quinta-feira, 5 de novembro de 2026

O Brasil ainda fará parte das dez maiores economias em 2040 - Visual Capitalist

Visual Capitalist, November 5, 2026 

https://www.visualcapitalist.com/world-economy-2040/?mc_cid=6e7a92dfa8&mc_eid=72fdbad79d  

The table below lists each economy’s projected nominal GDP in 2040, in billions of U.S. dollars, and its projected share of the global economy:

Rank
Country / Economy
2040 GDP Proj. ($B)
Share of Global GDP (%)
1🇺🇸 United States52,85223.3
2🇨🇳 China47,87721.1
3🇮🇳 India14,0926.2
4🇩🇪 Germany7,7833.4
5🇬🇧 United Kingdom6,7843.0
6🇯🇵 Japan5,9222.6
7🇫🇷 France5,2032.3
8🇮🇩 Indonesia4,1821.8
9🇧🇷 Brazil3,9431.7
10🇨🇦 Canada3,8181.7
11🇮🇹 Italy3,7711.7
12🇪🇸 Spain3,3731.5
13🇰🇷 South Korea3,2971.5
14🇦🇺 Australia3,2891.4
15🇲🇽 Mexico3,2681.4
16🇷🇺 Russia3,2471.4
17🇸🇦 Saudi Arabia2,8901.3
18🇳🇱 Netherlands2,1420.9
19🇹🇷 Türkiye2,0530.9
20🇦🇷 Argentina2,0090.9

 

This graphic shows projected GDP across 190 economies in 2040, using the World Economic League Table 2026 produced by the Centre for Economics and Business Research (Cebr). Figures measure annual output in current U.S. dollars and are not adjusted for inflation.

China to Close In on U.S. GDP by 2040

In Cebr’s estimates for 2026, the U.S. economy accounts for about 26% of global GDP at $31.6 trillion, while China accounts for 17% at $20.9 trillion.

By 2040, the gap between the world’s two largest economies is projected to narrow to approximately $5 trillion, compared with $10.7 trillion in 2026. The U.S. would remain in first place at $52.9 trillion, followed by China at $47.9 trillion.

China’s share of global GDP is projected to rise to 21%, while America’s falls to 23%. According to IMF data, China already ranks as the world’s largest economy by purchasing power parity in 2026, which accounts for differences in local prices.

China’s gains are part of a broader economic shift toward Asia, whose share of global GDP is projected to rise from about 32% in 2026 to 39% by 2040.

Europe’s share is projected to fall from 26% to 21% over the same period, while North America’s declines from 30% to 27%.

While the U.S. is projected to remain the largest individual economy, growth in China, India, and Indonesia would give Asia a larger role in shaping global demand and investment.

India and Indonesia Climb the Global Economic Rankings

India is projected to rise from fourth in 2026 to third in 2040. Its economy would more than triple from $4.5 trillion to $14.1 trillion over that period, exceeding the projected combined output of Germany ($7.8 trillion) and Japan ($5.9 trillion).

 

Cebr points to manufacturers diversifying supply chains away from China as an opportunity for India, citing Apple’s expansion of production there as an example.

Germany and Japan also lose ground in the rankings, slipping from third to fourth and fifth to sixth, respectively, by 2040. Both economies are projected to grow, but India overtakes Germany while the U.K. overtakes Japan.

Indonesia makes an even larger jump, moving from 17th to eighth. Its projected $4.2 trillion economy in 2040 would overtake Italy’s $3.8 trillion, pushing Italy out of the top 10.

Bolsonarinho conta mentiras ao New York Times e é desmentido na própria reportagem do jornal

 Copio da página no Facebook de Carmen Lícia Palazzo: 

Que maravilha!!! O ignorante achou que o NYT engoliria todas as suas mentiras?
Flávio Bolsonaro concedeu 75 minutos de entrevista à jornalista Ana Ionova, em Miami. Os bolsonaristas anunciaram um grande trunfo. Mas o senador flopou. O jornal não se limitou a ouvi-lo. Confrontou suas declarações com evidências.
1. A FUGA
Flávio: “Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo.”
NYT: segundo autoridades americanas, um funcionário da Casa Branca providenciou o jato que o levou a Miami, e Trump autorizou pessoalmente sua entrada.
Flávio: “Como cheguei aqui, vou levar isso comigo para o túmulo.”
2. OS IRMÃOS FORAGIDOS
O jornal usa o verbo fugir para descrever a saída de Flávio e também a de Eduardo Bolsonaro do Brasil. Registra, porém, que Flávio ainda não havia sido formalmente acusado de crime.
3. A FRAUDE ELEITORAL
Flávio: a vitória de Lula foi “matematicamente impossível”.
NYT: ele não apresentou provas. Seu próprio partido reconheceu o resultado, e observadores internacionais atestaram a integridade da eleição.
4. A MATEMÁTICA
Flávio acusa a prorrogação da votação de favorecer Lula.
NYT: ambos os candidatos solicitaram a medida. A prorrogação envolveu cerca de 34 mil votos. Lula venceu por 4,4 milhões!
5. A DERROTA
Flávio: “Perdi para o sistema.”
NYT: não foram encontradas evidências de fraude que sustentassem sua contestação.
6. A PERSEGUIÇÃO
Flávio: “Já sei que o desfecho será a minha prisão.”
NYT: contextualiza a declaração com as investigações em andamento e a ordem de entrega dos passaportes.
7. A POLÍTICA A DISTÂNCIA
Flávio pretende continuar influenciando o Brasil dos Estados Unidos, mas evitou responder se pediria novas pressões de Trump contra o país.
E AQUI VAI MINHA REFLEXÃO.
Como historiadora, aprendi que personagens políticos podem contar a história que quiserem sobre si mesmos. Mas suas narrativas precisam resistir ao confronto com os documentos.
O jornalismo também tem essa obrigação: não apenas ouvir, mas investigar, contextualizar e confrontar.
A história pode ser disputada. Mas os fatos não podem ser simplesmente inventados. Vergonha alheia é como chama?
Fonte: The New York Times, Ana Ionova, 5/11/2026. 
 
Comentário de Vera do Val Galante: 

Eu li a reportagem! Será que eles pensam que todo mundo é burro? Que ninguém vai checar as mentiras? O que ele fala é um insulto à inteligência.
 

 

Europe must weigh rising Ukraine costs against higher price of Russian victory - Peter Dickinson (The Atlantic Council)

 Ukraine Alert

Europe must weigh rising Ukraine costs against higher price of Russian victory

By Peter Dickinson

The Atlantic Council, November 3, 2026

Europe must weigh rising Ukraine costs against higher price of Russian victory

Russia’s intensifying bombing campaign is forcing Ukraine to seek tens of billions of dollars in additional funding to keep the country’s wartime economy afloat in 2027. This is creating political headaches for Kyiv’s European partners at a time when many are already facing mounting domestic financial pressures of their own. As Europe debates whether it can afford to continue bankrolling the Ukrainian war effort, the real question is whether it can afford not to.

Ukraine has relied on international financial support since the onset of Russia’s full-scale invasion nearly five years ago. According to a new Bloomberg report published on Monday, this dependency is now deepening as Russian air attacks devastate the Ukrainian economy. “Although imminent economic collapse is unlikely, sustaining the war through 2027 will increasingly depend on timely, reliable, and adequate flows of Western financing,” Bloomberg analysts concluded.

This bleak assessment comes as no surprise. In recent months, Russia has dramatically escalated airstrikes against economic targets across Ukraine as Vladimir Putin seeks to break the deadlock in his faltering invasion. Russia’s bombardment has led to the closure of Ukraine’s Black Sea ports, the shutdown of entire industries, and massive disruption throughout the economy. As businesses count the cost, the National Bank of Ukraine has downgraded its outlook for 2026 and now expects Ukrainian GDP to shrink by 0.4 percent, the first annual decline since the sharp drop that accompanied the start of the full-scale invasion.

Ukrainian President Volodymyr Zelenskyy is sounding the alarm and calling on Kyiv’s European allies to dig deeper. At a recent summit of EU leaders, he stated that Ukraine will need almost $80 billion in additional funding next year in order to cover defense spending and ensure national resilience. The race is now on to find this money, with EU leaders looking to non-member states including Japan, Norway, Switzerland, Canada, and Britain to step up their contributions.

The prospect of increased spending on Ukraine’s defense has raised eyebrows in some European capitals amid concerns that populist parties may seek to exploit the issue during upcoming elections. However, the alternative is even more ominous. If Russia succeeds in overrunning an underfunded and exhausted Ukraine, the consequences for Europe will be catastrophic and the price tag of containing the Kremlin will dwarf the current cost of supporting Kyiv.


A destruição da política externa e da diplomacia brasileira sob o bolsonarismo (2019-2022) - Paulo Roberto de Almeida (Mundorama)

 

Análise internacional, política externa e questões globais
Centro de Estudos Globais · Universidade de Brasília



Resumo: Avaliação da “revolução cultural” registrada no Itamaraty sob a presidência de Jair Bolsonaro, em especial no período correspondente à ação deletéria do primeiro chanceler, de janeiro de 2019 a março de 2021. São repassadas as principais ocorrências dessa fase, com uma diminuição notável da credibilidade internacional da diplomacia brasileira.

Entre 2019 e 2022, a política externa e a diplomacia do Brasil passaram pelo mais inacreditável período de uma história bissecular. O governo de Jair Bolsonaro caracterizou-se pela submissão externa não apenas ao poderoso império americano, mas ao seu mandatário em primeiro mandato, Donald Trump. Bolsonaro e seu patético primeiro chanceler submeteram a política externa aos desejos do bizarro dirigente americano (no decorrer dos anos 2019-2020), envergonharam a diplomacia, ao colocá-la no compasso do antiglobalismo da “franja lunática” da extrema-direita americana, além de desonrar qualquer noção de soberania nacional ao alinhar o Brasil aos interesses, não exatamente da grande potência hemisférica, mas do desequilibrado mandatário.

Após ser eleito em outubro de 2018, Bolsonaro anunciou que escolheria um diplomata experiente, que conduziria uma política externa “sem ideologia”. O escolhido representou o exato contrário do pretendido. No dia seguinte, ao tomar posse no Itamaraty, o chanceler do bolsonarismo repetiu os mesmos preconceitos já conhecidos por meio de seu blog clandestino, “Metapolítica 17: contra o globalismo”, e acrescentou novas invectivas contra os inimigos do bolsolavismo: o marxismo cultural, o globalismo, o climatismo e outros ismos típicos da paranoia da bizarra tribo. 

O chanceler ofendeu diplomatas e negociadores econômicos: “Os acordos comerciais que o Brasil acertou no passado ou que ainda está discutindo”, disse ele, “partem de um princípio de submissão. Devemos negociar a partir de uma posição de força”. Ironicamente, ele sempre pregou uma aliança estreita, não com os Estados Unidos, mas com o governo Trump, inclusive naquilo que ele tinha de mais nocivo para o Brasil: protecionismo e medidas de expulsão de imigrantes ilegais.

Independentemente de sua maior ou menor adesão às estranhas “teses” do antiglobalismo, do antimultilateralismo e de um pró-americanismo extremado, o que pode ser dito do “chanceler acidental” foi o fato dele se mostrar submisso a seus dois chefes informais, o segundo filho de Bolsonaro – ironicamente chamado pelo vice-presidente Mourão de “Bananinha 03”– e o assessor especial de assuntos internacionais, Filipe Martins, vulgo “Robespirralho”. O Bananinha 03, desprovido de qualquer cultura diplomática, chegou até a ser coogitado para ser embaixador em Washington, intenção sabotado pelo Senado. Foi do Senado que também partiu a “despedida” do chanceler acidental, ao ter este entrado em conflito com uma senadora do agronegócio a propósito do comércio com a China. O Itamaraty respirou aliviado quando ele foi demitido em março de 2021.

Mais até que no âmbito das políticas nacionais, foi na política externa e na diplomacia que se manifestou a mais espetacular inversão de tendências da história política do Brasil. A partir da nova doutrina eram expedidas instruções aos representantes nos principais órgãos do multilateralismo diplomático para se opor às agendas “progressistas”, geralmente em relação a temas morais e de gênero. Elas tinham de estar em acordo com as “teses” da direita trumpista americana.

A “revolução cultural” nos assuntos da política externa continuou durante os dois anos e dois meses durante os quais o chanceler acidental dirigiu a agenda diplomática do país, cujo programa essencial era o de “libertar o Itamaraty do marxismo cultural”. O que se prometia, desde a alta cúpula era uma “política externa sem ideologia”. Também se prometia um comércio exterior sem ideologia, uma luta implacável contra o tal de globalismo, uma espécie de monstro metafísico que estaria atacando nossa soberania e reduzindo o Brasil a um estado de prostração ante poderosas forças, unindo bilionários a marxistas e a outros elementos suspeitos. O chanceler falava abertamente de uma luta contra o “comercialismo”, contra um estranho “climatismo”, contra o multilateralismo, já suspeito, contra o marxismo cultural, a ideologia do gênero, e outras invectivas desse naipe. 

Outra revolução na política externa foi uma adesão irrefletida do chanceler acidental ao aventureirismo eleitoral “trumpista”, no caso um projeto de invasão da Venezuela chavista, ou seja, uma intervenção nos assuntos internos de outro Estado, em total contrariedade não só com a Constituição de 1988 (artigo 4º), como também com princípios consagrados do direito internacional.

Dois “triunfos” diplomáticos foram pomposamente saudados pelo governo Bolsonaro nos primeiros meses de sua gestão: o apoio do governo Trump ao ingresso do Brasil na OCDE, e a conclusão do acordo de liberalização comercial entre o Mercosul e a União Europeia, apresentados como realizações prometedoras de um novo papel para o Brasil no cenário internacional. Ambos se revelaram de fugaz sustentação, e de fato se traduziram, concretamente, em impasses que se prolongaram pelo resto do seu mandato.

As decepções, e mesmo derrotas, eram previsíveis: conduzida por amadores da própria família presidencial e por assessores medíocres, sem quaisquer credenciais nessa área especializada, a diplomacia “terraplanista” deu errado em toda a linha, por ignorância e despreparo dos titulares. Em primeiro lugar, a servidão voluntária, demonstrada, não em relação a um país, os EUA, mas a um dirigente. Segundo, foi a grosseria demonstrada pelo titular principal no tratamento da questão das queimadas amazônicas, o que implodiu imediatamente a implementação do acordo UE-Mercosul laboriosamente construído pela equipe econômica (com a participação marginal do Itamaraty) e assinado provisoriamente em junho de 2019, mas sem chances de aprovação pela parte europeia na vigência do governo Bolsonaro. Em terceiro lugar, o rompimento virtual de relações pessoais com o futuro presidente argentino (peronista), ainda durante a campanha eleitoral, causando danos irreparáveis nas relações entre os dois grandes vizinhos platinos e sócios no Mercosul, em virtude de agressões verbais por parte do presidente, jamais controlado pelo seu chanceler. 

O desastre maior se deu na relação bilateral com a Argentina, atingindo também o Mercosul, em função da agressividade inusitada demonstrada pelo presidente em face do retorno dos peronistas ao poder. A total falta de diplomacia de Bolsonaro, assim como de seu chanceler, resultou na destruição de pontes na mais relevante das relações bilaterais, alimentando uma birra unilateral que resultou em aberta cizânia bilateral, com efeitos duradouros pelo resto do governo. 

Os equívocos de concepção e os erros de implementação decorriam de fatores ideológicos bizarros para os padrões tradicionais da diplomacia brasileira, geralmente conduzida, nos padrões históricos anteriores, de modo profissional, em bases sumamente técnicas e dotadas de certo equilíbrio de posturas que sempre preservaram o caráter não partidário na defesa dos grandes interesses nacionais, exatamente o contrário do que se assistiu na formulação e execução da política externa sob o bolsonarismo.

O labirinto sombrio da diplomacia bolsonarista foi constituído por cinco dogmas principais, que estiveram na base da “diplomacia bolsonarista”. Quaisquer que sejam suas denominações, cabe resumir aqui as características desses dogmas que ataram a diplomacia profissional em grilhões tão fortes quanto aqueles que prendiam Prometeu à sua rocha:

Recusa do multilateralismo: esta postura era explícita; ela foi dezenas de vezes anunciada como sendo compatível com o novo “nacionalismo soberano” defendido pelo governo, embora nunca tenha sido explicitada de forma coerente. Não se consegue descobrir qualquer motivo racional para a adoção de tal postura, uma vez que ela se confundia com a denúncia irracional desse monstro metafísico chamado de globalismo; essa ameaça imaginária era confrontada pela luta insana sob a bandeira do antiglobalismo.

Abandono da formulação autônoma da política externa brasileira: não apenas não se teve, nunca houve, qualquer apresentação abrangente dos fundamentos conceituais e das prioridades operacionais da política externa e da diplomacia brasileira, mas o que ocorria, de fato, era uma submissão automática às grandes linhas da política e da diplomacia do governo Trump, inclusive na convergência absurda e indecente com as medidas agressivas que ele adotou nas questões migratórias de maneira geral, como em especial no caso da expulsão de imigrantes brasileiros dos Estados Unidos. Se supõe que tal submissão deveria ser inaceitável para qualquer patriota, sobretudo para os militares, que já tinham ficado indignados com a aceitação pelo chanceler – no primeiro dia do governo – da ideia de uma base americana no Brasil, proposta imediatamente rechaçada por eles.

Relativização da noção de interesse nacional, em nome de uma suposta luta contra o “marxismo cultural” e o “comunismo internacional”, que seriam as duas grandes ameaças à soberania brasileira, no continente identificado com o “Foro de São Paulo”. Esse tipo de espantalho já estava quase saindo de moda, inclusive nos cursos da ESG e nos das escolas de comando das três forças singulares, mas de repente voltou a se tornar presente nos discursos de chanceler, que até inventou um ridículo “comunavírus” para sustentar sua paranoia. 

Substituição da diplomacia profissional, que sempre atuou em bases técnicas, pelos preconceitos de amadores ignorantes, que estiveram na origem de algumas das piores notas emitidas em nome do Itamaraty, descartando a histórica fundamentação no Direito Internacional, e nas resoluções da ONU, em favor do apoio às medidas eleitoreiras do governo Trump – casos da Venezuela, do assassinato do general iraniano Suleimani no Iraque, do “plano de paz” de Trump para a Palestina e vários outros –, assim como da contínua rejeição do multilateralismo.

Desprezo total pelos princípios constitucionais das relações internacionais do Brasil, o que foi revelado num “manifesto dos [antigos] chanceleres” (publicado em todos os grandes jornais do Brasil, em 8 de maio de 2020), denunciando o “distanciamento ideológico” dos fundamentos históricos da política externa e o “achatamento” completo da diplomacia profissional, que sempre atuou com base nesses princípios. 

Tais posturas do governo bolsonarista na frente externa evidenciaram, de modo claro, que a política externa e a diplomacia brasileira tinham perdido qualquer critério racional em seu processo decisório, guiando-se unicamente pelos preconceitos ideológicos do pequeno grupo do poder, e que requeriam submissão total do chanceler acidental a seus propósitos políticos contraditórios. 

Em síntese, o governo Bolsonaro representou um fracasso da diplomacia e da política externa, mas também nas áreas ambiental e de direitos humanos. A continuidade da polarização política interna, com as incertezas decorrentes do fortalecimento de posições antagônicas, ainda representa um fator de risco para a reassunção dos padrões tradicionais no âmbito da diplomacia profissional e para a reafirmação da consistência conceitual e operacional da política externa.

Sobre o autor

Paulo Roberto de Almeida: Doutor em Ciências Sociais e diplomata aposentado.

Mundorama - Revista de Divulgação Científica em Relações Internacionais
Uma publicação do Centro de Estudos Globais da Universidade de Brasília

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