Depois de chegar a Washington, dediquei-me à informação sobre o estado de saúde do Império, lendo o Washington Post, assistindo canais de informação e debate, conversando com alguns interlocutores.
Um diagnóstico: o Império não tem justamente um diagnóstico preciso sobre o que vai mal e se esse mal é uma simples gripe ou alguma pneumonia galopante. Ninguém espera que o gigante venha a ser posto por terra, mas o fato é que temos hoje um grandalhão com sérias dúvidas sobre seu futuro imediato e sobretudo o de médio e longo prazo.
Os comentaristas de TV e jornal -- basicamente jornalistas bem informados, economistas, observadores internacionais -- não conseguem se colocar de acordo sobre o diagnóstico e, portanto, sobre o receituário a ser aplicado, que prescrição fazer e que dose de qual remédio aplicar. Não há consenso sobre a natureza da doença e não existe acordo sobre os remédios: o Plano Geithner, por exemplo, tem defensores (mitigados) e críticos acerbos, e na verdade ainda não passou por nenhum teste prático.
Conversas 1: almocei, nesta segunda-feira 30.03, com Murilo Portugal, vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional, no próprio restaurante do FMI -- aparentemente sem mais subsídios, como no passado, pois os preços me pareceram de mercado, ou pelo menos comparáveis a restaurantes de nível médio -- com a conta gentilmente coberta pelo meu anfitrião. Conversamos basicamente sobre a crise americana, a próxima reunião do G20 em Londres -- e as posições dos principais países --, e a situação no e do Brasil, obviamente. Eu era mais ouvinte do que propriamente um parceiro, tanto porque sou um observador distante de processos decisórios, justamente, e meu interlocutor ocupa uma posição importante no principal órgão monetário do planeta (o que aparentemente não impressiona muita gente, pois a única coisa que se discute é como dar mais recursos ao FMI, não mais poder...).
Como disse Murilo, a regulação que vem por aí -- e alguma, mais reforçada, vai ter de ser implementada, pois a demanda dos regulacionistas, entre eles França, Brasil, Rússia e China, vai nesse sentido -- será feita com olho no retrovisor, como sempre ocorre nesses casos: os reguladores levam em conta o que deu errado na presente conjuntura. Obviamente, a próxima crise -- tenham certeza de que virá, em alguns anos -- terá outros elementos, não os mais os responsáveis pela crise atual.
Conversas 2: jantei com Otaviano Canuto, que em duas semanas assume como vice-presidente do Banco Mundial, tendo tido a mesma posição (mas com outras funções) no BID. Conversamos bem mais sobre o Brasil, a política e a economia, do que sobre os EUA e a agenda mundial. Falamos (mal) da academia brasileira, como não podia deixar de ser, e bem sobre nossos filhos, como eles são maravilhosos e estudiosos (mas isso faz parte). Basicamente, trocamos idéias sobre os desafios econômicos do próximo governo brasileiro, em face das não-reformas não-executadas pelo governo Lula. Concordamos em que a herança fiscal será pesada, além de outras coisinhas mais não publicáveis.
Conversas 3: Na noite de domingo, dia da chegada em Washington, havia conversado com um jornalista brasileiro, Francisco Mendez, que está terminando os créditos de mestrado na Georgetown University, e se prepara para voltar ao Brasil no mês de maio. Abordamos, basicamente, temas da vida universitária, nos EUA e no Brasil. Como era de se esperar, fomos impiedosos (com razão) sobre o estado lamentável do debate intelectual no Brasil, para o que muito contribui a pobreza da vida universitária e a miséria acadêmica, de modo geral (mas miséria no sentido moral, não material).
Abstenho-me de comentar a gastronomia americana, uma contradição nos termos, pois ela é lamentável: eles conseguem estragar qualquer culinária reputada, francesa, italiana, etc... Enfim, parece que quanto mais poderoso o império, pior se torna a sua comida.
Esperemos que o mesmo não ocorra com a China, aliás apontada em todas as matérias de imprensa que li como o parceiro indispensável que pode salvar este império em dificuldades. Se a China cortar os suprimentos (em dólares), os americanos caem no abismo, e vai ser uma queda bonita (ops, horrível, quero dizer). Acho que os americanos deveriam virar budistas, ou confucionistas, whatever...
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 31 de março de 2009
domingo, 29 de março de 2009
1048) Turismo academico (6): terrorismo meteorologico e contabilidade da viagem
Depois de todo o alarmismo da sexta e sábado, em torno de tornados e chuvas fortes, feito pelo Weather Channel, em relação ao tempo ao longo da costa leste, sobre a I-95, onde eu estava viajando, confesso que pensei até em comprar equipamento de mergulho, mas nao foi preciso. Na verdade, só comprei um guarda-chuva e um casaco de chuva, Nautico, supostamente de marinheiro, e portanto impermeável.
Mas, o dia neste domingo 29 de março não podia ter sido melhor: sol em toda a estrada, por muitas milhas, apenas um pouco de vento, ou brisas mais fortes, o que aliás fez o tempo ideal para viajar.
Saimos de Lumberton e seguimos sem problemas pela I-95, chegando a Washington as 16h30, desta vez num hotel de Alexandria, perto do aeroporto de Washington.
Chuva forte ocorreu, de fato, mas na própria Flórida, de onde já tinhamos saído na sexta, e nas planícies centrais.
Conferindo agora o contador do automóvel, verifico que deixei Miami com o contador a 11.504 milhas, e cheguei ao hotel com 12.680 milhas, o que perfaz um total de 1.176 milhas, ou 588 milhas por dia. Convertido em quilometros, daria 946 quilometros por dia, ou 1.892 no total. Está na minha média histórica do viagens, incluindo visitas interessantes pelo caminho.
Vou jantar com um jornalista conhecido e conversar sobre as novidades brasileiras e americanas.
PRA, 29.03.2009, 19h5.
Mas, o dia neste domingo 29 de março não podia ter sido melhor: sol em toda a estrada, por muitas milhas, apenas um pouco de vento, ou brisas mais fortes, o que aliás fez o tempo ideal para viajar.
Saimos de Lumberton e seguimos sem problemas pela I-95, chegando a Washington as 16h30, desta vez num hotel de Alexandria, perto do aeroporto de Washington.
Chuva forte ocorreu, de fato, mas na própria Flórida, de onde já tinhamos saído na sexta, e nas planícies centrais.
Conferindo agora o contador do automóvel, verifico que deixei Miami com o contador a 11.504 milhas, e cheguei ao hotel com 12.680 milhas, o que perfaz um total de 1.176 milhas, ou 588 milhas por dia. Convertido em quilometros, daria 946 quilometros por dia, ou 1.892 no total. Está na minha média histórica do viagens, incluindo visitas interessantes pelo caminho.
Vou jantar com um jornalista conhecido e conversar sobre as novidades brasileiras e americanas.
PRA, 29.03.2009, 19h5.
1047) Relações Rússia-EUA no novo cenário estratégico
O jornalista Boris Volkhonski, editor do Russia Journal, publicado por uma das mais influentes organizações não-governamentais russas, "Fundação da Política Efetiva" (Foundation for Effective Policy), contatou-me a propósito de uma pesquisa sua, segundo ele, sobre o "sentido não-Ocidental dos negócios estrangeiros da Rússia".
Não sei dizer o que ele quer dizer com isso, exatamente, mas ao lado de diversas outras questões sobre a América Latina e suas relações com o império -- qual, exatamente?; bem, só sobrou um... -- ele me colocou uma questão sobre as relações da Rússia com os EUA, depois que a Secretária de Estado Hillary Clinton fez sua primeira visita ao inimigo cordial dos americanos, levando um "botão" de restart -- aliás, traduzido erradamente para o russo, como sabem os mais informados. Apressadamente, em viagem de Brasilia a Miami, respondi o que vai transcrito (parcialmente) abaixo.
A Rússia: não quer ser o que é, mas não pode ser o que quer... [O título é meu, obviamente, retirado de uma antiga peça de teatro espanhola, sobre um noivo pobre que não consegue convencer o pai da donzela rica a deixá-la casar com ele...]
Pergunta de Boris Volkhonski (em Inglês):
1. Do you think that the intention to press the ‘reset’ button in US–Russian relations expressed by Barack Obama’s administration means a beginning of a new ‘détente’, or is it just a kind of a tactical game aimed at achieving some short-term purposes?
PRA (resposta elaborada em Português, depois vertida para o Inglês):
Provavelmente ambos, mas analistas responsáveis não se prendem a conceitos do passado, ou de uma conjuntura determinada – como o de détente, por exemplo – para expressar e analisar realidades do presente e os desafios do futuro. A história decididamente não se repete, e as circunstâncias e configurações das relações internacionais em geral, das relações ‘especiais’ entre as duas superpotências da era da Guerra Fria, bem como os ‘problemas’ de enfrentamento global daquela época – grosso modo de 1946 a 1991 – não são mais os mesmos, e isso por um fator relativamente simples. A Rússia não é sequer a herdeira da finada União Soviética, embora ele gostaria ou pretendesse sê-lo, mas ela não tem mais o poder e a liberdade de ação de que dispôs a URSS nos tempos do socialismo, muito embora a atual Federação Russa empreenda enormes esforços para recuperar não apenas o prestígio perdido, mas sobretudo o poder – mais aparente do que real – dos tempos de Guerra Fria.
Mesmo que o mundo não seja absolutamente unipolar, como alguns acreditam, e que os EUA deixem de ser arrogantemente unilateralistas, como muitos acreditam que eles sejam, sobretudo nos anos George W. Bush, os EUA são, ainda, o grande definidor da agenda internacional em termos estratégicos e de segurança; eles são a única potência capaz de projetar poder em qualquer cenário estratégico que se conceba, o que a Rússia nem de longe é capaz de fazer. Esse poder não é exercido em sua plenitude, mas o conjunto de bases militares e a presença física dos EUA no mundo – por soldados, diplomatas, agentes diversos, e também via algumas organizações internacionais – aproximam esse país o mais possível do que poderia ser chamado de ‘império universal’. Não se trata de um império ‘extrator’, como os velhos impérios dominadores do passado – chinês, romano, islâmico, espanhol, britânico, inclusive russo-soviético – mas de um império baseado no soft power da dominação econômica indireta, ou seja, um império do livre comércio e dos investimentos.
A crise atual, que deve ser vista numa perspectiva de longo prazo, imporá alguns limites a esse império, traduzindo-se numa provável perda de poder econômico relativo: não haverá declínio tecnológico ou retrocesso econômico substantivo, mas haverá uma ausência temporária de recursos – alguns deles drenados de economias satélites, como a própria China – o que constrangerá a liberdade de ação imperial. No longo prazo, haverá uma redistribuição do poder econômico no mundo, que pode ou não beneficiar a Rússia, dependendo de como esta se insere na economia globalizada.
Atualmente, a Rússia se insere basicamente de duas formas: como grande fornecedora de commodities energéticas e como fonte de poder militar em sua região específica, a Eurásia, especialmente a Ásia central, onde o seu poder de pressão é maior, assim como sobre seus ex-satélites da MittelEuropa. Ou seja, ela pode ‘chantagear’ um pouco os países dependentes de seu suprimento de energia – basicamente os europeus ocidentais e os penduricalhos de seu ex-império imediato – e pode denegar cooperação aos EUA e à OTAN para fins de resolução de problemas regionais ou locais, alguns deles cruciais, no contexto da luta contra o terrorismo de base islâmica, os problemas do Oriente Médio, o Irã, e todos os países no entorno do Mar Negro e do Mar Cáspio.
O botão de ‘reset’ é meramente simbólico, apenas um gesto de boa vontade ao início de uma nova gestão imperial. Mas deve-se ressaltar também que a administração Obama possui uma visão não confrontacionista do mundo, diferente da postura unilateralista por princípio da administração Bush. Se esta foi agressiva, pode-se caracterizar a nova como de détente, mas isso é apenas um conceito, impróprio para os tempos atuais: o mundo já não se organiza apenas em torno dos dois grandes pólos da era da Guerra Fria e a Rússia não tem mais condições de fixar ou estabelecer a agenda do mundo como ela fazia nos tempos da URSS.
Mesmo assim, esse ‘reset’ não se destina apenas a atingir objetivos de curto prazo, limitados às relações EUA-Rússia, e sim objetivos sistêmicos, ou estruturais, da nova política externa dos EUA: estes não têm interesse numa attitude confrontacionista com a Rússia simplesmente porque a maior parte dos problemas que os EUA enfrentam na região e em torno dela, assim como alguns problemas mais distantes, passam por uma cooperação política razoável com a Rússia. Isto envolve Irã, Coréia do Norte, Oriente Médio, Conselho de Segurança da ONU, atuação da OTAN no Afeganistão e vários outros problemas.
Ou seja, resumindo, o botão de reset é de fato substantivo, mas sua importância global, ou estratégica, não pode ser comparada às antigas relações EUA-URSS. Os dados da equação mudaram bastante, e não por ação unilateral, ou imposição dos EUA, e sim por retração, decadência econômica, incapacidade política e diplomática da Rússia. Esta, a despeito de sua recuperação militar e econômica, não consegue mais determinar a agenda mundial.
(...)
Brasília-Miami, 26.03.2009
Não sei dizer o que ele quer dizer com isso, exatamente, mas ao lado de diversas outras questões sobre a América Latina e suas relações com o império -- qual, exatamente?; bem, só sobrou um... -- ele me colocou uma questão sobre as relações da Rússia com os EUA, depois que a Secretária de Estado Hillary Clinton fez sua primeira visita ao inimigo cordial dos americanos, levando um "botão" de restart -- aliás, traduzido erradamente para o russo, como sabem os mais informados. Apressadamente, em viagem de Brasilia a Miami, respondi o que vai transcrito (parcialmente) abaixo.
A Rússia: não quer ser o que é, mas não pode ser o que quer... [O título é meu, obviamente, retirado de uma antiga peça de teatro espanhola, sobre um noivo pobre que não consegue convencer o pai da donzela rica a deixá-la casar com ele...]
Pergunta de Boris Volkhonski (em Inglês):
1. Do you think that the intention to press the ‘reset’ button in US–Russian relations expressed by Barack Obama’s administration means a beginning of a new ‘détente’, or is it just a kind of a tactical game aimed at achieving some short-term purposes?
PRA (resposta elaborada em Português, depois vertida para o Inglês):
Provavelmente ambos, mas analistas responsáveis não se prendem a conceitos do passado, ou de uma conjuntura determinada – como o de détente, por exemplo – para expressar e analisar realidades do presente e os desafios do futuro. A história decididamente não se repete, e as circunstâncias e configurações das relações internacionais em geral, das relações ‘especiais’ entre as duas superpotências da era da Guerra Fria, bem como os ‘problemas’ de enfrentamento global daquela época – grosso modo de 1946 a 1991 – não são mais os mesmos, e isso por um fator relativamente simples. A Rússia não é sequer a herdeira da finada União Soviética, embora ele gostaria ou pretendesse sê-lo, mas ela não tem mais o poder e a liberdade de ação de que dispôs a URSS nos tempos do socialismo, muito embora a atual Federação Russa empreenda enormes esforços para recuperar não apenas o prestígio perdido, mas sobretudo o poder – mais aparente do que real – dos tempos de Guerra Fria.
Mesmo que o mundo não seja absolutamente unipolar, como alguns acreditam, e que os EUA deixem de ser arrogantemente unilateralistas, como muitos acreditam que eles sejam, sobretudo nos anos George W. Bush, os EUA são, ainda, o grande definidor da agenda internacional em termos estratégicos e de segurança; eles são a única potência capaz de projetar poder em qualquer cenário estratégico que se conceba, o que a Rússia nem de longe é capaz de fazer. Esse poder não é exercido em sua plenitude, mas o conjunto de bases militares e a presença física dos EUA no mundo – por soldados, diplomatas, agentes diversos, e também via algumas organizações internacionais – aproximam esse país o mais possível do que poderia ser chamado de ‘império universal’. Não se trata de um império ‘extrator’, como os velhos impérios dominadores do passado – chinês, romano, islâmico, espanhol, britânico, inclusive russo-soviético – mas de um império baseado no soft power da dominação econômica indireta, ou seja, um império do livre comércio e dos investimentos.
A crise atual, que deve ser vista numa perspectiva de longo prazo, imporá alguns limites a esse império, traduzindo-se numa provável perda de poder econômico relativo: não haverá declínio tecnológico ou retrocesso econômico substantivo, mas haverá uma ausência temporária de recursos – alguns deles drenados de economias satélites, como a própria China – o que constrangerá a liberdade de ação imperial. No longo prazo, haverá uma redistribuição do poder econômico no mundo, que pode ou não beneficiar a Rússia, dependendo de como esta se insere na economia globalizada.
Atualmente, a Rússia se insere basicamente de duas formas: como grande fornecedora de commodities energéticas e como fonte de poder militar em sua região específica, a Eurásia, especialmente a Ásia central, onde o seu poder de pressão é maior, assim como sobre seus ex-satélites da MittelEuropa. Ou seja, ela pode ‘chantagear’ um pouco os países dependentes de seu suprimento de energia – basicamente os europeus ocidentais e os penduricalhos de seu ex-império imediato – e pode denegar cooperação aos EUA e à OTAN para fins de resolução de problemas regionais ou locais, alguns deles cruciais, no contexto da luta contra o terrorismo de base islâmica, os problemas do Oriente Médio, o Irã, e todos os países no entorno do Mar Negro e do Mar Cáspio.
O botão de ‘reset’ é meramente simbólico, apenas um gesto de boa vontade ao início de uma nova gestão imperial. Mas deve-se ressaltar também que a administração Obama possui uma visão não confrontacionista do mundo, diferente da postura unilateralista por princípio da administração Bush. Se esta foi agressiva, pode-se caracterizar a nova como de détente, mas isso é apenas um conceito, impróprio para os tempos atuais: o mundo já não se organiza apenas em torno dos dois grandes pólos da era da Guerra Fria e a Rússia não tem mais condições de fixar ou estabelecer a agenda do mundo como ela fazia nos tempos da URSS.
Mesmo assim, esse ‘reset’ não se destina apenas a atingir objetivos de curto prazo, limitados às relações EUA-Rússia, e sim objetivos sistêmicos, ou estruturais, da nova política externa dos EUA: estes não têm interesse numa attitude confrontacionista com a Rússia simplesmente porque a maior parte dos problemas que os EUA enfrentam na região e em torno dela, assim como alguns problemas mais distantes, passam por uma cooperação política razoável com a Rússia. Isto envolve Irã, Coréia do Norte, Oriente Médio, Conselho de Segurança da ONU, atuação da OTAN no Afeganistão e vários outros problemas.
Ou seja, resumindo, o botão de reset é de fato substantivo, mas sua importância global, ou estratégica, não pode ser comparada às antigas relações EUA-URSS. Os dados da equação mudaram bastante, e não por ação unilateral, ou imposição dos EUA, e sim por retração, decadência econômica, incapacidade política e diplomática da Rússia. Esta, a despeito de sua recuperação militar e econômica, não consegue mais determinar a agenda mundial.
(...)
Brasília-Miami, 26.03.2009
sábado, 28 de março de 2009
1046) Turismo academico (5): alive, so far...
Ao sabor das tempestades e tornados...
Comecei o dia, em Brunswick, na Georgia do sul, com tempo quente, sol, algumas nuvens, agradável para viajar.
Entramos em Charleston, uma cidade colonial da Carolina do Sul, com tempo coberto e já mais fresco, mas ainda razoável para passear. Era o que tinha para ver no caminho, com exceção de Savannah, ainda na Georgia, mas eu já conhecia de visita anterior.
Em Savannah foi realizada a primeira reunião conjunta do FMI e do Banco Mundial, em 1946, a única a que compareceu John Maynard Keynes, eleito presidente do Banco Mundial. Ele morreu pouco depois. Começou então a 'mania' de se eleger um americano para o Banco Mundial e um europeu para o FMI, até agora seguida, mas provavelmente não vai se manter durante muito tempo mais.
Já tinha estado em Charleston uma vez, para uma reunião de cooperação acadêmica, iniciada pelo ministro Paulo Renato de Souza (MEC, governo FHC) e tinha gostado. A cidade melhorou bastante, com muita restauração em velhas casas coloniais, mas na verdade a maior parte da arquitetura é do século XIX. A cidade é tipicamente turística e deve ficar cheia no verão. Agora tinha gente de bermuda e outros de casaco...
Depois de Charleston, foi uma chuva só, por vezes severa, e muito congestionamento na estrada, com velocidade reduzida a menos de 50 milhas por hora em alguns trechos.
Não consegui ver nenhum tornado, ou nenhum tornado conseguiu me encontrar, mas pode ser que eles estejam esperando por mim amanhã, uma nova jornada de "severe thunderstorms", "heavy rains" e "possible tornados" em cima do meu caminho, justamente.
Em Chicago, perto de onde vou, já caiu abaixo de zero, com novas nevascas e sorvete caindo por todo lado.
Não se pode dizer que a viagem esteja sendo aborrecida...
A bem da verdade, nao sei se conseguirei chegar a Washington amanhã, domingo, como era minha intenção.
Depende de um tornado que deve estar me esperando na estrada...
Comecei o dia, em Brunswick, na Georgia do sul, com tempo quente, sol, algumas nuvens, agradável para viajar.
Entramos em Charleston, uma cidade colonial da Carolina do Sul, com tempo coberto e já mais fresco, mas ainda razoável para passear. Era o que tinha para ver no caminho, com exceção de Savannah, ainda na Georgia, mas eu já conhecia de visita anterior.
Em Savannah foi realizada a primeira reunião conjunta do FMI e do Banco Mundial, em 1946, a única a que compareceu John Maynard Keynes, eleito presidente do Banco Mundial. Ele morreu pouco depois. Começou então a 'mania' de se eleger um americano para o Banco Mundial e um europeu para o FMI, até agora seguida, mas provavelmente não vai se manter durante muito tempo mais.
Já tinha estado em Charleston uma vez, para uma reunião de cooperação acadêmica, iniciada pelo ministro Paulo Renato de Souza (MEC, governo FHC) e tinha gostado. A cidade melhorou bastante, com muita restauração em velhas casas coloniais, mas na verdade a maior parte da arquitetura é do século XIX. A cidade é tipicamente turística e deve ficar cheia no verão. Agora tinha gente de bermuda e outros de casaco...
Depois de Charleston, foi uma chuva só, por vezes severa, e muito congestionamento na estrada, com velocidade reduzida a menos de 50 milhas por hora em alguns trechos.
Não consegui ver nenhum tornado, ou nenhum tornado conseguiu me encontrar, mas pode ser que eles estejam esperando por mim amanhã, uma nova jornada de "severe thunderstorms", "heavy rains" e "possible tornados" em cima do meu caminho, justamente.
Em Chicago, perto de onde vou, já caiu abaixo de zero, com novas nevascas e sorvete caindo por todo lado.
Não se pode dizer que a viagem esteja sendo aborrecida...
A bem da verdade, nao sei se conseguirei chegar a Washington amanhã, domingo, como era minha intenção.
Depende de um tornado que deve estar me esperando na estrada...
1045) Turismo academico (4): tempo cão, literalmente...
Bem, de acordo com as previsões meteorológicas, o céu deve nos cair sobre a cabeça, neste sábado dia 28 de março:
Storm Watch
Severe thunderstorms and blizzards
6:55 pm ET
Tornado touches down near Fayetteville, NC, heavy delays on I-95: Police report that a tornado was over or west of Interstate 95, 2 miles southwest of Vander, at 5:30 p.m. Police also report spotting funnel clouds near the Crown Coliseum.
(...)
Damage was reported on Chickenfoot Road, I-95 and Roslin Road in Robeson County.
Extensive delays have developed along Interstate 95 between mile markers 40 and 44 for downed trees and multiple accidents, including an overturned tractor-trailer. State troopers said that after the initial accident, other drivers wrecked while trying get around the scene.
"We're not sure yet if that's storm-related. It's a possibility. But I can tell you troopers are saying several severe thunderstorms that moved into the area," said Cpt. Everette Clendenin, a spokesman for the Highway Patrol.
Ainda no conforto do hotel, mas saindo dentro de uma hora aproximadamente.
Se sobrevivermos, eu continuo postando...
O tempo está ruim na maior parte dos EUA: nevascas no norte e no Texas, inundações em várias partes, tornados no Golfo do México e nas planícies centrais, chiva forte nos estados do Sul, enfim, todas as promessas de um dia miserável.
Carmen Lícia desistiu de ir ao Tip Joe, um mercador de material de arte em Boone, nas montanhas da Carolina do Norte: as estradas provavelmente poderiam ser perigosas.
Vamos continuar pela I-95, onde os acidentes aconteceram mais por imprudência do que por ação do tempo.
Como diria Abraracourcix, nosso único temor é que o céu nos caia sobre a cabeça...
Storm Watch
Severe thunderstorms and blizzards
6:55 pm ET
Tornado touches down near Fayetteville, NC, heavy delays on I-95: Police report that a tornado was over or west of Interstate 95, 2 miles southwest of Vander, at 5:30 p.m. Police also report spotting funnel clouds near the Crown Coliseum.
(...)
Damage was reported on Chickenfoot Road, I-95 and Roslin Road in Robeson County.
Extensive delays have developed along Interstate 95 between mile markers 40 and 44 for downed trees and multiple accidents, including an overturned tractor-trailer. State troopers said that after the initial accident, other drivers wrecked while trying get around the scene.
"We're not sure yet if that's storm-related. It's a possibility. But I can tell you troopers are saying several severe thunderstorms that moved into the area," said Cpt. Everette Clendenin, a spokesman for the Highway Patrol.
Ainda no conforto do hotel, mas saindo dentro de uma hora aproximadamente.
Se sobrevivermos, eu continuo postando...
O tempo está ruim na maior parte dos EUA: nevascas no norte e no Texas, inundações em várias partes, tornados no Golfo do México e nas planícies centrais, chiva forte nos estados do Sul, enfim, todas as promessas de um dia miserável.
Carmen Lícia desistiu de ir ao Tip Joe, um mercador de material de arte em Boone, nas montanhas da Carolina do Norte: as estradas provavelmente poderiam ser perigosas.
Vamos continuar pela I-95, onde os acidentes aconteceram mais por imprudência do que por ação do tempo.
Como diria Abraracourcix, nosso único temor é que o céu nos caia sobre a cabeça...
sexta-feira, 27 de março de 2009
1044) Turismo academico (3): da Florida a Georgia
Dia de viagem e de visitas, nesta sexta-feira 27 de março.
Lembrancinhas no aeroporto de Miami, melhor do que que qualquer shopping pela variedade e preços imbatíveis.
Lanche rápido, que passa por almoço, depois saída para a estrada: I-95 Norte e depois Florida Turnpike. No caminho, ainda quente, uma parada numa Plaza de estrada para tomar um Frapuccino Java e entrada em Orlando, depois Winter Park.
Recomendo a visita a este museu:
The Charles Hosmer Morse Museum of American Art
445 North Park Avenue
Winter Park, FL 32789
(407) 645-5311
http://www.morsemuseum.org/about/about.html
Sobretudo em função destas exposições:
Art Jewelry, Favrile Metalwork & Precious Glass
by Louis Comfort Tiffany
Reinstalled in March 2008, this permanent gallery features about three dozen objects, including 11 pieces of jewelry that Tiffany designed for the new art jewelry division he established at Tiffany & Co. after his father died in 1905.
Tiffany Peacock
Selected Works of Louis Comfort Tiffany from the Morse Collection
The first three galleries at the Morse have been installed with more than 100 objects that represent what an art critic in 1900 noted as Tiffany’s “dumbfounding versatility.” These works include 14 leaded-glass windows as well as examples of lamps, art glass, ceramics, and metalwork.
Glassmaking
Secrets of Tiffany Glassmaking
Through photographs, models, tools, and art objects, this teaching exhibit shows the range of Louis C. Tiffany’s glass production, from mosaics and molded-glass jewels to leaded-glass windows and lamps, providing insights into the techniques employed by his artisans.
Posso garantir, como diria o Michelin, que vaut le voyage...
Depois, mais estrada: 4 East e I-95 Norte, em direção à Georgia.
Lanche no caminho e acabamos parando neste hotel, confortável:
Hotel Comfort Suites (GA641)
Brunswick, Georgia
Tel. (1.912) 267-4440
Fax: (1.912) 262-3495
home page: http://www.comfortsuites.com/hotel-brunswick-georgia-GA641
E agora, um pouco de informação, anotações (como esta) e dodô...
Brunswick, GA, 22h40, 27.03.2009
Lembrancinhas no aeroporto de Miami, melhor do que que qualquer shopping pela variedade e preços imbatíveis.
Lanche rápido, que passa por almoço, depois saída para a estrada: I-95 Norte e depois Florida Turnpike. No caminho, ainda quente, uma parada numa Plaza de estrada para tomar um Frapuccino Java e entrada em Orlando, depois Winter Park.
Recomendo a visita a este museu:
The Charles Hosmer Morse Museum of American Art
445 North Park Avenue
Winter Park, FL 32789
(407) 645-5311
http://www.morsemuseum.org/about/about.html
Sobretudo em função destas exposições:
Art Jewelry, Favrile Metalwork & Precious Glass
by Louis Comfort Tiffany
Reinstalled in March 2008, this permanent gallery features about three dozen objects, including 11 pieces of jewelry that Tiffany designed for the new art jewelry division he established at Tiffany & Co. after his father died in 1905.
Tiffany Peacock
Selected Works of Louis Comfort Tiffany from the Morse Collection
The first three galleries at the Morse have been installed with more than 100 objects that represent what an art critic in 1900 noted as Tiffany’s “dumbfounding versatility.” These works include 14 leaded-glass windows as well as examples of lamps, art glass, ceramics, and metalwork.
Glassmaking
Secrets of Tiffany Glassmaking
Through photographs, models, tools, and art objects, this teaching exhibit shows the range of Louis C. Tiffany’s glass production, from mosaics and molded-glass jewels to leaded-glass windows and lamps, providing insights into the techniques employed by his artisans.
Posso garantir, como diria o Michelin, que vaut le voyage...
Depois, mais estrada: 4 East e I-95 Norte, em direção à Georgia.
Lanche no caminho e acabamos parando neste hotel, confortável:
Hotel Comfort Suites (GA641)
Brunswick, Georgia
Tel. (1.912) 267-4440
Fax: (1.912) 262-3495
home page: http://www.comfortsuites.com/hotel-brunswick-georgia-GA641
E agora, um pouco de informação, anotações (como esta) e dodô...
Brunswick, GA, 22h40, 27.03.2009
1043) Turismo academico 2): nos EUA
Impressionantes reformas no aeroporto de Miami, desde que aqui estive pela última vez (em 2004 ou 2005, não me lembro): tudo muito amplo e limpo, bem decorado, tinindo de limpo e com muitas atrações para compra.
Tarefas da noite de 26: aluguel de carro, comunicação com Brasília, jornais e revistas locais, informação, etc.
Tarefas desta sexta-feira 27: visita a alguns pontos de Miami, depois estrada para Winter Park, uma cidade de férias, perto de Orlando, onde há um museu famoso pelos sua coleção de Tiffany e decoração belle époque.
No intervalo, respondi aos questionamentos de um jornalista russo sobre a nova política externa dos EUA para a Rússia. Depois vou reelaborar e postar aqui.
Miami International Airport Hotel, 9h46, 27.03.2009
Tarefas da noite de 26: aluguel de carro, comunicação com Brasília, jornais e revistas locais, informação, etc.
Tarefas desta sexta-feira 27: visita a alguns pontos de Miami, depois estrada para Winter Park, uma cidade de férias, perto de Orlando, onde há um museu famoso pelos sua coleção de Tiffany e decoração belle époque.
No intervalo, respondi aos questionamentos de um jornalista russo sobre a nova política externa dos EUA para a Rússia. Depois vou reelaborar e postar aqui.
Miami International Airport Hotel, 9h46, 27.03.2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
1042) Turismo acadêmico (1): a caminho dos EUA
Embarquei nesta quinta-feira, 26 de março de 2009, para os EUA, via Manaus e Miami, a partir de Brasilia, um voo tranquilo, que sai na hora do almoco e chega na hora da janta, sem aquelas canseiras habituais de voos transoceanicos.
Depois, um descanso no hotel do aeroporto de Miami, um carro de aluguel, no qual, eu e Carmen Licia, vamos percorrer alguns estados da costa leste, antes de chegar a Urbana, Illinois, onde passarei um mês, pesquisando, lendo e dando algumas palestras em nível de pós-graduação.
Meio turismo, meio estudo, uma viagem de lazer e de pesquisa, com poucas surpresas e algumas curiosidades.
Manterei este blog informado de minhas andanças, leituras, palestras e descobertas.
Aeroporto de Manaus, 12h25, 26.03.2009
Depois, um descanso no hotel do aeroporto de Miami, um carro de aluguel, no qual, eu e Carmen Licia, vamos percorrer alguns estados da costa leste, antes de chegar a Urbana, Illinois, onde passarei um mês, pesquisando, lendo e dando algumas palestras em nível de pós-graduação.
Meio turismo, meio estudo, uma viagem de lazer e de pesquisa, com poucas surpresas e algumas curiosidades.
Manterei este blog informado de minhas andanças, leituras, palestras e descobertas.
Aeroporto de Manaus, 12h25, 26.03.2009
1041) Falacias academicas: alguma sugestao a mais?
Como sabem todos aqueles que acompanham este blog, ou meu site (onde são disponibilizados, com algum atraso, diversos trabalhos publicados em veículos eletrônicos disponíveis e abertos à minha pluma crítica), venho elaborado uma série de ensaios críticos sobre o que me parecem ser as falácias acadêmicas mais evidentes, a partir de um exame do discurso universitário ou da literatura existente sobre diferentes temas de interesse social, político ou econômico.
Fiz algumas, e outras estão previstas, mas aceito sugestões para inclusão em minha lista. Desafios são sempre bem recebidos...
Falácias acadêmicas: a série
(ensaios publicados e sugestões futuras)
Paulo Roberto de Almeida
Lista dos ensaios já elaborados e publicados:
1) Falácias acadêmicas, 1: o mito do neoliberalismo
Brasília, 26 julho 2008, 9 p. Considerações em torno de equívocos conceituais, históricos e empíricos de acadêmico selecionado para avaliação crítica. Espaço Acadêmico (n. 87, agosto 2008); 1912.
2) Falácias acadêmicas, 2: o mito do Consenso de Washington
Brasília, 3 setembro 2008, 16 p. Considerações em torno dos equívocos conceituais, históricos e empíricos de setores acadêmicos com respeito ao CW. Espaço Acadêmico (n. 88, setembro 2008); 1922.
3) Falácias acadêmicas, 3: o mito do marco teórico
Buenos Aires-Brasília, 30 setembro 2008, 6 p. Da série programada, com algumas criticas a filósofos famosos. Espaço Acadêmico (n. 89, outubro 2008); 1931.
4) Falácias acadêmicas, 4: o mito do Estado corretor dos desequilíbrios de Mercado
Brasília, 15 novembro 2008, 12 p. Da série programada, com críticas a economistas keynesianos. Espaço Acadêmico (n. 91, dezembro 2008); 1952.
5) Falácias acadêmicas, 5: o mito do complô dos países ricos contra o desenvolvimento dos países pobres
Brasília, 21 janeiro 2009, 11 p. Continuação da série, tratando desta vez das teses do economista Ha-Joon Chang. Espaço Acadêmico (n. 93, fevereiro 2009); 1976
6) Falácias acadêmicas, 6: o mito da Revolução Cubana
Brasília, 1 de março de 2009, 17 p. Continuidade do exercício, tocando nos problemas do socialismo em Cuba. Espaço Acadêmico (n. 94, março 2009). 1986.
7) Falácias acadêmicas, 7: os mitos em torno do golpe de 1964 (em publicação)
Fiz algumas, e outras estão previstas, mas aceito sugestões para inclusão em minha lista. Desafios são sempre bem recebidos...
Falácias acadêmicas: a série
(ensaios publicados e sugestões futuras)
Paulo Roberto de Almeida
Lista dos ensaios já elaborados e publicados:
1) Falácias acadêmicas, 1: o mito do neoliberalismo
Brasília, 26 julho 2008, 9 p. Considerações em torno de equívocos conceituais, históricos e empíricos de acadêmico selecionado para avaliação crítica. Espaço Acadêmico (n. 87, agosto 2008); 1912.
2) Falácias acadêmicas, 2: o mito do Consenso de Washington
Brasília, 3 setembro 2008, 16 p. Considerações em torno dos equívocos conceituais, históricos e empíricos de setores acadêmicos com respeito ao CW. Espaço Acadêmico (n. 88, setembro 2008); 1922.
3) Falácias acadêmicas, 3: o mito do marco teórico
Buenos Aires-Brasília, 30 setembro 2008, 6 p. Da série programada, com algumas criticas a filósofos famosos. Espaço Acadêmico (n. 89, outubro 2008); 1931.
4) Falácias acadêmicas, 4: o mito do Estado corretor dos desequilíbrios de Mercado
Brasília, 15 novembro 2008, 12 p. Da série programada, com críticas a economistas keynesianos. Espaço Acadêmico (n. 91, dezembro 2008); 1952.
5) Falácias acadêmicas, 5: o mito do complô dos países ricos contra o desenvolvimento dos países pobres
Brasília, 21 janeiro 2009, 11 p. Continuação da série, tratando desta vez das teses do economista Ha-Joon Chang. Espaço Acadêmico (n. 93, fevereiro 2009); 1976
6) Falácias acadêmicas, 6: o mito da Revolução Cubana
Brasília, 1 de março de 2009, 17 p. Continuidade do exercício, tocando nos problemas do socialismo em Cuba. Espaço Acadêmico (n. 94, março 2009). 1986.
7) Falácias acadêmicas, 7: os mitos em torno do golpe de 1964 (em publicação)
quarta-feira, 25 de março de 2009
1040) Formatura de alunos de Relações Internacionais
Não é a primeira vez que sou convidado para ser patrono de uma turma de bachareis em relações internacionais, também chamados internacionalistas.
Nesta quarta-feira, 25 de março de 2009, foram os formando do 2o. semestre de 2008 da Universidade Católica de Brasília.
Abaixo, o texto guia que serviu para minha preleção nessa ocasião.
Elogio da Persistência
Paulo Roberto de Almeida
Alocução de patrono da turma de Relações internacionais
(2º semestre de 2008) da Universidade Católica de Brasília
(25/03/2008, 20h, Auditório da UCB)
Diretora do Curso de RI: Profa. Tânia Maria Pechir Gomes Manzur
Paraninfo: Prof. Rodrigo Pires Campos
Padrinho: José Romero Pereira Júnior
Profs. Homenageados: Egidio Lessinger, Flavio Cardoso, Francisco Wollman
Funcionária homenageada: Valesca Gomes de Souza Matos
Oradora, Juramentista e Homenageadoras dos pais e dos mestres, além dos membros da Comissão de Formatura,
Meus caros novos internacionalistas, desta vez com um canudo acompanhando a designação, o que lhes dá plena legitimidade para ostentar orgulhosamente o título conquistado.
Estas minhas palavras foram colocadas sob o signo da persistência, tanto minha, ao insistir em complementar meu trabalho profissional com algumas horas noturnas dedicadas ao trabalho de pesquisa e redação de ensaios em temas internacionais, como, sobretudo, de vocês, ao insistirem num curso que correspondia às mais nobres aspirações de cada um. De fato, meu texto leva por título “Elogio da Persistência” e vocês tiveram, justamente, a persistência requerida para conquistar um título formal.
Num mundo em constante mutação, tão incerto e cambiante, agora agitado por crises financeiras, logo transformada em crise econômica de grande magnitude, cujas duração, intensidade e abrangência não estão ainda indefinidas, podendo inclusive levar a uma depressão cujo último grande exemplo remonta oitenta anos atrás, devemos saudar a persistência de um punhado de jovens, agora não mais que duas dezenas, que iniciaram, continuaram e, finalmente, concluíram o curso que constituiu a escolha original de vocês.
Meu primeiro elogio, portanto, vai para vocês mesmos, que persistiram no empreendimento, mesmo sentindo crescer, a cada momento, as incertezas e indefinições quanto ao vosso futuro profissional. Vocês são vencedores, na plena acepção do termo. Meus sinceros parabéns, portanto, e isto vai dito de todo o coração.
Meu segundo elogio vai para todos aqueles que contribuíram para o final exitoso da jornada que vocês empreenderam alguns anos atrás: os pais certamente, num sentido amplo, o que inclui toda a família, sem esquecer cachorro, gato e passarinho, este hoje mais raro, num mundo politicamente correto e cada vez mais controlador de velhos hábitos politicamente incorretos. Não importa: todos aqueles que cercam vocês, nas lides da semana e nos fins de semana, incluindo namorados, namoradas, companheiros, ficantes e outras companhias ocasionais, contribuíram, cada qual ao seu modo, para o final feliz de uma longa caminhada que parecia interminável no meio do caminho. A todos eles, vocês oferecem sorrisos no dia de hoje, e recebem em troca beijos, abraços, apertos de mão e outros gestos carinhosos de cumprimentos. Todos eles foram importantes e vocês sabem disso.
Um terceiro e grande elogio deve ser dirigido aos que mais diretamente foram responsáveis pela formação de vocês, num sentido amplo: os professores certamente, como todo o respeito que eles merecem, mas também os funcionários, as bibliotecárias, os empregados da lanchonete, o guarda do estacionamento (se houver), a rede de internet da Faculdade (nem sempre tão rápida quanto desejável), o Google, a Wikipédia, e com esses programas tudo aquilo que ajudou a confeccionar os trabalhos acadêmicos, o copiar e colar e todos aqueles expedientes utilizados para convencer os professores que vocês de fato fizeram uma pesquisa original e altamente inovadora...
Alguns ainda ficam me devendo copyright, os meus direitos de autor (com royalties a 5%), pois eu sei que se vocês me convidaram para estar aqui esta noite, foi porque se utilizaram eventualmente de alguns dos meus textos, voluntariamente disponíveis na internet, com a intenção, justamente, de servir ao enriquecimento intelectual de jovens como vocês, interessados na cultura e no saber, e que vêm se abastecer no meu site, como se faz regularmente com um carro no posto de combustível...
Mas acredito que não foi por remorso que vocês me convidaram, e sim por sincera admiração, como descubro por vezes pela correspondência eletrônica de algum aluno mais ousado, ou talvez interessado em alguma ajuda extra para um trabalho. Eu sei, mesmo sem controlar ou contar os acessos ao meu site, que meus textos, penosamente trabalhados nessas noites de horas extras na pesquisa e na redação, são utilizados para finalidades nobres na atividade acadêmica. Mas eles estão ali para isso mesmo. Só me desculpo por não colocar um número ainda maior deles em acesso total, mas é para não fazer concorrência desleal aos meus editores, que poderiam não achar graça em gastar com papel e tinta e depois descobrir todos eles sob a forma de bits and bytes livremente disponíveis no meu site. A isto se dá o nome de propriedade intelectual, embora vários deles, talvez a maior parte, não me pertençam, pois as idéias neles desenvolvidas também foram coletadas em minhas leituras noite adentro. Na verdade, eu também fico devendo copyright a muitos outros estudiosos nesta área de estudos cada vez mais ampla e diversificada.
Devemos, portanto, também fazer um elogio a todos esses autores distantes, muitos deles estrangeiros, mas que frequentaram nossas leituras e que passaram por nossas teclas de control-c e control-v, provando que tudo na vida se aproveita, tudo se transforma e renasce sob novas formas... Esses sites de revistas e jornais com temas internacionais fazem hoje parte do cenário acadêmico, tanto quanto os professores e os livros impressos, e o meu trabalho representa apenas uma gota d’água nesse oceano de conhecimento.
Obviamente, eu fico particularmente feliz pelo fato de vocês terem se lembrado deste professor indireto e virtual, e de terem arriscado a idéia de convidá-lo para partilhar um pouco da alegria de vocês nesta noite. Para mim isso é especialmente gratificante, pois que sou normalmente tímido e reservado, preferindo ficar no meu canto com os livros e a internet, a circular muito pelos centros de ensino. A rigor, eu nem deveria dedicar-me a atividades acadêmicas, posto que esta não é minha atividade principal ou meu ganha-pão tradicional, a não ser pelo lado da pesquisa e da elaboração de textos, eventualmente publicados.
Mas se eu me dedico também um pouco ao ensino e à orientação, é porque a docência e a direção de trabalhos acadêmicos representam um complemento indispensável aos esforços de leitura, de síntese e de redação de novos textos nessas áreas de minha predileção. Sem a necessidade de apresentar problemas complexos de forma inteligível aos mais jovens, sem a obrigação de resumir o que aprendemos nos livros para mentes curiosas, sem as cobranças surpreendentes e as indagações provocadoras dos alunos, muito do conhecimento adquirido ficaria enterrado entre dois neurônios do meu cérebro, sem aproveitamento útil em escala mais ampla. Pessoalmente, sem a necessidade estrita de dar aulas, eu o faço por prazer intelectual e até por motivo de interação social, sem o que eu permaneceria enterrado nos livros como aqueles eremitas de caverna, com longas barbas e cabelos brancos...
Por esses e outros motivos, sou eu quem deve agradecer a vocês esta homenagem e esta oportunidade de conhecer, diretamente, alguns de meus leitores secretos. Não vou cobrar copyright de ninguém, apenas dizer que fico especialmente feliz de saber que meu esforço solitário possa ter servido a alguma finalidade útil, ainda que fosse para terminar rapidamente um trabalho de última hora. Não tenho muito a acrescentar em termos de lições de vida ou de recomendações de carreira: algumas de minhas preleções nesse sentido já são conhecidas de vocês nesses mergulhos no meu site algo caótico, em busca de alguma coisa mais utilitária.
As principais lições vocês certamente já aprenderam: a honestidade intelectual no esforço de pesquisa e elaboração de trabalhos; o esforço próprio engajado na busca de conhecimentos originais e na exposição bem fundamentada dos argumentos e pontos de vista que vocês defenderam ao longo da jornada acadêmica; a solidariedade e a amizade com os colegas de estudo; o respeito pelos mestres; o carinho agora devolvido aos pais, que se esforçaram muito para que vocês chegassem até aqui (inclusive no que se refere à conta poupança); o reconhecimento aos técnicos da Google, da Microsoft ou da Apple, que facilitaram tanto essa coisa de copiar e colar; enfim, a consciência moral que vocês têm o direito de exibir, posto que vocês certamente mereceram o título que agora levam para casa, e que é o início de uma nova jornada de trabalho e de estudos, já que o ciclo de atividades nunca cessa em sua dinâmica ascensional.
Como vocês, eu também sou persistente, e essa é, provavelmente, uma das principais virtudes que devemos cultivar, incessantemente, sem querer ser redundante. Persistência na busca de nossos objetivos maiores, na realização dos nossos sonhos, na correção dos aspectos mais deletérios da vida política e social do Brasil na atualidade, posto que esta é a nossa sociedade, e, por pior que ela pareça hoje, por mais desalento que possamos ter em face de tantas patifarias cotidianas, de tantos crimes impunes e de tantas quebras de decoro justamente naqueles escalões mais altos, devemos ser persistentes em tentar transformar o País em algo melhor do que isso que existe atualmente, e tentar legar a nossos filhos e netos um Brasil mais justo, menos corrupto, economicamente mais avançado, mais globalizado, mais internacional, enfim, mais parecido, justamente, com o que admiramos em outros povos e nações, aqueles que possuem um índice de felicidade bruta mais elevado do que o nosso.
Foi para isso, finalmente, que vocês estudaram. Não apenas para atingir objetivos individuais de lucro e riqueza, pois que para isso existem os cursos de administração, de direito, de engenharia. O internacionalista é, antes de tudo, um idealista, mesmo quando ele adere à escola realista de relações internacionais: todos nós queremos um mundo mais justo e solidário, todos nós desejamos contribuir com nosso grão de conhecimento e de esforço individual para transformá-lo numa plataforma de sonhos, num porto mais seguro, numa morada mais próspera e pacífica do que o cenário algo caótico que ainda existe atualmente.
Vocês já sabem o que devem ou deveriam fazer, ainda que não saibam, exatamente, o que vão fazer da vida, ou como vão ganhar dinheiro, ou com quais instrumentos e ferramentas vão transformar o mundo. O quê fazer, salvar o mundo, vocês provavelmente já sabem, em grande medida, pelo menos, ainda que possam discutir como fazer isso. Em todo caso, eu fico muito feliz de saber que mais uma tribo de internacionalistas vai ser solta no mundo: alguns serão futuros colegas na diplomacia ou na academia; outros serão batalhadores em empresas privados; ou então concurseiros bem sucedidos, se tornarão servidores estáveis em agências públicas. Em qualquer hipótese, vocês são pessoas dignas do título que passam a ostentar desde hoje e certamente merecedoras das homenagens que seus familiares e amigos vão lhes prestar nestes dias.
Enfim, sejam felizes na vida pessoal e profissional, amem o trabalho de vocês, sejam amados pelos que os cercam e por todos aqueles que partilharão um pouco ou muito de suas vidas, façam do Brasil e do mundo lugares melhores do que eles são hoje, pois este é todo o sentido, não apenas da profissão de vocês, mas de nossas vidas como cidadãos do País e do mundo. Sobretudo, persistam no caminho iniciado alguns anos atrás, para poderem dizer aos amigos e filhos: eu lutei, mantive a fé, persisti nos meus ideais e aqui estou, feliz e realizado.
Muita felicidade e muito obrigado pela oportunidade que me foi dada. Vamos dar um grande viva pela persistência de vocês e os parabéns a todas e a todos...
Brasília, 22 de março de 2009
Nesta quarta-feira, 25 de março de 2009, foram os formando do 2o. semestre de 2008 da Universidade Católica de Brasília.
Abaixo, o texto guia que serviu para minha preleção nessa ocasião.
Elogio da Persistência
Paulo Roberto de Almeida
Alocução de patrono da turma de Relações internacionais
(2º semestre de 2008) da Universidade Católica de Brasília
(25/03/2008, 20h, Auditório da UCB)
Diretora do Curso de RI: Profa. Tânia Maria Pechir Gomes Manzur
Paraninfo: Prof. Rodrigo Pires Campos
Padrinho: José Romero Pereira Júnior
Profs. Homenageados: Egidio Lessinger, Flavio Cardoso, Francisco Wollman
Funcionária homenageada: Valesca Gomes de Souza Matos
Oradora, Juramentista e Homenageadoras dos pais e dos mestres, além dos membros da Comissão de Formatura,
Meus caros novos internacionalistas, desta vez com um canudo acompanhando a designação, o que lhes dá plena legitimidade para ostentar orgulhosamente o título conquistado.
Estas minhas palavras foram colocadas sob o signo da persistência, tanto minha, ao insistir em complementar meu trabalho profissional com algumas horas noturnas dedicadas ao trabalho de pesquisa e redação de ensaios em temas internacionais, como, sobretudo, de vocês, ao insistirem num curso que correspondia às mais nobres aspirações de cada um. De fato, meu texto leva por título “Elogio da Persistência” e vocês tiveram, justamente, a persistência requerida para conquistar um título formal.
Num mundo em constante mutação, tão incerto e cambiante, agora agitado por crises financeiras, logo transformada em crise econômica de grande magnitude, cujas duração, intensidade e abrangência não estão ainda indefinidas, podendo inclusive levar a uma depressão cujo último grande exemplo remonta oitenta anos atrás, devemos saudar a persistência de um punhado de jovens, agora não mais que duas dezenas, que iniciaram, continuaram e, finalmente, concluíram o curso que constituiu a escolha original de vocês.
Meu primeiro elogio, portanto, vai para vocês mesmos, que persistiram no empreendimento, mesmo sentindo crescer, a cada momento, as incertezas e indefinições quanto ao vosso futuro profissional. Vocês são vencedores, na plena acepção do termo. Meus sinceros parabéns, portanto, e isto vai dito de todo o coração.
Meu segundo elogio vai para todos aqueles que contribuíram para o final exitoso da jornada que vocês empreenderam alguns anos atrás: os pais certamente, num sentido amplo, o que inclui toda a família, sem esquecer cachorro, gato e passarinho, este hoje mais raro, num mundo politicamente correto e cada vez mais controlador de velhos hábitos politicamente incorretos. Não importa: todos aqueles que cercam vocês, nas lides da semana e nos fins de semana, incluindo namorados, namoradas, companheiros, ficantes e outras companhias ocasionais, contribuíram, cada qual ao seu modo, para o final feliz de uma longa caminhada que parecia interminável no meio do caminho. A todos eles, vocês oferecem sorrisos no dia de hoje, e recebem em troca beijos, abraços, apertos de mão e outros gestos carinhosos de cumprimentos. Todos eles foram importantes e vocês sabem disso.
Um terceiro e grande elogio deve ser dirigido aos que mais diretamente foram responsáveis pela formação de vocês, num sentido amplo: os professores certamente, como todo o respeito que eles merecem, mas também os funcionários, as bibliotecárias, os empregados da lanchonete, o guarda do estacionamento (se houver), a rede de internet da Faculdade (nem sempre tão rápida quanto desejável), o Google, a Wikipédia, e com esses programas tudo aquilo que ajudou a confeccionar os trabalhos acadêmicos, o copiar e colar e todos aqueles expedientes utilizados para convencer os professores que vocês de fato fizeram uma pesquisa original e altamente inovadora...
Alguns ainda ficam me devendo copyright, os meus direitos de autor (com royalties a 5%), pois eu sei que se vocês me convidaram para estar aqui esta noite, foi porque se utilizaram eventualmente de alguns dos meus textos, voluntariamente disponíveis na internet, com a intenção, justamente, de servir ao enriquecimento intelectual de jovens como vocês, interessados na cultura e no saber, e que vêm se abastecer no meu site, como se faz regularmente com um carro no posto de combustível...
Mas acredito que não foi por remorso que vocês me convidaram, e sim por sincera admiração, como descubro por vezes pela correspondência eletrônica de algum aluno mais ousado, ou talvez interessado em alguma ajuda extra para um trabalho. Eu sei, mesmo sem controlar ou contar os acessos ao meu site, que meus textos, penosamente trabalhados nessas noites de horas extras na pesquisa e na redação, são utilizados para finalidades nobres na atividade acadêmica. Mas eles estão ali para isso mesmo. Só me desculpo por não colocar um número ainda maior deles em acesso total, mas é para não fazer concorrência desleal aos meus editores, que poderiam não achar graça em gastar com papel e tinta e depois descobrir todos eles sob a forma de bits and bytes livremente disponíveis no meu site. A isto se dá o nome de propriedade intelectual, embora vários deles, talvez a maior parte, não me pertençam, pois as idéias neles desenvolvidas também foram coletadas em minhas leituras noite adentro. Na verdade, eu também fico devendo copyright a muitos outros estudiosos nesta área de estudos cada vez mais ampla e diversificada.
Devemos, portanto, também fazer um elogio a todos esses autores distantes, muitos deles estrangeiros, mas que frequentaram nossas leituras e que passaram por nossas teclas de control-c e control-v, provando que tudo na vida se aproveita, tudo se transforma e renasce sob novas formas... Esses sites de revistas e jornais com temas internacionais fazem hoje parte do cenário acadêmico, tanto quanto os professores e os livros impressos, e o meu trabalho representa apenas uma gota d’água nesse oceano de conhecimento.
Obviamente, eu fico particularmente feliz pelo fato de vocês terem se lembrado deste professor indireto e virtual, e de terem arriscado a idéia de convidá-lo para partilhar um pouco da alegria de vocês nesta noite. Para mim isso é especialmente gratificante, pois que sou normalmente tímido e reservado, preferindo ficar no meu canto com os livros e a internet, a circular muito pelos centros de ensino. A rigor, eu nem deveria dedicar-me a atividades acadêmicas, posto que esta não é minha atividade principal ou meu ganha-pão tradicional, a não ser pelo lado da pesquisa e da elaboração de textos, eventualmente publicados.
Mas se eu me dedico também um pouco ao ensino e à orientação, é porque a docência e a direção de trabalhos acadêmicos representam um complemento indispensável aos esforços de leitura, de síntese e de redação de novos textos nessas áreas de minha predileção. Sem a necessidade de apresentar problemas complexos de forma inteligível aos mais jovens, sem a obrigação de resumir o que aprendemos nos livros para mentes curiosas, sem as cobranças surpreendentes e as indagações provocadoras dos alunos, muito do conhecimento adquirido ficaria enterrado entre dois neurônios do meu cérebro, sem aproveitamento útil em escala mais ampla. Pessoalmente, sem a necessidade estrita de dar aulas, eu o faço por prazer intelectual e até por motivo de interação social, sem o que eu permaneceria enterrado nos livros como aqueles eremitas de caverna, com longas barbas e cabelos brancos...
Por esses e outros motivos, sou eu quem deve agradecer a vocês esta homenagem e esta oportunidade de conhecer, diretamente, alguns de meus leitores secretos. Não vou cobrar copyright de ninguém, apenas dizer que fico especialmente feliz de saber que meu esforço solitário possa ter servido a alguma finalidade útil, ainda que fosse para terminar rapidamente um trabalho de última hora. Não tenho muito a acrescentar em termos de lições de vida ou de recomendações de carreira: algumas de minhas preleções nesse sentido já são conhecidas de vocês nesses mergulhos no meu site algo caótico, em busca de alguma coisa mais utilitária.
As principais lições vocês certamente já aprenderam: a honestidade intelectual no esforço de pesquisa e elaboração de trabalhos; o esforço próprio engajado na busca de conhecimentos originais e na exposição bem fundamentada dos argumentos e pontos de vista que vocês defenderam ao longo da jornada acadêmica; a solidariedade e a amizade com os colegas de estudo; o respeito pelos mestres; o carinho agora devolvido aos pais, que se esforçaram muito para que vocês chegassem até aqui (inclusive no que se refere à conta poupança); o reconhecimento aos técnicos da Google, da Microsoft ou da Apple, que facilitaram tanto essa coisa de copiar e colar; enfim, a consciência moral que vocês têm o direito de exibir, posto que vocês certamente mereceram o título que agora levam para casa, e que é o início de uma nova jornada de trabalho e de estudos, já que o ciclo de atividades nunca cessa em sua dinâmica ascensional.
Como vocês, eu também sou persistente, e essa é, provavelmente, uma das principais virtudes que devemos cultivar, incessantemente, sem querer ser redundante. Persistência na busca de nossos objetivos maiores, na realização dos nossos sonhos, na correção dos aspectos mais deletérios da vida política e social do Brasil na atualidade, posto que esta é a nossa sociedade, e, por pior que ela pareça hoje, por mais desalento que possamos ter em face de tantas patifarias cotidianas, de tantos crimes impunes e de tantas quebras de decoro justamente naqueles escalões mais altos, devemos ser persistentes em tentar transformar o País em algo melhor do que isso que existe atualmente, e tentar legar a nossos filhos e netos um Brasil mais justo, menos corrupto, economicamente mais avançado, mais globalizado, mais internacional, enfim, mais parecido, justamente, com o que admiramos em outros povos e nações, aqueles que possuem um índice de felicidade bruta mais elevado do que o nosso.
Foi para isso, finalmente, que vocês estudaram. Não apenas para atingir objetivos individuais de lucro e riqueza, pois que para isso existem os cursos de administração, de direito, de engenharia. O internacionalista é, antes de tudo, um idealista, mesmo quando ele adere à escola realista de relações internacionais: todos nós queremos um mundo mais justo e solidário, todos nós desejamos contribuir com nosso grão de conhecimento e de esforço individual para transformá-lo numa plataforma de sonhos, num porto mais seguro, numa morada mais próspera e pacífica do que o cenário algo caótico que ainda existe atualmente.
Vocês já sabem o que devem ou deveriam fazer, ainda que não saibam, exatamente, o que vão fazer da vida, ou como vão ganhar dinheiro, ou com quais instrumentos e ferramentas vão transformar o mundo. O quê fazer, salvar o mundo, vocês provavelmente já sabem, em grande medida, pelo menos, ainda que possam discutir como fazer isso. Em todo caso, eu fico muito feliz de saber que mais uma tribo de internacionalistas vai ser solta no mundo: alguns serão futuros colegas na diplomacia ou na academia; outros serão batalhadores em empresas privados; ou então concurseiros bem sucedidos, se tornarão servidores estáveis em agências públicas. Em qualquer hipótese, vocês são pessoas dignas do título que passam a ostentar desde hoje e certamente merecedoras das homenagens que seus familiares e amigos vão lhes prestar nestes dias.
Enfim, sejam felizes na vida pessoal e profissional, amem o trabalho de vocês, sejam amados pelos que os cercam e por todos aqueles que partilharão um pouco ou muito de suas vidas, façam do Brasil e do mundo lugares melhores do que eles são hoje, pois este é todo o sentido, não apenas da profissão de vocês, mas de nossas vidas como cidadãos do País e do mundo. Sobretudo, persistam no caminho iniciado alguns anos atrás, para poderem dizer aos amigos e filhos: eu lutei, mantive a fé, persisti nos meus ideais e aqui estou, feliz e realizado.
Muita felicidade e muito obrigado pela oportunidade que me foi dada. Vamos dar um grande viva pela persistência de vocês e os parabéns a todas e a todos...
Brasília, 22 de março de 2009
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