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domingo, 19 de julho de 2026

A hora do direito internacional -Benoni Belli, Alejandro Encinas (CEBRI)

 

A hora do direito internacional

O que está em jogo
Bandeira da Organização dos Estados Americanos. Imagem: Shutterstock

Em outubro do ano passado, Brasil e México tomaram a iniciativa de lançar, com o apoio de outros Estados membros, o Grupo Voluntário de Apoio à Comissão Jurídica Interamericana e à Promoção do Direito Internacional (GAJUR). O objetivo foi articular os países interessados em continuar fortalecendo o direito internacional e conferir maior visibilidade ao trabalho da CJI, principal órgão jurídico da OEA, sediado no Rio de Janeiro, cuja finalidade é, de acordo com o artigo 99 da Carta, servir como órgão consultivo da Organização em assuntos jurídicos e promover o desenvolvimento progressivo e a codificação do direito internacional.

Em menos de um ano, o GAJUR promoveu duas reuniões entre os Estados membros e os juristas que compõem a CJI, organizou conferências e mesas-redondas sobre direito internacional e reuniu propostas para dar continuidade aos esforços nessa área. Entre elas figuram a realização de eventos de alto nível, o fortalecimento do Curso de Direito Internacional do Rio de Janeiro, a ampliação das atividades da Secretaria de Assuntos Jurídicos e o acompanhamento dos mandatos adotados pelos Estados membros na Assembleia Geral da OEA.

Em nossa opinião, três razões principais justificam essa iniciativa. Em primeiro lugar, em tempos de questionamentos e desafios ao direito internacional, é necessário tomar consciência do que se perde quando seus princípios fundamentais são corroídos. Em segundo lugar, acreditamos que divulgar os avanços, os benefícios e as contribuições de órgãos como a CJI ajuda a demonstrar que o direito internacional é muito mais útil, eficaz e presente na vida dos Estados do que frequentemente se imagina. Por fim, porque o direito internacional é, ao mesmo tempo, produto e motor da cooperação entre os países, condição indispensável para enfrentar eficazmente os desafios de nosso tempo.

O que se perde com o enfraquecimento do direito internacional? Perdem-se as normas básicas que regem a convivência entre as nações. O direito internacional, tal como se desenvolveu nos últimos oitenta anos, não eliminou as realidades do poder, mas foi capaz de impor limites ao uso irrestrito da força, deslegitimando a ideia de que a força cria o direito. A OEA, herdeira das conferências pan-americanas desde o final do século XIX, desempenhou papel relevante na consolidação de princípios como a solução pacífica de controvérsias, a igualdade soberana dos Estados e a não intervenção. As violações desses princípios não são apenas ilegais; constituem também uma ameaça a qualquer concepção de uma ordem regional estável, racional e justa.

A história da CJI – que contribuiu para a redação da Carta da OEA, de instrumentos internacionais de direitos humanos e da Carta Democrática Interamericana – é uma prova concreta de que o direito internacional não é uma abstração. Seja no âmbito do direito internacional público ou privado, o trabalho da CJI e as negociações entre os Estados membros da OEA que conduziram à adoção de convenções, tratados e outros instrumentos jurídicos, tanto vinculantes quanto de soft law, tiveram e continuam tendo impacto positivo.

Esses instrumentos facilitaram as transações comerciais e os investimentos, fortaleceram a proteção dos direitos humanos, contribuíram para o combate ao crime organizado transnacional e à corrupção e promoveram a consolidação da democracia, entre muitos outros avanços. Um exemplo particularmente significativo é o Tratado de Tlatelolco, que demonstra a capacidade dos Estados latino-americanos e caribenhos de construir, por meio do direito internacional e da negociação multilateral, um regime jurídico pioneiro em matéria de desarmamento e não proliferação nuclear.

Não é possível dissociar o direito internacional das instituições multilaterais, cuja existência depende – como ocorre no caso da OEA – de uma carta constitutiva que é também um tratado internacional. Por isso, fortalecer o direito internacional como instrumento para enfrentar de maneira cooperativa os desafios comuns exige igualmente reforçar a relevância das instituições multilaterais. Isso pressupõe garantir que sejam representativas, legítimas e eficazes; que não se submetam às dinâmicas do poder econômico, político ou militar; e que não endossem o unilateralismo que ameaça devolver o mundo ao estado de natureza hobbesiano. Somente assim poderemos enfrentar os desafios do desenvolvimento, combater a mudança do clima, proteger e promover os direitos humanos e fortalecer a democracia e a segurança com alguma possibilidade de êxito.

Hoje, mais do que nunca, não é momento para o derrotismo. É verdade que os desafios ao direito internacional são formidáveis, mas a história não é teleológica e não segue um rumo predeterminado. Nosso esforço na OEA está voltado para a preservação dos princípios fundamentais que sustentam a Organização, procurando assegurar que seus órgãos políticos atuem com equilíbrio e legitimidade, de modo a afastar o risco de uma ordem regional baseada no exercício irrestrito da força, sem controles nem mecanismos de prestação de contas.

Um cenário dessa natureza seria prejudicial para todos, sem exceção, inclusive para aqueles que acreditam poder obter benefícios de curto prazo. Sem o edifício das instituições multilaterais e sem o cimento do direito internacional, o resultado não será apenas maior instabilidade, mas um verdadeiro retrocesso civilizatório. É disso que se trata.

Recebido: 15 de julho de 2026

sábado, 24 de janeiro de 2026

Samuel Pessoa contra André Lara Resende: quando o dogma fala mais alto que a realidade - Marco Antônio Castello Branco (CEBRI)

A prova do pudim, como dizem os ingleses, está em comê-lo. Creio que os petistas do governo que estão a favor de André Lara Resende, contra economistas como Samuel Pessoa, deveriam colocá-lo como ministro da Fazenda e controlador do Banco Central (que deixaria de ter independência, coisa que os petistas nunca toparam). Essa seria a prova: se André Lara Resende trouxesse crescimento, com equilíbrios internos e externos, sem constrangimentos fiscais, cambiais e de endividamento público, a teoria monetária moderna, da qual Lara Resende é um devoto fiel, estaria ipso facto provada como positiva, tendo se tornado o novo paradigma. PRA

Samuel Pessoa contra André Lara Resende: quando o dogma fala mais alto que a realidade

Marco Antônio Castello Branco

site do CEBRI, 1 dezembro 2025


Leio há algum tempo as críticas de Samuel Pessoa às posições recentes de André Lara Resende sobre dívida pública, juros e política fiscal. O que me impressiona não é a discordância – saudável e necessária –, mas a insistência de Samuel em defender um modelo de mundo que já não cabe na realidade que temos diante dos olhos.

Em tese, ele se apresenta como economista “empírico”, guiado por evidências, defensor da responsabilidade fiscal e da prudência. Na prática, o que vemos é alguém preso a um conjunto de dogmas – fundos emprestáveis, metáfora da família, r>g como lei da natureza – que o impedem de enxergar o óbvio: a arquitetura monetária contemporânea não funciona como o manual dos anos 80 dizia. E o Brasil de juros estratosféricos, baixo crescimento e desemprego crônico é a prova viva disso.

A metáfora da dona de casa – e o país tratado como condomínio - O primeiro pilar do discurso de Samuel é a velha metáfora da boa dona de casa: governo responsável é o que não gasta mais do que arrecada, ou, no máximo, “um pouco mais” em tempos difíceis, para depois compensar com superávits. É a ideia de que o Estado deve se portar como uma família prudente.

André Lara Resende faz exatamente o movimento contrário: lembra algo que qualquer aluno de macroeconomia aprende no primeiro capítulo – o Estado não é uma família. Famílias e empresas são usuárias da moeda; o governo federal é emissor da moeda. Uma família pode quebrar em reais; o Tesouro Nacional, não. O limite do Estado não é “acabar o dinheiro”, é bater na parede dos recursos reais (capacidade produtiva, trabalho, tecnologia) e da restrição externa.

Samuel sabe disso no plano teórico – não é ignorância. Mesmo assim, insiste na metáfora moralizante do “não se pode viver de fiado”, como se o Tesouro fosse inquilino e não proprietário da moeda. A contradição é óbvia: ele se reivindica realista, mas parte de uma analogia que só funciona justamente se abstrairmos a realidade da emissão de moeda.

Dívida pública: passivo de um, ativo de outro - Outra cegueira útil é tratar a dívida pública como se fosse um monstro externo pairando sobre “as futuras gerações”. É a narrativa do “peso insuportável” para os jovens, do “abacaxi” que estamos passando adiante.

Lara Resende, apoiado em uma tradição que vai de Keynes a Abba Lerner e hoje aparece de forma organizada na MMT, lembra o óbvio matemático: a dívida pública é passivo do governo, mas é ativo do setor privado. Cada título emitido é riqueza financeira para algum banco, fundo, família, empresa. Quando o governo faz superávit e reduz dívida, está retirando esses ativos líquidos das mãos do setor privado.

Samuel salta por cima dessa simetria como se não existisse. Ele fala do “peso da dívida” sem se perguntar: peso para quem? Para o contribuinte futuro ou para o rentista que hoje recebe juros reais de dois dígitos? Ele fala em “justiça intergeracional”, mas não discute a brutal injustiça intrageracional de um regime que transfere renda, ano após ano, dos que vivem do trabalho para os que vivem da renda financeira alimentada por juros altos.

Na prática, sua “neutralidade técnica” escolhe um lado da distribuição – e finge que é apenas matemática.

Fundos emprestáveis: o modelo que ignora o sistema bancário - No fundo da crítica de Samuel à postura de André está a velha teoria dos fundos emprestáveis: existe um estoque de poupança “dado”; quando o governo se endivida, disputa essa poupança com o setor privado; o preço de equilíbrio dessa disputa é a taxa de juros; logo, déficits pressionam juros para cima, “expulsam” o investimento privado e derrubam o crescimento.

É uma historinha elegante, facilmente desenhável em quadro de sala de aula – e profundamente incompatível com o funcionamento de um sistema de moeda-crédito moderno.

Bancos não são cofres que emprestam uma poupança pré-existente; são criadores de moeda bancária. Quando concedem um empréstimo, criam simultaneamente um ativo (crédito) e um passivo (depósito). O banco central, por sua vez, acomoda as reservas necessárias para manter a taxa de juros na meta que ele próprio define. A taxa básica, longe de ser “apenas” o preço que resolve um equilíbrio de mercado, é uma decisão de política.

Ao ignorar essa realidade monetária – que não é polêmica, está na própria literatura do BIS e em documentos de bancos centrais –, Samuel se agarra ao dogma dos fundos emprestáveis para concluir que déficit → juros altos → menos crescimento. Se a realidade não confirma essa sequência de forma robusta, pior para a realidade.

r > g: quando uma identidade contábil vira religião - A mesma operação se repete com a famosa condição r>g. Samuel a trata como uma espécie de lei de gravidade: se a taxa de juros real for maior que o crescimento, a dívida/PIB “explodirá” a menos que o governo obtenha superávits primários por longos períodos. É a fórmula para justificar, a priori, qualquer política de austeridade.

Só que r e g não caem do céu. A taxa de juros real é, em grande medida, produto de decisões do Banco Central; o crescimento é sensível ao próprio mix de política fiscal e monetária. Manter juros reais altíssimos por anos – como fizemos – e depois usar o resultado (dívida pressionada, economia anêmica) para dizer que “não há alternativa” ao superávit é transformar uma escolha política em destino inevitável.

André, ao criticar essa lógica, não está propondo matemática alternativa. Está apenas lembrando que não se pode usar uma identidade contábil para legitimar um dogma. A equação da dívida deve ser lida à luz da realidade institucional: quem define r? como as decisões de gasto e tributação impactam g? qual é a composição da dívida? qual é a moeda em que ela está emitida?

Samuel evita essa conversa. Prefere o conforto da fórmula abstrata. É mais seguro defender que “a experiência histórica mostra” sem enfrentar os casos incômodos – Japão, EUA pós-2008, países avançados convivendo com dívidas altas, juros baixos e ausência de crises de solvência.

A realidade brasileira que ele não quer ver - Mais grave, porém, é a incompatibilidade entre o discurso de Samuel e a realidade brasileira recente. Se a equação ortodoxa fosse tão boa quanto ele sugere, o Brasil, campeão mundial de juros reais, deveria ser um caso exemplar de estabilidade, investimento produtivo e crescimento vigoroso.

Não é.

Tivemos anos de juros reais estratosféricos, metas de superávit, teto de gastos. O resultado não foi um ciclo virtuoso de confiança, investimento e produtividade. Foi um país travado: investimento público comprimido, infraestrutura depreciada, desemprego alto, serviços públicos asfixiados, e a dívida/PIB… oscilando ao sabor do ciclo, muitas vezes piorando justamente depois de choques de austeridade em recessão.

Diante desses fatos, seria natural revisar o modelo, perguntar se a dose de juros não é parte do problema, se a meta de primário não estaria mal calibrada, se o teto de gastos não era uma camisa de força pró-cíclica. Mas isso exigiria admitir que Lara Resende – e a tradição pós-keynesiana/MMT que ele ecoa – têm um ponto.

Samuel escolhe outro caminho: preserva o dogma e culpa o “desvio” político, o “populismo”, a “falta de reformas”. A realidade econômica vira sempre um acidente de percurso; o modelo, nunca.

Ideologia sob a máscara da técnica - É aí que fica mais claro o componente ideológico. Ao se recusar a incorporar a crítica de Lara Resende – crítica que aponta a natureza política da taxa de juros, a assimetria entre Estado e família, o caráter ativo da dívida para o setor privado –, Samuel não está apenas defendendo “responsabilidade fiscal”. Ele está defendendo uma hierarquia de prioridades:

  • proteção quase sagrada do rentismo (juros altos, “credibilidade de mercado”);
  • compressão estrutural do investimento público;
  • disciplina rígida do gasto social em nome de metas numéricas.

Tudo isso pode até ser defendido como programa político, desde que com nome e sobrenome. O problema é vender essa agenda como se fosse a única leitura possível da “boa ciência econômica”, enquanto se demoniza qualquer alternativa – inclusive a de Lara Resende – como “populismo fiscal” ou “economia mágica”.

Quando confrontado com a evidência de que dívidas altas não implicam automaticamente em colapso, de que juros podem ser mantidos baixos por design, de que austeridade em recessão tende a piorar a própria dívida/PIB, Samuel não reexamina as premissas. Ele reforça o catecismo: responsabilidade = superávit; seriedade = austeridade; prudência = aceitar r>g e calar.

Entre o medo e o debate honesto - No fundo, o que está em jogo é o medo de admitir que política econômica é, sim, disputa de projetos, não aplicação neutra de um algoritmo técnico. Ao desmontar a metáfora da família e recolocar o Estado como emissor da moeda, Lara Resende abre espaço para uma discussão incômoda: se o limite não é “acabar o dinheiro”, o que nos impede de investir mais em gente, infraestrutura, transição energética?

A resposta honesta teria de falar de correlação de forças, de interesses, de conflitos distributivos – inclusive o conflito entre quem recebe juros e quem paga imposto, entre quem vive de renda e quem vive de salário. É mais simples, para alguns, esconder isso atrás de equações e palavras como “credibilidade”, “regras duras”, “âncora fiscal”.

Samuel Pessoa escolhe esse caminho. André Lara Resende, com todas as controvérsias que provoca, escolheu o oposto: expor a engrenagem, nomear o dogma, reconectar a macroeconomia à realidade do dinheiro e do poder.

É por isso que, ao observar esse embate, não vejo apenas um conflito entre dois economistas. Vejo o choque entre uma visão que prefere sacrificar a realidade em nome do modelo e outra que, com todos os riscos e incertezas, tenta reconstruir o modelo a partir da realidade.

por Marco Antônio S. C. Castello Branco
26 de novembro de 2025


Artigos mencionados no debate

 


quarta-feira, 30 de abril de 2025

Por que o BRICS é estratégico para o Brasil? (uma pergunta, não necessariamente uma resposta) - CEBRI, Paulo Roberto de Almeida

 Postado em 30/04/2025. Pretendo abordar a mesma pergunta, provavelmente com outras respostas, dotadas de certo ceticismo.

Tenho um livro digital sobre o BRICS: A grande ilusão do Brics e o universo paralelo da diplomacia brasileira (Brasília: Diplomatizzando, 2022, 277 p.; 1377 KB; ISBN: 978-65-00-46587-7; ASIN: B0B3WC59F4)

Voltarei ao assunto.

Paulo Roberto de Almeida

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Por que o BRICS é estratégico para o Brasil? 

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O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) reconhece que o BRICS representa uma plataforma privilegiada para o Brasil expandir seu protagonismo econômico e geopolítico. Ao consolidar-se como fórum de cooperação entre potências emergentes, o BRICS torna-se uma das portas de entrada do Brasil para a Ásia, ao mesmo tempo em que amplia sua influência na reforma da governança global, na construção de um mundo multipolar e na defesa do multilateralismo. Estas dimensões estratégicas se fazem ainda mais relevantes diante das transformações aceleradas na ordem internacional e do realinhamento das relações comerciais e políticas que estão ocorrendo com o aumento das rivalidades. Participar ativamente do BRICS permite ao Brasil fortalecer sua autonomia estratégica, diversificar parceiros e moldar novas arquiteturas globais de poder.

O crescimento econômico dos membros do BRICS e de seus parceiros é um vetor central da inserção brasileira no mercado asiático. Em 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) do BRICS superou o do G7 em paridade de poder de compra, e em 2023 o bloco respondeu por 37,3% do PIB mundial, antes da sua ampliação com novos membros ocorrida em 2023. A taxa de crescimento anual tem sido da ordem de 4,5% entre 1990 e 2022, mesmo diante das crises globais. Mais recentemente, em 2024, os países do BRICS cresceram 3,8%, enquanto o G7 cresceu 1,5%, demonstrando a resiliência dessas economias. 

Porém, existe um dado que mostra de maneira inequívoca a importância do bloco. Os países do BRICS — que agora incluem Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos, e Indonésia — representam cerca de 45% da população mundial, aproximadamente cinco vezes mais que os países do G7, que somam cerca de 10%. Em 2024, os países do BRICS apresentam taxas de crescimento populacional superiores às dos países do G7, influindo no grau de produtividade e de competitividade nas cadeias econômicas de valor. Enquanto nações como Etiópia (2,55%), Egito (1,47%) e Índia (0,95%) impulsionam o aumento demográfico do bloco, os países do G7 enfrentam estagnação ou declínio populacional, com taxas como -0,66% no Japão e -0,42% na Itália, com a exceção dos EUA (0,98%). Esse contraste reflete uma dinâmica demográfica distinta entre os dois grupos, com os BRICS expandindo sua população e os G7 lidando com desafios relacionados ao envelhecimento e à redução populacional.



segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Homenagem do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) a Alberto da Costa e Silva, diplomata, poeta, ensaísta, memorialista e historiador brasileiro.

 O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) manifesta profundo pesar pelo falecimento do diplomata, poeta, ensaísta, memorialista e historiador brasileiro, Alberto da Costa e Silva. 

Reconhecido como um dos mais proeminentes intelectuais do país, Alberto era membro da Academia Brasileira de Letras e dedicou-se intensamente ao estudo da cultura e história africanas, tendo atuado como embaixador do Brasil por quatro anos na Nigéria e no Benim. Sua contribuição para o entendimento e apreciação da herança africana é um legado que perdurará através de suas obras e realizações.

Alberto teve uma longa e relevante carreira diplomática, atuando como embaixador em Portugal (1986-1990), na Colômbia (1990-1993) e no Paraguai (1993-1995). Além disso, ocupou o cargo de Inspetor-Geral do Ministério das Relações Exteriores entre 1995 e 1998.

Alberto deixou um vasto legado literário, composto por quase 40 livros, abrangendo poesia, ensaios, memórias e história e foi um intelectual engajado com as questões contemporâneas. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2000 e atuou como seu presidente em 2002 e 2003. Sua notável carreira acadêmica e seus estudos sobre a história africana culminaram em 2014 com o Prêmio Camões, o mais prestigiado reconhecimento literário em língua portuguesa.

Recentemente, um artigo sobre Alberto da Costa e Silva foi publicado na 6ª edição da CEBRI-Revista, com seção especial dedicada ao continente africano. Nele, a autora Marina de Mello e Souza ressalta a importância da obra do Embaixador para o estudo da História da África. Leia o artigo aqui.

O CEBRI transmite suas sinceras condolências à família, especialmente aos seus três filhos, Elza Maria, Antonio Francisco e Pedro Miguel, bem como aos seus sete netos e bisneta.

A partida de Alberto da Costa e Silva representa uma perda tanto para a diplomacia quanto para a cultura brasileira. Sua obra, porém, permanece viva, especialmente para as gerações futuras interessadas no estudo da África, um continente de extrema relevância para o Brasil e sua política externa.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Caderno do CEBRI sobre a diplomacia regional do Brasil: lançamento em painel no IRI-USP

 Apresentação do vídeo de lançamento neste link: 

https://www.youtube.com/watch?v=xTfaxGwJzmM

Policy Papers do CEBRI

A Hora da Diplomacia Brasileira Voltar a Priorizar o seu Entorno Regional



Nenhum país do mundo consegue ser relevante globalmente se não for relevante em seu tabuleiro regional. Em que pese a importância relativa dos nossos vizinhos em nossas exportações de bens semimanufaturados e manufaturados, o Brasil
atualmente está à deriva na América do Sul e, com isso, deixamos um vácuo de poder na região e promovemos uma enorme retração do processo de integração sul-americano. O Brasil precisa ser um ativo promotor do desenvolvimento na região e dos processos de cooperação e integração entre os países da América do Sul.

Download do paper: 



sábado, 6 de agosto de 2022

"A hora da diplomacia brasileira voltar a priorizar seu retorno regional": Policy Paper do Núcleo América do Sul do CEBRI


O Núcleo América do Sul do CEBRI convida para o evento de lançamento do Policy Paper "A hora da diplomacia brasileira voltar a priorizar seu retorno regional".

Data e hora: 9 de agosto, terça-feira, às 17h

Evento presencial em São Paulo, vagas limitadas.
Inscrição presencial: rsvp@cebri.org.br
Assista ao evento ao vivo AQUI 

Endereço: USP - Cidade Universitária -  Prédio do Instituto de Relações Internacionais
Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, Tv. 4 e 5/2º andar, Butantã, São Paulo

Em caso de dúvidas, por favor, entrar em contato pelo e-mail rsvp@cebri.org.br




quarta-feira, 8 de junho de 2022

Em que direção a Ásia se move, e qual o seu impacto global?: Parag Khanna (Cebri Online)

 Em que direção a Ásia se move, e qual o seu impacto global?

sexta-feira, 11 de março de 2022

Geopolítica e desafios do agro brasileiro em tempos turbulentos - Insper-CEBRI, 24/03/2022, 18hs

 Geopolítica e desafios do agro brasileiro em tempos turbulentos

https://www.insper.edu.br/agenda-de-eventos/geopolitica-e-desafios-do-agro-brasileiro-em-tempos-turbulentos/

Insper - CEBRI

24/3/2022, 18h às 20h


Em 2021 o Brasil bateu recorde histórico nas exportações do agronegócio ao ultrapassar os US$ 120 bilhões, número que evidencia a posição do país como um dos principais fornecedores globais de alimentos, apesar de uma pauta concentrada em alguns destinos e, ainda mais, em poucas commodities.

Para 2022, se por um lado as perspectivas são positivas em virtude da retomada econômica pós pandemia, por outro, o setor encerrou 2021 preocupado com o aumento dos custos de produção, e redução de margens do produtor, além da apreensão causada pelo conflito Rússia-Ucrânia.

Estruturalmente é essencial ao setor discutir como ampliar a presença de produtos tradicionais em novos mercados e oferecer novos produtos em destinos tradicionais, buscando maior diversificação e adição de valor da pauta exportadora. Tais propósitos se apresentam ainda mais desafiadores no contexto atual de conflito armado envolvendo dois importantes países no cenário do agro, aumento do protecionismo global, recrudescimento das barreiras sanitárias, técnicas e burocráticas e pressões relacionadas aos esforços de combate ao aquecimento global.

A partir desse panorama, o Insper Agro Global e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), retomam o seu Ciclo de Debates. Nesse ano o programa será trimestral com inovações no seu formato. Serão debates híbridos, com duas horas de duração para maior aprofundamento dos temas, sempre divididos em dois painéis.

Nesse primeiro debate de 2022, vamos explorar no painel inicial, as tensões, oportunidades e desafios que se apresentam neste momento conflitivo em mercados atuais e potenciais para o agro brasileiro na Eurásia. Para conduzir esse debate contaremos com André Corrêa do Lago, Embaixador do Brasil na Índia e Larissa Wachholz, executiva, ex-assessora da Ministra da Agricultura para assuntos de China e sênior fellow do CEBRI.

No segundo painel especialistas abordarão desafios, oportunidades e estratégias para aprimoramento da pauta exportadora por meio de diferenciação e adição de valor aos produtos. Vamos contar com Flávio Bettarello, diplomata, ex-secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Mapa; Luiz Roberto Barcelos, Diretor Institucional da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Será um prazer recebê-los pessoal ou virtualmente!

Programação

Abertura e moderação:

    Marcos Jank – Coordenador do Insper Agro Global e do Núcleo Agro do CEBRI

    Julia Dias Leite – Diretora-presidente do CEBRI


Painel I

Mercados e geopolítica do agro brasileiro na Eurásia

Debatedores:

    André Corrêa do Lago, Embaixador do Brasil na Índia

    Larissa Wachholz, ex-assessora da Ministra da Agricultura para assuntos de China e sênior fellow do CEBRI


Painel II

Desafios da pauta exportadora do agro brasileiro: diversificação e diferenciação


Debatedores:

    Flávio Bettarello, diplomata, ex-secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Mapa

    Luiz Roberto Barcelos, Diretor Institucional da Abrafrutas

    Sueme Mori, Diretora de Relações Internacionais da CNA


quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Brasil-China Ensaios 2002-2021, de Anna Jaguaribe (CEBRI)

 26/01/2022: 


 O CEBRI lança hoje o livro Brasil-China Ensaios 2002-2021, de Anna Jaguaribe, com o apoio da Fundação Alexandre Gusmão (FUNAG), do Banco BOCOM BBM e de Marcelo Vieira. A publicação traz artigos inéditos da socióloga pioneira nos estudos sobre a China e aborda temas como as relações diplomáticas entre China e Brasil, a presença chinesa no multilateralismo, a projeção internacional do país e suas consequências geopolíticas, o desenvolvimento chinês e a modernização de Pequim.

O projeto gráfico é assinado por Mariana Jaguaribe, sobrinha de Anna, e as fotos, muitas inéditas, compartilhadas pela irmã Cláudia Jaguaribe, retratam momentos especiais de sua trajetória.
 
Anna Jaguaribe contribuiu de forma inestimável com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI). Foi membro do Conselho Curador, desde 2017 e estruturou o Núcleo Ásia e o Grupo de Análise sobre China. Seu legado é mais uma vez celebrado com a publicação deste livro.
 
Acesse a versão digital do livro aqui.

ARTIGOS
2002

032
 China modern: The city
as a battleground for identities

2010

054
 Visões de futuro:
A China e os seus desafios,

elementos do debate atual

2011

084
 Brasil e China na
reorganização das relações

econômicas internacionais:

Desafios e oportunidades

2013

104
 On state capacities
2014

120
 Políticas de inovação,
cruzando caminhos: Os casos

de Brasil e China

2015

142
 Estratégias de
governança no século XXI:

Observações sobre os novos

desafios da China

2016
166
 Desafios da economia
chinesa hoje

2018

174
 Characteristics and
direction of China’s global

investment drive

NOTAS SOBRE A

CONTEMPORANEIDADE

2019

210
 Brasil e China no
contexto da urbanização

2020

216
 Geopolitics and the
economics of innovation:

Different strategies

2021

222 Geopolitics and the rise
of China

228
 Reform and opening of
China’s financial system

Postagem em destaque

A diplomacia brasileira numa nova conjuntura política - Paulo Roberto de Almeida (boletim Mundorama)

Divulgando no blog pessoal dada a descontinuidade das postagens em Mundorama. A diplomacia brasileira numa nova conjuntura política Paulo R...