Participei, no dia 24, do lançamento desta obra do IPEA:
Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento, Políticas Públicas
(Brasília: Ipea, 2011, 3 vols.) (ver este link)
Na ocasião, o bizarro presidente do Ipea, na certa vitimado por alguma mania de grandeza em tudo e por tudo indevida, e entusiasmado com mais essa demonstração de contribuição ao saudosismo econômico, chegou a afirmar que não existia, no hemisfério americano, nem mesmo nos Estados Unidos, "nenhuma instituição comparável ao Ipea".
De fato, talvez não exista. Mas existe melhor, e o fato de o presidente do Ipea encher a boca para cantar as loas do Ipea mostra apenas que ele é um ignorante, um pretensioso, um narcisista vazio, ou tudo isso ao mesmo tempo.
Ele provavelmente desconhece -- seja por preconceito, seja por anti-imperialismo primário, seja por ignorância mesmo, ou mais provavelmente por uma combinação de todas essas "qualidades" -- a existência do NBER, o National Bureau of Economic Resarch, do Império, justamente.
Não querendo depreciar o Ipea, que já conheceu dias e presidentes melhores, basta lembrar alguns dados, retirados do site do NBER:
The NBER is the nation's leading nonprofit economic research organization. Eighteen of the 33 American Nobel Prize winners in Economics and six of the past Chairmen of the President's Council of Economic Advisers have been researchers at the NBER. The more than 1,000 professors of economics and business now teaching at colleges and universities in North America who are NBER researchers are the leading scholars in their fields. These Bureau associates concentrate on four types of empirical research: developing new statistical measurements, estimating quantitative models of economic behavior, assessing the economic effects of public policies, and projecting the effects of alternative policy proposals.
Ou seja, o NBER faz mais ou menos o que o Ipea faz, mas faz muito melhor, com menos gente, menos custo e menos alarde.
E quantos funcionários tem o Ipea? Provavelmente mais de mil, todos estáveis, como acontece no Estado brasileiro. Quanto custa o Ipea para o Brasil? Não sei, mas não deve ser pouco...
Em comparação, eis o NBER:
The NBER is governed by a Board of Directors with representatives from the leading U.S. research universities and major national economics organizations. Other prominent economists from business, trade unions, and academe also sit on the Bureau's Board. James Poterba is the NBER's President and Chief Executive Officer. In addition to the Research Associates and Faculty Research Fellows, the Bureau employs a support staff of 45. The Bureau's main office is in Cambridge, Massachusetts. It has a branch office in New York City.
(As contas do NBER estão neste link.)
Ou seja, o NBER tem apenas 45 funcionários, que se ocupam, no mais das vezes, de organizar os encontros de seus pesquisadores e de preparar os trabalhos aprovados para publicação.
(O staff do NBER está aqui.)
Quanto à produção intelectual do NBER, seria até covardia compará-la com a do Ipea, sobretudo em termos de rigor acadêmico, seriedade metodológica, utilidade para o país (o deles...).
O Ipea está empenhado em fazer o Brasil retornar aos anos 1950 e 1960, ou seja, meio século atrás, pois parece que suas atuais lideranças são muito afinadas com as ideias dos cepalianos, furtadianos, prebischianos e outros keynesianos saudosistas.
Um outro Ipea é possível (até mesmo desejável)...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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