DIPLOMATIZZANDO:
Temas de relações internacionais e de política externa do Brasil, políticas econômicas, viagens, livros, cultura em geral.
O que é este blog?
Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org. Para a maior parte de meus textos, ver minha página na plataforma Academia.edu, link: https://itamaraty.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida;
My
great-grandfather’s brother, Michael Adler, was a distinguished rabbi
who in 1916 compiled the “Prayer Book for Jewish Sailors and Soldiers”
at the front during World War I. As “chaplain,” he toured battlefields
administering last rites. At the end of the war he asked if British Jews
had done their duty.
“Did
those British citizens of the House of Israel to whom equality of
rights and equality of opportunity were granted by the State some sixty
years ago, did these men and women do their duty in the ordeal of
battle?” he wrote. “Our answer is a clear and unmistakable YES! English
Jews have every reason to be satisfied with the degree of their
participation both at home and on the battlefronts in the struggle for
victory. Let the memory of our sacred dead — who number over 2,300 —
testify to this.”
The
question for European Jewry was always the same: belonging. Be they
French or German, they worried, even in their emancipation, that the
Christian societies that had half-accepted them would turn on them.
Theodor Herzl, witnessing French anti-Semitism during the Dreyfus case,
wrote “The Jewish State” in 1896 out of the conviction that full
acceptance for the Jews would never come.
Herzl
was prescient. Zionism was born of a reluctant conclusion: that Jews
needed a homeland because no other place would ever be home. Scrawny
scholars would become vigorous tillers of the soil in the Holy Land.
Jews would never again go meekly to the slaughter.
The
ravages of European nonacceptance endure. I see within my own family
how the disappearance of a Jewish woman grabbed by Nazis on the streets
of Krakow in 1941 can devour her descendants. I understand the rage of
an Israeli, Naomi Ragen, whose words were forwarded by a cousin: “And I
think of the rest of Europe, who rounded up our grandparents and
great-grandparents, and relatives — men, women and children — and sent
them off to be gassed, no questions asked. And I think: They are now the
moral arbiters of the free world? They are telling the descendants of
the people they murdered how to behave when other anti-Semites want to
kill them?”
Those
anti-Semites would be Hamas, raining terror on Israel, whose
annihilation they seek. No state, goes the Israeli case, would not
respond with force to such provocation. If there are more than 1,000
Palestinian deaths (including 200 children), and more than 50 Israeli
deaths, Israel argues, it is the fault of Hamas, for whom Palestinian
victims are the most powerful anti-Israeli argument in the court of
world opinion.
I
am a Zionist because the story of my forebears convinces me that Jews
needed the homeland voted into existence by United Nations Resolution
181 of 1947, calling for the establishment of two states — one Jewish,
one Arab — in Mandate Palestine. I am a Zionist who believes in the
words of Israel’s founding charter of 1948 declaring that the nascent
state would be based “on freedom, justice and peace as envisaged by the
prophets of Israel.”
What
I cannot accept, however, is the perversion of Zionism that has seen
the inexorable growth of a Messianic Israeli nationalism claiming all
the land between the Mediterranean and the Jordan River; that has, for
almost a half-century now, produced the systematic oppression of another
people in the West Bank; that has led to the steady expansion of
Israeli settlements on the very West Bank land of any Palestinian state;
that isolates moderate Palestinians like Salam Fayyad in the name of
divide-and-rule; that pursues policies that will make it impossible to
remain a Jewish and democratic state; that seeks tactical advantage
rather than the strategic breakthrough of a two-state peace; that
blockades Gaza with 1.8 million people locked in its prison and is then
surprised by the periodic eruptions of the inmates; and that responds
disproportionately to attack in a way that kills hundreds of children.
This,
as a Zionist, I cannot accept. Jews, above all people, know what
oppression is. Children over millennia were the transmission belt of
Jewish survival, the object of what the Israeli novelist Amos Oz and his
daughter Fania Oz-Salzberger have called “the intergenerational
quizzing that ensures the passing of the torch.” No argument, no
Palestinian outrage or subterfuge, can gloss over what Jewish failure
the killing of children in such numbers represents.
The
Israeli case for the bombardment of Gaza could be foolproof. If
Benjamin Netanyahu had made a good-faith effort to find common cause
with Palestinian moderates for peace and been rebuffed, it would be. He
has not. Hamas is vile. I would happily see it destroyed. But Hamas is
also the product of a situation that Israel has reinforced rather than
sought to resolve.
This
corrosive Israeli exercise in the control of another people, breeding
the contempt of the powerful for the oppressed, is a betrayal of the
Zionism in which I still believe.
Enquanto a maioria dos países condenou a violência em Gaza, na maior parte dos casos culpando ambos os lados e dirigindo críticas em variados níveis a um e a outro, o Brasil passou dos limites ao simplesmente endossar a versão do grupo terrorista Hamas para o conflito — indo além até mesmo de países como o Egito e a Jordânia em suas ações contrárias a Israel.
Em nota emitida em 23 de julho, o governo da presidente brasileira Dilma Rousseff declarou: “Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis”.
E acrescentou que seu embaixador em Israel foi chamado ao Brasil para consultas — algo que nem mesmo países árabes como o Egito ou a Jordânia fizeram até este momento em que escrevo.
Tal comunicado alinha o Brasil com Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e outros países que automaticamente tomam o partido de ditaduras militares e violadores dos direitos humanos em todo o mundo. Agora, há rumores de que o Brasil pretende se manifestar contra Israel na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em 29 de julho.
Muitos outros países condenaram o “uso desproporcional da força” por Israel, contudo a maioria deles — inclusive a Argentina, que normalmente acompanha os posicionamentos do Brasil — condenou simultaneamente o Hamas pelos ataques sistemáticos de foguetes contra alvos civis israelenses, que segundo Israel deflagraram o atual ciclo de violência.
Ademais, os Estados Unidos e os 28 membros da União Europeia, que consideram o Hamas um grupo terrorista, condenaram-no especificamente pelo uso de civis como escudos humanos.
Em 17 de julho, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina, conhecida pela sigla UNRWA, anunciou ter encontrado 20 foguetes do Hamas escondidos numa escola da ONU em Gaza. Poucos dias depois, a UNRWA anunciou outra descoberta idêntica em outra escola da ONU.
Após a crítica do Brasil, dirigida unicamente a Israel, o ministro das Relações Exteriores israelense emitiu uma declaração, afirmando que a atitude do Brasil “demonstra a razão pela qual o gigante econômico e cultural continua sendo politicamente irrelevante” no cenário internacional. Representantes de Israel esclareceram que a reação incomumente enérgica foi provocada pela decisão do Brasil de convocar seu embaixador para consultas.
Em contraste, os Estados Unidos e os 28 integrantes da União Europeia iniciaram suas declarações sobre o conflito em Gaza destacando o direito de Israel a se defender.
O Conselho da União Europeia, que inclui a França, a Bélgica e vários outros países com populações muçulmanas numerosas, manifestou-se no dia 22 de julho no sentido de que “a União Europeia condena firmemente o disparo indiscriminado de foguetes pelo Hamas contra Israel”.
E completou: “A União Europeia condena veementemente a convocação (do Hamas) da população civil de Gaza para atuar como escudos humanos. Embora reconheça o legítimo direito de Israel a se defender contra quaisquer ataques, a UE enfatiza que a operação militar israelense deve ser proporcional e em consonância com a legislação humanitária internacional”.
O Brasil pode ter chamado seu embaixador por razões políticas internas, bem como pelo desejo de agradar aos estados radicais árabes e africanos, em sua busca pela obtenção de um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
José Miguel Vivanco, responsável pela divisão das Américas da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, ressalta que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva — mentor político de Rousseff — posicionou-se consistentemente em favor dos piores violadores dos direitos humanos do mundo nos anos em que ocupou a presidência.
Mais recentemente, com Dilma Rousseff, o Brasil melhorou significativamente sua participação nas votações sobre o tema no Conselho de Direitos Humanos da ONU, porém o mesmo não ocorreu em outros fóruns diplomáticos. Na América Latina, por exemplo, o Brasil permaneceu em silêncio em relação às inúmeras violações aos direitos humanos cometidas pelas forças de segurança da Venezuela, relata Vivanco.
“O Brasil está fazendo a coisa certa ao protestar com veemência contra Israel pelo uso desproporcional da força, que resultou num grande número de mortes de civis, mas ao mesmo tempo não podia deixar de condenar os ataques indiscriminados e constantes de foguetes do Hamas contra a população civil israelense”, disse-me Vivanco.
Minha opinião: Israel pode ser acusado de falhar ao evitar a morte de civis em casos específicos durante o conflito de Gaza, e o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pode ser culpado por não fazer o bastante para acelerar a tão necessária criação de um Estado palestino, porém Israel não pode ser condenado por se defender.
Não se pode esperar de nenhum país no mundo que fique inerte enquanto um grupo terrorista dispara milhares de foguetes contra suas maiores cidades e, depois, usa civis como escudos humanos. E menos ainda quando, diferentemente do Al Fatah e outros grupos palestinos mais moderados, o Hamas conclama à aniquilação de Israel e ensina às crianças palestinas que matar judeus é uma prestação de serviço a Alá.
Se o Brasil quer ser levado a sério como uma democracia moderna e um ator internacional responsável, deveria agir como tal.
Raramente eu vi um jornalista criticando não um ou outro articulista ou matéria de jornal, mas um jornal inteiro, por suas práticas dúbias de publicação.
De fato não é monopólio da FSP, mas esse jornal tornou-se um emblema do mau jornalismo, ultimamente, ao publicar matérias não controladas por seus diretores editoriais, deixando portanto que a ralé do subjornalismo, esse lumpen formado nas Faculdades Tabajara e militantes de um partido conhecido, divulguem mentiras politicamente orientadas.
Aqui uma matéria que vale tanto como lição de jornalismo, como informação equilibrada sobre esse dramático conflito, que eu não veria como sendo entre Israel e "Palestina", mas entre Israel e os terroristas do Hamas. Estou praticando viés? De forma alguma: existem terroristas no mundo e o Hamas entra nessa categoria.
Querem mais: temos aqui ao lado, um grupo terrorista, as Farc, aliás muito amigas dos companheiros no poder...
Paulo Roberto de Almeida
As pessoas perderam a noção em artigos nos principais jornais e
revistas do Brasil. Primeiro, um artigo na Folha dizia que os palestinos
não existiam e foram inventados por Yasser Arafat nos anos 1960. E,
hoje, a Folha publica artigo dizendo que a única solução para o Oriente
Médio seria Israel não existir. Em vez de pluralidade, a Folha publica
extremismo e bobagens (isso não inclui o ótimo correspondente Diogo
Bercito e o editor de Inter Fabio Zanini, que fazem um ótimo trabalho). Nos dois lados, no Brasil, tenho lido
absurdos envolvendo o conflito entre Israel-Palestina escritos por
pessoas sem o menor conhecimento do tema e que nunca pisaram em Tel
Aviv, Gaza, Jerusalém, Ramallah, Nazaré e Haifa. Eu não critico ninguém
no meu blog, pois acho que cada um deva ter uma opinião. Mas chegou o
momento de pessoas como eu se levantarem contra os radicais dos dois
lados que vêm alimentando os sentimentos antissemitas, islamofóbicos,
anti-árabes e anti-cristãos em grandes órgãos de imprensa, como a Folha.
Portanto fiz este guia para entender o atual conflito 1. Israel e Palestina estavam bem
próximos de um acordo de paz meses atrás. Os dois lados concordavam em
praticamente tudo. Basicamente, um Estado palestino seria criado na
maior parte da Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Os principais blocos de
assentamento ficariam com Israel em troca de outras terras. A Palestina
seria desmilitarizada, com a segurança inicialmente nas mãos de Israel
em uma transição para a OTAN (Costa Rica também é desmilitarizada).
Jerusalém seria uma municipalidade unificada, mas capital dos dois
Estados. Os refugiados palestinos poderiam retornar para o novo Estado,
mas não para o que hoje é Israel. Vale lembrar que, em 2013, morreram
apenas 36 pessoas no conflito, sendo 33 palestinos e 3 israelenses. É
menos do que o total em 8 horas nos últimos dias. 2. O plano, que ainda pode dar certo,
apenas não foi assinado por divergências no processo, incluindo
mal-entendidos entre Israel e EUA. Os israelenses enxergavam o processo
(não o acordo) como a libertação de prisioneiros palestinos durante
quatro etapas em troca de a Palestina não ingressar em entidades
internacionais até o acordo definitivo e de o governo poder autorizar
novas unidades residenciais em assentamentos que em um acordo final
ficariam no lado de Israel. A Autoridade Palestina e os EUA argumentavam
que o acordo previa a libertação de palestinos e árabes-israelenses em
troca apenas de os palestinos não ingressarem em entidades
internacionais. O mal entendido teria ocorrido em conversas entre o
secretário de Estado John Kerry e o premiê Benjamin Netanyahu nas quais
os termos não ficaram claro. Além disso, o líder israelense cedeu a
pressões de alas extremistas de seu governo, como Naftali Bennet, em vez
de se aproximar mais de figuras moderadas como Yair Lapid e Tzipi
Livni. 3. Depois de o plano fracassar, a
Autoridade Palestina, com o aval dos EUA, fez um governo tecnocrático
com o apoio do Fatah e do Hamas, mas sem a presença de membros dos dois
partidos. Israel, em vez de enxergar o acordo como um concessão do
Hamas, que pela primeira vez apoiava um governo reconhecendo o Estado
israelense, viu como uma provocação do presidente palestino Mahmoud
Abbas. Os dois lados romperam. 4. Semanas depois, três colonos
adolescentes israelenses foram sequestrados na Cisjordânia em uma área
sob controle civil e militar de Israel. O governo israelense
imediatamente acusou o Hamas e disse ter provas. Os EUA dizem que havia
indicações de que poderia ter havido envolvimento do Hamas, mas nunca
cravou. Israel não tornou públicas as provas. Mas lançou uma mega
operação em Hebron, na Cisjordânia, prendendo centenas de palestinos e
matando ao menos três. O Hamas nega envolvimento, mas celebrou o
sequestro, visto na Palestina como um crime comum. Dias depois, os
corpos dos adolescentes israelenses foram encontrados. E extremistas
judaicos sequestraram e queimaram vivo um adolescente palestino para se
vingar. Os extremistas judaicos estão presos. Os suspeitos palestinos
ainda não foram encontrados. 5. Tudo isso na Cisjordânia. Na Faixa
de Gaza, Israel bombardeou um túnel do Hamas usado para contrabando e
invasão do território israelense. Militantes do grupo morreram. A
organização palestina intensificou o lançamento de foguetes contra o
território israelense. Israel iniciou os bombardeios contra a Faixa de
Gaza. Depois de alguns dias, o Egito propôs um cessar-fogo. O Hamas não
aceitou, mas Israel, sim. Em seguida, o governo israelense iniciou uma
mega ofensiva por terra. Mais de mil palestinos morreram, a maioria
civil, incluindo dezenas de crianças. Trinta e cinco israelenses
morreram, a maior parte militar. A diferença no total de vítimas se deve
em parte à precariedade dos armamentos do Hamas e ao escudo
anti-mísseis de Israel. Mas uma série de países, incluindo os EUA, dizem
que Israel deveria fazer mais para evitar a morte de civis. Israel
retruca dizendo que ninguém no mundo faz mais do que os israelenses para
evitar baixas civis. 6. Hoje existe um esforço
internacional, com apoio de quase todas as nações do mundo, para um
cessar-fogo. Israel e Hamas não aceitam, a não ser por pequenas pausas
humanitárias para resgatar corpos. Os dois levam em conta seus
interesses. Os israelenses acham melhor seguir com a ação militar mais
algum tempo para eliminar o máximo possível de túneis do Hamas. O grupo
palestino, por sua vez, isolado depois de perder apoio do Irã, da Síria e
do Egito, tenta se fortalecer vendendo o atual conflito como vitória.
Para atingir este objetivo, precisa reduzir a intensidade do bloqueio em
um cessar-fogo definitivo. A tendência é o conflito se encerrar em
alguns dias ou semanas com cessar-fogo unilateral dos dois lados, como
ocorreu em 2009. Agora, sério, recomendo pararem de ler
extremistas que apenas falam bobagens dos dois lados e ficam discutindo
história seletiva de questões de séculos ou décadas atrás. Não sei como faz para
publicar comentários. Portanto pediria que comentem no meu Facebook
(Guga Chacra) e no Twitter (@gugachacra), aberto para seguidores Guga Chacra, comentarista de
política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em
Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade
Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no
Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da
Folha em Buenos Aires Comentários islamofóbicos,
antissemitas, anticristãos e antiárabes ou que coloquem um povo ou uma
religião como superiores não serão publicados. Tampouco são permitidos
ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em
ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é
permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos
temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de
vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do
jornalista Acompanhe também meus
comentários no Globo News Em Pauta, na Rádio Estadão, na TV Estadão, no
Estadão Noite no tablet, no Twitter @gugachacra , no Facebook Guga
Chacra (me adicionem como seguidor), no Instagram e no Google Plus.
Escrevam para mim no gugachacra at outlook.com. Leiam também o blog do Ariel Palacios
Todos os recursos do Hamas são canalizados para o treinamento militar
Denis Lerrer Rosenfield
O Globo, 28/07/2014
Certa cobertura jornalística e posicionamentos de determinados governantes, aí incluindo a diplomacia brasileira, deveriam fazer parte de uma história da ignomínia. Versões tomam o lugar de fatos, a ideologia vilipendia a verdade e terroristas são considerados como vítimas inocentes.
Os episódios protagonizados pela ONU, em Gaza, deveriam escandalizar qualquer pessoa sensata. Em duas escolas da ONU foram encontrados foguetes, lá depositados pelos grupos jihadhistas. Supõe-se que lá não chegaram caminhando sozinhos, mas contaram com uma explícita colaboração de funcionários da própria organização internacional. Trata-se de uma clara violação da lei internacional.
A ONU, curiosamente, não quis fornecer as fotos desses foguetes, pois elas teriam forte impacto midiático, mostrando o pouco caso do Hamas com as crianças e mulheres que diz, para a imprensa internacional, defender. Ou seja, a organização fez o jogo do terror, pretendendo, porém, apresentar-se como neutra. Ademais, posteriormente, entregou os mesmos foguetes para as “autoridades governamentais”, isto é, o próprio Hamas!
Nada muito diferente do que aconteceu na guerra passada. Durante semanas fomos bombardeados, com manchetes, de que uma sede da ONU teria sido bombardeada pelas Forças Armadas de Israel. Era uma mentira deslavada. A própria organização internacional demorou, no entanto, 30 dias para fazer o desmentido. Como assim? O desmentido apareceu um mês depois nas páginas internas de jornais, como uma pequena notícia irrelevante. O estrago midiático foi feito com a colaboração da própria ONU.
E quando digo que o Hamas não se preocupa com a vida de crianças, idosos e mulheres quando fala para a imprensa internacional, refiro-me apenas a um fato. Em seu estatuto, essa organização terrorista prega abertamente a “educação” das crianças para a “guerra santa”, inculcando em suas mentes que devem estar preparadas para o martírio.
Várias lideranças do Hamas também têm dito claramente que elas utilizam mulheres e crianças como “escudos humanos”, embora a sua apresentação seja, evidentemente, a do combate pelo Islã, onde vidas devem ser sacrificadas. Por que divulgação não é dada a este fato?
As Forças Armadas israelenses são cuidadosas do ponto de vista de preservação de vidas humanas. Telefonam e enviam mensagens às populações das áreas que serão bombardeadas. Ocorre que o Hamas impede que essas pessoas possam escapar, com o intuito de produzir o maior número de vítimas civis, que logo serão filmadas e fotografadas. São essas imagens que serão utilizadas para a formação da opinião pública mundial. É macabro!
O Terror se caracteriza por não ter nenhuma preocupação com a vida dos civis. Assim é com os mais de dois mil foguetes lançados contra o Estado de Israel. Assim é com os comandos que foram enviados para assassinar a população civil dos kibutzim próximos à fronteira. Assim é com os palestinos que se tornam reféns e vítimas dessa estratégia terrorista.
O Hamas se mistura com a população civil. Utiliza escolas, mesquitas, instalações da ONU e hospitais como esconderijos de armamentos e bases de seus ataques. Seus dirigentes máximos estão alojados em um bunker em um hospital na cidade de Gaza. Vivem também em seus túneis, que são inacessíveis para a população civil que, lá, poderia se proteger.
O Estatuto do Hamas é um claro libelo antissemita, que busca pura e simplesmente a destruição do Estado judeu: “Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer a todos aqueles que existiram anteriormente a ele.”
O seu alvo são os judeus e os cristãos. Aliás, esses últimos já são as vítimas do terror por organizações jihadistas na Síria e no Iraque. Assim está escrito: “Fazei o bem e proibis o mal, e credes em Alá. Se somente os povos do Livro (isto é, judeus [e cristãos]) tivessem crido, teria sido melhor para eles. Alguns deles creem, mas a maioria deles é iníqua.”
Para eles, os judeus fazem parte de uma grande conspiração internacional, à qual terminam associando também os cristãos. Utilizam, para tal fim, um livro antissemita do século XIX, forjado pela polícia czarista, para justificar o massacre de judeus. Eis o Estatuto: “O plano deles está exposto nos Protocolos dos Sábios de Sião, e o comportamento deles no presente é a melhor prova daquilo que lá está dito.” Mais clareza impossível, porém alguns teimam em não ler. É a miopia ideológica.
Enganam-se redondamente os que dizem que o Hamas procura a negociação. Para eles: “Não há solução para o problema palestino a não ser pela jihad (guerra santa)”, isto é, o extermínio dos judeus.
Israel aceitou todas as propostas de cessar-fogo, relutando, mesmo, em empreender a invasão terrestre. O que fez o Hamas: não cessou o lançamento de foguetes e rompeu todas as tréguas. Aliás, foi coerente com os seus estatutos: “Iniciativas de paz, propostas e conferências internacionais são perda de tempo e uma farsa.”
Neste contexto, falar de “desproporcionalidade” na resposta militar israelense revela desconhecimento ou má-fé. O país não poderia continuar vivendo sob o fogo de foguetes, como se aos judeus estivesse destinado viver debaixo da terra, em abrigos subterrâneos. Aliás, essa é uma boa distinção entre Israel e o Hamas. Os abrigos são para os civis, enquanto em Gaza são para os terroristas.
Observe-se que todos os recursos do Hamas são canalizados para o treinamento militar, a construção de túneis (agora de ataque) e a compra de armamentos e foguetes. O resultado está aí: a miséria de sua população.
As manifestações pró-Hamas que tiveram lugar em Paris tiveram a “virtude” de mostrar sua natureza antissemita, onde se misturam declarações contra o capitalismo, morte aos judeus e ataque a sinagogas. Tiveram, por assim dizer, o “mérito” da coerência. Esse setor da esquerda se associa ao terror, expondo toda a sua podridão. Será que certos setores da esquerda brasileira estariam trilhando também esse caminho da ignomínia?
Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Ao Excelentíssimo Senhor Ministro das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo Machado
Sempre tive, bem como a minha família, íntima relação com o Itamaraty através de dois chanceleres: Horácio Lafer e Celso Lafer, ambos judeus, que honraram não apenas o nome da família, mas o Brasil e sua política externa.
Não preciso lembrá-lo também da importância de Oswaldo Aranha, quando Embaixador junto a ONU, na criação do Estado de Israel, trazendo com isso o agradecimento de todos os judeus do mundo.
É, portanto, com estranheza que acabei de ler a séria ofensa feita ao Estado de Israel e a todos nós judeus, pelo Itamaraty, quando “chamou o Embaixador para consulta”.
Tanto meus pais quanto eu, fazemos parte das gerações que atravessaram o holocausto e herdaram a missão de prestar serviços à humanidade e aos países que agasalharam os judeus na fuga milenar das perseguições oriundas de preconceitos, de ódios raciais e religiosos.
A nota do Itamaraty demonstra claramente um retrocesso da política fracassada de levar o Brasil para um envolvimento errado e desnecessário, antagônico ao princípio de não intervenção, o que tem sido um dos pilares da política externa brasileira através dos tempos.
A análise preconceituosa do que realmente está acontecendo no conflito em Gaza, seguramente levou o Itamaraty a conclusões apressadas e equivocadas.
Israel se defende de ataques de grupos terroristas, do Hamas associado ao Hezbollah, ao Irã e de tudo aquilo que é mais odiento na evolução política do Oriente Médio. Estranho o Brasil omitir-se em relação a esses grupos que tentam, pelo terror, “jogar os judeus ao mar”. Isto seguramente não acontecerá.
Ninguém mais do que o próprio Estado de Israel e as comunidades judaicas do mundo lamentam a perda inútil de vidas humanas provocadas pelo uso suicida das populações civis de Gaza, pelos terroristas de Hamas. Por outro lado, choramos também pelos soldados israelenses que tombaram lutando pela segurança do Estado e de suas famílias.
Pela admiração que tenho por V. Exª., gostaria que fosse levado em conta não apenas pressões políticas imediatistas, internas ou externas ao Itamaraty, mas também os grandes serviços que a comunidade judaica brasileira vem prestando ao nosso país no passado, no presente, bem como nosso compromisso com o futuro do Brasil, nosso país, e de Israel como centro da nossa cultura.
Muito agradeço sua mensagem, pois me permite dar explicações ao amigo de tantos anos, a quem sempre respeitei e respeitarei. Sinto muito ter causado ofensa, pois isto jamais foi minha intenção. Peço sua paciência para arrolar algumas considerações:
- Em nota do dia 17 deste mes o Itamaraty condenou tanto os ataques de foguetes pelo Hamas contra Israel, quanto o ataque desproporcional israelense a Gaza, mantendo nossa postura de equilíbrio e reclamando o cessar fogo imediato e a solução de dois Estados, Israel e Palestina, vivendo em paz e segurança;
- a nova nota, datada de ontem, se prende à tragédia humanitária da morte de crianças, mulheres e idosos, em grande número, como consequência da luta;
- hoje dei várias declarações à imprensa, em que ressalto e reitero nossa condenação aos ataques do Hamas e defendi o direito de auto-defesa de Israel. Esclarecei que nossa nota se prende à proporcionalidade da resposta israelense, diante da elevada perda de vidas na população civil. Morreram cerca de 200 crianças palestinas. Sejam palestinas, sejam israelenses, são 200 crianças.
- apesar de declarações destemperadas de um porta-voz israelense, optei por não polemizar, dizendo que povos e países amigos podem discordar eventualmente, e que isso deve ser feito sempre de maneira respeitosa;
- ressaltei que a amizade e as relações com Israel devem ser preservadas.
Você me conhece e sabe que não sou dado a radicalismos. Nem teria por que fazê-lo com relação a Israel. O Brasil é um belo exemplo de como as comunidades de origem judaica e árabe convivem em paz e harmonia.
Acho apenas que criticar as ações de um governo não quer dizer criticar um país ou um povo. Não aceito que essas coisas se confundam. Tenho muitos amigos de origem judaica que são críticos do atual governo israelense, e em termos muito duros. Nem por isso suas críticas são consideradas ofensas.
Eu agradeço muito sua franqueza e respeito suas colocações. Peço ao amigo que também aceite as explicações que dou. Muito longe de mim ofender amigos tão queridos como meus amigos judeus. Muito menos, ofender uma pessoa como você.
Mas quero ter o direito de discordar respeitosamente do governo israelense, quando for o caso, sem que isso seja lido como uma ofensa a todo um povo. A morte de um número elevado de mulheres, crianças e idosos é uma perda para todos, pouco importa sua origem.
O Hamas e a Jihad Islâmica, que são grupos terroristas, e a Autoridade Palestina, reconhecida internacionalmente como governo legal dos palestinos, convocaram nesta sexta um “Dia de Fúria”, desta feita na Cisjordânia, o território controlado pelo Fatah, grupo ao qual pertence Mahmoud Abbas, presidente da AP. O esforço, como se vê, é para levar o caos da Faixa da Gaza, onde se dá a guerra entre Israel e o Hamas, para a Cisjordânia, que vivia dias naturalmente tensos, mas estava relativamente em paz. Que líder, com um mínimo de responsabilidade, faz essa escolha? Confrontos com as forças israelenses fizeram cinco mortos. Na Faixa de Gaza, a Al Aqsa, televisão controlada pelo Hamas, começou a divulgar canções pró-Intifada, pró-levante. O confronto, até agora, já matou mais de 800 palestinos. São 36 os soldados israelenses mortos, maior número de baixas desde a Guerra do Líbano, em 2006. É lamentável? É. Faz-se necessário um cessar-fogo imediato? Sim. E quem não permite que isso aconteça? O Hamas, que é, desde sempre, a força agressora nesse conflito — pouco importa o que cada um de nós pense sobre a questão israelo-palestina. Para um cessar-fogo, o Hamas exige o fim do bloqueio a Gaza. Ora, isso é o que eles já pediam, usando essa reivindicação como justificativa para jogar seus milhares de foguetes contra Israel. Se, antes da reação militar, Israel não cedeu — no que fez muito bem —, por que cederia agora? Contabilidade de mortos não confere superioridade moral a ninguém, especialmente quando um dos lados do conflito, como é sabido, recorre a escudos humanos. Israel hesitou em dar início à ofensiva terrestre — e tratei aqui desse assunto — porque é claro que o resultado seria terrível, dadas as características demográficas de Gaza e a forma de luta escolhida pelo Hamas, que não distingue civis de homens em guerra. O governo brasileiro continua a produzir delinquências políticas a respeito. Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidente Dilma para assuntos internacionais, afirmou, por exemplo, que há um “genocídio” em Gaza. É ideologia rombuda misturada a ignorância. Acusar os judeus, que foram vítimas da tentativa de extermínio nazista — este, sim, genocida —, de tal prática é só uma das formas de negar o Holocausto. Mas nada me surpreende nessa gente. Garcia, um prosélito vulgar de causas ruins, escreveu um texto com ataques a Israel num desses panfletos de esquerda de que se serve o governo. A política externa brasileira virou uma chanchada macabra. O Itamaraty, como se sabe, emitiu uma nota em que condena explicitamente a ação israelense, ignorando solenemente os ataques do Hamas. A chancelaria de Israel afirmou que a opinião do governo brasileiro era irrelevante. Indagado a respeito, Garcia diz que não responderia ao “sub do sub do sub”. A ignorância é sempre arrogante. Se há mesmo vozes dispostas a falar em nome da paz, a única coisa sensata a fazer neste momento é apelar para que o Hamas aceite o cessar-fogo para que se possa abrir um corredor humanitário em Gaza para atender as vítimas. E termino com uma questão que pede uma resposta. O Hamas jogava milhares de foguetes em Israel sob o pretexto de pedir o fim do bloqueio a Gaza. Israel não cedia porque o grupo quer as fronteiras abertas para que possa se armar com o propósito de atacar o país. A situação estava se tornando insustentável, e uma nova incursão a Gaza seria fatal se os terroristas não suspendessem seus ataques. O mundo ficou calado diante da escalada do Hamas. Nesse contexto, o que restava a Israel senão se defender? Os que se calaram antes diante da ação terrorista agora se dizem chocados com o número de mortos? Isso não é piedade, mas cinismo.
24/7/2014 14:44
Por Redação, com agências internacionais - de Jerusalém
segundo o porta-voz israelense Yigal Palmor, o Brasil não passa de um “anão diplomático”
Além das mortes de mais de 700 palestinos, o governo de Israel
conseguiu, nesta quinta-feira, ferir gravemente a diplomacia brasileira
ao afirmar, por intermédio de sua Chancelaria, que o “comportamento” do
Brasil “ilustra a razão por que esse gigante econômico e cultural
permanece politicamente irrelevante”. Além disso, o governo disse que o
país escolhe “ser parte do problema, em vez de integrar a solução” e,
segundo o porta-voz israelense Yigal Palmor, o Brasil não passa de um
“anão diplomático”. O “comportamento” que mereceu as duras críticas de
Tel Aviv trata-se do comunicado distribuído na noite passada, no qual o
Itamaraty condena o “uso desproporcional da força” por parte de Israel e não faz referência às agressões de palestinos contra israelenses.
– Essa é uma demonstração lamentável de por que o Brasil, um gigante
econômico e cultural, continua sendo um anão diplomático – afirmou
Palmor ao diário israelense The Jerusalem Post.
Outra medida que irritou o Estado judeu foi a reprimenda diplomática brasileira ao chamar o embaixador de Israel
em Brasília, Rafael Eldad, para expressar seu protesto, e convocar o
embaixador brasileiro em Tel Aviv, Henrique Pinto, de volta a Brasília.
Segundo as regras da diplomacia, o protesto feito a Eldad e a convocação
de Pinto mostram sinais de forte desagrado. Em sua página na internet, a
diplomacia israelense acusou o Brasil de “impulsionar o terrorismo” e
afirmou que isso, “naturalmente”, afeta a “capacidade do Brasil de
impulsionar influência”.
Na nota, Israel se diz “decepcionado” com a convocação do embaixador
brasileiro e observa que a atitude “não reflete” o nível das relações
bilaterais, além de “ignorar o direito de Israel de se defender”.
“Israel espera apoio de seus amigos em sua luta contra o Hamas,
reconhecido como uma organização terroristas por muitos países”, afirma o
documento.
Apenas algumas horas após a crítica sem precedentes do governo
israelense, o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, colocou
panos quentes na crise ao afirmar que a “discordância entre amigos é
natural”. Figueiredo acrescentou que o comunicado do Itamaraty na noite
passada, que recebeu o aval da presidenta Dilma Rousseff, segundo apurou
o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, “não apaga as
críticas feitas anteriormente ao Hamas só porque não as menciona”.
– O gesto que tinha que ser feito foi feito. O Brasil entende o
direito de Israel de se defender, mas não está contente com a morte de
mulheres e crianças – explicou.
Fontes citadas pela Folha afirmam que o Itamaraty e o Palácio do
Planalto ainda estudam a melhor reação para um comentário considerado
“tão duro”. “Se, de um lado, alguns diplomatas brasileiros alertam para
que não se ‘bata boca’ com Tel Aviv, outros analisam ser necessário uma
resposta enérgica da própria presidente da República para responder a
crítica à altura. Em Gaza, o gesto brasileiro foi recebido com festa.
Palestinos se aproximaram da reportagem da FSP para expressar gratidão
ao governo Dilma Rousseff”.
– Obrigado por convocar seu embaixador. O Brasil é melhor do que os
países árabes, como o Egito, que não fazem nada – disse Tawfiq Abu
Jamaa, em Khan Yunis.
Desde que começou a operação israelense Margem Protetora, no dia 8
deste mês, mais de 700 palestinos, na grande maioria civis, foram
mortos. Do lado israelense, morreram 32 militares e três civis, sendo um
cidadão tailandês. O intuito da operação é desmantelar o movimento
radical islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza.
Por certo, que existe, e ele é velho, ou antigo, longo, terrível, mas no momento atual o que parece existir é uma invasão da faixa de Gaza por tropas do IDF contra terroristas do Hamas, e certamente Israel está exercendo força desproporcional, vitimando um número enorme de civis inocentes.
Tudo isso é certo, mas não deveria impedir que as palavras, os conceitos, os termos exatos fossem empregados, certo?
Enfim, cada um tem o direito de interpretar a realidade como vê, mas quanto mais exatas forem as palavras, me parece melhor...
Ao que parece, além do "conflito entre Israel e Palestina", existe um conflito de conceitos e um uso estranho das palavras...
Paulo Roberto de Almeida
Conflito entre Israel e Palestina
Nota do Itamaraty, 23/07/2014 -
O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.
O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes.
Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje.
Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas.
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Addendum, em 24/07/2014:
24/07/2014 10h27
- Atualizado em
24/07/2014 15h09
Israel chama Brasil de 'anão diplomático' por convocar embaixador
Brasil classificou de 'inaceitável' a violência em Gaza e pediu explicações. Declaração foi feita por porta-voz do ministério das Relações Exteriores.
Israel lamentou nesta quinta-feira (24) a decisão do Brasil de chamar
para consultas seu embaixador em Tel Aviv, uma decisão que, segundo o
governo israelense, "não contribui para encorajar a calma e a
estabilidade na região" e chamou o país de "anão diplomático" por causa
do gesto.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, disse
que a decisão brasileira “não reflete o nível de relação entre os países
e ignora o direito de Israel defender-se”. De acordo com a publicação
"The Jerusalem Post", Palmor afirmou que a medida "era uma demonstração
lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a
ser um anão diplomático".
“Israel manifesta o seu desapontamento com a decisão do governo do
Brasil de retirar seu embaixador para consultas", diz comunicado da
chancelaria israelense. "Esta decisão não reflete o nível das relações
entre os países e ignora o direito de Israel de se defender. Tais
medidas não contribuem para promover a calma e estabilidade na região.
Em vez disso, elas fornecem suporte ao terrorismo, e, naturalmente,
afetam a capacidade do Brasil de exercer influência. Israel espera o
apoio de seus amigos na luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma
organização terrorista por muitos países ao redor do mundo".
O governo brasileiro convocou para consultas o embaixador em Tel Aviv
após considerar "inaceitável a escalada de violência" e condenar
"energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de
Gaza".
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, afirmou
nesta quinta-feira (24), em entrevista à TV Globo, que o Brasil
reconhece o direito de defesa de Israel, mas que as ações militares na Faixa de Gaza devem ser feitas com "proporcionalidade". O ministro criticou mortes de crianças e civis e as classificou como "inaceitáveis".
"O Brasil, desde o início, condenou tanto o lançamento de foguetes pelo
Hamas, e nós fomos abundantemente claros com relação a isso, como
condenamos tambem a reação de Israel. Nós não contestamos o direito de
defesa que Israel tem. É um direito que ele tem. Nós contestamos a
desproporcionalidade entre uma coisa e outra. Morreram cerca de 700
pessoas na Faixa de Gaza, a grande maioria delas civis e um número
também bastante alto de mulheres e crianças. Isso não é aceitável e é
contra isso que nós nos manifestamos", afirmou o ministro.
A Confederação Israelita
do Brasil também divulgou uma nota nesta quinta manifestando sua
“indignação” com a posição brasileira. A confederação diz compartilhar
da “preocupação do povo brasileiro e expressa profunda dor pelas mortes
nos dois lados do conflito. Assim como o Itamaraty, esperamos um
cessar-fogo imediato.”
Entretanto, o grupo critica o governo brasileiro por eximir “o grupo
terrorista Hamas de responsabilidade no cenário atual. Não há uma
palavra sequer sobre os milhares de foguetes lançados contra solo
israelense ou as seguidas negativas do Hamas em aceitar um cessar-fogo.
Ignorar a responsabilidade do Hamas pode ser entendido como um endosso à
política de escudos humanos, claramente implementada pelo grupo
terrorista e que constitui num flagrante crime de guerra, previsto em
leis internacionais.”
Nos 17 dias de ofensiva militar em Gaza, pelo menos 733 palestinos e 35
israelenses morreram. Além disso, 4.600 palestinos ficaram feridos.
Interessante essa lei, e essa autorização. Ao que consta, a Faixa de Gaza não se encontra exatamente sob a responsabilidade da Autoridade Nacional Palestina, e sim do Hamas, que expulsou, militarmente, todos os antigos representantes da ANP naquele território. Como garantir, então, que esses recursos, doados à ANP, serão efetivamente empregados na reconstrução de Gaza? Nunca antes neste país uma "doação" se faz de forma tão genérica, tão vaga, sem qualquer controle sobre sua utilização efetiva. Que autoridades brasileiras de controle farão o seguimento do emprego dessas verbas? O TCU normalmente audita também as contas do Ministério das Relações Exteriores e das embaixadas, à sua escolha. Será que o TCU vai auditar as contas da Autoridade Nacional Palestina, e as obras na Faixa de Gaza? Paulo Roberto de Almeida
Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI Nº 12.292, DE 20 DE JULHO DE 2010.
Autoriza o Poder Executivo a realizar doação para a reconstrução de Gaza.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a doar recursos à Autoridade Nacional Palestina, em apoio à economia palestina para a reconstrução de Gaza, no valor de até R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais).
Parágrafo único. A doação será efetivada mediante termo firmado pelo Poder Executivo, por intermédio do Ministério das Relações Exteriores, e correrá à conta de dotações orçamentárias daquela Pasta.
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 20 de julho de 2010; 189o da Independência e 122o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Celso Luiz Nunes Amorim Paulo Bernardo Silva