quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

1330) Sem narcisismo, apenas registrando: um "catalogo" de meus trabalhos...

Por surpresa, sem ter verdadeiramente dado um comendo de busca, mas cruzando com o Google reader, acabei descobrindo um blog que cataloga trabalhos sob os nomes de seus autores. Foi pelo menos o que eu entendi. Trata-se de um instrumento de busca, mas que seleciona apenas posts em blogs (não verifiquei todas as entradas sob meu nome):

http://www.blogcatalog.com/topic/paulo+roberto+de+almeida/: 554 items found

Bem, acho que estão faltando alguns, mas não está mal para começar (aliás, não pretendo começar a reler meus próprios trabalhos...)

Paulo Roberto de Almeida (11.02.2010)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

1329) Os desafios de nosso mundo pos-crise - Martin Wolf

Apesar de tê-lo downloadado (ugh!) para o meu computador desde o começo do ano, apenas esta noite, ao passear em torno de 22hs em volta de duas quadras de Brasilia meu companheiro de promenades philosophiques -- um simpatico e compreensivo Yorshire que responde pelo nome de Yury, e que até mereceu um blog só dele: Promenades avec mon maître -- pude ouvir, como sempre faço nesses passeios, em meu iPod, um ensaio do jornalista econômico do Financial Times Martin Wolf, intitulado:

The challenges of managing our post crisis world (December 29, 2009)

Esse ensaio, em forma de balanço, trata basicamente do que diz o seu título, ou seja, adequar e acomodar os desequilíbrios e desafios de um mundo caracterizado por superávitários de um lado, e "deficitários" de outro. A situação, em grande medida, inverteu-se. Os EUA eram o superavitário estrutural no final da Segunda Guerra, e financiaram generosamente os desequilíbrios europeus e de quase todo o resto do mundo. Eles foram, sim, generosos, a despeito de que muitos acreditam que eles fizeram tudo aquilo em seu benefício próprio, defendendo seus interesses nacionais, ao preservar o capitalismo e a "democracia burguesa".
Pode até ser, mas os que dizem isso -- a menos que sejam de absoluta má-fé -- sabem, com absoluta certeza certeira (com perdão pela redundância), que a alternativa à disposição -- aliás, a única outra, posto que o fascismo já tinha sido tentado e deu no que deu -- nos conduziria a um mundo bem pior, no mínimo catastrófico economicamente, e provavelmente muito mais mortífero em termos humanos e sociais. Não deve haver nenhuma dúvida quanto a isso, posto que o comunismo acumulou um balanço de várias dezenas de milhões de mortos, provavelmente mais de uma centena, bem mais do que o fascismo conseguiu fazer, com guerra, holocausto e tudo.
Em todo caso, os EUA são hoje sustentados pelos excedentários asiáticos, a começar pela China, que aliás faz isso de modo não generoso; ao contrário, de maneira totalmente egoista, posto que do contrário, ela não conseguiria exportar e ter renda de seus saldos comerciais e de transações correntes com os EUA e outros países.

Bem, mas não era disso que eu queria falar, e sim do ensaio do Martin Wolf, que antes de debruçar-se sobre as agruras do ajuste econômico - fiscal, monetário, comercial -- começa tratando de memórias familiares, ao falar de seu pai, exilado austríaco, que atravessou a Primeira Guerra, as crises do entre guerras, a ameaça nazista sobre seu país e o exílio na Inglaterra (o que o salvou, ao contrário do resto da família, de perecer no morticínio nazista).

Martin Wolf conta que uma das lições mais preciosas que aprendeu de seu pai está resumida nesta frase:

Civilization is as fragile as a glass. (A civilização é tão frágil quanto vidro)

no que papai Wolf tem inteiramente razão, em vista de tantos ditadores (felizmente agora em número relativamente reduzido) que causaram tantas maldades no "breve" século 20 que foi o a idade das ideologias.

Aqui mesmo, neste cantinho de planeta, um bando de aloprados ainda pensa em implantar um regime diretamente saído das catacumbas da história, não mais por uma revolução de estilo bolchevique -- embora existam ainda alguns malucos neobolcheviques que pensam que estão em Petrogrado em 1917 -- mas pela maneira "gramsciana", aprovando planos inocentes de "direitos (des)humanos". Enfim, mas não é disso que trata e sim de suas "memórias sentimentais" (a tragédia austríaca, e européia de meados do século 20) e dos desafios econômicos deste início de século 21.

Não vou resumir aqui suas recomendações quanto ao segundo aspecto, a crise e as maneiras de administrar a saída dela, tanto porque não concordo com todas as suas recomendações -- sobretudo a de que era preciso salvar o sistema de uma morte fatal -- mas simplesmente remeter todos os interessados à leitura desse belo texto, ou melhor, à escuta desse cativante mp3.

Neste link.

Mais podcasts de Martin Wolf, aqui.

PS.: Antes que algum espertinho me pergunte porque eu não concordo com Martin Wolf, eu diria, rapidamente, o seguinte.
Não acredito que um sistema econômico enfrente a morte, a menos de ser "salvo" pelos intervencionistas keynesianos que depois vão pretender ser mais espertos do que os mercados "livres". O que os interevencionistas fazem é salvar o dinheiro de alguns especuladores com os recursos de todos os cidadãos, que pagam assim as espertezas desses aventureiros. Deixar quebrar alguns bancos, o que compromete o dinheiro de um número menor de pessoas pode ser uma solução aceitável, pois tende a restabelecer o equilíbrio do sistema de maneira mais rápida do que essas intervenções estatais.

Paulo Roberto de Almeida (10.02.2010)

1328) Um general que vai provavelmente vestir o pijama...

...não sem antes falar as suas verdades:

A COMISSÃO DA "VERDADE?"?

General-de-Exército Maynard Marques de Santa Rosa
Chefe do Departamento-Geral do Pessoal
26 de janeiro de 2010

A verdade é o apanágio do pensamento, o ideal da filosofia, a base fundamental da ciência. Absoluta, transcende opiniões e consensos, e não admite incertezas.
A busca do conhecimento verdadeiro é o objetivo do método científico. No memorável "Discurso sobre o Método", René Descartes, pai do racionalismo francês, alertou sobre as ameaças à isenção dos julgamentos, ao afirmar que "a precipitação e a prevenção são os maiores inimigos da verdade".
A opinião ideológica é antes de tudo dogmática, por vício de origem. Por isso, as mentes ideológicas tendem naturalmente ao fanatismo. Estudando o assunto, o filósofo Friedrich Nietszche concluiu que "as opiniões são mais perigosas para a verdade do que as mentiras".
Confiar a fanáticos a busca da verdade é o mesmo que entregar o galinheiro aos cuidados da raposa.
A História da inquisição espanhola espelha o perigo do poder concedido a fanáticos. Quando os sicários de Tomás de Torquemada viram-se livres para investigar a vida alheia, a sanha persecutória conseguiu flagelar trinta mil vítimas por ano no reino da Espanha.
A "Comissão da Verdade" de que trata o Decreto de 13 de janeiro de 2010, certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos, como meio de combate ao regime, para alcançar o poder.
Infensa à isenção necessária ao trato de assunto tão sensível, será uma fonte de desarmonia a revolver e ativar a cinza das paixões que a lei da anistia sepultou.
Portanto, essa excêntrica comissão, incapaz por origem de encontrar a verdade, será, no máximo, uma "Comissão da Calúnia".

1327) Petrobras: pequena remuneracao dos conselheiros

Sim, já sei: vou receber um monte de mensagens anónimas, talvez de algum conselheiro, me ofendendo e desmentindo a ata e os pagamentos de marajá...
Posto mesmo assim:

ATA DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. -
PETROBRAS, REALIZADA EM 8 DE ABRIL DE 2009

(Lavrada sob a forma de sumário, conforme facultado pelo parágrafo primeiro do artigo 130 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976).

DIA, HORA E LOCAL:

Assembleia realizada às 15 horas do dia 8 de abril de 2009, na sede social, na cidade do Rio de Janeiro, RJ, na Avenida República do Chile, no 65.

Item IV: Foram reeleitos como membros do Conselho de Administração da Companhia , na forma do voto da União, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, a Senhora Dilma Vana Rousseff , brasileira, natural da cidade de Belo Horizonte (MG), divorciada, economista, com domicílio na Casa Civil da Presidência da República - Praça dos Três Poderes - Palácio do Planalto - 4º andar - salas 57 e 58, Brasília (DF), CEP: 70150-900, portadora da carteira de identidade nº 9017158222, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul - SSP/RS, e do CIC/CPF nº 133267246-91 e os Senhores Guido Mantega , brasileiro, natural de Gênova, Itália, casado, economista, com domicílio no Ministério da Fazenda - Esplanada dos Ministérios - Bloco P - 5º andar - Brasília (DF), CEP: 70048-900, portador da carteira de identidade nº 4135647-0, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo - SSP/SP, e do CIC/CPF nº 676840768-68; Silas Rondeau Cavalcante Silva, brasileiro, natural da cidade de Barra da Corda (MA), casado , engenheiro, com domicílio na S..A.U.S. - quadra 3 – lote 2 - Bloco C – Ed. Business Point - salas 308/309, Brasília (DF), CEP: 70070-934, portador da carteira de identidade nº 2040478, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Pernambuco - SSP/PE, e do CIC/CPF nº 044.004.963-68; José Sergio Gabrielli de Azevedo, brasileiro, natural da cidade de Salvador (BA), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chile, 65, 23º andar - Rio de Janeiro (RJ), CEP: 20031-912, portador da carteira de identidade nº 00693342-42, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia - SSP/BA, e do CIC/CPF nº 042750395-72; Francisco Roberto de Albuquerque , brasileiro, natural da cidade de São Paulo, casado, General de Exército Reformado, com domicílio na Alameda Carolina nº 594, Itu (SP), CEP: 13306-410, portador da carteira de identidade nº 022954940-7, expedida pelo Ministério do Exército e do CIC/CPF nº 351786808-63; e Luciano Galvão Coutinho , brasileiro, natural da cidade de Recife (PE), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chil e nº 100, 19º andar, Rio de Janeiro (RJ), CEP 20031-917, portador da carteira de identidade nº 8925795, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo - SSP/SP, e do CIC/CPF nº 636831808-20.


Item VII: Pelo voto da maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União,

foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em R$8.266.600,00
(oito milhões, duzentos e sessenta e seis mil e seiscentos reais) , no período compreendido entre abril de 2009 e março de 2010, aí incluídos: honorários mensais, gratificação de férias, gratificação natalina (13º salário), participação nos lucros e resultados; passagens aéreas, previdência privada complementar, e auxílio moradia , nos termos do Decreto nº 3.255, de 19.11.1999, mantendo-se os honorários no mesmo valor nominal praticado no mês precedente à AGO de 2009, vedado expressamente o repasse aos respectivos honorários de quaisquer benefícios que, eventualmente, vierem a ser concedidos aos empregados da empresa, por ocasião da formalização do Acordo Coletivo de Trabalho – ACT na sua respectiva data-base de 2009;

Dá R$114.813,88 por mês para cada um!
Se "alguém" disser que é boato... acesse o link abaixo !

http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ATA_AGO_08abr09_port.pdf

1326) Racionamento energetico na Venezuela: aproveitando o know-how brasileiro

Interessante a notícia abaixo. O governo do PT, que está prestando assessoria a Chávez no racionamento energético, aproveita-se da experiência ganha pelos técnicos do setor com os planos emergenciais implementados no apagão brasileiro de 2001, acerbamente criticado pelos integrantes do PT.
O mundo dá muitas voltas, mas não deixa de ser irônico...
Paulo Roberto de Almeida

Chávez anuncia novo plano antiapagão
Empresas e cidadãos que gastarem mais energia serão multados
Reuters, Quarta-Feira, 10 de Fevereiro de 2010

CARACAS
Horas depois de declarar estado de emergência no setor elétrico, na segunda-feira, o governo venezuelano lançou um plano para economizar energia que inclui multas para grandes consumidores ou para quem gastar mais e incentivos para quem reduzir seu consumo. O novo plano é voltado tanto para consumidores residenciais quanto para empresas e indústrias.

Segundo o presidente Hugo Chávez, os lares que gastarem mais de 500 quilowatts por hora na média mensal serão considerados grandes consumidores e terão de cortar 10% do seu consumo sob pena de uma multa equivalente a 75% de sua conta de luz. Para todos aqueles que gastarem 10% a mais do que na última fatura, a multa será de 100% sobre o valor dos gastos atuais. E para os que consumirem 20% a mais, a tarifa extra será de 200%.

Por outro lado, as residências com um consumo abaixo dos 500 quilowatts por hora que conseguirem reduzir seu consumo de eletricidade entre 10% e 20% terão um desconto de 25% em sua conta de luz. Para os que cortarem mais de 20%, a redução será de 50%.

O Brasil também adotou um sistema de metas de redução de consumo energético, com incentivos e penalizações, após o apagão de 2001. Segundo um acordo fechado numa visita recente a Caracas do assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, técnicos brasileiros estão ajudando a Venezuela a buscar uma solução para a sua crise de energia.

Segundo Chávez, os setores comercial e industrial precisarão reduzir em 20% seu consumo de energia em relação a 2009. O estado de emergência permitirá a Caracas contratar empresas e comprar equipamentos de forma mais rápida, sem licitações, por 60 dias ? prorrogáveis por mais tempo.

RACIONAMENTO
Nos últimos meses, uma política de racionamento já vem deixando algumas regiões da Venezuela sem luz por até 8 horas diárias. Além disso, o governo venezuelano impôs uma redução no horário de funcionamento dos shopping centers. Segundo o presidente do instituto de pesquisas Datanálisis, Luis Vicente León, citado pelo jornal El Universal, de Caracas, essas medidas devem fazer o PIB venezuelano cair até 2% este ano.

Tal perspectiva é uma grande dor de cabeça para o governo a apenas sete meses das eleições legislativas, em que Chávez pretende manter a maioria da Assembleia Nacional para conseguir levar adiante as reformas legais necessárias para seu projeto socialista.

A crise energética é causada por uma seca prolongada, que reduziu o nível da reserva da represa de Guri, responsável por 70% da eletricidade consumida na Venezuela. Mas também há entre a população a percepção de que o governo não fez os investimentos necessários no setor energético e problemas de administração estariam agravando a crise.

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Addendum:

Venezuelanos recorrem a Deus contra crise energética
Plantão | Publicada em 10/02/2010 às 17h27m
Reuters
CARACAS - O racionamento fracassou. As chuvas ainda não vieram. Então, os funcionários do setor elétrico venezuelanos estão buscando ajuda divina para solucionar a crise energética do país.
A estatal Edelca convocou todos os seus funcionários para uma hora de orações na sexta-feira - o "Clamor a Deus pelo Setor Elétrico Nacional."
"Apoiamos estas convocações com a nossa presença, unidos no nosso compromisso de erguer nossa grande companhia", disse o presidente da Edelca, Igor Gavidia León, em nota a seus funcionários, sob uma citação bíblica dizendo que Deus ouve as preces dos humildes.
A Edelca, subsidiária da estatal energética Corpoelec, administra a enorme hidrelétrica de Guri, que já chegou a gerar quase metade da eletricidade venezuelana, mas há meses sofre com a baixa do seu reservatório.
A Venezuela tem tido apagões desde 2009, o que o presidente Hugo Chávez atribuiu à seca e à alta na demanda após cinco meses de crescimento. A oposição diz que o problema foi de falta de investimentos públicos nos 11 anos do atual governo.
Nesta semana, Chávez declarou "emergência energética" e assinou um decreto que oferece bons descontos a empresas e residências que reduzirem seu consumo, mas multa quem não cortar o uso de energia.

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Se Deus não ajudar, pode ser um indicio de que ele (ou Ele) não é socialista...
Paulo Roberto de Almeida

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