Brasil é o 5º maior credor da dívida dos EUA
Montante brasileiro investido em títulos norte-americanos aumentou 30,89% entre maio de 2010 e maio de 2011
Pois é, quem diria?
Que Carmen Miranda fosse capaz, um dia, de comprar Hollywood!?
Surpreso, leitor, que o Brasil seja um grande credor dos EUA?
Eu, nem um pouco.
Aliás, não tinha mesmo o que fazer com essa montanha de dólares acumulados pelo Brasil, supostamente como reserva de garantia para dias difíceis.
A única coisa aparentemente melhor eram mesmo os T-Bonds, os Treasury bonds do governo americano, que devem estar pagando mais ou menos 2,5% para os títulos de 5 anos (sem descontar a inflação).
Ou seja, se o Tesouro toma dinheiro emprestado do distinto público para comprar esses dólares tão desprezados pelo resto do mundo, e com isso paga juros internos de mais ou menos 12,5%, isso significa que o Brasil está PERDENDO, nessa operação, mais ou menos 10% de remuneração por ano, o que, por baixo, deve dar uns US$ 40 bilhões (atenção: eu disse QUARENTA BILHÕES DE DÓLARES).
É isso que custa essa política insana de pretender acumular divisas, usando para isso o seu, o meu, o nosso dinheiro.
Você acha que está certo, caro leitor?
Não acho, pois além dos US$ 40 bi de custo fiscal, tem ainda o chamado custo-oportunidade, ou seja, o que poderíamos fazer com esse dinheiro se ele simplesmente não se perdesse no ar, ou seja, se o Brasil pelo menos se endividasse para investir em escolas, estradas, hospitais, etc.
Eu sinceramente preferiria que as atuais Carmen Mirandas comprassem Hollywood. Pelo menos seria um investimento mais rentável, pois o mundo vai continuar vendo filmes, qualquer filme, de Hollywood. Não acho que o mundo vai continuar eternamente comprando T-bons. Isso é só para os trouxas, como nossos governantes...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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