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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Filho de PR pode furar a fila de embaixadores? - O Antagonista

Eduardo Bolsonaro vai furar fila

O Estadão registra que são mais de 10 as indicações de embaixadores paradas na Mesa Diretora do Senado.
Davi Alcolumbre, porém, ao que tudo indica, passará na frente a de Eduardo Bolsonaro.
No mês passado, O Antagonista publicou o currículo de quatro desses candidatos que terão de esperar um pouco mais em razão do filho do presidente da República.
Vale a pena rever:

O currículo dos 4 futuros embaixadores que serão sabatinados em agosto

A Comissão de Relações Exteriores do Senado tem 4 sabatinas de candidatos a embaixadores do Brasil marcadas para agosto.
Os senadores vão ouvir Maria Laura da Rocha, que já serviu nas embaixadas em Roma, Moscou e Paris e agora deverá representar o país na Romênia.
A bacharel em Letras Eugenia Barthelmess, ministra de primeira classe da carreira de diplomata do Ministério das Relações Exteriores, foi indicada para a embaixada em Cingapura.
Para exercer o cargo de embaixador na Hungria, o candidato é José Luiz Machado e Costa, diplomata de carreira do Itamaraty, que já foi embaixador no Haiti e junto à Organização dos Estados Americanos (OEA).
Ary Norton de Murat Quintella, outro ministro do Itamaraty, é graduado em psicologia no Reino Unido e deverá ocupar o cargo de embaixador do Brasil junto à Malásia e ao Brunei.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Senado vetou embaixadores no passado - Helio Gurovitz (Epoca)

Além desses dois casos citados, permito-me citar o caso do indicado pelo governo Geisel (ou já no começo de Figueiredo) para a representação do Brasil junto à então Comunidade Econômica Europeia, na pessoa do ex-ministro de Minas e Energia de Geisel, Shigeaki Ueki.
Na verdade, ele não foi vetado, expressamente. Ele sequer foi chamado para sabatina. A mensagem simplesmente ficou na gaveta da CREDN-SF.
Auguro o mesmo destino para o designado pelo papaizinho que pretende uma política externa "sem ideologia", sem se dar conta que o que mais existe neste governo é ideologia, só que de extrema direita. Inchallah!
Paulo Roberto de Almeida

Quando um embaixador é vetado?

Senado rejeitou nomes indicados por Jânio Quadros e Dilma Rousseff. O primeiro caso tem mais em comum com a indicação de Eduardo Bolsonaro que o segundo

Confirmada a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira em Washington, ele ainda terá de passar por sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado, depois seu nome será submetido à aprovação no plenário da Casa. Em geral, é um procedimento meramente protocolar. Mas não no caso do filho do presidente. 
De tão raras, as rejeições de embaixadores no Senado são consideradas eventos excepcionais. Dois casos no Brasil democrático ocorreram com presidentes que mantiveram relações tensas com o Legislativo e não terminaram seus mandatos: Jânio Quadros e Dilma Rousseff. 
Em 6 de junho de 1961, por 26 votos a 22, o plenário do Senado rejeitou a indicação do empresário José Ermírio de Moraes, fundador da Votorantim, para a embaixada do Brasil na então República Federativa da Alemanhã, em Bonn. Só em maio de 2015, quando por diferença de um voto (38 a 37) derrubaram a nomeação do diplomata Guilherme Patriota para a embaixada brasileira na Organização dos Estados Americanos (OEA), os senadores voltariam a vetar outro embaixador. 
A indicação de Patriota, irmão do ex-chanceler Antônio Patriota, foi vista como recado a Dilma. Ele trabalhara com o assessor internacional da Presidência Marco Aurélio Garcia e fora chefiado pelo próprio irmão na representação junto às Nações Unidas. Durante sua sabatina, adotou uma postura de confronto e derrapou nas respostas. 
“Ele poderia melhor representar a Venezuela que o Brasil”, comentou na ocasião o senador paraibano Cássio Cunha Lima, da oposição. Na mesma sessão, contudo, os senadores aprovaram com ampla margem outro indicado por Dilma para a embaixada de Paris. O conflito em torno das relações internacionais do Brasil não prosperou. 
O caso do governo Jânio tem mais em comum com a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro à embaixada em Washington. Ermírio não era diplomata de carreira, apenas um industrial de sucesso e amigo de Jânio, a quem recebia com frequência na sua casa de praia em Bertioga, no litoral paulista. “Foi vetado justamente pelo fato de ser íntimo do governante que desprezava o Congresso”, contam Duda Hamilton e Paulo Markun em 1961 – O Brasil entre a ditadura e a Guerra Civil. 
Várias características aproximam Jânio de Bolsonaro. Primeiro, o populismo. Jânio queria governar em relação direta com o povo e transmitia instruções por meio de seus proverbiais “bilhetinhos” (houve 1.534 em seu governo). Segundo, a retórica conservadora. As principais bandeiras eleitorais janistas foram as mesmas de Bolsonaro: o combate à corrupção e a austeridade. 
Terceiro, a dificuldade de articulação política no Legislativo. Eleito pelo pequeno PTN, jovem partido que não comandava mais de 2% das cadeiras no Parlamento, Jânio dependia de um arco extenso de alianças para governar, reunindo siglas mais fortes como UDN, PDC, PSB ou PSD. “Não tinha estômago para suportar o jogo político da democracia, que submete qualquer determinação a um longo processo de debate e negociação no Legislativo”, dizem Hamilton e Markun. 
Finalmente, a tentativa, logo ao assumir o governo, de imprimir um novo rumo à política externa brasileira e dar uma guinada na postura então seguida pelo Itamaraty. Com uma diferença: Jânio não empunhava as bandeiras da direita nacionalista como o clã Bolsonaro. Ao contrário, preconizava o afastamento dos americanos e uma inusitada aproximação do mundo socialista. 
“Suas posições políticas tiveram forte influência do ideário sociopolítico cristão e da visão de mundo do Ocidente, ainda que criticasse fortemente o colonialismo americano e europeu”, afirma o cientista político João Catraio Aguiar na análise A influência legislativa sobre a política externa de Jânio Quadros, publicada no ano passado. 
Na época, relata Catraio, os temas mais discutidos eram as relações com os países ocidentais e a aproximação dos países socialistas. Jânio admirava líderes independentes como o egípcio Gamal Abdel Nasser ou o iugoslavo Josip Broz Tito. Adotou uma postura mais crítica ao alinhamento automático do Brasil com os Estados Unidos. Aproximou-se do Movimento dos Não-Alinhados, condecorou o cubano Che Guevara em Brasília, foi recebido por Fidel Castro em Havana e abriu várias embaixadas brasileiras em países africanos. O então vice João Goulart, do esquerdista PTB, fez uma longa visita à China comunista. 
Seu chanceler, Afonso Arinos de Melo Franco, derivava da mesma matriz católica de Jânio, que criticava capitalismo e comunismo. Mas, ao contrário dele, tinha raízes udenistas e ainda acreditava que o Brasil deveria permanecer alinhado com as potências ocidentais. Havia um contraste entre a postura janista na política externa, a de seu próprio chanceler e a dos partidos de que dependia para governar. 
Por isso mesmo, a política externa se tornou um foco frequente de embates no Parlamento, culminando na rejeição da indicação de Ermírio. “A vitória de Jânio nas urnas foi o suficiente para disparar o gatilho da desconfiança e da vigilância sobre as ações externas do novo presidente”, relata Catraio. 
O Congresso passou a convocar quase todo mês o ministro das Relações Exteriores para longas sabatinas. Afonso Arinos tentava explicar as relações com Cuba, a neutralidade proclamada na Conferência do Cairo, as condições para intervenção noutros países, a necessidade de comércio externo diante da industrialização e, para isso, de aproximação da Alemanha Oriental, de países africanos, da China e da União Soviética. 
“Não reinou o ‘interesse nacional’, mas a estratégia partidária, principalmente de confronto ao governo”, conclui Catraio. “A polarização que cruzava os partidos encontrou lugar em temas como relações com o Ocidente e com os países socialistas.” 
Quanto mais polarizado o Parlamento, maior a chance de que a política externa se torne uma fonte de problemas para o presidente no Congresso. A indicação de Eduardo fornece ao Senado uma moeda de troca poderosa na relação com o pai dele, ainda mais dependente do Parlamento hoje do que era Jânio em seu tempo. 
 — Foto: Arte/G1 — Foto: Arte/G1
— Foto: Arte/G1

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Amazonia: alerta do comandante do Exercito, em 2015

Esta matéria, da agência do Senado, é de 13/08/2015, ou seja de três anos atrás...

Comandante do Exército adverte sobre 'déficit de soberania' na Amazônia


O general Eduardo Villas Bôas em audiência no Senado (13/08/2015)

O Brasil tem um déficit de soberania sobre a Região Amazônica. A advertência foi feita por ninguém menos que o comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, em recente audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, para analisar o controle de fronteiras e o combate ao tráfico de drogas e armas na região. Na ocasião, ele destacou a necessidade de se ter uma maior atenção com a atuação das ONGs internacionais que operam no País e ressaltou a ameaça representada pelo projeto do "corredor ecológico" proposto pelo governo da Colômbia.

De acordo com Villas Bôas, os militares estão apreensivos em relação a situações que limitam a autoridade do País em relação a questões estratégicas para o desenvolvimento da região, além de atender às aspirações dos brasileiros - em especial os da população da Região Amazônica. Como exemplo, citou o plano do "Corredor Triplo A" propos to ao Congresso de seu país pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, para a criação de uma zona de preservação ecológica dos Andes até o Oceano Atlântico, que, se implementada, poderá "esterilizar" 1,35 milhão de quilômetros quadrados dos territórios da Colômbia, Brasil e Venezuela. A intenção é apresentar o projeto para a análise da 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-21), a ser realizada em Paris, em dezembro (ver mapa - Alerta Científico e Ambiental, 30/04/2015).


Mapa do Corredor Triplo A proposto pelo governo da Colômbia

O general lembrou que a Amazônia representa 62% do território brasileiro e a eventual criação do "corredor" inviabilizaria a exploração de recursos naturais avaliados em mais de 23 trilhões de dólares, como reservas de minérios raros e biodiversidade. Ele aproveitou para se posicionar contra as propostas de se manterem os recursos naturais amazônicos "congelados" para sempre, e disse acreditar ser possível conciliar a preservação ambiental com o uso racional das riquezas da região. Para ele, tal condição configura um "déficit de soberania": "Esse déficit de soberania, esse processo todo é como combater fantasmas, porque a gente não sabe de onde vêm, o que são, o que fazem e quais são os seus objetivos, mas o resultado geral a gente pode verificar (Agência Senado, 16/07/2015)."

A proposta do "Corredor Triplo A" foi concebida pela ONG britânica Gaia International, cuja filial colombiana é a Fundación Gaia.
Além disso, Villas Bôas criticou o modelo atual de demarcação de terras indígenas, com grande concentração na Amazônia, inclusive, em áreas com forte concentração de riquezas minerais: "Não sou contra unidades de conservação em terras indígenas. (.) mas temos que compatibilizar esse objetivo com a exploração dos recursos naturais."

A falta de projetos que permitam que a exploração das riquezas naturais amazônicas seja feita de forma organizada e com fiscalização, observou, é um problema que tem provocado o contrabando ilegal desses mesmos recursos. Como exemplo, citou o caso da exploração ilícita de diamantes cor-de-rosa em terras indígenas de Rondônia, que continuam sendo extraídos e exportados sem qualquer controle. "Isso é uma hemorragia; são riquezas que o país perde, que sai pelas estruturas de contrabando, e o país não se beneficia em nada com isso", questionou.

O comandante também expôs a situação do narcotráfico na região amazônica, e observou que o Brasil é usado como corredor de passagem de cocaína para o exterior, por fazer fronteira com os três maiores produtores da droga no mundo: Colômbia, Peru e Bolívia. Villas Bôas informou que foram identificadas e destruídas pequenas plantações de coca no interior de nosso território, e que há informações da ação de traficantes brasileiros e mexicanos na Amazônia: "Já foi detectada a presença de cartéis mexicanos, aqui, na Colômbia e no Peru. O cartel mexicano tem um modus operandi extremamente violento, e essa violência já começa a transbordar para o nosso lado."

Já o tráfico de armas, é mais presente em fronteiras no Sul do país, afirmou.
Para proporcionar um monitoramento mais efetivo das fronteiras, principalmente na Amazônia, está sendo implantado o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), desenvolvido pelo Exército e composto de sistemas de comunicação, radares e veículos aéreos não tripulados (Vants), com 70% de tecnologia nacional. O sistema começou a ser implantado em Mato Grosso, com previsão de conclusão em todo o País para 2023, embora possam haver atrasos, devido aos cortes orçamentários do governo federal, observou Villas Bôas.

O sistema pode recuperar o investimento realizado em dez anos, contribuindo para uma economia de mais de R$ 13 bilhões em gastos com segurança, nesse período.

É de extrema relevânci a uma autoridade com a responsabilidade do comandante do Exército venha a público denunciar o caráter danoso do radicalismo ambientalista-indigenista praticado pelo aparato internacional de ONG que, há mais de duas décadas, colocou o Brasil na sua alça de mira. Aguardemos para observar as repercussões relevantes na cúpula do governo federal, principalmente, no tocante às propostas que serão apresentadas na COP-21.
Para comandante do Exército, soberania sobre a Amazônia enfrenta 'déficits'

Em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), nesta quinta-feira (16), o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, alertou para riscos de enfraquecimento da soberania do Brasil sobre a parte nacional da Amazônia. Contraditado pelos senadores, ele esclareceu que não se referia a am eaças à integridade territorial, mas a situações que limitam a autoridade do país sobre decisões estratégicas para o desenvolvimento equilibrado da região, buscando atender os interesses do país e, principalmente, da população dos estados amazônicos.

- Isso se caracteriza muito bem como os 'déficits de soberania' que nós estamos admitindo dentro da Amazônia - conceituou.

O comandante citou como exemplo de iniciativa capaz de comprometer a autoridade do país a recente proposta do presidente da Colômbia, Luiz Manoel dos Santos, ao Congresso de seu país. Segundo ele, Santos sugeriu a criação de um corredor ecológico na Amazônia continental, do Andes até o Oceano Atlântico, compreendendo a Amazônia brasileira. O objetivo é levar a ideia - chamada "tríplice way" - para análise da próxima reunião da Conferência de Mudanças Climáticas (CoP 21).

Riquezas intocadas

De acordo com o general, a intenção é manter toda a extensão do corredor intocado, sem exploração de suas riquezas, como contribuição para deter as mudanças climáticas. Pelo projeto, esse corredor seria implantado em até cinco anos. Antes, registrou que a Amazônia se estende por 830 mil quilômetros quadrados, em área de nove países, inclusive o Brasil (com 62% de todo o território). As riquezas são estimadas em mais de US$ 230 trilhões, com reservas de minérios raros e rica biodiversidade.

O comandante informou que a proposta de criação do corredor tem origem na Fundação Gaia, organização não-governamental instalada na Colômbia e vinculada à entidade Gaia Internacional, a provedora dos recursos para os estudos. Disse que a ideia fundamental é a de que os recursos naturais da Amazônia devem ficar congelados para sempre. Ao contrário disso, ele defendeu ao longo da exposição que é possível conciliar a preservação e o uso racional das riquezas na região.

- Esse processo [radicalismo pela preservação] é como combater fantasmas, porque a gente não sabe de onde vêm, quem são, o que fazem e quais são seus reais objetivos - comentou.

O general Villas Bôas foi convidado para audiência em decorrência de requerimento apresentado pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que também presidiu os trabalhos. O objetivo foi debater as questões da Amazônia, como a situação do controle das fronteiras, ameaças do tráfico de drogas e armas, além do nível de coordenação com as forças militares dos países limítrofes.

Reservas indígenas

O comandante do Exército fez também restrições ao modelo de reservas indígenas, concentradas sobretudo na Amazônia. Julgou questionável a "coincidência" do estabelecimento de reservas em áreas com forte concentração de riquezas minerais, o que procurou demonstrar com a apresentação de mapas das reservas indígenas e de jazidas minerais já identificadas.

- Não sou contra unidades de conservação em terras indígenas. Ao contrário, temos que ter desmatamento zero, temos que proteger nossos indígenas, mas temos que compatibilizar essa objetivo com a exploração dos recursos naturais - defendeu.

Sem projetos para que a exploração das riquezas seja feita de modo equilibrado, sob controle e fiscalização, o general disse que tudo passa a acontecer clandestinamente. Como exemplo, citou os veios de diamantes cor-de-rosa nas terras indígenas Roosevelt, em Rondônia. Disse que os diamantes continuam sendo extraídos e saindo ilicitamente do Brasil.

- Isso é uma hemorragia; são riquezas que país perde, que sai pelas estruturas de contrabando, e o país não se beneficia em nada com isso - criticou.

Narcotráfico

De acordo com o general, o país ainda não é produtor de cocaína, mas está sendo usado como corredor de passagem de droga para o exterior. Isto, além de representar grande mercado consumidor, o segundo do mundo depois dos Estados Unidos. Até o momento, Villas Bôas disse que foram detectados e erradicados pequenos pl antios dentro do país. Porém, já teriam sido captados sinais preocupantes de articulações de narcotraficantes do país e mesmo do México. Quanto ao tráfico de armas, esclareceu que essa atividade é mais presentes em fronteiras da Região Sudeste e Sul.

Por parte das Forças Armadas, segundo o general, a resposta para aumentar a proteção das fronteiras, inclusive na Amazônia, é a implantação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron). Desenvolvido pelo Exército, o sistema envolve radares, sistemas de comunicação e veículos aéreos não tripulados (Vant), com 70% de tecnologia nacional.

Explicou que o Sisfron começou a ser implantado pelo Mato Grosso do Sul, com previsão de conclusão em 2023, ao fim de dez anos. No entanto, admitiu que o projeto pode atrasar, em razão de cortes orçamentários. Segundo o comandante, mesmo se o sistema tivesse apenas 1,5% de eficácia, poderá contribuir em dez anos para uma economia de R$ 13,5 bilhões em gastos com segurança, recuperando todo o investimento.

Com grande participação de senadores, a audiência foi concluída com a promessa de apoio para incremento de recursos que permitam acelerar a implantação do Sisfron.

Fonte: Agência Senado
 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Historia da Literatura Ocidental - Otto Maria Carpeaux: disponivel

Uma oportunidade a não perder, para quem não tem a edição impressa da monumental obra do grande intelectual austríaco, naturalizado brasileiro, Otto Maria Carpeaux (nome afrancesado a partir do original em alemão), um dos maiores conhecedores da literatura universal, em especial a ocidental.


Resumo

Apresentada em quatro alentados volumes, esta é uma das mais importantes obras publicadas no Brasil no século XX. A Folha de S.Paulo, no final do século passado, reuniu especialistas para escolher as cem melhores obras de não-ficção do século XX e a História da literatura ocidental de Carpeaux alcançou o 18.º lugar.
No primeiro volume, Otto Maria Carpeaux (Viena, 1900-Rio de Janeiro, 1978) parte da Antiguidade greco-latina, percorre as expressões literárias da Idade Média e analisa o Renascimento e a Reforma. No segundo volume, faz a exegese do Barroco e do Classicismo, analisa a poesia, o teatro, a epopeia e o romance picaresco, entre outros temas e autores, tais como Cervantes, Góngora, Shakespeare e Molière. Ainda no segundo volume, continua o estudo do neobarroco, do Classicismo racionalista, do Pré-Romantismo, os enciclopedistas e o que chama de “o Último Classicismo”. O terceiro tomo refere-se à literatura do Romantismo até nossos dias. Nele está incluído o Romantismo brasileiro, o que contribui para o entendimento de autores brasileiros como José de Alencar, Castro Alves e Álvares de Azevedo, além de Machado de Assis na sua fase cunhada de “romântica”. Ainda nesse terceiro volume, estão o Realismo e o Naturalismo e seu espírito de época: Balzac, Eça, Tolstói, Zola, Dostoiévski, Melville, Baudelaire, Machado, Aluísio Azevedo, Augusto dos Anjos, entre tantos autores, aqui são estudados para expressar um período de grande transformação social com o aparecimento do marxismo e das lutas sociais mais politizadas. O quarto volume traz extensa análise sobre a atmosfera intelectual, social e literária do fin du siècle oitocentista e o surgimento do Simbolismo naquilo que o autor chama de “a época do equilíbrio europeu”. E, por fim, depois de enveredar pelas vanguardas do século XX e de fazer esboço das tendências contemporâneas, o autor austro-brasileiro encerra sua obra, monumental não somente pela extensão e abrangência de autores e estilos de época, mas também pela verticalidade com que analisa e aprofunda cada época, autor e assunto. Elogiada por Antonio Candido, Drummond, Álvaro Lins, Aurélio Buarque de Holanda e outros intelectuais e escritores, a História da literatura ocidental de Otto Maria Carpeaux é definitiva, enciclopédica e multidisciplinar, fundamental na bibliografia literária e cultural brasileira. Vol. 107A: CXLIV + 542 páginas; Vol. 107B: 816 páginas; Vol. 107C: 732 páginas; Vol. 107D:796 páginas 

Baixe o livro em pdf: http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/528992



Roberto Campos: sessao especial do Senado, livros - Paulo Roberto de Almeida

Finalmente, destacado do conjunto dos pronunciamentos feitos na sessão especial em homenagem ao Roberto Campos, meu pronunciamento em sua homenagem, feito no plenário do Senado Federal no dia em que o insigne diplomata, economista, ministro, senador, deputado, enfim estadista e grande intelectual, estaria completando cem anos, em 17 de abril.
Neste link do YouTube: 
https://youtu.be/XobuvjMuy7k

Para maiores desenvolvimentos, e análise sintética de cada uma de suas obras, desde a tese de mestrado, defendida na George Washington University em 1947, até seus últimos escritos, recomendo a leitura destes dois livros: 
 
Paulo Roberto de Almeida (org.):

       O Homem que Pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos

       (Curitiba: Editora Appris, 2017, 373 p.; ISBN: 978-85-473-0485-0)



            Roberto Campos foi, possivelmente, um dos maiores intelectuais brasileiros da segunda metade do século XX, com a peculiaridade de que, além de ser diplomata, se tratava também de um dos grandes economistas, homens públicos e estadistas, que dedicou sua vida a tentar salvar o Brasil de si mesmo, sem no entanto conseguir êxito na empreitada. Organizado por um diplomata que leu, ou releu, toda a sua obra, desde a tese defendida na George Washington University em 1947, até seus últimos escritos, passando pelas suas indispensáveis memórias, o livro também contou com a colaboração de outro diplomata, Carlos Henrique Cardim, que discorreu sobre a participação de Roberto Campos nos encontros internacionais da UnB, que ele também organizou. Paulo Roberto de Almeida traçou sua magnífica trajetória intelectual.

e: 


Ives Gandra da Silva Martins; Paulo Rabello de Castro (orgs.):


       Lanterna na proa: Roberto Campos Ano 100

       (São Luís: Resistência Cultural, 2017, 342 p.; ISBN: 978-85-66418-13-2)



Sessenta e dois colaboradores nesta outra homenagem a Roberto Campos, entre eles quatro diplomatas: Eduardo dos Santos (sobre a sua chefia, de 1974 a 1982, da embaixada em Londres), Paulo Roberto de Almeida (Bretton Woods, BNDE e receita para desenvolver um país), Rubens Barbosa (Um homem adiante de seu tempo) e Sérgio Eduardo Moreira Lima (“Bob Fields”: o estigma, o diplomata e os valores nacionais). Cada um deles desenvolve diferentes aspectos da vida, da obra e das atividades econômicas ou diplomáticas de Roberto Campos, sempre enfatizando seus ideais de liberdade, de economia de mercado, de reformas estruturais para arrancar o Brasil de uma situação de pobreza evitável para colocá-lo numa condição de prosperidade possível.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

TV Senado faz documentario sobre Roberto Campos; links

Recebido, links do Senado:





Roberto Campos além do tempo: uma voz dissidente e profética do Brasil

   
Patrícia Oliveira | 17/04/2017, 08h34
“O mundo está ficando cada vez mais parecido com as minhas ideias”, disse o cuiabano Roberto Campos em referência às mudanças que ocorriam no final da década de 90. Se estivesse vivo, completaria cem anos este mês e constataria que suas ideias estão mais atuais do que nunca. O economista, diplomata e parlamentar antecipou os grandes debates que dominariam o cenário político e econômico do país e do mundo neste século.
Nesta segunda-feira (17), a pedido do senador Cidinho Santos (PR-MT), o Senado Federal faria sessão especial destinada a comemorar o centenário de nascimento do ex-senador. Em decorrência de requerimento do deputado Paes Landim (PTB-PI), a iniciativa foi transformada em sessão solene do Congresso Nacional. A sessão está prevista para começar às 11h.
Roberto Campos ajudou a criar o atual Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco Central do Brasil, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o Estatuto da Terra. Participou da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, importante estágio na construção do pensamento brasileiro em planejamento econômico.
Frequentou as principais conferências mundiais que estabeleceram as regras para as relações comerciais e financeiras entre os países: Bretton Woods (1944), que criou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial; Conferência de Havana (1947), que deu origem à Organização Mundial de Comércio (OMC).
Liberal, defendia a privatização e as reformas, a educação, a tecnologia e o acesso aos mercados externos. Pragmático e polêmico, cultivou muitos admiradores e desafetos. Os críticos que o acusavam de ser “entreguista” e “americanizado” cunharam-lhe o famoso apelido “Bob Fields”. Para ele, no entanto, o antiamericanismo era “a moléstia infantil do nosso nacionalismo”. E em entrevista na TV cravou: “O dinheiro não tem cor e se ele toma a forma de investimento é útil. Seja providenciado por Deus ou pelo diabo”.
Embaixador em Londres e também em Washington, no governo João Goulart (1961-1964), Roberto Campos passou boa parte da vida diplomática na tentativa de negociar empréstimos para o Brasil.
Foi autor (e coautor) de diversas obras, entre elas destacam-se: O Mundo que Vejo e não DesejoA Lanterna na Popa, livro de memórias; e os últimos ensaios do Na Virada do Milênio.

Dissidente

Voz sempre dissidente, demitiu-se no segundo governo de Getúlio Vargas (1930-1945) por condenar o que considerava “demagogia e populismo”, e não hesitou em se demitir também sob Juscelino Kubitscheck, com quem colaborou na elaboração do Plano de Metas. Chamou Brasília de “a capital do deficit e da inflação”, construída “contra o orçamento”.
Foi figura de destaque como ministro do Planejamento de Castello Branco, no período do regime militar, com medidas que levariam ao milagre econômico; mas contra o qual depois fez críticas pelo tamanho do Estado.
Também combateu a Constituição de 1988, que julgava “desnecessária”, e não poupava os pares no Congresso. Desse período restaram as recordações do senador Edison Lobão (PMDB-MA), seu colega na Constituinte.
— Ele tinha verdadeiras cólicas de decepção com algumas emendas que eram aprovadas na Constituinte que, a juízo dele, mais prejudicavam o país que ajudavam — relembra.
A ironia fina, que era marca registrada de Campos, também ficou na lembrança de Lobão.
— Certa vez ele me disse: 'Olha Lobão, hoje eu fiquei feliz porque a Constituinte aprovou uma emenda que me beneficia diretamente. Eu sempre tive muito medo de morrer e com essa emenda aprovada aqui eu não vou morrer nunca mais'. Eu disse:'Como assim?' E ele respondeu: 'Está dito lá que todos os brasileiros têm direito à vida' — relatou.

Trajetória

A trajetória desse personagem fundamental para o país, falecido em 2001, está descrita no livro O Homem que Pensou o Brasil, lançado em comemoração ao seu centenário e organizado pelo diplomata Paulo Roberto de Almeida, diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais. Para escrever metade da obra, ele leu toda a bibliografia de Roberto Campos desde a dissertação de mestrado e artigos para jornais, até textos póstumos e outros ainda inéditos.
— O trabalho de mestrado dele foi considerado por um grande economista austríaco da época, Joseph Schumpeter, como uma tese de doutorado, dada a profundidade da análise sobre flutuações e ciclos econômicos — observa.
O livro destaca o saneamento financeiro promovido por Roberto Campos no final da década de 60 para a construção das bases de crescimento do país.
— O Brasil alcançou taxas que, nós diríamos hoje, chinesas. De 10% a 14% ao ano em 1973. Eram os asiáticos que vinham até aqui tomar receitas de crescimento econômico — comenta Paulo Roberto de Almeida.
As ideias de Roberto Campos são realçadas no livro de modo a revelar o “homem do mundo”, um tanto insurgente, mas depois legitimado pela história na defesa das liberdades econômicas e da racionalidade política.
— Ele se batia contra cinco “ismos”: populismo, nacionalismo, protecionismo, patrimonialismo e prebendalismo. Para sair da “miséria dispensável” e caminhar para uma riqueza aceitável e possível — explica.
Almeida lembra que apesar do papel importante que teve na construção do Estado forte dos militares, Roberto Campos se arrependeria depois.
— Nos últimos 20 anos de sua vida, praticamente foi um obstrutor do Estado promotor do desenvolvimento. Ele achava que o Estado controla todo o setor privado, mas não controla a si próprio. Ele teve razão antes do tempo — avalia.
Autointitulado “diplomata herege”, Roberto Campos também tem, apontado no livro, seu lado contestador no Itamaraty , como nas questões nucleares e de desenvolvimento.

Vida parlamentar

As obras sobre Roberto Campos ainda têm a colaboração de outros autores importantes, entre eles Antonio José Barbosa, professor de História na Universidade de Brasília (UnB), que traçou o perfil parlamentar e leu todos os discursos de Campos no Congresso.
Quando foi eleito senador por Mato Grosso, Campos já era uma figura nacional conhecida.
— Ele chega ao Senado em um momento de crise aguda. Era o último governo do regime militar, de João Figueiredo, com a dívida externa que crescia exponencialmente e a inflação cada vez mais descontrolada — explica.
A atuação no Senado — entre 1983 e 1991 — foi marcada pelas proposições na área da economia, a partir da própria experiência acadêmica, intelectual e profissional. Os grandes discursos que fazia lotavam o Plenário. E alguns se tornaram históricos.
— O primeiro, de posse, quando ele fez uma espécie de confissão de seu ideário. E o último discurso, de despedida do Senado, é também impressionante, pois atesta a sua extrema coerência; mostra que os problemas apontados oito anos antes continuavam existindo, porque o Brasil teimava em não ter coragem de tomar as decisões necessárias — diz.
Famosos também eram os embates com os colegas parlamentares, como Fernando Henrique Cardoso, por quem tinha admiração.
— Ele não levava desaforo para casa. Muitas vezes quando era atacado de forma grosseira e não estava no Plenário, em viagens ao exterior, voltava e fazia questão de responder, mas sem baixar o nível da discussão.
Suas propostas não foram aprovadas. Projetos como o de combate à Lei de Informática ou da flexibilização da CLT não foram adiante. O mesmo se repetiria em seu último cargo público, na Câmara dos Deputados.
— Na verdade, ele se orgulhava das derrotas. Uma personalidade extremamente controversa, sobretudo porque refletiu o grande embate intelectual que acontecia no Brasil — ressalta o professor.
Roberto Campos é retratado nessa parte do livro não como homem de direita, ortodoxo, enclausurado na conjuntura, mas um homem prático e racional. No seu texto, o professor Antonio José Barbosa também destaca a “clarividência” de Campos.
— Problemas que estão na ordem do dia da agenda política brasileira em 2017 como as reformas tributária, previdenciária e trabalhista, tudo isso foi alertado por Roberto Campos lá nos anos 80 na tribuna do Senado.

Homenagem

O senador Cidinho Santos (PR-MT) é o autor do requerimento para a sessão especial do Senado em homenagem ao centenário de Roberto Campos.
— Meu primeiro voto foi em Roberto Campos, para senador pelo Mato Grosso. Sempre fui um admirador dele. Todos os mato-grossenses ansiavam pela oportunidade de fazer essa homenagem — disse.
Cidinho também é defensor das ideias do homenageado com relação à economia.
— Ele lá atrás já dizia que o Brasil só teria jeito se cada um tivesse a oportunidade de trabalhar e vencer na vida. E se naquele momento o Brasil tivesse seguindo um pouco  o pensamento do Roberto Campos, talvez nós estivéssemos numa situação muito melhor hoje — opina. 
O ex-seminarista e intelectual retraído — que defendeu o livre mercado, a racionalidade política e a eficiência econômica no Brasil — não prometeu igualdade e foi duramente contestado. Se soubesse que hoje muita gente sente sua falta, Campos talvez repetisse satisfeito que “É excelente ser bem falado na saída. Melhor do que ser bem recebido na entrada”.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
“O mundo está ficando cada vez mais parecido com as minhas ideias”, disse o cuiabano Roberto Campos em referência às mudanças que ocorriam no final da década de 90. Se estivesse vivo, completaria cem anos este mês e constataria que suas ideias estão mais atuais do que nunca. O economista, diplomata e parlamentar antecipou os grandes debates que dominariam o cenário político e econômico do país e do mundo neste século.