Flâneries cansativas, mas altamente enriquecedoras.
Em Veneza, não tem muitas alternativas: ou você é milionário, e contrata um gondoliere per la giornatta (e não tenho ideia de quanto poderia custar essa loucura), ou você fica pegando o tragheto de um lado a outro (mas cada bilhete individual custa a tarifa extorsiva de 6,50 euros, um assalto a mão armada sobre turistas ocasionais; existem tarifas mais reduzidas, mas são válidas para vários dias, uma semana talvez), ou então você sobe e desce escadas, cruzando pontes sobre os canais, se enfiando em ruelas e praças para ir de um canto a outro.
Foi o que fizemos, durante a maior parte da giornata di sole, ma non troppo caldo, ótima para caminhar e apreciar a cidade. Fomos a duas exposições, com direito a paradas para café e refrigerantes pelo caminho, e voltamos ao Hotel Marconi cansadíssimos, mas satisfeitos.
Primeiro no Ca' Rezzonico, Museo del Settecento Italiano.
Numa libreria da esquina comprei o último Norberto Bobbio, Etica e Politica: Scritti di Impegno Civile (Mondadori, setembro de 2009, ou seja, acaba de sair do forno), uma coletânea de escritos políticos e filosóficos, a cura di Marco Revelli, que fez uma excelente introdução, uma cronologia completa, e uma bibliografia resumida (uma bibliografia completa seria impossível: Bobbio tem 4.803 escritos catalogados, em todas as categorias -- livros, artigos, conferências, entrevistas -- o que daria 128 volumes, com 944 artigos, 1.452 ensaios, 457 entrevistas, 316 palestras).
Verdade que eu já tenho vários dos escritos coletados, sobretudo "Quale Socialismo?", "Democrazia e Dittatura" e "Destra e Sinistra", além de alguns outros livros de filosofia do direito, mas este volume impressionante (1.718 páginas, com notas completas e aparato referencial), pela sua importância intrínseca, pode ser considerado uma espécie de "essential Bobbio". Preço para quem quiser encomendar via www.librimondadori.it 55 euros (mas o frete, pelo peso do volume, deve sair caro).
Já comecei a ler o livro, inclusive no almoço:
Ristoteca, Osteria e Enoteca Oniga (Campo San Barnaba)
Menu a 18 euros, sem o vinho, aceitável: spaghetti alle cose (mexilhões), pesce alla griglia, polenta e café; à parte um gnocchi, e o vinho, um chardonay da região (Mosole), a 12 euros.
Bem, desde o Brasil eu estava hesitando em dizer que só vim a Itália para duas coisas: comer trufas e tomar café. Agora posso dizer que só vim para uma única coisa, tomar café: inacreditável como não existe nenhuma outra coisa parecida no mundo com o café italiano, irreproduzível, inencontrável, exclusivíssimo e gostosíssimo. Basta isso.
Antes do almoço ainda visitamos uma exposição de maquinas e modelos do Leonardo da Vinci, na Igreja San Barnaba. Interessante, mas achei caro os 8 euros de entrada. Mais caro ainda foi o museu da tarde, no Palazzo Fortuny, uma coleção única de um rico herdeiro espanhol que comprou um palácio em Veneza, como fazem tantos ricos extravagantes de par le monde...
Ruelas e mais ruelas, sobe e desce, com os gondolieri que passam cantando embaixo das pontes, e finalmente atravessamos a Ponte di Rialto, e estamos chez Marconi, outra vez.
Bem, só resta agora decidir onde vamos jantar, e também tem concerto de música, depois.
Veneza, 30 de setembro de 2009, 18h25.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
1399) Turismo academico: de Asti a Veneza, em menos tempo que voce possa dizer saperlipopete...
Randonnée gastronomique entre o Piemonte e o Veneto
Bem, um pouquinho mais: foram quase 400kms de auto-estradas italianas (pedagiadas), para vir de um almoço gastronômico a um jantar gastronômico, junto a ponte de Rialto, em Veneza.
Em Asti, onde tínhamos chegado na noite de segunda-feira, dormimos num hotel do centro, Via Cavour, uns vinte passos do Ristorante, ou melhor Trattoria Tartuffo d'Oro, que eu tinha localizado na internet, a partir de uma pequena busca efetuada ainda em Dignes-Les-Bains.
Valeu o dispêndio: antipasti di prosciuto i meloni, e bresaola e formaggio parmigiano, seguidos de risottos, acompanhandos de um bom vinho Barbera d'Asti. O ponto alto foram as porções de trufas brancas, que custaram, apenas algumas raspadas sobre os três risottos (o meu era de funghi porcini), mais do que todo o resto da refeição, vinho incluído: nada menos do que 20 euros a porção.
As trufas italianas estão ficando caras: lembro-me que da última vez que estive na região, justamente para comer trufas brancas (mas na região de Alba, não em Asti), paguei algo como 5 dólares as raspadas de trufas sobre o risoto. Inflação, ou demanda aumentada, explicam a progressão inflacionista. Total 117 euros, para os interessados.
Via Cavour 95. Os mais aventureiros podem participar de uma randonné de caça às trufas, na floresta, desde que combinado com o dono (que como todo italiano tem primos em SP), mas eu preferi ficar apenas na gastronomia.
Apesar do vinho, a estrada decorreu tranquilamente, com apenas duas paradas para dois ristretos e abastecimento.
Chegamos a Veneza em torno das 19hs locais, ainda claro (horário de verão, que termina em duas semanas).
Hotel Marconi (sim, o do rádio telégrafo sem fio), ao lado da Ponte do Rialto.
Jantar no Ristorante Canal Grande, bem em frente a ponte, à base de calamari fritti, pesce alla griglia, spaghetti alla pescatora, com um Pinot grigio del Friuli, La Turella, bastante bom, a 28 euros a garrafa. Total, 113 euros, o que me pareceu caro, posto que sem sobremesa. Mas parece que todos os turistas em Veneza são assaltados...
(Sim, o garçon tambem tinha primos em SP...)
De volta ao hotel: internet a 12 euros por 20hs de conexao, sempre a exploração dos carteis, exatamente como no Brasil. Acho que a Itália e o Brasil se parecem muito, sobretudo na corrupção, mas no Brasil não tem as delícias gastronômicas e a oferta cultural da Europa, da Itália...
Termino de ler o Le Monde, depois passo ao La Reppublica, antes de dizer boa noite aos meus fiéis leitores...
Veneza, 29 de setembro de 2009.
Bem, um pouquinho mais: foram quase 400kms de auto-estradas italianas (pedagiadas), para vir de um almoço gastronômico a um jantar gastronômico, junto a ponte de Rialto, em Veneza.
Em Asti, onde tínhamos chegado na noite de segunda-feira, dormimos num hotel do centro, Via Cavour, uns vinte passos do Ristorante, ou melhor Trattoria Tartuffo d'Oro, que eu tinha localizado na internet, a partir de uma pequena busca efetuada ainda em Dignes-Les-Bains.
Valeu o dispêndio: antipasti di prosciuto i meloni, e bresaola e formaggio parmigiano, seguidos de risottos, acompanhandos de um bom vinho Barbera d'Asti. O ponto alto foram as porções de trufas brancas, que custaram, apenas algumas raspadas sobre os três risottos (o meu era de funghi porcini), mais do que todo o resto da refeição, vinho incluído: nada menos do que 20 euros a porção.
As trufas italianas estão ficando caras: lembro-me que da última vez que estive na região, justamente para comer trufas brancas (mas na região de Alba, não em Asti), paguei algo como 5 dólares as raspadas de trufas sobre o risoto. Inflação, ou demanda aumentada, explicam a progressão inflacionista. Total 117 euros, para os interessados.
Via Cavour 95. Os mais aventureiros podem participar de uma randonné de caça às trufas, na floresta, desde que combinado com o dono (que como todo italiano tem primos em SP), mas eu preferi ficar apenas na gastronomia.
Apesar do vinho, a estrada decorreu tranquilamente, com apenas duas paradas para dois ristretos e abastecimento.
Chegamos a Veneza em torno das 19hs locais, ainda claro (horário de verão, que termina em duas semanas).
Hotel Marconi (sim, o do rádio telégrafo sem fio), ao lado da Ponte do Rialto.
Jantar no Ristorante Canal Grande, bem em frente a ponte, à base de calamari fritti, pesce alla griglia, spaghetti alla pescatora, com um Pinot grigio del Friuli, La Turella, bastante bom, a 28 euros a garrafa. Total, 113 euros, o que me pareceu caro, posto que sem sobremesa. Mas parece que todos os turistas em Veneza são assaltados...
(Sim, o garçon tambem tinha primos em SP...)
De volta ao hotel: internet a 12 euros por 20hs de conexao, sempre a exploração dos carteis, exatamente como no Brasil. Acho que a Itália e o Brasil se parecem muito, sobretudo na corrupção, mas no Brasil não tem as delícias gastronômicas e a oferta cultural da Europa, da Itália...
Termino de ler o Le Monde, depois passo ao La Reppublica, antes de dizer boa noite aos meus fiéis leitores...
Veneza, 29 de setembro de 2009.
1398) Turismo academico: de Nostradamus as trufas, passando por Alexandra David-Neel
Encore une journée bien remplie.
Saindo do hotel em Salon-de-Provence, fomos visitar o que a cidade tinha de mais representativo a oferecer: a casa, hoje museu, de Michel de Nostradamus, o mais conhecido e apreciado -- sobretudo dos atuais engajados no setor de serviços hoteleiros e de restauração -- dos habitantes da cidade.
Bastante modernizada internamente, a casa-museu oferece uma visita guiada por audio das principais etapas da vida e da obra daquele que ficou injustamente conhecido apenas como o profeta das predicações futuristas -- a maior parte em estilo catástrofe -- em torno de grandes acontecimentos da história mundial, sobretudo européia.
Corrigindo essa visão redutora, simplista e deformada, o tour audio de sua casa permite um conhecimento mais preciso sobre aquele que foi sobretudo um sábio, e um contemporâneo de grandes intelectuais e reformadores do Renascimento europeu, acompanhando o trabalho de outros eruditos -- filósofos, teólogos e "cientistas" -- de uma época verdadeiramente revolucionária: Erasmo, Thomas Morus, Vesálio e outros.
A cidade tem ainda igrejas do século XII, castelos (ou o que restou de antigas fortificações) e outros vestígios de seu longo passado medieval e moderno.
Depois dessa visita empreendemos uma breve jornadas nos Hautes Alpes, em direção a Digne-les-Bains, onde Alexandra David-Néel, uma famosa exploradora francesa, fez sua casa, hoje fundação e exposição de seus objetos, ainda nos anos 1920. Ela foi a primeira mulher a visitar Lhasa, quando a cidade ainda era fechada aos estrangeiros em geral e às mulheres em particular. Ela o fez disfarçada de mendiga, o que era uma proeza para a época.
A razão da visita situa-se no livro que Carmen Lícia acaba de escrever, e que será publicado no Brasil em março de 2010, sobre a vida e a obra dessa extraordinária mulher aventureira e grande estudiosa das religiões e filosofias do oriente, com destaque para o budismo tibetano. Ela fez longuissimas estadas na China, vivendo como os tibetanos e estudando seus livros religiosos. Morreu às vésperas de completar 101 anos, tendo ainda renovado o passaporte para mais uma viagem ao Oriente...
Mais informações em próxima oportunidade.
Depois subimos pelos Alpes, numa passagem de montanha, para atravessar para a Itália, vindo até Asti, no Piemonte, mais conhecida como a capital das trufas. Chegamos tarde para empreender uma lauta refeição ainda de noite, mas a disposição permanece inteira para enfrentar um desses pratos saborosíssimos, com vinhos da região, nesta terça-feira.
Deixo vocês no appetizer bloguístico. Depois conto como foi...
Asti, 28.09.2009
Saindo do hotel em Salon-de-Provence, fomos visitar o que a cidade tinha de mais representativo a oferecer: a casa, hoje museu, de Michel de Nostradamus, o mais conhecido e apreciado -- sobretudo dos atuais engajados no setor de serviços hoteleiros e de restauração -- dos habitantes da cidade.
Bastante modernizada internamente, a casa-museu oferece uma visita guiada por audio das principais etapas da vida e da obra daquele que ficou injustamente conhecido apenas como o profeta das predicações futuristas -- a maior parte em estilo catástrofe -- em torno de grandes acontecimentos da história mundial, sobretudo européia.
Corrigindo essa visão redutora, simplista e deformada, o tour audio de sua casa permite um conhecimento mais preciso sobre aquele que foi sobretudo um sábio, e um contemporâneo de grandes intelectuais e reformadores do Renascimento europeu, acompanhando o trabalho de outros eruditos -- filósofos, teólogos e "cientistas" -- de uma época verdadeiramente revolucionária: Erasmo, Thomas Morus, Vesálio e outros.
A cidade tem ainda igrejas do século XII, castelos (ou o que restou de antigas fortificações) e outros vestígios de seu longo passado medieval e moderno.
Depois dessa visita empreendemos uma breve jornadas nos Hautes Alpes, em direção a Digne-les-Bains, onde Alexandra David-Néel, uma famosa exploradora francesa, fez sua casa, hoje fundação e exposição de seus objetos, ainda nos anos 1920. Ela foi a primeira mulher a visitar Lhasa, quando a cidade ainda era fechada aos estrangeiros em geral e às mulheres em particular. Ela o fez disfarçada de mendiga, o que era uma proeza para a época.
A razão da visita situa-se no livro que Carmen Lícia acaba de escrever, e que será publicado no Brasil em março de 2010, sobre a vida e a obra dessa extraordinária mulher aventureira e grande estudiosa das religiões e filosofias do oriente, com destaque para o budismo tibetano. Ela fez longuissimas estadas na China, vivendo como os tibetanos e estudando seus livros religiosos. Morreu às vésperas de completar 101 anos, tendo ainda renovado o passaporte para mais uma viagem ao Oriente...
Mais informações em próxima oportunidade.
Depois subimos pelos Alpes, numa passagem de montanha, para atravessar para a Itália, vindo até Asti, no Piemonte, mais conhecida como a capital das trufas. Chegamos tarde para empreender uma lauta refeição ainda de noite, mas a disposição permanece inteira para enfrentar um desses pratos saborosíssimos, com vinhos da região, nesta terça-feira.
Deixo vocês no appetizer bloguístico. Depois conto como foi...
Asti, 28.09.2009
domingo, 27 de setembro de 2009
1397) Turismo academico: Une journée de voyage, seulement cela...
Domingo, dia de viagem, numa Peugeot 308, alugada na esquina, a diesel, e bastante confortável.
Foram 7h30 de viagem, incluídas paradas para restauração, pedágio, etc. No total, 754kms, o que dá uma média aparente de 100kms por hora.
Roteiro: Paris, A-6, direção a Lyon, depois A7, direção Marselha, com desvio em Salon de Provence, onde nos encontramos neste momento, num hotel Ibis dos arredores da cidade, conhecida por ser o local de nascimento de Nostradamus, o célebre "científico" do Renascimento, homem de muitas artes, entre elas a astronomia, e um pouco de astrologia.
Ele ficou famoso pelas suas "Centúrias", nas quais fazia algumas "previsões" estapafúrdias, irracionalmente repetidas por muitos, na atualidade, como prenunciadoras de catástrofes e outros acontecimentos fora do comum.
Pedro Paulo me diz que existem controvérsias sobre se seriam, de verdade, previsões quanto ao futuro, quando elas poderiam ser apenas comentários políticos sobre eventos e processos contemporâneos de Nostradamus.
Enfim, amanhã veremos tudo isso, na sua casa, hoje museu e biblioteca.
Salon de Provence, 27.09.2009
Foram 7h30 de viagem, incluídas paradas para restauração, pedágio, etc. No total, 754kms, o que dá uma média aparente de 100kms por hora.
Roteiro: Paris, A-6, direção a Lyon, depois A7, direção Marselha, com desvio em Salon de Provence, onde nos encontramos neste momento, num hotel Ibis dos arredores da cidade, conhecida por ser o local de nascimento de Nostradamus, o célebre "científico" do Renascimento, homem de muitas artes, entre elas a astronomia, e um pouco de astrologia.
Ele ficou famoso pelas suas "Centúrias", nas quais fazia algumas "previsões" estapafúrdias, irracionalmente repetidas por muitos, na atualidade, como prenunciadoras de catástrofes e outros acontecimentos fora do comum.
Pedro Paulo me diz que existem controvérsias sobre se seriam, de verdade, previsões quanto ao futuro, quando elas poderiam ser apenas comentários políticos sobre eventos e processos contemporâneos de Nostradamus.
Enfim, amanhã veremos tudo isso, na sua casa, hoje museu e biblioteca.
Salon de Provence, 27.09.2009
sábado, 26 de setembro de 2009
1396) Referencia de estudos: nao estou ganhando nada com isso
Antes que alguém pense que eu pedi para ser mencionado, ou que entrei em negociações com um conhecido curso preparatório para os exames de ingresso na carreira diplomática para figurar na página de referências (Links Úteis) do referido curso (cujo nome não menciono para evitar publicidade indevida), esclareço, formal e explicitamente, que jamais autorizei ninguém, nem fui consultado em qualquer tempo, época e lugar para ter meu nome (e meu site) inscrito no cursinho em questão, como abaixo.
Paulo Roberto de Almeida
Paris, 27 de setembro de 2009
Links Úteis (apenas existentes no post original do cursinho, não nesta minha transcrição, que segue a título informativo, apenas)
Instituto Rio Branco - IRBr
Ministério das Relações Exteriores - MRE
Fundação Alexandre Gusmão - Funag
Instituto Brasileiro de Relações Internacionais - IBRI
Centro Brasileiro de Relações Internacionais - CEBRI
Guia de estudos e edital do Concurso de 2009
Organizações Internacionais
Acordo de Livre Comércio da América do Norte - Nafta
Acordo de Livre Comércio entre as Américas - Alca
Anistia Internacional
Associação de Nações do Sudeste Asiático - Asean
Banco Mundial
Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF
Fundo Monetário Internacional - FMI
Greenpeace
Mercado Comum do Sul - Mercosul
Organização dos Estados Americanos - OEA
Organização Mundial do Comércio - OMC
Organização Mundial da Saúde - OMS
Organização das Nações Unidas - ONU
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO
Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN
Pacto Andino
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA
União Européia
Outros
Associação Brasileira de Relações Internacionais
Associação dos Diplomatas Basileiros
Centro Brasileiro de Relações Internacionais
Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília - Cespe
Columbia International Affairs Online - CIAO
FAQ do Candidato a Diplomata
Instituto Brasileiro de Relações Internacionais
Modern History Sourcebook
Mundo RI
O Debatedouro
Observatório Político Sul-americano
OECD Economic Outlook
Paulo Roberto de Almeida (Diplomata)
Laboratório de Análises em Relações Internacionais da UnB - LARI
Portal de Periódicos da CAPES
Rede Brasileira de Relações Internacionais - Relnet
South American Daily
Mundorama
Paulo Roberto de Almeida
Paris, 27 de setembro de 2009
Links Úteis (apenas existentes no post original do cursinho, não nesta minha transcrição, que segue a título informativo, apenas)
Instituto Rio Branco - IRBr
Ministério das Relações Exteriores - MRE
Fundação Alexandre Gusmão - Funag
Instituto Brasileiro de Relações Internacionais - IBRI
Centro Brasileiro de Relações Internacionais - CEBRI
Guia de estudos e edital do Concurso de 2009
Organizações Internacionais
Acordo de Livre Comércio da América do Norte - Nafta
Acordo de Livre Comércio entre as Américas - Alca
Anistia Internacional
Associação de Nações do Sudeste Asiático - Asean
Banco Mundial
Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF
Fundo Monetário Internacional - FMI
Greenpeace
Mercado Comum do Sul - Mercosul
Organização dos Estados Americanos - OEA
Organização Mundial do Comércio - OMC
Organização Mundial da Saúde - OMS
Organização das Nações Unidas - ONU
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO
Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN
Pacto Andino
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA
União Européia
Outros
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FAQ do Candidato a Diplomata
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Mundo RI
O Debatedouro
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Portal de Periódicos da CAPES
Rede Brasileira de Relações Internacionais - Relnet
South American Daily
Mundorama
1395) Turismo academico: flaneries em Paris
Batendo pé em Paris (mas em melhores condições do que George Orwell...)
Creio que foi Walter Benjamin, o conhecido crítico literário alemão que disse que gostava de "flâner" em Paris, ou seja, de percorrer suas ruas a esmo, apreciando a arquitetura, o povo e os costumes.
Eu também. Nesta sequência de minhas crônicas de viagem (confira o post 1389, para ver minhas tribulações para chegar até aqui), apenas posso complementar pouca coisa, posto que Paris não necessita de muitas descrições ou dicas: a cidade mais universal do mundo -- alguns diriam, depois de New York, mas a competição é diferente, e se dá em outra escala -- tem quase tudo do que você humanamente precisa para viver bem, descontando, talvez lugares para estacionar o carro, mas este não era o meu problema desta vez.
Minha única ocupação neste sábado 26 de setembro, ensolarado e suficientemente quente para dispensar o paletó que levei (mais para carregar a carteira, mapa, passaporte, óculos de sol, caderno de anotações, do que por necessidade), foi justamente aquilo que Benjamin recomendava a turistas culturais como nós: flâner dans Paris.
George Orwell também se dedicou a esse esporte, mais ou menos na mesma época que Walter Benjamin, mas ele ainda não se chamava George Orwell, nem tinha vários cartões de crédito, assim que não pode aproveitar como eu os prazeres de uma cidade quase perfeita.
Minha flânerie consistiu, tout simplement, em entrar em todas as livrarias que encontrava pelo caminho (e percorrer as mesas dos sebos nas calçadas), e ler de tudo um pouco, ao gosto do momento: romances, história, filosofia, economia, enfin presque tout ce qu'il peut avoir d'intéressant...
Não esquecer a gastronomia, também: retornamos, depois de praticamente 15 anos, ao mesmo restaurante grego da rue Mouffetard, que frequentamos nos anos 1990, Olympiades, para matar a saudade. Calamares fritos de entrada (mas apenas ligeiramente pannés, comme il faut, sem aquela crosta de chapelure que costuma sobrecarregar demais outros calamares menos felizes por aí), moussaka, poisson du jour, gambas à la grecque (não confundir com gambás gregos, que não sei se existem por lá). Le tout arrosé par un Retsina, que para quem não sabe é o vinho branco grego que bate no céu da boca e deixa um gostosa sensação de quero mais.
Mais tarde, mais um pouco de flânerie, mais livrarias e uma exposição sobre mangas japoneses da mais alta qualidade: a tropa de quatro desenhadoras do grupo Clamp, um must para quem conhece o gênero.
Sim, antes do almoço, na primeira livraria que entrei, comprei o último livro de Stéphane Courtois, Communisme et Totalitarisme (Paris: Perrin, 2009), com uma compilação de seus melhores artigos e contribuições sobre o tema. Para quem também não sabe, o historiador Courtois foi o coordenador do Livre Noir sur le Communisme, com Nicolas Werth, Jean Louis Panné e outros (1997), que teve imenso sucesso em desmascarar os crimes, o terror e a repressão dos regimes comunistas desde sua origem até os nossos dias.
Mais tarde, passei na Fnac e comprei o novo sistema operacional da Apple, o Snow Leopard, que já instalei e ainda preciso testar para ver como funciona (até agora tudo em ordem).
Sim, na primeira hora da manhã, fui alugar um carro, que pretendo pegar neste domingo e viajar ao sul, para a Provence, e depois Itália. Um domingo de viagem em lugares históricos e literários. Depois en conto...
Agora um pouco de Skype e depois dodô...
Paris, 26 de setembro de 2009
Creio que foi Walter Benjamin, o conhecido crítico literário alemão que disse que gostava de "flâner" em Paris, ou seja, de percorrer suas ruas a esmo, apreciando a arquitetura, o povo e os costumes.
Eu também. Nesta sequência de minhas crônicas de viagem (confira o post 1389, para ver minhas tribulações para chegar até aqui), apenas posso complementar pouca coisa, posto que Paris não necessita de muitas descrições ou dicas: a cidade mais universal do mundo -- alguns diriam, depois de New York, mas a competição é diferente, e se dá em outra escala -- tem quase tudo do que você humanamente precisa para viver bem, descontando, talvez lugares para estacionar o carro, mas este não era o meu problema desta vez.
Minha única ocupação neste sábado 26 de setembro, ensolarado e suficientemente quente para dispensar o paletó que levei (mais para carregar a carteira, mapa, passaporte, óculos de sol, caderno de anotações, do que por necessidade), foi justamente aquilo que Benjamin recomendava a turistas culturais como nós: flâner dans Paris.
George Orwell também se dedicou a esse esporte, mais ou menos na mesma época que Walter Benjamin, mas ele ainda não se chamava George Orwell, nem tinha vários cartões de crédito, assim que não pode aproveitar como eu os prazeres de uma cidade quase perfeita.
Minha flânerie consistiu, tout simplement, em entrar em todas as livrarias que encontrava pelo caminho (e percorrer as mesas dos sebos nas calçadas), e ler de tudo um pouco, ao gosto do momento: romances, história, filosofia, economia, enfin presque tout ce qu'il peut avoir d'intéressant...
Não esquecer a gastronomia, também: retornamos, depois de praticamente 15 anos, ao mesmo restaurante grego da rue Mouffetard, que frequentamos nos anos 1990, Olympiades, para matar a saudade. Calamares fritos de entrada (mas apenas ligeiramente pannés, comme il faut, sem aquela crosta de chapelure que costuma sobrecarregar demais outros calamares menos felizes por aí), moussaka, poisson du jour, gambas à la grecque (não confundir com gambás gregos, que não sei se existem por lá). Le tout arrosé par un Retsina, que para quem não sabe é o vinho branco grego que bate no céu da boca e deixa um gostosa sensação de quero mais.
Mais tarde, mais um pouco de flânerie, mais livrarias e uma exposição sobre mangas japoneses da mais alta qualidade: a tropa de quatro desenhadoras do grupo Clamp, um must para quem conhece o gênero.
Sim, antes do almoço, na primeira livraria que entrei, comprei o último livro de Stéphane Courtois, Communisme et Totalitarisme (Paris: Perrin, 2009), com uma compilação de seus melhores artigos e contribuições sobre o tema. Para quem também não sabe, o historiador Courtois foi o coordenador do Livre Noir sur le Communisme, com Nicolas Werth, Jean Louis Panné e outros (1997), que teve imenso sucesso em desmascarar os crimes, o terror e a repressão dos regimes comunistas desde sua origem até os nossos dias.
Mais tarde, passei na Fnac e comprei o novo sistema operacional da Apple, o Snow Leopard, que já instalei e ainda preciso testar para ver como funciona (até agora tudo em ordem).
Sim, na primeira hora da manhã, fui alugar um carro, que pretendo pegar neste domingo e viajar ao sul, para a Provence, e depois Itália. Um domingo de viagem em lugares históricos e literários. Depois en conto...
Agora um pouco de Skype e depois dodô...
Paris, 26 de setembro de 2009
1394) Comunismo religioso: a fé é a última que morre...

À ESPERA DE UM MILAGRE
Da esquerda para a direita (com todo o respeito): Ivan Pinheiro, Heloísa Helena, José Maria, Renato Rabelo e Rui Costa Pimenta. O personagem deitado na cama, para quem não sabe, é Marx
O título é meu, claro. Eu também acho que esse pessoal é inofensivo, contrariamente aos que acreditam que eles pretendem implantar o comunismo no Brasil.
Para que?, pergunto eu: eles sobrevivem muito melhor com o capitalismo, pois todos eles estão empregados, ganhando dinheiro do Estado, de empresas, de capitalistas e banqueiros, enfim, gozando do que existe de melhor no capitalismo, coisas que eles nunca teriam se o Brasil fosse socialista ou comunista.
A única coisa que eles conseguem é atrasar um pouco mais o Brasil, pois com todas essas mordomias e transferências de rendas, os capitalistas não conseguem investir pesadamente no crescimento e na criação de empregos.
Mas, para que?, eles já conseguiram os seus empregos e as suas rendas...
Brasil
O socialismo não morreu (para eles)
Para um bloco de partidos nanicos de esquerda, o marxismo
está mais vivo do que nunca e o capitalismo caminha inexoravelmente
para seu fim. Eles são inofensivos, apesar desse delírio
Veja, 30 de setembro de 2009
Um fantasma ronda a América Latina: o fantasma do comunismo. Pelo menos é o que acreditam os militantes de um punhado de partidos nanicos de esquerda que ainda sobrevivem na política brasileira. Para esse pessoal, não há nada mais importante do que impedir que as ideias de Karl Marx sejam devoradas pelo fungo e pelo bolor. Os esquerdistas radicais formam um grupo tão curioso quanto inofensivo. A grande aspiração dessa turma é assistir ao dia em que o socialismo, finalmente, vai se tornar o sistema econômico e político dominante no planeta. E esse dia estaria mais próximo, com o capitalismo perto de seus estertores, como demonstraria a crise financeira do ano passado. Apesar de animados, os nossos marxistas não pretendem se esforçar para acelerar a Grande Revolução Vermelha. Acham que basta sentar e esperar, visto que a marcha da história se encarrega de fazer o trabalho pesado.
O PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), que integra esse bloco, é provavelmente a única agremiação marxista do mundo fundada depois da virada do século. Sua maior estrela é a ex-senadora Heloísa Helena. Com pouco mais de cinco anos de existência, o partido é um balaio de gatos. Abriga socialistas, trotskistas-cristãos, trabalhistas e até brizolistas. Com tantas correntes, é difícil afinar um discurso homogêneo, mas a maioria dos militantes concorda em um ponto: é preciso implantar um regime socialista no Brasil quanto antes. "Achamos que não há condições de fazer isso agora, mas um bom jeito de começar a transição socialista seria reestatizar a Vale do Rio Doce e expulsar o capital privado da Petrobras", diz o secretário de mobilização do PSOL, Roberto Robaina, reproduzindo um pensamento que, infelizmente, ronda o Palácio do Planalto.
Uma das agremiações mais barulhentas é o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado). Seu líder, José Maria de Almeida, foi candidato duas vezes a presidente da República. Em 1998, teve 0,30% dos votos. Em 2002, alcançou 0,47%. Zé Maria não se preocupa com essa falta de mais-valia nas urnas: "O importante é a revolução. Ela está chegando, e nós estamos preparados. Haverá uma insurreição do povo. Vamos derrubar o governo e mudar o regime". Uma revolução no Brasil? "É isso mesmo. Nos últimos anos houve conflagrações no Equador, na Argentina e na Bolívia. Eles só continuam capitalistas porque quando o povo foi para as ruas não havia partidos capazes de guiar a transição para o socialismo. Esse será o nosso papel quando a hora chegar", acrescenta um Zé Maria animadíssimo.
A foice e o martelo também continuam em riste nas mãos da velha guarda do PCB (Partido Comunista Brasileiro). "Nunca fez tanto sentido ser comunista quanto agora", garante o secretário-geral da legenda, Ivan Pinheiro. Pare ele, a crise econômica dos últimos doze meses é a senha para a ressurreição do modo de vida soviético. "O capitalismo não vai dar conta dessa crise. Digo mais: haverá uma próxima crise, muito maior. Quando isso acontecer, os trabalhadores do mundo todo vão perder seus empregos e terão de voltar a se organizar para lutar. Isso vai acontecer antes do que se imagina", entusiasma-se Ivan, o Terrível.
O giro da roda da história (eles não julgam que seria para trás) é questão prioritária também nas plenárias do PCdoB (Partido Comunista do Brasil). Renato Rabelo, seu presidente, está convicto de que a queda do Muro de Berlim, em 1989, não representou o fim do marxismo: "Quando a União Soviética desabou, houve quem achasse que o socialismo tinha morrido. Que nada! Só alguém sem visão histórica nenhuma pode pensar assim". Para Rabelo, a aventura socialista mal começou: "O capitalismo levou 300 anos para superar o feudalismo. O marxismo tem pouco mais de 100 anos de existência. Ou seja, podemos precisar de mais 200 anos para tornar o mundo comunista". Nem o senador Eduardo Suplicy aguentaria mais dois séculos desse debate.
Essa confraria esquerdista se completa com uma obscura organização chamada PCO (Partido da Causa Operária). Como se fossem soldados da Coreia do Norte, seus militantes dificilmente saem em público, não dão bom-dia aos vizinhos e soltam a voz ao cantar a Internacional. Sua única face conhecida é o comissário-geral Rui Costa Pimenta, que em todas as eleições aparece na TV repetindo o slogan: "Quem bate cartão não vota em patrão". Uma rima, não uma solução, para continuar no pão com macarrão.
As ideias disparatadas desses partidecos dão certo colorido à democracia brasileira, nada mais. Ao sonharem com o pesadelo da restauração socialista, seus militantes conseguem apenas criar para si próprios uma imagem folclórica. Perderiam menos tempo se dessem ouvidos ao próprio Marx, objeto de sua devoção, que dizia que alguns fatos históricos podem acontecer duas vezes: na primeira, desenrolam-se como tragédia; na segunda, como farsa. O socialismo não voltará à vida. Está morto e enterrado, juntamente com milhões de cidadãos que, ao longo de setenta anos, pereceram sob sua mão de ferro. Ele só sobrevive como alucinação.
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