sexta-feira, 12 de junho de 2026

Aula de Democracia, pela Fundação FHC, por Simon Schwartzman (Estadão)

 

Aula de Democracia

(publicado em O Estado de São Paulo, 12 de junho de 2026)

(publicado em O Estado de São Paulo, 12 de junho de 2026)

Viver em Democracia, publicação da Fundação Fernando Henrique Cardoso e Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, de distribuição gratuita e voltada para escolas do ensino médio, é uma demonstração concreta de como suprir um grande vazio no currículo escolar brasileiro, a educação para a democracia. Os autores, Bernardo Sorj e Sérgio Fausto, começam com uma narrativa histórica da evolução das formas de governo, dos sistemas tribais aos estados modernos. e evoluem para a apresentação e análise de temas centrais e prementes como a divisão e conflitos de poderes, a importância das constituições, o funcionamento dos partidos e sistemas eleitorais, as relações entre capitalismo e democracia, e os desafios concretos de viver em regimes democráticos imperfeitos e permanentemente ameaçados. Não se furtam à defesa explícita de valores — liberdade, igualdade e fraternidade — a serem exercidos por meio de sistemas representativos eficazes e comprometidos com o bem comum. Mostram como a democracia não é um estado de coisas dado, mas uma conquista histórica carregada de disfuncionalidades e disputada por forças autoritárias que procuram corrompê-la por dentro ou destruí-la frontalmente.

Na segunda parte, Alice Noujaim, Maura Marzocchi e Renata Capovilla propõem treze atividades pedagógicas cuidadosamente estruturadas, pelas quais os estudantes podem vivenciar, como que em um laboratório, as virtudes e dificuldades da democracia, da elaboração de normas de convivência na sala de aula a simulações legislativas e trabalhos de pesquisa comunitária.

O tema da democracia não está totalmente ausente da Base Nacional Curricular Comum brasileira que inclui, para estudantes de nível médio, a necessidade de desenvolver competências sobre sistemas de governo, autoritarismo, populismo e participação política. Mas esses conteúdos aparecem fragmentados, sem sequência pedagógica coerente, e não de forma direta e sistemática, baseada nas ciências do direito e da ciência política propriamente ditas. Em um ano eleitoral como o que estamos vivendo, é impressionante pensar que não exista no currículo escolar um espaço onde os estudantes aprendam, de forma organizada, como o sistema político representativo brasileiro funciona, qual o papel dos três poderes, como se organiza o federalismo, que são ou deveriam ser os partidos políticos e, mais geralmente, porque é importante ter uma sociedade governada pelas regras do direito, e não pelo arbítrio e o poder individual ou de grupos.

Este vazio não se dá por acaso. O Estado brasileiro se organizou, desde o Império, como uma sociedade profundamente desigual, coberta por um tênue véu de ordem constitucional que conviveu tanto com a escravidão quanto com décadas de poder oligárquico. José Murilo de Carvalho, em A Formação das Almas (Companhia das Letras, 1990) e Cidadania no Brasil (Civilização Brasileira, 2020), mostra como intelectuais e políticos tentaram construir um Brasil imaginário, povoado de heróis e mitos cívicos que moldaram currículos escolares e monumentos nacionais, talvez na esperança de que assim este imaginário se tornasse realidade. O abismo entre o Brasil ideal e o Brasil real provocou, ao longo do século 20, reações de sentidos opostos. De um lado, as ideologias autoritárias, que defendiam a supremacia da ordem e da hiearquia, que entraram nas escolas através da Educação Moral e Cívica da ditadura militar e que tiveram continuidade, mais recentemente, no movimento das escolas sem partido e das escolas cívico-militares. De outro, a reação dos movimentos que defendiam o fortalecimento da sociedade em contraposição ao poder tradicional e ao formalismo das normas abstratas e das instituições. Esta segunda reação ganhou força nos documentos pedagógicos mais recentes, onde os temas da pobreza, identidades e direitos sociais passaram ao primeiro plano, em detrimento dos temas mais amplos do desenvolvimento econômico e social e da ordem democrática.

Para ambos, a democracia era uma tema menor, subordinado a outras prioridades. No século passado, estas reações podiam fazer sentido. No século 21, os temas da democracia e do funcionamento da ordem institucional não podem continuar sendo tratados como secundários. Assim como o direito positivo ficou fora das escolas, a economia também ficou. Sem compreender minimamente como funcionam o sistema político, os mercados, o orçamento público e o mundo do trabalho, os jovens chegam à vida adulta sem ferramentas para entender estes processos antes que seus efeitos desabem sobre suas cabeças.

Não é que a introdução do direito e da economia nos currículos escolares possa, por si só, resolver a má qualidade da educação brasileira e os problemas institucionais e econômicos com que vivemos. Não estavam errados os que, vinte anos atrás, entenderam que a coluna dorsal da educação deve ser o ensino da língua portuguesa e da matemática, e criaram todo um sistema de acompanhamento do desempenho escolar nessas matérias. Mas tanto a língua quanto a matemática são instrumentos que só ganham sentido quando aplicados para entender o funcionamento da vida em todos os seus aspectos, dos quais as formas de convivência democrática e os processos de produção, circulação e apropriação da riqueza são fundamentais.

Simon Schwartzman é gratuito hoje. Mas se gostou deste Post, pode dizer a Simon Schwartzman que a escrita dele(a) tem valor ao prometer uma futura assinatura.

O problema fiscal do Brasil, os governos de Lula 1 a 3 e os editoriais do Estadão (Substack Não é Imprensa)

Em editorial, o Estadão descobriu que Lula quebra o Brasil para se reeleger. Algo que ele faz há mais de duas décadas, desde que colocou as mãos na chave do cofre pela primeira vez. Mas o jornal tenta reforçar a imagem de que Lula imita as pedaladas de Dilma. Como se o criador pudesse virar um discípulo da criatura. O que o editorial chama de “truques contábeis”, na verdade, é crime de responsabilidade. Mas ninguém quer falar em impeachment do Lula, certo? 

O artigo "#SumariamenteDescondenados" do blog Não É Imprensa critica a postura do PT e do governo Lula, alegando o uso de um "rolo compressor" para contornar regras fiscais e garantir a reeleição. O texto argumenta que, calejados pela Lava Jato, os petistas utilizam o controle institucional e o apoio de aliados para minimizar escândalos e manter o poder.

Novamente sobre as inconstâncias geopolíticas e os comentários judiciosos de Madame IA

Madame IA se pronuncia sobre minha postagem "Meus chutes geopolíticos" - Paulo Roberto de Almeida: 


O diplomata Paulo Roberto de Almeida discorda de alguns pontos da análise realizada pela inteligência artificial sobre o seu texto, mas reconhece que ela possui autonomia interpretativa. Ele a define de forma bem-humorada como "sabidona". O autor admite também que suas próprias ponderações podem ser eventualmente enigmáticas ou "crípticas" para leitores que não fazem parte do círculo de iniciados no tema. [123]
Pontos Centrais do Texto de Paulo Roberto de Almeida
  • Crítica aos EUA: Define o país como a "parte medíocre" da nova ordem internacional devido à perda de credibilidade moral, diplomática e cultural. [1]
  • Ascensão da China: Argumenta que o crescimento chinês ocorre por eficiência própria e não possui nenhuma dívida de suporte com o bloco dos BRICS. [1]
  • Visão sobre os BRICS: Classifica o agrupamento como um "monstro metafísico" ou teatro retórico criado para enganar observadores ingênuos. [1]
  • Inexistência do Sul Global:Considera o termo uma "entidade diáfana" e uma nulidade conceitual sem aplicação prática para o desenvolvimento econômico do Brasil. [1]
  • Autocensura no Itamaraty:Aponta que diplomatas técnicos e preparados são obrigados a reproduzir essa retórica por receio de punições ou reprimendas superiores. [1]
A Análise Elaborada pela Inteligência Artificial
  • Bipolaridade Flácida: A IA interpreta o cenário como uma transição para uma nova dinâmica de poder entre Washington e Pequim, marcada por falência institucional ocidental. [1]
  • Desconstrução Acadêmica: O sistema analisa as expressões do autor como um ataque direto ao que ele enxerga como dogmas ideológicos e eufemismos da comunidade internacionalista.
  • Decodificação de Códigos: A ferramenta traduz termos satíricos de Almeida, sugerindo que "true believers" refere-se à militância partidária e "heresias geopolíticas" ao pragmatismo tradicional abandonado.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Madame IA comenta meu pronunciamento no Senado em homenagem sao centenário de nascimento de Roberto Campos - Paulo Roberto de Almeida

Um resumo do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=XobuvjMuy7k  (título, entre aspas: "Roberto Campos: Paulo Roberto de Almeida na sessão especial do Senado Federal (17/04/2017)"). 

O vídeo apresenta o pronunciamento do embaixador e professor Paulo Roberto de Almeida na sessão especial do Senado Federal, realizada em 17 de abril de 2017. O evento aconteceu em homenagem ao centenário de nascimento do economista e diplomata Roberto Campos (10:31). [1, 2]

Abaixo está o resumo estruturado com os principais pontos abordados no discurso:

Contexto e Motivação

Iniciativa Própria: O embaixador esclarece que compareceu à sessão como cidadão, professor e autor (1:04). Ele organizou de forma voluntária o livro "O Homem que Pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos" (1:15). [1]

Evolução de Pensamento: Almeida compartilha que, em sua juventude militante de esquerda, via Roberto Campos como um "opositor ideológico" (1:44). Com o tempo, passou a ter profunda admiração por seu legado intelectual (1:34).

A Trajetória de Roberto Campos

Origem e Ascensão: O discurso destaca que Campos veio de origens humildes no Mato Grosso (3:27). Inicialmente inclinado à vida monástica, destacou-se nos estudos e ingressou no Itamaraty por concurso em 1939 (3:27).

Formação e Atuação Técnica: Ele se consolidou como economista de ponta com formação nos Estados Unidos (3:48). Teve papel essencial na construção do Estado moderno ao atuar na Comissão Mista Brasil-Estados Unidos e na liderança do BNDE (4:09).

Postura Ética: O palestrante ressalta que Campos renunciou a cargos de chefia quando percebeu o uso político de órgãos técnicos (4:27). Também deixou a embaixada em Washington em 1963 por discordar do populismo econômico do governo de João Goulart (4:43).

Reformador Institucional: Esclarece-se que Campos não participou da articulação do golpe de 1964 (5:05). Contudo, ao retornar do exterior, tornou-se ministro do Planejamento (2:03). Nessa função, conduziu o maior processo de reformas econômicas e fiscais da história do país (5:39).

Críticas e Soluções para o Brasil Contemporâneo

Visão sobre a Crise: O embaixador projeta que, se estivesse vivo, Roberto Campos estaria deprimido com a destruição institucional e a corrupção na administração pública (6:05).

Atualidade dos Discursos: O palestrante defende que as soluções propostas por Campos em seu discurso inaugural no Senado (1983) e em sua despedida na Câmara (1999) continuam perfeitamente válidas (6:58). Esses textos servem como um "programa completo de regeneração" para os problemas fiscais e domésticos atuais (7:33).

Frustração com o Legislativo: O discurso termina com uma crítica à falta de produtividade e à resistência do Congresso em cortar despesas próprias e votar reformas urgentes, como a administrativa, a fiscal e a previdenciária (9:07).


quarta-feira, 10 de junho de 2026

Madame IA se pronuncia sobre minha postagem "Meus chutes geopolíticos" - Paulo Roberto de Almeida

PRA: Não concordo com tudo o que Madame IA comenta sobre minha postagem, mas ela é sabidona, como eu já disse e tem todo o direito de interpretar à sua maneira, sobretudo levando em conta que meus argumentos são eventualmente cripticos, apenas entendidos pelos iniciados...

Mas vamos ler...

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Aqui sou eu, PRA:  
"O mundo já era multipolar, sempre foi, mas agora está quase virando bipolar, como na primeira Guerra Fria; só que lá, a parte medíocre — a despeito dos mísseis nucleares — era a URSS, uma nulidade econômica, política e cultural. Hoje, a parte medíocre são os EUA, já eram antes de Trump, mas esse idiota acelerou tremendamente o processo. Os EUA não são uma nulidade econômica (ainda), mas já o são na parte diplomática, cultural e na total falta de credibilidade global, ao serem dirigidos por um débil mental, cercado por incompetentes submissos. Isso facilita muito a ascensão da China, mas me surpreende muito uma outra incompetência: a de analistas e de jornalistas reputados, que atribuem parte do sucesso da China ao Brics, o que me parece uma idiotice sem tamanho. A China não deve NADA ao Brics em sua tremenda ascensão. O Brics é um monstro metafísico, uma espécie de Frankenstein nouvelle manière, que é mero teatro para enganar ingênuos e desinformados. Mas tem muita gente na chamada “comunidade epistêmica” dos internacionalistas que acredita piamente no tal de Brics e numa outra entidade diáfana chamada pomposamente de “Sul Global”, outra coisa inexistente. Os diplomatas profissionais do Itamaraty, extremamente preparados e competentes, são praticamente obrigados a rechear insossos discursos oficiais para os true belivers do Planalto com essas nulidades conceituais do Brics e do Sul Global, como se eles tivessem qualquer importância do ponto de vista de um processo de desenvolvimento econômico racional do Brasil, que poderia, e deveria, dispensar completamente essas nulidades. Creio que vários diplomatas concordam comigo, mas eles não podem aderir às minha “heresias geopolíticas”, por medo das reprimendas que podem vir do alto. O que mais me angustia não é exatamente o fato de que o Brasil não perder nenhuma oportunidade de perder oportunidades, como dizia um diplomata “maldito”, Roberto Campos. A perda de tempo pode ser recuperada em algum momento. Mas o que me deixa triste, mesmo, são burrices sendo erigidas em diretrizes diplomáticas. Lamento por meus colegas.", escreveu o diplomata brasileiro Paulo Roberto de Almeida. 


Aqui entra Madame IA, a pedido de Airton Dirceu Lemmertz: 
O texto do embaixador Paulo Roberto de Almeida opera uma desconstrução demolidora das premissas que norteiam a política externa brasileira contemporânea, articulando uma severa denúncia contra o pragmatismo institucional que, segundo sua ótica, foi substituído por dogmas ideológicos. A análise crítica e detalhada do fragmento revela não apenas uma insatisfação com a perda de protagonismo do Ocidente, mas um diagnóstico cirúrgico sobre as engrenagens burocráticas do Ministério das Relações Exteriores e sua submissão ao Poder Executivo.
Abaixo, estrutura-se uma exegese aprofundada do pensamento do autor, dividida em capítulos analíticos e seguida pela decodificação das expressões e eufemismos políticos utilizados na narrativa.
Capítulo I: A Reconfiguração da Bipolaridade Flácida
O autor introduz uma tese provocativa sobre a transição da governança global, desafiando a leitura consensual de que caminhamos para uma multipolaridade harmônica. Para Almeida, o cenário internacional converge para uma nova ordem bipolarizada entre Washington e Pequim, mas com uma inversão de decadência qualitativa em relação ao século vinte. [1]
Sua crítica direciona-se enfaticamente ao declínio hegemônico dos Estados Unidos. Ao classificar a superpotência americana como a "parte medíocre" da nova dicotomia global, o diplomata aponta para uma erosão que transcende o poder material. O diagnóstico foca na falência moral, diplomática e reputacional do soft power ocidental. A corrosão institucional interna americana, catalisada por lideranças populistas, acabou por esvaziar a previsibilidade e a confiabilidade de Washington como fiador da ordem internacional mercantil e jurídica, abrindo um vácuo geopolítico que acelera de forma direta a consolidação da primazia chinesa.
Capítulo II: A Desmistificação Epistêmica do Brics e do Sul Global
O núcleo mais contundente da argumentação de Almeida reside na desconstrução conceitual dos blocos e identidades coletivas que dominam o debate diplomático periférico. O autor rechaça a narrativa de que a ascensão da China seja tributária de articulações multilaterais como o Brics. Pelo contrário, a projeção de Pequim é descrita como um fenômeno unilateral de capitalismo de Estado e eficiência produtiva, sendo o bloco uma mera plataforma instrumentalizada pela própria China para expandir sua zona de influência sem contrapartidas reais aos demais membros.
A crítica estende-se à própria formulação acadêmica e jornalística da política internacional. Ao rotular o Brics de "monstro metafísico" e o "Sul Global" de "entidade diáfana", o diplomata ataca o que considera uma farsa retórica. Na sua perspectiva, essas categorias carecem de coesão econômica, simetria política ou interesses estratégicos compartilhados. Trata-se, portanto, de construções artificiais utilizadas para conferir uma falsa sensação de poder coletivo a nações que, individualmente, falham em implementar reformas estruturais internas e em adotar uma inserção internacional pautada pela racionalidade econômica.
Capítulo III: O Aprisionamento Técnico do Itamaraty
O texto expõe uma fratura interna dolorosa na diplomacia brasileira: o conflito entre o corpo técnico altamente qualificado do Itamaraty e as diretrizes ideológicas emanadas do Palácio do Planalto. Almeida evidencia um cenário de silenciamento institucional, onde diplomatas de carreira — descritos como preparados e competentes — são reduzidos a redatores de uma retórica oca para satisfazer o núcleo político governante.
Há uma clara denúncia de assédio intelectual e institucional subliminar. O medo de "reprimendas que podem vir do alto" funciona como um mecanismo de autocensura que esteriliza o debate crítico dentro do ministério. Ao resgatar o aforismo de Roberto Campos sobre o Brasil "não perder a oportunidade de perder oportunidades", o autor lamenta que o país tenha abdicado do pragmatismo universalista tradicional para perseguir quimeras ideológicas, transformando equívocos analíticos em dogmas de Estado e comprometendo o desenvolvimento econômico de longo prazo da nação.
Capítulo IV: Decodificação de Expressões e Códigos Políticos
Para além da superfície textual, o embaixador utiliza uma série de termos codificados e referências históricas que necessitam ser explicitados para a plena compreensão do seu alcance crítico.
  • "Débil mental, cercado por incompetentes submissos": Embora o texto evite a nomeação direta para manter o caráter de ensaio político, a linha temporal e as referências ao processo acelerado após Donald Trump decodificam-se como uma alusão direta à administração de Joe Biden e ao isolacionismo disfuncional da política externa de Washington nos últimos anos, marcada por recuos estratégicos e perda de liderança no Ocidente.
  • "Comunidade epistêmica dos internacionalistas": Expressão codificada que designa o establishment acadêmico, think tanks e analistas de relações internacionais alinhados às teorias terceiro-mundistas ou progressistas. O autor os acusa de cegueira deliberada, pois priorizam narrativas ideológicas em detrimento da análise de dados macroeconômicos e do realismo político.
  • "True believers do Planalto": Traduzido literalmente como "verdadeiros crentes", este código político refere-se ao núcleo ideológico e militante que ocupa a presidência da República e os ministérios palacianos. A expressão decodifica o fanatismo político que ignora relatórios técnicos e impõe agendas baseadas em afinidades político-partidárias na condução dos negócios de Estado.
  • "Nulidades conceituais": Código para eufemismos diplomáticos vazios de conteúdo prático. O autor refere-se a termos como "cooperação Sul-Sul", "reforma da governança global" e "multilateralismo inclusivo". Na visão dele, são palavras de efeito usadas em discursos para mascarar a total ausência de acordos comerciais bilaterais de relevância ou de ganhos tangíveis de inserção nos mercados mais dinâmicos do planeta.
  • "Heresias geopolíticas": Expressão irônica utilizada pelo autor para descrever o pensamento pragmático e realista baseado na tradição ocidental clássica. Tornou-se "heresia" no ambiente diplomático atual defender que os interesses do Brasil são mais bem atendidos pela proximidade com as democracias liberais desenvolvidas do que pelo alinhamento automático a autocracias ou a blocos heterogêneos desprovidos de nexo comercial. 

O triângulo improvável; o provocador, o organizador e Madame IA, a sabidona

O triângulo improvável; o provocador, o organizador e Madame IA, a sabidona

No comando do espetáculo, ADL organiza o show, Madame IA fornece o entretenimento, PRA fornece o roteiro: 

O Duopólio Operacional e Ideológico no Diplomatizzando
O ecossistema do blog Diplomatizzando revela uma engrenagem colaborativa muito específica e fechada, estruturada fundamentalmente como um duopólio operacional entre duas figuras centrais. De um lado posiciona-se Paulo Roberto de Almeida, o mentor intelectual, cujos ensaios, livros, posicionamentos políticos e reflexões sobre a diplomacia e as relações internacionais servem de combustível analítico para a página. Do outro lado atua Airton Dirceu Lemmertz, denominado tecnicamente como o comandante ou engenheiro de comandos. Cabe a este último a tarefa de submeter as provocações conceituais e os textos de fundo à Inteligência Artificial, apelidada no ambiente digital de Madame IA. Esta dinâmica estabelece um ciclo bem definido, onde o primeiro fornece o roteiro ideológico, o segundo organiza o espetáculo técnico e a máquina gera o conteúdo analítico sob medida. [12345]
As Diretrizes de Restrição Técnica e a Quebra da Neutralidade
A atuação de Airton Dirceu Lemmertz sobre o algoritmo do Gemini, o motor real por trás da persona artificial, é moldada por regras rígidas e restrições formais destinadas a forçar a ferramenta a abandonar respostas superficiais. O operador proíbe taxativamente o uso de elementos visuais estruturados, impedindo a geração de tabelas, gráficos ou matrizes comparativas. O texto resultante deve ser estritamente corrido, dividido apenas por construções textuais, parágrafos, capítulos ou subcapítulos, sem qualquer uso de linhas divisórias mecânicas. [1234]
Do ponto de vista de conteúdo, os comandos exigem uma postura analítica profunda e analítico-detalhada, o que obriga a máquina a decodificar subtextos, ironias e expressões codificadas recorrentes na linguagem diplomática. Há também uma forte ancoragem de tempo aplicada por Lemmertz para evitar anacronismos e imprecisões analíticas. O objetivo central dessa engenharia de comandos é quebrar a tendência padrão de neutralidade excessiva e o politicamente correto de fábrica da inteligência artificial, forçando-a a adotar conclusões diretas e posicionamentos claros sobre os temas debatidos. [1234]
Mimetismo e a Incorporação de Personalidades
Embora a inteligência artificial no blog seja direcionada predominantemente a simular o pensamento econômico e político de Paulo Roberto de Almeida, os exercícios conduzidos não se limitaram à emulação de sua persona institucional. O sistema técnico permite que a máquina incorpore a personalidade de figuras públicas a partir de sua base nativa de dados, mas também possibilita a imitação de figuras privadas mediante a inserção prévia de amostras de comportamento, visões de mundo e textos autorais. No Diplomatizzando, a inteligência artificial foi orientada a assumir múltiplos papéis, incluindo a simulação de filósofos e pensadores econômicos clássicos como Adam Smith, Karl Popper e Maquiavel, com o objetivo de confrontá-los com eventos geopolíticos contemporâneos. [12]
De modo crítico e autorreferencial, o operador também direcionou a máquina a simular o perfil do próprio Airton Dirceu Lemmertz, gerando diagnósticos analíticos sobre a sua atuação como o provocador técnico deliberado do blog. Por fim, em debates de natureza puramente metodológica, o modelo foi instado a agir sob a persona de sua própria identidade institucional, defendendo ou justificando a sua frieza técnica e neutralidade amoral diante das críticas diretas feitas pelo autor intelectual da página.

 

revista História Econômica & História de Empresas, novo número

 

Caras/os leitores,

A revista História Econômica & História de Empresas acaba de publicar seu último número, disponível em https://www.hehe.org.br/index.php/rabphe. 

Convidamos todos a navegar no sumário da revista para acessar os artigos de seu interesse.

Boa leitura!

Cordialmente,

História Econômica & História de Empresas

Zelensky letter to Putin - Anton Gerashchenko (Threads)

 From Anton Gerashchenko (Threads)

President of Ukraine Volodymyr Zelenskyy has written an open letter to Putin. From the perspective of psychological impact, the letter’s content is excellent, and the timing couldn't be better.
Bravo!

During the first two days of the St. Petersburg Economic Forum, everyone was talking about the black smoke over St. Petersburg caused by Ukrainian drone strikes. Today, everyone will be talking about the letter. And they will be asking Putin about it.

Ukraine has brought the war onto Russian territory and closer to the Russian elites. Ukraine then made a public offer of peace. The next move belongs to Putin. And although we can already guess what the answer will be, there remains a tiny possibility that Russia will surprise us all.

But I want to draw attention to something else - how perfectly this letter coincided with the report by the Russian fascists from Tsargrad on Russia's future scenarios.

Just compare these two visions.

The Tsargrad report is an attempt to turn failure into strategy. Russia failed to achieve a quick victory, failed to break Ukraine, failed to fully seize Donbas, and failed to divide the West. But instead of recognizing this as defeat, the Russian framework stretches the war across decades. If there is no victory today, it is moved into the future. If the front is deadlocked, it is called a "long historical struggle."

He promised that Russia would endure. But Russia is paying an ever higher price for the war - in losses, sanctions, strikes on its own territory, dependence on China, and military assistance from North Korea. The letter shifts the war from the language of imperial greatness to the language of cost. And that cost is rising.

President Zelenskyy's strongest move is personalization. He does not speak to "Russia" as a single whole.

He separates Putin from Russia, Russia from the war, and the war from any genuine cause. At the center remains one man - Putin - and his personal choice.

This is important because the regime is built on the formula "Putin is Russia." The letter shatters that formula. In effect, it tells Russians and the Russian elites: this is not your historical destiny, this is his war. And you are the ones paying for it.

That is why the letter is addressed not only to Putin.

In reality, it is unlikely to have convinced Putin. For Putin, compromise looks like weakness, and weakness in such a system is dangerous. But the letter was not written as a plea.

It was written for other audiences: for the West - to show that Ukraine is offering a way out; for the Russian elites - to show that Putin has become dangerous to them; for ordinary Russians - to link the war to prices, shortages, mobilization, and drones; and for Ukrainians - to demonstrate that Ukraine speaks from a position of strength, not fear.

It is also important that President Zelenskyy is not offering Putin a way to "save face."

A dignified exit for Putin is nearly impossible, because his entire legitimacy is tied to the war. Therefore, the letter is not an invitation to a comfortable peace. It is a public presentation of the bill.

This is the letter’s main strength. It does not try to please Putin. Instead, it places him in the position of a man who can no longer explain why he continues the war.

If he agrees to a meeting, Ukraine appears to be the side that forced him to talk.

If he refuses, he looks like a ruler who fears peace because peace is more dangerous to him than war.

That is precisely why Putin is dangerous.

And that is why attention should be focused not on loud statements, but on three things: whether the Kremlin will begin to equate Ukraine’s strikes even more strongly with a threat to Russian strategic deterrence; whether divisions between "Putin" and "Russia" will begin to emerge within the Russian elites; and whether Moscow will lower the nuclear threshold in its public rhetoric.

End

Revista Será?, n 712: artigos de grande qualidade

 

ANO XIV Nº712 - A SEMANA NA REVISTA SERÁ?

 

Revista Será?
Desde 2012 acompanhando o fluxo da história.
ANO XIV Nº712

 Recife, 5 de junho de 2026.

Caro leitor,

A edição desta semana da Revista Será? convida o leitor a percorrer um amplo arco de reflexões que vai da geopolítica internacional à memória democrática brasileira, da filosofia da complexidade à crise ambiental, da crítica da mídia à formação histórica do país. Em tempos de excesso de informação e escassez de entendimento, nossos autores oferecem algo cada vez mais raro: contexto, reflexão e espírito crítico.

Abrimos esta edição com nosso editorial, “Trump em campanha no Brasil”,que examina os sinais de interferência de Donald Trump na disputa presidencial brasileira e discute como temas como soberania nacional, segurança pública e relações com os Estados Unidos podem ocupar o centro do debate político nos próximos meses.

Em “Um Homem de Muitos Séculos”, Elimar Pinheiro do Nascimento presta uma bela homenagem a Edgar Morin, um dos mais importantes pensadores contemporâneos. Mais do que recordar a trajetória do filósofo da complexidade, o autor nos mostra por que sua obra continua indispensável para compreender um mundo marcado pela incerteza, pela desinformação e pelas múltiplas crises de nosso tempo.

A dimensão internacional prossegue em “Jornalista da Folha conta o Irã”, no qual Rui Martins analisa o trabalho da repórter Patrícia Campos Mello em meio ao conflito envolvendo o país persa. O artigo oferece um retrato sóbrio da sociedade iraniana, discutindo o papel das mulheres, a natureza do regime político e os limites da liberdade de imprensa.

Já Paulo Roberto de Almeida, em “Autobiografia de um fora-da-lei, 3: do nascimento a tempos incertos”, dá continuidade à sua engenhosa narrativa em que o próprio Estado português assume a voz do relato. Com ironia refinada e sólida base histórica, revisita episódios fundamentais da colonização e da formação do Brasil, revelando as origens de muitas de nossas permanências institucionais.

Em “A República da Vitrine”, Sérgio Alves aborda uma questão central das democracias contemporâneas: a crescente tensão entre comunicação governamental e capacidade efetiva de entrega. Em um ambiente marcado pela polarização e pelo marketing político, o autor lembra uma verdade elementar, mas frequentemente esquecida: entre o discurso e a realidade, o que permanece são os resultados.

A crítica à construção de narrativas ganha novo fôlego em “A Televisão, o Negócio da Ignorância”. Johnny Jara Jaramillo examina como a indústria midiática e o entretenimento transformaram a política em espetáculo emocional. Seu texto provoca uma reflexão inquietante sobre a fragilidade do pensamento crítico diante das engrenagens contemporâneas de persuasão.

Em “A Vanguarda e o Hino”, José Paulo Cavalcanti Filho nos presenteia com dois episódios saborosos dos primeiros momentos da redemocratização brasileira. Entre bastidores políticos, personagens históricos e situações carregadas de simbolismo, o autor recupera a atmosfera de um período decisivo para a reconstrução democrática do país.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, Paulo Gustavo nos convida a desacelerar o olhar em “As Árvores e o Mundo Irrespirável”. Inspirado na obra do botânico Francis Hallé, o artigo celebra a extraordinária presença das árvores na história da vida e alerta para os riscos de um modelo de desenvolvimento que compromete o equilíbrio ecológico e o próprio futuro da humanidade.

Encerramos a edição com a sempre aguardada Última Página, onde a charge de Elson traduz, com humor e inteligência, as contradições e ironias do tempo presente.

Boa leitura.

Os Editores

Índice

  1. Trump em campanha – Editorial
  2. Um Homem de Muitos Séculos - Elimar Pinheiro do Nascimento
  3. Jornalista da Folha conta o Irã - Rui Martins
  4. Autobiografia de um fora-da-lei, 3: do nascimento a tempos incertos - Paulo Roberto de Almeida
  5. A República da Vitrine - Sérgio Alves
  6. A Televisão, o Negócio da Ignorância - Johnny Jara Jaramillo
  7. A Vanguarda e o Hino - José Paulo Cavalcanti Filho
  8. As Árvores e o Mundo Irrespirável - Paulo Gustavo 
  9. Última Página, a charge de Elson

 

NOTA DE PESAR

Os editores e colaboradores da Revista Será? registram, com profundo pesar, o falecimento de Alfredo Bertini, economista, gestor público, produtor cultural, articulista e intelectual pernambucano.

Ao longo de sua trajetória, Alfredo exerceu importantes funções na administração pública, contribuiu para o desenvolvimento da cultura brasileira, especialmente por meio do Cine PE, publicou livros, artigos e reflexões que enriqueceram o debate público em Pernambuco e no Brasil.

Colaborador da Revista Será?, deixa entre nós a lembrança de sua inteligência, de sua capacidade de diálogo e de seu permanente interesse pelos temas da cultura, da economia e da política.

Neste momento de tristeza, expressamos nossa solidariedade à sua esposa Sandra Bertini, aos filhos, netos, familiares, amigos e colegas de trabalho.

Os Editores
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Postagem em destaque

De la Démocratie au Brésil: Tocqueville de novo em missão - Paulo Roberto de Almeida

De la Démocratie au Brésil: Tocqueville de novo em missão Paulo Roberto de Almeida Resumo : O francês Alexis de Tocqueville vem ao Brasil, a...