Museo Ebraico, a Venezia, Il Gato Nero a Torino...
Despedida de Veneza nesta quinta-feira, 1 de outubro. Acordamos cedo, eu alias, antes das seis, para redigir um trabalho para minha palestra no seminário da UnB sobre a queda do muro de Berlim (ver dois posts abaixo, ou seja, 1401), e depois um café saboroso.
Saimos para nossa última visita antes da partida, desta vez no quartiere ebrei, Vecchio Ghetto, Nuovo Ghetto e Museo Ebraico.
Ao contrário do que muita gente pensa, eles não estão da ilha de Giudeca, cujo nome não vem de judeu, mas sim de giurisdizione, ou seja, uma região atribuída aos judeus na Idade Média, mas que depois se moverem para uma ilha mais ao norte, um verdadeiro pântano, situado longe do centro (Piazza San Marco e o Palácio dos Doges). Por esse pântano, eles pagavam um aluguel acrescido de um terço, apenas porque eram judeus, além de serem obrigados a usar um barrete amarelo, que ficou nos costumes até tempos mais odiosos...
Tudo isso, e muito, muito mais, aprendemos ao visitar o Museo Ebraico, que retoma a história do povo judeu, com especial atenção para os que se instalaram na região de Veneza, vindos tanto da Europa setentrional (askenazis), como da peninsula ibérica (sefardins del ponente), sefardins do Oriente Médio (sefardins del levante) e de outras regiões (norte da África, por exemplo). Todos concentrados no ghetto, que era o local da antiga fundição, de onde vem o nome, cujas portas eram fechadas todas as noites, para serem abertas apenas na manhã seguinte.
Excluídos da maior parte das profissões e de acumularem patrimônio fundiário, os judeus tiveram de concentrar-se, como uma das poucas opções, no comércio de moedas e nas operações usurárias, daí sua identificação equivocada com o capitalismo, preconceito que também Marx exibiu no seu menos conhecido Judische Frage (A Questão Judaica, 1844).
Napoleão libertou os judeus de Veneza e os fez quase cidadãos, mas a história foi madastra com eles, posto que as perseguições continuaram, tanto dos papas quanto, mais tragicamente, dos nazistas.
Comprei um livro de Riccardo Calimani, um engenheiro eletrotécnico, autor de vários livros sobre o povo judaico e sua história italiana, inclusive este: Non è Facile Essere Ebreo: L'ebraismo spiegato ai non ebrei (Mondadori, 2004). Já comecei a ler, no barco de volta ao hotel...
Recuperamos o carro no parchegio (60 euros pelos dois dias e meio) e tocamos para a estrada de Padova, pelo canal della Brenta, para visitar alguns palácios palladianos.
De volta à autostrada, foi tranquilo, com apenas um pouco de concentração de carros na região de Milão.
440 kms de viagem, em pouco mais de sete horas, com várias paradas no começo, para as visitas mencionadas.
Propositalmente, vim para um Best Western Hotel próximo do Corso Felippo Turatti, onde fica um restaurante absolutamente extraordinario. Il Gato Nero (numero 14; telefono 59-0414), onde pretendemos enfrentar um menu degustazzione, nesta sexta ou sábado de noite...
Comemorações absolutamente oficiosas, e aborrecidas, pelo 60. aniversário da revolução comunista na China, e um pouco de tragédias ambientais na TV: terremoto em Sumatra, tsunami em Samoa, terríveis perdas humanas.
Olimpíadas de 2016 ainda não decididas, mas não vou esperar. Prefiro ler...
Torino, 1 de outubro de 2009.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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