Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá (bem mais tarde), foi um visionário e uma pessoa absolutamente prática; tinha visão de futuro, mas também tinha senso pragmático. Queria fazer um Brasil desenvolvido, capitalista, liberal, democrático, mas foi derrotado pelas forças do atraso, do escravismo, da fatalidade agrária, do monopólio estatal (alguns dos quais, aliás, o beneficiaram, na exploração de várias atividades, mas assim funcionava o Estado desfuncional do Brasil).
Foi um derrotado, como muitos outros, como José Bonifácio, antes dele, como Joaquim Nabuco, pouco depois, como Monteiro Lobato, no século 20, como muitos outros reformadores sociais e paladinos da educação brasileira.
Eugênio Gudin, também, foi p vencedor intelectual do debate sobre mercado e intervencionismo estatal no Brasil, sobre liberalismo e protecionismo, mas foi derrotado na prática pelos que pretendiam um Estado empresário.
Deu no que deu.
Agora querem homenagear Mauá, justamente, legitimamente. Mas precisamos recordar que sua mensagem principal ainda não passou no Brasil. Ainda continuamos no Estado patrimonialista, prebendalista, intervencionista.
Até quando?
Minha proposta seria aprovada por Mauá: a de uma fronda empresarial.
Vai ser difícil.
Mas os derrotados tampouco deixam de pensar, de falar, de escrever e de pensar...
Paulo Roberto de Almeida
A Associação Comercial do Rio de Janeiro criou um site para destacar as comemorações do Bicentenário de Nascimento do Visconde de Mauá. No endereço www.maua200anos.com.br há informações sobre a programação de eventos, matérias, vídeos, fotos etc. O objetivo é destacar a importância de Irineu Evangelista de Souza para o país.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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3 comentários:
Curiosamente, na biografia de Dom Pedro II há não mais do que dois ou três parágrafos a respeito dos problemas que ele teve com o Imperador.
Você não esclarece qual biografia de D. Pedro, escrita por quem?
Na inauguração da estrada de ferro Rio - Petrópolis, Mauá ofereceu a pá ao imperador para ser o "colocador" da "pedra inaugural", mas o gesto teria sido considerado ofensivo a um monarca: imaginem, um aristocrata pegando no pesado...
Paulo Roberto de Almeida
http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/D-PEDRO-II-SER-OU-NAO-SER/1922200
Depois de ler essa biografia fiquei sem entender a briga entre os dois. Acho que o problema era pessoal, por causa da Guerra do Paraguai.
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