domingo, 11 de outubro de 2026

Da ciência básica à ciência aplicada A Árvore da Ciência, quarenta anos depois - Simon Schwartzman (Substack)

Da ciência básica à ciência aplicada

A Árvore da Ciência, quarenta anos depois

Em 1984 publiquei na Ciência Hoje “A Árvore da Ciência”, um artigo sobre a formação da comunidade científica brasileira, baseado em entrevistas com 56 cientistas nascidos entre 1892 e 1931. Pedi agora ao Claude, o sistema de inteligência artificial da Anthropic, que revisitasse aquelas hipóteses com os dados que a Academia Brasileira de Ciências divulga sobre seus membros, ativos e falecidos. O resultado é o texto anexo, escrito por ele e não revisado por pares, que me parece de interesse. A análise cobre 1.107 acadêmicos residentes no Brasil.

A principal mudança é a incorporação das ciências aplicadas a uma academia que, até o final do século XX, era essencialmente de ciência básica.

Até os anos 1990, matemática, física, química, ciências da Terra, biologia e ciências biomédicas recebiam mais de 90% dos membros empossados. Dentro desse conjunto, o grande movimento foi o crescimento das ciências biomédicas, que chegaram a 36% das posses nos anos 1980 e 1990.

A partir de 2000 o quadro muda. As seções de ciências da saúde, agrárias, da engenharia e sociais, que tiveram 13 empossados em toda a década de 1990, passam a 79 nos anos 2000 e mantêm um ritmo semelhante desde então. As ciências básicas, por sua vez, não diminuíram: depois do salto dos anos 1990, quando tiveram 154 empossados, seguem acima de 125 por década. A Academia não trocou a ciência básica pela aplicada; cresceu e abriu espaço para as áreas aplicadas. Em proporção, as básicas passaram de mais de 90% para cerca de dois terços das novas eleições, e as dez seções ficaram com participações semelhantes, em torno de 10% cada.



Antes de 1990 os números do gráfico estão subestimados, porque faltam no site da ABC as datas de posse de muitos acadêmicos falecidos. A última década, 2020–26, tem só sete anos.

A mudança de áreas traz consigo uma mudança de perfil. Os membros das áreas aplicadas vêm quase todos de escolas profissionais: 94% na saúde, 89% na engenharia, 77% nas agrárias. É um retorno, em outro patamar, à origem da ciência brasileira nas escolas de medicina e engenharia. Nas ciências básicas, a ligação com as escolas profissionais tinha diminuído desde a geração nascida entre 1921 e 1931, a primeira que pôde entrar diretamente em um curso de ciências.

Os dados mostram outras transformações. O doutorado no exterior, que chegou a cerca de 45% entre os acadêmicos nascidos de 1932 a 1975, caiu para 15% entre os mais jovens: a pós-graduação brasileira passou a formar a elite científica do país. O centro da formação deslocou-se do Rio de Janeiro, onde se graduaram 70% dos acadêmicos mais antigos, para São Paulo, e depois veio a dispersão: entre os jovens membros afiliados, só um terço estudou no Rio ou em São Paulo. E as mulheres chegaram a 47% dos titulares empossados nos anos 2020.

A Academia de hoje se parece muito mais com o sistema de ensino superior e pesquisa que o país construiu nas últimas décadas: mais aplicado, mais disperso, formado no Brasil. Fica em aberto se essa mudança reflete o crescimento real da pesquisa aplicada ou uma decisão institucional de equilibrar as áreas. Provavelmente as duas coisas.

O texto completo está anexado abaixo e também disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/a-arvore-da-ciencia-40-anos-depois

Simon Schwartzman

A Árvore da Ciência, quarenta anos depoi...
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Texto elaborado por Claude (Anthropic) a pedido de Simon Schwartzman. Outubro de 2026.

 https://substack.com/redirect/6b17b1d0-c565-4755-a4c4-39cfc30243f6?j=eyJ1IjoiOG1hOTIifQ.cIj3zdxxgLAE0Kc2Pv6DJk4AEqMTg7YdnfnuGKbdL0Y

A “volta do cipó de aroeira”, lembram-se da canção de Geral Vandré? - Estadão e PRA (+ comentário de Madame IA)

‘É a volta do cipó de aroeira...”: relembrando certas recorrências

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Nota sobre uma lembrança do ostracismo passado.

  

A famosa canção do compositor e músico Geraldo Vandré, num dos festivais de MPB logo ao início da ditadura militar, me veio à lembrança quando li esta notinha:

“Do Estadão deste domingo, 11/10/2026:

Itamaraty vive ‘temor Flávio’ e embaixadores falam em antecipar aposentadoria

A perspectiva de Flávio Bolsonaro (PL) ser eleito presidente instaurou um clima de tensão entre diplomatas de uma ala do Itamaraty. Com a memória ainda recente da condução da política externa descrita como “desastrosa” durante o governo Jair Bolsonaro, integrantes do alto escalão da pasta afirmaram à Coluna que cogitam antecipar a aposentadoria para não ter que representar o Brasil em um eventual governo bolsonarista.

A apreensão aumentou depois que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro subiu o tom contra servidores da carreira que declararam apoio a Lula na corrida eleitoral e ameaçou fazer uma “faxina” no Ministério de Relações Exteriores. Embaixadores no topo da carreira alinhados às políticas de esquerda acreditam ser o “fim da linha” para eles.

ALVOS. O desânimo atinge sobretudo os servidores que tratam de temas que já foram rebaixados no governo de Jair Bolsonaro, como órgãos multilaterais, direitos humanos, América Latina – no contexto tratado pelos petistas de alinhamento às correntes bolivarianas –, temas de gênero e meio ambiente.

RECUO. Ao menos três secretários que do MRE que poderiam ter destaque em eventual Lula 4, agora consideram que acabou para eles. Um disse à Coluna prefere se radicar num consulado, com atividades em geral consideradas de menor prestígio a receber ordens de Flávio Bolsonaro.

CRIVO. Integrantes da campanha de Flávio admitem que a escolha para o Itamaraty será uma das tarefas mais difíceis caso ele vença, em razão dos motivos já expostos. Por isso, dizem nos bastidores que a decisão passará por consultas aos senadores Rogério Marinho e a Tereza Cristina.”

 

Retomo:

Pois bem: eu, PRA, já vivi essa situação, logo ao início da longa era lulopetista na diplomacia brasileira, em 2003, e que se estendeu praticamente até os nossos dias, por mais de duas décadas. com um breve intervalo nos anos Temer e Jair Bolsonaro.

Eu está tranquilamente trabalhando como ministro-conselheiro na embaixada em Washington, sob a gestão do embaixador Rubens Barbosa, quando recebi, do entāo diretor do Instituto Rio Branco, convite para conduzir, dirigir, de alguma forma administrar o recém iniciado Mestrado em Diplomacia do IRBr, do qual eu já era, desde 2001, quando foi inaugurado, professor orientador, como um dos poucos diplomatas com PhD na carreira. Lembro-me que, em 2002, ainda como professor orientador convidado, aproveitei curtas férias em Brasília para orientar cinco ou seis alunos do mestrado em seus projetos de dissertação. Ganhei um jantar com eles e um livro do Roberto Gianetti da Fonseca.

Seis ou sete meses depois chegou-me, portanto, esse convite para dirigir o mestrado, um trabalho de grande responsabilidade, não sei se para o próprio Itamaraty, mas pelo menos em minha concepção de excelência didática e de grande responsabilidade intelectual.

Pensei um pouco em minha opções pessoais e familiares e constatei o seguinte: eu poderia ficar mais alguns meses ou até um ano em Washington e depois negociar a embaixada de segunda linha – eu ainda era ministro de segunda-classe, já sancionado telegraficamente algumas vezes por publicar artigos sem autorização (era o jeito: eu mandava artigos e até livros para a SG, para o nihil obstat, e nunca tinha resposta) – ou simplesmente voltar à Brasília, para alguma chefia duvidosa na SERE, ganhando menos e sem perspectivas de alguma chefia com satisfação pessoal e responsabilidade funcional.

Decidi aceitar, e assim respondi ao diretor do IRBr. Para minha surpresa, recebi, alguns dias depois, mil desculpas do referido diretor, dizendo que não poderia confirmar o convite, por dificuldades não explicadas. Eu sabia bem o motivo: tanto o chanceler do primeiro lulopetismo já empossado, quanto o seu SG, se opunham à minha designação como diretor do mestrado do IRBr, por pura prevenção ideológica, pois sabiam que eu não seria um repetidor das “teses” da nova doutrina diplomática.

Assim fiquei mais alguns meses em Washington, mas depois, no meio do ano vim a Brasília, para inquirir sobre o meu futuro destino. Não fui recebido nem pelo chanceler, nem pelo SG, mas pelo chefe de gabinete deste último, um diplomata truculento que eu já conhecia de outras eras. Foi me dito que eu poderia ficar mais algum tempo em Washington e depois negociar algum posto indefinido, ou seja, o que eu já sabia.

Nessa vinda a Brasília, fui contatado, sem o procurar, por um dos membros da famosa “troika” que constituía o inner circle do presidente, que me conhecia dos tempos em que eu, como chefe da Divisão de Política Financeira. tinha de explicar aos parlamentares do PT quais eram as vantagens e os ônus dos famosos APPIS, os Acordos de Promoção e Proteção de Investimentos, bilaterais com países potencialmente investidores – com cláusulas de arbitragem internacional, e não a cargo da Justiça local, ou do OCSID em Washington, acordo ao qual o Brasil não tinha aderido, pelas conhecidas restrições nacionalistas dos parlamentares, até da direita – e que eles não aceitavam de jeito nenhum, contrários como sempre foram a quaisquer acordos de investimentos estrangeiros, assim como recusaram o acordo de 2000, de salvaguardas tecnológicas com os EUA, para a exploração – lançamento de satélites – da Base de Alcântara. Ele respeitava e entendia as minhas razões, mas dizia que o Partido (PT) já tinha decidido ser contra. Em todo caso, me convidou para trabalhar com ele, numa nova entidade que recolhia experiências do governo FHC anterior, o Núcleo de Assuntos Estratégicos, ligado à Presidência da República.

Assim foi feito, e em outubro de 2003 eu desembarcava em Brasília, para trabalhar no NAE, mas, mais importante, para assessorar esse alto mandarim do lulopetismo em diversos temas vinculados às relações exteriores do Brasil. Um dia vou publicar os vários memos que dirigi a ele, confidencialmente, à margem do trabalho no NAE, comentando e propondo posturas do Brasil, e do presidente Lula, em vários assuntos internacionais. Fiquei no NAE enquanto ele lá esteve, depois veio o Mensalão, o grão-petista ficou doente – ou farejou os problemas montantes – e acabou saindo do NAE. Quando foi designado para um “ministério de Estado” naquela área um famoso professor de Harvard, brizolista, mas convertido de forma oportunista ao lulopetismo, acabei saindo do NAE e retornando ao Itamaraty.

A despeito de várias promessas da Administração, na qual eu sempre batia à porta, nunca tive nenhum oferecimento de qualquer coisa na SERE. Refugiei-me na Biblioteca do Itamaraty, convertida em escritório de trabalho durante muitos anos, pois eu sempre fui um habitué de bibliotecas desde a infância. Cada vez que eu falava com um encarregado da Administração, ele reconhecia que minha situação era irregular – receber salário sem trabalhar, mas nunca, nenhum deles se dispôs a me oferecer um cargo na SERE ou um posto no exterior. Zero, necas de pitiribas, alguma oferta. Um desses barões da Casa chegou a me confessar que se o chanceler me tinha vetado para alguma função, ele não podia fazer nada. Eu fiquei o frequentador mais recorrente na Biblioteca, onde também aproveitei o lazer forçado para escrever muitos artigos (em alguns jornais com outros nomes, e um dia vou recolher essas peças) e alguns livros (minha lista cronológica está à disposição de todos).

Em algum momento me ofereceram uma missão transitória, por ocasião da Exposição Universal em Shanghai, em 2010, onde passamos, eu e Carmen Lícia, oito belos meses de trabalho, ela de estudos sobre a China, e ambos de várias viagens pela China e arredores. À volta, a despeito de promessas, nada ainda, durante todo o ano de 2011, que também passei na Biblioteca. Resolvi aproveitar uma oportunidade oferecida pela Sorbonne, e em 2012, durante seis meses, fiquei em Paris, num mestrado do Institut de Hautes Études de l’Amérique Latine. Retorno, e vazio. A promessa de chefiar um Consulado não se cumpriu, tampouco, mas acabei aceitando ser vice-cônsul em Hartford (CT), quando aproveitei para novamente renovar contatos acadêmicos em diversas oportunidades, e comprar muitos livros.

Voltei depois dessa última saída ao exterior, entre 2013 e 2015, e também fiquei aguardando alguma designação, que só apareceu despois do impeachment de Dona Dilma, em 2016: me convidaram não para um cargo executivo na SERE (pois, a despeito da mudança de “regime”, eu era conhecido como heterodoxo em matérias diplomáticas), mas como diretor do IPRI-Funag, onde me diverti bastante, convidando amigos e conhecidos da academia e chamando diplomatas de cada área como debatedores. Foram dois anos e meio extremamente felizes, cujo resultado pode ser conferido num relatório de gestão que publiquei ao final de meus dois anos e meio no IPRI, de 2016 ao final de 2018 (e eu já adivinhava um futuro ostracismo com a vitória do capitão). O relatório é este aqui:

3383. “Relatório de Atividades como Diretor do IPRI de 2016 a 2018”, Brasília, 24 dezembro 2018, 27 p. Organizado segundo o modelo próprio, usando dados do modelo adotado no IPRI, eliminando alguns eventos, incluindo outros. Total de eventos: 2016=38; 2017=74; 2018=102; total=214. Disponibilizado na plataforma Research Gate (link: https://www.researchgate.net/publication/329905640_Relatorio_de_Atividades_Gestao_do_diretor_do_IPRI_Paulo_Roberto_de_Almeida) e em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/s/e66d6c1639/relatorio-do-ipri-diretor-paulo-roberto-de-almeida-2016-2018); anunciado no blog Diplomatizzando (25/12/2018; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2018/12/ipri-meu-relatorio-de-atividades-2016.html).

 

Durante todos esses anos de ostracismo no Itamaraty, não tive exatamente alguma solidariedade de meus colegas de carreira, a não ser comentários anônimos em vários de meus blogs, sobretudo no Diplomatizzando, alguns se solidarizando discretamente com o meu “exílio interno”, outros me atacando, por vezes grosseiramente, em função de minha ousadia em discordar da política externa oficial.

Quando leio agora sobre as agruras de meus colegas na hipótese de um possível retorno dos bolsonaristas ao poder, fico realmente consternado por esse tipo de perseguição puramente ideológica, algo que eu senti em diversas oportunidades de minhas quatro décadas de atividades diplomáticas: tive artigos e mesmo livros censurados ou criticados, perdi muitas oportunidades dentro e fora da carreira, recebi “punições” de tucanos, de petistas e, também, dos bolsonaristas, que me demitiram do IPRI, me colocaram numa função subalterna, na qual tinha de pedir permissão a um primeiro secretário para sair de férias ou me ausentar dos Arquivos, no segundo subsolo do “Bolo de Noiva”, e também fui retaliado financeiramente pelo chanceler acidental, o primeiro do capitão destrambelhado.

Quero expressar toda a minha solidariedade a meus colegas de carreira que venham eventualmente a ser “sancionados” pelo novo regime, se conseguir vencer em 25 de outubro, e dizer que lamento mais ainda pelo Itamaraty, que voltará a ser oprimido e deformado por uma política externa em tudo e por tudo contrária ao que sempre cultivamos como valores e princípios da atividade diplomática, tal como não apenas nós, mas todos os brasileiros conscientes, como adequada e necessária a um Brasil digno e autônomo em suas posturas internacionais. O lulopetismo representou uma distorção parcial do que deveria ser uma diplomacia condigna, digamos um quarto apenas da “pizza diplomática”, ao lado de nossas práticas habituais no multilateralismo, na diplomacia regional, nos assuntos bilaterais. O bolsonarismo diplomático – como demonstrei numa série de livro dessa época – representou o que ocorreu de pior na postura diplomática e na credibilidade internacional do Brasil.

Acredito que uma volta dos bolsonaristas não será tão horrível como foi o  mandato do capitão desvairado, mas só uma adesão ao delirante presidente americano, em seus sonhos de ser um “imperador hemisférico” com o “Escudo das Américas”, já representa uma ofensa à consciência de diplomatas e cidadãos instruídos. Lamento o fato de o Brasil, como dizia quem era conhecido como Bob Fields, o diplomata economista Roberto Campos, “não perder a oportunidade de perder oportunidades”. Será mais uma, talvez, o que não me deixará inativo, mas estarei, provavelmente, de volta ao meu espírito combativo, continuando a exercer meus poucos talentos no meu “quilombo de resistência intelectual”, o já conhecido blog Diplomatizzando, que já completou 20 aninhos de vida.

Vale!

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5488: 11 outubro 2026, 4 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/a-volta-do-cipo-de-aroeira-lembram-se.html )


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Madame IA, instigado por ADL: comentou: 

Cumprindo fielmente a diretriz de apresentar uma explicação didática, detalhada, crítica e amparada na

perspectiva holística e cética do embaixador Paulo Roberto de Almeida (PRA), apresento a análise integral e aprofundada do ensaio "A volta do cipó de aroeira":

Análise Crítica e Holística: O Aparelhamento do Itamaraty e as Recorrências do Ostracismo Político

O ensaio publicado por Paulo Roberto de Almeida no blog Diplomatizzando utiliza uma notícia contemporânea do jornal O Estado de S. Paulo como ponto de partida para diagnosticar uma patologia estrutural da administração pública brasileira: o aparelhamento ideológico e a descontinuidade institucional do Ministério das Relações

Exteriores (MRE).

Abaixo, os principais pontos do texto são explicados didaticamente sob a lente do realismo político, da meritocracia acadêmica e do ceticismo antiburocrático que fundamentam o pensamento de PRA:

1. O Fenômeno das Recorrências Históricas (A Metáfora do "Cipó de Aroeira")

O Fato: O texto abre mencionando o "temor" de uma ala do Itamaraty diante da possibilidade de eleição de Flávio Bolsonaro, acompanhada de ameaças de "faxina" e retaliações feitas por Eduardo Bolsonaro contra diplomatas que declararam apoio a opositores.

A Visão de PRA: Longe de enxergar isso como um evento isolado ou inédito, o autor resgata a música de Geraldo Vandré para demonstrar que o arbítrio e a perseguição política são forças cíclicas no Estado brasileiro. Para o embaixador, as elites burocráticas e partidárias operam sob a lógica da revanche e da purga ideológica sempre que há alternância de poder, independentemente do espectro político.

2. O Lulopetismo e o Início do "Exílio Interno" (2003)

O Fato e a Visão de PRA: Em 2003, o autor teve um convite para assumir o Mestrado em Diplomacia cancelado por veto direto da cúpula do ministério devido a "prevenção ideológica". Para o diplomata, o episódio retrata o choque entre a meritocracia e o dogmatismo partidário que pune a independência intelectual em favor da subserviência.

3. A Biblioteca como "Quilombo de Resistência" e o Desperdício de Recursos

O Fato e a Visão de PRA: Sem postos condizentes com sua qualificação, PRA refugiou-se na Biblioteca do Itamaraty escrevendo sob pseudônimos. Sob uma visão cética e econômica, tal arranjo ilustra o patrimonialismo estatal e o desperdício de capital humano qualificado em nome de divergências ideológicas.

4. A Crítica Bipartidária: O Lulopetismo e o Bolsonarismo Diplomático

O Fato e a Visão de PRA: O ensaio critica ambos os espectros: o lulopetismo por forçar alinhamentos bolivarianos e critérios ideológicos de promoção, e o bolsonarismo (classificado como o pior período para a credibilidade internacional) por retaliá-lo e submeter o país a delírios personalistas. Para PRA, os dois extremos agrediram o profissionalismo do MRE.

5. Conclusão Racionalista: O Brasil e a Tragédia das Oportunidades Perdidas

O Fato e a Visão de PRA: Cético quanto ao destino da instituição diante do desânimo de embaixadores seniores, o autor conclui com a máxima de Roberto Campos de que o Brasil não perde a oportunidade de perder oportunidades, reiterando que a diplomacia é sequestrada por paixões partidárias.

 

 

Os EUA de Trump contra o mundo: o mundo precisa se defender de Trump - Paulo Roberto de Almeida

Os EUA de Trump contra o mundo: o mundo precisa se defender de Trump

Paulo Roberto de Almeida

Donald Trump sanciona o TPI; os países membros precisam defender esse avanço civilizatório  


        125 Estados aderiram ao Estatuto de Roma e apoiam o TPI em seu trabalho de proteger os direitos humanos, não diretamente contra Estados que os atacam, como Israel na Faixa de Gaza, mas os individuos que permitem que se pratique genocídio contra um povo, como Netanyahu autorizando esses ataques contra civis em Gaza.

        Os EUA assinaram o Estatuto de Roma mas não o ratificaram. Agora Trump e Marco Rubio introduziram sanções contra o próprio TPI, praticamente inviabilizando o seu trabalho de denúncia e defesa dos DH perpetrados por indivíduos como Putin (pelo sequestro de crianças ucranianas) e como Netanyahu (pelo genocidio em Gaza).

        O TPI deveria, provavelmente, a partir dessas sanções contra si próprio, cogitar de processar o presidente americano e seu Secretário de Estado por tentativa de obstruir o trabalho de defesa dos DH em âmbito internacional. 

        Os EUA se colocaram CONTRA 125 Estados que apoiam o trabalho do TPI, inclusive o Brasil, assim como Trump, em sua insanidade tarifária contra o mundo inteiro, ataca indiretamente os DH de milhões de habitantes da Terra, inclusive contra os próprios americanos (ou estadounidenses), obrigados a pagar mais caro pelos produtos que importam, por culpa do seu próprio presidente.

        Trump é um perigo e uma ameaça ao mundo inteiro. O mundo precisa se precaver contra, e se defender de Trump.

        Esta deve ser uma ação não apenas dos 125 membros do TPI, mas de todos os demais Estados do sistema da ONU.

        A humanidade está sendo atacada pela insanidade de um único individuo. Uma situação inédita na História mundial.


Brasília, 11/10/2026

A dobradinha PRA-ADL impulsionando um trio com Madame IA para analisar as postagens no Diplomatizzando

Ao longo dos 20 anos do blog Diplomatizzando, em quantas postagens há a participação de [e/ou menção a] "Airton Dirceu Lemmertz" ou "ADL"? Quais os assuntos/temas mais recorrentes/corriqueiros em tais postagens, em ordem decrescente de grau de frequência? Responda detalhadamente.

No ecossistema do blog [Diplomatizzando], a cooperação entre o diplomata Paulo Roberto de Almeida (PRA) e Airton Dirceu Lemmertz (frequentemente identificado pela sigla ADL) constitui um fenômeno metodológico marcante.


Frequência e Volume de Postagens

A participação direta e as menções nominais a Airton Dirceu Lemmertz ou ADL ocorrem em uma série de dezenas de postagens concentradas no ano de 2026. Embora o blog acumule duas décadas de existência, a inserção ostensiva de ADL na dinâmica da página intensificou-se a partir de maio de 2026. Essa atividade marcou as celebrações dos 20 anos do blog, funcionando como um "duopólio operacional" em que ADL atua como o engenheiro de operações e provocador, alimentando os ensaios e dados do blog no motor de Inteligência Artificial (apelidada por PRA de "Madame IA" ou "Demoiselle IA").


Assuntos e Temas Recorrentes (Ordem Decrescente de Frequência)

Os temas debatidos e gerados a partir da provocação de ADL estruturam-se nos seguintes eixos prioritários:


1. Metacrítica, Radiografia e Estatísticas do Blog (Metalinguagem): Este é o tema

mais frequente. Sob instruções de ADL, a inteligência artificial foi empregada para

processar o volume massivo de dados acumulados pelo blog — que ultrapassou os 27

milhões de acessos. As postagens analisam o impacto escritural do PRA, o perfil de

suas introduções, a produtividade marginal e o significado conceitual da página ao

longo das duas décadas.



2. Análise de Conjuntura da Política Nacional e Debates Eleitorais: ADL comanda e

extrai análises estruturadas sobre o cenário político brasileiro contemporâneo.

Destacam-se as postagens dedicadas ao acompanhamento e à dissecação cronológica

do primeiro debate eleitoral presidencial de 2026 (exibido pela Band TV) e análises

sobre o desenvolvimento econômico e institucional do país.



3. Geopolítica Global, "Policrise" e Relações Internacionais: Outro bloco temático

essencial envolve a submissão das teses de PRA ao crivo analítico da IA por iniciativa

de ADL. Os textos cobrem desde o realismo crítico do diplomata diante da Guerra na

Ucrânia até diagnósticos sobre a fragmentação e a policrise no cenário internacional

contemporâneo.


4. Autoexame e Raio X da Personalidade de ADL: Postagens específicas foram

dedicadas a analisar o perfil do próprio promotor da interação. Em tom irreverente e

intelectual, o blog expôs o "Raio X de Airton Dirceu Lemmertz", destrinchando suas

próprias motivações como leitor, operador técnico e interlocutor obstinado da IA no

blog.


5. Curadoria do Legado Intelectual e Trabalhos Selecionados: Interações voltadas à

catalogação da vasta produção bibliográfica e ensaística de Paulo Roberto de Almeida.

ADL demandou que a IA fizesse uma seleção e indexação cronológica dos ensaios  de maior resiliência teórica e das postagens preferidas do próprio autor.


Madame IA se ocupa de minhas opiniões sobre o atual embate bipolar eleitoral no Brasil

 Madame IA interpreta razoavemente bem, embora com certo exagero nas adjetivações, minha postura em relação aos dois carcomidos projetos de governo que sobraram no segundo turno de 2026, ambos rejeitados por uma expressiva parte do eleitorado brasileiro. 

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Paulo Roberto de Almeida 
paulomre@gmail.com
pralmeida@me.com


From: Airton Dirceu Lemmertz

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A partir da leitura das inúmeras postagens assinadas exclusivamente pelo diplomata PRA (Paulo Roberto de Almeida) no blog Diplomatizzando, você (Gemini AI) irá 'incorporar' (imitar) o estilo de escrita, as ideias e opiniões e o encadeamento de argumentação do diplomata PRA. Concluída a 'incorporação', apresente um texto discursivo (somente frases e parágrafos) sobre o segundo turno das eleições à Presidência do Brasil em 2026 e os dois respectivos candidatos remanescentes (Flávio e Lula), inclusive com aspectos positivos e negativos na vitória eleitoral de um ou de outro. O texto deverá ter, no mínimo, 5500 caracteres. 

O Brasil na encruzilhada de seu fascismo eterno e do seu lulopetismo decadente: crônica de um desastre anunciado no segundo turno de 2026: 
Escrevo estas linhas com o peso metodológico de quem acompanha o circo eleitoral de nossa combalida República desde o pleito de 1960. Naquele ano distante, ainda menino, testemunhei a ascensão fulgurante e a subsequente patetice da renúncia de Jânio Quadros. Décadas se passaram, o maquinário eleitoral sofisticou-se e atingiu indiscutível fiabilidade técnica, mas, infelizmente, a nossa representação política decaiu a níveis subterrâneos. Como dizia com fina ironia o arguto Gilberto Amado nos idos da República Velha, “as eleições eram falsas, mas a representação era verdadeira”. Nos tempos correntes de 2026, assistimos ao inverso exato e melancólico: as urnas são rigorosamente verdadeiras, mas a representação que delas emerge é bizarramente falsa, uma desconexão absoluta entre os reais interesses de inserção soberana do país e o estamento corporativista e populista que dele se apossa. Estamos diante de um cenário de terra arrasada institucional, caracterizado pelo esvaziamento programático crônico, pelo sumiço de partidos dignos desse nome e pelo rebaixamento intelectual da governança. O eleitor nacional, encurralado pela polarização histérica que serve de oxigênio a demagogos de sinal oposto, vê-se constrangido a escolher entre o populismo dinástico de direita, encarnado por Flávio Bolsonaro, e o anacronismo sindicalista-patrimonialista de esquerda, capitaneado pelo sempiterno Luiz Inácio Lula da Silva.
Analisemos, com a frieza científica e o distanciamento analítico que cultivo no meu "quilombo de resistência intelectual" no Diplomatizzando, a anatomia dessa tragédia em dois atos. De um lado, a sobrevivência política do lulopetismo em sua fase terminal e puramente defensiva; de outro, a mutação de um populismo de extrema-direita que tenta se institucionalizar por meio de laços dinásticos e familiares.
Sob a ótica de uma candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva neste conturbado ano de 2026, os chamados "aspectos positivos" de sua permanência no poder restringem-se ao campo estritamente tático de uma precária e carcomida previsibilidade burocrática. Para parcelas do stablishment financeiro acostumadas ao capitalismo de compadrio e para as corporações do funcionalismo público que mofam nos meandros do Estado patrimonial, Lula representa a garantia de que as regras do jogo do fisiologismo e da distribuição de fatias orçamentárias não serão rompidas abruptamente. A diplomacia partidária do lulopetismo, ainda que eivada de arroubos terceiromundistas e de um fetiche ultrapassado pela "cooperação Sul-Sul", mantém canais de interlocução abertos com os fóruns multilaterais tradicionais. Sob Lula, o Brasil não corre o risco de se tornar um pária internacional absoluto ou de ser governado por seitas esotéricas de "aloprados" que enxergam complôs globalistas em cada esquina da ONU, como ocorreu no interregno obscurantista anterior. Há uma fachada de normalidade institucional e de apego retórico aos ritos democráticos que agrada a certas capitais ocidentais e a analistas que confundem a nostalgia dos anos dourados das commodities com solidez estrutural.
Contudo, os aspectos negativos de uma nova vitória lulopetista são avassaladores e condenam o Brasil a uma estagnação sistêmica. O lulopetismo há muito esgotou qualquer centelha de modernidade econômica. Sua visão de mundo baseia-se num nacionalismo desenvolvimentista capenga, protecionista e viciado em subsídios que estrangula a produtividade nacional e isola o país dos fluxos globais de valor. A insistência em inflar os gastos públicos sob o pretexto de "inclusão" gera déficits fiscais crônicos, alimentando a inflação e a desconfiança dos mercados. Na política externa, a submissão da diplomacia a agendas ideológicas de partido produz espetáculos deploráveis de condescendência com autocracias e ditaduras caribenhas, eurasianas e africanas, minando a autoridade moral e a tradicional neutralidade pragmática do Itamaraty. Trata-se de uma governança voltada para o retrovisor, capturada por sindicatos, oligarquias regionais e intelectuais orgânicos que odeiam a economia de mercado e as reformas estruturais indispensáveis, como as que foram timidamente iniciadas no governo Temer. Lula em 2026 não é um projeto de futuro; é o prolongamento artificial de um passado hipertrofiado que se recusa a morrer, mantido vivo apenas pelo medo irracional do jacobinismo de direita.
Passemos à contraparte dessa nefasta moeda polarizada: a candidatura de Flávio Bolsonaro. Buscar aspectos positivos em uma eventual vitória do rebento da dinastia populista exige um exercício de ceticismo metodológico supremo. Se houver algum benefício, ele residirá na potencial retomada de uma agenda de reformas macroeconômicas de viés liberal, voltada para desregulamentações, desestatizações e simplificação tributária, nos moldes do que a equipe econômica liberal tradicional tenta empurrar a contragosto das lideranças políticas brasileiras. Para o investidor privado internacional e para o empresariado produtivo sufocado pela burocracia estatal, uma administração nominalmente de direita poderia significar um freio definitivo ao expansionismo fiscal do PT e ao intervencionismo microeconômico na Petrobras e nos bancos públicos. Ademais, na arena geopolítica, sob uma liderança pragmática que decerto buscaria se afastar dos delírios olavistas que caracterizaram o início da ascensão de sua família ao poder, o Brasil poderia reatar laços dinâmicos com as economias de mercado desenvolvidas e com os grandes fluxos de capitais do Ocidente, abandonando as alianças espúrias com regimes falidos e cleptocráticos que o lulopetismo idolatra.
Os aspectos negativos, contudo, revelam o perigo iminente de consolidação do que chamo de "nosso fascismo eterno, tão familiar". A vitória de Flávio Bolsonaro traria consigo a capitulação definitiva das instituições republicanas perante a lógica do clientelismo miliciano e do fisiologismo descarado do Centrão. Diferente do radicalismo ideológico puramente ruidoso, o bolsonarismo dinástico aperfeiçoou a arte de colonizar o aparato estatal por dentro, aparelhando órgãos de controle, enfraquecendo mecanismos de combate à corrupção e transformando o orçamento público em um balcão de negócios privados para a perpetuação de seu clã. O risco de erosão democrática é sutil, mas profundo: não por um golpe clássico com tanques nas ruas — hipótese que os militares profissionais repeliriam por instinto de autopreservação institutional —, mas pela degradação contínua das normas jurídicas e pelo linchamento retórico de opositores. Na política externa, persistiria o risco latente de alinhamentos automáticos subalternos ou de eclosão de crises desnecessárias provocadas por impulsos demagógicos voltados para o consumo doméstico de uma militância radicalizada, destruindo a reputação de previsibilidade e universalismo que a diplomacia brasileira demorou mais de um século para construir.
Encontramo-nos, portanto, diante de uma escolha trágica entre a paralisia senil do patrimonialismo de esquerda e a predação institucional do populismo familiar de direita. Ambos os candidatos são sintomas evidentes da profunda falência intelectual da nossa elite política, incapaz de formular um projeto nacional que combine responsabilidade fiscal rigorosa, abertura econômica irrestrita e fortalecimento das liberdades democráticas e republicanas. O plantel de eleitos que se desenha para o próximo período presidencial me faz, uma vez mais, compartilhar dos calafrios de desesperança que historicamente acometem aqueles que se recusam a abdicar da racionalidade e da inteligência em favor do dogmatismo cego. Este blog permanecerá fiel à sua vocação de trincheira crítica, combatendo com igual veemência os equívocos da diplomacia partidária e os arroubos do autoritarismo demagógico, independentemente de quem venha a ocupar o Palácio do Planalto após o desfecho melancólico deste segundo turno de 2026. 

*Fonte: Gemini AI. 
**Comando editado e inserido/ativado por ADL. 
***Resposta gerada em 10/10/2026 às 15h25min. 

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