Mostrando postagens classificadas por data para a consulta milei. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta milei. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Madame IA analisa o primeiro debate entre Lula e Flavio Bolsonaro, na TV BandNews

Madame IA analisa o primeiro debate entre Lula e Flavio Bolsonaro, na Band, 18/10/2026, de maneira quase asséptica:

"No link https://www.youtube.com/watch?v=Gqc1rQtzWUk ("Flávio Bolsonaro x Lula: debate presidencial do 2º turno na Band - 18/10/2026"), a partir de 4:16:30 (4 horas e 16 minutos e 30 segundos), começa efetivamente o debate entre Flávio e Lula. E o debate encerra realmente em 6:10:38 (6 horas e 10 minutos e 38 segundos). Nesse intervalo (entre 4:16:30 e 6:10:38), ocorreram a inserção de propaganda e publicidade televisiva (que não têm relação com o debate e, desse modo, devem ser desconsideradas na análise). Agora, apresente as perguntas e as respostas (ainda que resumidamente) dos dois candidatos. A apresentação será redigida em um texto discursivo (somente frases e parágrafos). Debate eleitoral ocorrido hoje (domingo, 18/outubro/2026), na Band TV.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro participaram do primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições de 2026, promovido pelo Grupo Bandeirantes. O encontro foi estruturado em três blocos que alternaram perguntas dos mediadores Adriana Araújo e Eduardo Oinegue com o confronto direto de tempos livres em estúdio. A dinâmica geral do debate foi marcada por embates intensos em torno de segurança pública, economia, corrupção e investigações envolvendo membros de suas respectivas famílias.
O primeiro bloco começou com os jornalistas apresentando questionamentos sobre áreas vitais de governo. Em relação à segurança pública, Flávio Bolsonaro iniciou sua resposta afirmando o compromisso de declarar "guerra ao narcoterrorismo" caso eleito. O senador prometeu tipificar formalmente as milícias, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas. Flávio afirmou que seu objetivo seria recuperar os territórios controlados pelo crime nas comunidades periféricas e adotar leis mais rígidas no sistema penitenciário para manter chefes de facções detidos por períodos prolongados. Por sua vez, Lula defendeu a proposta da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como instrumento de coordenação nacional e argumentou pela necessidade de uma atuação estratégica e conjunta da União com os governos estaduais para combater a criminalidade de forma eficiente.
Na seara econômica e de desenvolvimento industrial, os mediadores interrogaram os candidatos sobre quais seriam os mecanismos para impulsionar a produtividade do país. Lula destacou as realizações de sua própria gestão à frente da Presidência, citando formalmente o programa Nova Indústria Brasil voltado ao fomento e inovação do parque industrial nacional. O presidente também apontou como meta governamental investimentos contínuos na chamada economia digital e na economia criativa, visando à capacitação técnica e à formação massiva de jovens em áreas tecnológicas, matemáticas e de engenharia para gerar um salto qualitativo no crescimento econômico nacional. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro concentrou sua argumentação em pesadas críticas aos gastos orçamentários da administração pública federal. O candidato de oposição propôs a execução de cortes nos gastos governamentais e a redução do endividamento público para restabelecer a estabilidade financeira nacional, sem detalhar minuciosamente as fontes orçamentárias que sofreriam tais contingenciamentos.
À medida que os tempos livres foram abertos nos blocos subsequentes, as discussões sobre propostas de governo deram lugar a sucessivas interpelações sobre integridade pública e escândalos corporativos ou governamentais. Lula adotou uma postura incisiva de cobrança e direcionou repetidas perguntas sobre o chamado caso Master. O petista exigiu esclarecimentos do senador acerca do destino financeiro de R$ 134 milhões supostamente negociados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar e financiar a produção cinematográfica de "Dark Horse", obra dedicada à trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro optou por uma estratégia evasiva e evitou responder ao cerne do questionamento sobre o paradeiro dos fundos, limitando-se a declarar que o adversário iria gostar de assistir ao filme e exaltando a memória do pai.
O embate prosseguiu na arena dos direitos dos trabalhadores e do bem-estar social. Lula confrontou o senador do PL a respeito de posicionamentos controversos, questionando o motivo de Flávio ter votado contra a extensão da licença-maternidade para servidoras públicas em 2009, época em que atuava na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O senador declarou publicamente que não guardava qualquer restrição ao público feminino, mas não apresentou justificativas fundamentadas sobre a natureza técnica daquele voto legislativo específico. Adicionalmente, Lula cobrou o oponente sobre o avanço da tramitação de propostas ligadas ao término da jornada de trabalho na escala 6x1. Flávio respondeu que reviu sua visão inicial sobre o tema após percorrer diversas regiões do território brasileiro e escutar apelos diretos de trabalhadores que eram favoráveis à expansão do repouso semanal obrigatório.
O tema da estabilidade monetária e o impacto do custo de vida na subsistência das classes de menor renda também geraram tensões diretas. Flávio Bolsonaro culpou a condução econômica da atual gestão pelo avanço da inflação e pela depreciação do poder aquisitivo da população carente, asseverando que o benefício de R$ 600 pago pelo programa Bolsa Família já não permitia a aquisição da mesma quantidade de mantimentos em comparação ao período da gestão de Jair Bolsonaro. Em sua defesa, Lula apresentou métricas estatísticas alegando que o índice inflacionário setorial de alimentos sob seu governo registrava 13%, patamar inferior ao computado na administração bolsonarista. O mandatário ressaltou a adoção de sua política de reajustes reais do salário mínimo acima da taxa geral de inflação, afirmando que a renda básica atual possibilitava a compra de mais de duas cestas básicas regulamentares.
Na discussão internacional e programática, Lula inseriu perguntas formais para saber se as diretrizes governamentais de Flávio contemplariam a reprodução do programa de ajuste econômico severo executado na Argentina pelo presidente Javier Milei. Flávio Bolsonaro silenciou sobre o modelo do país vizinho, preferindo concentrar suas falas em ataques conceituais às administrações de correntes ideológicas de esquerda e reiterando que governos de espectro direitista possuíam o dever cívico de recompor as contas públicas depreciadas pelos antecessores. O candidato oposicionista também buscou constranger o oponente com o escândalo de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), questionando Lula sobre se possuía conhecimento das revelações trazidas pela empresária Roberta Luchsinger envolvendo familiares. Lula refutou envolvimentos escusos, argumentando que sua própria gestão identificou as irregularidades e acionou a Polícia Federal. Ele declarou que todos os cidadãos, independentemente de laços familiares, devem submeter-se às devidas apurações legais institucionais.
O ápice do enfrentamento pessoal ocorreu quando questionamentos sobre as condutas internacionais da família Bolsonaro vieram à tona. Lula criticou severamente as idas do deputado federal Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos para articular apoios externos com aliados políticos locais. O presidente qualificou tais atos como tentativas de instigar ações lesivas aos interesses institucionais do Brasil e propôs um desafio em rede nacional: que ambos os candidatos assinassem no dia seguinte a quebra de seus sigilos fiscais, telemáticos e bancários familiares, repassando os relatórios diretamente às chefias do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Flávio Bolsonaro reagiu mencionando o fato de um dos filhos de Lula morar em território europeu, mas esquivou-se de dar uma anuência clara ao desafio proposto pelo rival.
Ao final da transmissão, durante os minutos finais regulamentares, Lula focou sua mensagem na defesa da soberania das empresas estatais produtivas e manifestou-se contrariamente aos projetos de privatização de companhias como a Petrobras, a BR Distribuidora e a Eletrobras. Flávio Bolsonaro encerrou suas considerações prometendo a instituição do Ministério da Prosperidade caso vença o pleito. Dirigindo-se especialmente aos cidadãos das periferias brasileiras sob influência de pressões políticas, o senador reforçou a segurança garantida pelo sigilo do voto para que pudessem exercer a escolha eleitoral livre de temores ou intimidações no dia da votação oficial.

*Fonte: Gemini (https://share.google/aimode/9OOMR6n2wwtdb36dX)

domingo, 18 de outubro de 2026

A ética da responsabilidade e o dilúvio fiscal - Rosalvo S. Sales

A ética da responsabilidade e o dilúvio fiscal

Reflexões às vésperas do segundo turno — outubro de 2026

Rosalvo S. Sales * 

        O primeiro turno de 4 de outubro confirmou o que as pesquisas vinham sinalizando ao longo do ano: o país chega dividido ao segundo turno, marcado para o dia 25. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, com 47,05% dos votos válidos, contra 45,14% do presidente Lula (PT), e as sondagens mais recentes da Quaest e do Datafolha apontam 51% a 49% para o candidato da oposição — empate técnico, dentro da margem de erro. Seja qual for o resultado, o momento exige uma análise criteriosa das decisões tomadas neste ano e da conta que elas deixam para o próximo mandato.

        Diante da perspectiva concreta de derrota, o governo intensificou ao longo de 2026 a adoção de medidas de forte apelo popular. Levantamento da CNN Brasil publicado em julho somou ao menos R$ 256,9 bilhões em ações lançadas ou com efeitos no ano eleitoral, entre elas a ampliação da isenção do Imposto de Renda (R$ 31 bilhões), o Gás do Povo, a Luz do Povo, o Desenrola 2.0, novas linhas de crédito subsidiado via BNDES, o saque complementar do FGTS e subsídios a combustíveis. Boa parte desse volume tem natureza financeira ou extraorçamentária e, por isso, não aparece no limite de gastos do arcabouço fiscal nem no resultado primário — o que não a torna menos onerosa, apenas menos visível. A essas medidas somou-se, a 17 dias do primeiro turno, o reajuste de 15% do Bolsa Família — benefício que estava congelado desde 2023 —, com custo de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de cerca de R$ 22 bilhões a partir de 2027. Embora a reposição inflacionária seja defensável, a decisão obrigou o governo a refazer o projeto de Orçamento de 2027, enviado ao Congresso apenas duas semanas antes, no qual a própria equipe econômica não previa reajuste.

        Na reta final da campanha, a doze dias do segundo turno, o governo anunciou ainda um pacote para os microempreendedores individuais (MEIs): o perdão integral — principal, juros, multas e encargos — de cerca de R$ 12,9 bilhões em dívidas de 3,7 milhões de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União; a compra, com desconto mínimo de 90%, de aproximadamente R$ 6 bilhões em dívidas bancárias, por meio de uma nova etapa do Desenrola; a elevação do teto de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 140 mil até 2028; e o “Pix MEI”, repasse a fundo perdido de até R$ 5 mil por empreendedor, em um programa de R$ 5 bilhões entre 2027 e 2030. O próprio Ministério da Fazenda estima renúncia de cerca de R$ 3 bilhões com o perdão das dívidas e de até R$ 3,4 bilhões por ano com a ampliação do teto, e o projeto dispensa a compensação exigida para novas renúncias de receita. É verdade que boa parte desses débitos já era considerada irrecuperável; ainda assim, o perdão de multas — mesmo condicionado a seis meses de pagamentos em dia — sinaliza a quem cumpre suas obrigações que a adimplência não compensa. O dado mais revelador, porém, é o calendário: anunciadas agora, as medidas dependem do Congresso e só produzirão efeitos a partir de 2027. O bônus eleitoral é colhido hoje; a conta fica para o próximo governo.

        Na mesma linha, o Congresso promulgou, em 16 de outubro, a emenda constitucional que extingue a escala 6x1 e institui a escala 5x2, com redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais em 60 dias e para 40 horas um ano depois, sem redução salarial. A medida, defendida pelo governo e aprovada por ampla maioria — 75 votos a 1 no Senado —, tem evidente apelo popular e méritos sociais, mas foi votada às vésperas da eleição sem que o debate produzisse uma estimativa oficial e consensual de seus custos. Entidades e institutos apontam aumento de 7% a 8% no custo médio do trabalho (CNI e Ipea), e a CNI projeta queda de 0,7% no PIB do setor produtivo, além de pressão inflacionária. O efeito sobre a dívida pública é indireto, mas real: menor crescimento reduz a arrecadação, mais inflação adia a queda dos juros, e os contratos de serviços terceirizados mantidos pelo próprio poder público — limpeza, vigilância, saúde — tendem a ficar mais caros.

        Em “A política como vocação” (1919), Max Weber distinguiu a ética da convicção, que se satisfaz com a pureza das intenções, da ética da responsabilidade, que obriga o governante a responder pelas consequências previsíveis de seus atos. É por esse segundo critério que as medidas devem ser julgadas: mais do que especular sobre a intenção por trás delas, importa avaliar seus efeitos. A dívida bruta do governo geral, que era de 71,7% do PIB ao fim de 2022, alcançou 82,5% em julho de 2026, segundo o Banco Central. O mercado projeta 83,4% ao fim deste ano e 87% em 2027, e o Boletim Focus já fala em 90% em 2027 — patamar que, em janeiro, só era esperado para 2029. O próprio governo admite, em seus cenários oficiais, uma dívida próxima de 90% do PIB entre 2029 e 2030. Enquanto a meta oficial para 2026 é de superávit primário de 0,25% do PIB, os economistas esperam déficit de cerca de R$ 53 bilhões. Com a Selic ainda em 13,75% ao ano e quase metade da dívida federal (46,4%) atrelada a ela, cada ponto de juros pesa diretamente sobre as contas públicas.

        O quadro evoca a célebre frase “Après moi, le déluge” (Depois de mim, o dilúvio), atribuída a Luís XV ou à Madame de Pompadour por volta de 1757, que sintetiza o descaso com o futuro institucional e financeiro de uma nação após a transição de poder. A advertência, porém, vale nos dois sentidos: se o presidente for reeleito, será ele próprio o herdeiro do dilúvio. A questão central, portanto, não é apenas quem vencerá, mas quem pagará a conta — e a resposta, em qualquer cenário, é a sociedade brasileira, por meio de juros mais altos, crédito mais caro e menor espaço para o investimento público.

        Caso se confirme a vitória da oposição, a perspectiva de estabilização dependerá menos do nome do presidente do que da equipe que o cercar. O candidato, com trajetória parlamentar como deputado estadual e senador, não tem experiência prévia de gestão no Poder Executivo. Isso torna decisiva a capacidade de montar um corpo de ministros e assessores de reconhecida competência técnica, com credibilidade junto aos agentes econômicos e trânsito no Congresso, e de anunciar cedo, ainda na transição, os compromissos fiscais que pretende assumir.

        Qualquer que seja o vencedor, o próximo ciclo exigirá reformas estruturais e um ajuste fiscal substancial: revisão das despesas obrigatórias e de suas regras de indexação, reavaliação dos benefícios tributários, reforma administrativa e uma âncora crível para a trajetória da dívida. São medidas impopulares no curto prazo, mas indispensáveis para a recuperação econômica. O novo governo deverá enfrentar forte oposição política, escrutínio severo da imprensa e um Congresso que controla parcela relevante do Orçamento por meio de emendas — fatores que podem gerar focos de instabilidade.

        A experiência argentina, frequentemente citada como referência, oferece lições nos dois sentidos. O choque implementado por Javier Milei desde dezembro de 2023 produziu superávit fiscal, derrubou uma inflação que superava 200% ao ano e reduziu a pobreza de cerca de 53%, no primeiro semestre de 2024, para 28,2% no fim de 2025. Os dados mais recentes, contudo, mostram a fragilidade do caminho: a pobreza voltou a subir, para 32,3% no primeiro semestre de 2026, o emprego formal privado caiu por 13 meses seguidos e a atividade recuou 2,9% em julho. Além disso, o Brasil parte de outra realidade — não enfrenta hiperinflação, dispõe de reservas internacionais elevadas e tem um Orçamento engessado por vinculações constitucionais —, o que recomenda um ajuste firme, porém negociado e sustentável, e não a simples importação de um modelo de choque.

        O caminho para o êxito passa, portanto, por uma condução econômica firme, centrada no equilíbrio fiscal, na desregulamentação e na melhoria do ambiente de negócios, acompanhada de proteção focalizada aos mais vulneráveis e de diálogo permanente com o Congresso. O Brasil não precisa de um dilúvio para recomeçar; precisa de um governo — este ou o próximo — que pratique a ética da responsabilidade e esteja disposto a pagar o custo político de colocar a casa em ordem.

 

* Rosalvo S. Sales Jr. é engenheiro e empresário do setor naval e offshore. Contato: rosalvo.salesjr@gmail.com. As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

 

Fontes dos dados:

• Agência Senado, “Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno”, 04/10/2026.

• O Povo, pesquisas Quaest (14/10/2026) e Datafolha (15/10/2026) para o segundo turno.

• CNN Brasil, “Ações do governo Lula somam ao menos R$ 256,9 bilhões no ano eleitoral”, 24/07/2026.

• Gazeta do Povo, “Governo admite deixar ‘herança’ de dívida pública em 90% do PIB”, 21/09/2026 (dados do Banco Central, PLOA 2027, IFI e Focus).

• Poder360, “Lula diz que não sabia que Bolsa Família ficou 3 anos sem reajuste”, 15/10/2026 (reajuste e custos informados pelo Ministério do Planejamento).

• Agência Brasil, “Perdão de dívidas de MEIs terá impacto de R$ 3 bilhões”, 13/10/2026; Brasil de Fato e SBT News, pacote para MEIs e Pix MEI, 13/10/2026.

• Portal O Dia, promulgação da PEC do fim da escala 6x1, 16/10/2026; Agência Senado, “Descanso ou recessão? Entenda a disputa sobre o fim da escala 6x1”, maio/2026.

• Forbes Brasil, relatório Prisma Fiscal de outubro, 15/10/2026 (projeções de déficit, dívida e Selic).

• La Nación / INDEC, pobreza na Argentina no 1º semestre de 2026, 24/09/2026.

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O libertarianismo no Brasil e na América Latina, por Madame IA, a pedido de ADL

O libertarianismo no Brasil e na América Latina, por Madame IA, a pedido de ADL:

"Escreva um texto discursivo (apenas frases e parágrafos) com, aproximadamente, 5500 caracteres, usando uma linguagem acessível e didática, mas sempre respeitando as normas gramaticais vigentes no Brasil e a semântica brasileira. O texto deverá descrever, analisar e criticar/argumentar o cenário atual (outubro de 2026) do libertarianismo, tanto no Brasil e América do Sul quanto no mundo, sempre sob uma perspectiva libertária. Todas as frases devem ser inéditas (pode ter inspiração de frases já existentes, mas devem ser reescritas, com o cuidado de manter a semântica original). Utilize apenas fontes confiáveis; caso não saiba algo, não invente (evite as "alucinações" de modelos de IA). O encadeamento/sequenciamento de frases e parágrafos deve ter coerência argumentativa e coesão evolutiva das ideias.

O libertarianismo em outubro de 2026: avanços, contradições e desafios para a liberdade:

O libertarianismo atravessa, em outubro de 2026, um período de grande visibilidade política, mas também de importantes contradições. Em diferentes países, ideias relacionadas à redução do Estado, à liberdade econômica, à propriedade privada e à autonomia individual conquistaram espaço nos debates públicos. Ao mesmo tempo, o crescimento de movimentos nacionalistas, a persistência de governos intervencionistas e a utilização da liberdade como instrumento de disputa política demonstram que a expansão dessas ideias está longe de representar uma vitória definitiva. Sob uma perspectiva libertária, o cenário exige distinguir a defesa consistente da liberdade da simples substituição de um grupo político por outro, especialmente quando os novos governantes reproduzem práticas autoritárias ou utilizam o poder estatal para favorecer seus próprios aliados.

A essência do libertarianismo está no princípio de que cada indivíduo deve ter o maior controle possível sobre a própria vida, desde que respeite os mesmos direitos dos demais. Essa concepção atribui importância fundamental à liberdade de expressão, à propriedade privada, à livre associação, à responsabilidade individual e às trocas voluntárias. O Estado, nessa perspectiva, não deve ser tratado como uma entidade naturalmente superior aos cidadãos, mas como uma instituição cujo poder precisa ser limitado e justificado. Existem diferenças importantes entre as correntes libertárias, principalmente quanto à legitimidade da própria existência do Estado, mas elas compartilham uma preocupação central com a coerção institucionalizada. Por isso, o libertarianismo não se resume à defesa dos empresários, à redução de determinados impostos ou à oposição a governos de esquerda. Sua coerência depende da aplicação dos princípios de liberdade também aos adversários políticos, aos indivíduos socialmente vulneráveis e às pessoas cujos comportamentos desagradam à maioria.

Na América do Sul, a Argentina ocupa uma posição de destaque nesse debate em razão do governo de Javier Milei, que assumiu a Presidência em dezembro de 2023 com uma agenda de reformas econômicas, redução de despesas públicas, desregulamentação e combate à inflação. Segundo a avaliação divulgada pelo Fundo Monetário Internacional em maio de 2026, o país obteve avanços importantes na estabilização macroeconômica, registrou superávits fiscais primários por dois anos consecutivos e reduziu a inflação anual de níveis superiores a 200% no final de 2023 para aproximadamente 32,5% no início de 2026. O organismo também apontou dificuldades persistentes, como o aumento do desemprego até o final de 2025, a desaceleração dos salários reais e as incertezas que afetaram a recuperação econômica. Esses dados oferecem elementos para reconhecer resultados concretos sem transformar uma experiência política em um sucesso absoluto.

Sob uma ótica libertária, a experiência argentina demonstra a importância de enfrentar desequilíbrios fiscais, remover barreiras comerciais e reduzir intervenções que distorcem os preços e dificultam a atividade produtiva. Quando o Estado financia gastos por meio da expansão monetária, quando mantém regras que protegem grupos privilegiados da concorrência ou quando impede que as pessoas decidam livremente sobre suas transações, os custos dessas políticas podem recair sobre toda a sociedade. A inflação elevada, em particular, prejudica o planejamento financeiro, reduz o poder de compra e penaliza especialmente quem não dispõe de recursos para proteger seu patrimônio. Entretanto, o reconhecimento dos avanços não dispensa a análise dos custos sociais do ajuste. A redução das despesas públicas pode ser economicamente necessária, mas sua execução precisa ser examinada à luz dos efeitos sobre os mais pobres, dos compromissos assumidos pelo governo e da capacidade de recuperação das famílias. A liberdade econômica não deve ser avaliada apenas pelos indicadores fiscais, mas também pelas oportunidades reais de trabalhar, empreender, poupar e construir uma vida independente.

Outro aspecto importante é que o libertarianismo não deve se confundir com a lealdade pessoal a Milei ou a qualquer outro dirigente. Um governo pode promover reformas favoráveis ao mercado e, simultaneamente, tomar decisões incompatíveis com a liberdade em outras áreas. A concentração de poder, a hostilidade contra críticos, as restrições indevidas às manifestações individuais e o uso seletivo das instituições não se tornam aceitáveis porque são praticados em nome da eficiência econômica. Da mesma forma, a intervenção estatal não deixa de ser intervenção quando beneficia empresários próximos ao governo, setores considerados estratégicos ou grupos politicamente influentes. Para o libertário, o critério decisivo não é a identidade de quem governa, mas a natureza das medidas adotadas, seus efeitos sobre os direitos individuais e a possibilidade de contestar pacificamente o poder.

No Brasil, o desafio apresenta características próprias. A tradição de forte presença estatal, a complexidade tributária, a burocracia, os privilégios corporativos e a dependência de decisões políticas para a obtenção de benefícios econômicos continuam alimentando críticas liberais e libertárias. O relatório do Fundo Monetário Internacional sobre o país, publicado em 2026, destacou que as despesas obrigatórias, os benefícios tributários e os elevados encargos com juros limitam a capacidade de investimento produtivo. O documento também projetou a continuidade do crescimento da dívida pública, reforçando a importância do equilíbrio fiscal e de reformas estruturais. Esses problemas não significam que toda despesa pública seja inútil ou que qualquer redução tributária produza automaticamente prosperidade. Significam, porém, que o uso dos recursos arrecadados precisa ser submetido a critérios rigorosos de eficiência, transparência e responsabilidade.

A discussão brasileira também revela uma dificuldade política relevante: a defesa da liberdade econômica frequentemente perde força quando confronta interesses eleitorais imediatos. Um levantamento publicado pela Folha de S.Paulo em junho de 2026, elaborado pelo Ranking dos Políticos em parceria com o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica e o Fé & Trabalho, classificou como restritivas à liberdade econômica cerca de 86% das propostas legislativas examinadas referentes a 2025. Embora o resultado dependa dos critérios adotados pelo estudo e não deva ser interpretado como uma medida definitiva de toda a atividade parlamentar, ele sugere que a expansão das intervenções econômicas ultrapassa as fronteiras ideológicas tradicionais. Partidos de diferentes orientações podem defender subsídios, proteções setoriais, novas obrigações e benefícios concedidos por decisão política quando essas medidas atendem às suas bases eleitorais.

Essa realidade exige que o movimento libertário brasileiro vá além das disputas entre esquerda e direita. Não basta denunciar a tributação elevada quando ela é proposta por adversários e silenciar diante de gastos ou privilégios defendidos por aliados. Tampouco é coerente defender a liberdade empresarial e, ao mesmo tempo, apoiar barreiras que protejam empresas nacionais da concorrência ou restrinjam a escolha dos consumidores. Uma economia verdadeiramente aberta depende de regras gerais, segurança jurídica, concorrência e tratamento igual perante a lei. A simplificação tributária, a redução de obstáculos à abertura de empresas, a liberdade contratual e a eliminação de privilégios regulatórios podem ampliar as oportunidades individuais, desde que acompanhadas por instituições capazes de impedir fraudes, proteger direitos e aplicar as normas sem favorecimentos políticos.

No restante da América do Sul, o debate sobre o libertarianismo precisa considerar a diversidade das realidades políticas e econômicas nacionais. A região reúne experiências de diferentes orientações ideológicas, mas compartilha problemas como instabilidade monetária em determinados países, dependência de commodities, baixa produtividade e dificuldades institucionais. Nesse contexto, a defesa de mercados mais abertos, da responsabilidade fiscal e da segurança jurídica pode contribuir para ampliar investimentos e oportunidades. Contudo, a abertura econômica não deve ser confundida com a submissão diplomática a uma potência estrangeira, assim como a soberania nacional não deve servir de justificativa para restringir a liberdade dos próprios cidadãos. Uma perspectiva libertária coerente favorece o comércio voluntário e a cooperação internacional, independentemente da origem geográfica dos parceiros, e rejeita tanto o protecionismo motivado por interesses corporativos quanto o nacionalismo utilizado para legitimar controles arbitrários.

Em escala mundial, os desafios são ainda mais amplos. O relatório Economic Freedom of the World 2025, do Fraser Institute, baseado em dados de 2023, situou o Brasil na 87ª posição entre 165 jurisdições avaliadas e apontou que a liberdade econômica global havia recuado após a pandemia, anulando parte dos avanços anteriores. Já o Human Freedom Index 2025, publicado pela mesma instituição, estimou que 89,6% da população mundial vivia em jurisdições nas quais a liberdade humana havia diminuído entre 2019 e 2023. Como esses índices utilizam metodologias próprias e trabalham com dados referentes a anos anteriores à sua publicação, seus resultados não descrevem integralmente a situação de outubro de 2026. Ainda assim, oferecem evidências de que a expansão da liberdade não constitui uma tendência mundial garantida.

A situação internacional também expõe uma contradição entre o discurso de livre mercado e a prática dos governos. Tarifas comerciais, subsídios seletivos, restrições à circulação de bens e tecnologias e disputas geopolíticas podem ser defendidos em nome da segurança nacional, da proteção do emprego ou da autonomia estratégica. Algumas preocupações de segurança são legítimas, mas sua invocação indiscriminada permite que o Estado proteja setores politicamente influentes, transfira custos aos consumidores e reduza a concorrência. Para o libertarianismo, a pergunta fundamental não é se determinada política parece patriótica ou popular, mas se ela é necessária, proporcional e compatível com os direitos individuais. A liberdade econômica perde credibilidade quando é defendida apenas enquanto favorece os interesses de grupos específicos.

Outro desafio consiste em evitar que o libertarianismo seja absorvido por movimentos populistas que prometem combater o poder estabelecido, mas desejam concentrá-lo em novas mãos. A oposição ao intervencionismo econômico não exige apoio irrestrito a líderes autoritários, assim como a defesa da propriedade privada não justifica o desrespeito à liberdade de expressão ou à autonomia pessoal. A liberdade é um princípio universal, não uma recompensa concedida a quem compartilha determinada ideologia. Por isso, um movimento libertário intelectualmente consistente precisa defender limites ao poder mesmo quando isso significa criticar governantes populares, denunciar abusos cometidos por aliados e reconhecer que nenhuma liderança está acima das regras que pretende impor aos demais.

Também é necessário enfrentar uma crítica recorrente: a de que a liberdade econômica beneficiaria apenas quem já possui patrimônio e oportunidades. Essa preocupação não pode ser descartada com slogans. Mercados competitivos podem estimular inovação, reduzir custos e facilitar a criação de riqueza, mas privilégios legais, barreiras à entrada e desigualdades de oportunidades podem impedir que esses benefícios alcancem parcelas maiores da população. A resposta libertária deve envolver a defesa da concorrência, a eliminação de privilégios, a ampliação do acesso à educação e a remoção de obstáculos que dificultam o empreendedorismo e a mobilidade social. Isso não significa que todas as correntes libertárias concordem sobre o papel de cada serviço público ou sobre as formas legítimas de enfrentar a pobreza. Significa reconhecer que a liberdade formal tem maior valor prático quando as pessoas encontram condições para tomar decisões próprias, sem depender permanentemente de favores políticos ou autorizações arbitrárias.

Em síntese, o cenário do libertarianismo em outubro de 2026 combina oportunidades de renovação intelectual com riscos de incoerência política. A experiência argentina tornou mais visível a discussão sobre disciplina fiscal, inflação e desregulamentação, enquanto o Brasil continua enfrentando obstáculos tributários, regulatórios e institucionais que dificultam o desenvolvimento de uma economia mais livre. No restante do mundo, os indicadores disponíveis alertam para o enfraquecimento de diferentes dimensões da liberdade, mesmo em sociedades com instituições consolidadas. Diante disso, o futuro do movimento dependerá menos da popularidade de seus representantes e mais de sua capacidade de transformar princípios em propostas consistentes, avaliar resultados com honestidade e reconhecer os limites do próprio poder. A defesa libertária mais convincente não é aquela que promete resolver todos os problemas por meio do mercado, mas a que compreende que nenhuma autoridade possui conhecimento, legitimidade ou competência ilimitados para organizar a vida de todos. Preservar a liberdade exige combater privilégios, respeitar direitos, aceitar o pluralismo e submeter governantes e instituições aos mesmos princípios que se espera ver respeitados pelos cidadãos. Mais do que uma bandeira eleitoral, o libertarianismo precisa permanecer um compromisso permanente com a autonomia individual e com a redução da coerção, independentemente de quem esteja no poder."

*Fonte: ChatGPT (https://chatgpt.com/uc/6acee979-2610-83ea-8ec3-844b2d883300  

terça-feira, 13 de outubro de 2026

O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil - André Lucena InfoMoney

O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil

Especialistas avaliam que resultado do primeiro turno envia sinal a Washington e pode influenciar temas de comércio, segurança e relações internacionais

O primeiro lugar de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial de domingo (4) aproximou o Brasil de uma política externa mais alinhada aos Estados Unidos. Ainda assim, a correlação de forças na América Latina poderá influenciar a disputa eleitoral brasileira nos próximos meses.

Especialistas em relações internacionais ouvidas pelo InfoMoney afirmam que a eleição deste ano, já marcada por temas globais, tende a ser ainda mais impactada por acontecimentos fora do Brasil.

Carolina Pedroso, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisadora do Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos (INEU), avalia que o resultado do primeiro turno já sinaliza aos países vizinhos e à Casa Branca que “não será necessária uma pressão externa muito grande para que haja mudança de governo no Brasil”. O senador terminou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula.

Continua depois da publicidade

Na avaliação de Denilde Oliveira Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, Washington atua em duas frentes.

“Há um nível que é o do Donald Trump, que tem demonstrado estar acompanhando a eleição no Brasil, e outro que é o do Departamento de Estado, que tem atuado diretamente na relação com o país e até mesmo na disputa narrativa”, afirma.

Brasil no tabuleiro global

O interesse americano na candidatura de Flávio Bolsonaro está relacionado ao alinhamento ideológico entre a plataforma bolsonarista e a agenda política de Donald Trump.

Continua depois da publicidade

No entanto, há também um elemento estratégico em jogo. Para Carolina Pedroso, uma eventual vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro poderia levar o Brasil a aderir ao Escudo das Américas, coalizão de segurança lançada por Trump em março.

“Muito provavelmente, o Brasil se alinharia e se integraria a essa nova estrutura de cooperação em segurança, que abre espaço para operações conjuntas com as Forças Armadas dos Estados Unidos e outros países sul-americanos”, afirma.

A adesão direta, porém, pode gerar efeitos na relação do Brasil com a China, principal parceiro comercial do país desde 2009. “Como ele [Flávio Bolsonaro] vai equilibrar essa postura de alinhamento com os Estados Unidos diante das pressões que podem vir do próprio Trump para que o Brasil reduza seus laços com a economia chinesa?”, questiona Holzacker.

Continua depois da publicidade

O governo Bolsonaro foi marcado por momentos de tensão diplomática com Pequim, embora a solidez da relação econômica e estratégica entre os dois países tenha limitado os impactos dessas divergências.

Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, foi sucinto ao comentar os resultados do primeiro turno no domingo (4), afirmando que já era esperado que a disputa fosse decidida apenas no segundo turno. Uma eventual vitória, seja de Lula ou de Flávio, poderá ter efeitos sobre as tarifas atualmente impostas a produtos brasileiros.

Holzhacker não prevê uma redução automática dessas tarifas, mas acredita que as negociações poderiam ser mais fluidas em um governo liderado por Flávio. “Marco Rubio, que hoje é um grande opositor do governo Lula, teria uma relação mais fluida com o próprio Flávio”, afirma.

Continua depois da publicidade

Já uma reeleição de Lula manteria a relação marcada por atritos, na avaliação de Pedroso. O petista tem feito da defesa da soberania nacional um dos principais eixos de sua campanha. “Ficaria ainda mais desafiador para Lula manter essa postura e até mesmo esse discurso de defesa da soberania, porque ele teria menos margem para negociar”, diz a pesquisadora.

Diante desse cenário, tanto a campanha petista quanto o governo brasileiro, no plano institucional, têm buscado ampliar apoios internacionais para reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos. “No caso de Lula, existem limites. Por isso, a estratégia tem sido diversificar os apoios para depender menos do governo americano”, avalia Holzacker.

Pauta internacional?

Desde o ano passado, o debate público passou a discutir se temas de política externa entrariam de forma mais decisiva na disputa presidencial de 2026.

Para Pedroso, a pauta da soberania nacional favoreceu Lula em meados de 2025, após o tarifaço, mas perdeu força até a votação. “Política externa nem sempre define voto. Aliás, quase nunca define voto”, afirma.

Holzhacker, por sua vez, avalia que o resultado deste domingo mostrou que o eleitorado brasileiro foi mobilizado principalmente por questões econômicas e domésticas.

“O eleitor olhou para outras questões, principalmente a econômica, o endividamento das famílias, o embate e a posição contra o STF. Isso pesou muito mais do que a questão da política externa”, conclui.

 

 

domingo, 27 de setembro de 2026

PORQUE NÃO VOTAR EM FLÁVIO - Artigo da revista Fórum

 PORQUE NÃO VOTAR EM FLÁVIO

Artigo da revista Fórum, copiado por Walmyr Buzatto .

**************************

Em 2007, Flávio Bolsonaro subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para defender as milícias. Pediu que não fossem estigmatizadas, atribuiu-lhes benefícios e disse que gostaria de pagar 20, 30 ou 40 reais para não ter o carro furtado na porta de casa. 

A milícia cobra para oferecer “segurança”. Impõe regras, controla serviços, domina territórios. O deputado Flávio via nessa cobrança a possibilidade de proteger o próprio carro, e a milícia. Os moradores que não podem pagar conhecem o outro lado da história. Sofrem sérias e cruéis represálias. É nesse discurso, pronunciado 20 anos antes de qualquer investigação sobre Dark Horse, que começa a resposta à pergunta do título desse artigo.

Às vésperas da eleição de 4 de outubro, Flávio disputa a Presidência com chance real de vencer. As pesquisas mostram empate técnico em simulações de segundo turno com Lula. Como votar num candidato com essa trajetória política, relações e promessas que já permitem avaliar o risco de lhe entregar o poder.

A homenagem a Adriano e o gabinete de Flávio 

O discurso do deputado, hoje candidato a Presidente, se ajusta a outras escolhas políticas. Em 2003, Flávio apresentou uma moção de louvor ao policial Adriano da Nóbrega. Em 2005, propôs conceder-lhe a Medalha Tiradentes, maior homenagem da Alerj. Adriano recebeu a comenda quando estava preso, acusado de homicídio. 

 Anos depois, o Ministério Público o apontaria como chefe de milícia e do Escritório do Crime. Morreu em tiroteio em Esplanada, na Bahia, em 9 de fevereiro de 2020. A família e o advogado de Adriano alegaram “queima de arquivo” – “ele tinha muito o que falar sobre milícia, rachadinha e políticos do Rio.” 

A ligação de Flávio com Adriano da Nóbrega alcançou a folha de pagamento do então deputado. Danielle Mendonça da Costa, mulher de Adriano, e Raimunda Veras Magalhães, mãe dele, ocuparam cargos no gabinete de Flávio.  

Flávio sustenta que não conhecia atividades ilícitas atribuídas a Adriano. Há, contudo, fatos que não dependem desse conhecimento: o então deputado estadual o homenageou duas vezes e empregou duas pessoas de sua família.  

Foi nesse gabinete que surgiu a investigação das rachadinhas. Em 2020, o Ministério Público do Rio denunciou Flávio, Queiroz e outras 15 pessoas por suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa. A acusação dizia respeito ao retorno de parte dos salários pagos a assessores. Depois, decisões do STJ e do STF anularam provas; o próprio Ministério Público pediu a extinção da denúncia, que foi rejeitada e arquivada em 2022. Não houve condenação nem julgamento do mérito que tenha comprovado os crimes. 

O arquivamento deve ser dito por inteiro. Também devem ser lembrados, por inteiro, o discurso de Flávio sobre as milícias, as homenagens e as nomeações.  

Uma emenda pedida por Peixe 

Em 2023, um personagem do mundo das milícias voltou a aparecer nas relações do gabinete do Senador Flávio Bolsonaro. Robson Calixto da Fonseca, o Peixe, procurou uma assessora do senador e pediu dinheiro para um projeto de futebol infantil de uma entidade na Taquara, no Rio. Nas mensagens obtidas pela piauí, ele chama Flávio de “nosso Senador”. A assessora orienta o envio de um pedido formal, convida Peixe a reforçá-lo pessoalmente com Flávio e sugere que leve o então deputado Chiquinho Brazão. 

Em 29 de novembro daquele ano, o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop, recebeu R$ 200 mil por emenda parlamentar de autoria do senador. O destinatário formal foi a entidade, não a conta de Peixe. Mais tarde, o Tribunal de Contas da União apontou irregularidades nas contratações feitas com o recurso. O Ifop contestou as conclusões técnicas. A assessoria de Flávio afirmou que a emenda seguiu a lei e os critérios do Ministério do Esporte e que cabe à entidade prestar contas da execução. 

Em fevereiro de 2026, o Peixe foi condenado a nove anos por integrar a organização criminosa armada dos irmãos Brazão. Os irmãos condenados em 25 de fevereiro de 2026 a 76 anos e 3 meses de reclusão em regime fechado pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.  

Os milhões de Daniel Vorcaro 

O outro extremo dessa trajetória passa pelo Banco Master.  Daniel Vorcaro, seu controlador, entrou no financiamento de Dark Horse, o filme sobre Jair Bolsonaro. Mensagens e comprovantes revelados pelo Intercept Brasil mostram que Flávio, já candidato a candidato a presidência da República participou diretamente das negociações e cobrou a liberação dos recursos.  

O plano previa US$ 24 milhões. Um relatório do Coaf examinado pela piauí aponta que US$ 12,3 milhões, mais de R$ 60 milhões, foram transferidos até setembro de 2025 pela Entre Investimentos a um fundo chamado Havengate, no Texas. Os US$ 24 milhões eram o valor negociado; os US$ 12,3 milhões são os repasses identificados.  

O fundo era administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos, onde vive de forma milionária, desde fevereiro de 2025. Por que o dinheiro destinado ao filme passou por essa estrutura, em vez de ser remetido diretamente à produtora? Quanto chegou efetivamente à produção? Quem se beneficiou das transferências? Essas perguntas estão agora diante dos investigadores. E sem resposta do candidato a presidente do Brasil. 

O relacionamento entre candidato e banqueiro não era distante. Em setembro de 2025, Flávio cobrou pessoalmente parcelas atrasadas. Em 16 de novembro, ligou para Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!” No dia seguinte, o banqueiro foi preso. No outro, o Banco Central liquidou o Master. 

 Segundo o Fundo Garantidor de Créditos, a liquidação de três instituições do conglomerado exigiu uma provisão de R$ 40,6 bilhões para garantias aos credores com investimentos no Master de até R$ 250 mil. Esse número mede a dimensão da quebra do Banco Master.  

Quando perguntado inicialmente pelo Intercept sobre o financiamento, o candidato Flávio disse que a informação era falsa. Depois, confirmou que havia buscado recursos privados para o filme e negou irregularidades. Em outra entrevista, afirmou que o último pagamento de Vorcaro ocorrera em maio de 2025. O relatório do Coaf registra mais uma parcela em setembro. A divergência pede uma explicação do candidato, sobretudo porque ele próprio continuava cobrando de Vorcaro, a quem trata de “Irmão, estou e estarei contigo sempre.” 

Desde julho, Flávio é alvo de um inquérito , a pedido da Polícia Federal e com aval da Procuradoria-Geral da República, para apurar possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do Dark Horse. O senador que quer ser Presidente da República deve respostas públicas sobre o destino do dinheiro que ajudou a captar e cobrou pessoalmente do “irmão” Vorcaro. 

O futuro que ele anuncia 

As propostas do candidato permitem antever seu governo. Na segurança, Flávio promete construir cinco novos presídios federais de segurança máxima “no modelo adotado por Bukele”, presidente de El Salvador, “e criar 500 mil vagas em quatro anos. O nome de seu plano é TREVA, o complexo que reuniria os novos presídios aos cinco já existentes. 

É preciso olhar para o modelo que ele escolheu. Os homicídios caíram em El Salvador, mas Bukele mantém o país sob estado de exceção desde 2022, com prisões em massa e garantias judiciais suspensas. Ofereceu ainda a Trump vagas pagas no CECOT para encarcerar deportados dos Estados Unidos. Em 2025, 252 venezuelanos passaram pela prisão; muitos não tinham condenação criminal. 

Na economia, Daniella Marques, coordenadora da equipe de Flávio, chama Milei de “ótimo exemplo” e diz ter mapeado mais de mil normas para revogação.  

Nas relações internacionais, Flávio entrega as riquezas estratégicas do Brasil a Trump e Rubio e oferece a Washington sua futura equipe de transição antes mesmo de saber o resultado da eleição. 

Anistiar o pai e os militares golpistas 

Na política, o candidato promete anistia para libertar o pai Jair Bolsonaro e militares de alta patente que cumprem pena de até 27 anos por tentativas de golpe contra o Estado Democrático de Direito. Tentativas de golpe que culminaram no 8 de janeiro de 2023, data histórica da invasão do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. As investigações posteriores encontraram o Plano Verde Amarelo, que incluía o assassinato de Lula, Alkmin, já empossados desde 1 de janeiro 2023. 

O STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses por liderar uma organização criminosa armada que tentou impedir a posse e derrubar o presidente eleito. No mesmo núcleo, os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira e o almirante Almir Garnier receberam penas de 19 a 26 anos. Flávio pede votos para abrir-lhes a porta. Chamar isso de pacificação seria insultar os brasileiros cuja escolha nas urnas eles tentaram anular. 

Alerta sobre a soberania  

A Estratégia de Segurança Nacional de Trump, já adotada por toda a América do Sul, com exceção do Brasil e Uruguai, anuncia a intenção de restaurar a preeminência dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental e identificar recursos estratégicos da região. Flávio apresentou os minerais críticos do Brasil como resposta à “dependência americana da China.”  

Depois ofereceu, em carta a Marco Rubio, sua futura equipe de transição para negociar um acordo comercial caso fosse eleito. Rubio agradeceu a oferta, enquanto mantinha as divergências comerciais de Washington com o Brasil. É a combinação que leva o economista, que foi vice-presidente do Banco de Desenvolvimento do BRICS e diretor executivo no FMI pelo Brasil, Paulo Nogueira Batista Jr. a advertir que o país pode perder a capacidade de decidir seu destino “sem a necessidade de disparar um tiro sequer”. 

O Brasil não pode ser governado como se a proteção da família do presidente e a satisfação de uma potência estrangeira fossem prioridades nacionais. A decisão do voto não depende do resultado dos inquéritos. Nasce dos atos públicos de Flávio, da escolha dos seus parceiros, das explicações que ainda deve e do governo que promete. 

Para os brasileiros, mais celas. Para Jair e os generais condenados pela tentativa de golpe, anistia. Para Washington, minerais brasileiros e uma equipe de transição.  

O voto em Flávio Bolsonaro é o de transformar o perdão ao pai e a seus aliados em programa de governo. E entregar o Brasil a Trump e Rubio.

 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

A Economist avalia a economia de Milei - The Economist

 

Milei foi mexer com os ingleses ameaçando retomar as Malvinas, e a The Economist se vinga com um retrato irônico de Milei e do seu governo...

Maurício David

 

... Os peronistas também estão divididos. Sergio Massa, que perdeu para Milei nas últimas eleições, pode tentar novamente. Juan Grabois, um deputado inflamado, também pode concorrer. Ele promete justiça social financiada por impostos dramaticamente mais altos sobre os ricos. "Você não precisa temer Axel [Kicillof]," ele ri, "você tem que me temer, tem que temer Myriam Bregman."

Bregman é uma trotskista de alto perfil, à esquerda até mesmo dos peronistas. Surpreendentemente, sua aprovação é muito melhor do que a de Kicillof e Milei...

 


Enviada em: terça-feira, 8 de setembro de 2026 16:02
Assunto: THE ECONOMIST / Milei promete radicalizar reformas, mas experimento liberal perde popularidade

 

THE ECONOMIST

08set26

 

Milei promete radicalizar reformas, mas experimento liberal perde popularidade

Buenos Aires

The Economist

 

"Meu brinquedo favorito", diz Javier Milei, olhando para a motosserra dourada em seu gabinete na Casa Rosada, a sede da Presidência da Argentina.

"Há muito mais gastos a cortar e muitos mais impostos a reduzir", ele afirma, acrescentando que vai realmente mostrar a que veio assim que for reeleito no ano que vem.

Se as reformas até agora foram "mais do que tudo o que foi feito nos últimos cem anos na Argentina somados, garanto que o próximo pacote de reformas será muito mais profundo".

Ele promete que a Argentina vai abraçar a inteligência artificial como nenhum outro país e diz acreditar que isso pode ajudá-la a "se tornar uma potência mundial líder, como os Estados Unidos" em apenas 20 anos. Prepare-se para Milei 'recarregado', ele sorri.

Ainda assim, este é um momento delicado. Após herdar uma situação econômica terrível, Milei conseguiu reduzir a inflação e desregulamentar fortemente a economia.

Os eleitores recompensaram isso na eleição de meio de mandato do ano passado, mas hoje dizem aos institutos de pesquisa que se importam muito mais com perspectivas de emprego e salários do que com a inflação.

O crescimento econômico está em crise, e ainda faltam apenas 14 meses para que novas medidas políticas tragam resultados antes que ele enfrente as urnas em outubro do próximo ano.

Com sua aprovação pessoal profundamente negativa, há o risco de que um rival mais esbanjador da ala à esquerda do movimento peronista da Argentina, que defenda um Estado intervencionista, possa capturar o coração dos eleitores.

O experimento radical, que inspirou defensores do livre mercado pelo mundo, está em jogo. A grande questão para o próximo ano é se redobrar a aposta agressiva —o Milei "recarregado"— é o caminho para vencer a reeleição.

Ele pode se orgulhar de sucessos notáveis. Antes de assumir o cargo em dezembro de 2023, a inflação batia em 13% ao mês e os gastos do governo estavam fora de controle, financiados pela impressão de dinheiro.

Milei usou sua motosserra contra os gastos e entregou superávits fiscais. A inflação caiu, para cerca de 2% ao mês. Isso ajudou a reduzir a parcela de pessoas vivendo na pobreza em cerca de um terço, para 28%.

Os mercados estão muito mais contentes. O governo tem lidado com a dívida externa e, este ano, o BCRA (banco central argentino) tem comprado reservas em dólares de forma agressiva. Isso é facilitado pelo boom das exportações de petróleo.

Milei também reduziu a burocracia excessiva da Argentina. "Eliminamos 17 mil regulamentos", ele diz. No início deste ano, ele aprovou uma reforma trabalhista abrangente.

O presidente continua sendo um otimista convicto com a tecnologia. A IA "só pode fazer o bem; o único mal que pode ser causado é se os Estados interferirem", afirma. A teoria econômica "prova" isso.

Ele quer conceder plenos direitos legais às empresas administradas exclusivamente por IA. "Por que eu deveria discriminá-las?", questiona —embora o projeto de lei que empodera a IA pareça exigir alguma intervenção humana.

O alinhamento estreito com o governo Trump também deu resultados. Antes das eleições de meio de mandato do ano passado, com os peronistas gastadores indo bem nas pesquisas, o peso argentino estava sob tanta pressão que o banco central gastou mais de US$ 1 bilhão em dois dias tentando impedir a queda da moeda.

Trump veio ao resgate com uma linha de swaps de US$ 20 bilhões e compras diretas pelo Tesouro de pesos argentinos. A moeda se estabilizou, ajudando o partido de Milei a transformar uma provável derrota dolorosa em uma vitória expressiva.

Milei demonstrou pragmatismo em relação à China, grande parceiro comercial. Antes de assumir o cargo, ele vociferou contra a liderança chinesa, classificando-a de "assassina". Agora, se derrete ao dizer que "trabalhar com os chineses é muito agradável".

Isso valeu a pena. No mês passado, a China estendeu uma linha vital de swaps de US$ 19 bilhões com o banco central argentino. Ele diz que não pediram nada em troca.

E ainda assim, Milei tem problemas. A economia está a caminho de um segundo ano consecutivo de crescimento, algo raro na Argentina; mas em um ritmo mais lento do que o planejado.

Seu governo havia previsto um crescimento de 5% este ano, mas após vários meses de contração, a maioria dos analistas espera quase metade disso.

O crescimento está concentrado em setores como hidrocarbonetos, mineração e agricultura, que não são intensivos em mão de obra. A atividade econômica em setores mais importantes, como manufatura e construção, ainda é pelo menos 10% menor do que quando Milei assumiu o cargo.

Em parte, isso se deve ao fato de Milei estar expondo as fábricas protegidas da Argentina à concorrência estrangeira. Isso faz sentido, mas a transição é dolorosa.

"É como se estivéssemos financiando nossa própria autodestruição", diz Martín Rapallini, chefe da associação industrial argentina, que defende uma reforma fiscal ampla que Milei nem sequer tentou.

O resultado é 230 mil empregos formais a menos no setor privado do que em 2023, uma queda de 3,6%. Ele se gaba de ter cortado 86 mil cargos no setor público.

A taxa de desemprego aumentou apenas dois pontos percentuais porque as inscrições no âmbito de um regime tributário para pequenos empresários de baixa renda aumentaram acentuadamente. O trabalho informal também cresceu. "Também é trabalho", retruca Milei.

Salários são outra preocupação. No setor privado formal, eles ainda estão abaixo do que eram quando Milei assumiu o cargo. No setor público, eles são dramaticamente menores, fato que o presidente celebra.

Muitos argentinos estão enfrentando dificuldades. Quase 6 milhões de pessoas estão com dívidas atrasadas há mais de 90 dias. Taxas de juros altas e voláteis não ajudam.

Para combater a inflação, o banco central manteve a oferta monetária restrita e interveio para conservar o peso forte. Mas isso prejudica o crescimento porque limita o crédito. Também prejudica a manufatura, tornando as importações rivais mais baratas e as exportações caras.

Milei, concentrado em combater a inflação, simplesmente nega que seus esforços tenham qualquer custo para o crescimento da Argentina.

Esse foco em um único problema pode diminuir os retornos eleitorais. Quando o presidente argentino assumiu o cargo, os eleitores classificaram a inflação como seu principal problema, de longe. Atualmente, ocupa a oitava posição; a falta de empregos e os baixos salários estão no topo da lista.

Os eleitores também estão insatisfeitos com uma série de escândalos de corrupção em seu governo. Sua aprovação se aproxima dos 30%.

Isso parece estar irritando Milei. Ele ficou furioso com jornalistas argentinos por questionarem suas conquistas econômicas e escreverem sobre os supostos casos de corrupção. "Merda humana" é um de seus insultos favoritos para os jornalistas.

Ele pode atacar a imprensa várias vezes ao dia nas redes sociais. Quando questionado sobre economia na pergunta inicial da entrevista a The Economist, sua resposta incluiu ataques à mídia argentina "verdadeiramente vergonhosa" e suas mentiras "arrepiantes".

Seus aliados temem que essa agressividade esteja afastando os eleitores. "Eu não justifico, eu não faço isso", diz Patricia Bullrich, uma das principais senadoras de seu partido.

Com dificuldades internas, Milei parece cada vez mais tentado pelos assuntos externos. Desde que assumiu o cargo, visitou os Estados Unidos cerca de 17 vezes e Israel três vezes, mas ainda não visitou 8 das 23 províncias da Argentina. 

No entanto, viajar não parece divertido para Milei. No vizinho Brasil, em um comício de campanha para Flávio Bolsonaro (PL), candidato de direita na eleição presidencial, ele se referiu ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como "ladrão" e "condenado".

O Brasil, maior parceiro comercial da Argentina, retirou seu embaixador em resposta. Milei não se arrepende. "O comunista Lula", diz, "contaminou todo o continente com o socialismo do século 21".

Em 3 de setembro, em um pronunciamento televisionado, ele intensificou sua retórica sobre as reivindicações da Argentina às Ilhas Malvinas, no que parece um esforço grosseiro para mobilizar apoio.

Será que preocupações com o emprego e a queda das pesquisas podem provocar mudanças antes das eleições? "Não vou parar de fazer o que é certo só pelo resultado da eleição", ele responde.

"Se o povo argentino decidir virar as costas para o modelo de liberdade porque eu permaneci fiel às minhas convicções... bem, isso depende do povo argentino."

As fortes convicções do Sr. Milei estão por trás de grande parte de seu sucesso, mas ele não alcançará uma reforma duradoura sem um segundo mandato.

Ele insiste que suas políticas centrais em breve impulsionarão o crescimento e os salários. Ainda assim, seu governo recentemente fez várias pequenas mudanças que parecem particularmente favoráveis ao crescimento: permitir que as taxas de juros caiam um pouco, usar o fundo de pensões dos argentinos para ajudar os bancos a reduzir as taxas de financiamento imobiliário e permitir que os bancos emprestem mais em dólares do que em pesos.

Milei diz que está apenas "liberando restrições". Seja o nome que isso tenha, se oferecer melhores salários e mais empregos, os eleitores vão gostar mais dele.

A salvação de Milei pode ser seus rivais. O principal provável desafiante é Axel Kicillof, atual governador peronista da província de Buenos Aires.

Ex-ministro das finanças profundamente associado a excessos de gastos passados, sua taxa de aprovação é tão ruim quanto a de Milei. Kicillof insiste que, no momento, não é candidato, mas mesmo assim se esforça para destacar os problemas econômicos.

Ainda assim, sua própria economia pouco ortodoxa aterroriza os mercados e assusta muitos eleitores. Ele não aceita que a principal causa da inflação no passado tenha sido a emissão de dinheiro. Em vez disso, diz que a conjuntura é "muito complexa".

Os peronistas também estão divididos. Sergio Massa, que perdeu para Milei nas últimas eleições, pode tentar novamente. Juan Grabois, um deputado inflamado, também pode concorrer. Ele promete justiça social financiada por impostos dramaticamente mais altos sobre os ricos. "Você não precisa temer Axel [Kicillof]," ele ri, "você tem que me temer, tem que temer Myriam Bregman."

Bregman é uma trotskista de alto perfil, à esquerda até mesmo dos peronistas. Surpreendentemente, sua aprovação é muito melhor do que a de Kicillof e Milei.

Com os principais candidatos sendo tão impopulares, outros nomes também estão de olho nas eleições. Hernán Lacunza, um ex-ministro das finanças de centro-direita, oferece uma economia no estilo Milei, mas sem os palavrões do presidente.

Governadores provinciais e pastores pentecostais que aparecem na televisão estão sondando o terreno. Milei ainda é o favorito. Mas, enquanto a economia cambaleia, a situação parece desconfortavelmente apertada.

Postagem em destaque

Lígia, canção de Tom Jobim, e um depoimento muito comovente de meu amigo Maurício David

  Lígia - Tom Jobim https://gilvanmelo.blogspot.com/2026/10/ligia-tom-jobim.html Ligia Canção de Antônio Carlos Jobim   Eu nunca sonhei com ...