De onde vem a expressão “Brasil, país do futuro”?
Paulo Roberto de Almeida (2022)
Stefan Zweig coloca a origem da expressão no frontispício da obra que ele consagrou ao Brasil:
Um pays nouveau, un port magnifique, l’éloignement de la mesquine Europe. Un nouvel horizon politique, une terre d’avenir et un passé presque inconnu qui invite l’homme d’étude à des recherches, une nature splendide et le contact avec des idées exotiques nouvelles.
Quem escreveu isto foi um diplomata austríaco, o conde Prokesch Osten, em carta a Arthur Gobineau, em 1868, quando este hesitava em aceitar o posto de ministro na corte de D. Pedro II, que lhe havia sido oferecido pelo imperador Napoleão III.
Gobineau foi oficial de gabinete de Alexis de Tocqueville, quando este foi ministro das Relações Exteriores na Segunda República francesa (1848-1851), e se tornou mais conhecido como teórico do racismo quando publicou em 1853, o livro "Essai sur l’inegalité des races humaines", quando ele inventou a partícula aristocrática “de”, agregando-a ao seu nome de família, e passando a se intitular “conde”.
Gobineau, integrou-se à carreira diplomática, tendo servido em Berna, Hannover, Frankfurt, Terra Nova e Teerã, e foi ministro da França em Atenas. Hesitou muito em aceitar o novo posto no Brasil: permaneceu no Rio de Janeiro apenas quatorze meses, de abril de 1869 a maio de 1870; a despeito de se ter ligado de amizade com o imperador Pedro II, achou insuportável sua estada no Brasil, um país de “mestiços degenerados”, o que certamente reforçou seus preconceitos racistas.