A humanidade caminha muito lentamente
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre a persistência da força sobre o direito
Até o século XX, grandes potências, impérios colonialistas, países militarmente poderosos, podiam impor sua vontade contra povos distantes, ou até vizinhos, em total impunidade, pelos meios os mais brutais, sem qualquer restrição legal ou pruridos morais. Alguns saíram na frente, mas todos aqueles dispondo de tecnologias mais avançadas acabaram seguindo a tendência opressora.
No século XX, algum relance de ideias humanistas e liberais levou, depois de muita destruição, a alguns exercícios de contenção; o primeiro de forma ainda oligárquica e sempre imperialista, soçobrou em suas contradições e revelou-se inepto.
Mais algumas dezenas de milhões de mortos, e um novo intento ainda oligárquico tentou recomeçar de maneira mais abrangente.
Tampouco resistiu às paixões e interesses de candidatos a novos imperadores do mundo, ou pelo menos de suas respectivas regiões.
Não estamos muito longe da guerra de Troia, das paixões e ambições daqueles que se julgam poderosos.
Não existe, nunca existiu, algum “cavalo” capaz de encerrar o desejo de conquista desses conquistadores ambiciosos demais para os seus meios e para a tolerância dos cidadãos que pagam os custos e para a resistência dos agredidos.
Estamos, talvez, no limiar de um novo equilíbrio, como sempre muito precário, até o próximo aventureiro.
A humanidade caminha muito lentamente e ainda teremos muita miséria pela frente, que emerge da ignorância e das frustrações. A educação é o caminho, mas muito difícil, pois como todos nascemos “0 km” é preciso recomeçar a cada vez, ensinando tudo de novo. Alguns têm essa oportunidade, outros não.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5178, 8 janeiro 2026, 1 p.
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