Acabo de ouvir na rádio que um estudo do IPEA, esse órgão que um dia, num passado distante, já foi algo racional, ou pelo menos não tão maluco quanto atualmente, propõe transportes coletivos gratuitos para 7 milhões de pessoas (só isso), para estudantes, idosos, militares, e outros "pobres", sendo que o governo subsidiaria o custo, à razão de 8 bilhões de reais por ano (ao que parece).
Segundo o técnico do Ipea, que explicou a maravilha ao repórter da rádio, o transporte não seria exatamente gratuito, pois teria custo, mas este não seria coberto pelos beneficiários, mas sim pelo "poder público".
Como todo mundo sabe, o "poder público" é aquela entidade mágica que tira dinheiro do ar, ou inventa dinheiro, sem que isso tenha qualquer custo para a sociedade...
Eu já deixei de me surpreender com as demagogias eleitorais desse governo, que está simplesmente destruindo a economia nacional, com esse tipo de medida demagógica e absolutamente irracional no plano econômico.
Poucos dias atrás, o "ministro" da Aviação Civil anunciou que todo brasileiro passará a poder viajar de avião pelo custo de uma passagem de ônibus, sendo que o governo (mais uma vez, esse monstro metafísico, tão bonzinho) cobriria a diferença, como ele pensa fazer com os transportes coletivos urbanos.
O governo enlouqueceu, ou apenas recrudesce na demagogia barata.
Tudo isso vai custar muito caro, não necessariamente em termos absolutos, mas em desorganização completa da economia nacional e, sobretudo, na psicologia popular. Todo mundo vai passar a acreditar que basta ter "vontade política" -- como disse o técnico do Ipea, que deve ser um completo idiota -- que se pode fazer.
Pobres brasileiros, pobre Brasil...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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