Ouço na rádio (e deve estar nos jornais brasileiros desta segunda) que um novo escândalo sacode o Senado Federal (bem, mais um, e desta vez não necessariamente por culpa dos próprios, ou talvez sim, mas indiretamente).
Uma agência de viagens, escolhida sem licitação para fornecer passagens aéreas para os nobres senadores (e alguns associados) estava cobrando um pouquinho acima da tarifa das próprias companhias aéreas para emitir o bilhete para suas excelências.
Um exemplo: um Senador achou um tantinho cara a sua passagem para Miami. A conta veio em mais de 14 mil reais. Ele verificou a tarifa na própria companhia, e seria de apenas 4 mil reais, um aumento de várias vezes, portanto, sempre no orçamento do Congresso, e portanto saindo do seu bolso caro leitor.
Ele achou um pouco exagerado e mandou investigar.
Aposto como vão trocar de companhia, ou fazer uma licitação, e tudo vai continuar como antes...
Tive essa mesma experiência, em 2013, ao ser convidado para um seminário oficial no Brasil, e ao me pagarem a passagem, em clase econômica, de ida e volta.
Pois bem, eu tive o cuidado de ir checando, conforme a proximidade da data, quanto eu teria de pagar para a companhia, caso decidisse ir eu mesmo com o meu dinheiro, e também para comprar uma passagem, nas mesmas datas para a minha mulher, Carmen Lícia, mas em classe executiva.
Dois meses antes do evento, eu tinha oferta no site da companhia por 1.100 dólares, ida e volta, Hartford-Brasília. Depois foi indo a 1200, 1300, enfim, chegou a 1.600 na véspera da partida.
Sabem quanto o órgão oficial pagou pela minha passagem em classe econômica? 2.200 dólares. Fiquei estarrecido e reclamei, pois este era o preço que eu estava pagando para a minha mulher em classe executiva.
Sobre o preço de 1.100, iniciais, eu podia colocar mais 450 dólares em cada trecho, ou seja, 900 dólares no total, para viajar em classe executiva. Foi o que fiz, aliás, com a passagem oficial, paguei do meu dinheiro para viajar com um pouco mais de conforto, uma vez que a classe econômica atualmente virou pouco mais que um ônibus...
Bem, fui ver agora nova passagem para o Brasil, em abril próximo, e em lugar de me ater ao site da companhia, onde eu pagaria cerca de 2.300 pela classe executiva, fiz um pouco de shopping entre companhias de viagem. Consegui a mesma passagem por 1.748 dólares.
Apenas pesquisando, esclareço...
Por que o governo não suprime essas ilusões da licitação com um monopólio temporário, que vai superafaurar enquanto durar a bonança?
Trata-se apenas de uma sugestão, claro, o que eu chamo de proposta decente.
Afinal de contas, o dinheiro vem de todos nós, certo?
Um pouco de concorrência não pode fazer mal ao serviço público.
Ou será que a palavra ofende os brios ideológicos de alguns?
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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domingo, 9 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Concorrencia, a mais selvagem possivel, sempre ajuda o consumidor - Mansueto Almeida
O inferno dantesco -- esqueci deste adjetivo no meu post anterior sobre Kafka e os escritores que deixaram marcas no vocabulário -- vivido pelo economista do Ipea testemunho o quanto somos prisioneiros, no Brasil, de oligopólios, carteis e outros mecanismos supostamente regulados pelo Estado mas que sempre, repito SEMPRE funcionam mal, em detrimento de nossa sanidade mental.
Discordo do economista, quando diz que o governo não precisa fazer nada. Precisa sim, abrir ainda mais todos o setor de comunicações e de audiovisual, deixar a mais aberta, selvagem, total concorrência no setor, para obrigar as empresas a servirem aos clientes, não o contrário como ocorre hoje.
Pagamos valores extorsivos pelas nossas comunicações (mas 40% é do governo esqueceram?) e somos obrigados a suportar um serviço ruim.
Paulo Roberto de Almeida
Discordo do economista, quando diz que o governo não precisa fazer nada. Precisa sim, abrir ainda mais todos o setor de comunicações e de audiovisual, deixar a mais aberta, selvagem, total concorrência no setor, para obrigar as empresas a servirem aos clientes, não o contrário como ocorre hoje.
Pagamos valores extorsivos pelas nossas comunicações (mas 40% é do governo esqueceram?) e somos obrigados a suportar um serviço ruim.
Paulo Roberto de Almeida
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Eleicoes 2014: candidato descobre o Brasil como pais caro demais, e que nao tem concorrencia...
Campos critica ideia de liberar aéreas internacionais no país
Por Raphael Di Cunto
Valor Econômico, 8/01/2013
BRASÍLIA - Pré-candidato à Presidência, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), criticou a proposta da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, de liberar o mercado de voos domésticos para companhias aéreas internacionais com o objetivo de baratear as passagens durante a Copa do Mundo.
“Esta ideia não apenas passa por cima do Código Brasileiro de Aeronáutica, como também já foi descartada pela própria Associação Internacional de Empresas Aéreas, que indicou que o prazo até o início da Copa é curto demais para que uma empresa estrangeira monte uma logística adequada”, afirmou em seu perfil oficial do Facebook.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo publicada no dia 5 de janeiro, Gleisi ameaçou abrir o mercado doméstico caso as empresas nacionais de aviação não reduzam as passagens. A mudança, ainda em estudo, seria feita por medida provisória.
Na rede social, Campos escreveu que o governo federal não tem planejamento e que descobriu “esses dias” que as passagens aéreas no Brasil são caras e que vão ficar “absurdamente mais caras” durante a Copa do Mundo. “As passagens aéreas JÁ SÃO muito caras no Brasil porque nossos aeroportos chegaram no limiar do estrangulamento; porque não temos política de incentivo à aviação regional e porque a concorrência no setor é extremamente precária.”
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Parece que certas pessoas estão acordando para o que é óbvio para a maioria dos brasileiros, e dos estrangeiros que viajam ao Brasil: nosso país se tornou caro demais.
Pois bem: quais são as soluções?
Abrir agora ou deixar para depois?
Paulo Roberto de Almeida
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