O mais recente trabalho publicado:
“Sobre a responsabilidade dos intelectuais: devemos cobrar-lhes os efeitos práticos de suas prescrições teóricas?”
Espaço Acadêmico (vol. 9, n. 105, fevereiro 2010, p. 149-159; ISSN: 1519-6186)
link: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/9275/5252
Transcrevo apenas o começo e o final desse trabalho:
O tema é bastante conhecido e eu começo imediatamente pelo enunciado do problema: deveriam os intelectuais ser responsabilizados por suas ideias, por seus livros e ensinamentos? Ou, dito mais precisamente: deveriam ser considerados responsáveis pela utilização que se faz ou que se fez de suas ideias e prescrições? Quem sabe até por suas omissões, conivências e silêncios?
(...)
Estes argumentos não se referem apenas à dimensão dos desastres econômicos e dos sofrimentos sociais infligidos a populações inteiras por uma ou duas gerações (e se supõe que isso seja por demais conhecido de todos, em vista das estantes vazias dos empórios socialistas). Deve-se mencionar, principalmente, os crimes cometidos contra os direitos humanos mais elementares, ou ainda aqueles situados no plano das misérias morais do socialismo: um regime de mentiras, de fraudes, de delações organizadas, de regimes policialescos e de mediocridades intelectuais como jamais ocorreu em muitas, talvez a maioria, das ditaduras ditas de direita por aqueles mesmos acadêmicos que pretendem ainda defender a causa do socialismo marxista.
Em relação a esses regimes, que por boa parte do século 20 se estenderam a territórios e populações imensas durante praticamente três gerações, pode-se parafrasear a conhecida frase marxiana do Dezoito Brumário: doravante, se espera apenas que a história jamais se repita, sequer como farsa.
Não é correto que a ignorância do processo histórico possa ser invocada em defesa dos que continuam a exibir equívocos monumentais do tipo aqui discutido; em todo caso, um procedimento básico se aplica aos que fazem da academia o centro de suas atividades: a honestidade intelectual é a primeira exigência de quem trabalha com o registro dos fatos históricos e sua interpretação no plano das ciências humanas. Espero apenas que esta não seja mais uma frase vazia...
Brasília, 19 janeiro 2010.
Revisto: 3.02.2010.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Brasil e México, amigos distantes: a busca de um ALC Brasil-México em 2008-2010 - Sérgio Abreu e Lima Florencio
Brasil e México. Amigos Distantes A busca de um ALC Brasil-México em 2008-2010 Sérgio Abreu e Lima Florencio Brasil e México têm ...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
Personagens Bíblicos / História do Profeta Samuel: Quem foi Samuel na Bíblia? https://estiloadoracao.com/historia-do-profeta-samuel/ Histó...
-
Recorrências … (não, não acredito que a História se repete; os homens se repetem, alguns de forma delirante): Paulo Roberto de Almeida O...
-
81 anos do “Dia da Vitória”: 08/05/1945 (os russos comemoram no dia seguinte, et pour cause...) Mas é o dia da vitória sobre os nazistas par...
-
_*A iminente derrota de Trump no Irã é uma crise pessoal e política.*_ _*"Ele está postando de forma mais descontrolada do que nunca – ...
-
Onde será que se esconde Putin? Seu amigo Trump vai aparecer para o desfile da "vitória"? Creio que será, ou já está sendo, um 9 d...
-
9 de maio de 2026: o "Dia da Derrota" Todos os dias 9 de maio, a cada ano desde 1946, é reputado representar o maior feriado nacio...
-
Rogerio Pinto, aka Roger Pinto, me envia suas considerações de economista sobre a questão das tarifas, da política comercial, e seus efeit...
-
Um professor catedrático convidado numa universidade portuguesa consultou-me sobre a dívida externa do Brasil na interação com Portugal na é...
-
A história econômica brasileira na pena de Afonso Arinos de Melo Franco Versão abreviada de meu capítulo no livro *Nos 120 Anos de Afonso Ar...
2 comentários:
Acabei de ler de Paul Johnson "Intellectuals-from Marx and Tolstoy to Sartre and Chomsky" e fiquei muito impressionado.Penso que infelizmente o que descreve muitos de nossos educadores são as palavras que o senhor utiliza no artigo, "desonestidade intelectual".É triste,mas é a realidade.
Infelizmente, meu caro pseudo, eu tenho encontrado muito disso, e nao apenas de universitários ou acadêmicos, fora da academia também.
A desonestidade intelectual, a manipulação dos dados da realidade são uma realidade que atinge o governo como um todo...
Paulo Roberto de Almeida
Postar um comentário