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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org. Para a maior parte de meus textos, ver minha página na plataforma Academia.edu, link: https://itamaraty.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida

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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Quando o Japão parecia superar os EUA: anos 1980-90

A Brief History of Doom by Richard Vague.

In the 1980s and early 1990s, many Americans thought Japan was going to surpass the United States to become the world's largest economy, and some even arranged Japanese language lessons for their children to prepare them for a new world order:

"In 2016, as I was beginning to think concertedly about this book, my wife, Laura, and I found ourselves in Hawaii. I had with me The Bubble Economy, Christopher Wood's excellent book on Japan's 1990s financial crisis, and was reading it as I looked out over the ocean. I came to a passage about the Japanese luxury hotel craze of that period and realized that a neighboring hotel, the just-opened Four Seasons Resort at Ko Olina, had been part of that building frenzy. Japanese developers had built the building as a high-end luxury hotel and ambitiously created its artificial ocean peninsulas -- but the hotel had been shuttered or used for less than its original high-end purpose for almost twenty-five years. Nothing close to the demand for luxury hotels projected by the Japanese had materialized. The hotel was built because banks were making loans hand over fist and not basing their decisions on realistic projections of use.
"Vestiges of Japan's 1980s lending frenzy remain in other places: in old American magazine cover stories, such as the February 2, 1987, issue of Newsweek, which intoned, 'Your next boss may be Japanese'; or with adults who grew up in the 1980s and can still remember bits of Japanese because their ambitious parents enrolled them in Japanese-language courses as children to prepare them for the new economic world order. America seemed in the grips of a Japanese corporate takeover. As the Japanese bought more and more high-profile U.S. properties, outraged old-school columnist Paul Harvey warned that Japan's growing financial presence in the United States was 'an economic Pearl Harbor,'
Click to watch the video
"The hotel in Hawaii, like empty skyscrapers in New York and Chicago in the late 1920s, was a relic of an explosion in private lending that was all but unprecedented in the twentieth century. From 1985 to 1990, Japan's pri­vate debt-business and household loans-catapulted from 143 percent to 182 percent, an increase of ¥343 trillion, or $2.4 trillion. That percentage increase was far higher than in the years leading up to the Great Depression or Great Recession.
"Japan's runaway lending was concentrated in commercial real estate, the profligate construction of office buildings, hotels, and apartments and the de­velopment of tracts of land both in Japan and abroad. From 1985 to 1990, commercial real estate (CRE) loans more than doubled from ¥75 trillion to ¥187 trillion. Japan's loans of this era created building after building that would not be sold or filled for years and even decades. But Japan's use of real estate as collateral went far beyond CRE and conventional household mort­gages. It extended to trillions of total yen in household nonmortgage loans and small- and medium-sized business loans.' Even bank loans for finance and leasing companies were largely tied to activity in the real estate industry.
"Further, Japanese banks were eager, often naive participants in the financ­ing of U.S. leveraged buyout transactions. Japan's lending frenzy drove up real estate prices by an astonishing 300 percent in that compressed period and created a short-term economic surge that Japan and the rest of the world misconstrued as an economic miracle. Its banks, businesses, and households became overleveraged, and the country was fully overbuilt by 1990, as were other markets, such as California and Hawaii, targets of Japan'shyperactive lending.
"By the late 1980s, five of the world's ten largest commercial banks by total assets were Japanese. In the 1990s, Japan's economy reached 18 percent of world GDP, yet by 2007, it was a mere 7.9 percent. Japan followed the well-trodden boom trajectory in the 1980s but then distinguished itself by delay, denial, and delusion in the bust in the 1990s. Japan's struggles with its crisis and efforts at bank recapitalization took as long as fifteen years -- a distinct inflection from the Great Depression. Japan's financial crisis is a parable of when, and how, policy decisions matter in the postboom phases of financial crisis."
A Brief History of Doom
Author: Richard Vague
Publisher: University of Pennsylvania Press
Copyright 2019 University of Pennsylvania Press
Pages: 71-72

Austeridade fiscal: inimiga do crescimento econômico? - Rodrigo Constantino (Gazeta do Povo)

Rodrigo Constantino
Gazeta do Povo, 16 de setembro de 2019

A Folha de SP trouxe neste domingo em destaque um texto de opinião com o título “Por que cortar gastos não é a solução para o Brasil ter crescimento vigoroso?”. Trata-se da velha e surrada “teoria” de que a austeridade fiscal é inimiga do crescimento, que o governo precisa investir e gastar mais para induzir o crescimento econômico por meio do “multiplicador fiscal”.
Seria a descoberta do moto perpétuo de crescimento: o governo gasta e investe o que não tem, sem se preocupar com o déficit, e isso vai gerar mais crescimento ainda na iniciativa privada. O crescimento maior fará a arrecadação subir, e por isso não precisamos nos preocupar com os rombos do orçamento.
Com base numa “tese” dessas, é realmente espantoso ainda existirem países pobres! E “paradoxalmente”, são justamente os que mais acreditam nessas trilhas para o sucesso. Por que será?
O que os autores heterodoxos não explicam é como justamente na fase expansionista irresponsável de Dilma o país mergulhou na maior recessão da história recente. É mais ou menos como os ladrões que acabaram de realizar o maior roubo a banco de todos os tempos tentarem explicar que investir mais em segurança não é a solução, e ainda culparem outros pelo roubo. Haja cara de pau!
Claro que, com tão pouca sustentação teórica ou empírica, os autores tinham que partir para teorias da conspiração: “a insistência em um diagnóstico e uma política equivocada reflete apenas uma fé cega ou estaria a serviço de determinados interesses econômicos e políticos?”. Quem levanta tal suspeita é justamente a turma que adota fé cega em ideologias e tem vários interesses econômicos e políticos na manutenção do modelo atual falido, que leva aos altos juros e ao rentismo. Eles condenam da boca pra fora o excessivo gasto com juros, como se este não tivesse ligação alguma com o elevado déficit fiscal e sua trajetória insustentável, se não houver reformas estruturais de cunho liberal.
Não adianta quantas vezes a experiência comprove a boa teoria econômica, de que aumento de gastos públicos costumam gerar menos, não mais crescimento sustentável a longo prazo. Sempre haverá quem venda a ilusão de que basta o governo gastar para nos tirar do buraco que o excesso de gastos públicos cavou. Ou acabamos de vez com as falácias da Unicamp, ou a Unicamp acaba com o Brasil. Quase conseguiram com a Dilma, mas não desistiram ainda…
Rodrigo Constantino

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

America Latina: a que menos cresce no mundo - Andrés Oppenheimer

Grato a Pedro Luiz Rodrigues pela seleção de matérias sempre tão interessantes para ler.

América Latina, la que menos crece
Andrés Oppenheimer
La Nación, Buenos Aires – 8.8.2019

El nuevo pronóstico económico del Fondo Monetario Internacional dado a conocer pocos días atrás trae malas noticias para América Latina: la región tendrá el crecimiento económico más bajo del mundo este año. O sea, será el campeón mundial del estancamiento económico.
Según las previsiones del FMI, las economías de América Latina crecerán un promedio de 0,6 por ciento en 2019. Eso debería activar las alarmas en la región porque sucede en el marco de una economía mundial en crecimiento.
El FMI pronostica que la economía mundial crecerá un 3,2 por ciento este año, incluida una tasa de crecimiento del 6,2 por ciento en Asia y del 3,4 por ciento en el África subsahariana.
La mayoría de los países más grandes de América Latina crecerán menos de lo que se había anticipado, dijo el FMI.
La tasa de crecimiento de México se ha revisado a la baja a 0,9 por ciento este año. La economía de Brasil crecerá solamente 0,8 por ciento, y la de Argentina se reducirá 1,3 por ciento en 2019, y crecerá 1,1 por ciento en 2020. La economía de Venezuela caerá un 35 por ciento este año.
Solamente Chile, Colombia y Perú crecerán a tasas saludables de 3,2, 3,4 y 3,7 por ciento, respectivamente, este año, dice el FMI.
¿Por qué está estancada América Latina? Hay muchos motivos, pero estos son algunos de los más importantes:
Falta de continuidad en las políticas económicas, lo que ahuyenta a los inversionistas. En muchos países, cada nuevo presidente quiere reinventar la rueda y deshace todo lo que hizo el anterior.
En México, por ejemplo, el presidente Andrés Manuel López Obrador ha prometido llevar a cabo una "cuarta transformación" en la historia del país. López Obrador, entre otras cosas, suspendió contratos para la enorme renovación del aeropuerto de la Ciudad de México y está dando marcha atrás a reformas para mejorar la calidad de la educación pública.
Eso ha creado "una fuerte incertidumbre en torno a las políticas económicas de México", según el FMI. Uno puede estar de acuerdo o no con eso, pero el hecho es que la "cuarta transformación" de López Obrador está ahuyentando las inversiones. El presidente no parece entender que sin inversión no habrá crecimiento, y sin crecimiento no habrá reducción de la pobreza.
Excesivo gasto público, baja productividad y una pésima distribución de la riqueza. Muchos de los países más grandes de la región, como la Argentina, simplemente gastan mucho más de lo que producen.
Nuevas cifras que circulan en las instituciones financieras internacionales muestran que la Argentina tiene solo nueve millones de trabajadores en el sector privado y autónomo, que en conjunto mantienen a 15,3 millones de personas a cargo del Estado, entre ellas los jubilados, gente que recibe subsidios estatales y empleados públicos.
Entre 2003 y 2015, durante los gobiernos populistas de Néstor Kirchner y Cristina Fernández, el gasto público de la Argentina se duplicó.
Y sin embargo la fórmula presidencial que incluye a la expresidenta Cristina Fernández como candidata a la vicepresidencia está liderando varias encuestas y podría ganar las próximas elecciones. Muchos argentinos aún no han aprendido la lección de que un país no puede gastar más de lo que produce sin ir de crisis en crisis.
Bajos estándares de educación, ciencia, tecnología e innovación. Los países latinoamericanos ocupan los últimos lugares en la prueba internacional PISA de estudiantes de 15 años y registran muy pocas patentes internacionales de nuevos inventos.
Mientras que Corea del Sur registró 17.000 patentes ante la Organización Mundial de la Propiedad Intelectual el año pasado, todos los países de América Latina y el Caribe juntos registraron solamente 537 patentes. En una economía global basada en el conocimiento, esa es una receta para el atraso.
Mi conclusión es que los países de la región no pueden seguir culpando a factores externos por su estancamiento económico, porque la economía mundial está creciendo y otros países emergentes de todo el mundo están creciendo mucho más. Es hora de reconocer que tenemos un problema interno y comenzar a abordarlo creando un clima que atraiga las inversiones y promueva la innovación.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Estado no Brasil: grande demais, segundo estudo - Luan Sperandio (Gazeta do Povo)

Estudo defende que “Estado mínimo” é o ideal para o Brasil

Estudo aponta que carga tributária ideal para o Brasil seria cinco pontos percentuais menor do que a atual.
Luan Sperandio, especial para a Gazeta do Povo, 20/06/2019
Copyright © 2019, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

O tamanho ideal do Estado é algo subjetivo e que varia de acordo com a ideologia de cada indivíduo. Há, por exemplo, quem considere o Estado brasileiro já “mínimo”, no sentido de que ele é pouco eficiente na prestação de serviços básicos. Outros grupos e indivíduos defendem uma redução maior no escopo de atuação da administração pública. Eles entendem que a eficiência aumentará na medida em que houver maior espaço da iniciativa privada.
A maior parte dos teóricos políticos e econômicos defende a necessidade de alguma forma de governo para garantir a propriedade privada, o cumprimento dos contratos, a oferta de bens públicos e para a realização de algumas políticas públicas. Eles entendem que a ação do governo pode gerar externalidades positivas para a sociedade. Mas eles também reconhecem que existe uma enorme tendência de os governos serem ineficientes, corruptos e, em última análise, gerarem um impacto negativo na atividade econômica produtiva.
Fora do mundo político e ideológico, a literatura científica possui parâmetros objetivos para delimitar o tamanho do Estado e qual seria o ponto de maior equilíbrio entre carga tributária e o desenvolvimento econômico. Inicialmente, a métrica para analisar o tamanho estatal se dá a partir do nível de despesa governamental em relação ao PIB.
A chamada Curva de Armey reflete a relação entre gasto público e atividade econômica. A metodologia considera que há uma associação positiva entre gasto público e crescimento econômico até determinado nível de despesa pública. Nesse caso, um governo limitado e com uma carga tributária limitada é benéfico para o desenvolvimento econômico e o bem-estar. Dessa forma, no início, a existência de um governo pode ser positiva para o desenvolvimento econômico. É o que se convencionou chamar de “carga tributária ótima”.
A partir de determinado limite, contudo, com um gasto público mais elevado e, portanto, drenando mais recursos da sociedade por meio da tributação, a atuação do Estado passa a ser ineficiente, prejudicando o desenvolvimento econômico.

Estado no Brasil é grande demais, segundo estudo

Com base nesses pressupostos, um estudo publicado na Economic Analysis of Law Review — principal revista de análise econômica do direito do país — analisou qual seria a carga tributária ótima brasileira. Os pesquisadores Cláudio Shikida, Andre Carraro, Rodrigo Nobre Fernandez, Ari Francisco de Araujo Jr. buscaram verificar a relação entre gasto governamental e crescimento econômico no Brasil.
A análise econométrica indicou que a carga tributária ótima seria de 28,38%. no equilíbrio de longo prazo. Nesse caso, a servidão ao Estado seria de 104 dias (do réveillon até 14 de abril de cada ano). O valor destoa em muito da carga tributária brasileira verificada em 2013, calculada em 33,74% (um cenário em que a servidão se arrasta até o dia 3 de maio).
Assim, o “tamanho ótimo do governo” brasileiro seria alcançado com uma redução arrecadatória de aproximadamente R$ 260 bilhões de reais naquele ano.
Para efeito de comparação, em 2018, o brasileiro só começou a trabalhar para si depois de 153 dias, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. Isto é, o tamanho do Estado aumentou desde o ano em que o estudo foi feito. Segundo estudo da OCDE de 2016, apenas Cuba, com 41,7% de impostos sobre o PIB, supera a carga tributária brasileira na América Latina.
Ainda segundo o estudo, a carga tributária observada no início dos anos 1990 seria mais próxima do valor de carga tributária ótima. Ocorre que, a partir da segunda metade dos anos 1990, a sanha arrecadatória do fisco ultrapassou o nível ótimo e gradualmente se aproximou de um terço de toda a produção nacional.

O que daria para fazer com o “Estado Ótimo brasileiro”?

Os 28% de gastos em relação ao PIB corresponderiam, segundo os pesquisadores, a uma estrutura que comportaria basicamente os ministérios da Saúde, Educação, Justiça, Previdência Social, Defesa, Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Dessa forma, o Estado Ótimo brasileiro se aproximaria das ideias do intelectual escocês Adam Smith, mas acrescido de um aparato de Estado de bem-estar social enxuto. O “pai da Ciência Econômica” defendia uma atuação estatal restrita ao provimento de educação, defesa e segurança e de um sistema de justiça.

Apesar de grande, Estado brasileiro não prioriza mais pobres

A despeito de os 10% mais pobres pagarem proporcionalmente 44,5% mais impostos do que os 10% mais ricos, grande parte das políticas sociais financiadas com esse dinheiro não beneficia os brasileiros de menor renda. Um levantamento do Banco Mundial estimou que o Brasil gasta apenas 12,1% do PIB com os 40% mais pobres. Ou seja, há um benefício desproporcional aos mais ricos.
Há, portanto, diversas ações patrocinadas pelo Estado brasileiro que, embora vendidas por burocratas como “sociais”, resultam em aumento da concentração de renda. Segundo um estudo do Ipea, um terço da desigualdade nacional se dá em virtude da atuação da administração pública.

Brasileiros preferem estado intervencionista

O tamanho do governo é definido basicamente por três aspectos: econômico, político e ideológico. A depender de cada sociedade e de seus fatores de influência, eles podem fazer com que a arrecadação tributária fique distante do que a literatura considera ser um nível ótimo em termos de bem-estar.
De acordo com uma pesquisa de 2018, realizada pelo Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação, para o brasileiro a economia deve ser regulada mais pelo Estado do que pelo mercado. Os entrevistados disseram ainda que as principais empresas devem pertencer ao Estado, considerado o principal agente de redução de desigualdades e de provimento de serviços básicos.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Tendencia declinante do crescimento economico de longo termo dos paises desenvolvidos

Acabo de receber um importante estudo para a história econômica contemporânea, no âmbito da lista de história econômica à qual estou subscrito: Societies for the History of Economics (SHOE).
Sublinho a importância desse estudo, que de certo modo confirma estimativas feitas nas últimas décadas, todas elas confirmando uma tendência (secular?) à baixa das taxas de crescimento econômico no grupo dos países mais avançados (ou industrializados).
Transcrevo abaixo o anúncio do coordenador desse grupo de estudos da Universidade de Manitoba, no Canadá.
Paulo Roberto de Almeida


[SHOE] Sixty-year decline in the growth rate of the industrialised countries

Our data group has been researching the long-run history of growth and came up with a result that surprised me to some extent, although theoretically it confirms Keynes’ views on the stationary state. It seems that the average growth rate of the industrialised countries has been declining, with only (historically) minor cyclic departures, since the early 1950s. The trend is strong and robust and is confirmed for a variety of measures of growth, and definitions of the industrialised countries.

I am intrigued that this appears to have been overlooked or at least, is not widely known or referred to. So I wonder if in fact, other research has come up with similar results. If anyone knows of such, do get in touch.


Readers may also be interested in the data repository which we are constructing for long-run macroeconomic data: https://github.com/axfreeman/Economic-History. If anyone shares our interest in curating historical macroeconomic data, or has data that they wish to be shared with a wider community, do please get in touch.

Regards
Alan
Research Director
Geopolitical Economy Research Group
University of Manitoba

terça-feira, 5 de junho de 2018

Brasil: crescimento sem investimento - Ricardo Bergamini

Crescimento sem investimento é gerado do pó e ao pó voltará
Ricardo Bergamini
(Recebido em 5/06/2018)


A taxa de Investimento no primeiro trimestre de 2018 foi de 16,0% do PIB. No primeiro trimestre de 2000 foi de 20,5% do PIB. Redução de 21,95% em relação ao PIB em 18 anos. 

Sabedores que somos há mais de duzentos anos que: (poupança = Investimento = crescimento) podemos afirmar, de forma cabal e irrefutável, de que o Brasil não cresceu no período de 2003 até 2014 com base sólida dos investimentos, mas sim através da ilusão monetária do crédito. 

Em vista do acima exposto poderíamos afirmar que o crescimento de 40,90% ocorrido no período 2003 até 2014 foi uma ilusão monetária provocada pela alta liquidez de dólares falsos emitidos pelos Estados Unidos para financiar as guerras do Afeganistão e Iraque. 

Em 2002 o volume de operações de crédito era de R$ 378,0 bilhões (25,35% do PIB), em 2014 o volume de operações de crédito era de R$ 3.021,8 bilhões (54,73% do PIB).  .

O volume de crédito cresceu em termos reais em relação ao PIB em 115,90%, para um crescimento do PIB de 40,90% no período. Esse desequilíbrio gera uma ilusão monetária de crescimento.

Gostaria de fazer a sua regressão de R$ em US$ que será efetivamente como seremos avaliados junto a ONU e ao FMI, conforme quadros demonstrativos abaixo que em 2017 retornamos ao ano abaixo de 2010 e acima de 2009. Sem investimentos não tem como crescer de forma saldável. O Brasil Avança para o abismo.

PIB A Preços Correntes

Fonte IBGE

Ano
R$ Bilhões
US$/R$
US$ Bilhões
2002
1.488,8
2,9296
508,2
2003
1.717,9
3,0705
559,5
2004
1.957,7
2,9247
669,4
2005
2.170,6
2,4335
892,0
2006
2.409,4
2,1763
1.107,1
2007
2.720,3
1,9475
1.396,8
2008
3.109,8
1,8369
1.693,0
2009
3.333,0
1,9927
1.672,6
2010
3.885,8
1,7585
2.208,5
2011
4.376,4
1,6739
2.614,5
2012
4.814,8
1,9453
2.470,5
2013
5.331,6
2,1738
2.475,1
2014
5.778,9
2,3599
2.448,8
2015
5.995,8
3,3856
1.772,4
2016
6.266,9
3,4538
1.814,5
2017
6.559,9
3,1930
2.054,5 

PIB Per Capita

Fonte IBGE

Ano
R$ 1,00
US$/R$
US$ 1,00
2002
8.350
2,9296
2.850
2003
9.511
3,0705
3.097
2004
10.703
2,9247
3.659
2005
11.723
2,4335
4.817
2006
12.862
2,1763
5.910
2007
14.359
1,9475
7.373
2008
16.237
1,8369
8.839
2009
17.222
1,9927
8.642
2010
19.878
1,7585
11.303
2011
22.171
1,6739
13.237
2012
24.165
1,9453
12.399
2013
26.520
2,1738
12.165
2014
28.498
2,3599
11.538
2015
29.329
3,3856
8.670
2016
30.407
3,4538
8.804
2017
31.930
3,1930
10.000



Ricardo Bergamini