domingo, 19 de julho de 2026

Bucha na tradição da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco - José Rogério Cruz e Tucci (Consultor Jurídico)

PARADOXO DA CORTE

Bucha na tradição da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco

https://www.conjur.com.br/2026-jul-17/bucha-na-tradicao-da-faculdade-de-direito-do-largo-de-sao-francisco/ 

Consultor Jurídico, 17 de julho de 2026

A Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que comemora no próximo ano o bicentenário de sua fundação, é depositária de um vasto conjunto de tradições estudantis que, ao longo de dois séculos, contribuíram para forjar a identidade cultural e simbólica da escola. Entre essas tradições, poucas se revestem de tanto mistério e relevância histórica quanto a Burschenschaft, popularmente conhecida pelo apelido de “Bucha” — sociedade secreta de caráter estudantil, filantrópico e, posteriormente, político, que floresceu nas Arcadas ao longo do século 19 e perdurou, ao menos em sua atuação pública mais evidente, até a Revolução de 1930.

A presente coluna — escrita em homenagem às Arcadas de São Francisco — tem por objeto reconstituir, a partir de fontes secundárias disponíveis sobre o tema, a trajetória histórica dessa sociedade: sua origem germânica, a figura de seu fundador, a estrutura organizacional que adotou, os propósitos que a moveram em diferentes momentos de sua existência e a influência que exerceu sobre gerações de bacharéis que vieram a ocupar postos de proeminência na vida política, jurídica e diplomática do Brasil. Examino, ainda, o significado simbólico que a Bucha conserva até os dias atuais na memória institucional da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, materializado em vestígios físicos que permanecem em seu edifício histórico.

A análise da Burschenschaft interessa não apenas à história da educação jurídica brasileira, mas também à compreensão mais ampla da formação das elites políticas nacionais, na medida em que a sociedade secreta funcionou, por décadas, como rede de sociabilidade, ascensão profissional e articulação de poder entre bacharéis egressos do Largo de São Francisco.

A criação da Bucha está indissociavelmente ligada à figura de Johann Julius Gottfried Ludwig Frank, conhecido no Brasil simplesmente como Júlio Frank. Nascido na cidade alemã de Gotha, em 1808, Frank foi estudante da Universidade de Göttingen, instituição na qual teve contato direto com as Burschenschaften — associações estudantis surgidas na Alemanha ao final do século 18 e início do século 19, vocacionadas a promover, entre outros ideais, a unidade nacional germânica e princípios de liberalismo político. Tendo se envolvido em conflitos durante seu período universitário, Frank deixou a Alemanha e emigrou para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro no ano de 1831, pouco depois da abdicação de Dom Pedro 1º.

Após período de instabilidade, Frank radicou-se em São Paulo, onde, em 1834, foi contratado como professor de História e Geografia no chamado Curso Anexo da Academia de Direito de São Paulo — espécie de curso preparatório destinado aos jovens que pretendiam ingressar na faculdade. Foi exatamente esse contato cotidiano e próximo com os estudantes que lhe permitiu reunir as condições necessárias à transposição, para o ambiente paulista, do modelo associativo que conhecera em sua formação acadêmica na Alemanha.

Frank viria a falecer precocemente, vítima de pneumonia, em 1841. Sua memória, todavia, permanece fisicamente preservada até hoje no pátio térreo do edifício histórico da Faculdade de Direito da USP, onde se encontra um obelisco funerário, ornamentado com elementos alegóricos em bronze e cantaria, sob o qual está sepultado seu corpo — vestígio material que atesta a permanência simbólica do fundador na memória institucional da escola.

Fundação e primeiros propósitos da Bucha

O processo de fundação da Bucha não se deu de modo instantâneo, mas por meio de articulação gradual. Já em janeiro de 1830, Frank teria iniciado correspondência com amigos maçons na Alemanha, em busca de orientação para a estruturação do projeto associativo que tinha em mente, ao mesmo tempo em que redigia os estatutos e o código moral que regeriam a futura sociedade. As primeiras reuniões informais ocorreram na residência da família de José Antônio Pimenta Bueno — futuro magistrado, diplomata e político de destaque, agraciado posteriormente com o título de Marquês de São Vicente —, situada nas proximidades do Mosteiro de São Bento, no centro da então provinciana cidade de São Paulo.

A fundação oficial da sociedade teria ocorrido em reunião realizada em 4 de julho de 1830, em uma das repúblicas estudantis então existentes no entorno do Largo de São Francisco. Os estatutos da nova associação previam que dela poderiam fazer parte estudantes selecionados segundo critérios de firmeza de caráter, espírito filantrópico, amor à liberdade e dedicação aos estudos — valores que, somados ao lema adotado pela sociedade, “Fé, Esperança e Caridade”, evidenciam a impronta moral e filosófica que orientou sua concepção original, fortemente influenciada pelos ideais iluministas e por elementos de inspiração maçônica.

Em sua fase inicial, a Bucha possuía finalidade essencialmente assistencial: amparar estudantes desprovidos de recursos financeiros, mas dotados de potencial intelectual e vontade de estudar, custeando despesas com livros, vestuário e necessidades básicas — auxílio que era prestado de modo absolutamente velado, sem que os beneficiados soubessem identificar a origem da proteção que recebiam. Essa dimensão filantrópica, ligada a um ideário liberal, abolicionista e republicano, caracterizou os primeiros tempos da sociedade, antes que sua atuação se ampliasse e adquirisse contornos marcadamente políticos.

Sob a inspiração dos discípulos diretos de Frank, a Bucha desenvolveu estrutura organizacional hierarquizada e dividida em graus, refletindo, ainda que de modo adaptado, padrões característicos das sociedades secretas de matriz maçônica. No âmbito interno da faculdade, os membros eram organizados em três categorias sucessivas: Catecúmenos, Crentes e Doze Apóstolos — denominações de evidente inspiração religiosa, que sugeriam estágios progressivos de iniciação e confiança dentro da sociedade.

Spacca

Fora do ambiente acadêmico, a estrutura hierárquica prosseguia por meio dos chamados Chefes Supremos e do Conselho dos Divinos, instância que reunia os membros mais antigos e influentes da sociedade, já inseridos na vida pública e profissional. Segundo relatos historiográficos, durante o período da República Velha não haveria, no Brasil, nomeação de ministro de Estado, investidura de magistrado, tampouco indicação de candidato à Presidência da República, que prescindisse de prévia deliberação informal desse Conselho — circunstância que, ainda que sujeita às inevitáveis imprecisões inerentes à reconstituição histórica de sociedades secretas, é recorrentemente mencionada pela literatura especializada sobre o tema como indicativa da extensão da influência política da Bucha.

A liderança do núcleo estudantil cabia ao denominado chaveiro, posto ocupado por um aluno do quinto e último ano do curso jurídico. A escolha dessa denominação remete diretamente ao ritual mais célebre e publicamente conhecido da sociedade.

Da filantropia liberal ao domínio político da República Velha

Com o decorrer das décadas, a vocação original da Bucha experimentou transformação substancial. Os estudantes beneficiados pela sociedade, ao concluírem o curso jurídico e ascenderem a posições de relevo na administração pública, na magistratura, na política e na imprensa, passaram a empregar a rede de relacionamentos construída no interior da associação como instrumento de promoção mútua, oferecendo colocações profissionais aos membros que ainda concluíam os estudos. Esse processo gradualmente deslocou o eixo da sociedade, que, de organização essencialmente assistencial, converteu-se também em rede de influência política e profissional.

Paralelamente a essa transformação funcional, observou-se também alteração no espectro ideológico predominante entre seus membros. Se nos primeiros tempos a Bucha cultivava ideário liberal, abolicionista e republicano, à medida que seus integrantes eram absorvidos pelos quadros da burocracia estatal do Império, passou a abrigar também membros de orientação conservadora, monarquista e, nesse contexto histórico específico, favoráveis à manutenção da escravidão — evidenciando a heterogeneidade ideológica que, com o tempo, passou a caracterizar seus quadros.

A influência política da Bucha atingiu seu ponto mais expressivo durante a Primeira República. A historiografia especializada registra a presença maciça de bucheiros entre os participantes da Convenção de Itu, realizada em 1873, da qual resultou a fundação do Partido Republicano Paulista — entre eles, figuras como Campos Sales, Francisco Glicério, Américo de Campos e Rangel Pestana, estes últimos também responsáveis, ao lado de Júlio Mesquita, pela fundação do jornal O Estado de S. Paulo, periódico que viria a manter estreita relação histórica com a sociedade. Da mesma forma, registra-se a presença de bucheiros na Comissão dos Cinco, encarregada de redigir o anteprojeto da primeira Constituição republicana brasileira, bem como entre os ministros civis do governo provisório chefiado pelo Marechal Deodoro da Fonseca.

No que se refere especificamente à Presidência da República, a literatura sobre o tema atribui à Bucha vínculo com nada menos do que oito ex-presidentes brasileiros formados nas Arcadas, entre os quais se destacam Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves e Washington Luís — este último apontado por diversas fontes como o último presidente da República que teria mantido vinculação direta com a sociedade, tendo seu nome associado ao desfecho histórico da Revolução de 1930, evento que marcou o declínio da influência pública da Bucha sobre os destinos políticos do país.

Entre os rituais associados à Bucha, o mais conhecido e publicamente celebrado era a chamada cerimônia da chave, realizada anualmente nas proximidades do encerramento do período letivo. Conforme a tradição relatada pela historiografia, uma antiga chave era pendurada, dia após dia, em um dos pilares do pátio das Arcadas, simbolizando a passagem iminente da liderança estudantil da sociedade. No último dia da cerimônia, promovia-se grande festividade, à qual compareciam, durante os anos da República Velha, autoridades de primeiro escalão — o presidente da República, o presidente do estado de São Paulo, o prefeito da capital paulista, ministros de Estado e ministros do Supremo Tribunal Federal.

O evento contava com ampla cobertura da imprensa, notadamente do jornal O Estado de S. Paulo, cujo diretor, Júlio de Mesquita Filho, é também apontado pela literatura especializada como tendo exercido a função de chaveiro durante seus tempos de estudante.

Clandestinidade e memória

O processo de declínio da influência pública da Bucha está historicamente associado à Revolução de 1930 e à derrocada do regime político que caracterizou a chamada República Velha, do qual diversos bucheiros eram protagonistas centrais. A partir desse marco, a sociedade teria mergulhado em rigorosa clandestinidade, deixando de exercer a atuação pública e amplamente reconhecida que a caracterizara nas décadas anteriores.

Episódio frequentemente citado pela literatura sobre o tema relaciona-se à invasão da Faculdade de Direito pela polícia política do Estado Novo, ocasião em que documentos pertencentes à Bucha teriam sido apreendidos e remetidos ao então presidente Getúlio Vargas. Conforme relatos historiográficos, ao tomar conhecimento da identidade das pessoas envolvidas com a sociedade, Vargas teria optado por não dar prosseguimento a qualquer medida repressiva, em reconhecimento à impossibilidade prática de governar o país sem a colaboração de figuras a ela vinculadas — ocorrência que, independentemente de sua exatidão histórica literal, é recorrentemente invocada como símbolo da extensão da influência que a sociedade chegou a exercer sobre as estruturas de poder brasileiras.

Não obstante a clandestinidade subsequente, a memória da Bucha permanece viva na cultura institucional da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. O obelisco funerário de Júlio Frank, conservado no pátio térreo do edifício histórico das Arcadas, constitui vestígio material e simbólico dessa tradição, sendo hoje objeto de curiosidade e de divulgação por parte do Museu da Faculdade de Direito da USP, que dedica espaço à narrativa sobre o fundador e sobre os enigmas que ainda envolvem a sociedade secreta por ele concebida. A escassez de documentação oficial sobre a Bucha, decorrente de sua própria natureza sigilosa, faz com que parte considerável do que se sabe sobre sua organização e atuação repouse sobre relatos historiográficos posteriores, cuja precisão integral não é passível de verificação documental exaustiva — circunstância que, em si mesma, contribui para preservar o caráter lendário que acompanha a sociedade até os dias atuais.

A trajetória da Bucha constitui capítulo singular e revelador da história da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

O exame dessa tradição evidencia a importância da Faculdade de Direito de São Paulo não apenas como centro de formação jurídica, mas como espaço de sociabilidade e de construção de redes de poder que extrapolaram os limites estritamente acadêmicos, projetando-se sobre a história política nacional. A presença de numerosos presidentes da República, ministros de Estado e fundadores de partidos políticos entre os quadros da Bucha ilustra, de modo eloquente, o papel que as Arcadas desempenharam na formação da elite dirigente brasileira ao longo do século 19 e das primeiras décadas do século 20.

Por fim, a permanência da memória de Júlio Frank e de sua sociedade secreta no espaço físico e simbólico da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo atesta a força com que essa tradição se incorporou ao patrimônio histórico e cultural da mais antiga escola jurídica do Brasil, permanecendo, quase dois séculos depois de sua fundação, como objeto de curiosidade, pesquisa e fascínio para todos quantos se interessam pela história da formação das elites jurídicas e políticas brasileiras.

 


Referências bibliográficas

Bandecchi, Brasil. A bucha, a maçonaria e o espírito liberal. São Paulo: Parma, 1982.

Carvalho, Herbert. A herança liberal de Júlio Frank. Revista Problemas Brasileiros, São Paulo, ano 46, n. 388, jul./ago. 2008.

Martins, Ana Luiza; Barbuy, Heloisa. Arcadas: História da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. São Paulo: Melhoramentos/Alternativa, 1990.

Motoyama, Shozo (org.). USP 70 anos: Imagens de uma história vivida. São Paulo: EDUSP, 2006.

Müller, Daniel Pedro. Ensaios d’um quadro estatístico da Província de São Paulo. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, 1978.

Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Museu da Faculdade de Direito da USP. São Paulo: FDUSP. Disponível em: https://www.direito.usp.br. Acesso em: jun. 2026.

Jornal da USP. Faculdade de Direito do Largo de São Francisco: 190 anos. São Paulo: Jornal da USP, 2017. Disponível em: https://jornal.usp.br. Acesso em: jun. 2026.

Revista Pesquisa Fapesp. The Brazil that the Arcades have sighted. São Paulo: Fapesp. Disponível aqui.

  • é sócio do Tucci Advogados Associados. Ex-presidente da Aasp. Professor titular sênior da Faculdade de Direito da USP. Membro da Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Membro do Instituto Brasileiro de Direito Processual. Conselheiro do MDA. Vice-Presidente do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos da Fiesp.

A hora do direito internacional -Benoni Belli, Alejandro Encinas (CEBRI)

 

A hora do direito internacional

O que está em jogo
Bandeira da Organização dos Estados Americanos. Imagem: Shutterstock

Em outubro do ano passado, Brasil e México tomaram a iniciativa de lançar, com o apoio de outros Estados membros, o Grupo Voluntário de Apoio à Comissão Jurídica Interamericana e à Promoção do Direito Internacional (GAJUR). O objetivo foi articular os países interessados em continuar fortalecendo o direito internacional e conferir maior visibilidade ao trabalho da CJI, principal órgão jurídico da OEA, sediado no Rio de Janeiro, cuja finalidade é, de acordo com o artigo 99 da Carta, servir como órgão consultivo da Organização em assuntos jurídicos e promover o desenvolvimento progressivo e a codificação do direito internacional.

Em menos de um ano, o GAJUR promoveu duas reuniões entre os Estados membros e os juristas que compõem a CJI, organizou conferências e mesas-redondas sobre direito internacional e reuniu propostas para dar continuidade aos esforços nessa área. Entre elas figuram a realização de eventos de alto nível, o fortalecimento do Curso de Direito Internacional do Rio de Janeiro, a ampliação das atividades da Secretaria de Assuntos Jurídicos e o acompanhamento dos mandatos adotados pelos Estados membros na Assembleia Geral da OEA.

Em nossa opinião, três razões principais justificam essa iniciativa. Em primeiro lugar, em tempos de questionamentos e desafios ao direito internacional, é necessário tomar consciência do que se perde quando seus princípios fundamentais são corroídos. Em segundo lugar, acreditamos que divulgar os avanços, os benefícios e as contribuições de órgãos como a CJI ajuda a demonstrar que o direito internacional é muito mais útil, eficaz e presente na vida dos Estados do que frequentemente se imagina. Por fim, porque o direito internacional é, ao mesmo tempo, produto e motor da cooperação entre os países, condição indispensável para enfrentar eficazmente os desafios de nosso tempo.

O que se perde com o enfraquecimento do direito internacional? Perdem-se as normas básicas que regem a convivência entre as nações. O direito internacional, tal como se desenvolveu nos últimos oitenta anos, não eliminou as realidades do poder, mas foi capaz de impor limites ao uso irrestrito da força, deslegitimando a ideia de que a força cria o direito. A OEA, herdeira das conferências pan-americanas desde o final do século XIX, desempenhou papel relevante na consolidação de princípios como a solução pacífica de controvérsias, a igualdade soberana dos Estados e a não intervenção. As violações desses princípios não são apenas ilegais; constituem também uma ameaça a qualquer concepção de uma ordem regional estável, racional e justa.

A história da CJI – que contribuiu para a redação da Carta da OEA, de instrumentos internacionais de direitos humanos e da Carta Democrática Interamericana – é uma prova concreta de que o direito internacional não é uma abstração. Seja no âmbito do direito internacional público ou privado, o trabalho da CJI e as negociações entre os Estados membros da OEA que conduziram à adoção de convenções, tratados e outros instrumentos jurídicos, tanto vinculantes quanto de soft law, tiveram e continuam tendo impacto positivo.

Esses instrumentos facilitaram as transações comerciais e os investimentos, fortaleceram a proteção dos direitos humanos, contribuíram para o combate ao crime organizado transnacional e à corrupção e promoveram a consolidação da democracia, entre muitos outros avanços. Um exemplo particularmente significativo é o Tratado de Tlatelolco, que demonstra a capacidade dos Estados latino-americanos e caribenhos de construir, por meio do direito internacional e da negociação multilateral, um regime jurídico pioneiro em matéria de desarmamento e não proliferação nuclear.

Não é possível dissociar o direito internacional das instituições multilaterais, cuja existência depende – como ocorre no caso da OEA – de uma carta constitutiva que é também um tratado internacional. Por isso, fortalecer o direito internacional como instrumento para enfrentar de maneira cooperativa os desafios comuns exige igualmente reforçar a relevância das instituições multilaterais. Isso pressupõe garantir que sejam representativas, legítimas e eficazes; que não se submetam às dinâmicas do poder econômico, político ou militar; e que não endossem o unilateralismo que ameaça devolver o mundo ao estado de natureza hobbesiano. Somente assim poderemos enfrentar os desafios do desenvolvimento, combater a mudança do clima, proteger e promover os direitos humanos e fortalecer a democracia e a segurança com alguma possibilidade de êxito.

Hoje, mais do que nunca, não é momento para o derrotismo. É verdade que os desafios ao direito internacional são formidáveis, mas a história não é teleológica e não segue um rumo predeterminado. Nosso esforço na OEA está voltado para a preservação dos princípios fundamentais que sustentam a Organização, procurando assegurar que seus órgãos políticos atuem com equilíbrio e legitimidade, de modo a afastar o risco de uma ordem regional baseada no exercício irrestrito da força, sem controles nem mecanismos de prestação de contas.

Um cenário dessa natureza seria prejudicial para todos, sem exceção, inclusive para aqueles que acreditam poder obter benefícios de curto prazo. Sem o edifício das instituições multilaterais e sem o cimento do direito internacional, o resultado não será apenas maior instabilidade, mas um verdadeiro retrocesso civilizatório. É disso que se trata.

Recebido: 15 de julho de 2026

sábado, 18 de julho de 2026

Memórias da Biblioteca do Itamaraty - Paulo Roberto de Almeida + Madame IA

Memórias da Biblioteca do Itamaraty 

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre meu segundo exílio, passado num ambiente de leitura e de reflexão.

  

Dos meus 44 anos de carreira diplomática, treze anos e meio foram perdidos para o próprio Itamaraty, como sabem todos aqueles que seguem – dezoito leitores, calculo – minhas postagens neste quilombo de resistência intelectual que é o Diplomatizzando.

Perdidos no sentido em que, no momento mais crucial e supostamente mais produtivo da carreira, a de ministro de segunda classe, eu não tive nenhum cargo na Secretaria de Estado, efetuando, a partir de 2003 até meados de 2016, uma longa travessia do deserto burocrático e corporativo da Casa de Rio Branco, na qual ingressei em plena ditadura militar, mais exatamente no final de 1977, e da qual me aposentei no final de 2021.

A maior parte dessas "férias forçadas", ou ostracismo político, eu passei na Biblioteca do Itamaraty, da qual tenho gratas lembranças (mas que frequento ainda atualmente), como tenho gratas lembranças de todas as bibliotecas que frequentei, desde a mais "tenra infância", se ouso dizer, e em muitos países, já na fase adulta.

Um dia vou escrever mais detidamente sobre esse exílio involuntário que me foi imposto em circunstâncias que também merecem esclarecimento – sobre as quais já me pronunciei brevemente em algumas ocasiões –, um exílio forçado que completou um primeiro exílio, mas voluntário, em minha primeira maturidade, ou forçado pelas circunstâncias do momento, os anos de chumbo da ditadura militar, da qual escapei num dos momentos mais sombrios da luta política contra o regime.

No primeiro exílio, passado na Europa, foram quase sete anos, mais exatamente 6 anos e quatro meses. O segundo, passado no próprio Brasil, com uma estada no exterior, para dar aulas na Sorbonne durante um semestre, foi o dobro do primeiro, foram 13 anos e oito meses, até ser reintegrado como diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais.

Os anos de biblioteca, no Bolo de Noiva (anexo II do Itamaraty) foram extremamente gratificantes, pois além de todos os periódicos (já poucos, comparativamente aos anos anteriores, quando o Itamaraty tinha recursos para fazer muitas assinaturas) e da imensa coleção de livros no acervo geral, eu ficava lendo e retirando manualmente muitos livros das coleções particulares que diplomatas doaram antes de mim (sim, a biblioteca agora tem uma coleção PRA), verdadeiras preciosidades, de outras eras, algumas até recuadas. Além da imensa coleção de Ronald de Carvalho (mais literatura do que história), eu olhava a do Dario de Castro Alves (casado com a Dinah Silveira de Queiroz), a de Teixeira Soares, Jayme de Azevedo Rodrigues, Mario de Pimentel Brandão, Miguel Ozório de Almeida, ademais de dois outros que foram justamente os responsáveis pelo meu segundo exílio forçado. Em todas as coleções eu encontrei munição para escrever muitos artigos, até livros, além de centenas de notas postadas no meu próprio quilombo particular.

Além de consultar sur place, pois eu era um habitué, quase um residente local, eu tinha mandato para emprestar quantos livros eu desejasse, e também ficar com eles o tempo que quisesse.

Como disse, encontrei preciosidades, às quais ainda vou retornar para, provavelmente, traças muitas páginas desse capítulo que figura acima, memórias de uma biblioteca, provavelmente rememorando também todas as demais que frequentei ao longo de uma vida dedicada aos livros talvez pela metade do meu tempo útil, mais do que qualquer outro lazer ou atividade.

Devo aos agentes do SNI, durante a ditadura, a preservação de um texto meu escrito aos poucos meses de carreira, o que me levou a um registro no Diretório vivo da agência de informação (hoje preservado no Arquivo Nacional de Brasília) como sendo um "diplomata subversivo", com menos de seis meses de serviço ativo. Devo também aos responsáveis pelo segundo exílio o "favor" de me concederem tempo livre para escrever muito, geralmente no sentido contrarianista, que sempre me foi, também, habitual numa trajetória feita de leitura, conhecimento, reflexões, ceticismo sadio sobre as "verdades reveladas" e um certo caráter frondeur, ou anarquista, o que virou traço quase permanente de uma carreira autrement muito feliz e bem-sucedida. Fiz o que eu teria feito em qualquer outra profissão: além do trabalho regular, burocrático, a dedicação às leituras, às notas e à escrevinhação (como eu designo a minha segunda, talvez primeira, profissão).

Voltarei ao assunto...


Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5404, 18 julho 2026, 2 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link:  https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/memorias-da-biblioteca-do-itamaraty.html ).

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Madame IA resume e comenta esta minha postagem (sob solicitação de ADL): 

Capítulo V: Resumo Crítico do Ensaio Memorialístico sobre o Exílio no Itamaraty
O texto analisa o ensaio biográfico de Paulo Roberto de Almeida focado em suas memórias na Biblioteca do Itamaraty, desvelando os mecanismos de controle e exclusão atuantes nas estruturas burocráticas do Ministério das Relações Exteriores brasileiro. O autor contabiliza que, de sua carreira de 44 anos na diplomacia, 13,5 anos foram subtraídos de sua plena capacidade funcional devido a decisões de cunho político corporativo que o mantiveram em regime de isolamento entre 2003 e meados de 2016. Esse afastamento forçado do deserto burocrático da Casa de Rio Branco deu-se no momento mais produtivo de sua trajetória, quando ostentava o posto de ministro de segunda classe. O recolhimento compulsório no anexo conhecido como 'Bolo de Noiva', contudo, operou de forma contrária aos objetivos de silenciamento almejados pelas autoridades, convertendo-se em um laboratório de intensa resistência intelectual. O diplomata estabelece um nexo de continuidade histórica entre esse isolamento institucional e o seu primeiro exílio, de caráter geográfico e voluntário, vivido na Europa por mais de seis anos durante o período mais severo da ditadura militar brasileira, época em que os órgãos de informação do Estado, como o Serviço Nacional de Informações, rotularam-no precocemente como subversivo. Ao cruzar dados e consultar o acervo de coleções privadas doadas por grandes intelectuais da diplomacia nacional, como Ronald de Carvalho e Miguel Ozório de Almeida, o embaixador transformou o ostracismo em insumo acadêmico para a redação de centenas de artigos contrarianistas em seu blog, consolidando uma postura de ceticismo metodológico contra as verdades oficiais e demonstrando a resiliência do pensamento crítico independente frente às sanções burocráticas e partidárias.

China Is Sabotaging the World That Enables Its Rise - Enrico Fardella and Sergey Radchenko (Foreign Affairs + Madame IA)

China Is Sabotaging the World That Enables Its Rise

Beijing’s Risky Bet Against the West

Enrico Fardella and Sergey Radchenko

Foreign Affairs, July 15, 2026

https://www.foreignaffairs.com/china/china-sabotaging-world-enables-its-rise 


ENRICO FARDELLA is a Professor at University of Naples “l’Orientale,” Adjunct Professor at Johns Hopkins University (SAIS-Europe) and Associate Director of the Guarini Institute for Public Affairs at John Cabot University.

 

SERGEY RADCHENKO is a Professor at Johns Hopkins University (SAIS-Europe).

 

Following the back-to-back state visits to China in May by U.S. President Donald Trump and Russian President Vladimir Putin, many U.S. and European commentators noted that the summit meetings yielded little of real substance. But from a Chinese perspective, that didn’t matter. What mattered were the visuals, broadcast in the Chinese state media: like the emperors of old, Chinese leader Xi Jinping was receiving tribute missions from the most important foreign potentates. In symbolic terms, the visits reinforced Beijing’s narrative that China has overtaken its rivals and is once again at the center of the world.

Underlying this triumphant vision is the Chinese claim that where the Soviets mismanaged socialism and the Americans corrupted capitalism, only China has discovered the formula capable of reconciling state authority with market dynamism and restoring international harmony. But this nationalist story risks obscuring a fundamental historical reality: China’s rise has not happened outside the systems its rivals built, but through Beijing’s skillful exploitation of them. In its early decades, Communist China relied on the Soviet Union to help construct its foundations. And ever since Deng Xiaoping’s “reform and opening” policies connected China to the world economy in the late 1970s, China has used its access to Western markets to forge itself into an economic and military superpower.

Yet Beijing seems strikingly unaware that its continued success depends on the U.S.-led order. In recent years, Beijing has consolidated its control over supply chains and acquired unprecedented leverage over its trade partners. It has also become increasingly brazen in its bid for industrial dominance, brushing off complaints in Europe and the United States that its overproduction is undermining their industries. For example, at the World Economic Forum session in Dalian in June, instead of acknowledging that China relies on the willingness of (mainly Western) countries to continue absorbing the Chinese surplus, Chinese Premier Li Qiang asserted that China is simply more competitive because it invests in innovation. Beijing’s failure to acknowledge, let alone address, its overcapacity problem has driven China’s key trading partners—all of them major Western economies—to the point of exasperation.

For now, it may seem that China has the upper hand, having secured a dominant position in a number of key global industries and supply chains. European countries in particular have been weakened by Chinese competition, and the failure of the EU to muster a unified strategy toward Beijing risks eroding its internal economic, and even political, cohesion. But the long-term outcome may be very different from what China’s leaders assume. Growing frustration with China is already prompting the United States and Europe to take stringent countermeasures to protect their industries. Beijing is thus overlooking the defining paradox of its own success: China’s rise remains tied to the openness of the economies it hopes to surpass. Its road to a post-Western order still runs through the West.

ASCENDANCE DEPENDENCE

A great power’s ambitions are reflected in the way it perceives its place within the world. Since the founding of the People’s Republic of China in 1949, China’s strategic ambition has been to restore the country to what its leaders regard as its rightful place at the center of the international order. In this worldview, Western hegemony represents the principal obstacle to the return of Chinese civilization to its natural centrality and, with it, to the restoration of global harmony.

Yet Beijing did not pursue this objective by rejecting existing international orders outright. Instead, it first exploited them to accelerate China’s rise and then progressively challenged them from within as its own power expanded. Both the Soviet- and the U.S.-led orders were treated as a means to an end and used pragmatically and selectively to maximize political and economic gains even while preserving and widening China’s space for maneuver.

Nowhere has this strategy been more evident than in China’s participation in the Western liberal order. Deng’s “reform and opening” entailed a pragmatic decision to exploit the liberal order for China’s benefit. From the 1990s onward, however, even as Beijing deepened its integration with the world economy, Chinese leaders increasingly came to view American primacy as the principal long-term obstacle to China’s national rejuvenation. They feared that sustained engagement with the West could encourage political liberalization and ultimately undermine the Chinese Communist Party’s monopoly on power.

Beijing therefore embraced a dual strategy: exploiting the openness of the existing order while gradually eroding its foundation. Under Xi, this tendency became even more explicit. Take the Belt and Road Initiative, the enormous international economic development and infrastructure program launched by Beijing in 2013 and now extending to more than 150 countries. By connecting developing and advanced economies—including some in Europe—through a vast China-centered network, underpinned by Chinese standards, supply chains, and financial networks, Beijing has sought to shift the center of gravity of the international economy away from the institutions that have underpinned U.S. leadership since World War II.

The rapid growth of China’s economic and political influence has also reinforced the conviction among Chinese leaders that U.S. hegemony over the international order was entering a period of irreversible decline. In recent years, Xi has publicly adopted the mantra, “the East is Rising, the West is declining” (东升西降), but the intellectual foundations of the slogan can be dated to the 2007–08 global financial crisis, which many Chinese analysts interpreted as evidence of the structural weaknesses of the Western liberal order.

China’s rise remains tied to the openness of the economies it hopes to surpass.

Since late 2025, viral Chinese memes such as the “American kill line”—the idea that ordinary Americans are living one crisis away from collapse—have helped spread the perception in China of U.S. economic, social, and political decline. For many younger Chinese facing a slowing economy and fewer opportunities, stories of American decline provide reassurance that China’s problems are temporary while the West’s are structural.

Meanwhile, Chinese strategists and foreign policy experts portray the West as morally and politically exhausted while presenting China as a source of stability, order, and civilizational renewal. Scholars such as Jin Canrong of Renmin University in Beijing assert that the world’s center of gravity is progressively shifting from the transatlantic region toward Asia, particularly China. Indeed, this argument has gained some traction across the non-Western world, in countries as dissimilar as Cambodia, Zimbabwe, Iran, and even Saudi Arabia, where some political elites have portrayed Western liberalism as intrusive, hypocritical, or exhausted while presenting China as a partner of stability, sovereignty, and development.

The Chinese argument has also gained a foothold among some segments of Western societies. Leaders such as Hungary’s former Prime Minister Viktor Orban and Slovakia’s Prime Minister Robert Fico have portrayed China as a model of stability and a strategic alternative to Western liberalism, while in France and Italy influential business and political circles have long advocated closer ties with Beijing as a source of economic opportunity and strategic autonomy. Even in Germany, where attitudes toward China have hardened, parts of the industrial establishment continue to favor economic engagement over confrontation. Recurrent tensions between Trump and European leaders—over trade, defense spending, NATO, and tariffs—have further strengthened Beijing’s perception that the transatlantic relationship is fragile and that Europe may eventually seek greater distance from Washington.

In Beijing’s view, China can supplant the U.S.-led order not by direct confrontation but by outlasting and out-adapting the United States, and, over time, persuading a growing number of states that Chinese leadership offers a more legitimate basis for international order. In Xi’s strategic calculus, the so-called Thucydides Trap can be avoided precisely because the United States is expected to weaken internally before any catastrophic conflict becomes unavoidable. Buttressing these assumptions is Beijing’s belief that China can succeed in ways that its Soviet analog could not: where the Soviets failed because they proved incapable of sustaining the economic and ideological struggle needed to defeat the United States, China, by harnessing “Socialism with Chinese Characteristics,” has the civilizational depth, political resilience, and economic dynamism necessary to supersede American hegemony and shape a new global order.

Yet China’s glorious narrative has a fundamental blind spot. The success of China’s rise has overwhelmingly depended on the existing order for access to aid, technologies, expertise, and ultimately markets. Unlike the Soviet Union, China has never constructed a comprehensive alternative order capable of replacing the institutions underpinning the U.S.-led international system. Instead, it has relied on the openness of the existing order while gradually challenging its rules and institutions from within. As a result, the more that China is able to weaken the liberal order that enabled its rise, the greater the risk that it undermines the very foundations on which its own prosperity still depends.

BITING THE HAND

China’s leadership is not entirely unaware of the large-scale economic distortions the country’s export-driven rise has produced. In recent months, leading Chinese economists and former central bankers have converged on the idea that China’s main economic challenge is insufficient domestic demand. They argue that China’s investment-led growth model has resulted in excess savings, weak household consumption, and chronic demand deficiencies. There is a growing consensus across their writings that unless Chinese household income rises and consumption assumes a larger role in growth, China will continue to generate excess production and excess savings, thus sustaining huge current-account surpluses and reinforcing dependence on foreign demand.

Yet Chinese economists are mostly silent about China’s dependence on foreign markets’ willingness to absorb its excess output and savings. Many of their foreign counterparts, by contrast, converge on a similar domestic diagnosis but also point to the profound international consequences of China’s imbalanced economy. For example, Michael Pettis, a Beijing-based economist, has long argued that suppressed consumption and excess domestic savings have forced China to export both goods and capital, requiring other economies—historically, above all, the United States—to absorb Chinese surpluses through trade deficits and capital inflows.

European analysts are now extending this argument to the EU. By diverting excess Chinese production toward European markets—a practice that has been accelerated by U.S. efforts to reduce dependence on Chinese imports—Beijing could expose the EU to rising deindustrialization pressures and deflationary competition. Left unaddressed, these dynamics will lead to higher unemployment, widening social inequalities, and growing economic insecurity, fueling support for nationalist and far-right political movements across Europe.

The mechanisms that sustained China’s ascent constrain its future development.

Already, Beijing’s approach has accelerated protectionist responses from both the United States and Europe. In Washington, a bipartisan consensus has emerged around the need to reduce dependence on Chinese supply chains and to counter the effects of Chinese subsidized overcapacity. And in Brussels, the European Commission has decreed the current state of EU-China economic relations as “unsustainable.” Europe is now mulling sweeping coordinated measures, aimed at addressing China’s challenge in systemic terms.

Even countries outside the West are beginning to follow suit. While it competes with the United States in high-tech industries, China continues also to aggressively support low- and mid-tech Chinese manufacturing, constraining the growth of countries like Brazil, India, Indonesia, and Turkey. This has already led to policy responses, with India expanding trade-defense instruments and investment screening mechanisms vis-à-vis Chinese firms, and Brazil and Turkey intensifying anti-dumping investigations and debating safeguards for strategic industrial sectors. Similar trends can be observed in Indonesia, where policymakers have increasingly sought to reduce dependence on imported Chinese manufactured goods and strengthen domestic value chains.

The more Beijing seeks to increase industrial dominance, the more it fuels protectionism, de-risking strategies, and fragmentation of the very international economic system that has enabled its rise. China’s economic model now appears trapped in a self-reinforcing contradiction: the mechanisms that sustained its extraordinary ascent are simultaneously generating the international resistance and systemic fragmentation that will constrain future development.

MOST FAVORED DUMPING GROUND

Thus far, Beijing has dismissed U.S. and European concerns as an attempt to blame China for their own economic difficulties. Chinese officials argue that the country’s trade surplus is not the result of domestic unbalances but of genuine comparative advantages and the voluntary choices of Western consumers and businesses. From this perspective, Western resistance to Chinese industrial expansion is merely a futile attempt to obstruct an irreversible shift in the global balance of power. The implication is unmistakable: the United States and Europe should adapt to China’s rise rather than seek to constrain it.

Beijing’s response reflects a subtle but significant attempt to transform China’s identity: from an anti-hegemonic power challenging an existing order to a de facto hegemonic actor seeking acceptance of the new hierarchy it has asserted. But Beijing’s expectation that the rest of the world will indefinitely accommodate an ever-deepening dependence on Chinese industrial capacity is unrealistic. If China continues on its present course, the backlash against its industrial hegemony will only intensify. At best, China can delay the inevitable adjustment by making diversification away from Chinese supply chains more costly for its trading partners. At the same time, Beijing can try to erode support for tougher trade and investment policies by leveraging access to its vast domestic market and mobilizing foreign firms and political constituencies that continue to benefit from economic engagement with China.

Still, despite the growing pressure on European economies, Europe may find it more difficult than the United States to push back against China. As Michael Pettis and Enrico Fardella have argued, the European Union remains structurally vulnerable to continuing to absorb China’s imbalances. The eurozone combines export-driven surplus economies such as Germany and the Netherlands with more import-dependent economies in Southern Europe, creating a divergence of interests over economic relations with Beijing. China can therefore transform external economic leverage into internal European political divisions. The prospect of retaliation against highly exposed sectors—not least Germany’s automotive industry, but also luxury goods, machinery, and advanced manufacturing—has further weakened Europe’s ability to adopt a coherent economic strategy toward China.

Beijing’s pursuit of global industrial dominance will likely prove self-defeating.

The growing dispute between Brussels and Beijing reflects the need for a better European strategy. The European Commission is increasingly seeking to strengthen its capacity to manage external imbalances and protect Europe’s economic stability. But China views continued access to the European market as strategically vital. As the United States moves to limit China’s access to its market and reduce strategic dependence on Chinese imports, Europe is becoming the last major dumping ground for China’s surpluses. If trade imbalances with China persist, they will continue to generate debt and accelerate deindustrialization, speeding up the political fragmentation already visible across the continent.

It should be noted that Beijing has not been entirely unresponsive to these concerns. It has repeatedly promised to strengthen domestic demand, introduced limited measures to support consumption, and softened parts of its diplomatic messaging to reassure foreign governments and investors. Yet these adjustments remain far too modest to change the underlying problem: China continues to privilege production over consumption, industrial policy over household income, and export expansion over genuine domestic rebalancing.

China thus risks deepening its dependence on external demand for its surplus at the very moment when the world is becoming less willing to absorb it. And so, Beijing’s pursuit of global industrial dominance will likely prove self-defeating. Rather than facilitating a smooth transition toward a post-American order, it may well erode the global conditions that have sustained China’s rise. The most urgent challenge confronting China’s leadership may not be how to surpass the West but how to rebalance its economy before the world forces it to.

CHANGING THE MODEL

If Europe and the United States decisively reassert control over their external accounts, China would face a fundamental constraint: the external markets for its excess production would be closed off. Other advanced economies are unlikely to offer alternative markets, while most developing countries lack the financial capacity to sustain the deficits required. Under such conditions, China would sooner or later be forced to reconfigure its economic model at home.

In principle, this could produce the most constructive outcome for all sides. A successful reorientation of China’s growth model would require a substantial transfer of income toward Chinese households, boosting consumption, reducing domestic inequalities, and making growth less dependent on exports and industrial investment. These redistributive policies would ensure that a larger share of the gains from economic growth accrues to ordinary households rather than to businesses, local governments, and state-favored sectors. Paradoxically, to safeguard the long-term well-being of its people, China may have to become more socialist again: this time, not by socializing production but by socializing prosperity.

Such a shift would also ease tensions with the United States and Europe, reduce global imbalances, and weaken the logic of Beijing’s beggar-thy-neighbor economic nationalism. In practice, however, changing China’s economic model would be an immense undertaking. Moreover, in order to raise household income significantly as a share of GDP, China’s leaders would need to make a corresponding reduction in the resources currently controlled by businesses and local governments, a shift that would be economically and politically costly for Beijing.

If Beijing’s immediate problem is how to persuade the world to continue absorbing its excesses, its longer-term challenge is finding a path to prosperity that no longer depends on them. If the immediate question for the United States and Europe is how to regain control over their external balances and rebuild their productive economies, their own longer-term task is figuring out how to engage China in redefining its rise in a manner that is more compatible with a sustainable international order.

Ultimately, the future of global economic stability may depend on China’s willingness to reconsider the logic that has underpinned its ascent. Since 1949, the Chinese Communist Party’s anti-hegemonic strategy has been remarkably successful in reshaping the international environment and creating space for China’s extraordinary rise—an achievement rooted above all in the hard work, discipline, and resilience of the Chinese people. Yet history offers a cautionary lesson. Great powers encounter danger when they cease to view success as the product of contingency and effort and begin to view it instead as the expression of historical destiny. If Beijing falls into this trap, and refuses to heed Western warnings, it will trigger a vicious trade war that will leave the world much worse off, and the dream of China’s national rejuvenation in tatters.

 

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Resumo Crítico do Impacto Econômico e da Autofagia do Modelo Industrial Chinês
O sexto texto sintetiza a análise dos professores Enrico Fardella e Sergey Radchenko sobre as contradições do modelo de desenvolvimento econômico de Pequim frente à ordem internacional. A recepção triunfalista dada por Xi Jinping aos presidentes Donald Trump e Vladimir Putin em maio serviu primariamente como instrumento propagandístico interno para projetar o país no centro geopolítico global, simulando os antigos rituais imperiais. Contudo, essa narrativa nacionalista omite que o enriquecimento chinês dependeu da exploração pragmática das regras do mercado liberal ocidental implantadas desde as reformas de Deng Xiaoping. Atualmente, o Partido Comunista Chinês enfrenta uma crise de superprodução decorrente de subsídios estatais maciços à indústria e da deliberada compressão do consumo doméstico e da renda das famílias. O primeiro-ministro Li Qiang recusa-se a promover reformas estruturais de reequilíbrio macroeconômico, alegando que os superávits comerciais derivam estritamente de vantagens competitivas legítimas baseadas na inovação. Essa postura gerou uma reação protecionista coordenada em escala global: os Estados Unidos consolidam restrições bipartidárias de mitigação de riscos; a União Europeia aplica tarifas alfandegárias contra a desindustrialização de seu mercado; e países emergentes, como o Brasil, a Índia e a Turquia, ampliam investigações antidumping para resguardar seus setores manufatureiros estratégicos de baixa e média tecnologia. Pequim explora as vulnerabilidades estruturais europeias e a dependência industrial da Alemanha para tentar fraturar a coesão regulatória de Bruxelas, mas a persistência desse modelo assimétrico funciona de modo autofágico, destruindo o ecossistema de comércio aberto que viabilizou e que ainda sustenta a própria prosperidade e o projeto de rejuvenescimento nacional da potência asiática.


 

 

Economia do Brasil Imperial cresceu quatro vezes mais do que se dizia, pesquisa da FGV - Bruna Castro (Diário do Rio)

Coincide com a revisão da história econômica do Brasil enunciada por Edmar Bacha.

Pesquisa da FGV revela que economia do Brasil Imperial cresceu quatro vezes mais do que se dizia

Estudo de Thales Zamberlan Pereira reconstruiu os preços entre 1824 e 1889 com mais de 20 mil registros de instituições cariocas, muitos deles publicados pelo próprio Diário do Rio de Janeiro, e valorizou fontes preservadas pelo Jornal do Commercio, pela Santa Casa da Misericórdia e pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência

Durante décadas, estudos, livros e bancos de dados internacionais repetiram que a economia brasileira havia crescido muito pouco durante o Império. O fato causava estranheza em quem lia sobre a pujante exportação de café e sobre a estabilidade econômica e prosperidade de grande parte do período imperial em fontes mais históricas do que econômicas, e na literatura. Mas segundo as estatísticas que eram tidaa como reais até agora, a renda por habitante teria avançado somente 0,3% ao ano entre 1850 e 1889, desempenho difícil de conciliar com a expansão do café, o desenvolvimento das ferrovias, o crescimento das cidades, a ampliação do comércio e a modernização observada durante o bem sucedido reinado de Dom Pedro II.

Agora, uma nova e verdadeiramente minuciosa pesquisa da Fundação Getulio Vargas mostra agora que a economia do Brasil Imperial cresceu, na realidade, quatro vezes mais do que se dizia.O trabalho é do professor Thales Zamberlan Pereira, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, e foi publicado em 19 de maio de 2026 pela European Review of Economic History, revista científica da Universidade de Oxford e da European Historical Economics Society. O artigo, intitulado Inflation and Economic Growth in Imperial Brazil — 1824-1889, foi recebido em maio de 2025, revisado e finalmente aceito pela comunidade científica agora em março de 2026. 

Com um novo e minucioso índice de preços, construído a partir de uma extensa é inédita pesquisa por mais de 20 mil cotações mensais, Pereira concluiu que a renda por habitante no Brasil aumentou aproximadamente 1,2% ao ano entre 1850 e 1889 — e não apenas os irrisórios 0,3%, como apontavam as estimativas tradicionalmente utilizadas.

Não se trata de uma alteração pequena. A taxa quadruplicada muda completamente a posição brasileira nas comparações internacionais e coloca o crescimento do Império em linha com a média da América Latina naquele período, e finalmente casa a estatística econômica com a literatura e a história política. O interessante é que o próprio DIÁRIO ajudou a contar essa história: a descoberta tem um sabor especialmente carioca — e particularmente especial para o Diário do Rio.

Para reconstruir os preços praticados durante o Império, o pesquisador recorreu principalmente a jornais publicados na Corte. Nas décadas de 1820 e 1830, sua fonte principal foi o próprio Diário do Rio de Janeiro, em sua fase original do século XIX. Para os anos posteriores, o estudo utilizou predominantemente o Jornal do Commerciorecorrendo ainda a outros periódicos para preencher eventuais lacunas. 

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O Diário do Rio de Janeiro, ou Diário do Rio, como carinhosamente o carioca se acostumou a chamá-lo, foi o primeiro jornal diário do país, começando a circular em primeiro de junho de 1821, antes mesmo da independência do Brasil. Agora, em 2021, completou 200 anos. Isso mesmo, 200 anos! Inicialmente impresso na sua própria … Continue lendo: https://diariodorio.com/historia-e-antecedentes/  

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Resumo do texto por Madame IA: 

Resumo Crítico da Pesquisa Historiográfica sobre o Crescimento do Brasil Imperial
O terceiro texto examina o impacto metodológico do estudo revisionista coordenado pelo professor Thales Zamberlan Pereira e chancelado pela Universidade de Oxford, o qual promove uma profunda retificação nos indicadores macroeconômicos do Brasil do século dezenove. Durante gerações, o pensamento acadêmico tradicional baseou-se em modelos econométricos que apontavam para uma expansão pífia da renda por habitante, estimada em zero vírgula três por cento ao ano entre 1850 e 1889. Essa estatística gerava um persistente paradoxo historiográfico, pois colidia com os relatos documentais da época e com a produção literária do período, que atestavam a opulência gerada pelo complexo cafeeiro, pela urbanização e pela expansão das ferrovias sob o reinado de Dom Pedro II. A superação desse impasse ocorreu por meio da reconstrução minuciosa de um índice de preços inédito, estruturado a partir do levantamento de mais de vinte mil cotações mensais extraídas de periódicos como o Diário do Rio de Janeiro e o Jornal do Commercio, além de balancetes de ordens religiosas e instituições hospitalares da antiga Corte. A nova modelagem demonstrou que a renda per capita imperial cresceu, na realidade, à taxa de 1,2% ao ano na segunda metade do 1800-1899, uma performance quatro vezes superior à aceita anteriormente. Esse dado realinha o desempenho brasileiro à média da América Latina e mitiga a narrativa de estagnação econômica crônica sob a vigência do regime monárquico, validando as teses de intelectuais como Edmar Bacha. O capítulo conclui ressaltando o valor metodológico da imprensa histórica como repositório estatístico insubstituível para a soberania intelectual e para a correta compreensão do desenvolvimento de longo prazo do país.


 

 

Demissão do ministro da Defesa da Ucrânia; Mykhailo Fedorov, uma personalidade feita de "material presidencial", como se costuma dizer...

 Uma importante mudança política na Ucrânia, que vai impactar o seu futuro político, talvez militar, mas a Ucrânia já venceu esse confronto com o seu agressor muitas vezes maior. O ministro da Defesa demitido por Zelensky é um futuro presidente, numa Ucrânia cuja nova identidade política nacional e internacional ele ajudou a criar e a reforçar. Continuo seguindo os assuntos da Ucrânia e mais uma vez gostaria de deixar registrado minha tremenda decepção com a política externa do Brasil em relação a essa guerra de agressão, não envolvo a diplomacia brasileira nessa decepção, mas a postura indigna do governo Lula em face de uma violação brutal da Carta da ONU e dos princípios mais elementares do Direito Internacional que esse governo não respeita, e até colabora com o agressor.
Como sempre, assino embaixo do que escrevo:
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 18/07/2026

volodymyr zelensky
Julio Tuazon

Yesterday [16/07/2026], Ukraine lost its best Minister of Defense—but gained its strongest presidential contender. In full view of the public, Mykhailo Fedorov demonstrated that he is no longer just a top manager or a brilliant technocrat—he has become a seasoned politician. So, thank you, President Zelensky.
Yesterday, Mykhailo Fedorov held a press briefing.
The key takeaway: he handled everything intelligently.
He thanked President Zelensky in a restrained manner, made no accusations, did not complain, and repeatedly emphasized: “This is not about me. This is about the Ukrainian soldiers who will die if reforms do not continue.”
Using a professionally prepared presentation, he explained his reforms in great detail.
He outlined what he had not yet managed to accomplish during the six months he served in office.
He explained his disagreements with Commander-in-Chief Oleksandr Syrskyi in a way that, in the author's view, left little room for rebuttal.
Overall, Fedorov came across as an experienced politician with a fully formed public image—someone who could run for office tomorrow. At just 35 years old, he has no need to rush. He avoided confrontation and expressed his willingness to continue working even with General Syrskyi.
Most remarkably, he delivered the briefing almost entirely off the cuff, having had only one day to prepare. To make things even more unusual, not only journalists but also members of parliament showed up. That is virtually unheard of, since press briefings are normally intended for the media. Petro Poroshenko, meanwhile, appears eager for Fedorov to become the leader of his political camp, seemingly ready to shift his support away from Valerii Zaluzhnyi. But Fedorov joked about it himself: “What’s going on? People will think I’m a Poroshenko supporter...”
According to online polls cited by the author, Fedorov's approval rating yesterday surpassed President Zelensky's. Whether that surge lasts or not remains to be seen, but the author argues that, as of yesterday, the ranking of Ukraine's leading politicians looks like this:
1. Volodymyr Zelensky
2. Mykhailo Fedorov
3. Valerii Zaluzhnyi
4. Kyrylo Budanov
In the author's view, Mykhailo Fedorov has now become an independent political figure. Professionally, he may still be part of the president's team—if he chooses to remain—but politically, they are now competitors. The author believes President Zelensky failed to anticipate this outcome and that dismissing Fedorov was a major political mistake with serious consequences for his own position.
Can the situation still be reversed? Fedorov says it can. He wants to preserve at least some chance of continuing military reforms and may even be willing to sacrifice a political career for that goal. But, as the author concludes, life rarely offers the chance to undo such turning points. 

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Comments Gemini AI:  

Resumo Crítico da Mudança Ministerial na Ucrânia e Reflexos Geopolíticos
O quarto texto debruça-se sobre a destituição de Mykhailo Fedorov do Ministério da Defesa da Ucrânia pelo presidente Volodymyr Zelensky, interpretando o evento como uma alteração tectônica nas forças políticas internas de Kiev em meio ao conflito militar com a Rússia. A análise minuciosa da coletiva de imprensa realizada por Fedorov demonstra que o gestor de 35 anos logrou êxito em transitar de uma percepção puramente técnica e tecnocrática para se consolidar como um ator político amadurecido e independente. Ao adotar uma postura de comedimento, agradecendo de forma contida ao mandatário e focando no imperativo de dar continuidade às reformas estruturais das Forças Armadas para poupar as vidas dos combatentes no front, o ex-ministro angariou o apoio de setores da oposição, como o grupo liderado por Petro Poroshenko. A formulação de suas discordâncias em relação ao comandante em chefe, general Oleksandr Syrskyi, deu-se de forma metodologicamente robusta, o que resultou em uma elevação imediata de seus índices de aprovação popular acima dos patamares de Zelensky, tornando sua demissão um evidente erro de cálculo político por parte do Executivo. Em uma dimensão correlata, o texto incorpora as reflexões críticas de Paulo Roberto de Almeida sobre a postura do governo de Luiz Inácio Lula da Silva perante o conflito. O analista opera uma distinção conceitual nítida entre o corpo profissional do Itamaraty e as diretrizes ideológicas do Planalto, qualificando a conduta presidencial como leniente com o Estado agressor. Essa ambiguidade é criticada por violar frontalmente a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional, comprometendo a credibilidade do Brasil frente às democracias ocidentais.

 

 

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 Esclarecendo certas coisas… Não sou um inimigo de toda a politica externa lulopetista; só dessa mania tão deplorável de grudar em qualquer ...