segunda-feira, 31 de maio de 2010

Via Política: mais recente artigo publicado

Mais um, o da semana, que por vezes costuma valer por mais de uma, mas tento respeitar os prazos desta newsletter de Porto Alegre:

O mundo real e o mundo como ele poderia ser...
Por Paulo Roberto de Almeida, de Shanghai
Via Política, 3105.2010

Imaginemos um viajante estratosférico, vindo para a Terra em sua espaçonave, procurando compreender o que vê, em aproximações sucessivas. Primeiro visualizaria aquele planeta azul de que falam os astronautas, depois veria enormes manchas cinzas ou verdes, segundo os oceanos focalizados, manchas interrompidas aqui e ali por grandes ou pequenas massas de cores distintas, correspondendo às regiões dos cinco ou seis continentes entrevistos do espaço: verde para as densas florestas tropicais, o amarelo ou ocre dos espaços desérticos, as tonalidades mais claras das regiões temperadas e o branco dos pólos. Depois, teria a grande variedade de cores exibida pelas implantações agrícolas e construções urbanas das distintas sociedades humanas.

Ler a íntegra aqui.

Portal de Economia do IG: mais recente artigo publicado

Antes até do começo do mês, quando ele deveria ser normalmente publicado, fiquei sabendo da postagem deste meu mais recente artigo:

Ano de eleições: como o Brasil poderia ser melhor?

Shanghai, 22 de maio de 2010, 4 p. Revisão ampliada do trabalho 2100, para o portal de economia do IG (31.05.2010).
Relação de Originais n. 2144. Relação de Publicados n. 970.

Mundorama: artigo mais recente publicado

Recebi um aviso dos coordenadores de Mundorama de que um artigo meu acabava de ser publicado no blog:

Da democracia à ditadura: uma gradação cheia de rupturas
Mundorama (31.05.2010). Relação de Originais n. 2145; Relação de Publicados n. 969.

Aproveitei para verificar quais outros artigos recentes meus tinham sido publicados no blog, e veio uma página muito bem feita, com ilustrações, belo grafismo, divisões racionais, enfim, coisa que eu jamais conseguiria fazer sozinho neste meu blog desengonçado. Vejam em:
http://mundorama.net/?s=Paulo+Roberto+de+Almeida

PIB potencial e PIB real: um esclarecimento

O presidente acaba de decretar a morte do conceito de PIB potencial -- bem ele já extingiu várias outras coisas no Brasil, também, sem que essas coisas se tenham modificado substancialmente -- numa frase exemplar, como figura abaixo:

"Acabamos também com essa história de PIB potencial, que era uma bobagem de alguns economistas que diziam que o Brasil não podia crescer mais de 3% que a casa caía."

Para os menos versados em economia, caberia esclarecer do que se trata, exatamente, para que os mais jovens não fiquem com a impressão de que acaba de ser efetuada uma revolução na ciência econômica.

Economistas, de diferentes tendências -- e não apenas os ortodoxos, já que os supostos "desenvolvimentistas" também concordariam com os conceitos -- costumam distinguir entre o PIB real, ou seja, aquele que é efetivamente realizado na atividade econômica corrente, e o PIB potencial, que seria o PIB possível caso todos os fatores de produção fossem utilizados no limite de suas possibilidades e capacidades, sem provocar pressão inflacionária (que é quando a demanda aumenta acima das possibilidades da oferta, e a demanda só pode aumentar se existe meio circulante para tanto, o que depende em grande medida do crédito na economia).
Constata-se, portanto, que os conceitos econômicos de PIB real e potencial não configuram nenhuma bobagem, sendo uma simples realidade econômica, que pode ser constatada pelos indicadores de conjuntura, relativos a produção, capacidade instalada e sobretudo índices de preços.
Não é por outra razão que o BC acaba de elevar a taxa de juros de referência. Talvez o presidente do BC pudesse enviar a ata da última reunião do Copom ao presidente para que ele a leia (se conseguir) antes de soltar essa enorme bobagem de "matar" o PIB potencial.
Pessoas que possuem um conhecimento rudimentar de economia poderiam se informar melhor, antes de proclamar bobagens como essa referida.
Nunca é demais evitar demonstrações de incompetência econômica. Afinal de contas, o Brasil não merece ser deseducado em economia também, já que em matéria de política e de ética pública ele vem sendo deseducado há muito tempo.
Registre-se também, en passant (aliás uma palavra que o presidente se orgulha de usar), que a demanda vem crescendo devido a uma oferta mais do que necessária de crédito, o que certamente alimenta a inflação. Talvez os economistas pudessem alertar as autoridades que alimentar a inflação é uma grande bobagem, já que ela prejudica em primeiro lugar os mais pobres, de quem o governo se diz muito amigo. Ainda uma pequena aula de economia gratuita.
Paulo Roberto de Almeida

Lula inclui governo de FH na 'década perdida' da economia
Henrique Gomes Batista
O Globo, 31/05/2010

RIO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o período do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) como parte das décadas perdidas na economia. Lula afirmou em discurso na abertura do Michelin Challenge Bibendum, no Rio, que o país agora tomou gosto pelo crescimento.

- Qualquer um de vocês pode checar que poucas vezes investimos tanto em infraestrutura no país como agora. Tivemos algo próximo disso em 1975, mas na época o governo tomou dinheiro emprestado a 6% e, logo depois, os juros subiram 21%. Sabemos o que se passou com isso. Passamos duas décadas perdidas, entre 1980 e 2000 - afirmou Lula.

O presidente disse ainda que o mundo desenvolvido - que, segundo ele, sempre dizia ao Brasil o que o país deveria fazer - precisava ter humildade para vir aqui e aprender como se faz:

- Acabamos também com essa história de PIB potencial, que era uma bobagem de alguns economistas que diziam que o Brasil não podia crescer mais de 3% que a casa caía. Agora, vimos que é gostoso crescer 4%, 5%, 6%. Também não queremos crescer demais porque não queremos ser uma sanfona, que vai a 10%, volta a 2%, que vai a 10% e volta a 2%. Queremos crescer de forma sustentável.

Cepal sugere maior presença do Estado

Formidável. Deixa eu ver se entendi bem:
Cepal quer o "fortalecimento do Estado e a participação dele como protagonista na formulação de políticas para o setor produtivo". Isso seria "receita" para "estimular o desenvolvimento econômico da região".
Mais ainda: segundo a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, "é preciso contar com políticas de Estado que ajudem a dinamizar o crescimento, promover a produtividade, impulsionar melhores condições de emprego e de institucionalidade trabalhista e prover bens públicos e proteção social".
Não apenas isso: "Essas medidas devem vir acompanhadas, na maior parte dos países, do aumento da carga tributária", mas se concorda em que o Brasil já tem uma carga superior à da média da região, que é de 18% do PIB.

Pois bem, sendo tudo isso verdade, alguns países já sairam na frente. O Brasil, por exemplo, que já tem uma carga tributária de 38% do PIB, deve estar ótimo, pois isso representa mais do dobro a média da região.
E quanto a reforçar a presença do Estado, então tem países que deveriam estar melhores do que outros: Bolívia, Equador e sobretudo Venezuela, por exemplo, devem estar em ótimas condições, na medida em que os seus governos vêm praticando exatamente aquilo que a Cepal recomenda: reforçar o papel do Estado no desenvolvimento.
Tem mais: em Cuba, essa presença já é formidável, pois o Estado é responsável por todos os aspectos da vida econômica do país, não tem mais o que aumentar. Cuba deve ser uma potência econômica e todos os demais países membros da Cepal deveriam seguir o seu exemplo.
A Cepal é decididamente formidável.
Se não fosse por ela, não saberíamos como vencer a crise e promover o desenvolvimento na América Latina. Inclusive, ela vem preconizando essas mesmas políticas desde 1948, o que significa que antes a região era muito pior do que hoje, e que nesses 62 anos transcorridos a AL deve ter se desenvolvido barbaramente. Curioso é que ela representava, então mais do o dobro de presença física no comércio internacional do que a Ásia, e hoje a situação se inverteu completamente em favor da Ásia.
Deve ser erro estatístico...
Paulo Roberto de Almeida

Cepal sugere maior presença do Estado
Da redação
Correio Braziliense, 31.05.2010

Para desenvolvimento equilibrado, governos devem dinamizar a economia e prover o social

O fortalecimento do Estado e a participação dele como protagonista na formulação de políticas para o setor produtivo é a receita proposta pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal)(1) para estimular o desenvolvimento econômico da região depois de superada a recessão de 2009.

A sugestão consta do documento apresentado na 33ª rodada de discussões do organismo, que acontece até terça-feira, em Brasília. De acordo com o texto elaborado pela secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, é preciso contar com políticas de Estado que ajudem a dinamizar o crescimento, promover a produtividade, impulsionar melhores condições de emprego e de institucionalidade trabalhista e prover bens públicos e proteção social.
Para estimular a economia, a recomendação é transformar a estrutura produtiva a partir do eixo industrial, dando maior atenção ao desenvolvimento de inovação tecnológica; aumentando a difusão de conhecimento; e apoiando as pequenas e médias empresas.

O dinamismo econômico, defende a Cepal, também deve vir acompanhado por uma maior inclusão e igualdade social. Só o fato de nascer em um dos países da região deveria significar que determinada pessoa tem direito a educação de qualidade, a assistência à saúde durante toda a vida, a um salário digno e a um emprego decente , avalia Bárcena.

As estratégias macroeconômicas devem ser desenhadas de forma que protejam as economias das instabilidades externas por meio da utilização dos instrumentos disponíveis, tais como financeiros, fiscais e cambiais. Essas medidas devem vir acompanhadas, na maior parte dos países, do aumento da carga tributária. É claro que para o esforço fiscal se encaminhar a estes desafios de provisão do bem-estar e da promoção social, requer crescimento econômico, realocação dos gastos e incremento da capacidade tributária dos Estados, reforça o documento.

A média de recolhimento de impostos nos países da América Latina e Caribe é de 18%, considerada baixa pela organização para promover o crescimento necessário à região. No Brasil, a sugestão de aumentar impostos não se aplica, uma vez que a arrecadação brasileira representa, atualmente, 35,8%.

Pequenos
Outra proposta feita pela organização é a reforma do mercado de capitais nestes países, de modo que ele contribua para aumentar o acesso do setor produtivo ao crédito e a prazos mais largos de financiamento. A análise da Cepal aponta que a natureza incompleta dos atuais mercados de capitais tem dificultado principalmente as pequenas e médias empresas. A reforma do mercado de capitais nessa direção significa fortalecer os bancos públicos e, em especial, os bancos de desenvolvimento, como um instrumento que permita potencializar e democratizar o acesso ao crédito , destaca a organização.

Além do reforço às instituições estatais, a comissão propõe a construção de um sistema orientado a estimular o setor produtivo, que depende, em contrapartida, da expansão e da melhoria dos instrumentos disponíveis para a análise e a administração de riscos financeiros.

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