Primeiro esta noticia, que retirei de uma newsletter política:
Direito do empregador
A Universidade Federal do Paraná abriu concurso e quem tirou o primeiro lugar foi um jornalista sem diploma. Como o edital exigia diploma, a Universidade não quis contratá-lo. E sua decisão foi confirmada pela Justiça. OK: o empregador tem direito de exigir títulos ou habilidades acima dos obrigatórios por lei. Pode pedir, por exemplo, um jornalista que fale ucraniano. Este colunista acha que, ao exigir diploma, a Universidade fez bobagem - até porque o melhor dos concorrentes não o tinha. Mas era seu direito fazer bobagem.
Só uma dúvida: se o edital exigia diploma, como admitiram no concurso um candidato que não o tinha?
Agora meu comentário (PRA):
Todo empregador, sobretudo os do setor privado, tem o direito de fazer bobagens, inclusive a de fazer concurso para recrutar pessoal sem sequer exigir qualquer tipo de diploma, inclusive o do curso primário (aliás, muita gente que o tem, talvez até o do curso médio, parece ser analfabeto funcional; eu já encontrei gente em Mestrado que não sabia escrever).
Acho que a decisão de não exigir qualquer diploma, sobretudo para essas profissões que não "matam" ninguém (como a de jornalista, onde basta saber escrever), é sábia, com perdão da contradição, posto que amplia muito a escolha.
De repente, sem esperar, se pode tropeçar com um gênio, sem qualquer diploma.
Eu, pessoalmente, acho que o Itamaraty deveria fazer assim: parar de se preocupar com diplomas e só recrutar que é muito bom, o que obviamente não depende de diploma.
Mas, acho que tem gente que não concorda comigo...
Paulo Roberto de Almeida (17.02.2010)
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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4 comentários:
Concordo plenamente com seus apontamentos, inclusive, lembro que existem funcionários do Itamaraty que não conseguimos nem entender como lá conseguiram chegar. Pela falta de iniciativa e tomada de decisões em setores burocráticos e simples.
Existem pessoas brilhantes que ainda em nível de graduação, se destacam por sua visão crítica, competência e discernimento da realidade de nosso país. Mas, isso ainda é pouco, existem pessoas que tem talento nato, isso independe de diplomas. Talento se nasce com ele. Bem lembrado sobre o mestrado. Tem pessoas que nem sabem escrever, aliás, nem sabem para quê serve o mestrado. Mas fazer o que em um país que exige diploma para tudo, apenas para burocratizar e mais nada. Bom seria se pudéssemos comprovar os livros que já lemos, aí sim talvez fosse um início... Só não exigem diploma para ser presidente da república...afinal de contas, o cargo é tão simples, então, para quê fazer tal exigência...
Meu caro Anônimo,
Essa coisa de diploma só pode se de país autoritário, que nega discernimento próprio e liberdades elementares a seus cidadãos.
Se eu acho que as escolas são uma porcaria, como são, eu devo ter o direito de escolher ser autodidata.
Se algum empregador privado quiser exigir diploma, que o faça (ainda que eu continue achando que a melhor coisa seria exigir apenas conhecimento e nao papeis), mas não creio que o Estado deveria discriminar entre os cidadãos apenas por causa de diploma formais.
Sou contra todas essas exigencias.
Eu concordo em gênero, número e grau com o senhor. Realmente, e os autodidatas onde ficam ?
Parabéns por sua coerência e continuo em minhas observações acadêmicas.
Juridicamente, as exigências só podem ser exigidas no momento da investidura no cargo. Por isso o procedimento da universidade foi o correto. Mas concordo que a exigência de papelada às vezes só serve pra cercear o talento.
PP.
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