Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Across the Empire, 2014 (19): Wisconsin e Michigan, dos vidros ao lago
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Eleicoes 2014: pesquisas de intencoes de votos e campanha difamatoria
Paulo Roberto de Almeida
Dilma cai, Marina estaciona e Aécio sobe, aponta pesquisa Ibope
Daniel Bramati
O Estado de S. Paulo, quarta-feira, 17 de setembro de 2014
• Presidente chegou a 36% das intenções de voto e continua 6 pontos a frente de Marina; tucano tem 19%
O tucano Aécio Neves subiu quatro pontos porcentuais na mais recente pesquisa Ibope, de 15% para 19%, enquanto a presidente Dilma Rousseff (PT) caiu de 39% para 36%. Marina Silva (PSB) oscilou de 31% para 30% e viu sua vantagem em relação ao terceiro colocado diminuir de 16 para 11 pontos. Na projeção de segundo turno, persiste o empate técnico entre Marina (43%) e Dilma (40%). Na pesquisa anterior, feita uma semana antes, o placar era de 42% a 41%, respectivamente.
Aécio melhorou suas taxas de intenção de voto em todas as regiões, com exceção do Nordeste. No Sul, ele chegou a 23% e ficou em situação de empate técnico com Marina, que tem 26%.
Dilma só lidera de forma isolada no Nordeste (48%) e no Sul (34%). Nas demais regiões, aparece empatada tecnicamente com Marina. No Sudeste, onde se concentram cerca de 44% dos eleitores, a candidata do PSB tem 31% e a do PT, 30%.
O desempenho da atual presidente piora à medida que cresce a população dos municípios onde a pesquisa foi feita. Nas cidades com até 50 mil habitantes, Dilma tem 42% das intenções de voto. Nas com mais de 500 mil moradores, a taxa cai para 32%.
Dilma colhe resultados melhores no eleitorado mais pobre. No segmento com renda de até um salário mínimo, a petista fica com 46% das preferências, mais do que os adversários somados.
A presidente lidera em rejeição: 32% afirmam que não votariam nela de jeito nenhum. Nesse quesito, Aécio tem 19% e Marina, 14%.
Não houve variação nos índices de avaliação do governo federal. Para 37%, a gestão é boa ou ótima e para 28%, ruim ou péssima. Outros 33% veem a administração de Dilma como regular.
O Ibope ouviu 3.010 pessoas entre os dias 13 e 15 de setembro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança utilizado é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00657/2014.
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O atirador da presidente
Editorial O Estado de S. Paulo, 17/09/2014
Causando estragos a torto e a direito na campanha presidencial, a entrada em cena de Marina Silva como candidata do PSB e a sua imediata disparada nas pesquisas de intenção de voto reduziram as chances do tucano Aécio Neves de ser o contendor da presidente Dilma Rousseff no segundo turno e fizeram descarrilar a estratégia petista de campanha. Tendo se preparado, antes da tragédia que matou o pernambucano Eduardo Campos, para soltar os cachorros em cima do senador mineiro - tornando a enveredar pelo caminho seguido pelo partido em 2006 contra Geraldo Alckmin e em 2010 contra José Serra -, o comando da operação Dilma+4 trabalhava, não obstante, com a hipótese realista de que, na segunda volta, ele aglutinaria com força total o sentimento de rejeição à herdeira de Lula, agravado pela convicção de que, ao cabo de 12 anos, o PT no poder já deu o que tinha para dar.
Com o quadro eleitoral de ponta-cabeça, os condutores da campanha dilmista parecem ter chegado à conclusão de que só lhes restava uma alternativa para enfrentar a reviravolta - transformar desde logo a disputa em um segundo turno. A nova tática solaparia os ganhos obtidos por Marina, a ponto de fazê-la perder a parada de 5 de outubro, com o que ela começaria debilitada o embate para o verdadeiro tira-teima de três semanas adiante, depois de lhe terem servido o pão que o diabo amassou. Na prática, a mudança significaria duas coisas - ou duas faces de uma coisa só: antecipar tanto o início da "campanha negativa", a temporada de agressões à rival, como a subida aos palanques, dia sim, o outro também, do ex-presidente patrono de Dilma. Com a esperteza adicional de que ele e não mais a sua afilhada é quem apertaria o gatilho para "desconstruir" a imagem de Marina.
Uma segunda novidade reforçaria o plano de não deixar para amanhã as baixarias que podem ser cometidas hoje. Trata-se das revelações atribuídas ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, nos depoimentos que tinha se oferecido a dar ao Ministério Público e à Polícia Federal (PF) para ver reduzidas ou anuladas as penas a que está sujeito pelos crimes cometidos na estatal, em conexão com o tráfico de divisas do cambista seu parceiro Alberto Youssef. A sociedade foi desbaratada pela Operação Lava Jato, da PF. Na sequência de suas "delações premiadas", Costa teria citado mais de 30 beneficiários do esquema, entre eles o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, o do Senado, Renan Calheiros, e pencas de outros políticos também alinhados com Dilma. Ela sentiu o golpe e perdeu o prumo. Tentando abrigar-se da tormenta, alegou, em um assomo de cinismo, que "não tinha a menor ideia de que isso ocorria dentro da empresa".
Mais uma missão para Lula. Secar o escândalo torrencial, fazendo um cavalo de batalha com o fato de o programa de Marina citar somente uma vez o pré-sal, enquanto valoriza outras fontes de energia. (Nas imagens da propaganda dilmista, a posição da adversária literalmente tira a comida da mesa dos brasileiros.) E eis que anteontem o ex-presidente, enfiado em um macacão laranja da Petrobrás, comandou um ato de campanha travestido de manifestação sindicalista de solidariedade à empresa, diante da sua sede no centro do Rio. O palanqueiro se desdobrou. Ora equiparou as denúncias de corrupção na estatal a um "erro qualquer", ora disse que a CPI da Petrobrás serve para "achacar empresários", ora ainda se pôs a dar lições a Marina. Ela deveria proibir os seus economistas de falar, porque "um fala mais bobagem que o outro", e deveria saber que "se tem cargo que você não pode terceirizar é o de presidente da República".
A tarefa de fazer terrorismo eleitoral ele terceirizou para um veterano da violência, o líder do MST, João Pedro Stédile, de quem Dilma mantém prudente distância. O ferrabrás ameaçou infernizar um eventual governo da ex-ministra que amalgamava a causa ecológica com a dos sem-terra. "A dona Marina que invente de colocar a mão na Petrobrás", trovejou, "que voltaremos aqui todos os dias." Resta ver se a ideia de pôr Lula a bater já agora na candidata não se voltará contra Dilma quando ela mais precisará de eleitores.
Eleicoes 2014: a mistificacao e a mentira como taticas companheiras
Pode até ser que a candidata da máfia vença dessa maneira, o que será certamente desastroso para o Brasil e todos os brasileiros, menos a máfia que nos governa e seus associados.
Em todo caso, cabe o registro, para a história, que além de roubar e trapacear, os mafiosos também fraudam o processo eleitoral.
Paulo Roberto de Almeida
Agora, a demonização da autonomia do BC
Por Cristiano Romero
Valor Eeconômico, 17 de setembro de 2014
Ao demonizar a autonomia do Banco Central (BC), a presidente Dilma Rousseff repete o que seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, fez com as privatizações na eleição de 2006. Naquele ano, Lula, incomodado com a necessidade de disputar o segundo turno, uma vez que esperava vencer já no primeiro, sacou da cartola o tema das privatizações ao perceber que ele ainda exercia (e exerce) um enorme fascínio no imaginário da esquerda brasileira.
Lula obrigou o então candidato da oposição - Geraldo Alckmin, do PSDB - a se posicionar. O tucano mordeu a isca, saindo em defesa das estatais, em vez de mostrar os avanços que a desestatização, promovida principalmente na gestão de Fernando Henrique Cardoso, trouxera ao país.
Como Lula precisava fazer um aceno à esquerda - mal saíra do desgaste do escândalo do mensalão e já enfrentava outro, o dos aloprados -, a interdição das privatizações significou uma mudança de assunto. Ademais, atraiu votos, inclusive, do adversário, afinal, Alckmin terminou o segundo turno menos votado que no primeiro.
Dilma quer Aécio e Marina vistos como candidatos do capital
Não se tenha dúvida: a estratégia de Lula não se resumiu a um mero recurso de campanha. A demonização virou compromisso político. No segundo mandato, o então presidente vetou qualquer possibilidade de privatização. A mais notória foi a dos aeroportos, que Dilma Rousseff, como ministra da Casa Civil, planejava fazer desde 2008, mas só pôs em prática no próprio mandato. Agora, no tema "autonomia do Banco Central", é Dilma quem recorre ao expediente ardiloso da interdição do debate por meio não de ideias, mas de preconceitos e mistificações.
Não mereceria comentário propaganda da campanha de reeleição da presidente, segundo a qual, conceder autonomia ao BC teria como consequência retirar comida da mesa dos brasileiros. Mas, questionada no último domingo sobre essa peça de marketing político de quinta categoria, Dilma não só a justificou, como foi além: se não tiver mandato para assegurar o máximo emprego, o BC autônomo "tira, sim, a comida" e a perspectiva dos brasileiros. Disse, ainda, que conceder independência à instituição seria como criar o "quarto poder" e entregá-lo aos bancos. "O quarto poder não pode ser dos bancos."
Por trás dessas imagens, estão, novamente, tolices caras à esquerda que não se atualiza e perpetua o atraso brasileiro, tais como: "banco não produz nada"; "banqueiros são malvados porque são donos do capital"; "capital é algo intrinsecamente ruim"; "bancos centrais independentes existem para defender interesses dos bancos"; "os juros são altos por culpa dos rentistas e dos bancos"; "lucrar é desonesto, coisa de quem tem parte com o demônio". Não se deve subestimar o poder desses símbolos: no Brasil, até formadores de opinião bem cotados - e populistas como alguns políticos - ajudam a disseminar asneiras desse tipo.
O proselitismo de Dilma tem como objetivo transformar seus dois principais adversários - Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) - em defensores dos bancos. Marina se tornou "a candidata do Itaú " por causa da participação de Neca Setúbal em sua campanha. Neca é vítima de um preconceito típico da confusão que se pretende promover no debate que deveria ser de ideias: sua trajetória como educadora é solenemente ignorada porque, afinal, ela é "herdeira do Itaú", descendente, portanto, do que há de pior na economia e na sociedade brasileiras - um banco, um capitalista ou coisa que o valha.
Em entrevista, há uma semana, a presidente Dilma declarou: "Eu asseguro uma coisa: esse povo da autonomia do Banco Central quer o modelo anterior, quer fazer um baita ajuste, um baita superávit, aumentar os juros pra danar, reduzir emprego e salário, porque, para eles, emprego e salário não garantem produtividade. Eu sou contra isso". O tema da autonomia do BC, em sua visão, vai muito além da discussão em torno do modelo de autoridade monetária que uma democracia como a brasileira precisa ter. O ideário encerra, pelo jeito, um conjunto mais amplo de perversões.
As palavras de Dilma assustam. Depois de perder fôlego na corrida presidencial com a entrada de Marina Silva, no páreo, nos últimos dias a presidente recuperou parcela do prestígio popular perdido e voltou a ser competitiva para a disputa do segundo turno. Ao contrário de 2010, ela é, hoje, uma candidata contra o PIB e o sistema financeiro. Vestiu esse figurino sem constrangimento e pode vencer a eleição de outubro com compromissos populistas dos quais passou longe quatro anos atrás.
O risco dessa estratégia é visível. Toda vez que Dilma sobe nas pesquisas, a bolsa de valores cai, o real se desvaloriza e o juro de longo prazo, que reflete melhor a expectativa da saúde das contas públicas, sobe. Ao fugir do debate real das questões econômicas, Dilma pavimenta o caminho do próprio desastre porque, se já será difícil para qualquer um promover, nos próximos anos, o ajuste necessário para corrigir os desequilíbrios criados pela política econômica desde 2011, para ela será ainda pior, uma vez que está em pé de guerra com os mercados e já não possui a mais pálida credibilidade.
O Brasil ainda não está em crise. Não há risco imediato de insolvência fiscal ou externa. O que há é uma crise de expectativa, provocada por uma política econômica que, nos últimos quatro anos, desorganizou as finanças públicas, vilipendiou a autonomia do BC, tolerou inflação alta, procurou determinar os principais preços da economia, provocando forte queda na confiança de consumidores e empresários e, consequentemente, do PIB. A necessidade de ajuste é premente porque, a continuar a situação atual, uma crise logo vai avizinhar-se.
Sob Dilma, o custo de corrigir o rumo será sempre maior porque os agentes não confiam mais no governo. É bem provável que, reeleita, a presidente baixe a guarda e entregue pelo menos uma parte do ajuste esperado, possivelmente na área fiscal. Mas sua retórica está esticando a corda de tal maneira que, detentora de novo mandato, ela enfrentará duas dificuldades: convencer os agentes econômicos a esquecerem a eloquência da campanha; e justificar a seu eleitorado - pelo menos, à parcela que acredita na face mais demagógica de seu discurso - o não cumprimento das promessas feitas.
Cristiano Romero é editor-executivo do jornal Valor Econômico
Eleicoes 2014: risco de desemprego afeta equilibrio mental dos companheiros - Fernando Rodrigues
Paulo Roberto de Almeida
Haja Prozac
Fernando Rodrigues
Folha de S.Paulo, 17/09/2014
BRASÍLIA - Ouvi uma frase sobre a corrida presidencial que me pareceu perfeita: "Em 2002, achei que o PT estava despreparado para assumir o governo. Mas eu não sabia que o PT estaria agora tão despreparado para deixar o governo".
É uma avaliação tão cruel quanto verdadeira. Revela também o grau de subdesenvolvimento institucional do país. É claro que não há risco de disrupção, mas parece um pouco incompatível com a regra democrática que um partido entre em desespero frenético apenas porque existe a possibilidade de sair do poder a partir de 1º de janeiro de 2015.
A aparição do ex-presidente Lula, suado e descabelado, fazendo uma manifestação em frente à Petrobras é a síntese do clima atual no PT. E nem está claro que Dilma Rousseff perderá a disputa contra Marina Silva (aliás, a presidente está à frente nas pesquisas). Mas em Brasília é possível respirar um certo pânico no ar.
Só na capital da República há mais de 20 mil cargos de confiança, todos ocupados pelo petismo e adjacências. Uma derrota de Dilma Rousseff obrigará essas pessoas e suas famílias a deixarem a cidade. Por baixo, serão de 40 a 50 mil desamparados. Voltarão a seus Estados para pedir trabalho na iniciativa privada ou em algum governo, prefeitura ou sindicato sob o comando do PT.
Serão milhares de dramas pessoais. Em Harvard, nos EUA, a universidade oferece um serviço gratuito de atendimento psicológico a estudantes estrangeiros que passam um tempo por lá e depois têm de retornar para seus países. Dilma poderia pensar no assunto. Uma "bolsa psicólogo" ajudaria a manter mais calmas as pessoas ao seu lado.
Como o problema é estrutural, uma vitória dilmista só atrasará a crise existencial dos petistas. Até porque, em 2018, 2022 ou em outro momento, o partido sairá do poder. Quando esse dia chegar, as farmácias de Brasília terão de reforçar os estoques de Prozac em suas prateleiras
Estado Islamico: por que os EUA, e nao os proprios estados ameacados? - Tom Friedman
Take a Deep Breath
ISIS and the Arab World
NYTimes, SEPTEMBER 16, 2014
Thomas L. Friedman
LONDON — An existential struggle is taking place in the Arab world today. But is it ours or is it theirs? Before we step up military action in Iraq and Syria, that’s the question that needs answering.
What concerns me most about President Obama’s decision to re-engage in Iraq is that it feels as if it’s being done in response to some deliberately exaggerated fears — fear engendered by YouTube videos of the beheadings of two U.S. journalists — and fear that ISIS, a.k.a., the Islamic State, is coming to a mall near you. How did we start getting so afraid again so fast? Didn’t we build a Department of Homeland Security?
I am not dismissing ISIS. Obama is right that ISIS needs to be degraded and destroyed. But when you act out of fear, you don’t think strategically and you glide over essential questions, like why is it that Shiite Iran, which helped trigger this whole Sunni rebellion in Iraq, is scoffing at even coordinating with us, and Turkey and some Arab states are setting limits on their involvement?
When I read that, I think that Nader Mousavizadeh, who co-leads the global consulting firm Macro Advisory Partners, is correct when he says: “When it comes to intervening in the Arab world’s existential struggle, we have to stop and ask ourselves why we have such a challenge getting them to help us save them.”
So before we get in any deeper, let’s ask some radical questions, starting with: What if we did nothing? George Friedman (no relation), the chairman of Stratfor, raised this idea in his recent essay on Stratfor.com, “The Virtue of Subtlety.” He notes that the ISIS uprising was the inevitable Sunni backlash to being brutally stripped of power and resources by the pro-Iranian Shiite governments and militias in Baghdad and Syria. But then he asks:
Is ISIS “really a problem for the United States? The American interest is not stability but the existence of a dynamic balance of power in which all players are effectively paralyzed so that no one who would threaten the United States emerges. ... But the principle of balance of power does not mean that balance must be maintained directly. Turkey, Iran and Saudi Arabia have far more at stake in this than the United States. So long as they believe that the United States will attempt to control the situation, it is perfectly rational for them to back off and watch, or act in the margins, or even hinder the Americans. The United States must turn this from a balance of power between Syria and Iraq to a balance of power among this trio of regional powers. They have far more at stake and, absent the United States, they have no choice but to involve themselves. They cannot stand by and watch a chaos that could spread to them.”
Therefore, he concludes, the best U.S. strategy rests in us “doing as little as possible and forcing regional powers into the fray, then in maintaining the balance of power in this coalition.” I am not sure, but it’s worth debating.
Here’s another question: What’s this war really about?
“This is a war over the soul of Islam — that is what differentiates this moment from all others,” argues Ahmad Khalidi, a Palestinian scholar associated with St. Antony’s College, Oxford. Here is why: For decades, Saudi Arabia has been the top funder of the mosques and schools throughout the Muslim world that promote the most puritanical version of Islam, known as Salafism, which is hostile to modernity, women and religious pluralism, or even Islamicpluralism.
Saudi financing for these groups is a byproduct of the ruling bargain there between the al-Saud family and its Salafist religious establishment, known as the Wahhabis. The al-Sauds get to rule and live how they like behind walls, and the Wahhabis get to propagate Salafist Islam both inside Saudi Arabia and across the Muslim world, using Saudi oil wealth. Saudi Arabia is, in effect, helping to fund both the war against ISIS and the Islamist ideology that creates ISIS members (some 1,000 Saudis are believed to be fighting with jihadist groups in Syria), through Salafist mosques in Europe, Pakistan, Central Asia and the Arab world.
This game has reached its limit. First, because ISIS presents a challenge to Saudi Arabia. ISIS says it is the “caliphate,” the center of Islam. Saudi Arabia believes it is the center. And, second, ISIS is threatening Muslims everywhere. Khalidi told me of a Muslim woman friend in London who says she’s afraid to go out with her head scarf on for fear that people will believe she is with ISIS — just for dressing as a Muslim. Saudi Arabia cannot continue fighting ISIS and feeding the ideology that nurtures ISIS. It will hurt more and more Muslims.
We, too, have to stop tolerating this. For years, the U.S. has “played the role of the central bank of Middle East stability,” noted Mousavizadeh. “Just as the European Central Bank funding delays the day that France has to go through structural reforms, America’s security umbrella,” always there no matter what the Saudis do, “has delayed the day that Saudi Arabia has to face up to its internal contradictions,” and reform its toxic ruling bargain. The future of Islam and our success against ISIS depend on it.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Brasil imoral: os mandarins amorais que estao afundando a Republica
Deputados estaduais têm mais benefícios que federais
- O Globo,
- 15/09/2014
As Assembleias Legislativas estaduais, que serão renovadas nessas eleições e deveriam ter como parâmetro de comportamento e limite de gastos as regras aplicadas à Câmara dos Deputados, têm benefícios para seus parlamentares que deixam os deputados federais com inveja. Alheias à opinião pública, muitas dessas Casas não divulgam como é gasto o dinheiro recebido do Erário para o exercício do mandato, não tornam públicos os nomes dos seus funcionários ou quanto ganham e encontram meios para que seus eleitos recebam mais do que deveriam. Os deputados estaduais também usufruem de carro oficial com motorista, regalia que não é aceita na Câmara, apenas no Senado. Houve ainda casos de desvio de verbas, o que, no Rio, levou à cassação de parlamentares.
Levantamento realizado pelo O GLOBO nas 26 Assembleias Legislativas e na Câmara Distrital revela casos em que os representantes estaduais chegam a ter subsídios mensais acima de R$ 20.042,34 — o teto legal, que corresponde a 75% do que ganha um deputado federal — e recebem diárias que superam, e muito, o que é pago para quem atua na Câmara.
Além disso, nos casos em que foi possível ter acesso à prestação de contas das cotas parlamentares, O GLOBO apurou que os deputados estaduais parecem dedicar uma preocupação muito grande à contabilidade e apresentam gastos no exato valor da verba indenizatória a que têm direito, com diferença de poucos centavos de um mês para o outro.
A verba indenizatória também é superior à dos colegas que estão em Brasília. Enquanto os deputados federais eleitos por Roraima podem receber, no máximo, R$ 41.613 (o maior valor entre todos), no estado os deputados estaduais têm direito a R$ 50 mil. Nessa rubrica, eles podem destinar R$ 6 mil para alugar um imóvel para morar em Boa Vista, e gastar até R$ 20 mil em combustível ou aluguel de carros; na Câmara, esse teto é de R$ 4,5 mil.
Viajar como deputado estadual de Roraima também é muito mais confortável do que como deputado federal em Brasília. Na Região Norte, um eleito que viaje dentro do próprio estado tem direito a R$ 900; se for para outro local, R$ 1.700; e, para o exterior, R$ 2.024. Pela Câmara, esses valores são de R$ 524 em caso de um périplo pelo país, ou de até US$ 428 (cerca de R$ 1 mil) para jornadas internacionais.
No Pará, há vultosos pagamentos aos parlamentares, em parcela única, no início de cada ano. Em janeiro deste ano, por exemplo, cada um recebeu, de uma única vez, mais de R$ 200 mil. Em janeiro de 2013, a fatia do bolo foi ainda maior: R$ 400 mil para cada um dos deputados estaduais, numa única parcela. O site não especifica o motivo dessas pequenas fortunas. Os montantes constam da lista de despesas diárias da Assembleia, acessível pela internet.
Salários acima do teto
Ainda no Pará, uma consulta à folha de pagamentos, que não fornece os nomes dos servidores e seus salários individuais, aponta funcionários com salários nominais acima do teto constitucional, de R$ 29.462. Um técnico legislativo ganha R$ 34.311. Nesse caso, segundo a folha de pagamento de agosto, não houve o redutor constitucional, e ele recebeu R$ 23.546 líquidos.
No Rio, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça deve julgar até o fim do ano os deputados estaduais Édino Fonseca (PEN) e João Peixoto (PSDC), além de três ex-parlamentares (Renata do Posto, Tucalo e Jane Cozzolino), acusados de estelionato e formação de quadrilha. Eles integram um grupo de 12 pessoas, incluindo dois ex-funcionários da Casa, que há seis anos foi denunciado pelo Ministério Público por fraudes no auxílio-educação da Alerj.
O benefício, que equivale a um salário mínimo regional (R$ 763,13, em valores atuais) por dependente, era destinado a ressarcir despesas de servidores com a educação dos filhos. Segundo o Ministério Público, funcionários nomeados eram fantasmas: não recebiam o dinheiro que era embolsado por alguns réus. Segundo investigações feitas em 2008, pelo menos R$ 3,5 milhões foram desviados. Na época Édino Fonseca, João Peixoto e Tucalo (não reeleito) foram absolvidos pelo plenário; Renata e Jane tiveram os mandatos cassados. (colaborou Luiz Ernesto Magalhães).
O Brasil dos companheiros virou um pais sem lei...
Nada acontece no vácuo. Os eventos históricos se dão num determinado tempo e obedecem a seu espírito. Coisas que antes nos pareciam impensáveis acabam se naturalizando e sendo tomadas como normais. E nós vivemos dias em que vândalos, bandidos, assaltantes da democracia reivindicam o suposto direito de nos assombrar com a sua violência.
Pior: a Justiça, os políticos e, sobretudo, a imprensa acabam sendo tolerantes com os criminosos, confundindo a atuação de marginais da democracia com atos de resistência. Não aqui. Não aqui! Aqui, bandido é chamado de “bandido”; vagabundo é chamado de “vagabundo”; safado é chamado de “safado”.
Algumas horas apenas — na verdade, uma noite! — separam o ato liderado por Lula e João Pedro Stedile, em frente à Petrobras, no Rio, do caos promovido, nesta manhã, no Centro de São Paulo por supostos sem-teto, durante uma ação de reintegração de posse. O que uma coisa tem a ver com a outra?
O caso é o seguinte: a Polícia Militar tentava executar, nesta manhã, pela terceira vez — a primeira se deu em junho — a reintegração de posse de um hotel, situado na Avenida São João, invadido por uma tal Frente de Luta por Moradia, a FLM.
Esse grupo se intitula um dos muitos “coletivos”, como se diz em “esquerdês”, que reúnem invasores de propriedades públicas e privadas. Trata-se de um dos muitos agrupamentos formados por militantes políticos de esquerda e extrema esquerda que instrumentalizam a pobreza e a ignorância para fazer política.
A Polícia Militar tentou dialogar. Observem: desocupar o prédio era uma determinação judicial. A PM não poderia deixar de cumprir a ordem ainda que quisesse. Os líderes do movimento avaliaram que não havia caminhões em número suficiente para transportar os pertences dos invasores, e teve início, então, o ataque aos PMs.
Do alto do edifício, objetos pesados os mais diversos eram lançados contra os policiais. E a corporação cumpriu, então, o seu dever, que é o dever da democracia quando veste farda: reagir e conter os atos de vandalismo. O prédio foi ocupado pelos policiais, houve conflitos, bombas de gás lacrimogêneo tiveram de ser usadas.
Foi o que bastou. Profissionais da desordem espalharam o caos pelo centro da cidade. Houve confrontos e depredações nas ruas Barão de Itapetininga, Ipiranga, 24 de Maio e nas áreas próximas à Praça da República. Na rua Xavier de Toledo, um ônibus biarticulado foi incendiado. Uma loja da Claro e outra da Oi foram saqueadas. Três pessoas foram presas em razão de atos de vandalismo, e 70 invasores foram encaminhados à Polícia para serem liberados em seguida.
Muito bem, leitores. Isso é luta por moradia? Não! O nome disso é banditismo, crime organizado, violência planejada. Note-se à margem que, na raiz do caos, já há uma decisão escandalosa da Justiça: houve a ordem de reintegração de posse, sim. Mas sabem a quem cabia a obrigação de enviar os caminhões para transportar os pertences dos invasores? Ao dono do imóvel. É estupefaciente! O proprietário tem esbulhado o seu direito, e a Justiça ainda lhe atribui uma obrigação.
Agora volto a Lula. Agora volto a João Pedro Stedile. O chefão do MST afirmou ontem, em frente à sede da Petrobras, que promoverá protestos diários caso Marina Silva vença a eleição. Lula tentou reunir milhares de pessoas — e conseguiu, no máximo, alguns gatos-pingados — para, na prática, anunciar a mesma coisa: não aceita outro resultado das urnas que não a vitória de seu partido. Esses movimentos de invasão de propriedades, no campo e nas cidades, lembrem-se, sempre operaram como braços do PT. Os grupos ditos de sem-teto constituíram, por exemplo, a linha de frente da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura.
Esses criminosos disfarçados de líderes de movimentos sociais são, de fato, os braços operacionais de alguns chefões políticos que foram chamados de “marginais do poder” pelo ministro Celso de Mello, do STF, durante o julgamento do mensalão. Esses marginais do poder transitam em palácios e nas altas esferas, sempre ligados a negociatas bilionárias; aqueles outros, os que partem para a briga, são seus soldados informais, seus jagunços, seus mercenários.
Quando a tropa de choque chegou — e isso vocês dificilmente lerão ou ouvirão na imprensa —, a população aplaudiu. E aplaudiu porque quer ordem, disciplina, lei. E as quer para poder trabalhar, organizar a vida, ganhar o sustento com o seu trabalho.
O conflito que se viu nas ruas, leitores, não era entre polícia e sem-teto. Mas entre os que lutam para ganhar a vida, recolhendo impostos aos cofres públicos — mesmo recebendo em troca serviços de péssima qualidade — e os profissionais da desordem, que, embora não trabalhem e não produzam, exigem que a sociedade lhes dê tudo de mão beijada. Trata-se, em suma, da luta entre a população ordeira, que se reconhecia no uniforme da PM — e por isso a aplaudiu —, e a canalha que se vê representada pelas bandeiras vermelhas de baderneiros e aproveitadores.
A exemplo de qualquer trabalhador honesto, também aplaudo a PM.
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