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Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
1924) Avioes militares: nada como ser rico...
É samba, é ginga, é dinheiro que voa
Coluna Carlos Brickmann, 7 de fevereiro de 2010
É Brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro. Fale de nós quem quiser falar, mas com os Rafale o ministro Jobim e o presidente Lula estão pertinho do céu.
Comprando os caças supersônicos franceses, os mais caros que participaram de nossa concorrência internacional, o Brasil mostrou uma série de virtudes:
1 - É soberano. Escolheu sozinho. Os Rafale são caros mas são nossos. E só nossos: nenhum outro país quis comprá-lo da França.
2 - Está com a economia em ordem. Países menos afortunados, como a Índia, anunciam ter recebido ofertas do Rafale por bem menos do que o Brasil pagou, e até agora o recusaram, por achá-lo caro. Aqui não se faz economia de tostões.
3 - O Brasil faz sua parte na luta contra a crise internacional. A fabricante do Rafale, que andou tendo problemas, agora respira tranquila. Além disso, o Brasil salvou alguns milhares de empregos na França, nossa aliada.
4 - O Brasil, caso raro entre os países latino-americanos, demonstra o predomínio dos civis sobre os militares. Não deu a menor bola para o relatório da Aeronáutica sobre a concorrência, que colocou o Rafale em terceiro lugar e o sueco Grippen em primeiro; militar, aqui, obedece às ordens do ministro civil, mesmo que o ministro adore vestir uma farda camuflada tamanho GG - XL, certamente fabricada sob medida, para acomodar tanta musculatura.
E, se o Brasil comprou da França um porta-aviões que, em dez anos de operação, passou quatro no estaleiro, por que iria reclamar dos supersônicos?
Brickmann & Associados Comunicação - B&A - 05/02/2010
Coluna Carlos Brickmann, 7 de fevereiro de 2010
É Brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro. Fale de nós quem quiser falar, mas com os Rafale o ministro Jobim e o presidente Lula estão pertinho do céu.
Comprando os caças supersônicos franceses, os mais caros que participaram de nossa concorrência internacional, o Brasil mostrou uma série de virtudes:
1 - É soberano. Escolheu sozinho. Os Rafale são caros mas são nossos. E só nossos: nenhum outro país quis comprá-lo da França.
2 - Está com a economia em ordem. Países menos afortunados, como a Índia, anunciam ter recebido ofertas do Rafale por bem menos do que o Brasil pagou, e até agora o recusaram, por achá-lo caro. Aqui não se faz economia de tostões.
3 - O Brasil faz sua parte na luta contra a crise internacional. A fabricante do Rafale, que andou tendo problemas, agora respira tranquila. Além disso, o Brasil salvou alguns milhares de empregos na França, nossa aliada.
4 - O Brasil, caso raro entre os países latino-americanos, demonstra o predomínio dos civis sobre os militares. Não deu a menor bola para o relatório da Aeronáutica sobre a concorrência, que colocou o Rafale em terceiro lugar e o sueco Grippen em primeiro; militar, aqui, obedece às ordens do ministro civil, mesmo que o ministro adore vestir uma farda camuflada tamanho GG - XL, certamente fabricada sob medida, para acomodar tanta musculatura.
E, se o Brasil comprou da França um porta-aviões que, em dez anos de operação, passou quatro no estaleiro, por que iria reclamar dos supersônicos?
Brickmann & Associados Comunicação - B&A - 05/02/2010
1923) China: economia neoclassica ou neoliberal
Alguns ingênuos, sobretudo da academia brasileira, acreditam que o sucesso econômico da China se deve a políticas econômicas ainda intervencionistas ou dirigistas, não à sua adesão ao capitalismo de mercado, de pura concorrência, ou seja, de sua vertente neoliberal, como acredito que seja.
Pois bem, quem está dizendo que a direção do PCC segue a linha da economia de mercado, com ênfase na doutrina neoclássica, é simplesmente o Decano adjunto da Escola Nacional de Desenvolvimento e diretor do Centro Chinês para a Pesquisa Econômica da Universidade de Pequim, portanto, uma voz abalizada para ostentar tais tipos de argumentos.
Vejam seu artigo abaixo.
The End of the Beijing Consensus
Yang Yao
YANG YAO is Deputy Dean of the National School of Development and the Director of the China Center for Economic Research at Peking University.
Foreign Affairs, January/February 2010, Volume 1, Number 89, February 2, 2010
Can China's Model of Authoritarian Growth Survive?
Since China began undertaking economic reforms in 1978, its economy has grown at a rate of nearly ten percent a year, and its per-capita GDP is now twelve times greater than it was three decades ago. Many analysts attribute the country's economic success to its unconventional approach to economic policy -- a combination of mixed ownership, basic property rights, and heavy government intervention. Time magazine's former foreign editor, Joshua Cooper Ramo, has even given it a name: the Beijing consensus.
But, in fact, over the last 30 years, the Chinese economy has moved unmistakably toward the market doctrines of neoclassical economics, with an emphasis on prudent fiscal policy, economic openness, privatization, market liberalization, and the protection of private property. Beijing has been extremely cautious in maintaining a balanced budget and keeping inflation down. Purely redistributive programs have been kept to a minimum, and central government transfers have been primarily limited to infrastructure spending. The overall tax burden (measured by the ratio of tax revenue to GDP) is in the range of 20 to 25 percent. The country is the world's second-largest recipient of foreign direct investment, and domestically, more than 80 percent of its state-owned enterprises have been released to private hands or transformed into publicly listed companies. Since the Chinese Communist Party (CCP) lacks legitimacy in the classic democratic sense, it has been forced to seek performance-based legitimacy instead, by continuously improving the living standards of Chinese citizens. So far, this strategy has succeeded, but there are signs that it will not last because of the growing income inequality and the internal and external imbalances it has created.
Ler o texto completo neste link.
Pois bem, quem está dizendo que a direção do PCC segue a linha da economia de mercado, com ênfase na doutrina neoclássica, é simplesmente o Decano adjunto da Escola Nacional de Desenvolvimento e diretor do Centro Chinês para a Pesquisa Econômica da Universidade de Pequim, portanto, uma voz abalizada para ostentar tais tipos de argumentos.
Vejam seu artigo abaixo.
The End of the Beijing Consensus
Yang Yao
YANG YAO is Deputy Dean of the National School of Development and the Director of the China Center for Economic Research at Peking University.
Foreign Affairs, January/February 2010, Volume 1, Number 89, February 2, 2010
Can China's Model of Authoritarian Growth Survive?
Since China began undertaking economic reforms in 1978, its economy has grown at a rate of nearly ten percent a year, and its per-capita GDP is now twelve times greater than it was three decades ago. Many analysts attribute the country's economic success to its unconventional approach to economic policy -- a combination of mixed ownership, basic property rights, and heavy government intervention. Time magazine's former foreign editor, Joshua Cooper Ramo, has even given it a name: the Beijing consensus.
But, in fact, over the last 30 years, the Chinese economy has moved unmistakably toward the market doctrines of neoclassical economics, with an emphasis on prudent fiscal policy, economic openness, privatization, market liberalization, and the protection of private property. Beijing has been extremely cautious in maintaining a balanced budget and keeping inflation down. Purely redistributive programs have been kept to a minimum, and central government transfers have been primarily limited to infrastructure spending. The overall tax burden (measured by the ratio of tax revenue to GDP) is in the range of 20 to 25 percent. The country is the world's second-largest recipient of foreign direct investment, and domestically, more than 80 percent of its state-owned enterprises have been released to private hands or transformed into publicly listed companies. Since the Chinese Communist Party (CCP) lacks legitimacy in the classic democratic sense, it has been forced to seek performance-based legitimacy instead, by continuously improving the living standards of Chinese citizens. So far, this strategy has succeeded, but there are signs that it will not last because of the growing income inequality and the internal and external imbalances it has created.
Ler o texto completo neste link.
1922) Diplomacia da generosidade - gas da Bolivia
'Brasil compra gás para ajudar Bolívia'
O Estado de S. Paulo - 04/02/2010
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil continuará importando gás da Bolívia mesmo após atingir a autossuficiência na produção do combustível. A afirmação foi feita em cerimônia de inauguração do maior gasoduto brasileiro em capacidade, investimento, de R$ 2,54 bilhões, que vai garantir a chegada de até 40 milhões de metros cúbicos por dia aos principais mercados consumidores.
Segundo ele, o contrato com a Bolívia é uma forma de "ajudar" o país vizinho. "Eu acho que, dentro de algum tempo mais, a gente vai poder bater no peito e dizer: "Nós temos gás suficiente". E vamos continuar comprando da Bolívia, porque nós temos que ajudar a Bolívia, que é um país pobre. O papel de uma nação do tamanho do Brasil é ajudar os países menores do lado dele", disse o presidente.
"Temos boas relações com a Bolívia, nunca tivemos problemas para importar e não acreditamos no risco de um corte", acrescentou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista após o evento.
O Brasil tem contrato para importar 30 milhões de metros cúbicos por dia da Bolívia até 2019. Embora haja excesso de oferta de gás no País, Lula voltou a afirmar que a prioridade para o uso do combustível está na geração de energia elétrica.
"É importante saber disso. Quem tiver fábrica, carro ou piscina a gás tem de saber que, se tiver uma crise energética, a primeira coisa que nós vamos utilizar para levar energia para as casas das pessoas é o gás'', destacou o presidente.
O gasoduto inaugurado pelo presidente, Cabiúnas-Reduc III (Gasduc III), começará a operar com algo em torno de 15 milhões de metros cúbicos por dia, por causa da demanda, que está abaixo da capacidade total.
A partir de março, quando está prevista a inauguração do Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene), este duto permitirá levar o gás produzido na Região Sudeste ? e futuramente do pré-sal ? para abastecer o mercado nordestino, hoje deficitário e dependente do Gás Natural Liquefeito (GNL) importado.
=========
Comentário PRA:
Mesmo a generosidade, quando bem intencionada, e não apenas por falsa mangnanimidade, demagogia ou desejo de parecer benevolente (unilateralmente), não dispensaria algum cálculo de custo-benefício, apenas para que o Estado, e também a cidadania, possam fazer uma estimativa de quais são as melhores opções para se ajudar a Bolívia.
Pode-se, hipoteticamente, pensar, por exemplo, que seria melhor para a Bolívia deixá-la exportar o gás agora excedentário para terceiros países e passar a estabelecer outras relações de comércio com o país vizinho.
"Monopolizar" o gás boliviano apenas porque ela aparenta ser um país pobre (o que já constitui uma ofensa em si, no dizer) pode não ser a melhor coisa para ela ou para o Brasil.
Pessoas no governo deveriam fazer um simples cálculo de custo-oportunidade, para o Brasil e para a Bolívia. Apenas porque o presidente não sabe, ou não pensa nisso, não é motivo para uma assessoria competente, em primeiro lugar no MME, recomendar-lhe o que seja melhor para o Brasil e para a Bolívia.
==============
Addendum em 5.02.2010:
Bolívia reage à fala de Lula sobre gás
Jornal do Brasil, 5/02/2010
O governo boliviano reagiu negativamente às declarações do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que disse que o Brasil não deixará de importar gás natural da Bolívia por uma questão de "solidariedade".
O ministro da Presidência da Bolívia, Oscar Coca Antezana, enfatizou ontem que as negociações do hidrocarboneto com o Brasil estão sujeitas a um compromisso contratual, que "deve ser respeitado acima de outras disposições".
– Há contratos e nós trabalhamos com contratos.
Fez-se um duto que custou mais de US$ 2 bilhões porque havia um convênio e este tem que ser cumprido. Aqui não há sentimentos nem paixões – afirmou Coca Antezana.
Na quarta-feira, Lula discursou, durante a inauguração de um gasoduto no Rio, que o Brasil tem cada vez menos necessidade do produto importado da Bolívia, mas que continuaria importando o gás porque “o papel de uma nação como o Brasil é ajudar países menores”.
Coca Antezana rebateu as palavras de Lula explicando que “não é correto nem próprio” falar desta maneira “quando há um contrato no meio”.
– Definitivamente, o Brasil está cumprindo um acordo que foi assinado anteriormente.
O não cumprimento vai implicar-lhes sanções – advertiu o ministro.
A Bolívia exporta para o Brasil entre 19 milhões e 27 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A quantidade varia segundo a demanda e o preço. Atualmente, com os índices de consumo de energia alcançando cifras recordes no Brasil, cerca de 40% do gás natural utilizado no país é boliviano.
Coca Antezana afirmou que discurso do presidente “não é correto.”
=============
Novo comentário PRA:
O ministro boliviano tem razão, especialmente quando disse: "Há contratos e nós trabalhamos com contratos."
Pena que o governo boliviano rasgou um tratado bilateral e contratos com a Petrobras para invadir e tomar uma propriedade que não era dele, ou seja, o governo boliviano agiu ilegalmente, traiçoeiramente e em total contradiçnao com práticas diplomáticas normais, e na ausência de qualquer reação digna por parte do governo brasileiro.
O que seria de se esperar, era um aviso da Bolívia que pretendia rever o tratado e os contratos, passar nota ao governo brasileiro propondo negociações e aguardar as conversações. Não, atuaram de modo totalmente desrespeitoso.
O que o governo brasileiro deveria fazer, quando o Brasil estiver totalmente abastecido de gás nacional, seria propor ao governo boliviano rever os contratos, apenas isso. Acredito que a Bolívia se sentiria, e se sairia, melhor, tendo liberdade para vender mais caro (se puder) o gás excedentário de que dispõe e do qual o Brasil não venha mais a necessitar. Afinal de contas tem o valor do transporte. Se a eliminação deste se coadunar com a amortização do gasoduto, creio que se pode considerar a mudança nos contratos.
O Estado de S. Paulo - 04/02/2010
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil continuará importando gás da Bolívia mesmo após atingir a autossuficiência na produção do combustível. A afirmação foi feita em cerimônia de inauguração do maior gasoduto brasileiro em capacidade, investimento, de R$ 2,54 bilhões, que vai garantir a chegada de até 40 milhões de metros cúbicos por dia aos principais mercados consumidores.
Segundo ele, o contrato com a Bolívia é uma forma de "ajudar" o país vizinho. "Eu acho que, dentro de algum tempo mais, a gente vai poder bater no peito e dizer: "Nós temos gás suficiente". E vamos continuar comprando da Bolívia, porque nós temos que ajudar a Bolívia, que é um país pobre. O papel de uma nação do tamanho do Brasil é ajudar os países menores do lado dele", disse o presidente.
"Temos boas relações com a Bolívia, nunca tivemos problemas para importar e não acreditamos no risco de um corte", acrescentou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista após o evento.
O Brasil tem contrato para importar 30 milhões de metros cúbicos por dia da Bolívia até 2019. Embora haja excesso de oferta de gás no País, Lula voltou a afirmar que a prioridade para o uso do combustível está na geração de energia elétrica.
"É importante saber disso. Quem tiver fábrica, carro ou piscina a gás tem de saber que, se tiver uma crise energética, a primeira coisa que nós vamos utilizar para levar energia para as casas das pessoas é o gás'', destacou o presidente.
O gasoduto inaugurado pelo presidente, Cabiúnas-Reduc III (Gasduc III), começará a operar com algo em torno de 15 milhões de metros cúbicos por dia, por causa da demanda, que está abaixo da capacidade total.
A partir de março, quando está prevista a inauguração do Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene), este duto permitirá levar o gás produzido na Região Sudeste ? e futuramente do pré-sal ? para abastecer o mercado nordestino, hoje deficitário e dependente do Gás Natural Liquefeito (GNL) importado.
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Comentário PRA:
Mesmo a generosidade, quando bem intencionada, e não apenas por falsa mangnanimidade, demagogia ou desejo de parecer benevolente (unilateralmente), não dispensaria algum cálculo de custo-benefício, apenas para que o Estado, e também a cidadania, possam fazer uma estimativa de quais são as melhores opções para se ajudar a Bolívia.
Pode-se, hipoteticamente, pensar, por exemplo, que seria melhor para a Bolívia deixá-la exportar o gás agora excedentário para terceiros países e passar a estabelecer outras relações de comércio com o país vizinho.
"Monopolizar" o gás boliviano apenas porque ela aparenta ser um país pobre (o que já constitui uma ofensa em si, no dizer) pode não ser a melhor coisa para ela ou para o Brasil.
Pessoas no governo deveriam fazer um simples cálculo de custo-oportunidade, para o Brasil e para a Bolívia. Apenas porque o presidente não sabe, ou não pensa nisso, não é motivo para uma assessoria competente, em primeiro lugar no MME, recomendar-lhe o que seja melhor para o Brasil e para a Bolívia.
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Addendum em 5.02.2010:
Bolívia reage à fala de Lula sobre gás
Jornal do Brasil, 5/02/2010
O governo boliviano reagiu negativamente às declarações do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que disse que o Brasil não deixará de importar gás natural da Bolívia por uma questão de "solidariedade".
O ministro da Presidência da Bolívia, Oscar Coca Antezana, enfatizou ontem que as negociações do hidrocarboneto com o Brasil estão sujeitas a um compromisso contratual, que "deve ser respeitado acima de outras disposições".
– Há contratos e nós trabalhamos com contratos.
Fez-se um duto que custou mais de US$ 2 bilhões porque havia um convênio e este tem que ser cumprido. Aqui não há sentimentos nem paixões – afirmou Coca Antezana.
Na quarta-feira, Lula discursou, durante a inauguração de um gasoduto no Rio, que o Brasil tem cada vez menos necessidade do produto importado da Bolívia, mas que continuaria importando o gás porque “o papel de uma nação como o Brasil é ajudar países menores”.
Coca Antezana rebateu as palavras de Lula explicando que “não é correto nem próprio” falar desta maneira “quando há um contrato no meio”.
– Definitivamente, o Brasil está cumprindo um acordo que foi assinado anteriormente.
O não cumprimento vai implicar-lhes sanções – advertiu o ministro.
A Bolívia exporta para o Brasil entre 19 milhões e 27 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A quantidade varia segundo a demanda e o preço. Atualmente, com os índices de consumo de energia alcançando cifras recordes no Brasil, cerca de 40% do gás natural utilizado no país é boliviano.
Coca Antezana afirmou que discurso do presidente “não é correto.”
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Novo comentário PRA:
O ministro boliviano tem razão, especialmente quando disse: "Há contratos e nós trabalhamos com contratos."
Pena que o governo boliviano rasgou um tratado bilateral e contratos com a Petrobras para invadir e tomar uma propriedade que não era dele, ou seja, o governo boliviano agiu ilegalmente, traiçoeiramente e em total contradiçnao com práticas diplomáticas normais, e na ausência de qualquer reação digna por parte do governo brasileiro.
O que seria de se esperar, era um aviso da Bolívia que pretendia rever o tratado e os contratos, passar nota ao governo brasileiro propondo negociações e aguardar as conversações. Não, atuaram de modo totalmente desrespeitoso.
O que o governo brasileiro deveria fazer, quando o Brasil estiver totalmente abastecido de gás nacional, seria propor ao governo boliviano rever os contratos, apenas isso. Acredito que a Bolívia se sentiria, e se sairia, melhor, tendo liberdade para vender mais caro (se puder) o gás excedentário de que dispõe e do qual o Brasil não venha mais a necessitar. Afinal de contas tem o valor do transporte. Se a eliminação deste se coadunar com a amortização do gasoduto, creio que se pode considerar a mudança nos contratos.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
1921) Economia mundial: de onde viemos, para onde vamos?
Economia mundial: de onde viemos, para onde vamos?
Paulo Roberto de Almeida
(da série: Volta ao mundo em 25 ensaios)
Ordem Livre, 01 de Fevereiro de 2010
Economia mundial não é um termo que se possa empregar antes do século XVI et encore: mesmo a partir da unificação geográfica conduzida por Colombo, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães, a economia mundial não era, em absoluto, universal. Nessa primeira onda de globalização, de caráter mercantil, tratava-se, mais exatamente, de um arquipélago de economias centrais, predominantemente de origem européia, vinculadas a suas respectivas periferias nas novas terras descobertas, mediante um sistema usualmente conhecido como "exclusivo colonial". Os demais centros regionais – o "Império do Meio" (China), o império Mogul, na Índia, o mundo muçulmano (que começava a ser unificado sob o jugo otomano) e outros "blocos" sub-regionais, na Eurásia ou nas Américas – não tinham realmente condições de disputar qualquer hegemonia econômica mundial, como diriam os marxistas.
Até o final do século XVIII, China e Índia constituíam duas grandes economias, que produziam bens valorizados nos mercados ocidentais, mas dotadas de instituições pouco adaptadas aos desafios da nova economia industrial, caracterizada pelo que se poderia chamar, ainda no jargão marxista, de um "modo inventivo de produção". Foi precisamente a partir da revolução industrial na Inglaterra, nessa mesma época, que teve início a diferenciação dos centros econômicos mundiais, processo que os historiadores econômicos chamam de "grande divergência", ou seja, a aceleração da transformação tecnológica no Ocidente, seguida da dominação absoluta das potências européias sobre o resto do mundo (destinada a durar cinco séculos, talvez até hoje).
Essa segunda grande onda da globalização, de natureza industrial, conforma o que se poderia pela primeira vez chamar de economia mundial, uma rede integrada de centros produtores de matérias primas, de um lado, servidas pelos centros financeiros europeus – com a libra inglesa e os bancos britânicos em seu núcleo – e as oficinas manufatureiras, de outro, dotadas das novas tecnologias industriais de produção em massa. As economias nacionais, até então pouco diferenciadas entre si – posto que uniformemente e predominantemente de base agrícola ou mercantil – começam a exibir diferenças estruturais, a partir de níveis de produtividade bem mais elevados nos sistemas industriais. A defasagem de renda começa sua escalada para índices sempre crescentes, entre o centro e a periferia, num processo que se desenvolveria durante praticamente dois séculos, com um recrudescimento ainda maior durante a maior parte do século XX, para diminuir apenas a partir da terceira onda de globalização, já no último quinto desse século.
No intervalo, a economia mundial capitalista seria desafiada por duas ameaças muito diferentes, entre si, mas concordantes em sua ação desagregadora de um sistema verdadeiramente unificado de relações mercantis e financeiras. A partir da primeira guerra mundial, as crises recorrentes dos centros capitalistas desenvolvidos no entre guerras (em especial a de 1929 e a depressão que se seguiu) e a implantação de sistemas coletivistas (de natureza soviética, desde 1917, e os fascismos, pouco depois), com suas experiências estatizantes e antiliberais, representaram uma "breve" interrupção de setenta anos no processo de globalização. No imediato pós-segunda guerra mundial, as muitas experiências de nacionalizações e de estatizações no Ocidente capitalista, com seu cortejo de práticas intrusivas, dirigistas e planos de "desenvolvimento" (com muito planejamento estatal centralizado, mesmo no capitalismo) representaram, igualmente, um retrocesso na reunificação de um sistema de mercado verdadeiramente mundial, desde então colocado sob a égide dos dois irmãos de Bretton Woods (o FMI e o Banco Mundial) e do GATT (OMC, em 1995).
Foi somente a partir das reformas econômicas "neoliberais" iniciadas na China a partir dos anos 1980 e da implosão e quase completo desaparecimento dos regimes socialistas, entre 1989 e 1991, que o processo de reunificação da economia mundial é retomado, no bojo da terceira onda de globalização capitalista, desta vez dominada pela sua vertente financeira (mas que inclui também os investimentos diretos). O fim do socialismo representou pouco em termos de concorrência manufatureira – já que o socialismo era um produtor medíocre de bens industrializados – e menos ainda em termos de fluxos financeiros e tecnológicos – onde os países socialistas eram ainda mais marginais, senão irrelevantes; mas significou um impacto decisivo em termos de mercados e, sobretudo, de mão-de-obra (com destaque absoluto para a China).
A fase atual, se ainda não pode ser identificada com um novo processo de "convergência" da economia mundial, caracteriza-se, pelo menos, pela diminuição da divergência entre as regiões – com notáveis exceções, como nos casos da África, do Oriente Médio e em grande medida da América Latina – e pelo rápido catch-up experimentado por alguns emergentes dinâmicos. No curso dos últimos vinte anos de globalização, a China e a Índia retiraram centenas de milhões de pessoas de uma miséria abjeta, colocando-as numa situação de pobreza moderada, justamente em função das reformas econômicas empreendidas e de sua inserção na globalização. Esse processo deve continuar, pelo menos naqueles países que decidiram substituir antigas políticas protecionistas e estatizantes por uma abertura ao comércio internacional e aos investimentos estrangeiros diretos.
O lado financeiro permanece ainda a dimensão problemática da globalização, não porque a liberdade de circulação de capitais seria, em si, desestabilizadora das economias nacionais, mas porque os governos ainda insistem em praticar políticas monetárias e cambiais inconsistentes com os novos dados da economia mundial. O monopólio dos bancos centrais na emissão de moedas-papel, na fixação das taxas de juros (sem correspondência efetiva com o equilíbrio real dos mercados de capitais) e seu papel na manutenção de regimes cambiais irrealistas e desajustados, explica muito das crises financeiras ocorridas na segunda metade dos anos 1990 e em 2007-2009. As bolhas que se formam não são o resultado de "forças cegas do mercado" – como políticos inescrupulosos e economistas pretensamente keynesianos proclamam – mas sim a consequência das manipulações dos governos em setores sensíveis da economia real. A possibilidade de maiores progressos em direção à convergência econômica mundial depende, assim, tanto da continuidade da abertura dos países ao processo de globalização, quanto da habilidade dos governos em manterem soberania monetária e cambial no novo contexto criado pela unificação paulatina dos mercados de capitais.
Não é provável que essa convergência se dê rapidamente, tendo em vista a resistência de muitos governos à abertura comercial e financeira e sua tendência a continuar manipulando taxas de juros e regimes cambiais; mas é previsível que a globalização continue avançando naqueles países e regiões propensos a aceitarem as novas regras de mercado. Independentemente do que digam aqueles que condenam as novas políticas "neoliberais", é um fato que os países que mais progressos fizeram no plano do crescimento econômico e da prosperidade de seus povos são aqueles que mais rapidamente souberam se integrar comercialmente na economia mundial, e dela puderam tirar proveito dos efeitos benéficos dos investimentos diretos, que trazem capitais, know-how e tecnologia. A lição parece ter sido aprendida, mas nem todos souberam dela tirar os ensinamentos adequados.
Ça viendra, à son temps...
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Para o primeiro ensaio da série "Volta ao Mundo em 25 Ensaios", ver aqui:
Por que o mundo é como é (e como ele poderia ser melhor...)
Paulo Roberto de Almeida
(da série: Volta ao mundo em 25 ensaios)
Ordem Livre, 01 de Fevereiro de 2010
Economia mundial não é um termo que se possa empregar antes do século XVI et encore: mesmo a partir da unificação geográfica conduzida por Colombo, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães, a economia mundial não era, em absoluto, universal. Nessa primeira onda de globalização, de caráter mercantil, tratava-se, mais exatamente, de um arquipélago de economias centrais, predominantemente de origem européia, vinculadas a suas respectivas periferias nas novas terras descobertas, mediante um sistema usualmente conhecido como "exclusivo colonial". Os demais centros regionais – o "Império do Meio" (China), o império Mogul, na Índia, o mundo muçulmano (que começava a ser unificado sob o jugo otomano) e outros "blocos" sub-regionais, na Eurásia ou nas Américas – não tinham realmente condições de disputar qualquer hegemonia econômica mundial, como diriam os marxistas.
Até o final do século XVIII, China e Índia constituíam duas grandes economias, que produziam bens valorizados nos mercados ocidentais, mas dotadas de instituições pouco adaptadas aos desafios da nova economia industrial, caracterizada pelo que se poderia chamar, ainda no jargão marxista, de um "modo inventivo de produção". Foi precisamente a partir da revolução industrial na Inglaterra, nessa mesma época, que teve início a diferenciação dos centros econômicos mundiais, processo que os historiadores econômicos chamam de "grande divergência", ou seja, a aceleração da transformação tecnológica no Ocidente, seguida da dominação absoluta das potências européias sobre o resto do mundo (destinada a durar cinco séculos, talvez até hoje).
Essa segunda grande onda da globalização, de natureza industrial, conforma o que se poderia pela primeira vez chamar de economia mundial, uma rede integrada de centros produtores de matérias primas, de um lado, servidas pelos centros financeiros europeus – com a libra inglesa e os bancos britânicos em seu núcleo – e as oficinas manufatureiras, de outro, dotadas das novas tecnologias industriais de produção em massa. As economias nacionais, até então pouco diferenciadas entre si – posto que uniformemente e predominantemente de base agrícola ou mercantil – começam a exibir diferenças estruturais, a partir de níveis de produtividade bem mais elevados nos sistemas industriais. A defasagem de renda começa sua escalada para índices sempre crescentes, entre o centro e a periferia, num processo que se desenvolveria durante praticamente dois séculos, com um recrudescimento ainda maior durante a maior parte do século XX, para diminuir apenas a partir da terceira onda de globalização, já no último quinto desse século.
No intervalo, a economia mundial capitalista seria desafiada por duas ameaças muito diferentes, entre si, mas concordantes em sua ação desagregadora de um sistema verdadeiramente unificado de relações mercantis e financeiras. A partir da primeira guerra mundial, as crises recorrentes dos centros capitalistas desenvolvidos no entre guerras (em especial a de 1929 e a depressão que se seguiu) e a implantação de sistemas coletivistas (de natureza soviética, desde 1917, e os fascismos, pouco depois), com suas experiências estatizantes e antiliberais, representaram uma "breve" interrupção de setenta anos no processo de globalização. No imediato pós-segunda guerra mundial, as muitas experiências de nacionalizações e de estatizações no Ocidente capitalista, com seu cortejo de práticas intrusivas, dirigistas e planos de "desenvolvimento" (com muito planejamento estatal centralizado, mesmo no capitalismo) representaram, igualmente, um retrocesso na reunificação de um sistema de mercado verdadeiramente mundial, desde então colocado sob a égide dos dois irmãos de Bretton Woods (o FMI e o Banco Mundial) e do GATT (OMC, em 1995).
Foi somente a partir das reformas econômicas "neoliberais" iniciadas na China a partir dos anos 1980 e da implosão e quase completo desaparecimento dos regimes socialistas, entre 1989 e 1991, que o processo de reunificação da economia mundial é retomado, no bojo da terceira onda de globalização capitalista, desta vez dominada pela sua vertente financeira (mas que inclui também os investimentos diretos). O fim do socialismo representou pouco em termos de concorrência manufatureira – já que o socialismo era um produtor medíocre de bens industrializados – e menos ainda em termos de fluxos financeiros e tecnológicos – onde os países socialistas eram ainda mais marginais, senão irrelevantes; mas significou um impacto decisivo em termos de mercados e, sobretudo, de mão-de-obra (com destaque absoluto para a China).
A fase atual, se ainda não pode ser identificada com um novo processo de "convergência" da economia mundial, caracteriza-se, pelo menos, pela diminuição da divergência entre as regiões – com notáveis exceções, como nos casos da África, do Oriente Médio e em grande medida da América Latina – e pelo rápido catch-up experimentado por alguns emergentes dinâmicos. No curso dos últimos vinte anos de globalização, a China e a Índia retiraram centenas de milhões de pessoas de uma miséria abjeta, colocando-as numa situação de pobreza moderada, justamente em função das reformas econômicas empreendidas e de sua inserção na globalização. Esse processo deve continuar, pelo menos naqueles países que decidiram substituir antigas políticas protecionistas e estatizantes por uma abertura ao comércio internacional e aos investimentos estrangeiros diretos.
O lado financeiro permanece ainda a dimensão problemática da globalização, não porque a liberdade de circulação de capitais seria, em si, desestabilizadora das economias nacionais, mas porque os governos ainda insistem em praticar políticas monetárias e cambiais inconsistentes com os novos dados da economia mundial. O monopólio dos bancos centrais na emissão de moedas-papel, na fixação das taxas de juros (sem correspondência efetiva com o equilíbrio real dos mercados de capitais) e seu papel na manutenção de regimes cambiais irrealistas e desajustados, explica muito das crises financeiras ocorridas na segunda metade dos anos 1990 e em 2007-2009. As bolhas que se formam não são o resultado de "forças cegas do mercado" – como políticos inescrupulosos e economistas pretensamente keynesianos proclamam – mas sim a consequência das manipulações dos governos em setores sensíveis da economia real. A possibilidade de maiores progressos em direção à convergência econômica mundial depende, assim, tanto da continuidade da abertura dos países ao processo de globalização, quanto da habilidade dos governos em manterem soberania monetária e cambial no novo contexto criado pela unificação paulatina dos mercados de capitais.
Não é provável que essa convergência se dê rapidamente, tendo em vista a resistência de muitos governos à abertura comercial e financeira e sua tendência a continuar manipulando taxas de juros e regimes cambiais; mas é previsível que a globalização continue avançando naqueles países e regiões propensos a aceitarem as novas regras de mercado. Independentemente do que digam aqueles que condenam as novas políticas "neoliberais", é um fato que os países que mais progressos fizeram no plano do crescimento econômico e da prosperidade de seus povos são aqueles que mais rapidamente souberam se integrar comercialmente na economia mundial, e dela puderam tirar proveito dos efeitos benéficos dos investimentos diretos, que trazem capitais, know-how e tecnologia. A lição parece ter sido aprendida, mas nem todos souberam dela tirar os ensinamentos adequados.
Ça viendra, à son temps...
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Para o primeiro ensaio da série "Volta ao Mundo em 25 Ensaios", ver aqui:
Por que o mundo é como é (e como ele poderia ser melhor...)
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