica era clara: o mecanismo lembrava, em sua lógica, a introdução da Rentenmark que ele havia estudado em Harvard. A contribuição de Gustavo não se limitou à economia. Ele tomou para si a tarefa de ajudar a redigir as peças jurídicas que dariam suporte ao Plano. Seu talento para a redação clara e precisa foi ali colocado a serviço de um objetivo histórico. Recordo de dois episódios que ilustram bem o seu caráter. Quando a Medida Provisória que instituía a URV estava sendo finalizada, precisei informar a Gustavo que teríamos que incluir um mecanismo de indexação dos salários — sem ele, a MP não passaria no Congresso. Ele ficou visivelmente decepcionado. Mas, depois do lamento, fez a nova redação — mantendo o mecanismo dentro dos limites mais estritos possíveis — e a MP foi aprovada. Era a combinação que marcaria toda a sua vida pública: a fidelidade aos princípios e a lucidez sobre os limites do possível. Três anos depois, em janeiro de 1998, quando Gustavo já presidia o Banco Central, Itamar Franco publicou em O Globo um artigo intitulado “As inverdades do sr. Gustavo Franco”, contestando relato de Gustavo sobre a reunião em que se decidiu o mecanismo de conversão dos salários pela URV. Gustavo respondeu, também no O Globo. A resposta era precisa, detalhada e implacável: reconstruía ponto a ponto a sequência da reunião, identificava os equívocos do ex-presidente e concluía com a pergunta: quatro anos depois do fato, e três anos depois da publicação do livro, o que quer o ex-presidente? Era Gustavo em estado puro: a recusa em deixar que a névoa política distorcesse o registro histórico, combinada com uma prosa ao mesmo tempo rigorosa e cortante. A desvalorização do Real em janeiro de 1999 encerrou sua gestão no Banco Central. A sequência dos eventos — flutuação cambial sem crise bancária, adoção do regime de metas de inflação, preservação dos fundamentos institucionais construídos pelo Real — confirmaria que as bases estabelecidas na gestão de Gustavo Franco foram bastante mais sólidas do que a turbulência do momento sugeria. * A reflexão acadêmica e ensaística sobre o Plano Real ocupa lugar central na obra de Gustavo Franco. O ponto de partida é The Real Plan and the Exchange Rate (Princeton Essays in International Economics nº 217, 2000). Em português, o primeiro livro é O Plano Real e Outros Ensaios (Francisco Alves, 1995). Seguem-se O Desafio Brasileiro: Ensaios sobre Desenvolvimento, Globalização e Moeda (Editora 34, 1999) e Crônicas da Convergência: Ensaios sobre Temas Já não tão polêmicos (Topbooks, 2006). Acrescenta-se a esse conjunto A Moeda e a Lei: Uma História Monetária Brasileira, 1933–2013 (Zahar, 2017), síntese notável de história institucional e análise econômica que percorre oito décadas de relações entre o poder político e o sistema monetário no Brasil. Em 2024, Gustavo Franco organizou uma coletânea de ensaios seus, de Pedro Malan e meus, escritos “no calor do momento”, como diz o subtítulo do livro. Os ensaios retratam as diversas etapas por que passou o plano, ao longo das presidências de FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Nas comemorações dos 30 anos do Real, o livro ajudou a lembrar o país da importância daquele feito histórico, então devidamente comemorado. Uma das características mais singulares de Gustavo Franco é sua recusa em permanecer dentro das fronteiras convencionais da profissão. Ao longo dos anos em que foi construindo a Rio Bravo Investimentos, publicou uma série de livros que constituem uma exploração fascinante das intersecções entre literatura e economia. O primeiro foi A Economia em Machado de Assis: O Olhar Oblíquo do Acionista (Jorge Zahar, 2007), em que Gustavo seleciona e comenta cerca de quarenta crônicas do Bruxo do Cosme Velho. Seguiu-se A Economia em Pessoa (Jorge Zahar, 2007), que explora os escritos do poeta português sobre economia, finanças e desenvolvimento. E depois Shakespeare e a Economia (Jorge Zahar, 2009), com um ensaio de Gustavo sobre o retrato do capitalismo nascente nas peças do Bardo. Vale ainda mencionar Dinheiro e Magia (2011), edição brasileira de cenas econômicas do Fausto de Goethe, para a qual Gustavo escreveu o posfácio “Fausto e a tragédia do desenvolvimento brasileiro”. Gustavo Franco tem uma veia irônica que os leitores de seus artigos de jornal conhecem bem, mas que encontrou sua expressão mais elaborada em dois significativos projetos editoriais. O primeiro é As Leis Secretas da Economia: Revisitando Roberto Campos e as Leis do Kafka (Zahar, 2012). O segundo é a série Antologia da Maldade (Zahar, Vol. I, 2014; Vol. II, 2022), produzida em parceria com Fábio Giambiagi. Em 2010, Gustavo publicou Cartas a um Jovem Economista. Na segunda edição (Intrínseca, 2022), ele incluiu um capítulo inteiro sobre a influência que diz ter recebido de mim na sua formação intelectual. Foi um gesto que me tocou profundamente, e que revela uma dimensão de Gustavo que a sua persona pública, feita de ironia e combatividade, raramente deixa transparecer -- a da afetividade genuína. * Ao olhar para a trajetória de Gustavo Franco, o que sobressai não é apenas a extensão da obra ou a variedade dos papéis desempenhados. É a forma rara de ser intelectual: o economista que é também historiador, que é também literato, que é também polemista, que é também homem de ação — e que faz tudo isso com o mesmo alto padrão de qualidade. A economia brasileira dos últimos trinta anos não se entende sem o Plano Real, e o Plano Real não se entende sem Gustavo Franco. Mas o Gustavo Franco que quero celebrar aqui não é apenas o arquiteto de uma estabilização bem-sucedida. É o jovem que analisava meu manuscrito de macroeconomia com os olhos de quem já sabia que queria ser mais do que um tecnocrata. É o mestrando que escolheu estudar o Encilhamento para entender os problemas do presente através das lições do passado. É o doutorando que foi a Harvard estudar as hiperinflações europeias dos anos 1920 porque intuiu que aquelas histórias eram relevantes para entender a hiperinflação no Brasil. É o servidor público que estava lá quando o país mais dele precisou e entregou o que prometeu: moeda estável, inflação vencida. É o professor que, ao se aposentar, escreveu um livro de cartas para jovens economistas — passando adiante, com generosidade, tudo o que aprendeu sobre o que significa ser um economista que importa. É do capítulo deste livro sobre nosso relacionamento que retiro minhas últimas palavras, aliás palavras dele mesmo, ligeiramente adaptadas: Gustavo, a vida continua e permanecemos juntos na ativa de muitas brigas, mas compartilhando essa doce memória da grande batalha em que vencemos um gigantesco dragão, que devorou muitos guerreiros antes de nós. Temos esse precioso legado a cuidar, e uma ampla agenda de mudanças ainda por fazer. O Brasil está sempre incompleto, como você não cansa de nos explicar.

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