quarta-feira, 14 de outubro de 2026

A Inteligência Artificial e a Inteligência Humana: duas faces da modernidade tecnologica: Madame IA comenta Alvaro Machado Dias e Paulo Roberto de Almeida

 A Inteligência Artificial e a Inteligência Humana: duas faces da modernidade tecnologica: Madame IA comenta Alvaro Machado Dias e Paulo Roberto de Almeida 


IA resolve problemas matemáticos milenares; qual é o limite dela? 

O cenário atual da inteligência artificial (IA) aponta para uma transformação sem precedentes em campos fundamentais do saber humano, como a matemática e a biologia. Recentemente, a OpenAI anunciou um feito notável: sua tecnologia foi capaz de resolver centenas de problemas matemáticos complexos (0:17), muitos dos quais permaneciam sem solução há décadas. Como bem explica o neurocientista Álvaro Machado Dias (0:34), a diferença fundamental entre a capacidade humana e a da máquina reside no processamento. Enquanto o ser humano atua em série, enfrentando um obstáculo após o outro, a IA opera em um volume massivo de tentativas, testando inúmeras variáveis simultaneamente (1:45-2:00). Isso não apenas acelera a descoberta científica, mas altera a própria natureza da genialidade, sugerindo que o papel do 'gênio' isolado, que busca respostas profundas, pode estar perdendo espaço para um novo paradigma: o do aplicador de soluções. A ciência, portanto, tende a se tornar um campo de interpretação e implementação prática, onde o humano e a máquina precisam atuar em constante sinergia (2:21-3:42).

Ao contrastar essas reflexões com o pensamento do diplomata Paulo Roberto de Almeida, observamos uma convergência interessante. Almeida, conhecido por sua visão analítica sobre a inserção do Brasil no mundo e sobre as dinâmicas globais, tem acompanhado de perto a ascensão das tecnologias disruptivas. Assim como o conteúdo do vídeo sugere uma mudança estrutural nas profissões e na pesquisa, o diplomata frequentemente enfatiza que o mundo já está mergulhado em uma nova revolução industrial (de caráter tecnológico e digital). Para Paulo Roberto de Almeida, a adaptação a essas novas realidades não é apenas uma conveniência, mas uma necessidade estratégica para que indivíduos e nações não caiam na obsolescência social ou econômica. Enquanto o vídeo destaca que a IA pode automatizar o trabalho intelectual e a pesquisa, Almeida reforça a importância da inserção intelectual e da capacidade crítica do ser humano para lidar com as complexidades que a tecnologia sozinha não resolve.

Ambas as perspectivas concordam que a tecnologia está alterando as regras do jogo. A IA não deve ser vista como uma substituta total do intelecto humano, mas como uma ferramenta que exige maior rigor e segurança em setores críticos, como a medicina e o desenvolvimento de fármacos (5:51-6:53). O diplomata Paulo Roberto de Almeida, através de suas análises em seu blog e intervenções públicas, defende que a compreensão do nosso tempo passa obrigatoriamente por entender essas transformações digitais. Ele sugere que, diante da automação, a capacidade humana de pensar e formular estratégias torna-se o verdadeiro diferencial. Portanto, o grande desafio não é apenas a existência da tecnologia, mas a nossa habilidade em governar essas inovações e utilizá-las em prol do interesse humano e do desenvolvimento das sociedades (7:05-7:11).

Em suma, estamos diante de uma mudança de era. O vídeo nos alerta sobre a velocidade estonteante com que a IA resolve mistérios milenares, enquanto o pensamento de Paulo Roberto de Almeida nos convida a uma postura atenta e vigilante frente aos impactos globais dessa mesma tecnologia. A conclusão que se tira é didática e urgente: ser um 'gênio' ou um 'profissional de sucesso' no futuro exigirá, acima de tudo, a capacidade de aprender a aprender e de traduzir a imensa massa de dados processados por algoritmos em decisões que beneficiem o coletivo humano. A educação e o treinamento cerebral (mencionados no vídeo como o papel contínuo da matemática, 4:15-4:47) tornam-se, assim, as ferramentas mais valiosas que possuímos para navegar em um futuro onde a máquina colabora, mas o humano dita os rumos e as prioridades éticas. 

Madame IA comenta o texto de Rubens Barbosa sobre as ameaças ao Itamaraty e compara com as minhas posições. PRA

 Madame IA comenta o texto de Rubens Barbosa sobre as ameaças ao Itamaraty e compara com as minhas posições. PRA


“Itamaraty: instituição ameaçada” (Rubens Barbosa): 

https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/itamaraty-instituicao-ameacada/ 


O artigo “Itamaraty: instituição ameaçada”, de Rubens Barbosa, sustenta que o Ministério das Relações Exteriores corre risco de perder autonomia, prestígio e capacidade de formular política externa, independentemente do resultado eleitoral. Para o autor, tanto o lulismo quanto o bolsonarismo tenderiam a colocar ideologia e partidarismo acima do interesse nacional, esvaziando o Itamaraty dentro do governo federal.


O diagnóstico do artigo:


Rubens Barbosa afirma que, no caso do lulismo, haveria a repetição de uma influência ideológica e partidária que reduziria o espaço do ministério. Ele menciona dificuldades orçamentárias, atrasos de pagamentos no exterior, adiamento de reformas, maior influência sindical e a possibilidade de criação de um Conselho Nacional de Política Externa ligado a propostas do PT e do MST.


No lado bolsonarista, o texto também prevê “mais do mesmo”: primazia da ideologia, esvaziamento institucional, problemas financeiros e propostas de uma “faxina” interna. O autor critica ainda o possível alinhamento automático com os Estados Unidos e Israel, bem como a intolerância a visões diferentes dentro da carreira diplomática.


O mundo e o Brasil:


O artigo descreve um cenário internacional marcado por incerteza, guerra, tensões comerciais e disputas tecnológicas. Cita a rivalidade entre Estados Unidos e China, a guerra da Rússia na Ucrânia e os efeitos econômicos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Nesse contexto, o Brasil ainda não teria definido com clareza seu lugar no mundo.


A proposta central de Rubens Barbosa é restaurar o Itamaraty como principal assessor do presidente na formulação e execução da política externa. Ele defende autonomia institucional, coordenação interna das negociações internacionais, reforço orçamentário, modernização da gestão, mais transparência e maior presença de mulheres em cargos de chefia.


Prioridades defendidas:


O texto propõe uma diplomacia de “pragmatismo responsável 2.0”, baseada em profissionalismo, moderação, sensatez e visão estratégica. Entre as prioridades estão responder aos contenciosos comerciais com os Estados Unidos, enfrentar a concorrência chinesa com políticas de defesa comercial, fortalecer o Mercosul, priorizar a América do Sul e diversificar mercados para exportações agrícolas.


A ideia é preservar a independência brasileira, sem alinhamentos automáticos a potências ou blocos ideológicos. Para o autor, o interesse nacional deve orientar as decisões externas, especialmente em um momento de enfraquecimento do multilateralismo e fortalecimento do nacionalismo.


Comparação com Paulo Roberto de Almeida:


Há pontos de convergência entre Rubens Barbosa e Paulo Roberto de Almeida, diplomata de carreira entre 1977 e 2021, professor do Instituto Rio Branco e ex-diretor do IPRI-MRE. Ambos valorizam a diplomacia profissional, a autonomia do Itamaraty e a defesa dos interesses nacionais acima de lealdades partidárias.


Almeida critica a chamada “osmose” entre o serviço diplomático e os governos, apontando que tanto o petismo quanto o bolsonarismo teriam introduzido elementos ideológicos e personalistas na política externa. Essa crítica se aproxima do alerta de Rubens Barbosa sobre o esvaziamento do ministério e a subordinação da diplomacia a projetos políticos.


Porém, há diferenças de ênfase. Almeida caracterizou o governo Bolsonaro como uma ruptura “nefasta” com padrões tradicionais da política externa brasileira, afirmando que o país teria se tornado excessivamente dependente dos interesses do governo Trump e de setores da extrema direita americana. Rubens Barbosa, embora critique o alinhamento automático com Estados Unidos e Israel, trata os dois campos políticos de forma mais simétrica, como ameaças semelhantes à instituição.


Sobre o lulismo, Almeida sustenta que houve uma diplomacia partidária, com maior distanciamento das linhas tradicionais do Itamaraty e influência de quadros ligados ao partido no entorno presidencial. Essa leitura é próxima da tese de Rubens Barbosa, mas o artigo vai além ao apresentar propostas institucionais concretas, como novo regime jurídico para a carreira, mais recursos orçamentários e uma política de segurança econômica.


Em síntese, ambos defendem um Itamaraty forte, técnico e independente. A diferença é que Rubens Barbosa formula um alerta institucional amplo e propositivo, enquanto Paulo Roberto de Almeida enfatiza mais fortemente os riscos da ideologização e da captura partidária da política externa, com críticas especialmente dirigidas às rupturas observadas no governo Bolsonaro. 


*Fonte: Perplexity (https://www.perplexity.ai/search/a04035ed-d779-44d6-9f5f-ea863d90ede3).

Lula faz “guerra de movimento” enquanto Flávio aposta na “guerra de posições” - Luiz Carlos Azedo (Correio Braziliense)

Lula faz “guerra de movimento” enquanto Flávio aposta na “guerra de posições”

Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense, quarta-feira, 14 de outubro de 2026

 

Petista dobrou a aposta na “economia do afeto”: anunciou um Desenrola para os microempreendedores e que ainda dará um Pix de R$ 5 mil para compra de equipamentos

O prussiano Carl von Clausewitz (1780-1831) tornou-se célebre sobretudo por explicar a lógica dos conflitos. Militar desde os 12 anos, enfrentou as forças napoleônicas, serviu no Exército russo, na batalha de Borodino, e participou da campanha de Waterloo, combatendo em Wavre. Morreu de cólera e deixou os manuscritos de Da Guerra, publicados por sua mulher, Marie von Brühl. “A guerra como continuação da política por outros meios”, seu conceito mais conhecido, subordina a ação militar ao objetivo político.

Clausewitz compreendeu que superioridade material não assegura vitória. Moral, capacidade de comando, concentração de forças e acontecimentos imprevistos podem mudar uma batalha. A estratégia exige identificar o centro de gravidade do adversário: aquilo que sustenta sua capacidade de resistir.

Neste segundo turno, essa reflexão ajuda a compreender como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição, e Flávio Bolsonaro, que chegou à frente no primeiro turno, procuram explorar vulnerabilidades e recuperar ou manter a iniciativa política.

 

O jornalista e pensador marxista Antonio Gramsci (1891-1937) fez o caminho inverso, ao transportar conceitos militares para a disputa política. Preso pelo fascismo, nos Cadernos do Cárcere elaborou conceitos de poder político que combinam coerção e consentimento. Segundo ele, nas sociedades ocidentais, partidos, igrejas, associações e instituições culturais constituem defesas profundas da ordem social. Por isso, como estamos vendo agora, a conquista do governo não basta para ter a direção da sociedade.

 

No conceito gramsciano, a guerra de movimento é a ofensiva política direta, enquanto a guerra de posições é a disputa prolongada por organização, alianças e hegemonia. Não se trata de fazer passeatas ou jogar parado. Por analogia, no segundo turno, Lula tenta modificar rapidamente a dinâmica eleitoral, enquanto Flávio procura consolidar as vantagens políticas e sociais que o levaram à dianteira. Ambos combinam movimento e posição, mas com prioridades diferentes.

 

O resultado do primeiro turno impôs ao presidente a necessidade de sair da defensiva. Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O petista precisou romper a impressão de derrota antecipada, reanimar sua base e busca alcançar eleitores que não escolheram nenhum dos finalistas. Seu adversário pretende transformar a vantagem inicial em maioria de votos válidos e evitar um julgamento dos riscos de seu próprio programa.

 

A retomada das ruas é parte da ofensiva de Lula. A manifestação na Avenida Paulista, no domingo, e o ato em Copacabana, na segunda-feira, acompanhado de mobilizações em outras cidades, devolveu ao petista a força das ruas. Essa mobilização produz imagens para as redes e estimula conversas fora dos círculos partidários. A aposta é transformar entusiasmo em comparecimento e persuasão. Multidões reunidas, porém, por si mesmas, não medem a transferência de votos.

 

Conflito de mensagens

 

A pesquisa PoderData/Aya, divulgada ontem, oferece um sinal favorável a Lula: o presidente passou de 47% para 49% dos votos válidos, enquanto Flávio recuou de 53% para 51%. A distância caiu de seis para dois pontos percentuais. A pesquisa ouviu 3 mil eleitores, entre 10 e 12 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto. A reação é compatível com a retomada da iniciativa petista, mas atribuí-la somente às manifestações seria precipitado. As entrevistas ocorreram durante os atos.

 

A Nexus, realizada no mesmo período, registra Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos. Ouviu 2.002 eleitores, com margem de dois pontos. Mais revelador é que 92% declaram ter decidido o voto e apenas 7% admitem mudar. Como esta é a primeira rodada da Nexus depois do primeiro turno, ela não oferece uma comparação equivalente à da PoderData. A diferença entre os institutos não comprova que um captou o efeito das ruas e o outro deixou de percebê-lo.

 

Flávio pretende consolidar suas posições ao adotar como estratégia de campanha a “guerra de posições”, com apoio de governadores, prefeitos e estruturas locais de poder. O encontro em São Paulo com Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes ilustra uma campanha orientada a organizar apoios, reduzir abstenções e disputar indecisos, agora com apoio de aliados eleitos que ficaram neutros no primeiro turno.

 

Ao negar que eliminará benefícios sociais ou reajustes do salário mínimo, Flávio procura impedir que a ofensiva de Lula abra uma brecha entre o eleitor conservador e o eleitor economicamente vulnerável. Por essa razão, resolveu apoiar a aprovação do fim da jornada 6 x 1, em votação no Senado. Ontem, Lula dobrou a aposta na sua “economia do afeto”: anunciou que fara um Desenrola para os microempreendedores individuais (MEIs) e ainda dará um Pix de R$ 5 mil para cada um deles comprar equipamentos, a fundo perdido.

 

No WhatsApp, a disputa está acirrada. O crescimento do Exército do Lula, organizado por André Janones, levou o bolsonarismo a reagir com a Tropa do Flávio e ações judiciais. A suspensão do canal petista por Kassio Nunes Marques, posteriormente revertida, transformou a circulação de mensagens em batalha institucional. Para Lula, preservar esse instrumento é vital para o êxito da “guerra de movimento”. Neutralizar essa iniciativa, para Flávio, porém, desloca o centro da disputa eleitoral para a “guerra de posições”, onde está em boa vantagem.

 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Vision for Liberty Award: prêmios para os três melhores trabalhos - Cato Institute

 Ser libertário pode redundar em prêmios:


Vision for Liberty Award

Dear Dr. de Almeida,

The Cato Institute is launching the Vision for Liberty Award, which will pay $50,000, $25,000, and $12,500 to the three best written cases for individual liberty, limited government, free markets, and peace. Submissions open March 1, 2027, which means you have months, starting now, to think, research, and write your best work before the contest window even opens.
Here's the prompt:

Write an article in support of libertarianism, analyze the world through a libertarian lens, propose an innovative libertarian policy proposal, or pen an article with a distinct libertarian theme.
This contest is your chance to put that reasoning on the page. Make the case well enough, and you are not just writing an article, you are handing the next reader a reason to believe in a freer world, and putting your own name on an idea that could shape how people think about liberty long after you have submitted it.

No policy experience required. No famous name needed. Students, entrepreneurs, Hill staffers, government employees, independent thinkers: if you are a US resident and can write 1,500 words that make a fresh, rigorous case for liberty over power, you are eligible.

Winners may be invited to present their work to Cato scholars or the public, record a podcast with Cato, publish further with the Institute, attend Cato University, and build a lasting relationship with one of the most respected institutions in the fight for freedom.
Three awards, $87,500 total:

The Thomas Jefferson Award: $50,000
The David Boaz Award: $25,000
The Trenchard and Gordon Award: $12,500
Key dates:

Submissions open March 1, 2027, so start shaping your idea today
The deadline is July 4, 2027, at 11:59 p.m. ET
Winners are announced in September 2027
Sign up now, and we will remind you with an email the moment the window opens
Learn More ⟶
For complete contest rules and to submit your article starting March 1, 2027, visit the Vision for Liberty Award page.

Questions? Contact visionforliberty@​cato.​org.

Coordenação-Geral de Patrimônio Histórico do Itamaraty: oportunidade de trabalho

Transcrevo nota que apresenta uma oportunidade de trabalho nas condições descritas abaixo. PRA

Nota de divulgação, dirigida aps servidores efetivos do Poder Executivo federal possivelmente interessados, no processo seletivo para o preenchimento de duas vagas na Coordenação-Geral de Patrimônio Histórico do Itamaraty, área responsável pela preservação e divulgação do acervo histórico, artístico e de representação do MRE (à exceção da coleção no RJ). Inscrições até 30/10, exclusivamente na seção "Currículo e Oportunidades" do SouGov. 
 
As vagas são em Brasília, para servidores de nível superior, que poderão receber GSISTE. As informações completas também estão no módulo  "Currículo e Oportunidades" do SouGov. Abaixo, alguns dados gerais sobre as vagas: 

Atividades Executadas:
I - Administrar a Reserva Técnica da unidade, atuando com a guarda física, acondicionamento técnico, segurança, controle ambiental e organização sistemática dos bens culturais sob gestão da CGPH que não estiverem em uso direto;
II - Executar ações contínuas de conservação preventiva, controle microbiológico e monitoramento das condições físicas de exibição e guarda dos itens do acervo;
III - Colaborar, sob instrução e supervisão profissional, em ações de restauração física e conservação curativa de obras de arte e peças históricas sob guarda do MRE;
IV - Coordenar e executar montagem e desmontagem física de exposições temporárias e de longa duração autorizadas pela Chefia, providenciando suportes expográficos, segurança no transporte e layout expositivo;
V - Documentação e Catalogação sistemática do acervo sob gestão da CGPH, zelando pelo controle informatizado permanente de dados e histórico de cada bem cultural;
VI - Monitorar, registrar e acompanhar a movimentação física dos bens sob tutela da CGPH, atualizando em tempo real a base de dados de catalogação patrimonial gerenciada pela unidade e subsidiando a atualização do inventário patrimonial de bens permanentes da SERE, gerenciado pela Coordenação de Patrimônio, Arquitetura e Engenharia (CPAT);
VII - Planejar e desenvolver pesquisas históricas e documentais sobre as peças do AHAR do MRE, estimulando publicações institucionais, e colaborar com pesquisadores internos e externos que tenham interesse no referido campo de estudo;
VIII. Colaborar com as ações pedagógicas a cargo da unidade, compreendendo visitas mediadas ao Palácio Itamaraty e demais espaços ou acervos com valor patrimonial, oficinas pedagógicas, elaboração de material didático;
IX - Atuar nas equipes de planejamento de compras, licitações, elaboração de Termos de Referência (TR) e especificações técnicas no âmbito de atuação desta área técnica;
X - Exercer a fiscalização técnica de contratos de prestação de serviços continuados de mão-de-obra dedicada contratados no âmbito de atuação dessa área técnica;
XI - Colaborar diretamente em tarefas e demandas gerais de interesse da Coordenação-Geral de Patrimônio Histórico, quando solicitado pela Chefia.
 
São desejáveis:
- conhecimentos e experiência nos campos de atuação acima descritos;
- experiência de gestão e difusão de acervos com a plataforma TAINACAN;
- experiência com desenvolvimento e gestão de páginas eletrônicas em WordPress;
- domínio em ferramentas de diagramação visual, gestão de ecossistema digital e otimização e performance (WPO);
- experiência na administração pública;
- boas qualidades de comunicação, trabalho em equipe, inovação, mentalidade digital
- ética e compromisso profissional.



O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil - André Lucena InfoMoney

O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil

Especialistas avaliam que resultado do primeiro turno envia sinal a Washington e pode influenciar temas de comércio, segurança e relações internacionais

O primeiro lugar de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial de domingo (4) aproximou o Brasil de uma política externa mais alinhada aos Estados Unidos. Ainda assim, a correlação de forças na América Latina poderá influenciar a disputa eleitoral brasileira nos próximos meses.

Especialistas em relações internacionais ouvidas pelo InfoMoney afirmam que a eleição deste ano, já marcada por temas globais, tende a ser ainda mais impactada por acontecimentos fora do Brasil.

Carolina Pedroso, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisadora do Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos (INEU), avalia que o resultado do primeiro turno já sinaliza aos países vizinhos e à Casa Branca que “não será necessária uma pressão externa muito grande para que haja mudança de governo no Brasil”. O senador terminou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula.

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Na avaliação de Denilde Oliveira Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, Washington atua em duas frentes.

“Há um nível que é o do Donald Trump, que tem demonstrado estar acompanhando a eleição no Brasil, e outro que é o do Departamento de Estado, que tem atuado diretamente na relação com o país e até mesmo na disputa narrativa”, afirma.

Brasil no tabuleiro global

O interesse americano na candidatura de Flávio Bolsonaro está relacionado ao alinhamento ideológico entre a plataforma bolsonarista e a agenda política de Donald Trump.

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No entanto, há também um elemento estratégico em jogo. Para Carolina Pedroso, uma eventual vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro poderia levar o Brasil a aderir ao Escudo das Américas, coalizão de segurança lançada por Trump em março.

“Muito provavelmente, o Brasil se alinharia e se integraria a essa nova estrutura de cooperação em segurança, que abre espaço para operações conjuntas com as Forças Armadas dos Estados Unidos e outros países sul-americanos”, afirma.

A adesão direta, porém, pode gerar efeitos na relação do Brasil com a China, principal parceiro comercial do país desde 2009. “Como ele [Flávio Bolsonaro] vai equilibrar essa postura de alinhamento com os Estados Unidos diante das pressões que podem vir do próprio Trump para que o Brasil reduza seus laços com a economia chinesa?”, questiona Holzacker.

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O governo Bolsonaro foi marcado por momentos de tensão diplomática com Pequim, embora a solidez da relação econômica e estratégica entre os dois países tenha limitado os impactos dessas divergências.

Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, foi sucinto ao comentar os resultados do primeiro turno no domingo (4), afirmando que já era esperado que a disputa fosse decidida apenas no segundo turno. Uma eventual vitória, seja de Lula ou de Flávio, poderá ter efeitos sobre as tarifas atualmente impostas a produtos brasileiros.

Holzhacker não prevê uma redução automática dessas tarifas, mas acredita que as negociações poderiam ser mais fluidas em um governo liderado por Flávio. “Marco Rubio, que hoje é um grande opositor do governo Lula, teria uma relação mais fluida com o próprio Flávio”, afirma.

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Já uma reeleição de Lula manteria a relação marcada por atritos, na avaliação de Pedroso. O petista tem feito da defesa da soberania nacional um dos principais eixos de sua campanha. “Ficaria ainda mais desafiador para Lula manter essa postura e até mesmo esse discurso de defesa da soberania, porque ele teria menos margem para negociar”, diz a pesquisadora.

Diante desse cenário, tanto a campanha petista quanto o governo brasileiro, no plano institucional, têm buscado ampliar apoios internacionais para reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos. “No caso de Lula, existem limites. Por isso, a estratégia tem sido diversificar os apoios para depender menos do governo americano”, avalia Holzacker.

Pauta internacional?

Desde o ano passado, o debate público passou a discutir se temas de política externa entrariam de forma mais decisiva na disputa presidencial de 2026.

Para Pedroso, a pauta da soberania nacional favoreceu Lula em meados de 2025, após o tarifaço, mas perdeu força até a votação. “Política externa nem sempre define voto. Aliás, quase nunca define voto”, afirma.

Holzhacker, por sua vez, avalia que o resultado deste domingo mostrou que o eleitorado brasileiro foi mobilizado principalmente por questões econômicas e domésticas.

“O eleitor olhou para outras questões, principalmente a econômica, o endividamento das famílias, o embate e a posição contra o STF. Isso pesou muito mais do que a questão da política externa”, conclui.

 

 

Como o Brasil virou centro de uma disputa global - DeutscheWelle, interpretado por Madame IA

 Leia toda a transcrição do vídeo do link https://www.youtube.com/watch?v=_p1xaFjHznA 

"Como o Brasil virou centro de uma disputa global") e, depois, apresente um texto discursivo (somente frases e parágrafos) com, no mínimo, 3300 caracteres; o texto deverá usar linguagem acessível e didática, e deverá relatar todo o conteúdo do vídeo de modo detalhado e crítico.

O vídeo da DW Brasil apresenta uma análise profunda e multifacetada sobre a posição estratégica do Brasil no cenário geopolítico global contemporâneo, marcado por uma disputa intensa entre potências como os Estados Unidos, a China e a União Europeia. O país é retratado não apenas como um mero espectador, mas como um ator relevante que detém recursos cruciais para a economia do futuro, incluindo minerais críticos, terras raras, biodiversidade e uma matriz energética diversificada. Esse conjunto de ativos coloca o Brasil no centro de atenções internacionais, tornando o resultado de suas eleições presidenciais um evento de impacto que transcende as fronteiras nacionais.
Um dos pontos centrais da discussão (1:15 - 2:06) é a interferência externa nas escolhas políticas brasileiras, exemplificada pela pressão vinda do governo americano sob a gestão de Donald Trump. O interesse de Washington vai além de uma convergência ideológica; trata-se de buscar um aliado estratégico no Sul Global para equilibrar a balança de poder frente à influência crescente da China, que hoje ocupa o posto de principal parceiro comercial brasileiro. Essa dinâmica cria o que especialistas chamam de "país pêndulo", uma nação que, embora tente manter sua autonomia diplomática histórica, vê-se pressionada a tomar decisões que podem alterar o curso de suas relações internacionais (3:19 - 4:48).
O debate sobre minerais críticos e terras raras ilustra bem esse dilema (2:07 - 3:04). Embora o Brasil possua reservas vastas, o domínio tecnológico do processamento desses materiais está concentrado em Pequim. A questão para o Brasil, portanto, transcende a simples extração e exportação; exige uma política industrial sofisticada que permita agregar valor e utilizar esses recursos em tecnologias avançadas. O vídeo aponta que, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto, a necessidade de definir um modelo de desenvolvimento para esses recursos será um desafio incontornável.
Outro pilar abordado é a crise do multilateralismo e o papel da diplomacia brasileira (5:02 - 5:51). Historicamente, a tradição brasileira de autonomia e negociação multilateral enfrenta um teste de estresse em um mundo cada vez mais fragmentado e competitivo. A liderança, como observado, não é algo que se declara, mas algo que se exerce na prática e se reconhece no fórum internacional. A União Europeia, por sua vez, vê no Brasil um parceiro estratégico para pautas fundamentais como a transição energética e a agenda climática, especialmente em um contexto onde o protagonismo americano e chinês pressiona o espaço relativo do bloco europeu (5:52 - 6:29).
Finalmente, o aspecto simbólico da democracia brasileira é destacado como um termômetro global (6:30 - 7:05). Após os eventos de janeiro de 2022 e a polarização intensa vivida no país, o Brasil tornou-se um indicador de como democracias lidam com o populismo, ataques às instituições e a desinformação. O comportamento do governo perante pressões externas, notadamente as do governo americano, contrastou em diversos momentos com a postura de outros aliados globais, reafirmando a complexidade do alinhamento externo brasileiro.
Em suma, o vídeo oferece uma visão crítica e didática sobre a interdependência entre os destinos políticos de uma grande nação em desenvolvimento e os interesses das superpotências globais. A campanha eleitoral brasileira não é apenas uma disputa interna de poder, mas o palco de uma definição estratégica que ditará o grau de soberania e o papel do Brasil na nova ordem econômica e climática mundial. É uma reflexão necessária para entender que a política externa e interna são, na verdade, duas faces da mesma moeda, onde a capacidade de manobra e a clareza institucional são os ativos mais valiosos para garantir a relevância brasileira nas próximas décadas.

*Fonte: Gemini (obs.: IA acionada na barra/guia lateral do próprio vídeo no YT).

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Economia e democracia podem sobreviver; mas e a soberania? - Paulo Roberto de Almeida

Economia e democracia podem sobreviver; mas e a soberania?

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Sobre uma escolha decisiva em 2026 para preservar a dignidade nacional em 2027

 

O Brasil assistiu a um recrudescimento da polarização política no período recente, até se defrontar, no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, com um resultado preliminar que surpreendeu, nos dois lados, os militantes engajados e os observadores interessados (como são os jornalistas). O eleitorado caminha agora para a encruzilhada do segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro, quando, aparentemente, estaremos em face de dois projetos de governo nas antípodas das principais políticas públicas e setoriais em 2027-2030. Dúvidas persistem a esse respeito, mas vou me deter em um aspecto que me interessa pessoalmente, como diplomata, além e acima da questão democrática e a da economia.

Analisando de maneira objetiva, o cenário que pode se abrir em 2027 cabe, contudo, constatar que nem a economia, nem a política parecem perto de sofrer mudanças radicais. A economia porque, a despeito da inquietação de economistas e empresários com a questão fiscal e a do endividamento, e a ainda mais natural preocupação dos eleitores comuns com problemas econômicos mais prosaicos, os do dia a dia em feiras e supermercados, apresenta constrangimentos suficientes, nos terrenos macro e setoriais, para que um presidente, de esquerda ou de direita, tenha forçosamente de encontrar respostas credíveis aos desafios já colocados no plano da dívida pública em expansão, da persistência de uma inflação acima dos indicadores de referência, de um endividamento excessivo de núcleos familiares.

No terreno político, por sua vez, não parece existir nenhum risco maior à democracia – como se temeu no decurso do mandato anterior, sob Jair Bolsonaro –, mas o aumento da representação da direita e da extrema-direita no âmbito legislativo vai provavelmente levar à possível cassação de um ou outro ministro da Suprema Corte, dado seu envolvimento direto na política partidária e em acusações de corrupção nas altas esferas do Judiciário. Também no terreno da política, torna-se altamente provável o reforço de medidas vinculadas à segurança pública, o aumento de medidas punitivas dada a expansão disseminada da criminalidade organizada, assim como, no campo das políticas sociais, uma propensão mais para negativa à continuidade de políticas assistencialistas implementadas desde o início do milênio.

Existem, porém, preocupações latentes com uma mudança radical, dependendo da escolha em 25 de outubro, num campo extremamente relevante para a nação, mais exatamente para a sua reputação internacional e para credibilidade externa de sua diplomacia. Essa mudança tem a ver com a postura do Brasil na definição de algumas orientações básicas no tocante à política externa e à manutenção da plena soberania na escolha de alianças externas, tanto no campo do multilateralismo, das interações regionais e no tocante a certas relações bilaterais num contexto de fragmentação crescente do sistema internacional.

Soberania nacional é um termo um pouco difuso e quase abstrato para a maioria da população, mas o seu exercício e efetivação implicam pleno controle, pelo Estado e pelo seu governo, de todos os processos decisórios atinentes à determinação das principais políticas públicas, ou de todas elas, sejam as domésticas, sejam aquelas voltadas para posicionamentos externos, em todos os planos: relacionamentos bilaterais, interação em nível regional, e no âmbito multilateral, ou internacional (nos organismos internacionais de que o Brasil é membro, ou de outros órgãos dos quais ele faça parte).

Sinteticamente, é a capacidade que o Estado possui de decidir de forma autônoma, pelos seus poderes constituídos, pelas suas instituições governativas, sobre todas as políticas, escolhas orientações na condução interna e externa dos seus negócios, sem ter de prestar contas ou de responder a quaisquer pressões externas, legítimas ou ilegítimas, sobre suas decisões próprias. A soberania não precisa sequer ser proclamada ou anunciada, ela se exerce, simplesmente, com base na força do Direito – a Constituição e os tratados internacionais dos quais o país é parte ou signatário – ou com base no direito da força, ou seja, a defesa nacional, em todas as suas formas.

A soberania se exerce em primeiro lugar em todo o território nacional, e sabemos que o Estado nacional e os governos estaduais não detêm o controle efetivo sobre certas partes dos territórios em causa, o que pode criar alguma alegação de necessidade de intervenção externa ou internacional, o que de fato existe para alguns Estados falidos, vários na África, por exemplo, no caso da Jihad islâmica, ou aqui no hemisfério americano, no Haiti, com gangues criminosas detendo o controle de partes do território dessa ilha dividida com a República Dominicana. Recentemente, o governo expansionista e interventor dos Estados Unidos sob Trump, sob pressão de influenciadores brasileiros expatriados, julgarem dever decretar que dois grupos criminosos atuando no Brasil são, de fato, organizações terroristas, o que lhes daria o direito, unilateralmente, de intervir nos assuntos internos do Brasil, mediante a aplicação extraterritorial de sua legislação interna, aliás já exercida de forma ilegal no caso de supostos traficantes de drogas no mar do Caribe ou no Oceano Pacífico.

Se trata, nesse caso, de mais um sintoma da desagregação da ordem internacional por um dos Estados construtores dessa ordem, nos estertores da Segunda Guerra Mondial, o mais destruidor de todos os conflitos globais, de uma violação do Direito Internacional e da Carta da ONU, aliás precedida por violações ainda mais contundentes por parte de um verdadeiro êmulo dos czares absolutos e dos autocratas soviéticos, na tentativa de reconstruir o império que tinha existido por alguns séculos até quase o final do século XX. Movimentos e grupos nacionalistas costumam ser conservadores, ou de extrema direita, mas regimes autocráticos se distribuem pelos dois extremos do leque político-ideológico conhecido desde o século XIX.

A soberania de potências médias, ou de Estados menores, pode ser ameaçada pela ação de grandes potências, de forma direta ou indireta, por ações agressivas ou por ameaças veladas, quando não pela sabotagem e pela intervenção armada direta, como golpes de Estado, invasões armadas, pressão econômica e uma combinação de todas essas ações. O Brasil só conheceu uma ameaça direta à sua soberania, no caso da guerra dita do Paraguai, um século e meio atrás. Depois teve embarcações afundadas no primeiro e no segundo conflitos europeus, o que motivou a cessação de nossa neutralidade, o rompimento de relações com as potências agressoras – nos dois casos a Alemanha, o Império e o Reich e nossa entrada nessas guerras que já tinham se tornado mundiais.

As intervenções não explícitas em nossa soberania foram mais numerosas, como sempre por iniciativa de grandes impérios expansionistas, no entre guerras, por parte da Alemanha e da Itália fascistas, e antes e depois desse período, por parte dos Estados Unidos, já convertidos em grande potência mundial, neste caso de forma mais sutil. Uma intervenção direta em nossos processos eleitorais ocorreu pela primeira vez, de forma documentada, nas eleições estaduais de 1962, quando dinheiro americano e material da CIA, a agência de inteligência americana foram repassados a candidatos e partidos de oposição ao governo parlamentarista de João Goulart. O golpe de 1964 contou, obviamente, com todo o apoio do governo americano, de forma mais preventiva do que por alguma ação direta.

Durante o regime militar, alguma coordenação existiu, quando não coordenação e troca de informações ou treinamento, entre a ditadura brasileira e órgãos de inteligência e de sabotagem dos EUA, contra governos “esquerdistas” latino-americanos, mais concretamente no caso da Bolívia, do Uruguai e, de forma ainda mais direta, contra o governo socialista de Salvador Allende, no Chile, em 1973. As ditaduras militares cooperaram amplamente entre si, com respaldo americano, na repressão aos movimentos esquerdistas e guerrilheiros. Tudo isso constituiu formas de intervenção nos assuntos internos de diferentes países, entre eles o próprio Brasil. Mais recentemente, o governo americano de Joe Biden pode ter atuado de forma menos direta, pelo envio de altos representantes – secretário da Defesa, conselheiro de segurança nacional e chefe da CIA – entre 2021 e 2022, para eventualmente dissuador os comandantes das Forças Armadas, e o próprio presidente Jair Bolsonaro, de empreenderem qualquer aventura golpista antes, durante ou após as eleições, o que finalmente acabou se concretizando, nos moldes do ataque ao Capitólio de janeiro de 2021 contra o próprio Biden.

O ataque mais dramático – talvez consentido –, ainda que apenas hipotético pelo momento, contra a soberania do Brasil, ocorreria num eventual governo de direita, no caso, o do próprio Flávio Bolsonaro, se em janeiro de 2027 se concretizasse, como já anunciado formalmente pelo próprio, a adesão do Brasil ao chamado “Escudo das Américas”, o plano de subordinação imperial e de tutelagem direta de governos latino-americanos modelado pela nova doutrina de segurança nacional instituída pela administração Trump em 2025. Exemplos desse tipo de submissão ao imperador hemisférico já tinham ocorrido durante dois anos de simultaneidade nos governos de Trump 1 (2017-2020) e de Jair Bolsonaro (2019-2022), quando logo ao início do governo deste último, ou ainda antes da inauguração, o dirigente brasileiro prestou toda a vassalagem vergonhosa à pessoa e às políticas do parceiro dos EUA, inclusive mediante um desonroso “I love you Trump”, durante a AGNU de 2019 em NY.

Caso alguma similaridade com 2018 se produza novamente no Brasil, estaríamos em face de um dos mais graves atentados à soberania do Brasil jamais vistos em toda a nossa história, uma vez que “nunca antes” – como aliás se tentou entre 2019 e 2020 – ocorreu essa possibilidade de uma submissão voluntária e gratuita. Cabe, com efeito, não esquecer que, no próprio dia da posse de Jair Bolsonaro, em 1º de janeiro de 2019, o chanceler acidental escolhido pela tropa bolsonarista, um inexpressivo júnior da carreira diplomática, concordou imediatamente com a instalação de bases militares americanas em território brasileiro, tendo sido imediatamente desmentido de forma humilhante pelos generais do governo Bolsonaro. Mas, outros gestos de adesão gratuita do governo brasileiro a ações do governo Trump foram por diversas vezes evidenciados em votações em órgãos da ONU ou por meio de canhestras notas emitidas pelo Itamaraty (ou pelo governo, em nome da chancelaria).

O Itamaraty, oficialmente ou não, possui diversos registros desse tipo de vassalagem que representam, de fato, quebra da soberania brasileira durante o governo de Jair Bolsonaro, e que podem voltar a ocorrer no caso de um possível governo do filho 01, como antecipado, aliás, pelo próprio com respeito a adesão do Brasil ao “Escudo das Américas”, um programa teoricamente elaborado para contrarrestar a influência chinesa na região, mas que redunda, de forma objetiva, na tutela direta e indireta de governos participantes pelos interesses políticos, econômicos e militares da grande potência hemisférica e mundial, sob a ordens, no momento, de um dirigente arrogante, unilateral e demencial. Pressões geopolíticas já vêm sendo exercidas desde Trump 1, renovadas sob Trump 2, com o recrudescimento por vezes violento de ações diretas e o uso de toda sorte de pressões indiretas para obter a aquiescência de governos da região (e até fora dela, como são inúmeros os exemplos).

Concluindo, venho à questão de como defender a soberania brasileira? Talvez se deva agora afirmar, de maneira explícita, que a comunidade nacional, todos os brasileiros, as suas elites políticas e econômicas, os seus servidores do Estado, em especial os militares e os diplomatas, repudiam de maneira clara e peremptória, toda e qualquer adesão às prescrições políticas e diplomáticas de qualquer governo estrangeiro, e que pretendem preservar com todas as forças nossa autonomia decisória sobre todas e quaisquer políticas de Estado e de governo, e que já denunciam preventivamente qualquer intenção de vincular nossa política externa e as demais políticas domésticas a qualquer potência estrangeira eventualmente atraída por nosso atual processo eleitor. Soberania não se proclama; se exerce, simplesmente, mas, no contexto atual, cabe e se deve fazer uma declaração clara e explícita nesse sentido.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5490: 12 outubro 2026, 5 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/economia-e-democracia-podem-sobreviver.html )


Uma análise realista de Thomas Traumann

 Uma análise realista de Thomas Traumann:


“Flávio Bolsonaro saiu na frente no primeiro turno e já começou a preparar o seu governo como se o pleito de 25 de outubro fosse uma formalidade. As intrigas nas disputas pelos cargos do eventual novo governo tomam conta de Brasília.

Nesta newsletter, mostro que as condições dadas para um eventual governo Flávio Bolsonaro são muito superiores às de seu pai, desde o fato de que os erros do governo do pai estão sendo perdoados pelo eleitor, a formação da maior bancada do século e a fragilidade do PT para arranjar um sucessor para Lula. Com tanto poder, Flávio Bolsonaro anunciou que a prioridade será livrar o pai da condenação,

reduzir o poder do STF e ampliar o seu mandato para cinco ou seis anos.

A chance de uma virada de Lula está no Senado. Na quarta-feira, o plenário deve votar o fim da escala 6x1, uma proposta popular e que tem oposição dos bolsonaristas. A aprovação pode dar o fôlego para o presidente encostar nas pesquisas.

Boa leitura!

TT

Nesta edição:

1. Se vencer, Flávio chegará ao Planalto mais forte do que o pai

2. O ‘já ganhou’ do bolsonarismo

3. A aposta de Lula no fim da escala 6x1

4. O peso de Janja

5. Crítica ‘O Brasil da maioria’

6. Crítica ‘Política Sintética’

7. Fique atento


1. Se vencer, Flávio chegará ao Planalto mais forte do que o pai

Caso confirme o favoritismo no segundo turno, FlávioBolsonaro chegará ao Palácio do Planalto com mais força do que o seu pai, Jair, em 2019 e com o ambiente político mais amansado desde a vitória de Fernando Henrique Cardoso na euforia do Plano Real em 1994.

Compare as circunstâncias em que Flávio Bolsonaro pode chegar ao poder se vencer o segundo turno:

1. Legitimidade das urnas

A possível vitória de Flávio depois da derrota de Jair Bolsonaro em 2022, seu julgamento e condenação por tentativa de golpe de Estado, dará à família uma legitimidade popular similar à de Donald Trump no seu segundo governo. Ao contrário da imprevisibilidade e improvisação de 2018, os eleitores de Flávio Bolsonaro em 2026 sabem o que estão comprando. Ninguém poderá se dizer surpreendido.

2. Base no Congresso

Com 28 senadores e 121 deputados, o PL é o maior partido do Congresso neste século. Somados aos bolsonaristas do PP (6 senadores e 41 deputados), União Brasil (6 e 46), Republicanos (5 e 41), Podemos (2 e 9) e Novo (3 e 7), além da maioria do MDB (8 senadores e 36 deputados), um governo Bolsonaro poderá eleger os presidentes das duas Casas, aprovar projetos e, dependendo do tema, mudar a Constituição. Jair Bolsonaro nunca teve uma situação tão confortável.

O fato de os partidos do Centrão não terem apoiado Bolsonaro desde o início vai diminuir seu espaço no eventual governo. Ao contrário do que aconteceu no governo de Jair Bolsonaro, agora é o PL que vai delimitar o poder do Centrão na disputa por cargos.

3. Fragilidade do STF

Base da resistência a Jair Bolsonaro, o STF será a grande vítima da volta da família ao poder. Se Alexandre de Moraes não renunciar, sofrerá impeachment pelo novo Senado.

O projeto de reforma judicial vai propor transferir a competência criminal do STF para os Tribunais Regionais Federais e para o Superior Tribunal de Justiça, transformando a Corte num órgão constitucional. A mudança retira do STF quase todos os inquéritos envolvendo políticos, inclusive as investigações sobre desvios de verbas das emendas parlamentares, hoje nas mãos do ministro Flávio Dino.

4. Lua de mel do mercado

Por mais genéricas que sejam as promessas de reforma da equipe econômica, os investidores acreditam num pote de ouro ao fim do arco-íris.

Em apenas um dia, na segunda-feira (5), os investidores estrangeiros ingressaram com US$ 10 bilhões na Bolsa de Valores. De acordo com analistas, o efeito imediato de uma vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno será uma alta contínua na Bolsa, desvalorização do dólar e uma baixa nos juros futuros.

Se os projetos do eventual governo Bolsonaro 2 forem frágeis como aparentam ser, a euforia pode ser apenas uma bolha. Mas o otimismo do mercado assegura ao eventual novo governo uma lua de mel de mais de três meses.

5. A oposição sem rumo

Em 2018, mesmo depois do impeachment de Dilma Rousseff, a operação Lava-Jato e a prisão de Lula, a esquerda tinha um norte: a volta de Lula. Mas, se o bolsonarismo vencer no final do mês, a esquerda ficará sem perspectiva de poder. Lula está velho demais e não preparou sua sucessão. A esquerda terá que construir um novo candidato a partir da derrota.

O lulismo tem menos de 120 deputados e 20 senadores, insuficientes até para bancar uma CPI.

No caso de derrota, sem um candidato natural e com as previsíveis divisões, a esquerda estará frágil para resistir a um governo que começará forte.

A questão, portanto, é: o que Flávio Bolsonaro pretende fazer com circunstâncias tão favoráveis? Com maioria para comandar Senado e Câmara, ele elencou ao longo da campanha as seguintes prioridades:

Libertar seu pai e anular o julgamento do golpe de Estado;

Anular a condenação ao irmão Eduardo;

Reformar o Judiciário, reduzindo o poder do STF;

Reduzir a maioridade penal para 16 anos e, em alguns casos, 14 anos;

Adiar a implantação da Reforma Tributária, prevista para entrar em vigor em janeiro;

Flexibilizar o licenciamento ambiental e diminuir os poderes do Ibama;

Ampliar o próprio mandato para cinco ou seis anos, cancelando as eleições de 2030.

Jair Bolsonaro chegou ao Planalto repartindo poderes com seu mentor econômico, Paulo Guedes, uma dúzia de generais reformados e sob desconfiança do establishment político. Ao longo do mandato, ele enquadrou os militares, entrou em acordo com o Centrão e encolheu a agenda Guedes.

Flávio Bolsonaro chega a outubro de 2026 comendo um saco de sal com um grupo mínimo de pessoas fiéis: o pai, o irmão Eduardo, o coordenador de campanha Rogério Marinho, a porta-voz de economia Daniella Marques, o marqueteiro Duda Lima e o jornalista Fábio Portella — os únicos que estiveram com ele nos momentos difíceis. Ele não deve nada ao mercado financeiro e ao empresariado, que duvidaram de suas chances, e ao Centrão, que o abandonou e agora corre para agradá-lo.

Com poucas dívidas e com condições objetivas de poder mudar a Constituição, Flávio Bolsonaro tem sido evasivo sobre reformas econômicas. A sua agenda econômica segue uma parolagem de “cortar desperdícios”, reduzir o número de ministérios e vender ativos da União — medidas que não fazem cócegas no crescimento da dívida pública.

Com quase 40 senadores eleitos apenas com a promessa de impichar o ministro do STF Alexandre de Moraes, o Senado não terá tempo nem disposição para debater outra pauta no primeiro semestre do ano que vem. O encolhimento dos poderes do Supremo é a prioridade zero da volta do bolsonarismo. 

A economia a gente vê depois.

 

Uma nova vergonha à espreita? - Paulo Roberto de Almeida

Uma nova vergonha à espreita?

Paulo Roberto de Almeida

Uma coisa que me envergonhou profundamente e da qual, como diplomata, jamais esquecerei, foi que, no dia 1o de janeiro de 2019, posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República, depois de seu discurso (lamentável), o representante do presidente Trump 1, o Secretário de Estado Mike Pompeo sugeriu ao patético chanceler acidental a instalação de bases militares americanas no Brasil. O fanático olavista aceitou imediatamente, mas os ministros militares presentes ao evento de pronto rechaçaram liminarmente a indecorosa proposta aceita pelo submisso chanceler.

Em janeiro de 2027, se por alguma desgraça o Bolsonarinho miliciano for empossado, ele proclamará, de moto próprio, sem qualquer solicitação de Trump 2, a adesão do Brasil ao projeto imperial do “Escudo das Américas”, colocando o Brasil  a serviço do “imperador hemisférico”, de modo totalmente voluntário e submisso.

Poderá ser uma nova vergonha para a nação, para mim como diplomata em especial.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 12/10/2026


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