Lula deve anunciar verba para Cuba, Haiti e El Salvador
LEONÊNCIO NOSSA
Agencia Estado, 19.02.2010
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai anunciar na próxima semana uma série de investimentos em Cuba, Haiti e El Salvador. Na visita que fará a Cuba, na quarta-feira, Lula deve anunciar o repasse de cerca de US$ 300 milhões para a modernização do Porto de Mariel, em Havana. Na ocasião, terá um encontro com o "amigo" Fidel Castro, segundo o porta-voz da presidência, Marcelo Baumbach.
"Será uma visita de conclusão de um ciclo. O encontro com o comandante Fidel é um encontro de um amigo que visita outro amigo para discutir assuntos da atualidade internacional", afirmou Baumbach. Segundo ele, ao longo dos dois mandatos, Lula repassou cerca de US$ 1 bilhão a Cuba, para modernização do porto, compra de alimentos, construção de rodovias e produção agrícola. A previsão é que até 2012 os investimentos do Brasil na ilha caribenha cheguem a US$ 1,2 bi.
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Como a competência constitucional para aprovar operações financeiras cabe ao Senado, imagina-se que os senhores senadores examinem esses empréstimos com cuidado, para ver como o Brasil compromete recursos públicos -- todos eles do Tesouro, diga-se de passagem -- com países que, imagina-se, pagarão seus débitos para com o Brasil, sem os calotes que tivemos do passado (no caso de Cuba, desde sempre).
Paulo Roberto de Almeida (20.02.2010)
No Haiti, onde estará na quinta-feira, Lula também anunciará a liberação de recursos, mas o valor ainda não foi definido. Na viagem, o presidente vai sobrevoar a capital Porto Príncipe, que foi devastada por um terremoto de 7,0 graus na escala Richter no dia 12 de janeiro. Ele fará também uma visita às tropas brasileiras e a um hospital da Força Aérea Brasileira (FAB).
Já em El Salvador, onde estará no dia seguinte, Lula anunciará um crédito de US$ 300 milhões para a renovação da frota de ônibus no país. Mas as viagens do presidente, neste último ano de mandato, não param por aí. Já no dia 1º de março, ele embarcará para Montevidéu, para a posse do presidente do Uruguai, José Mujica.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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3 comentários:
Minhas observações não são técnicas, mas sim são percepções de uma cidadã brasileira que, simplesmente, não consegue entender como um país com tantos problemas, não digo nem de ordem social, apenas, mas de ordem estrutural também, pode se dar a este luxo ?
Eu acho que esses recursos deveriam estar no âmago dessa "suposta" (desculpe-me o uso da palavra) busca pelo desenvolvimento econômico do Brasil. Eu realmente não concordo com este tipo de gasto público, pelo menos, não dentro desta monta.
Mas, infelizmente, essa busca doentia para aparecer no cenário internacional se apresenta como um dos fatores que impulsionam o governo brasileiro a tomar este tipo de diretriz. O que é lamentável ! Esses foram apenas alguns apontamentos de uma contribuinte, apenas isso.
Continuo em minhas observações acadêmicas...
Meu caro Anônimo,
Construir um "lider internacional" out of nothing custa caro, sobretudo quando a megalomania atinge, literalmente, todo o globo...
Paulo Roberto de Almeida
Indubitavelmente, estão a vilipendiar e dilapidar o erário com a anuência de pessoas - sem falar nos velhacos - que não só tem o coração mole, como os miolos também (como dizia Friedman). E o pior é que não podemos confiar no Senado Federal como anteparo a essas sandices. Creio que a falta de um sistema partidário institucionalizado, tal como tratado em artigo de S. Mainwarming & T.S. Scully (1994?), seja uma boa explicação para o observado no tangente a esses gastos propostos. Assim, ficamos a mercê desses "salvadores de pátrias".
Não fosse essas jabuticabas, talvez até fosse o Brasil relevante...
Abraços!
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