...não sem antes falar as suas verdades:
A COMISSÃO DA "VERDADE?"?
General-de-Exército Maynard Marques de Santa Rosa
Chefe do Departamento-Geral do Pessoal
26 de janeiro de 2010
A verdade é o apanágio do pensamento, o ideal da filosofia, a base fundamental da ciência. Absoluta, transcende opiniões e consensos, e não admite incertezas.
A busca do conhecimento verdadeiro é o objetivo do método científico. No memorável "Discurso sobre o Método", René Descartes, pai do racionalismo francês, alertou sobre as ameaças à isenção dos julgamentos, ao afirmar que "a precipitação e a prevenção são os maiores inimigos da verdade".
A opinião ideológica é antes de tudo dogmática, por vício de origem. Por isso, as mentes ideológicas tendem naturalmente ao fanatismo. Estudando o assunto, o filósofo Friedrich Nietszche concluiu que "as opiniões são mais perigosas para a verdade do que as mentiras".
Confiar a fanáticos a busca da verdade é o mesmo que entregar o galinheiro aos cuidados da raposa.
A História da inquisição espanhola espelha o perigo do poder concedido a fanáticos. Quando os sicários de Tomás de Torquemada viram-se livres para investigar a vida alheia, a sanha persecutória conseguiu flagelar trinta mil vítimas por ano no reino da Espanha.
A "Comissão da Verdade" de que trata o Decreto de 13 de janeiro de 2010, certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos, como meio de combate ao regime, para alcançar o poder.
Infensa à isenção necessária ao trato de assunto tão sensível, será uma fonte de desarmonia a revolver e ativar a cinza das paixões que a lei da anistia sepultou.
Portanto, essa excêntrica comissão, incapaz por origem de encontrar a verdade, será, no máximo, uma "Comissão da Calúnia".
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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2 comentários:
"Absoluta, transcende opiniões e consensos, e não admite incertezas.
A busca do conhecimento verdadeiro é o objetivo do método científico."
Hmmm...Dr. Paulo, não há contradição entre estas afirmações?
Abraço...
Max.
Meu caro Anônimo,
Não creio que haja contradição, mas confesso que acho o texto do general um pouco confuso, rebarbativo demais.
Essa coisa de verdade absoluta não se aplica muito em temas de filosofia, sobretudo de filosofia social, como é o caso aqui.
É um fato que a busca do conhecimento verdadeiro constitui o ponto central do método científico, o que se almeja (não sei se atinge absolutamente) através da pesquisa e da verificação empírica, com testes repetidos para eliminar qualquer dúvida a respeito dos resultados. Pode-se, ou não aceitar a metodologia popperiana da busca de falsificação da teoria, para tentar construir uma verdade parcial, limitada, eventualmente absoluta, em certos fenômenos físicos ou do mundo natural.
Mas isso não tem validade nenhuma para o mundo dos homens e das relações humanas.
O general, que falou certas verdades com frases rebuscadas e inutilmente complicadas, deveria ter dito algumas coisas muito simples: por exemplo, que esse bando de stalinistas saudosos querem impor a sua verdade à história do Brasil, que eles pretendem ser heróis de um "esforço" de libertação do país de uma ditadura militar (que é e era um fato), quando na verdade o que eles pretendiam (nós, pois eu também pertencia a esse bando de equivocados) era uma ditadura do proletariado, na verdade do partido, fuzilando burgueses e latifundiários, expulsando o imperialismo, enfim, aquele socialismo horroroso que existiu na URSS e na China e que resultou em milhões de mortos e sofrimentos indizíveis em centenas de milhões de pessoas.
Essa é a verdade que ele poderia ter dito, que os autores do PNFH3 são uns fraudadores da verdade histórica, um bando de mistificadores e mentirosos, apenas isso.
Paulo Roberto de Almeida
11.02.2010
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