segunda-feira, 13 de maio de 2013

Nao existem intelectuais no Brasil: Milton Simon Pires

Capturado no blog do meu amigo Orlando Tambosi:


Blog Orlando Tambosi, 13/05/2013

Milton Simon Pires, de Porto Alegre, envia nova colaboração em que discorre sobre a ideia de intelectual - para ele, uma categoria inexistente no Brasil:

Recentemente, numa das aulas do curso de espanhol que venho fazendo (talvez como preparo para a chegada dos colegas médicos cubanos..rss), surgiu um acalorado debate entre a turma. Queria o nosso professor, natural da Andaluzia, saber se no Brasil os intelectuais são suficientemente valorizados na sua atividade profissional. Respondi, causando “verdadeiro horror” nos colegas brasileiros, que não sabia como abordar a questão pois acreditava (e continuo acreditando) que não existem intelectuais no país faz muito tempo. A reação da turma aumentou ainda mais: perguntaram como podia eu dizer algo assim. Fizeram questão de lembrar que temos Chico Buarque, Luís Fernando Veríssimo e tantos outros dignos de receber esta designação: intelectuais. Fiquei perplexo! A primeira pergunta que fiz  foi:  o que vocês entendem pelo termo intelectuais? Não houve um só colega capaz de fazer a distinção correta entre ser um verdadeiro intelectual e alguém com “cultura geral”. Pois bem, nessas rápidas linhas, vamos tentar falar um pouco sobre a diferença e, como dizem os açougueiros, vamos por partes.

Na Europa dos séculos XII e XIII o conceito de universidade não era nem de perto algo próximo da vida do cidadão comum. Lugares como Bolonha, Paris e Oxford (apenas para citar as três mais antigas instituições de ensino superior) estavam tão distantes da realidade de um europeu como a NASA está de um brasileiro hoje.  O que havia de comum nessas escolas não era o que ensinavam, mas sim o perfil cultural de quem entrava nela – gente e mais gente que vivia, como diria Carl Sagan, num mundo assombrado pelos demônios. Em outras palavras, não havia forma de cultura que pudesse escapar da visão religiosa da sociedade. Seria exagero dizer que os alunos todos entravam na universidade com uma visão semelhante a respeito da vida? Todos eles acreditavam em Deus e viviam aterrorizados pela perspectiva do pecado e de uma eternidade no inferno. Nesse sentido, cabia à Universidade receber um “monte de gente que pensava igual” e mandar para o mundo um “monte de gente pensando diferente”. Foi para isso que a chamada cultura superior se organizou nas universidades. 

Dessas instituições saíram pessoas como Paracelso, Nicolau Copérnico, São Tomás de Aquino e tantos outros que mudaram a História. Isso foi possível porque lhes foi oferecido um ambiente de trabalho e estudo onde puderam exercitar a razão livremente. Suas idéias eram revolucionárias pelo fato de não partirem de nenhum tipo de cosmovisão. A história jamais foi para esses homens um gigantesco mecanismo, complexo como um grande relógio, a ser desmontado e compreendido através de regras e leis imutáveis – duvido muito que Hegel tivesse lugar de professor nos primórdios da universidade. É nessa, e absolutamente somente nessa hipótese, que pode alguém se tornar verdadeiramente um intelectual.

Quando afirmei aos meus colegas de curso que não existem intelectuais brasileiros há muito tempo, era isso que eu queria dizer. Era à morte de um pensamento brasileiro verdadeiramente original que eu estava me referindo. Isso aconteceu no país  em função da apropriação total da razão livre por um partido político. Afirmo (peremptoriamente, como gosta de dizer um certo governador gaúcho) não haver espaço para produção acadêmica dentro da universidade brasileira nas áreas de história, filosofia e ciência política, para aqueles que não têm uma interpretação marxista da realidade. Filiados ou não a essa organização criminosa chamada Partido dos Trabalhadores, os estudantes até podem buscar lugares como a UFRGS, USP ou UNICAMP com idéias diferentes, mas todos, ou a grande maioria, vão sair de lá lá pensando quase sempre a mesma coisa – Deus não existe, liberar as drogas pode ser algo bom, a Terra está aquecendo, viva o casamento gay e as ONGS, e por aí vai.

Em texto anterior em que citei The Closing of American Mind e Tenured Radicals eu expliquei como esse trabalho se deu de forma metódica e constante a partir da década de 1960. Seu resultado pode ser visto hoje numa sociedade em que ser intelectual é ter escrito alguma letra de samba durante a ditadura militar ou ter uma coluna na Revista Playboy. É essa  nação que jamais ouviu falar em Gilberto Freire, não tem a mínima ideia de quem sejam Otto Maria Carpeaux, Mário Ferreira dos Santos ou Olavo de Carvalho que acredita que Paulo Coelho é tão importante quanto Machado de Assis ou que Caetano Veloso tem a dimensão de Heitor Villa Lobos.

Pobre país que perdeu a única referência importante que deve ter quando busca a verdade – a honestidade dos seus intelectuais. Sem ela ainda vamos fazer grandes Copas do Mundo, vamos continuar com mulheres maravilhosas e grandes carnavais encantando o resto do planeta como eternos imbecis. 

CORRUPCAO DA GROSSA: ufa! nao e' no Brasil...

Que bom, não é? Nosso país está a salvo dessas bandalheiras.
Ainda bem que aqui as coisas são diferentes...
Ou fiderentes?
Paulo Roberto de Almeida


O jornalista que é a maior dor de cabeça de Cristina Kirchner

  • Janaína Figueiredo
  • O Globo, 13.05.2013

  • Escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo empresários amigos da presidente estão entre revelações feitas por Jorge Lanata em programa de TV
BUENOS AIRES — As noites de domingo são as mais difíceis da semana para Cristina Kirchner. Às 22hs começa o programa de TV “Jornalismo para todos” no canal 13 (do grupo Clarín), apresentado por Jorge Lanata, hoje a maior dor de cabeça da Casa Rosada. Nos primeiros cinco programas deste ano, Lanata revelou escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo empresários amigos da família Kirchner, colaboradores (no último domingo foi a vez do jardineiro, hoje dono de várias empresas) e funcionários. No domingo, o programa confirmou a existência de um gigantesco cofre na residência dos Kirchner na cidade de El Calafate com capacidade para guardar até 3 bilhões de euros. A mesma informação foi confirmada ao GLOBO por um engenheiro que trabalhou numa reforma da famosa residência e viu o cofre, localizado debaixo de uma escada (Lanata mostrou os planos).
No último fim de semana, o jornal “Clarín” publicou o depoimento de um piloto sobre um secretário de Kirchner que teria feito, segundo ele, três viagens por semana para Santa Cruz, carregando uma ou duas malas com entre 10 e 15 milhões de euros cada uma. As denúncias de Lanata foram parar na Justiça e os tribunais portenhos estão avançando em investigações que incluem até o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), acusado de associação e enriquecimento ilícito. A inédita repercussão das reportagens tornaram-se um fenômeno político e social. Muitos analistas acreditam que as denúncias do programa deram forte impulso à última onda de panelaços contra o governo, que apenas em Buenos Aires reuniram mais de um milhão de pessoas. Em entrevista em seu apartamento do centro portenho, Lanata, fundador do jornal “Página 12” (hoje um dos mais alinhados com o kirchnerismo), falou sobre o modus operandi do governo K, a eventual sucessão de Cristina e a mudança de humor social no país. “Os kirchneristas ficam com as empresas, o menemismo pedia propina. No longo prazo, os kirchneristas roubam mais”, afirmou o jornalista.
O GLOBO: O senhor confirmou a existência de um enorme cofre na casa dos Kirchner em Calafate, no qual caberiam 3 bilhões de euros.
Jorge Lanata: Existem dois cofres, mas conseguimos o plano do primeiro. O segundo foi colocado numa segunda reforma. O problema é que cinco milhões de pessoas ficaram sabendo dessa informação, será difícil para a Justiça não fazer nada.
O caso do empresário Lázaro Báez (que era amigo e sócio de Kirchner) já era conhecido entre jornalistas e, principalmente, em Santa Cruz...
Jorge Lanata: Muitas vezes acontece que contamos alguma coisa, mas as pessoas não estão preparadas para ouvi-las. Também existe a diferença entre meios de comunicação impressos e audiovisuais. O caso Watergate surgiu no “Washinton Post”, mas tornou-se popular no programa 60 minutos. Antes estava no microclima de Washington. Abordamos assuntos que muitas pessoas conheciam, mas o impacto de mostrar a casa de Cristina na TV é muito diferente de escrever sobre o assunto.
Por que as denúncias de corrupção contra o vice-presidente, Amado Boudou, não tiveram tanto impacto?
Jorge Lanata: Surpreende-me que o caso não tenha escandalizado tanto a população como o de Báez. Imagine que no caso Boudou foram afastados um juiz, um procurador e um promotor. Ele continua no cargo por teimosia de Cristina.
O governo está preocupado com as denúncias contra Báez?
Jorge Lanata: Sei que estão preocupados, mas não podem fazer nada. O governo respondeu com outra acusação. Falaram sobre um caso de lavagem de dinheiro envolvendo o grupo Clarín, algo que escrevi há alguns anos no jornal “Crítica”. Já disse na rádio Mitre (do grupo Clarín) que se o Clarín for culpado, que vá preso.
Com a reforma do Judiciário aprovada, os tribunais poderão avançar nas investigações?
Jorge Lanata: Minha sensação é de que essa reforma será anulada pela Corte Suprema. Mas é difícil saber se avançarão. Até agora, o que o procurador está fazendo está bem feito. O problema é que nós continuamos trabalhando. Agora surgiu um personagem novo, o jardineiro. Hoje ele é Donald Trump e seu filho é secretário de Cristina. O jardineiro tem 40 empresas! São dessas pessoas muito próximas a eles que têm uma quantidade de dinheiro impossível de justificar. Mostramos as casas de todos, os carros e o cofre de Cristina. Lázaro era funcionário do banco de Santa Cruz e começou a construir sua fortuna em 2003 (ano em que Kirchner chegou ao poder).
A corrupção do kirchnerismo é maior do que a do menemismo?
Jorge Lanata: Existe uma diferença. Os kirchneristas ficam com as empresas, o menemismo pedia propina. No longo prazo, os kirchneristas roubam mais. E seu modus operandi é mais efetivo, em termos políticos. Há algum tempo li um livro que descrevia as estratégias do fascismo na década de 40, na Itália, e são as mesmas. Não estou dizendo que este pessoal é fascista, o que digo é que existe um paralelo na História que pode ser comprovado.
O senhor acredita que o governo será castigado nas urnas nas eleições legislativas de outubro?
Jorge Lanata: Sim, mas acho que isso não fará com que Cristina desista da ideia de uma nova reeleição. Vão tentar encontrar um caminho, porque estão condenados à re-reeleição. O kirchnerismo não tem sucessor e ninguém faz uma revolução para abandoná-la. Eles acreditam fazer uma revolução e isso explica muita coisa. Nenhuma revolução tem liberdade de imprensa, nem mercado econômico livre. Acho que Cristina tentará a reeleição e será um suicídio, porque vai perder.
Cristina está vivendo seu pior momento?
Jorge Lanata: Eles mesmos me dizem, em off, que a coisa terminou. Me contam que os ministros dizem que Cristina está louca. Mas ninguém vai embora, porque ela não deixa. Este será um ano complexo.
E como o senhor imagina o final desta história?
Jorge Lanata: Como estão as coisas, será um final feio. Existe muito fanatismo, violência social crescente, a economia cada vez pior. A herança mais pesada que este governo deixará é a polarização social.

bRICS?: Um dos BRICS falha no destino glorioso da sigla: adivinhe qual...

Um Bric sem rumo e sem estratégia

O Estado de S.Paulo, 6 de maio de 2013
Rolf Kuntz

O economista Jim O’Neill parecia ter feito uma boa aposta quando inventou a sigla Bric, em 2001, para indicar quatro países – Brasil, Rússia, Índia e China – com potencial para mudar o equilíbrio global e ultrapassar as maiores nações capitalistas em algumas décadas. Só parece ter esquecido ou negligenciado um detalhe: a qualidade da política. Isso inclui a capacidade de fixar metas, identificar obstáculos e desenhar estratégias sem tropeçar em preconceitos e sem sobrepor interesses de curto prazo – partidários e até pessoais – às ações de longo alcance.
Os estragos impostos à Petrobrás, agora forçada a desinvestir para fazer caixa, bastariam para mostrar o ponto fraco da avaliação de O’Neill. Mas a coleção de provas é muito maior e é enriquecida, dia após a dia, pelo empenho do governo em demolir os fundamentos da economia brasileira. A piora das contas externas, a erosão fiscal, a tolerância à inflação e a estagnação dos investimentos são indisfarçáveis.
O esforço de recuperação da Petrobrás pela nova administração apenas começou. A empresa realizou maus investimentos, negligenciou a produção, perdeu dinheiro com preços controlados e foi convertida irresponsavelmente em instrumento de política industrial. Para cumprir integralmente esse papel seria forçada a deixar seus objetivos empresariais em plano inferior. O aumento da importação de combustíveis e lubrificantes – de janeiro a abril 28,4% mais que em igual período do ano passado – é uma das consequências desses erros. A decisão de vender a participação de 20% em seis blocos exploratórios no Golfo do México é outra. Isso é apenas parte do desinvestimento necessário.
A autossuficiência no setor de petróleo, alardeada no tempo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é agora prevista para 2020. Deixou de constar do repertório de bravatas oficiais. Mas a expansão das importações da Petrobrás é só um dos componentes negativos da balança comercial. Erros semelhantes aos cometidos na gestão da estatal ocorreram em muitas outras áreas.
Os itens mais importantes de uma política de longo prazo foram substituídos por ações eleitoreiras e pela distribuição de favores a favoritos da corte. Gastou-se muito para salvar algumas empresas em dificuldades – só as escolhidas, é claro. Sem critério estratégico, aplicaram-se bilhões na formação de grandes vencedores nacionais, em alguns casos com notáveis prejuízos. O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nunca errou tanto. Ao mesmo tempo, a infraestrutura entrou em colapso. Pequenos apagões – alguns nem tão pequenos – tornaram-se rotineiros, afetando às vezes vários Estados. O setor de transportes entrou em pane, mesmo depois da faxina parcial no ministério em 2011. Neste ano, mais uma vez o agronegócio teve dificuldade para embarcar seus produtos, enquanto navios se enfileiravam ao largo e importadores ameaçavam cortar encomendas.
No ano passado o investimento em máquinas, equipamentos, construção civil e obras de infraestrutura foi 4% menor que em 2011. Governo e empresários projetam para este ano um aumento, mas, ainda assim, o total investido provavelmente ficará abaixo de 20% do produto interno bruto (PIB), muito abaixo do mínimo necessário para desatolar a economia, A meta oficial é algo em torno de 24%, mas esse nível, segundo projeção do governo, só deve ser alcançado em mais ou menos cinco anos.
A perda geral de eficiência e de competitividade é evidente no comércio exterior. Entre janeiro e abril o País faturou US$ 71,47 bilhões com a exportação, 3,1% menos que no primeiro quadrimestre do ano passado, pelas médias diárias. Enquanto isso, o valor importado, US$ 77,62 bilhões, foi 10,1% maior que o de igual período de 2012, pelo mesmo critério. O saldo comercial, um déficit de US$ 6,15 bilhões em quatro meses, é de longe o pior em muitos anos e produzido basicamente por erros cometidos internamente.
O Brasil tem perdido espaço em seus principais mercados, incluídos China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina, embora esses países tenham aumentado suas importações totais. Ao mesmo tempo, concorrentes estrangeiros continuam conquistando fatias do mercado brasileiro, apesar das barreiras criadas pelo governo.
O aumento do déficit em transações correntes é uma das consequências da erosão do saldo comercial. O buraco formado em 12 meses passou de 2,05% do PIB em março de 2012 para 2,93% um ano depois. Não é um desastre, mas a piora é rápida e a tendência é clara. Basta ver o descompasso entre exportação e importação de mercadorias.
Do lado fiscal, o governo proclamou a decisão de jogar as metas de superávit primário para segundo plano, em troca de uma política anticíclica. Mas isso é coisa de governos sérios e disciplinados: economizar nos tempos bons e gastar mais quando a economia fraqueja. O padrão brasileiro é outro. Consiste em gastar sempre, por motivos políticos e porque o Orçamento é cada vez mais engessado. O recente anúncio da nova orientação pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin, apenas oficializa o abandono da responsabilidade fiscal e a opção pela farra nas finanças públicas. Quanto às desonerações, são uma coleção de remendos mal feitos e desarticulados. Política tributária é outra coisa.
A irresponsabilidade fiscal é irmã da tolerância à inflação. Quem quiser negar essa tolerância terá de explicar por que o governo mantém desde 2005 a meta de 4,5% com a escandalosa margem de dois pontos. Países emergentes com governos respeitáveis têm adotado metas bem mais severas. Ainda é preciso esperar para saber se o recente aumento de juros pelo Banco Central foi o início de uma mudança. Por enquanto, o mais seguro é duvidar.

E por falar em Thomas Sowell e ideias inteligentes...

Um artigo dele para o qual minha atencao foi chamada pelo leitor Eduardo R., do Rio:

Lugares comuns que substituem o raciocínio crítico
por 
Insitituto Mises Brasil, quinta-feira, 9 de maio de 2013


Se algum dia criarem um concurso para aquelas palavras que se passam por pensamento profundo e crítico, "diversidade" e pluralidade certamente iriam para a final e teriam um embate duríssimo.
A beleza destas duas palavras mágicas e encantadoras é que você não necessita de nenhuma nódoa de evidência empírica e nem de nenhum processo de encadeamento lógico para recitar rapsódias sobre os supostos benefícios da diversidade e do pluralismo.  A própria ideia de querer testar estes belos termos em relação a algo tão feio quanto a realidade é em si vista como um ato sórdido.
Gorilla origin of man.jpgDiversidade e pluralidade são termos que, justamente por englobarem de tudo, dispensam seus promovedores de explicar especificamente o que defendem.  Há diversidade e pluralidade de gênero, de cor, de preferências sexuais, de renda, de inteligência, de etnia etc.  Sendo assim, perguntar se aquelas instituições que promovem a diversidade 24 horas por dia e sete dias por semanas apresentam melhores resultados do que as instituições que não dão a mínima para estes "pré-requisitos" fará apenas com que você seja visto como um reacionário insensível, malicioso, racista, misógino e homofóbico. 
Citar evidências empíricas que mostram que aquelas localidades obcecadas com pluralidade e diversidade geram relações ruins entre as pessoas forçadas a conviver sob o mesmo ambiente é se arriscar a ser rotulado e marginalizado.  O livre pensamento e a liberdade de expressão não são livres.
A moda agora ao redor do mundo é afirmar que os governos devem promover a diversidade e a pluralidade — o que na prática significa que alguns grupos organizados têm mais direitos do que outros, o que por sua vez significa a abolição da ideia de "igualdade perante a lei".
Neste cenário, algumas perguntas se fazem necessárias.  Como é possível que um país racialmente homogêneo como o Japão consiga apresentar uma educação de alta qualidade sem ter de recorrer ao essencial ingrediente da diversidade e do pluralismo, uma necessidade "premente" segundo os sociólogos da atualidade?
Inversamente, por que a Índia, uma das mais plurais e diversas nações da terra, apresenta um histórico de intolerância e de violência letal entre seus diversos grupos de pessoas pior do que aquele observado no sul dos EUA durante a vigência da segregação racial?
O simples ato de fazer tais perguntas já é garantia de ser acusado de recorrer a táticas desonestas e de possuir motivações torpes demais para serem dignificadas com uma resposta.  Não que os genuínos defensores da pluralidade tenham alguma resposta, é claro.
Dentre os candidatos que disputam a segunda colocação no torneio dos lugares comuns que tornam o pensamento algo obsoleto está o termo "socialmente excluído" e todas as suas variáveis.
Pessoas que não se encaixam nos pré-requisitos básicos exigidos por determinados objetivos e funções, desde admissão em uma universidade a um empréstimo bancário, passando por empregos em cargos que exigem diversas habilidades, são tidas como pessoas socialmente excluídas cuja ascensão social lhes foi "negada pela sociedade".  Donde surgem as desculpas de que tais pessoas estão moralmente eximidas de seguirem uma vida pautada pelas mesmas regras aplicáveis ao restante da população — como, por exemplo, não recorrerem à criminalidade.
Tanto o 'pluralismo' quanto a 'exclusão social' devem ser corrigidos por políticas públicas, como por exemplo as cotas.  Segundo os teóricos, tais políticas equalizariam as "oportunidades de acesso".  O problema é que os defensores dessa tese sempre refugam quando instados a explicar por que uma igual oportunidade de acesso seria sinônimo de igual probabilidade de sucesso.
Há um exemplo interessante disso na própria política.  Peguemos um estado americano conhecido mundialmente: a Califórnia.  Trata-se de um estado majoritariamente progressista.  Neste estado, eleitores conservadores e eleitores progressistas têm exatamente a mesma oportunidade de votar.  No entanto, as chances de um candidato conservador ser eleito na Califórnia são muito menores do que as chances de um candidato progressista.  Será que os progressistas defenderiam cotas e uma lei de "igual oportunidade de acesso" para políticos conservadores na Califórnia?
Similarmente, todas as pessoas podem tentar adentrar uma universidade, pedir um empréstimo bancário ou disputar um determinado emprego.  Se todas essas solicitações forem julgadas pelos mesmos critérios, então todos tiveram uma igual oportunidade de acesso.  Se aquele sujeito com pouquíssimas qualificações intelectuais não conseguiu o emprego na multinacional ou o ingresso em uma universidade, ou se um sujeito de histórico creditício duvidoso não conseguiu o empréstimo bancário, isso não significa que lhe foi negada a mesma oportunidade de acesso.  Simplesmente nunca houve uma igual probabilidade de sucesso.
A 'diversidade' e a 'exclusão social' geram um terceiro lugar comum: 'redistribuição de renda' — ou, sua variável próxima, 'justiça social'.
Aparentemente, todas as pessoas têm direito a receber uma "fatia justa" da prosperidade da sociedade, não importa se elas trabalharam 16 horas por dia para ajudar a criar essa prosperidade ou se não fizeram nada mais do que viver na mendicância ou recorrer ao crime.  No final, tudo indica que devemos alguma coisa a estas pessoas pelo simples fato de elas nos agraciarem com sua existência.  Tudo indica que elas "têm o direito" de viver à custa dos pagadores de impostos, mesmo que sintamos que poderíamos viver muito bem sem elas.
No outro extremo da escala da renda, os ricos supostamente devem pagar sua "fatia justa" em altos impostos.  Mas para nenhum dos dois extremos da escala da renda há uma definição concreta do que é uma "fatia justa".  Há um determinado número ou uma proporção exata?  Nunca se soube.  'Justiça social' e 'redistribuição de renda' são apenas sinônimos políticos para "mais poder arbitrário para o governo", cuidadosamente adornado por uma retórica sonoramente moralista. 
intelligentsia vem há décadas promovendo a ideia de que não deve haver nenhum estigma em se aceitar auxílios do governo.  Viver à custa dos pagadores de impostos é retratado como um "direito", ou, mais ponderadamente, como parte de um "contrato social".
É claro que você não se lembra de ter assinado qualquer contrato desse tipo, mas tal lugar comum soa poético e pomposo.  Ademais, e isso é o que interessa, ele rende muitos votos entre os ingênuos, e este é exatamente o objetivo de políticos que defendem assistencialismo.
Por fim, "acessível" é outro termo popular que substitui toda e qualquer necessidade de pensamento crítico.  Dizer que todo mundo tem direito a "moradia acessível" é bem diferente de dizer que todo e qualquer indivíduo deve poder decidir qual tipo de casa quer ter.
Programas governamentais que distribuem "moradias a preços acessíveis" nada mais são do que programas que dão a algumas pessoas o poder de não apenas decidir qual imóvel elas querem ter como também o de obrigar outras pessoas — os pagadores de impostos, os donos dos imóveis etc. — a absorver uma fatia do custo desta decisão, uma decisão da qual elas nunca foram convidadas a participar.
E, ainda assim, a crença de que pessoas que preferem que as decisões econômicas sejam feitas voluntariamente por indivíduos no mercado não são tão compassivas quanto aquelas pessoas que preferem que tais decisões sejam tomadas coletivamente por políticos nunca é vista como uma crença que deveria ser comprovada por fatos.
Mas, por outro lado, isso não é algo recente.  A crença na compaixão superior dos políticos é um fenômeno mundial que data ainda do século XVIII.  E, em todas as épocas e em todos os locais, nunca houve nenhum esforço genuíno dos progressistas para verificarem se esta pressuposição crucial é sustentada por fatos.
A realidade econômica, no entanto, é que o governo fazer, por meio de decretos, com que várias coisas sejam mais "acessíveis" de modo algum aumenta a quantidade de riqueza na sociedade.  Colocar o governo para redistribuir propriedade e determinar seu "valor justo" não faz com que a sociedade seja mais rica do que seria caso os preços dos imóveis fossem "proibitivos".  Ao contrário: tais políticas, que nada mais são do que controles de preços e redistribuição de propriedade, reduzem os incentivos para se produzir.
Nada do que aqui foi dito é uma ciência obscura e inacessível.  Porém, se você é do tipo que jamais se põe a pensar criticamente e se contenta com a mera repetição de lugares comuns, então não importa se você é um gênio ou um deficiente mental.  Palavras fáceis que impedem as pessoas de pensar criticamente reduzem até mesmo o mais reconhecido gênio ao nível de um completo idiota.

The Chinese Are Coming (with money, that is...) - NYTimes

Nos tempos da Guerra Fria, um filme fez muito sucesso nos EUA: The Russians Are Coming, e se tratava apenas de um submarino soviético avariado que acaba adernando numa praia da California, despertando os instintos guerreiros dos alarmados habitantes da pequena aldeia próxima da praia.
Agora são os chineses que estão chegando, não em submarinos, mas em aviões, e num volume que pode representar  metade da antiga população da Rússia soviética. Eles estão invadindo as universidades americanas, e agora parece que resolveram também chegar antes.
Pelo que pude perceber, existem três tipos de "bolsas" que sustentam os estudantes chineses nos EUA: a bolsa normal, de apoio científico governamental (tipo CNPq ou Capes, no caso brasileiro); as "bolsas família", de que trata o artigo abaixo, ou seja, ricas famílias chinesas que mandam seus pupilos estudar nos EUA, a seu encargo e custo (e esses dispõem de carros e muito dinheiro para gastar); e o que poderia ser chamado de "bolsa corrupção", que é quando um capitalista paga os estudos de um filho de funcionário do PCC que lhe facilitou os negócios na China. Enfim, todos são grandes estudiosos, e devem começar a se destacar, como o fizeram os estudantes coreanos durante muito tempo...
Paulo Roberto de Almeida 


Seeking College Edge, Chinese Pupils Arrive in New York Earlier



Weiling Zhang, a sophomore at the Léman Manhattan Preparatory School, yearned to communicate with more conviction and verve than her peers back home — the “American way,” she said.

Yijia Shi, a freshman, wanted to increase her chances of an acceptance letter from Brown University. And Meng Yuan, a junior, was seeking Western-style independence, not to mention better shopping. When she is not heading to track practice or doing her homework, she is combing Bergdorf Goodman for Louis Vuitton limited edition handbags and relishing in the $295 tasting menu at the celebrated Columbus Circle restaurant Per Se.
New York City private schools have always been the province of the city’s young and wealthy, students whose home lives and educations can inspire both disdain and envy. But these students are the children of Shanghai real estate magnates, shipping giants, luxury hotel owners and doctors from coastal regions bordering the East China Sea. They are also part of a small, but growing, cadre of teenagers from wealthy families in China who are attending school in New York City.
According to the Department of Homeland Security, 638 Chinese students with visas attended high schools in the city in 2012, up from 114 five years earlier.
The influx has not been seamless. But the schools — particularly ones with lagging enrollment — have actively sought an international component and parents who can pay full tuition, even if that means accepting students who speak limited English. Chinese students and their parents have seen the schools as a way to gain an advantage on the thousands of students at home who apply to United States colleges every year. They are also availing themselves of a more well-rounded educational model than they find in China, including that decidedly American college application line-item: extracurricular activities.
“At home, I couldn’t do any activities because we had too much work,” said Yijia, 15, who plays basketball at Léman.
A large contingent of Chinese students attends the school, a young for-profit academy trying to generate more interest from applicants.
In September, Léman welcomed 27 Chinese students, about one-fifth of the high school population, and 10 students from other countries.
The students settled into studio apartments in a residential tower on Wall Street above a Tiffany & Company store and across from a Trump office building. The apartments feature marbled bathrooms, bean bags and bunk beds. The students are supervised by a team of houseparents who live in the same building and serve as round-the-clock caretakers to help ease their transition to a new city. The total tuition: $68,000 a year, compared with $36,400 for nonboarders.
When the students are not in classes, which they attend with their American peers, poring over quadratic equations and analyzing passages from American classics like “The Great Gatsby,” they are exploring the city.
They attend Broadway shows and Cirque du Soleil with their houseparents, shop for designer sneakers in SoHo, get manicures at Wall Street spas and eat waffles and cheese-omelet brunches cooked for them every Sunday by one of the school’s chefs.
Léman, known as the Claremont Preparatory Academy before it was purchased two years ago by Meritas, a chain of international boarding schools, is not the only New York City private high school with students from China. However, it is the only one that currently houses them. At theBeekman School in Midtown Manhattan, the school’s four Chinese students board with local families.
Last year, when Avenues: The World School, a for-profit institution in Chelsea, opened its doors, 20 students from Beijing applied. But the school was unable to accept them because of delays in student visa approval, which the school says will be resolved by the time it opens a 200-student international dorm in 2016.
Administrators at Léman say the cross-cultural exchange has enriched the whole school. The Chinese students are discovering Halloween, school dances and plays. The American students are learning how to be welcoming hosts.
“We have a symbiotic relationship going on here,” Drew Alexander, the head of the school, said. Max Rosenthal, a junior, said he was often paired with students from China during class discussions on American Civil War battles or Prohibition-era mores.
“It really helps you to understand the big picture when you have to explain it to someone,” he said.
But other students said that same need to explain could get in the way.
“I love that they are here,” said Osiris Vanible, a 10th grader. “But they don’t understand a lot of what I say. There’s a language barrier that you need to break through.”
That barrier was evident one day last week, during an 11th-grade English class discussion on Toni Morrison’s novel, “Song of Solomon.”
Meng, who has adopted the nickname Monroe, after President James Monroe and her idol Marilyn Monroe, followed the conversation, which centered on the depiction of African-American women and their struggles, and sometimes she interjected points. But at least two of her Chinese classmates were logged into a translation site, plugging in phrases they did not know. Some students were following along in online Mandarin versions of the book. A second teacher sat in the back, taking notes for students who would need them later.
The teacher, Jessica Manners, said some of her international students struggled to grasp nuances that were simple for American students.
“I try to talk more slowly than I normally would,” she said. “And I almost never do cold-calling,” selecting students who do not have their hands raised to answer questions.
Mr. Alexander said foreign students were required to have a “minimum level of proficiency” before being accepted. And once enrolled, many are given different tests and homework assignments as well as more rudimentary reading material than American students. Those who need extra help take a special English-language class.
According to Nicole Xu, a representative from Usaedu International Consulting Group, one of several international agencies that places Chinese students in American schools, this type of full immersion is a main reason Chinese parents are eager to send their children to the United States.
Weiling, the 16-year-old daughter of an entrepreneur from the Mongolian uplands, said her parents had sought out a place where she would learn to negotiate more effectively and become skilled at solving real-world problems. Both are traits she said her parents deemed more American than Chinese and good for business.
“In China, we only learn academics,” she said.
Reached by e-mail, some parents have reported immediate results.
Yulan Hu, Monroe’s mother, said that she noticed a newfound streak of self-sufficiency in her daughter when she arrived in Shanghai for winter break. Monroe, 18, is now on the track team and has learned to swim. But perhaps, most notable, Monroe had declined a longstanding household ritual — breakfast brought to her every morning in bed.
“Literally, she has changed,” she wrote.

O declinio da OMC e o protecionismo brasileiro, segundo o Wall Street Journal


The Decline of the WTO
Editorial The Wall Street Journal, May 13, 2013

The trade body picks a Brazilian who helped to scuttle the Doha talks.

A depressing rule of international institutions is that whatever their founding intentions they inevitably evolve to serve themselves or their worst members more than their original cause. The latest example is the World Trade Organization, which began as a rule-making body to promote free trade and has drifted toward protectionism when it isn't useless.
That drift was illustrated last week with the election of Brazilian Roberto Azevedo as new WTO director-general. The 55-year-old career diplomat beat out Mexican economist Herminio Blanco, who had U.S. support and has a reputation as a more assertive free trader. Mr. Azevedo is by all accounts a charming diplomat who won because of support among developing nations.
Yet he won that support in large part by helping to scuttle the Doha round of free-trade talks. Mr. Azevedo was Brazil's chief Doha negotiator, and opposition to freer trade in manufacturing by Brazil, India, South Africa and other emerging economic powers made a worthwhile Doha deal impossible. It's now moribund.
The result has been that the WTO is increasingly a bystander as the world's economic powers ignore the global talks and pursue their own bilateral and regional trade pacts. The most important trade diplomacy today is taking place within the trans-Pacific and Europe-U.S. negotiations.
"I think we're getting a very sick patient. The WTO at this point in time is not doing well. It's almost like the next DG [director-general] is coming to the operating table with a very sick patient on it," Mr. Azevedo conceded in the lead up to the vote. No one doubts his diagnosis. The question is whether he's Dr. Kevorkian.
According to IMF data, Brazil is among the most protected economies in the Americas. If his goal is to spread his country's trade model, Mr. Azevedo will guarantee that the WTO will become even less relevant. Let's hope he tries to do a Nixon goes to China and overcome his previous Doha handiwork.

O PT, a OMC e o comércio internacional - Percival Puggina

Caro leitor,
Antes de ler o artigo abaixo, sobre a situação atual, leia antes estas declarações "econômicas" do velho PT:
"O Brasil caminhará em direção a uma alternativa ao neoliberalismo que, necessariamente, terá que vir acompanhada de uma disputa de hegemonia com a cultura da mercantilização excessiva propagada pela globalização capitalista. É esta que articula valores, relações sociais, controles institucionais e que determina atitudes, comportamentos e projetos individualistas, oportunistas e consumistas inclusive entre os próprios excluídos e oprimidos."
Veja ainda esta outra declaração:
"As políticas liberais foram acompanhadas de uma nova institucionalidade internacional. Além do Banco Mundial e do FMI, a Organização Mundial do Comércio (OMC) ocupou um papel de destaque em pressionar e monitorar a liberalização comercial e garantir as práticas monopolistas das grandes corporações transnacionais."
E ainda esta aqui, criticando uma suposta deterioração das relações comerciais externas, que na verdade só viria a ocorrer sob o reino dos companheiros:
"Outro elemento constitutivo da inserção externa no âmbito do modelo liberal foi a abertura comercial. Pela sua forma e velocidade, esta abertura terminou por produzir uma regressão expressiva do setor produtivo doméstico e uma precarização do nosso comércio exterior."
E o que se propunha, então?:
"Para corrigir os desequilíbrios oriundos da abertura comercial será necessário rever a estrutura tarifária, e criar proteção não tarifária para determinadas atividades. A correção desse desequilíbrio se fará através de uma política comercial com caráter seletivo. Ou seja, será necessário criar novas atividades geradoras de divisas e incentivar as empresas implantadas no país para que cumpram a função de substituir importações, ampliar exportações e reinvestir internamente os seus lucros."

Todas essas declarações faziam parte das propostas de política econômica do PT em 2001, quando ele se preparava para a campanha eleitoral presidencial do ano seguinte.
Pois é, quem diria?
Paulo Roberto de Almeida

SUCESSOS DA HERANÇA DESDENHADA
Percival Puggina
12/05/2013 

            Mas não é que o brasileiro, embaixador Roberto Azevêdo, foi eleito para dirigir a Organização Mundial do Comércio (OMC)? Que tal? É nós na fita, como se poderia dizer, apropriando o título do espetáculo encenado por Marcius Melhem e Leandro Assun. Como foi acontecer uma coisa dessas?
            Pois é. Um pouco mais do mesmo. Os outros plantam, o PT atrapalha quanto pode e, depois, colhe. Durante anos ouvi os petistas dizerem que abertura ao comércio internacional era coisa maldita, neoliberal, invencionice da nefasta globalização. A bem da verdade, essa ideia, de um viés nacionalista equivocado, que transformou o Brasil numa das economias mais fechadas do mundo, era anterior ao PT. Mas ganhou militância com o petismo.
            Nas últimas décadas do século passado, o Brasil convivia com inúmeras maldições, entre elas estas três: atraso tecnológico, precaríssimo acesso a muitos bens de consumo e preços escorchantes por mercadorias do Primeiro Mundo. Ah, o Primeiro Mundo! O Primeiro Mundo promovia integrações e mercados comuns. Fazia tudo errado ... e ia muito bem. Bem demais, aliás, a ponto de esquecer a primeiríssima das lições, aquela que todas as donas de casa sabem: quem gasta mais do ganha se endivida e, um dia, a conta chega. Mas essa é outra história.
            Nós, brasileiros, nos habituamos a ouvir discursos em defesa dos protecionismos a setores tecnologicamente atrasados, avessos à abertura a importações, contra privatizações, contra o pagamento da dívida externa - chave mestra para todas as dificuldades do país. Moratória já! Ianques go home! Abaixo o receituário do FMI! O Brasil, não precisaria tanto para se tornar carta fora do baralho nas relações internacionais.
            Deus talvez não seja brasileiro. Se for, não é lá muito bairrista. Mas, felizmente, nos propiciou reação a essa didática do atraso. E o Brasil, aos poucos, foi rompendo com aquele nacionalismo fajuto, irresponsável e caloteiro. À medida que isso acontecia, revertia-se o quadro e o país granjeava credibilidade e respeito no mercado internacional. Desde o final do século 20, tornamo-nos um país que paga contas, cumpre contratos e se integra comercialmente. Sob vaias, é verdade. Quanto mais o Brasil dava certo nas relações externas, mais essa política econômica era combatida, escarrada e pisoteada. A metralhadora giratória do PT e seus consectários tinha nela seu alvo preferido.
            Loucura ideológica não rasga dinheiro. Quando o PT chegou ao poder, sem pedir desculpas a ninguém pelas bobagens que antes defendia e pelos impropérios que proferia, tratou de preservar o que estava dando certo. Descobriu, por exemplo, que o agronegócio paga as contas da balança comercial. Mas era tudo herança antes desdenhada. Por mais que o petismo delirante pretenda atribuir esses êxitos às suas próprias investidas em novos mercados africanos, o certo é que estes representam apenas 4% dos negócios do Brasil e não têm como passar disso em médio prazo. São economias muito pequenas.
            Portanto, a eleição de um diplomata brasileiro para presidir a OMC é expressão de um sucesso que avançou à conta dos empreendedores brasileiros e de políticas às quais o PT se opunha com humores e furores vulcânicos.
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* Percival Puggina (68) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

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