quinta-feira, 27 de agosto de 2009

1316) Ipea: Instituto de Producao de Equivocos Ampliados

Esse deveria ser o verdadeiro nome do IPEA, pelo menos sob a gestão atual.
Este post precisa ser lido em conjunção com dois outros, para ser plenamente entendido, os quais vou indicar abaixo.

A supreendente debilidade mental que acomete o IPEA na medição da produtividade do setor público.

Em todo caso, o tema se refere à fantástica fábrica de bullshits continuados sob a forma de comunicados da presidência, ou seja, sob a responsabilidade direta de seu atual ocupante desqualificado para o cargo.
Ele primeiro tentou vender a balela de que o Estado brasileira estava subocupado, gastava pouco com pessoal e poderia, deveria contratar mais funcionários públicos, para se alinhar com vibrantes economias, com muito mais funcionários públicos do que o Brasil.
Passons.
A última, porém, foi estupenda: ele nos provou, como 2 e 2 são menos 4, que o Estado brasileiro é uma fantástica máquina de eficiência produtiva, e que quanto mais se contrata gente mais aumenta o índice de produtividade do setor público, que supera o do setor privado por uma cabeça.
Mais espetacular ainda é o crescimento da produtividade em Roraima, que aumentou nada menos do que 136,6%, em contraste com o baixíssimo desempenho, ou o crescimento negativo, de estados que fizeram ajustes e reformas públicas e reduziram o dispêndio com pessoal.
Quando eu li esse anúncio, achei tão fantástica a conclusão, que fui buscar os indigitados estudos e publiquei um primeiro post interrogativo, tendo também o cuidado de consultar alguns economistas a respeito.
Vocês podem ler o estado preliminar do debate neste post em outro blog meu:

Sexta-feira, Agosto 21, 2009
492) O suposto aumento da produtividade do setor publico: anúncio do IPEA e avaliação de economistas...

Depois, sabedor de outras críticas publicadas na imprensa, elaborei este outro post, neste mesmo blog, mais abaixo:

Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009
1311) IPEA: surrealismo econômico em alta (again, and helàs...)
A fantástica fábrica de chocolate econômico do presidente do IPEA

Agora, acabo de tomar conhecimento de uma nota preparada por dois economistas especialistas em finanças públicas e em contas nacionais, que ao contrário do presidente do IPEA, sabem do que estão falando.
Não preciso acrescentar mais nada, apenas transcrevo a nota, que é self-explaining.
Termino por acrescentar que, se o presidente do IPEA tivesse vergonha na cara pediria demissão por incompetência, o que ele obviamente não vai fazer.
Também acrescento que em qualquer país sério, o ministro supervisor demitiria na hora um economista tão incompetente quanto esse, o que infelizmente também não vai acontecer.
Finalmente acrescento que, em qualquer país dotado de um Legislativo digno desse nome, o incompetente em questão seria na mesma hora chamado numa comissão permanente do Congresso e devidamente triturado intelectualmente. Isso tampouco vai acontecer.
Afinal de contas, a gente vive no Brasil...

Análise Crítica da Nota do IPEA sobre Produtividade do Governo x Setor Privado
Gabinete do Senador Tasso Jereissati - Assessoria Econômica
Nota Técnica – 26/08/2009

O IPEA divulgou o Comunicado da Presidência no 27, sob o título Produtividade na Administração Pública Brasileira: Trajetória Recente, em 19/08/2009.
O trabalho, em resumo, calcula a produtividade da administração pública pelo conceito valor agregado (extraído das contas nacionais elaboradas pelo IBGE) divido pelo número de pessoas ocupadas no mesmo setor (pela PNAD).

De acordo com esses cálculos, o texto conclui que:
I. ao longo do período de estabilidade monetária considerado, a produtividade na administração pública manteve-se superior à do setor privado, em média, acima de 35%;
II. a produtividade da administração pública entre 1995 e 2004 foi puxada pelo crescimento de 39,8% no Nordeste e de 49,3% no Centro-Oeste (nas outras regiões, o crescimento foi negativo); e
III. os estados da federação que terminaram focando nas medidas de ajuste da administração pública (como os chamados choque de gestão ou administrativo) não foram aqueles, por exemplo, que terminaram registrando a aceleração nos ganhos de produtividade.

Apesar da boa vontade do instituto em contribuir para o debate, todas as conclusões acima estão viciadas (para não dizer, erradas grosseiramente) porque o conceito de valor agregado das administrações públicas pela contabilidade das contas nacionais não permite que se calcule a produtividade das administrações públicas.
Este problema não deveria ser novidade. O manual das contas nacionais do IBGE, que segue a metodologia do system of national account de 1993 da ONU, deixa claro o problema aqui abordado. (Para mais detalhes sobre tal cálculo no Brasil, ver a Nota Metodológica n.11, “Administração Pública”, editada pelo IBGE sobre o Sistema de Contas Nacionais – Referência 2000).
O calculo do valor adicionado na metodologia das contas nacionais resulta do cálculo do valor da produção menos o valor gasto com a compra de insumos. Outra forma de dizer o mesmo é que o valor adicionado corresponde à remuneração líquida dos fatores de produção (pagamento de salários, juros, aluguel, lucro, etc.). Acontece que a forma de cálculo do valor adicionado do setor privado e das administrações públicas é diferente.
* * *
No caso do setor privado, pode-se mensurar de fato o valor das transações com bens e serviços finais e, em seguida, retirar os valores gastos com as compra de insumos (consumo intermediário) para se chegar ao valor adicionado. Por exemplo, o IBGE sabe quanto as empresas compram de insumos, o valor final da produção a preços de mercado. Assim, o valor adicionado pode ser efetivamente calculado (apenas para tornar a análise mais simples, vamos desconsiderar impostos e subsídios):
Valor Adicionado (VA) = valor da produção final dos bens e serviços – consumo intermediário – consumo do capital fixo = salários + superávit operacional liquido (dividendos, aluguel, etc.).
Dito isso o que acontece se vários empresários decidirem contratar 10 mil trabalhadores para que esses trabalhadores fiquem em casa sem trabalhar? Nesse caso, como os trabalhadores não iriam trabalhar, a produção não aumentaria e logo a produtividade dos trabalhadores do setor privado, medida pelo valor adicionado dividido pelo numero de trabalhadores, iria diminuir. No caso do setor público, como explicaremos em seguida, esse mesmo exemplo leva a um resultado diferente.
Ao contrário do setor privado, como não é possível que seja medido o valor de mercado dos produtos da administração pública, como, por exemplo, os serviços de defesa ofertados pelo estado à nação, a produção de serviços não-mercantis das administrações públicas é calculada pelo somatório do consumo intermediário, remuneração dos empregados, outros impostos (líquidos de subsídios) sobre a produção e o consumo de capital fixo.
Em outras palavras, a produção do setor público é determinada pelos custos de produção:
consumo intermediário + consumo do capital fixo + pagamento de salários (ativos e inativos) -> valor da produção da administração pública ou de outra forma:
pagamento de salários (ativos e inativos) -> [valor da produção da administração púbica - consumo intermediário - consumo do capital fixo]
equivalente à:
pagamento de salários (ativos e inativos) -> valor adicionado

Sempre que a folha de salário aumenta no governo (e exatamente ao contrário do que ocorre nas empresas), o seu valor adicionado cresce independente de os trabalhadores estejam de fato trabalhando ou meramente dormindo, pois a produção do setor público e o valor adicionado são determinados pelos custos.
Para deixar mais claro esse ponto, imagine que o governo resolva aumentar os salários de todos os funcionários públicos e, no extremo, mande vários desses trabalhadores para casa para “dormir”. Por mais absurdo que pareça, pela metodologia de cálculo do valor adicionado das administrações públicas, a produtividade do setor público iria aumentar, pois o que importa é o valor da folha salarial e não se os trabalhadores estão trabalhando ou dormindo. Logo, é impossível e sem sentido medir a produtividade do setor público com base nos dados das contas nacionais como fez o Comunicado da
Presidência no 27 do IPEA.

Outros aspectos metodológicos acentuam ainda mais a crítica.
O caso mais pitoresco envolve os inativos da administração pública.
Pela metodologia das contas nacionais, o mesmo tratamento dispensado a folha salarial dos servidores ativos é dado ao gasto com inativos não cobertos por contribuição (denominado de “contribuições sociais imputadas” naquela contabilidade). Ou seja, quanto maior o déficit do regime próprio de previdência dos servidores, maior é o valor adicionado pelas administrações públicas e, assim, maior seria sua produtividade.
Fernando Montero comentou ainda a desatenção às muudanças no sistema de contas nacionais realizadas pelo IBGE há poucos anos:
“A nova metodologia das contas públicas no PIB implicou trocar uma hipótese de um consumo constante per capita do bem público por uma hipótese de produtividade constante por trabalho na oferta do bem público. É uma deficiência –produtividade constante- que se aceita nas contas nacionais para o tratamento de bens públicos que carecem de um deflator (i.e. carecem de um preço) e que não possuem um indicador
quantitativo próprio como educação (matrículas) e saúde públicas (internações).
No texto em questão, o IPEA compara o valor agregado do setor público no PIB com o emprego público extraído do PNAD. As variações mediriam mudanças de produtividade. Ora, se o VAPB medido pelo IBGE baseia-se no emprego público, qualquer alteração de valor agregado/PNAD refletirá uma discrepância na medição de emprego público (entre o IBGE e o IPEA) mais que variações de produtividade.”
* * *
Existem outros estudos que investigam a eficiência do setor público. É forçoso reconhecer que utilizam metodologia muito diversa, mas nenhum utiliza a mesma lógica do citado comunicado do IPEA e o Brasil também não aparece bem na foto. Vamos citar apenas três fontes.
Uma análise internacional recente é a de Antonio Afonso, Ludger Schuknecht e Vito Tanzi, sob título Public Sector Efficiency – Evidence for New EU Member Status and Emerging Markets, publicado pelo European Central Bank, como Working Paper Series n.581, de janeiro de 2006. Mesmo sem contar os países ricos, o Brasil aparece entre os mais mal avaliados.
Por exemplo, no caso do indicador de eficiência do setor público, entre 2001/2003 (ver Tabela 3, na página 31), o Brasil alcançou 0,69, ficou em penúltimo lugar num ranking de 24 países (superou apenas os 0,63 da Turquia) e muito distante da média de 1,09.
Dentre as avaliações nacionais, chama-se a atenção que o próprio IPEA já editou, dentre outros, um documento recente, dedicado a avaliar a eficiência do setor público e que atendia seu reconhecido padrão de qualidade técnica – caso do Boletim de Desenvolvimento Fiscal, n. 03, de dezembro de 2006, com cinco artigos sobre o tema, inclusive com abordagens e focos diferenciados.
Já sobre a comparação no desempenho dos governos estaduais, uma boa alternativa é o estudo apresentado no XII Prêmio do Tesouro Nacional de 2007, por Júlio Brunet, Ana Bertê e Clayton Borges, sob título “Estudo Comparativo das Despesas Públicas dos Estados Brasileiros: um índice de Qualidade do Gasto Público”. Aliás, qualidade do gasto é uma das áreas temáticas dessa iniciativa da STN e também podem ser encontrados outros trabalhos com o devido rigor técnico.
* * *
Em resumo, é impossível e sem sentido calcular produtividade das administrações públicas pelo dado do valor agregado das contas nacionais, pois esse valor é determinado pelos custos da administração pública, inclusive salários. O mesmo vale para questionar o ajuste fiscal de governos regionais, ainda mais quando chegam ao ponto de reduzir o valor real da folha ou até mesmo demitir funcionários – caso em que foram automaticamente tachados de menos produtivos e ineficientes porque diminuíram o valor que adicionam.
Nem é preciso estudar ou lecionar economia para concluir que esse raciocínio não faz o menor sentido. Não se trata de uma divergência de opinião, nem de leituras diferentes de uma evidência estatística, o que seria natural numa democracia e diante das diferentes visões da economia. Aqui, se trata de ignorar o mínimo significado de uma variável e tentar inferir dela algo que ela não informa. O que as contas nacionais brasileiras demonstram é o encarecimento relativo do bem público uma vez que, a preços correntes, o valor agregado da administração pública cresceu mais que o PIB.

Resta a questão de saber o que move dirigentes de instituição tão séria e respeitada, inclusive internacionalmente, a cometer equívocos tão grosseiros. Será que a intenção seria tentar justificar que se pode gastar cada vez, sem se preocupar com a receita, com as conseqüências para o futuro, desde que seja possível eleger sucessores e se perenizar no poder?
O Comunicado da Presidência no 27 do IPEA não observa o mínimo critério econômico, nem o bom senso mais elementar e trabalhos como esse podem prejudicar a reputação dessa instituição construída ao longo de mais de quatro décadas de atuação em pesquisas e análises econômicas.

Nota final PRA:
Como disse ao final de minha introdução, infelizmente não vai acontecer absolutamente nada. Creio que o incompetente presidente do IPEA vai enfiar a viola no saco e ficar calado. Mais fantástico ainda seria se ele tentasse justificar o injustificável.
A seguir...

1315) Dia da democracia, 15.09, e lancamento de livro


A Organização das Nações Unidas declarou o dia 15 de setembro como o Dia Internacional da Democracia, em referência ao 20º Aniversário da Primeira Conferência sobre Democracias Novas ou Restauradas. A Fundação Konrad Adenauer (KAS), o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e o escritório Dannemann, Siemsen, Bigler & Ipanema Moreira convidam para o:

2º dia Internacional da Democracia
15 de setembro de 2009

Programação
18:00 Credenciamento
18:30 Abertura
Peter Fischer-Bollin
Representante, Fundação Konrad Adenauer no Brasil
Marcos de Azambuja
Embaixador, Vice-Presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais
Peter Dirk Siemsen
Sócio, Escritório Dannemann, Siemsen, Bigler & Ipanema Moreira

19:00 Conferência do 2º Dia Internacional da Democracia
Brasil: 120 anos da Proclamação da República
Antônio Anastasia
Vice-Governador, Estado de Minas Gerais
Hélio Jaguaribe de Mattos
Cientista Político e Membro da Academia Brasileira de Letras

200 anos de Independência dos países latino-americanos
Federico Merke
Professor, Universidad del Salvador (Argentina)

Democracia na Europa: 1789-1989-2009
Estevão Rezende Martins
Professor, Universidade de Brasília (UnB)

Futuro da Democracia
Miriam Saraiva
Professora, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)

20:30 Debate
21:00 Coquetel e lançamento e divulgação dos livros
Brasil - União Européia - América do Sul: anos 2010-2020
Caderno Adenauer nº1/2009 Migração e Política Local
_________________________
Local: Escritório Dannemann, Siemsen, Bigler & Ipanema Moreira. Rua Marquês de Olinda, 70 - Botafogo - Rio de Janeiro ? RJ (Próximo à estação Botafogo de metrô)- não há estacionamento.
Inscrição: pelo site do CEBRI ou enviando nome, instituição, cargo, endereço, telefone, fax, e-mail para: eventos@cebri.org.br
Informação: (21) 2219-4469
http://www.cebri.org.br/ ou
www.kas.de/brasil

Até aqui transmiti o convite. Permito-me agora informar que participei do livro em questão com a seguinte contribuição:
Paulo Roberto de Almeida: “Bases conceituais de uma política externa nacional”
In: Estevão C. de Rezende Martins e Miriam G. Saraiva (orgs.):
Brasil - União Europeia - América do Sul : Anos 2010-2020
(Rio de Janeiro: Fundação Konrad Adenauer, 2009, p. 267; ISBN: 978-85-7504-138-3; p. 228-243).

1314) Kissinger e o Brasil (talvez Brazil) - lancamento de livro

1313) Um argentino sobre a lideranca brasileira

BRASIL E A LIDERANÇA NA AMÉRICA DO SUL!
Jorge Castro
El Clarin, 22.08.2009

1. As empresas brasileiras representam o terceiro grupo em Wall Street, depois do Canadá e da China. A principal fonte de crescimento da economia brasileira nos últimos cinco anos é a mesma da recuperação atual: a produção e exportação de commodities (soja, minério de ferro, petróleo), voltado para o mercado sino-asiático. As exportações de produtos manufaturados representaram 61% do total em 1993, e agora são 38% - 40%.

2. A linha estratégica central é a transnacionalização do sistema de produção, através de um duplo e sincronizado movimento de implantação de companhias brasileiras no exterior e atração de investimentos multinacionais. Este é o componente estrutural para a conversão do Brasil em personagem mundial. Brasil mudou sua política externa. Passou da reclamação (“Não a ALCA”) para liderança (“Sim à liberdade de comércio. Não ao protecionismo").

3. Isto significa que, na América do Sul, o Brasil não compete pela liderança regional: tem a intenção de ser o mediador entre a região e o sistema de poder mundial (EUA...). E mesmo quando experimenta uma severa derrota político-diplomática (Bolívia e Paraguai), prefere encerrar o conflito e absorver as perdas, na medida em que a questão, o país e a região perdem importância relativa para ele.

(Transcrito do Ex-blog do Cesar Maia, 26.08.2009)

1312) Uma professora de historia: ainda nao me recuperei da surpresa...

Estou perplexo, na verdade estupefato. Sei que este espaço não se destina a este tipo de "material" (confesso que não sei como classificar), mas ainda não consegui me recuperar do choque.
O texto me foi remetido por um colega acadêmico, ele também chocado com a "qualidade" do "material". Não tenho palavras...
Ou talvez sim: estou estarrecido!
Não existe uma UNICA frase que se sustente, do ponto de vista gramatical, lógico, sintático, histórico, nada é compreensivel, nao se salva nada do texto dessa professora.
É algo inacreditavel. O Brasil nao merece isso, e no entanto é isso que temos nas escolas públicas do Brasil, ensinando história (com "h" minúsculo) aos nossos filhos...
Continuo estupefato...


O acordo Vargas-Roosevelt sobre o uso das bases no Nordeste durante a IIGM
(o título é meu, PRA)

Nome: H. A. P. (suprimi o nome; PRA)
Gênero: F
País: Brasil
Formação: Bacharelado
Profissão: Professora de História
Sobre a minha pessoa: Sou atenta a novidades e novas leituras
Autor: H. A. P.
Publicado em: fevereiro 21, 2008

Roosevelt, o presidente dos Estados Unidos, após o governo brasileiro declarar, neste momento, solidariedade aos Estados Unidos às relações diplomáticas estavam perto de serem definidas. Neste período, Roosevelt dirigiu a Vargas uma permissão para o envio de pessoal técnico para as bases localizadas no Nordeste como em Natal, Recife e Belém e foi permitida a autorização.
É relevante o interesse dos Estados Unidos para com as bases aéreas brasileiras, pois para o governo brasileiro dizia que era para alcançar o Extremo-Oriente com mais agilidade. Mas foram mandados fuzileiros navais para o Nordeste e isto abalou as chefias militares brasileiras, pois assim a soberania estava em conflitos. No documentário encontrado recentemente por Lauro Jardim esta estratégia vigorava a idéia de que não era um simples plano estratégico e sim uma estratégia de invasão do Brasil pelos Estados Unidos caso declarasse apoio as Forças do Eixo.
O ponto de estratégia militar brasileira tinha duas maneiras de serem vistas e as dúvidas sobre qual a verdade por detrás dos fatos são importantes para o estudo histórico. Temos duas situações, uma que foi gerada como uma verdade absoluta pelo governo de Vargas e outra que somente apareceu cinqüenta anos mais tarde.
Pensando bem, as verdades devem ser questionadas para uma postura de manter certo grau de estabilidade nos meios. Diante a Entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra, como uma relação de diplomacia, foi organizado no Brasil a lll Conferência de Chanceleres das Republicas Americanas, que tornou a definição do governo brasileiro mais perto de ser fechado. Em janeiro foi aprovada uma moção que recomendava o rompimento de relações com os países do eixo, e isto, configurou como um rompimento do governo brasileiro com os Países do Eixo.
Mediante a aprovação da moção dos chanceleres, não se fundamentava mais uma aliança com a Alemanha, Itália e o Japão. Visto isso, a única escolha para o governo de Getúlio Vargas era de declarar a favor das Forças Aliadas, e isto, foi feito, e ao mesmo tempo todos os acordos brasileiros para um avanço do desenvolvimento da economia da elite brasileira foram sendo arquitetadas.
O governo precisava de uma prova mais complacente para a sua escolha de lado, pois se fosse somente negociação não estaria sendo um motivo razoável e nos meses de fevereiro e março veio à tona que os navios mercantes Arabutan e Cairu e os cargueiros Buarque e Olinda foram torpedeados supostamente pelos submarinos alemães. Este foi um motivo que o governo de Vargas sustentou para a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, mas só que foi no dia 31 de agosto que decretou o Estado de Beligerância contra os países do eixo.
A polêmica do governo de Vargas diante a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial foram fundamentadas numa economia de guerra, a qual após a definição de Vargas os Estados Unidos empregaram recursos na instalação de bases aliadas no Nordeste Brasileiro.
O Brasil se destacou no processo da guerra, mas a sua aquisição e expansão do processo desenvolvimentista foram umas das problemáticas que abrangia o discurso do político Getúlio Vargas.

1311) IPEA: surrealismo econômico em alta (again, and helàs...)

A fantástica fábrica de chocolate econômico do presidente do IPEA

Os "Comunicados da Presidência" do IPEA constituem, supostamente, uma nova forma de comunicação com o distinto público por parte da direção do IPEA, esse instituto que um dia já foi de pesquisa econômica aplicada e que, aparentemente, converteu-se agora num repositório de sandices econômicas alimentado por seu presidente e pela equipe de transplantados de de algumas faculdades Tabajara de economia que o seguiu nesse alegre aventura brasiliense.
Não seria grave, se tudo não passasse de brincadeiras inconsequentes, de pequenas loucuras econômicas de um pessoal bizarro que parece se divertir ofendendo a inteligência dos leitores ou simples curiosos como eu, além de, suponho, os próprios técnicos do IPEA, o pessoal mais sério de gestões anteriores que deve olhar essa patota unicampista como se fossem marcianos se preparando para jogar futebol americano...

Pois não é que o presidente do IPEA perpetrou mais um de seus petardos de irracionalidade econômica, desta vez focando a suposta produtividade elevada do setor público, capaz de superar com uma cabeça de vantagem a do setor privado.
Fiquei curioso em saber como tinha sido feito esse milagre e fui ler com mais atenção.
Confesso que não entendi, e por isso consultei outros economistas interessados no assunto.
O resultado de minha pesquisa está em outro blog meu, sob este título e link:

Sexta-feira, Agosto 21, 2009
492) O suposto aumento da produtividade do setor publico: anúncio do IPEA e avaliação de economistas...

Nesse post, eu indico que me espantei com, o seguinte trecho:
"Alguns fatores que justificam o crescimento da produtividade no setor público, segundo Pochmann, são o aproveitamento de novas tecnologias da informação, a participação social no acompanhamento de políticas públicas e a modernização do setor por meio de concursos e cursos de qualificação".

Confesso que sou muito pouco preparado em economia, daí o meu espanto em não conseguir entender como "a participação social no acompanhamento de políticas públicas" poderia representar um elemento quantificável para justificar esse alegado aumento na produtividade do setor público (cuja metodologia permanece, aliás, deconhecida de todos).
(remeto ao post acima para o resto da discussão e para os comentários de alguns economistas que consultei).

Agora, ao tomar conhecimento de outras reações, resolvi re-postar (com perdão pelo neologismo) novos materiais, pois acredito que a matéria justifique que se exponha com toda publicidade o besteirol produzido pelo presidente do IPEA.
Se ele produzisse apenas a versão econômica do que os americanos chamam de bullshit, seria sem maiores consequências, mas o fato é que o economista trapalhão pretende revolucionar a ciência econômica e reformular todo o setor público brasileiro, colocando seus meninos amestrados para produzir uma nova modalidade de economia surrealista, que poderia fazer sorrir, se não fosse produzir comichões em que lê esse tipo de bobagem.

Como eu tenho certa alergia a burrice, de fato fico eriçado com o festival de estupidezes que tem emergido -- o mais correto seria submergido -- do IPEA desde algum tempo.
Permito-me, assim, apenas transcrever uma matéria da Míriam Leitão, que entrevistou o Samuel Pessôa (IBRE-FGV) e desvendou porque Roraima aparece como sendo o estado que mais aumentou a produtividade do Setor Público entre 1995 e 2006.

Do Site da Míriam Leitão:
Pela regra internacional da ONU e que o IBGE segue corretamente nas contas nacionais, a produtividade está relacionada a certas despesas, como salário. Quando o governo aumenta muito o salário dos funcionários, ele aumenta a produtividade.

Quer ler mais e ver o tamanho da trapalhada? Então clique AQUI

1310) Submarinos franceses, submarinos alemaes: uma pequena diferenca de 2 bilhoes de euros

Talvez o ministro da Defesa tenha de se explicar melhor ao Congresso, e à opinião pública...

Submarinos: carta contraria Jobim
Diferentemente do que disse ministro, alemães aceitam transferir tecnologia
José Meirelles Passos
O Globo, 26.08.2009

Ao justificar a compra de quatro submarinos Skorpène, da DCNS, estatal da França, e um casco maior - ao qual seria instalado um propulsor nuclear, que ainda está em desenvolvimento no Brasil - o ministro da Defesa, Nelson Jobim, tem dito que não fechou acordo com uma empresa concorrente, da Alemanha, porque não haveria transferência de tecnologia. A alemã HDW construiu no Arsenal da Marinha, no Rio de Janeiro, os cinco submarinos convencionais que o Brasil vem usando. Segundo Jobim, "depois da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha tem limitações, por tratados internacionais, de transferir a tecnologia que precisamos".

No entanto, em proposta enviada ao Comando da Marinha e a Jobim - e que tem preço mais baixo do que a feita pela França - a firma alemã deixa claro que não há restrição alguma. O documento, protocolado no último dia 6, obtido pelo GLOBO, diz: "Antes de tudo, temos o prazer de informá-lo que o governo da República Federal da Alemanha aprovou o pedido feito pela HDW para transferir à Marinha brasileira a tecnologia do projeto do submarino, para o desenvolvimento de seu próprio grande submarino, que poderá receber a propulsão nuclear, atualmente sendo desenvolvido pela Marinha brasileira".

O documento deixa mais claro que a opção francesa preferida pelo governo brasileiro - Jobim afirma que o contrato será assinado dia 7 de setembro -- é bem mais cara do que a outra oferta. Segundo o Comando da Marinha, só o casco francês custaria cerca de dois bilhões de euros. E a transferência de tecnologia de projeto da embarcação sairia por 900 milhões de euros adicionais. Um total de 2,9 bilhões de euros por um modelo criado dez anos atrás e que só poderia entrar em atividade quando o Brasil conseguir produzir e homologar um propulsor nuclear. A estimativa de técnicos do setor é a de que isso levaria de 15 a 20 anos.

Curiosamente, o mais novo submarino nuclear francês, o Barracuda - tido como o mais avançado do mundo - está orçado em 1,9 bilhão de euros. Ou seja, 1 bilhão de euros a menos do que o casco de submarino que a França pretende vender ao Brasil.

Addendum em 27.08.09:
Recebido de alguem que entende do assunto:

O fato é que a Marinha alema nao pode transferir tecnologia de construcao de submarinos nucleares porque simplesmente nao os tem. É triste que o articulista nao se de ao trabalho de ver este fato obvio.
O projeto do submarino alemao já foi passado ao Brasil há mais de 20 anos, tanto que construimos diversos deles no Brasil (Classe Tupi).
A alemanha é especialista em desenvolver submarinos de propulsao diesel-eletrica para exportacao. Nuclear o "buraco é BEM mais embaixo" e eles nao tem tecnologia para isso. Ponto.
Nao quer dizer que nao possam fazer um, caso decidissem. Mas nao é esse o caso.
O fato é que a reportagem, como toda sobre o assunto defesa, é fraca, desinformada e carente do conhecimento de aspectos tecnicos minimos. Talvez fruto de uma pesquisa apressada e descuidada. Estas comparacoes que o reporter coloca sao equivocadas pq comparam "laranja com banana".
No entanto, acho boa a discussao do assunto por parte da sociedade. O reporter, contudo, perdeu uma excelente oportunidade de escrever uma noticia que informasse corretamente, pois nem isso faz.
Talvez fosse o caso de perguntar:
-porque a Alemanha depois da decisao brasileira decidiu que poderia vender uma tecnologia que nao tem?
-quantas bases nucleares de submarinos a alemanha tem, para crer que pode concorrer com a oferta francesa?
-qual o projeto de reator nuclear naval a Alemanha pretende vender se nunca os teve? (Os reatores a bordo de submarinos sao COMPLETAMENTE diferentes dos de uso civil)

Esta briga é de cachorro grande e com certeza nao tem nada a ver com a tecnologia do submarino, mas com o "arrasto" que a construcao de um submarino causa, como caldeiraria pesada, metalurgia, mecanica de precisao, combustivel nuclear, construcao civil de bases, optronica etc.
Sobre o caso do Barracuda é tipico de uma assessoria de imprensa com outros interesses...
Seria como comparar um produto que foi completamente desenvolvido no pais, adaptado ao mercado e a demanda futura e querer vende-lo a outro país. É claro que haverá um "premium" nisso. É o que pagamos por nao querer desenvolver tecnologia propria...
A compra da alheia é sempre mais cara.
Cabe notar que a controversia entre comprar fora ou fazer no Brasil vem dos tempos do Imperio e, em geral, o Brasil compra fora para fazer a alegria dos estrangeiros, de sua industria e dos atravessadores. Isso é muito notado em equipamento militar, mas nao se restringe somente a eles. É o caso, por exemplo, de aparelhos de diagnosticos etc.
Somente lamento que o Brasil, mais uma vez, tenha preferido ir "comprar lá fora" em vez de desenvolver aqui. O fato é que NENHUM país até hoje transferiu, nem vendendo, a tecnologia nuclear de nada. O desenvolvimento é sempre autoctone. Portante, me parece, como observador externo, que a oferta da Franca é o primeiro caso da Historia Nuclear. Vamos pagar pra ver, literalmente.
O projeto nuclear brasileiro, sem entrar no merito, é uma mostra da teimosia brasileira ante ao bloqueio externo para o desenvolvimento de tecnologias. Finalmente o Collor e FHC conseguiram leva-lo ao estado vegetativo. Uma pena pois se aprendeu muito, especialmente em metalurgia, e, nao fosse a Marinha trasnferi-lo para as mãos civis como INB e Nuclep, ele seria enterrado de vez.
Eu nao tenho acesso a nenhuma informacao privilegiada, mas essa serie de reportagens é boa devido ao debate sobre a questao, mas que tem um fundo essencialmente mercantilista, ah isso tem.
Isso me lembra uma definicao de luta politica: "briga de oponente armados de faca em uma sala escura. Ganha quem fura mais e sangra menos".

PRA: Agradeco a meu interlocutor as informacoes.

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...