quarta-feira, 18 de maio de 2011

Politica cambial: a obsessao dos equivocados...

Onze entre dez economistas autodenominados desenvolvimentistas estão preocupados com o câmbio. Alguns, como os que escreveram essa coisa aí abaixo, chegam até a mencionar uma fantasmagórica "política de apreciação cambial", como se isso existisse ou fosse uma política deliberada de governos (malucos?).
É certo que políticos demagogos gostam de câmbio alto: dá a impressão de que somos ricos e de que todo mundo pode viajar para a Disneyworld duas vezes por ano. Claro que isso acontece e eles ficam contentes, mas a intenção inicial não era essa.
Valorização cambial é sempre o efeito de certo "sucesso" econômico: exportações crescentes, atração de capital estrangeiro, facilidade no lançamento de emissões internacionais. Mas ela é sempre o resultado, não a causa dos problemas de competitividade e de desequilíbrios (futuros, quase certamente).
Vejam também a lista dos problemas brasileiros abaixo relacionados:

"1. Carga tributaria elevada.
2. Custo da infraestrutura
3. Folha salarial sobrecarregada com encargos.
4. Custo do investimento.
5. Baixo estágio tecnológico.
6. Estrutura incipiente de investimento em inovação"

Ou seja, nenhum deles, friso, NENHUM, tem a ver com o câmbio. Todos eles são produzidos internamente, são nossos próprios pecados, problemas "made in Brazil", como se diz.
Como é, então, que, partindo desses problemas, se chega à conclusão de que se tem de desvalorizar o câmbio?
Só pode ser obsessão ou burrice.
O câmbio baixo vai reduzir a carga tributária, induzir à inovação, melhorar a infraestrutura?
Não, absolutamente nada, nadicas de peteberebas.
Então porque se tem de mexer no câmbio?
Ora, esse pessoal precisa ser coerente...
Paulo Roberto de Almeida

Os novos riscos de super-real
Blog Outras Palavras, 17/05/2011

Luís Nassif alerta: como nos anos 90, governo hesita em interromper valorização da moeda. Isso comprometerá desenvolvimento – e não será compensado por gambiarras

Pode-se colocar a Petrobras como agencia de desenvolvimento, adquirindo produtos nacionais. Pode-se aumentar substancialmente o capital do BNDES. Pode-se até criar estímulos fiscais para novos investimentos. Mas enquanto não se acertar o câmbio, será apenas uma fantasia, uma gambiarra, um arremedo de política industrial.

Nenhuma economia emergente conseguirá se desenvolver adequadamente sem trabalhar o fator preço, aquele que impacta diretamente o custo final do produto.***

A competitividade é uma soma de ações em diversas áreas, mas não é uma poção mágica, que estabelecerá com os competidores a igualdade de condições da noite para o dia.

A lógica de qualquer política industrial consistente é a de criar condições iniciais favorecidas para a produção nacional, mas visas do mais à frente a sustentabilidade do setor.

Tome-se o caso dos setores que serão beneficiados pelas compras da Petrobras. Em um primeiro momento ganharão encomendas e ampliarão a estrutura. Mas sem preços competitivos se criará uma indústria de estufa, incapaz de oferecer seus produtos a terceiros.

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Suponha um determinado produto competindo com o estrangeiro. Em relação aos países avançados, o Brasil possui as seguintes desvantagens:

1. Carga tributaria elevada.

2. Custo da infraestrutura

3. Folha salarial sobrecarregada com encargos.

4. Custo do investimento.

5. Baixo estágio tecnológico.

6. Estrutura incipiente de investimento em inovação.

Todos esses fatores encarecem o custo do produto brasileiro de forma expressiva, especialmente nos setores mais dinâmicos da economia, em que há maior valor agregado.

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São esses setores – mais expostos à concorrência internacional – que garantem o dinamismo da economia, a qualificação do emprego, os avanços tecnológicos, os investimentos, a vitória nas disputas com produtos estrangeiros.

E a arena de batalha não é apenas o comércio internacional, mas o próprio mercado interno. A não ser que se pretenda fechar a economia brasileira, cada dia de apreciação cambial significa mais produtos brasileiros sendo substituídos por produtos importados.

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Em todo processo de desenvolvimento – seja na Inglaterra do século 18, no Japão, Alemanha e Itália do pós-guerra, na Coréia dos anos 50, o tiro de partida para a recuperação ou para o início do crescimento foi o câmbio.

A razão é simples. Em cada linha de produto, há os de menos e os mais sofisticados. Países adiantados produzem os mais sofisticados, cobrando mais caro. Países menos adiantados apresentam a vantagem do preço.

Depois, à medida que as empresas vão crescendo, aumentam os investimentos em tecnologia e inovação e seus produtos passam a disputar segmentos mais avançados.

Não há mistério nessa fórmula, não se está contando novidade.

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Ocorre que em momentos cruciais da história – fim do século 19, no pós-guerra, nos anos 90 – prevaleceu a política de apreciação cambial. E ligada a interesses imediatos seja do grande capital (que sempre especulou associado ao capital internacional), seja do populismo cambial de sucessivos governantes, preferindo faturar politicamente com a falsa sensação de fartura trazida pela moeda apreciada.

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Se não se resolver a questão cambial, pré-sal e companhia não passarão de embromação.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Aceleraçao inflacionaria: finalmente a economia do PT...

Durante anos, os "melhores economistas" do PT pediram uma "outra política econômica", uma que não fosse tão neoliberal e conservadora, que não fosse monetarista e recessiva, que pudesse entregar crescimento e bem-estar para todos, sem aquelas velhas obsessões com o equilíbrio fiscal, os juros altos, o rigor orçamentário, enfim, essas velharias dos economistas ortodoxos.
Eles, como bons estruturalistas e desenvolvimentistas, queriam um melhor desempenho geral, o que significava uma menor preocupação com a inflação e maior com o emprego e a distribuição de renda. Como dizia Celso Furtado, pode-se aceitar um "pouquinho mais de inflação para ter um pouco mais de crescimento e mais emprego".
Deu no que deu: tiveram o seu crescimento e mais emprego, e também mais inflação.
Essa é a herança maldita da era Lula e o "triunfo definitivo" da política econômica petista, como eles queriam, da forma como eles queriam.
Pois bem, se precisavam de mais alguma prova, aí a tem: o teste foi feito.
Deixo vocês com um artigo a respeito.
Paulo Roberto de Almeida

Inflação fora de controle?
Rodrigo Constantino
O Globo, 17/05/2011

A inflação acumulada nos últimos 12 meses, medida pelo IPCA, passou de 6,5%. Rompeu, portanto, o topo da meta do Banco Central (BC). Ao que tudo indica, ela deverá subir ainda mais nos próximos meses. Diante deste quadro preocupante, o governo abusa da retórica, mas faz pouco para domar o dragão.
O BC, que não possui independência legal no Brasil, aposta em uma inflação migrando para o centro da meta em 2012. Seu presidente, Alexandre Tombini, chegou a afirmar que a medida do governo, de impor à BR Distribuidora uma redução de preço dos combustíveis, ajuda a combater a inflação. O ministro Guido Mantega pediu que empresários não repassassem aumentos dos custos. Será que voltamos aos tempos do congelamento de preços, que ataca o sintoma e não as causas da inflação? Qual será o próximo passo? Resgatar os famosos fiscais do Sarney?
O governo tem jogado a culpa da inflação em fatores exógenos, como a alta das commodities. É verdade que seu preço subiu bem nos últimos meses, o que também colaborou para o crescimento da economia brasileira, abundante em recursos naturais. Mas não é correto limitar o problema a este fator. Os preços ligados ao setor de serviços subiram ainda mais que a média geral, chegando perto de 9% nos últimos 12 meses. O que está causando esta acelerada alta dos preços então?
Como sabia Milton Friedman, a inflação é sempre um fenômeno monetário. Os demagogos já culparam até a ganância dos empresários, ou choques de oferta fora do controle dos governos, mas o fato é que nada disso produz aumento generalizado dos preços. Quando isto ocorre, é porque há aumento da base monetária e do crédito na economia. E ambos são controlados pelo governo. A inflação é uma deliberada política de governo.
Esta é a “herança maldita” que o governo Lula deixou para sua sucessora, que pouco tem feito para contornar o problema. Os gastos públicos explodiram nos últimos anos de mandato do presidente Lula, e o “corte” de R$ 50 bilhões anunciado pela presidente Dilma representa, na verdade, um aumento de gasto em relação a 2010, pois corta em cima de um orçamento inflado. O governo deveria efetivamente reduzir, de forma significativa, seus gastos explosivos.
Além disso, a expansão de crédito segue em ritmo irresponsável. O BNDES, que utilizou o argumento de medida anticíclica para aumentar absurdamente seus desembolsos durante a crise, não pisou no freio agora que a economia já está claramente aquecida, quiçá superaquecida. A demanda segue firme, a economia se encontra em pleno emprego e pode-se falar até mesmo em apagão de mão-de-obra em certos setores.
Para piorar a situação, o governo não apresentou uma única reforma estrutural, como a previdenciária, trabalhista ou tributária, que permitisse um choque de produtividade ao país. Os investimentos em infraestrutura e educação continuam pífios e de péssima qualidade. O modelo de expansão calcado em crédito e consumo está perto do esgotamento, e os gargalos levam justamente ao aumento da inflação. A economia brasileira parece um carro popular a 150 km/h em uma estrada esburacada, trepidando e com parafusos começando a se soltar. E há no governo quem pense que a solução é acelerar mais!
O BC fica de mãos atadas neste contexto. Suas medidas macroprudenciais são uma aposta incerta, e contar com a queda do preço das commodities é arriscar demais. Até porque uma correção das commodities poderia ser benéfica para a inflação, mas uma queda drástica poderia deteriorar nosso cenário econômico. Afinal, ele depende muito da melhora dos termos de troca, i.e., da alta do preço dos produtos que exportamos em relação ao que importamos. O governo deveria tomar cuidado com aquilo que deseja.
Para quem possui apenas um martelo, tudo se parece com um prego. Uma vez que o governo não faz sua parte, o único instrumento que o BC tem para atuar contra a inflação é a taxa de juros, além do compulsório dos bancos. Não existe mágica, ao contrário do que pensam os industriais da Fiesp. Manter a taxa de juros artificialmente baixa é permitir a volta do dragão inflacionário, o pior imposto para os mais pobres. Em um país com trauma de inflação e economia indexada, aceitar “um pouco mais” de inflação é brincar com fogo ao lado de um barril de pólvora. Nada recomendável.
A credibilidade de um banco central é crucial para ancorar as expectativas inflacionárias. Enquanto o governo ficar somente no discurso, os agentes de mercado terão motivos para receio. A pergunta é legítima: será que a inflação está saindo do controle?

Etica dos poroes (2): mais se "explica"...

Palocci se justifica, não se explica e tenta botar outros nomes da rodinha, Curiosamente, não cita José Dirceu!
Reinaldo Azevedo, 17/05/11

Quem sai aos seus não degenera, certo, Antonio Palocci? Leiam o que informa Gabriela Guerreiro na Folha Online. Volto em seguida:

A Casa Civil encaminhou nesta terça-feira e-mail a um grupo de senadores com explicações sobre a evolução do patrimônio do ministro Antônio Palocci nos últimos quatro anos. Na mensagem, a Casa Civil justifica a evolução no patrimônio ao lembrar que, como ex-ministro da Fazenda, Palocci recebeu uma “experiência única” que dá valor a profissionais de consultoria no mercado e cita outros ex-integrantes do governo que também enriqueceram ao deixarem seus cargos. “Não por outra razão, muitos outros se tornaram, em poucos anos, banqueiros, como os ex-presidentes do Banco Central e BNDES Pérsio Arida e André Lara Rezende, diretores de instituições financeiras como o ex-ministro Pedro Malan ou consultores de prestígio como o ex-ministro Maílson da Nóbrega.”

A Casa Civil também afirma que todas as informações relacionadas à evolução patrimonial do ministro constam de sua declaração de renda de pessoa física, assim como são “regularmente enviadas” à Receita Federal –incluindo informações da empresa Projeto, da qual Palocci tem 99,9% das ações. Diz ainda que Palocci não reside no apartamento de R$ 6,6 milhões comprado em São Paulo.

A empresa Projeto, segundo a nota, foi aberta em 2006 para a prestação de serviços de consultoria econômico-financeira - por meio da qual o ministro aumentou o seu patrimônio. “Não há nenhuma vedação que parlamentares exerçam atividade empresarial, como atesta a grande presença de advogados, pecuaristas e industriais no Congresso. Levantamento recente mostrou que 273 deputados federais e senadores da atual legislatura são sócios de estabelecimentos comercial, industrial, de prestação de serviços ou atividade rural”, diz a nota.

Na nota, a Casa Civil afirma que a empresa de Palocci prestou serviços para “clientes da iniciativa privada” –tendo recolhido sobre a remuneração os tributos devidos– mas sem mencionar quais os clientes. Diz ainda que muitos “ministros importantes” fizeram o percurso inverso ao vir do setor privado para o governo. “O patrimônio auferido pela empresa foi fruto desta atividade e é compatível com as receitas realizadas nos anos de exercício”, diz a Casa Civil.

O órgão argumenta que o objeto social da empresa foi modificado antes da posse de Palocci no ministério para “vedar qualquer prestação de serviço que implique conflito de interesse com o exercício de cargo público”. Segundo a Casa Civil, a gestão dos recursos da empresa foi transferida a uma “gestora de recursos” com autonomia para realizar aplicações e resgates –para evitar conflitos de interesse, seguindo recomendação da Comissão de Ética Pública da Presidência. Atualmente, segundo a mensagem, a empresa tem a “única função” de administrar os seus dois imóveis em São Paulo.

Voltei [Reinaldo Azevedo]:
Pois é… Palocci, como se nota, resolveu recorrer a alguns colaboradores do governo FHC e até a Mailson, que foi ministro de José Sarney, para se justificar, não para se explicar, já que explicação não há.

Há uma nada ligeira diferença entre os nomes acima elencados: depois que passaram a se dedicar à iniciativa privada, cessaram suas atividades públicas. Mailson, por exemplo, foi ministro — e de um período difícil, bem conturbado, na economia. Quando passou a ser consultor, estava claro que não tinha mais nenhuma interferência nos assuntos da República. Até porque Fernando Collor chegou tentando desmoralizar o governo anterior. Os clientes que confiam nas análises e conselhos de sua empresa sabem que não podem contar com ele para, por exemplo, fazer lobby partidário. Se é, e é, muito bem-sucedido em sua empreitada, é porque deve fazer análises pertinentes.

O mesmo se diga de Pérsio Arida e André Lara Rezende, não é mesmo? A estes dois, em particular a Pérsio, deve-se a engenharia única do Planto Real, que tirou o Brasil da taba. Encerrada as suas atividades no serviço público, todos souberam que eles haviam migrado para a iniciativa privada.

O problema de Palocci é outro. Quem sabia que ele tinha empresa de consultoria? Os primeiros a ignorar tal fato, estou certo, eram seus eleitores. Os três migraram para empresas conhecidas, reconhecidas pelo mercado em suas respectivas áreas. O que distingue a de Palocci na comparação com os exemplos por ele citados é a clandestinidade. Se ele revelasse o nome dos clientes, talvez diminuísse a sombra da suspeita — a menos, claro, que ela aumentasse…

Sua empresa era bem mais clandestina do que a de José Dirceu, que também enriqueceu no ramo da “consultoria”. Por alguma razão, Palocci não citou o caso do “companheiro” de partido. Os petistas mais íntimos, inclusive a presidente Dilma Rousseff, até poderiam saber de tudo, mas nem o mercado sabia — exceção feita aos “clientes” para os quais ele trabalhou. E olhem que Palocci poderia ter feito as coisas às claras, não? Sendo quem é, amado como é por setores do capital, poderia ter ganhado um dinheirão com palestras.

Mas, entendo, poderia pegar mal um deputado cobrar para falar em público. Ele preferiu cobrar para falar privadamente. Mais: há muitos empresários deputados, sem dúvida. Mas com o poder que Palocci tinha para interferir em questões de estado, eu diria, não há um só.

Etica dos poroes (1): comecando a cheirar mal...

A Comissão de Ética do governo federal disse que não há nada a investigar no fato de o ministro Palocci ter saído de um patrimônio de 350 mil para um superior a 7 milhões de reais.
Eu também acho: coisa normal, qualquer um pode ganhar isso, basta fazer algumas consultorias bem pagas.
Eu vou pedir a ele algumas recomendações. Suponho que ele tinha tempo como deputado de se dedicar a consultorias, mas agora como ministro não deve ter tempo sobrando.
Pode ser que ele queira me passar o serviço...
Paulo Roberto de Almeida

"Palocci, desprendido e patriota"
Coluna Carlos Brickmann
Edição de Quarta-feira, 18 de maio de 2011

O caro leitor não deve imaginar que um repórter tenha acordado de manhã com a idéia de investigar o patrimônio do chefe da Casa Civil, Antônio Palocci. Digamos que é mais provável que alguma alma caridosa lhe tenha soprado a informação. A questão, portanto, não é apenas descobrir como é que o patrimônio de Sua Excelência teve tão substancial aumento; é também saber quem se beneficia com a publicação da notícia e o enfraquecimento de um ministro forte.

Da oposição, certamente, a notícia não partiu: quem não existe não distribui informação. Uma boa possibilidade é que tenha sido gente do Governo: gente que, embora com cargos pomposos e, imagina a opinião pública, de primeiro escalão, não consegue furar o cerco de Palocci e chegar à presidente da República. No PT e no Ministério, há inúmeros dignitários que têm todos os motivos para torpedear o primeiro-ministro - desculpe, o chefe da Casa Civil. Outra boa possibilidade são os aliados insatisfeitos: políticos que se aliaram ao PT pensando em bons cargos, daqueles que dão emprego e distribuem verbas, e acabaram esquentando os sofás das salas de espera, muito longe das tetas prometidas.

Dá para fazer uma bela lista de nomes ilustres, não é?

E não seria possível encerrar esta nota sem um elogio sincero ao ministro Antônio Palocci, um homem desambicioso e que só pensa no bem-estar da Pátria. Não é auspicioso saber que um político é capaz de trocar uma empresa de consultoria tão bem sucedida e lucrativa pelo trabalho mal-remunerado de ministro?

Fim de caso
A notícia sobre a multiplicação dos bens do ministro Palocci saiu no fim de semana, na segunda o Governo já tinha investigado tudo e resolvido o problema: segundo informaram, "o caso está encerrado". É uma boa idéia: suponha que algum órgão do Governo queira bisbilhotar algum fato pitoresco em sua vida financeira. Basta mandar-lhes um ofício: o caso está encerrado.

Que tal acabar com a estabilidade de funcionario publico?: eu topo...

Funcionarios públicos acham que a sociedade deve trabalhar para sustentá-los. Se eles não estão satisfeitos com o que ganham, não tem problema: eles podem parar, tranquilamente, fazer a sociedade de reféns, passar dias e dias parados, e nada acontece; simplesmente continuam ganhando igual.
Máfias sindicais são assim: assaltam o pobre do contribuinte e ainda acham que têm razão.
Eu simplesmente recomendo acabar com a estabilidade, totalmente, de todas e quaisquer categorias, inclusive de juízes. Juízes teriam estabilidade garantida durante 2 anos, renováveis mediante exame de produtividade e exames periódicos, para ver se melhoraram...
Todo o resto, sem garantia de estabilidade.
Para quê? Se é para não fazer nada, melhor fazer em casa...
Paulo Roberto de Almeida

Servidores rejeitam proposta da prefeitura e ameaçam parar
Alexandre Leboutte

Oferta de 6,51% desagrada os municipários, que reivindicam 18%.Os servidores públicos da prefeitura de Porto Alegre podem entrar em greve se o Executivo não alterar a proposta de conceder um índice de reajuste de 6,51%. A oferta foi apresentada na manhã de ontem à direção do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), em encontro que ocorreu no paço municipal.

"A proposta está muito abaixo do que a categoria está reivindicando e, se não for alterada, vamos discutir a possibilidade de greve na assembleia geral de quinta-feira", projetou a diretora-geral do Simpa, Carmen Padilha. Os municipários reivindicam um reajuste de 18%, que, segundo Carmen, compreenderia perdas desde 2005.

Na reunião com a direção do sindicato, o coordenador do Comitê de Política Salarial do município e secretário de Governança, Cézar Busatto (PMDB), propôs a reposição da inflação dos últimos doze meses. O índice de 6,51% (IPCA) seria aplicado aos salários e vale-alimentação.

O governo municipal também ofereceu um abono para complementar a diferença dos cerca de 3 mil servidores que têm o salário-base menor do que o mínimo nacional. Busatto destaca também o plano de saúde do IPE (Instituto de Previdência do Estado), que será implementado até outubro, e a reformulação do plano de carreira dos municipários. O secretário entende que as perdas reivindicadas pelos servidores se referem aos anos de 2003 e 2004, quando não receberam aumento em virtude do teto estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal à folha de pagamento. "Só em 2007 recuperamos o equilíbrio fiscal", observa.

Busatto diz que o percentual pedido "é inviável, está completamente fora da realidade, seria voltarmos a uma situação que não interessa nem aos servidores nem à cidade". A folha salarial do município é de R$ 121 milhões mensais e teria um acréscimo de R$ 20,8 milhões por mês se fosse atendida a reivindicação dos municipários. O secretário adianta que a reformulação da proposta não está nos planos do governo.

Os servidores fizeram ontem um dia de paralisação para pressionar a prefeitura a atender suas reivindicações. Participaram de um ato em frente ao paço municipal mais de 2 mil trabalhadores. Carmen Padilha estima que 70% da categoria aderiu ao movimento.

Foram garantidos os serviços essenciais, como os de saúde, e plantões do Deparamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) e da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov). A maior adesão ocorreu entre os professores das escolas municipais.

A possibilidade de greve gerou comentários na Câmara Municipal ontem. A vereadora Maria Celeste (PT) defendeu que o prefeito José Fortunati (PDT) receba os funcionários do município para negociar. O líder da base governista, João Dib (PP), acredita que a postura do prefeito está correta. "Esse é o papel da Secretaria de Governança. Senão, não precisa ter essa secretaria."

Katia de Queiroz Mattoso - saudades de uma grande historiadora

Katia de Queiroz Mattoso: obituário de um membro do Conselho da RBPI
Paulo Roberto de Almeida

Sou suspeito para escrever sobre a professora e, sobretudo, amiga Katia de Queiroz Mattoso, por uma ou duas razões muito simples: eu era um admirador de sua obra, e com ela assinei um pequeno livro de história do Brasil, publicado em Paris, em 2002. Tive a ideia assim que cheguei em Paris, em 1993, e fui visitá-la, pedindo autorização para que um texto seu, sobre a história do Brasil dos tempos coloniais ao final do regime militar fosse editado pela Embaixada do Brasil, para uso dos estudantes secundários franceses, com um complemento meu sobre a fase contemporânea, até o final do governo Itamar Franco. O panfleto teve bom acolhimento entre as escolas, daí nossa decisão de passar a uma edição comercial, ampliada, graças a nosso bom amigo Denis Rolland, editor da coleção latino-americana da Harmattan, uma editora essencialmente universitária.
Estive em seu apartamento diversas vezes, numa pracinha fechada, perto da Avenue Victor Hugo, invariavelmente para encontros com historiadores brasileiros, franceses, americanos, enfim, com a pequena République des Lettres que circulava em torno da nossa grande dame da cadeira de Histoire du Brésil na Sorbonne (Paris-IV), onde fui diversas vezes, palestrar ou assistir aulas e dissertações sobre os mais diversos temas da história do Brasil e assuntos correlatos. Ela tinha um gabinete minúsculo na Sorbonne, mas sua casa estava sempre aberta aos muitos estudantes brasileiros, franceses ou de quaisquer outras nacionalidades que desejassem estudar o Brasil, em todos os seus aspectos. Todo historiador brasileiro passando pela França – e eles sempre foram muitas dezenas – tinha de falar com a “Katia”, o que geralmente terminava por uma sessão de conversa e de chá em seu apartamento acolhedor.
Também sou suspeito para falar (bem) dela, pois fui quem tomou a decisão de agraciá-la com a Ordem do Rio Branco, assim que a oportunidade se apresentou. Com razão, com mérito e com honra, pois pouca gente fez tanto pelo estudo da história do Brasil na França (e no mundo, pois alguns de seus livros e trabalhos foram também traduzidos para o inglês) quanto essa grega de origem, brasileira por casamento e baiana de coração. Minhas afinidades com ela também passavam pela carreira diplomática, já que ela também teve sua primeira experiência, no serviço exterior da Grécia, muito jovem, servindo como adida cultural na Embaixada da Grécia em Berna, que foi também meu primeiro posto diplomático, onde retomei um doutoramento interrompido algum tempo antes do final do regime militar. Intercambiavámos nossas impressões diplomáticas e assim ficamos amigos até o final, amizade partilhada com Carmen Lícia, minha esposa historiadora, a quem Katia ajudou muito nos contatos com bibliotecas, arquivos e historiadores franceses, na fase de pesquisa para sua tese de doutoramento sobre os viajantes franceses no Brasil, nos primeiros séculos da colonização.
Nos muitos encontros que tivemos em Paris – e depois, em visitas ocasionais – falávamos sobre tudo, especialmente sobre a Bahia, onde ela tinha vivido por longos anos e onde tinha dado aulas de história nas universidades federal e Católica de Salvador, e que tinha sido o objeto de sua monumental tese de Doctorat d’État (apresentada a uma banca respeitável em 1986), feita num modelo braudeliano e abordando a história social e econômica da mais importante província do Império. A tese foi mais tarde traduzida do francês e publicada pela Nova Fronteira (1992), como Bahia Século XIX: Uma província no Império, tendo sido muito bem acolhida pela crítica especializada, como a mais perfeita tradução da metodologia da escola dos Annales aplicada ao Brasil. De fato, esse trabalho condensa o que de mais importante se pesquisou e se escreveu sobre a Bahia nos planos antropológico, social, econômico e político, a partir de pesquisas de arquivo e de farto material secundário. Mas ela ficou mais famosa bem antes, talvez, pelo seu Être Esclave au Brésil (diversas edições em várias línguas), que renovou metodologicamente os estudos nessa área.
Ainda mais importante, provavelmente, foi seu trabalho como professora e orientadora de dezenas de estudantes brasileiros e estrangeiros, em todos os cursos de que foi responsável ou de que participou, na Bahia e na França. A cadeira de História do Brasil na Sorbonne foi criada especialmente para ela, tanto em homenagem ao seu trabalho, quanto em reconhecimento a seus esforços para elevar a qualidade e o padrão dos estudos brasileiros na França. Esta área estava anteriormente entregue a mestres franceses que, certamente, conheciam o Brasil e que aqui tinham vivido, mas que não tinham a sua sensibilidade de baiana e de brasileira para interpretar as peculiaridades de nossa trajetória histórica com o instrumental analítico francês e com o conhecimento profundo dos documentos e da sociedade brasileira. Essa cadeira, depois de sua aposentadoria da Sorbonne, passou aos cuidados do historiador Luís Felipe de Alencastro, que também conhece profundamente os arquivos brasileiros, africanos e a escola histórica francesa. Lembro-me de seminários na Sorbonne em que os dois pontificavam sobre episódios relevantes de nossa história passada e presente.
Ela deixou muitos netos, e bisnetos, no Brasil e na Grécia, e muitas saudades nos seus muitos amigos em três ou quatro continentes. Ela faleceu em 11 de janeiro de 2011, em Paris, França, aos 78 anos, e foi enterrada na tumba da família, em sua Grécia natal. A Revista Brasileira de Política Internacional orgulha-se dela ter aceitado integrar seu Conselho Editorial, e rende aqui uma homenagem modesta, mas sincera, a uma de nossas maiores historiadoras. Um livro em sua homenagem tinha sido organizado por um dos membros de sua banca de doutorado, de fato seu orientador, François Crouzet, e publicado na França quase dez anos atrás. Seus colegas professores da Universidade Federal da Bahia, da qual ela ostenta o título de Doutora Honoris Causa, poderiam organizar um novo volume em sua homenagem.

Brasília, 17 de maio de 2011

Existe democracia e ilusocracia, na China - Claudia Trevisan

Democracia e eleições com ‘características chinesas’
por Cláudia Trevisan
Blog Estadão, 16.maio.2011

“Esta é uma eleição do Partido Comunista e não uma eleição americana”. A frase foi dita por um policial na semana passada no momento em que ele comandava a prisão de Liu Ping, desempregada e candidata independente ao Conselho de Representantes de sua cidade, na província de Jiangxi. Seu crime foi fazer campanha durante a eleição, algo absolutamente banal em vários lugares do mundo, mas inconcebível na “democracia com características chinesas”. Liu foi carregada pelos policiais e teve sua casa vasculhada.
Advogados chineses ressaltaram que não há nada na legislação do país que proíba candidatos de divulgarem seus nomes e propostas, mas o que menos conta quando os interesses do Partido Comunista estão em xeque é o que diz a lei.
A infeliz frase do policial se transformou de maneira instantânea em um hit da versão chinesa do Twitter, que é bloqueado no país. Chamada de Weibo (microblog), a ferramenta do site Sina tem 140 milhões de usuários registrados e, apesar da censura, se transformou em um importante canal de denúncia contra abusos de poder por autoridades desde que foi criado, em 2009.
É claro que o Weibo também está sujeito aos limites oficiais, o que se reflete no fato de que a frase “Esta é uma eleição do Partido Comunista e não uma eleição americana” foi deletada pelos censores e não podia mais ser encontrada ontem. Mas o nome “Liu Ping” continuava popular e havia se transformado em um símbolo da defesa dos direitos de voto dos cidadãos.
Contra todas as evidências, os líderes chineses repetem com frequência que seu país é uma democracia, diferente da ocidental, mas uma democracia. Entre os argumentos que utilizam estão os de que existem outros partidos além do Comunista (dos quais ninguém nunca ouve falar) e que há eleições para todos os órgãos de base da sociedade (realizadas em circunstâncias que restringem a liberdade de escolha dos eleitores, como os fatos recentes demonstram).
A mensagem implícita em “Esta é uma eleição do Partido Comunista e não uma eleição americana” é a de que nenhum resultado que contrarie os interesses dos ocupantes do poder é admissível. Os eleitores não precisam saber em quem estão votando, não há apresentação de propostas e tudo é absolutamente controlado pelo governo, que na China se confunde com o Partido. No fim, são “eleitos” aqueles previamente escolhidos pelos comunistas, que deixam mais uma vez clara sua falta de disposição para afrouxar o controle sobre o sistema político chinês.
Quanto a Liu Ping, ela continuava presa ontem, sob a suspeita de “esconder material de propaganda perigoso”, supostamente o mesmo que ela distribuía abertamente na porta do supermercado onde foi detida. A polícia revistou sua casa, confiscou o material “perigoso” e dois celulares. A eletricidade e a conexão de internet do local foram cortados.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Viagra gratis no FMI, mas nem sempre dá certo... Strauss-Kahn que o diga

Os últimos pacotes de "estímulo" do FMI incluíam algumas pílulas azuis, mas nem sempre dá certo: a Grécia que o diga. Portugal vai pelo mesmo caminho, embora por razões distintas.
Melhor ficar com aquelas receitas eróticas chinesas...
Paulo Roberto de Almeida

News analysis
The arrest of Dominique Strauss-Kahn
No he Kahn’t (updated)

The Economist, May 16th 2011, 17:49 by S.P. and Z.B.

PARIS and WASHINGTON, DC - EVERYTHING was in place to enable Dominique Strauss-Kahn, the IMF head, to declare next month his candidacy for the Socialist primary, ahead of French presidential elections next year. Polls consistently showed that he was the most popular Socialist candidate, and the best placed to beat President Nicolas Sarkozy in a run-off. But Mr Strauss-Kahn’s arrest on May 14th in New York, for an alleged sexual assault, has thrown all those plans in the air, and looks almost certain to wreck his political future.

Mr Strauss-Kahn was arrested when he was already aboard an Air France plane at Kennedy International Airport, just minutes before it was due to take off. New York police said he was charged with “a criminal sexual act, attempted rape, and an unlawful imprisonment in connection with a sexual assault” on a chambermaid in a Manhattan hotel. Reports suggested that Mr Strauss-Kahn had left his hotel room in a hurry. His lawyer, Benjamin Brafman, told Reuters that his client would plead not guilty.

The news has rocked the political class in Paris. Martine Aubry, the Socialist Party leader, called it a “thunderbolt”. Others talked of a “cataclysm”. Even were Mr Strauss-Kahn to be cleared eventually of the charges, the prospect of a court case and the intense scrutiny of his private life would make it virtually impossible for him to return to France to fight a primary. Already, in 2008, he faced an internal IMF investigation into an affair with a fellow member of staff. In the end, the fund concluded that Mr Strauss-Kahn had not abused his position, but he accepted their view that he had made “a serious error of judgment”. His wife, Anne Sinclair, a popular and well-known French television journalist, stood by him. The Fund's decision then to keep him on now looks timid and ill-judged.

Even before this latest shock, it was becoming clear that the French presidential campaign was set to be a nasty exercise in low politics. Over the past week or so, doubtless fed by the political right, the French media has been filled with reports about Mr Strauss-Kahn’s lifestyle, complete with photographs of his pad in Marrakech and swanky Paris flats. A picture of him getting into a Porsche, belonging to an adviser, set off a fierce and tortured French debate about whether it is possible to be left-wing and rich.

All of this, however, pales in comparison with news of the charges of sexual aggression. The French are well-known for shrugging their shoulders at their politicians’ private lives, and consider affairs to be de rigeur for political leaders. But sexual violence is an altogether different matter. If the charges are proved correct, the tragedy is that Mr Strauss-Kahn was in all other ways a strong and attractive candidate, with the international standing and economic authority needed to challenge Mr Sarkozy in 2012. Now, it looks likely that either Ms Aubry, or François Hollande, the party’s ex-leader, will secure the Socialist nomination, after a vote by party supporters this autumn. Without Mr Strauss-Kahn, the French Socialists’ chances of winning next year’s presidential election, for the first time since 1988, have not collapsed—but the race suddenly looks far more open.

Whatever the fall-out on French politics, Mr Strauss-Kahn's arrest has left the IMF reeling. One insider called it a “disaster”. Although he had been expected to leave within a couple of months, Mr Strauss-Kahn, unless quickly exonerated, will now presumably be forced out far sooner.

That leaves the fund without a political heavyweight at the top in the midst of important negotiations with European policymakers over Greece’s debt crisis. Mr Strauss-Kahn was due to meet with Germany’s Chancellor Angela Merkel today and attend a crucial meeting of Euro group finance ministers on May 16th. At those meetings the fund’s boss was to make clear that the IMF would not go along with more dithering or fudges over Greece’s debt mess. Europe would have to come up with more money for Greece fast, or its debt will need to be reprofiled. Even if the fund sends another messenger, its heft in the euro debt mess is significantly diminished without a heavyweight at the top.

If Mr Strauss-Kahn goes, the fund’s first deputy managing director, John Lipsky, would take charge. Not only does Mr Lipsky lack Mr Strauss-Kahn’s (erstwhile) political stature, he is himself a bit of lame-duck: only three days ago, on May 12th, Mr Lipsky announced that he planned to leave in August. In a short statement released on May 15th, the IMF’s spokeswoman had no comment on Mr Strauss-Kahn’s arrest, but said that “The IMF remains fully functioning and operational.” That may be true. But there are going to be some gaping holes at the top.

UPDATE May 16th 17:50 GMT Mr Strauss-Kahn has been remanded in custody until his next appearance in court, scheduled for May 20th. A New York judge denied him bail on the grounds that he posed a flight risk. Meanwhile, French radio has reported that Mr Strauss-Kahn's lawyers plan to mount a defence based on evidence showing that their client was having lunch with his daughter when the attempted rape is alleged to have taken place. But there have also been reports that the New York police now say the incident took place earlier than was originally reported.

Another troubling development for Mr Strauss-Kahn is the possible revival of an earlier sexual-assault claim. David Koubbi, a lawyer for Tristane Banon, a 31-year-old French writer, says she may file a criminal complaint against Mr Strauss-Kahn relating to an alleged incident in 2002. At first Ms Banon supposedly did not press charges on the advice of her mother; Mr Koubbi says she now believes her case will be taken more seriously.

A frase da semana, talvez do ultimo meio século... -- Oscar Niemeyer

Eu acho esse arquiteto um completo idiota: um stalinista que provavelmente só faz isso, ou seja, elogiar o comunismo de Stalin, de Mao e de Fidel, por idiotice mesmo, não por acreditar que eles sejam geniais. Se ele acredita nisso, então é um idiota maior ainda do que já o considero.
Eu também o considero um arquiteto medíocre: ele tem alguns traços, alguns, apenas, que podem até ser bonitos, mas são poucos, e geralmente dentro daquela porcaria que ele desenha, não se consegue viver, ou trabalhar (mas para isso ele não se importa), em paz; ao contrário; suas concepções são completamente disfuncionais, antiecoloógicas, desperdiçadoras de energia, perigosas, enfim, um desperdício de aço, cimento e vidro, para coisas inúteis (e caras). Todas as universidades que ele desenhou são horríveis: luz artificial, quentes, horríveis, por dentro e por fora.

Enfim, depois de falar bastante mal desse idiota completo, tenho de concordar com ele:

"Na verdade quem projetou Brasília foi Lúcio Costa. Eu fiz uns prédios e avisei que aquela merda não ia dar certo."

Oscar Niemeyer

Bem, por uma vez ele acertou. A frase nem é da semana: vale pelos últimos 51 anos desde a inauguração de Brasília (mas ela torrou dinheiro por quatro anos antes disso).
Mas esse idiota não se arrependeu, ainda. do que fez.
Desejo que ele reencarne como um escravo egípcio, daqueles que construíam pirâmides...

Paulo Roberto de Almeida

O falar dificil e a destruicao da civilizacao -- Reinaldo Azevedo

O título acima é meu, o do Reinaldo Azevedo segue abaixo, antes de seu artigo, sempre iracundo, sempre furibundo, contra os ignorantes e os incompetentes que nos (des)governam. Concordo com ele. Esse pessoal que se apossou de certos comandos em Brasília -- como se tomassem uma fortaleza da burguesia -- pensa que deve desmantelar tudo o que encontram pela frente, sobretudo porque se trata do ancien régime, do neoliberalismo e outras bobagens do gênero.
Eles são ignaros, mas não sabem. E até se orgulham de sua ignorância. Afinal de contas, um chefe sindical chegou à presidência sem precisar ter diploma, como dizia ele (o que não tem nenhuma importância), mas sobretudo se vangloriando de não ler: "ler é chato", dizia o energúmeno, e com isso destruindo vocações de pequenos leitores pelo Brasil afora e pelo futuro adentro...
Como já disse algumas vezes, sou moderadamente pessimista quanto a nosso itinerário futuro no plano econômico -- acho que vamos continuar com essas taxas medíocres de crescimento, as que nos permitem um Estado extrator, que arranca 40% do PIB e só investe 1% do que arrecada --, mas eu sou, faço questão de CAPSIZE, ABSOLUTAMENTE PESSIMISTA QUANTO AO FUTURO IMEDIATO, DE MÉDIO E TALVEZ ATÉ DE LONGO PRAZO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA. Acho que estamos caminhando para pior, e rapidamente, ou seja para a mediocridade total e absoluta com esses debilóides que orientam a já horrível educação brasileira.
Acho que fui suficientemente pessimista, vocês não acham?
Paulo Roberto de Almeida

Eles odeiam é a civilização!
Reinaldo Azevedo, 15/05/2011

Escrevi ontem um post post sobre o livro didático de língua portuguesa “Por Uma Vida Melhor” — não, não é a 539ª obra de Gabriel Chalita. Como ficou evidenciado, trata-se de um repto contra a norma culta. Seus autores sustentam que “é importante que o falante de português domine as duas variantes e escolha a que julgar adequada à sua situação de fala”. Uma das variantes é o “erro”. Assim, tem-se que, para esses valentes, há situações em que ele é preferível ao acerto. Só se esqueceram de considerar que, afinal de contas, cada usuário da língua pode errar à sua maneira.

Alguns bobalhões, achando que sou do tipo que se intimida com o fácil falar difícil, vêm me “informar” — vontade de gargalhar! — sobre os modernos estudos da “sociolingüística” (a minha ainda com trema), que eu teria ignorado no meu comentário. Essa gente vive na bolha de plástico de certos grupelhos universitários e está convicta de que, de fato, conhece o mundo. Quem não partilha de sua mesma loucura estaria desinformado. Qual é, manés? Conheço muito bem esse debate. Não tentem misturar as estações.

Uma coisa é entender por que a fala “inculta” do povo — e ninguém, com efeito, se expressa perseguido por um manual de gramática — é eficiente, funciona, comunica; outra, diferente, é sugerir que as variantes são só uma questão de escolha e que a norma culta é uma imposição do preconceito lingüístico, determinado — não se fala o nome, mas está subjacente — pela luta de classes. Trata-se de uma tolice, de uma falsa questão.

Um certo Jair afirma: “O autor [eu!!!] deveria, antes de sair enaltecendo a norma culta, perceber quantas vezes deixa de dizer os ’s’ nos plurais ou os ‘r’ nos verbos no infinitivo, para ver como funciona isso de ‘falar errado’. Mais: preconceito deste tipo é, para mim, tão detestável quanto o racial ou o de gênero.” Coitado do Jair — ou coitados dos alunos do Jair! Ele não entendeu nada! Eu exalto, sim, a norma culta como uma necessidade… normativa, se me permitem a tautologia. Ninguém defende que o sujeito tenha cassados seus direitos constitucionais por falar ou escrever errado.

A questão não diz respeito a direitos, energúmenos!, mas a oportunidades. Em qualquer lugar do mundo — Brasil, Cuba ou Suécia —, o pleno domínio da língua oficial acaba selecionando pessoas para determinadas atividades. Vale até para a China, que tem o mandarim como o idioma da administração do estado. Assegurar aos estudantes — que já falam e escrevem segundo os ditames de seus próprios erros e pautados por ignorâncias específicas — que os níveis de linguagem são equivalentes e que se está diante de uma questão de escolha corresponde a uma mentira, que será desmentida pela vida. Ocupar uma única aula que seja com esta bobagem, em vez de lhe ensinar análise sintática, constitui um crime contra a educação.

A quem interessa esse debate sobre preconceito lingüístico, níveis de linguagem, eficiência da comunicação e afins? Aos estudantes? Não! Isso é, e deve ser, preocupação de especialistas, inclusive os do ensino. Se um professor consegue identificar os erros mais freqüentes de seus alunos — tendo a norma culta como referência —, se consegue caracterizá-los, entender a sua natureza, então se torna certamente mais fácil ensinar a, vá lá, língua oficial.

O país vive um fenômeno terrível. A escola era um privilégio, expressão óbvia da injustiça social, o que condenava o país ao atraso. Era para poucos, mas, sabe-se, eficiente naquele pequeno universo. A necessária massificação trouxe consigo a perda da qualidade. Uma escola universalizada é necessariamente ruim? Não! Mas, para ser boa, precisa operar com critérios muito rígidos de seleção de mão-de-obra e de avaliação de desempenho dos professores — além, obviamente, de contar com infra-estrutura adequada. Não temos nada disso.

A “democratização” do ensino só faz sentido e só será útil aos mais pobres se estes puderem ter acesso aos códigos da cultura que ditam as escolhas relevantes que se fazem no país. Ninguém nega que os milhões de brasileiros que se apropriam da língua à sua maneira sabem se comunicar e até descobrem modos muito criativos de fazê-lo. Mais: sabem os especialistas que a mais errada expressão de uma língua conserva intocada a sua estrutura profunda. Mesmo o discurso dos loucos obedece a certas regras. Levar esse debate à sala de aula é uma tolice, uma perda de tempo, uma estupidez.

Uma das marcas históricas do Brasil é a unidade lingüística — e sempre soubemos lidar bastante bem com as diferenças, sem que prosélitos tenham de transformá-las numa teoria do poder. Ainda hoje, quando especialistas mundo afora pensam as condições objetivas dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), essa unidade distingue positivamente o nosso país. Ah, não se de depender dos autores do livro “Por Uma Vida Melhor”. Para eles, o ensino da língua portuguesa se confunde com uma imposição de classe.

Não deveríamos estar expostos a essa picaretagem, mas estamos. Chegamos a esse debate miserável depois de três décadas de militância ativa do petismo nas universidades e nas escolas. Já escrevi aqui outro dia e reitero: nem se pode dizer que foi o velho marxismo que fez isso com a inteligência brasileira. Essa boçalidade, acreditem, nem mesmo marxista é. O antigo comunismo conjugava com a sua vocação homicida a crença num novo homem, que desfrutaria dos bens da civilização quando se libertasse da opressão dos burgueses e aristocratas. Essa gente que hoje dá as cartas na educação tem um ódio muito mais perverso e devastador do que o ódio de classe: ela odeia é a civilização propriamente dita..

Para essa canalha, o homem se perdeu definitivamente quando passou a andar com a coluna ereta. A partir daquele momento, estava destinado a devastar a natureza e a criar normas, inclusive as da linguagem, que só serviriam à opressão.

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